Vocação - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br Site oficial da Diocese de Uruaçu - GO Sat, 28 Sep 2024 04:02:50 +0000 pt-BR hourly 1 https://old.diocesedeuruacu.com.br/wp-content/uploads/2018/12/cropped-favicon-32x32.png Vocação - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br 32 32 170539269 Abertura Diocesana do 3º Ano Vocacional do Brasil https://photos.app.goo.gl/1pntcoHN37ezHij37#new_tab Tue, 22 Nov 2022 01:03:11 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=65062 65062 Deus nos convida a servir de diferentes maneiras https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/deus-nos-convida-a-servir-de-diferentes-maneiras/ Wed, 31 Aug 2022 19:59:54 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=64541 Não é novidade que em um determinado tempo de nossas vidas, surja a pergunta sobre onde e como doaremos nossas vidas por amor ao Reino de Deus. E é aqui que entra a grande alegria, Deus, o nosso Pai amoroso, não nos abandona neste discernimento, mas traçou um caminho para cada um de nós, um plano de vida. Sabemos também que se a vocação é um mistério, como há de revelar-nos, como compreenderemos este chamado? Através das inspirações que iluminam o nosso interior ou mesmo os conselhos que recebemos de alguém que Ele colocar em nosso caminho, arredando os obstáculos, preparando os auxílios.

Por ocasião deste Mês Vocacional, é uma boa oportunidade para escrevermos sobre o mistério da eleição divina que toca a todos, ou seja, os estados de vida em que uma pessoa poderá corresponder aos desígnios de Deus, como um autêntico operário de sua vinha, uma vez que ele “[…] nos salvou e nos chamou com uma vocação santa, não em virtude de nossas obras, mas em virtude de sua própria vontade e graça […]” (2 Tm 1, 9). Dito isso, falaremos brevemente sobre os estados de vida que abraçamos ou que um dia abraçaremos, seja o matrimônio, seja a vida religiosa ou consagrada, ou mesmo a vocação sacerdotal.

Aos que Deus destina à vocação matrimonial, este estado santo de vida em que os esposos são convidados por Deus a se doarem mutuamente. Estes irão caminhar juntos dirigindo-se ao mesmo ponto, a santidade conjugal, uma vez que falamos aqui de uma instituição sagrada elevada a dignidade de sacramento. Além disso há também o grande tesouro da vida matrimonial, gerar novos filhos para Deus. vale dizer também, que este sacramento é um mistério sagrado; por vezes a Sagradas Escrituras o compara com a própria união e entrega de Cristo à sua Igreja, como afirma o apóstolo Paulo “[…] Este mistério é grande […] (Ef. 5, 32)”. Por isso reiteramos, a santificação mútua é um dos fins do matrimônio.

Agora no que tange a vida religiosa ou consagrada, é um estado, que caracteriza pela separação do mundo, no sentido de renúncia às honras, aos bens da terra, sendo exclusivamente de Deus através da castidade consagrada, que vivida de modo perfeito, ilumina esta vereda com um esplendor celestial, dado que estas almas esquecendo de si próprias se doam inteiramente a Deus, seja mediante o esplendor recluso escondido da vida contemplativa, seja por aquelas, que prestam também serviços à comunidade, seja como educadores, seja auxiliando nas Dioceses, seja cuidando dos doentes, estes de fato, como diz o apóstolo Paulo irão “[…] brilhar como luzeiros no mundo […]”, e mais acrescenta, “[…] terão a glória de não ter corrido em vão, nem trabalhado inutilmente. (Fl 2, 12)”.

Por fim, a vocação sacerdotal, um dom particular de ordem exclusivamente sobrenatural, em que o Padre poderá renovar todos os mistérios e virtudes da vida do Salvador. Um dom recebido gratuitamente pela bondade do Cristo, em que o ministro ordenado participa portanto, do sacerdócio real do Redentor e cumprindo na terra a idêntica missão do mesmo, aliviar as misérias humanas pelo perdão dos pecados e salvando as almas por intermédio dos sacramentos, sobretudo pelo Santo Sacrifício da Missa. É bem verdade que aqueles que são chamados a tão grande missão sintam-se incapazes, no entanto, é preciso considerar com grande espírito de fé pedindo a graça de abraçar e permanecer em uma fidelidade constante, que desembocará num ardente desejo, num amor generoso, na certeza de que trata-se de algo sublime e sobrenatural e de eleição divina, como disse o Divino Mestre: “Não fostes vós que me escolhestes; fui eu que vos escolhi […] (Jo 15, 16)”. Por isso quem recebeu tal chamado, que não sepulte em seu coração tão sublime chamado, ao contrário, anseie os desígnios divinos clamando ao Divino Paráclito que ilumine sua inteligência e direcione seu coração aos suaves atrativos de sua graça, a fim de que possa responder com generosidade e alegria.

Gabriel Novais Silva
1º Ano da Configuração (Teologia)
Agosto de 2022

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Discernimento vocacional: o que Deus tem para mim? https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/discernimento-vocacional-o-que-deus-tem-para-mim/ Fri, 04 Feb 2022 13:03:40 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=62862 O que quero ser e fazer? Estas perguntas acompanham o processo de descoberta da vocação. Deus nos chama a vida, daí nos tornamos filhos pelo batismo, o Senhor nos configura a Ele, neste caminho de configuração ele faz a cada um de nós um convite, a sermos Santos, nos fazendo um chamado por meio de uma vocação específica, seja ao Sacerdócio, a vida religiosa, consagrada e matrimonial.

Para tal precisamos discernir por meio da Palavra, da Oração, da Escuta, o que o Senhor tem a cada um de nós. No ordinário da vida precisamos nos colocar na escuta de Deus, permitir que ele nos fale por meio dos sinais, das realidades do dia a dia.

Como se dá esse processo de discernimento Vocacional?

Primeiro passo, é a abertura do coração para o chamado de Deus, deixá-lo tocar no coração, conhecer-se a si mesmo. Para que este processo aconteça da melhor forma é bom a partir dos primeiros traços ter contato com um sacerdote se possível da paróquia e por meio de um encontro chamado de direção espiritual iniciar um acompanhamento para sanar as dúvidas e inquietações.

