Visita ad limina apostolorum - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br Site oficial da Diocese de Uruaçu - GO Sat, 28 Sep 2024 03:58:49 +0000 pt-BR hourly 1 https://old.diocesedeuruacu.com.br/wp-content/uploads/2018/12/cropped-favicon-32x32.png Visita ad limina apostolorum - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br 32 32 170539269 O que é Visita “ad limina apostolorum”? https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/o-que-e-visita-ad-limina-apostolorum/ Sun, 27 Jun 2021 14:42:52 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=60869 Sucedendo os Apóstolos, cada Bispo Diocesano governa a Igreja que lhe é confiada com poder legislativo, executivo e judiciário, de acordo com o direito, e representa esta porção do Povo de Deus no âmbito eclesiástico e civil.

Entre seus deveres está o de apresentar um relatório a cada 5 anos sobre sua diocese ao Santo Padre, como ordena o cânone 400§1. No ano em que é obrigado apresentar o relatório ao Sumo Pontífice, salvo determinação contrária da Sé Apostólica, o Bispo diocesano deve ir a Roma para venerar os sepulcros dos Apóstolos Pedro e Paulo e apresentar-se ao Romano Pontífice.

Tal dever é conhecido como “Visita ad limina apostolorum”. E, quando o Bispo está impedido (enfermo, exilado) ou a Diocese está vacante (por morte do bispo ou transferência), o Administrador Diocesano cumpre esta tarefa indo a Roma, com o mesmo objetivo.

Em que consistem os três objetivos da visita? 1) Expor a situação pastoral da diocese, contemplando aspectos como: evangelização, administração dos sacramentos, as paróquias, seminário, Tribunal eclesiástico, a questão financeira, elementos culturais e outros; 2) Venerar o príncipe dos apóstolos e ao apóstolo dos gentios: momentos de oração e celebrações da fé junto a seus túmulos; 3) Apresentar-se ao Papa: expressar religioso afeto ao sucessor de Pedro a quem Jesus constituiu primeiro entre os iguais (Mt. 16,18).

Nesta ocasião se faz, em grupos organizados, a visita aos dicastérios da Cúria Romana, organismos de governo do Papa. Ali, o prefeito da correspondente congregação faz uma explanação de como funciona o referido instituto, a serviço da Igreja católica de todo o mundo, em determinado assunto; os bispos interagem tirando dúvidas e fazendo suas proposições, aperfeiçoando o sistema de unidade querido por nosso Salvador.

O administrador de nossa Diocese recentemente fez muito bem esta tarefa, e estamos agradecidos pela garantia histórica de pertença a Igreja de Jesus que segue atuando no mundo sob a infusão do Espírito Santo.

Pe. Crésio Rodrigues
Vigário Judicial da Diocese de Uruaçu

 

Existem normas para o Batismo?

Maria Santíssima no Código canônico

Liberdade Religiosa

O que o Direito Canônico tem a ver com a Pastoral?

Como surge um sacerdote?

Como ocorre a substituição de um bispo diocesano?

 

]]>
60869
Visita ad limina apostolorum 2020 https://photos.app.goo.gl/aUA1yxfw3Vn5m4rU7#new_tab Wed, 19 Feb 2020 21:34:20 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=57865 57865 Bispos e administradores diocesanos do Regional Centro-Oeste retornam às suas dioceses https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/destaque/bispos-e-administradores-diocesanos-do-regional-centro-oeste-retornam-as-suas-dioceses/ Wed, 19 Feb 2020 12:40:20 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=57796 Terminou nesta segunda-feira, 17 de fevereiro, lá em Roma, a visita que os bispos do Centro-Oeste fizeram dentro do programa de visitas ad limina que a CNBB realiza neste ano de 2020. O padre Francisco Agamenilton, Administrador Diocesano de Uruaçu (GO), enviou seu último boletim:

DIA 17 – Hoje, último dia da Visita ad limina apostolorum, vivenciamos um dos momentos centrais: a visita ao sepulcro do Apóstolo São Pedro, na Basílica que leva o nome do santo. Celebramos a missa às 7h30 presidida pelo cardeal dom João Braz de Aviz; ao final, diante do sepulcro, professamos nossa fé recitando o Credo.

Nossa jornada prosseguiu com a visita ao Tribunal da Assinatura Apostólica, departamento que, entre outras tarefas, cuida da prática da justiça exercitada nos tribunais eclesiásticos. Fomos bem recebidos pelo cardeal dom Dominique Mamberti e seus auxiliares às 9h30. Coube a dom José Francisco Falcão apresentar o nosso Regional ao senhor cardeal. Esta visita foi uma oportunidade para falarmos sobre as atividades dos tribunais eclesiásticos de Goiânia, Brasília e Uruaçu e acolhermos algumas indicações sobre a aplicação do direito canônico.