Apresento Sete passos precisos para a compreensão do Discernimento Vocacional:

1) ORAÇÃO: “Senhor, que queres que eu faça?” (Atos 22,10)

2) PERCEPÇÃO: Para descobrir o que Deus quer, você tem que ouvir, observar e fazer a experiência. Ouça seu coração: o que é que você quer? Aprenda a observar as pessoas ao seu redor: o que Jesus está dizendo a você pela sua pobreza, sua ignorância, sua dor, seus desesperos, a necessidade de Deus.

3) INFORMAÇÃO: Mantenha-se informado sobre o que é sua missão específica e quais são os meios, os apostolados, que são utilizados para alcançá-lo.

4) REFLEXÃO: Em que sinais concretos você crê que Deus está te chamando? Que razões você tem para ele, ou não, para realizar ou não este caminho? O que é que o(a) atrai?

5) DECISÃO: “Enquanto desciam pela rua, ele lhe disse:” Eu te seguirei aonde quer que vá” (Lc 9, 57). A decisão é um passo na fé, um ato de confiança com seu amigo Jesus.

6) AGIR: Tome uma atitude! “Indo mais longe, viu outros dois irmãos, Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, num barco com seu pai Zebedeu, consertando as redes; e ele os chamou. Imediatamente eles deixaram o barco e seu pai e seguiu-o” (Mt 4, 21-22).
Com sua decisão você também compromete todo o seu passado e futuro. A única maneira de realizar o plano de Deus na vida é a fidelidade de todos os dias. viver cada momento, de acordo com o que decidiu, você dirige todos os seus passos em direção à meta. E quando aparecem as dificuldades? Persevere! Prepare-se para a luta, você terá de enfrentar problemas e superar os obstáculos. Jesus diz: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, e me siga “(Lc 9, 23).

7) ACOMPANHAMENTO VOCACIONAL/ DIREÇÃO ESPIRITUAL: A direção espiritual, na realidade, não é apenas mais um passo no processo de discernimento vocacional, é um meio, que você pode lucrar em cada uma das etapas vistas antes. O diretor espiritual irá motivá-lo para você rezar e entender os sinais da vontade de Deus. Vai ajudá-lo a se preparar adequadamente para entrar em uma casa de formação. Se é verdade que a vocação é um chamado pessoal de Deus, ninguém pode ouvir esse chamado por você, por isso, você precisa ter alguém para acompanhá-lo em seu discernimento vocacional, pois escutando o Chamado de Deus, irá partilhar com outra pessoa essa voz que está a escutar.

O discernimento do plano de Deus, é necessário fazer com a mediação da Igreja. Descobrir a vocação não é fácil, mas não impossível. Se você partiu com sinceridade a buscar a vontade de Deus, e percebeu os passos que sugerimos, acho que você pode entender. Deus é o primeiro interessado em que você possa descobrir e perceber sua vocação. Se coloque na escuta do chamado de Deus em sua Vida. Ele chama qual a sua resposta?

Pe. Ricardo Henrique Silva
Promotor Vocacional

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Mensagem do Papa Francisco para o 58º Dia Mundial de Oração pelas Vocações https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/destaque/mensagem-do-papa-francisco-para-o-58o-dia-mundial-de-oracao-pelas-vocacoes/ Sun, 25 Apr 2021 10:40:28 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=60457

«São José: o sonho da vocação»

 

Queridos irmãos e irmãs!

No dia 8 de dezembro passado, teve início o Ano especial dedicado a São José, por ocasião do 150º aniversário da declaração dele como Padroeiro da Igreja universal (cf. Decreto da Penitenciaria Apostólica, 8 de dezembro de 2020). Da parte minha, escrevi a carta apostólica Patris corde, com o objetivo de «aumentar o amor por este grande Santo» (concl.). Trata-se realmente duma figura extraordinária e, ao mesmo tempo, «tão próxima da condição humana de cada um de nós» (introd.). São José não sobressaía, não estava dotado de particulares carismas, não se apresentava especial aos olhos de quem se cruzava com ele. Não era famoso, nem se fazia notar: dele, os Evangelhos não transcrevem uma palavra sequer. Contudo, através da sua vida normal, realizou algo de extraordinário aos olhos de Deus.

Deus vê o coração (cf. 1 Sam 16, 7) e, em São José, reconheceu um coração de pai, capaz de dar e gerar vida no dia a dia. É isto mesmo que as vocações tendem a fazer: gerar e regenerar vidas todos os dias. O Senhor deseja moldar corações de pais, corações de mães: corações abertos, capazes de grandes ímpetos, generosos na doação, compassivos para consolar as angústias e firmes para fortalecer as esperanças. Disto mesmo têm necessidade o sacerdócio e a vida consagrada, particularmente nos dias de hoje, nestes tempos marcados por fragilidades e tribulações devidas também à pandemia que tem suscitado incertezas e medos sobre o futuro e o próprio sentido da vida. São José vem em nossa ajuda com a sua mansidão, como Santo ao pé da porta; simultaneamente pode, com o seu forte testemunho, guiar-nos no caminho.

A vida de São José sugere-nos três palavras-chave para a vocação de cada um. A primeira é sonho. Todos sonham realizar-se na vida. E é justo nutrir aspirações grandes, expectativas altas, que objetivos efémeros como o sucesso, a riqueza e a diversão não conseguem satisfazer. Realmente, se pedíssemos às pessoas para traduzirem numa só palavra o sonho da sua vida, não seria difícil imaginar a resposta: «amor». É o amor que dá sentido à vida, porque revela o seu mistério. Pois só se tem a vida que se dá, só se possui de verdade a vida que se doa plenamente. A este propósito, muito nos tem a dizer São José, pois, através dos sonhos que Deus lhe inspirou, fez da sua existência um dom.

Os Evangelhos falam de quatro sonhos (cf. Mt 1, 20; 2, 13.19.22). Apesar de serem chamadas divinas, não eram fáceis de acolher. Depois de cada um dos sonhos, José teve de alterar os seus planos e entrar em jogo para executar os misteriosos projetos de Deus, sacrificando os próprios. Confiou plenamente. Podemos perguntar-nos: «Que era um sonho noturno, para o seguir com tanta confiança?» Por mais atenção que se lhe pudesse prestar na antiguidade, valia sempre muito pouco quando comparado com a realidade concreta da vida. Todavia São José deixou-se guiar decididamente pelos sonhos. Porquê? Porque o seu coração estava orientado para Deus, estava já predisposto para Ele. Para o seu vigilante «ouvido interior» era suficiente um pequeno sinal para reconhecer a voz divina. O mesmo se passa com a nossa vocação: Deus não gosta de Se revelar de forma espetacular, forçando a nossa liberdade. Transmite-nos os seus projetos com mansidão; não nos ofusca com visões esplendorosas, mas dirige-Se delicadamente à nossa interioridade, entrando no nosso íntimo e falando-nos através dos nossos pensamentos e sentimentos. E assim nos propõe, como fez com São José, metas elevadas e surpreendentes.