À tarde fomos recebidos pelo cardeal Gianfranco Ravasi e seus auxiliares no Pontifício Conselho para a Cultura. O diálogo foi aberto após a síntese da realidade cultural religiosa vivida por nossas dioceses ter sido apresentada por dom Washington. Foram tratados vários argumentos como: diálogo fé e razão, cultura e fé, o mundo do esporte, arte, inteligência artificial, comunicação digital e bens culturais, todos como espaços de diálogo e promoção da pessoa humana na sua integralidade.

Com esta última visita encerramos a Visita ad limina apostolorum 2020. Tudo ocorreu em um clima de muita comunhão, fraternidade e fé. Amanhã, terça-feira, os bispos e administradores regressarão às suas dioceses para compartilhar com os seus diocesanos a evangélica experiência de vir a Roma para “ver Pedro”.

Agradecemos a você que nos acompanhou e rezou por nós. Saiba que também rezamos por você.

****************************

Missa na cripta da Basílica de São Pedro

Homilia do Cardeal João Braz de Aviz

Esta Basílica, do século 16, 17, foi fundada em cima da primeira Basílica de Constantino, que por sua vez foi fundada obedecendo, justamente, a posição do túmulo de Pedro. E quando a gente visita essa catacumba mais conservada, mais cuidada, a gente percebe que houve uma preocupação, muito forte, de preservar o túmulo de Pedro. Uma preocupação que esse lugar ficasse, com certeza, identificado. Tanto que Constantino jogou um bocado da terra que foi feito o aterro em cima do túmulo e escondeu e, depois, foi feito esse fundamento.

Para nós, esta sede, a sede do Apóstolo Pedro, tem uma consequência muito forte na nossa vida de pastores. Claro que nós professamos a nossa fé em Jesus Cristo e nós sabemos o quanto isso é central para todos nós, até ao ponto de dar a vida, se isso for preciso. Mas, na história há uma mediação e essa mediação é de Pedro para a unidade da Igreja. Dias atrás, quando nós celebramos o dia 2 de fevereiro, na missa, o Papa foi na véspera, na tarde do dia 1. Eu usei na saudação a ele, a palavra: Sando Padre, vivemos um tempo de turbulência. Ele deu uma risada, como faz sempre e disse: João, as turbulências são necessárias. Eu falei: pois é, Santo Padre, mas elas existem. Ele disse: elas existem. E, de fato, a Igreja sempre passou por momentos assim, de turbulências. A gente sabe que ela permanece em pé e não é pela nossa capacidade, não é pelo nosso saber fazer, mas é por esse mistério da presença de Cristo e também da presença de Cristo na pessoa de Pedro que é o único, no mundo, que tem essa promessa e a realização dessa promessa que a Igreja será edificada sobre essa pedra.

Uma vez, aqui em Roma, se falava desse período de turbulência devido o fato de nós termos dois papas. Se usou, numa das universidades aqui de Roma, a palavra: “neste tempo do papado alargado”. E a expressão não foi para frente porque não existe papado alargado, existe um papado só, existe um papa único. E nesse sentido, para nós também, é importante não nos fixarmos na figura de um papa. Nós temos a graça de todos os papas, praticamente, desses últimos anos da Igreja são declarados santos, faltam poucos para serem declarados santos. Então, essa é uma graça muito grande. Mas, esse é o momento, é o momento de Francisco. É com Francisco que nós caminhamos. Sem Francisco, não existe Igreja. E é importante que a gente tenha dentro da gente essa capacidade sempre de se “aggiornar”, de se atualizar, de quebrar os esquemas que nós já tínhamos construído, mantê-los dentro da fé e faze-los seguir. Então, essa missa de hoje, para nós, tem um chamado muito bonito, eu acho, para essa comunhão profunda da Igreja, para essa colegialidade.

Por onde caminhar? Hoje a gente lembra uma família religiosa que nasceu de sete leigos, sete santos servitas, os Servos de Maria. Nasceu logo depois da linha do tempo de São Francisco. Nasceu em Florença. Foi lá no Monte Cenário. Homens que trabalharam com o dinheiro, mas que tinham no coração a força da fé e que se recolheram a um lugar onde podiam manifestar esse desígnio de Deus para o qual eles se sentiam chamados e escolheram Nossa Senhora como modelo para eles caminharem, os Servos de Maria. E, daqui uns dias também, a gente vai celebrar a Cátedra de São Pedro, dia 22. Então, eu acho importante a gente poder dizer: Senhor é nesta fé que nós caminhamos.