Na realidade, os sonhos introduziram José em aventuras que nunca teria imaginado. O primeiro perturbou o seu noivado, mas tornou-o pai do Messias; o segundo fê-lo fugir para o Egito, mas salvou a vida da sua família. Depois do terceiro, que ordenava o regresso à pátria, vem o quarto que o levou a mudar os planos, fazendo-o seguir para Nazaré, onde precisamente Jesus havia de começar o anúncio do Reino de Deus. Por conseguinte, em todos estes transtornos, revelou-se vitoriosa a coragem de seguir a vontade de Deus. Assim acontece na vocação: a chamada divina impele sempre a sair, a dar-se, a ir mais além. Não há fé sem risco. Só abandonando-se confiadamente à graça, deixando de lado os próprios programas e comodidades, é que se diz verdadeiramente «sim» a Deus. E cada «sim» produz fruto, porque adere a um desígnio maior, do qual entrevemos apenas alguns detalhes, mas que o Artista divino conhece e desenvolve para fazer de cada vida uma obra-prima. Neste sentido, São José constitui um ícone exemplar do acolhimento dos projetos de Deus. Trata-se, porém, de um acolhimento ativo, nunca de abdicação nem capitulação; ele «não é um homem resignado passivamente. O seu protagonismo é corajoso e forte» (Carta ap. Patris corde, 4). Que ele ajude a todos, sobretudo aos jovens em discernimento, a realizar os sonhos que Deus tem para cada um; inspire a corajosa intrepidez de dizer «sim» ao Senhor, que sempre surpreende e nunca desilude!

Uma segunda palavra marca o itinerário de São José e da vocação: serviço. Dos Evangelhos, resulta como ele viveu em tudo para os outros e nunca para si mesmo. O Povo santo de Deus chama-lhe castíssimo esposo, desvendando assim a sua capacidade de amar sem nada reservar para si próprio. Libertando o amor de qualquer posse, abriu-se realmente a um serviço ainda mais fecundo: o seu cuidado amoroso atravessou as gerações, a sua custódia solícita tornou-o patrono da Igreja. Ele que soube encarnar o sentido oblativo da vida, é também patrono da boa-morte. Contudo o seu serviço e os seus sacrifícios só foram possíveis, porque sustentados por um amor maior: «Toda a verdadeira vocação nasce do dom de si mesmo, que é a maturação do simples sacrifício. Mesmo no sacerdócio e na vida consagrada, requer-se este género de maturidade. Quando uma vocação matrimonial, celibatária ou virginal não chega à maturação do dom de si mesmo, detendo-se apenas na lógica do sacrifício, então, em vez de significar a beleza e a alegria do amor, corre o risco de exprimir infelicidade, tristeza e frustração» (Ibid., 7).

O serviço, expressão concreta do dom de si mesmo, não foi para São José apenas um alto ideal, mas tornou-se regra da vida diária. Empenhou-se para encontrar e adaptar um alojamento onde Jesus pudesse nascer; prodigalizou-se para O defender da fúria de Herodes, apressando-se a organizar a viagem para o Egito; voltou rapidamente a Jerusalém à procura de Jesus que tinham perdido; sustentou a família trabalhando, mesmo em terra estrangeira. Em resumo, adaptou-se às várias circunstâncias com a atitude de quem não desanima se a vida não lhe corre como queria: com a disponibilidade de quem vive para servir. Com este espírito, José empreendeu as viagens numerosas e muitas vezes imprevistas da vida: de Nazaré a Belém para o recenseamento, em seguida para Egito, depois para Nazaré e, anualmente, a Jerusalém, sempre pronto a enfrentar novas circunstâncias, sem se lamentar do que sucedia, mas disponível para dar uma mão a fim de reajustar as situações. Pode-se dizer que foi a mão estendida do Pai Celeste para o seu Filho na terra. Assim não pode deixar de ser modelo para todas as vocações, que a isto mesmo são chamadas: ser as mãos operosas do Pai em prol dos seus filhos e filhas.

Por isso gosto de pensar em São José, guardião de Jesus e da Igreja, como guardião das vocações. Com efeito, da própria disponibilidade em servir, deriva o seu cuidado em guardar. «Levantou-se de noite, tomou o menino e sua mãe» (Mt 2, 14): refere o Evangelho, indicando a sua disponibilidade e dedicação à família. Não perdeu tempo a cismar sobre o que estava errado, para não o subtrair a quem lhe estava confiado. Este cuidado atento e solícito é o sinal duma vocação realizada. É o testemunho duma vida tocada pelo amor de Deus. Que belo exemplo de vida cristã oferecemos quando não seguimos obstinadamente as nossas ambições nem nos deixamos paralisar pelas nossas nostalgias, mas cuidamos de quanto nos confia o Senhor, por meio da Igreja! Então Deus derrama o seu Espírito, a sua criatividade sobre nós; e realiza maravilhas, como em José.

Além da chamada de Deus – que realiza os nossos sonhos maiores – e da nossa resposta – que se concretiza no serviço pronto e no cuidado carinhoso –, há um terceiro aspeto que atravessa a vida de São José e a vocação cristã, cadenciando o seu dia a dia: a fidelidade. José é o «homem justo» (Mt 1, 19) que, no trabalho silencioso de cada dia, persevera na adesão a Deus e aos seus desígnios. Num momento particularmente difícil, detém-se «a pensar» em tudo (cf. Mt 1, 20). Medita, pondera: não se deixa dominar pela pressa, não cede à tentação de tomar decisões precipitadas, não segue o instinto nem se cinge àquele instante. Tudo repassa com paciência. Sabe que a existência se constrói apenas sobre uma contínua adesão às grandes opções. Isto corresponde à laboriosidade calma e constante com que desempenhou a profissão humilde de carpinteiro (cf. Mt 13, 55), pela qual inspirou, não as crónicas da época, mas a vida quotidiana de cada pai, cada trabalhador, cada cristão ao longo dos séculos. Porque a vocação, como a vida, só amadurece através da fidelidade de cada dia.

Como se alimenta esta fidelidade? À luz da fidelidade de Deus. As primeiras palavras recebidas em sonho por São José foram o convite a não ter medo, porque Deus é fiel às suas promessas: «José, filho de David, não temas» (Mt 1, 20). Não temas: são estas as palavras que o Senhor dirige também a ti, querida irmã, e a ti, querido irmão, quando, por entre incertezas e hesitações, sentes como inadiável o desejo de Lhe doar a vida. São as palavras que te repete quando no lugar onde estás, talvez no meio de dificuldades e incompreensões, te esforças por seguir diariamente a sua vontade. São as palavras que descobres quando, ao longo do itinerário da chamada, retornas ao primeiro amor. São as palavras que, como um refrão, acompanham quem diz sim a Deus com a vida como São José: na fidelidade de cada dia.

Esta fidelidade é o segredo da alegria. Como diz um hino litúrgico, na casa de Nazaré reinava «uma alegria cristalina». Era a alegria diária e transparente da simplicidade, a alegria que sente quem guarda o que conta: a proximidade fiel a Deus e ao próximo. Como seria belo se a mesma atmosfera simples e radiosa, sóbria e esperançosa, permeasse os nossos seminários, os nossos institutos religiosos, as nossas residências paroquiais! É a alegria que vos desejo a vós, irmãos e irmãs que generosamente fizestes de Deus o sonho da vida, para O servir nos irmãos e irmãs que vos estão confiados, através duma fidelidade que em si mesma já é testemunho, numa época marcada por escolhas passageiras e emoções que desaparecem sem gerar a alegria. São José, guardião das vocações, vos acompanhe com coração de pai!

Roma, São João de Latrão, 19 de março de 2021, Solenidade de São José

Francisco

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“Vocação é Escuta, Discernimento e Vida” https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/vocacao-e-escuta-discernimento-e-vida/ Mon, 08 Feb 2021 20:23:14 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=60131 No último dia 30 de janeiro, sábado, a Pastoral Vocacional Diocesana se encontrou com alguns membros e coordenadores das equipes vocacionais paroquiais para uma formação e atualização do trabalho vocacional realizado em nossas paroquias. No decorrer do encontro vimos o quanto precisamos escutar, discernir, para responder a uma vocação. Deus utiliza de sinais, até da própria Palavra para nos chamar. É preciso estarmos atentos à leitura e escuta orante de sua Palavra, pois o próprio Deus agindo no tempo e na história continua a chamar homens e mulheres cujo coração se encontre aberto a fazer sua vontade.

Todos nós somos chamados a uma vocação, primeiro o chamado universal, à Santidade e segundo a uma vocação específica. O Papa Francisco descreve que nossa vida e presença no mundo, são frutos de uma vocação divina. O sentido da nossa existência é para amar e servir a Deus foi para isso que Deus nos chamou a este mundo.

A vocação é o encontro de duas vontades:
* Uma iniciativa gratuita da parte de Deus.
* Um impulso interior de cada pessoa que responde…

O mesmo Deus que chamou os profetas e seus discípulos continua a nos chamar por amor e desejo de nos salvar, pois vocação não significa apenas fazer algo, mas Ser em primeiro, estar na presença Dele, viver uma comunhão de amor e numa profunda intimidade e entrega do nosso coração a Ele, deixar que faça morada dentro de nós É preciso responder ao chamado do Pai, com um coração de filho que se deixa ser atraído pelo amor do Pai, que ama, cuida e nos trata como filhos. Não servimos como empregados, mas a vocação é atitude e resposta de filho responsável que deseja como Cristo, fazer a vontade do Pai.

Se ouvires a voz de Deus, não fecheis o vosso coração, diga Sim…, aqui estou…, envia-me…. Essa foi a resposta de muitos. Qual será a sua? A Messe é grande e os Operários são poucos, peçamos ao Senhor da Messe que envie Operários. Foi um dia de formação bastante proveitoso, vimos a urgência de rezarmos pelas vocações sem cessar e desenvolver este trabalho vocacional em nossas realidades paroquiais.
Rezemos pelas Vocações!

Elaine Melquiades (Comunidade Católica Nova Aliança)

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A formação sacerdotal em tempos de pandemia https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/a-formacao-sacerdotal-em-tempos-de-pandemia/ Tue, 30 Jun 2020 15:30:29 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=58687 A vocação sacerdotal é, sem dúvida, o maior dom que um homem pode receber neste mundo. O chamado a tal vocação é sempre acompanhado de experiências profundas, que para sempre mudarão o modo de enxergar o sentido da existência humana, tanto daquele que é chamado quanto dos que o cercam. A razão maior e comum a todos os vocacionados ao Sacerdócio é doação da própria vida, a Deus e aos irmãos, na Igreja, pela configuração total a Cristo, Sumo e Eterno Sacerdote.

O início da caminhada vocacional é marcado por muitas motivações, grandes esperanças e alguns ideais, que precisam ser purificados até alcançarem a maturidade que se espera de um candidato ao exercício de tão grande missão. Muitas são as vezes em que os acontecimentos “fogem do protocolo” imaginado e até desejado por um seminarista. Diante dessa situação, existem duas posturas possíveis: fechar-se em suas próprias convicções humanas ou abrir-se à ação do Espírito Santo, para ser modelado segundo os desígnios de Deus e de Sua Igreja.

Dentre os aspectos fundamentais do itinerário formativo, deve-se enfatizar a necessidade de uma boa vivência comunitária e de uma sólida vida espiritual. Sem oração e convivência fraterna é impossível que um homem assuma a continuação da missão de Jesus: fazer com “que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade.” (1 Tm 2, 4). Esta formação se inicia no Seminário e continua ao longo de toda a vida do sacerdote.

Um bom exemplo é o isolamento social que agora vivemos. Toda a rotina de estudos, de oração e de convivência comunitária teve que ser adaptada à realidade que se nos apresenta. Excepcionalmente, nossa Diocese nos enviou para as casas paroquiais, onde pudemos continuar a formação de um modo diferente. A convivência com os sacerdotes, a participação diária na Santa Missa, a Oração das Horas são as fontes de onde haurimos a força para viver este tempo.

Os seminaristas devem estar conscientes de que serão, segundo a Vontade de Deus, membros de um mesmo Presbitério, e que desde já devem cultivar a unidade, a mútua intercessão e a amizade sincera. A devoção a Nossa Senhora, através do Santo Terço que rezamos juntos todas as semanas pelos meios de comunicação, tem nos ajudado muito a manter estas relações tão essenciais. Afinal, nunca se ouviu dizer que um consagrado tenha se santificado sem que cultivasse uma autêntica devoção pela Mãe de Deus.
É possível atestar agora o caráter transcendental das dimensões comunitária e espiritual. Mesmo que não possamos nos reunir fisicamente, continuamos unidos por um mesmo objetivo: sermos sacerdotes segundo o Coração de Jesus. Certamente, quando retornarmos ao Seminário, teremos muitas experiências para compartilhar. As boas lembranças sempre nos devem animar neste caminho de discernimento; as más, serão fonte de aprendizado e correção, para que, em tudo Deus seja glorificado em nós. (Cf. 2Ts 1, 12).

Thalys Oliveira Melo – Seminarista

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Mensagem do papa Francisco para o 57º Dia Mundial de Oração pelas Vocações https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/destaque/mensagem-do-papa-francisco-para-o-57o-dia-mundial-de-oracao-pelas-vocacoes/ Tue, 28 Apr 2020 21:36:12 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=58314 Queridos irmãos e irmãs!

Em 4 de agosto do ano passado, no 160º aniversário da morte do Santo Cura d’Ars, quis dedicar uma Carta aos sacerdotes, que todos os dias, obedecendo à chamada que o Senhor lhes dirigiu, gastam a vida ao serviço do Povo de Deus.

Então escolhi quatro palavras-chave – tribulação, gratidão, coragem e louvor – para agradecer aos sacerdotes e apoiar o seu ministério. Acho que, neste 57º Dia Mundial de Oração pelas Vocações, poderiam retomar aquelas palavras e dirigi-las a todo o Povo de Deus, tendo como pano de fundo o texto evangélico que nos conta a experiência singular que sobreveio a Jesus e a Pedro durante uma noite de tempestade no lago de Tiberíades (cf. Mt 14,22-33).

Depois da multiplicação dos pães, que entusiasmou a multidão, Jesus manda os discípulos subir para o barco e seguir à sua frente para a outra margem, enquanto ele despedia o povo. A imagem dessa travessia do lago sugere de algum modo a viagem da nossa existência. De fato, o barco da nossa vida avança lentamente, sempre preocupado com a procura de um local afortunado de atracagem, pronto a desafiar os riscos e as conjunturas do mar, mas desejoso também de receber do timoneiro a orientação que o coloque finalmente na rota certa.

Assim acontece também no coração dos discípulos que, chamados a seguir o Mestre de Nazaré, têm de se decidir a passar à outra margem, optando corajosamente por abandonar as próprias seguranças e seguir os passos do Senhor.

Mas, na aventura dessa travessia não fácil, o Evangelho diz-nos que não estamos sozinhos.
Assim, a primeira palavra da vocação é gratidão. Navegar pela rota certa não é uma tarefa confiada só aos nossos esforços, nem depende apenas dos percursos que escolhemos fazer.

A realização de nós mesmos e dos nossos projetos de vida não é o resultado matemático do que decidimos dentro do nosso “eu” isolado; pelo contrário, trata-se, antes de mais nada, da resposta a uma chamada que nos chega do Alto. É o Senhor que nos indica a margem para onde ir e, ainda antes disso, dá-nos a coragem de subir para o barco; e ele, ao mesmo tempo que nos chama, faz-se também nosso timoneiro para nos acompanhar, mostrar a direção, impedir de encalhar nas rochas da indecisão e tornar-nos capazes até de caminhar sobre as águas tumultuosas.

Toda a vocação nasce daquele olhar amoroso com que o Senhor veio ao nosso encontro, talvez mesmo quando o nosso barco estava à mercê da tempestade. “Mais do que uma escolha nossa, a vocação é resposta a uma chamada gratuita do Senhor” (Carta aos Presbíteros, 4/08/2019); por isso conseguiremos descobri-la e abraçá-la, quando o nosso coração se abrir à gratidão e souber reconhecer a passagem de Deus pela nossa vida.
Quando os discípulos veem aproximar-se Jesus caminhando sobre as águas, começam por pensar que se trata de um fantasma e assustam-se. Mas Jesus imediatamente os tranquiliza com uma palavra que deve acompanhar sempre a nossa vida e o nosso caminho vocacional: “Coragem! Sou Eu! Não temais!” (Mt 14,27). Esta é precisamente a segunda palavra que gostaria de vos deixar: coragem.

Frequentemente aquilo que nos impede de caminhar, crescer, escolher a estrada que o Senhor traça para nós são os fantasmas que pululam nos nossos corações. Quando somos chamados a deixar a nossa margem segura para abraçar um estado de vida – como o matrimônio, o sacerdócio ordenado, a vida consagrada – muitas vezes a primeira reação é constituída pelo “fantasma da incredulidade”: não é possível que essa vocação seja para mim; trata-se verdadeiramente da estrada certa? Precisamente a mim é que o Senhor pede isso?

O Senhor sabe que uma opção fundamental de vida – como casar-se ou consagrar-se de forma especial ao seu serviço – exige coragem. Ele conhece os interrogativos, as dúvidas e as dificuldades que agitam o barco do nosso coração e, por isso, nos tranquiliza: “Não tenhas medo! Eu estou contigo”. A fé na presença dele que vem ao nosso encontro e nos acompanha mesmo quando o mar está revolto, liberta-nos daquela acedia que podemos definir uma “tristeza adocicada” (Carta aos Presbíteros, 4/08/2019), isto é, aquele desânimo interior que nos bloqueia impedindo-nos de saborear a beleza da vocação.
Na Carta aos Presbíteros, falei também da tribulação, que aqui gostaria de especificar concretamente como fadiga. Toda a vocação requer empenho. O Senhor chama-nos, porque nos quer tornar, como Pedro, capazes de “caminhar sobre as águas”, isto é, pegar na nossa vida para a colocar ao serviço do Evangelho, nas formas concretas que ele nos indica cada dia e, de modo especial, nas diferentes formas de vocação laical, presbiteral e de vida consagrada.

Se nos deixarmos arrastar pelo pensamento das responsabilidades que nos esperam – na vida matrimonial ou no ministério sacerdotal – ou das adversidades que surgirão, bem depressa desviaremos o olhar de Jesus e, como Pedro, arriscamo-nos a afundar. Pelo contrário a fé permite-nos, apesar das nossas fragilidades e limitações, caminhar ao encontro do Senhor Ressuscitado e vencer as próprias tempestades. Pois ele estende-nos a mão, quando, por cansaço ou medo, corremos o risco de afundar e dá-nos o ardor necessário para viver a nossa vocação com alegria e entusiasmo.

Por fim, quando Jesus sobe para o barco, cessa o vento e aplacam-se as ondas. É uma bela imagem daquilo que o Senhor realiza na nossa vida e nos tumultos da história, especialmente quando estamos a braços com a tempestade: Ele ordena aos ventos contrários que se calem, e então as forças do mal, do medo, da resignação deixam de ter poder sobre nós.

Na vocação específica que somos chamados a viver, esses ventos podem debilitar-nos. Penso em quantos assumem funções importantes na sociedade civil, nos esposos, que intencionalmente me apraz definir “os corajosos”, e de modo especial penso nas pessoas que abraçam a vida consagrada e o sacerdócio. Conheço a vossa fadiga, as solidões que às vezes tornam pesado o coração, o risco da monotonia que pouco a pouco apaga o fogo ardente da vocação, o fardo da incerteza e da precariedade dos nossos tempos, o medo do futuro. Coragem, não tenhais medo! Jesus está ao nosso lado e, se o reconhecermos como único Senhor da nossa vida, Ele estende-nos a mão e agarra-nos para nos salvar.
E então a nossa vida, mesmo no meio das ondas, abre-se ao louvor. Essa é a última palavra da vocação, e pretende ser também o convite a cultivar a atitude interior de Maria Santíssima: agradecida pelo olhar que Deus pousou sobre ela, superando na fé medos e perturbações, abraçando com coragem a vocação, ela fez da sua vida um cântico eterno de louvor ao Senhor.

Caríssimos, especialmente neste Dia de Oração pelas Vocações, mas também na ação pastoral ordinária das nossas comunidades, desejo que a Igreja percorra este caminho ao serviço das vocações, abrindo brechas no coração de todos os fiéis, para que cada um possa descobrir com gratidão a chamada que Deus lhe dirige, encontrar a coragem de dizer “sim”, vencer a fadiga com a fé em Cristo e finalmente, como um cântico de louvor, oferecer a própria vida por Deus, pelos irmãos e pelo mundo inteiro. Que a Virgem Maria nos acompanhe e interceda por nós.

Roma, São João de Latrão, 8 de março de 2020.

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Vida religiosa https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/vida-religiosa/ Thu, 22 Aug 2019 18:08:44 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=56533 No transcurso do mês de agosto e dentro da temática vocacional, damos evidência para a “vida religiosa”. Na Igreja Católica é chamado de “religioso” todo cristão que, na sua escolha vocacional, opta por pertencer a uma entidade, a um Instituto ou Congregação Religiosa. A vocação é fruto de uma escolha na vida com proposta de ação entendida como vontade divina.

A vida religiosa passa por momento de grandes desafios, principalmente aquelas mais antigas e tradicionais. Elas estão reféns da cultura do descartável, da instabilidade e mudanças galopantes, avessa às coisas tradicionais e estabilizadas. Valores que as sustentavam por séculos foram colocados no ostracismo. Vivem hoje num processo de esvaziamento e carência de novas vocações.

De um lado temos essas instituições citadas acima. Por outro lado surgem novas formas de vida cristã, novas experiências comunitárias de vida e com grande capacidade de atração. Surgem aqui e ali as chamadas “Novas Comunidades”, as de Vida e as de Aliança, com um jeito próprio de ser e de atuar na vida da Igreja. Podemos entender como novo modo de ação do Espírito Santo.

Em tudo isso é possível sentir os sinais de Deus na vida das Comunidades Cristãs. São símbolos e instrumentos da proximidade das pessoas com Deus. O Senhor se manifesta quando o vocacionado está disposto e aberto para cumprir com fidelidade sua missão. Fato que acontece em todas as Instituições Religiosas, mesmo com as dificuldades de umas e de outras para concretizar seus objetivos.

O clima secularista dos últimos tempos e as sombras vividas pela Igreja em relação existencial de alguns de seus membros no exercício de sua vocação tem preocupado o Papa Francisco. As cobranças quanto ao fiel testemunho de vida têm aumentado, e com plena razão, porque não podemos continuar com uma Igreja muito ferida na sua identidade pelos seus próprios membros.

Com as fortes exigências dos últimos séculos, é necessário inaugurar um novo tempo para a vida da Igreja. É fazer o que Jesus fez na cruz, vencendo a morte com a vida. Esta é a missão dos novos vocacionados, seja nas Instituições tradicionais, seja nas Novas Comunidades, revitalizando a conduta de seus membros para fazer da Igreja instrumento de evangelização para melhorar o mundo.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba (MG)

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Mensagem do papa Francisco para o 55º Dia Mundial de Oração pelas Vocações https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/mensagem-do-papa-francisco-para-o-55o-dia-mundial-de-oracao-pelas-vocacoes/ Sun, 22 Apr 2018 13:51:22 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=51986 (22 de abril de 2018 – IV Domingo da Páscoa)
Tema: «Escutar, discernir, viver a chamada do Senhor»
Queridos irmãos e irmãs!

No próximo mês de outubro, vai realizar-se a XV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, que será dedicada aos jovens, particularmente à relação entre jovens, fé e vocação. Nessa ocasião, teremos oportunidade de aprofundar como, no centro da nossa vida, está a chamada à alegria que Deus nos dirige, constituindo isso mesmo «o projeto de Deus para os homens e mulheres de todos os tempos» (Sínodo dos Bispos – XV Assembleia Geral Ordinária, Os jovens, a fé e o discernimento vocacional, Introdução).

Trata-se duma boa notícia, cujo anúncio volta a ressoar com vigor no 55.º Dia Mundial de Oração pelas Vocações: não estamos submersos no acaso, nem à mercê duma série de eventos caóticos; pelo contrário, a nossa vida e a nossa presença no mundo são fruto duma vocação divina.

Também nestes nossos agitados tempos, o mistério da Encarnação lembra-nos que Deus não cessa jamais de vir ao nosso encontro: é Deus connosco, acompanha-nos ao longo das estradas por vezes poeirentas da nossa vida e, sabendo da nossa pungente nostalgia de amor e felicidade, chama-nos à alegria. Na diversidade e especificidade de cada vocação, pessoal e eclesial, trata-se de escutar, discernir e viver esta Palavra que nos chama do Alto e, ao mesmo tempo que nos permite pôr a render os nossos talentos, faz de nós também instrumentos de salvação no mundo e orienta-nos para a plenitude da felicidade.

Estes três aspetos – escuta, discernimento e vida – servem de moldura também ao início da missão de Jesus: passados os quarenta dias de oração e luta no deserto, visita a sua sinagoga de Nazaré e, aqui, põe-Se à escuta da Palavra, discerne o conteúdo da missão que o Pai Lhe confia e anuncia que veio realizá-la «hoje» (cf. Lc 4, 16-21).
Escutar

A chamada do Senhor – fique claro desde já – não possui a evidência própria de uma das muitas coisas que podemos ouvir, ver ou tocar na nossa experiência diária. Deus vem de forma silenciosa e discreta, sem Se impor à nossa liberdade. Assim pode acontecer que a sua voz fique sufocada pelas muitas inquietações e solicitações que ocupam a nossa mente e o nosso coração.

Por isso, é preciso preparar-se para uma escuta profunda da sua Palavra e da vida, prestar atenção aos próprios detalhes do nosso dia-a-dia, aprender a ler os acontecimentos com os olhos da fé e manter-se aberto às surpresas do Espírito.

Não poderemos descobrir a chamada especial e pessoal que Deus pensou para nós, se ficarmos fechados em nós mesmos, nos nossos hábitos e na apatia de quem desperdiça a sua vida no círculo restrito do próprio eu, perdendo a oportunidade de sonhar em grande e tornar-se protagonista daquela história única e original que Deus quer escrever connosco.

Também Jesus foi chamado e enviado; por isso, precisou de Se recolher no silêncio, escutou e leu a Palavra na Sinagoga e, com a luz e a força do Espírito Santo, desvendou em plenitude o seu significado relativamente à sua própria pessoa e à história do povo de Israel.

Hoje este comportamento vai-se tornando cada vez mais difícil, imersos como estamos numa sociedade rumorosa, na abundância frenética de estímulos e informações que enchem a nossa jornada. À barafunda exterior, que às vezes domina as nossas cidades e bairros, corresponde frequentemente uma dispersão e confusão interior, que não nos permite parar, provar o gosto da contemplação, refletir com serenidade sobre os acontecimentos da nossa vida e realizar um profícuo discernimento, confiados no desígnio amoroso de Deus a nosso respeito.

Mas, como sabemos, o Reino de Deus vem sem fazer rumor nem chamar a atenção (cf. Lc 17, 21), e só é possível individuar os seus germes quando sabemos, como o profeta Elias, entrar nas profundezas do nosso espírito, deixando que este se abra ao sopro impercetível da brisa divina (cf. 1 Re 19, 11-13).

Discernir

Na sinagoga de Nazaré, ao ler a passagem do profeta Isaías, Jesus discerne o conteúdo da missão para a qual foi enviado e apresenta-o aos que esperavam o Messias: «O Espírito do Senhor está sobre Mim; porque Me ungiu para anunciar a Boa-Nova aos pobres; enviou-Me a proclamar a libertação aos cativos e, aos cegos, a recuperação da vista; a mandar em liberdade os oprimidos, a proclamar o ano favorável da parte do Senhor» (Lc 4, 18-19).

De igual modo, cada um de nós só pode descobrir a sua própria vocação através do discernimento espiritual, um «processo pelo qual a pessoa, em diálogo com o Senhor e na escuta da voz do Espírito, chega a fazer as opções fundamentais, a começar pela do seu estado da vida» (Sínodo dos Bispos – XV Assembleia Geral Ordinária, Os jovens, a fé e o discernimento vocacional, II. 2).

Em particular, descobrimos que a vocação cristã tem sempre uma dimensão profética. Como nos atesta a Escritura, os profetas são enviados ao povo, em situações de grande precariedade material e de crise espiritual e moral, para lhe comunicar em nome de Deus palavras de conversão, esperança e consolação. Como um vento que levanta o pó, o profeta perturba a falsa tranquilidade da consciência que esqueceu a Palavra do Senhor, discerne os acontecimentos à luz da promessa de Deus e ajuda o povo a vislumbrar, nas trevas da história, os sinais duma aurora.

Também hoje temos grande necessidade do discernimento e da profecia, de superar as tentações da ideologia e do fatalismo e de descobrir, no relacionamento com o Senhor, os lugares, instrumentos e situações através dos quais Ele nos chama. Todo o cristão deveria poder desenvolver a capacidade de «ler por dentro» a vida e individuar onde e para quê o está a chamar o Senhor a fim de ser continuador da sua missão.

Viver

Por último, Jesus anuncia a novidade da hora presente, que entusiasmará a muitos e endurecerá a outros: cumpriu-se o tempo, sendo Ele o Messias anunciado por Isaías, ungido para libertar os cativos, devolver a vista aos cegos e proclamar o amor misericordioso de Deus a toda a criatura. Precisamente «cumpriu-se hoje – afirma Jesus – esta passagem da Escritura que acabais de ouvir» (Lc 4, 20).

A alegria do Evangelho, que nos abre ao encontro com Deus e os irmãos, não pode esperar pelas nossas lentidões e preguiças; não nos toca, se ficarmos debruçados à janela, com a desculpa de continuar à espera dum tempo favorável; nem se cumpre para nós, se hoje mesmo não abraçarmos o risco duma escolha. A vocação é hoje! A missão cristã é para o momento presente! E cada um de nós é chamado – à vida laical no matrimónio, à vida sacerdotal no ministério ordenado, ou à vida de especial consagração – para se tornar testemunha do Senhor, aqui e agora.
Realmente este «hoje» proclamado por Jesus assegura-nos que Deus continua a «descer» para salvar esta nossa humanidade e fazer-nos participantes da sua missão. O Senhor continua ainda a chamar para viver com Ele e segui-Lo numa particular relação de proximidade ao seu serviço direto. E, se fizer intuir que nos chama a consagrar-nos totalmente ao seu Reino, não devemos ter medo. É belo – e uma graça grande – estar inteiramente e para sempre consagrados a Deus e ao serviço dos irmãos!

O Senhor continua hoje a chamar para O seguir. Não temos de esperar que sejamos perfeitos para dar como resposta o nosso generoso «eis-me aqui», nem assustar-nos com as nossas limitações e pecados, mas acolher a voz do Senhor com coração aberto. Escutá-la, discernir a nossa missão pessoal na Igreja e no mundo e, finalmente, vivê-la no «hoje» que Deus nos concede.

Maria Santíssima, a jovem menina de periferia que escutou, acolheu e viveu a Palavra de Deus feita carne, nos guarde e sempre acompanhe no nosso caminho.

Vaticano, 3 de dezembro – I domingo do Advento – de 2017.

Francisco

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O dom da vocação presbiteral https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/o-dom-da-vocacao-presbiteral/ Thu, 12 Apr 2018 13:15:17 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=51869 O papa Francisco recebeu em audiência, no dia 21 de outubro, a comunidade do Colégio Pio Brasileiro. Dirigindo-se aos presbíteros presentes disse que “o povo de Deus gosta e precisa ver que seus padres se amam e vivem como irmãos. Isto é ainda mais verdadeiro pensando no Brasil e nos desafios tanto de âmbito religioso como no social que lhes esperam ao retorno. De fato, neste momento difícil da sua história nacional, em que tantas pessoas parecem ter perdido a esperança num futuro melhor por causa dos enormes problemas sociais e de uma escandalosa corrupção, o Brasil precisa que os seus padres sejam um sinal de esperança. Os brasileiros precisam ver um clero unido, fraterno e solidário, em que os padres se unem para enfrentar juntos os obstáculos, sem ceder à tentação do protagonismo ou do carreirismo. Estejam atentos com isso! Tenho a certeza de que o Brasil vai superar a sua crise, e confio que nisso vocês serão protagonistas”.

O Santo Padre exorta os pastores do Povo de Deus a assumirem os desafios da evangelização, tanto em âmbito religioso como no social. Isso pressupõe homens tocados pela experiência do encontro com o Crucificado-Ressuscitado; ungidos para anunciar aos pobres o ano da graça do Senhor (Lc 4, 18-19.21); sabedores de ser profundamente amados por Deus e acompanhados por Ele; ensinando para as suas comunidades o caminho de saída de si mesmos para ir ao encontro de Cristo e dos irmãos; oferecendo a própria vida com generosidade e dedicação pelo anúncio do Evangelho; animados por uma sadia inquietude que os mantém a caminho; atentos para que o hábito e a mediocridade não esfriem o dom recebido do Senhor; sustentados pela força do Evangelho e da oração; deixando-se ensinar pela vida pastoral e pelo Povo de Deus; vigilantes para que as fragilidades e contradições da condição humana não se sobreponham à graça recebida. Ou ainda, “com o olhar e os sentimentos de Jesus, que contempla a realidade não como juiz, mas como bom samaritano; que reconhece os valores do povo com quem caminha, bem como as suas feridas e pecados; que descobre o sofrimento silencioso e se comove perante as necessidades das pessoas, sobretudo quando estas se encontram oprimidas pela injustiça, a pobreza indigna, a indiferença ou pela ação perversa da corrução e da violência” (Papa Francisco, Medellin, 09/09/2017).

Os presbíteros, inseridos no cotidiano da vida de inúmeras comunidades, trabalham muito, anunciando e testemunhando o amor Daquele que nos amou por primeiro (cf. 1Jo 4,10). São homens desapegados, dedicados, despojados, cheios de alegria e generosidade, com espírito de serviço e obediência, em comunhão com seus bispos e irmãos no presbitério, dispostos a promover, animar e coordenar junto às comunidades a obra da evangelização.

Num contexto de mudança de época, o presbítero é um discípulo a caminho; é um homem que busca no cotidiano seguir fielmente o Senhor que não veio para ser servido, mas para servir (cf. Mc 10,45), oferecendo, generosa e gratuitamente a própria vida para que outros “tenham vida, e a tenham em abundância” (Jo 10,10).

A nova Ratio Fundamentalis Institutionis Sacerdotalis, publicada em 8 de dezembro de 2016, propõe indicações para a formação, inicial e permanente, dos presbíteros. Como entender o termo Ratio? Usualmente ratio se traduz para o português como razão, o porquê, o móvel, o motivo, finalidade, meta, fundamento, princípio, causa. Todos esses termos procuram apontar para o mesmo, sem poderem dizê-lo por completo, num único termo. Sintetizando, podemos traduzir o termo Ratio por compreensão essencial. Trata-se, pois, de uma compreensão. Compreender não é um entender qualquer, geral, indefinido, sem determinação, mas sim essencial. Trata-se, pois, da compreensão da essência da ‘institutionis sacerdotalis’. A palavra essência na sua formulação é semelhante à paciência, tendência, obediência, e significa a dinâmica (-ência), o vigor, a vitalidade do ser (esse-ência), o móvel, o fundamento da ‘institutionis sacerdotalis’.

Esse novo documento que trata da questão da formação dos presbíteros aponta, pois, para o próprio da ‘intituitionis sacerdotalis’. Podemos afirmar que o documento expressa a identidade do ser presbítero. Identidade aqui é compreendida, não estática, mas dinamicamente: o que determina e move o ser humano, a partir do fundo dele mesmo (fundamento), qual uma fonte borbulhante (princípio, causa), determinando-o à ação da busca de uma meta (finalidade) que o realiza plenamente enquanto presbítero. Ratio, na Tradição do Ocidental é tradução latina da expressão grega LogV (logos) ou NouV (nous), que significa não apenas uma das “faculdades da alma”, hoje denominada razão, unilateral ao lado das outras também unilaterais, denominadas vontade e sentimento, mas sim o vigor de fundo do ser humano no que ele tem de mais próprio: a liberdade ou na nossa linguagem hodierna autonomia. Ratio Fundamentalis nessa acepção significa então a dinâmica, o fundamento, o núcleo, a essência do ser presbítero, da participação pessoal na ‘institutionis sacerdotalis’, ancorada na força, na vigência da liberdade ou da autonomia humana.

A ‘Ratio Fundamentalis Institutionis sacerdotalis’ é, pois, indicação vigorosa a respeito do quê e do como ser presbítero. Ela exprime o cuidado e o acompanhamento dos presbíteros e de sua formação, enquanto vocacionados a fazer próprios os sentimentos de Cristo Jesus (Fil 2,5), no exercício cotidiano da caridade pastoral, no seio de uma fraternidade presbiteral.

*Arcebispo metropolitano de Porto Alegre (RS) e presidente da Comissão para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB.

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