Alguns de nós que somos um pouco mais velhos, já olhando para vocês que estão chegando, sabemos que o tempo da gente está passando. A gente quer passar da tenda para a casa, logo que puder. Mas, a Igreja é chamada para essa fidelidade. Os tempos mudam, as necessidades também se apresentam daqui e dali, as contradições se apresentam, mas se esse núcleo central que é o Evangelho, a Tradição da Igreja, o Magistério, a nossa vida fraterna e colegial, a entreajuda para a gente não se sentir sozinho, se tudo permanece de pé, a gente caminha e caminha com alegria.

Eu quero agradecer a vocês de me darem também essa oportunidade de reviver um pouco aquilo que a gente viveu por muitos anos na comunhão com o Regional Centro-Oeste e como muitos de vocês, com outros a gente só conheceu mais de longe, mas a gente também ama e sabe que faz parte dessa Igreja, nesse Regional. E que esta missa de hoje nos ajude a poder saber que conosco caminha o Senhor, que Ele é o vivente, Ele continua na sua Igreja, sempre, apesar de todas as limitações. Esta santidade, diz o Papa Francisco, construída no meio dos problemas, no dia a dia, nas coisas que são limpas e nas coisas que são sujas. Mas, a gente está aí também e vamos caminhando. O importante é que haja essa tendência para Ele. Que o Senhor nos ajude, então, a realizar este caminho. Hoje tinha essa amonição tão bonita na Carta de Pedro: cuidar do rebanho com o coração grande e não com nenhum outro interesse a não ser o interesse de levar o Evangelho e Cristo às pessoas. Temos um Regional bem solidificado na tradição da fé, temos comunidades muito bonitas em todos os cantos, temos bispos que dão um testemunho muito bonito na nossa região, então, eu creio, que é só reavivar a fé e tocar em frente. Que Deus abençoe o Regional Centro-Oeste com todos os seus bispos e todas as suas comunidades.

*************************

Dom Washington Cruz sobre o Pontifício Conselho para a Cultura

O dicastério para a Cultura é da maior importância para a Igreja porque, nós devemos, neste mundo conviver com os homens, os homens de cultura, na maior simplicidade. Os pequenos, os pobres têm a sua cultura. E também os homens da cultura que são cristãos, católicos praticantes. Mas, muito mais com os homens, as mulheres de cultura neopagã ou secularizante. Com estes homens, devemos tratar de Deus e do seu Evangelho com a linguagem que eles entendem. Podemos abordar assuntos como o futebol, podemos abordar assuntos como o ciclismo, podemos abordar assuntos como as artes e assim por diante. O mundo da Medicina, por exemplo. Eu lembrei de Goiânia, que o meu médico do coração, ele me pediu para que se fizesse um encontro arquidiocesano com todos os médicos para que houvesse um diálogo sério no mundo da Medicina, isso é cultura.

Eu, hoje, estando com o Cardeal Ravasi, a medida que ele falava, a minha cabeça ia se estendendo, ia se ampliando para o mundo inteiro e vendo que tudo é cultura. E não é nada superior uma cultura a outra. É preciso entender as culturas. É preciso pesquisar, procurar aprofundar as culturas, para que a gente possa, realmente, ter uma penetração na vida da Igreja, na vida da sociedade.

O regional Centro-Oeste é marcado, evidentemente, pela devoção popular. Eu sempre disse que o que foi o que salvou a fé do povo do Centro-Oeste foi o Divino Pai Eterno, as várias formas de honrar o Divino Espírito Santo, a devoção a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, por exemplo. Isso foi o que salvou a nossa fé. Porque em duas décadas, talvez de 70, 80 e até um pouco de 90, as pessoas se esqueceram ou até contrastavam a cultura popular, mas o povo não cedeu, continuou indo ao Divino Pai Eterno, continuou fazendo sua procissão ao Divino Pai Eterno, continuou crendo no Divino Pai Eterno, continuou pedindo ajuda ao Divino Pai Eterno e venceu as ondas contrárias. E, hoje, o Divino Pai Eterno, a sua devoção, se estende a todo o Brasil através de todos os meios modernos de comunicação e até a TV que está fazendo um bem imenso.

Dom Washington Cruz sobre a Visita Ad Limina

Eu estou no quinto ano de Visita Ad Limina. A primeira foi em 90, a segunda, em 96, a terceira em 2003, a quarta, em 2010 e agora, 2020, cinco visitas Ad Limina. Eu posso dizer que houve um crescendo desde o ano 90 até este ano. Penso que tenha sido a culminância das visitas que fiz ao Santo Padre e ao túmulo dos apóstolos São Pedro e São Paulo. Fui, cada vez mais, sendo estimulado a viver o meu espiscopado, doando minha vida pelo Evangelho, doando minha vida pelo povo e trabalhando para que o Reino de Deus cresça em nosso estado, em nossa região, em nosso Brasil.

******************

Datas do encontro com o Papa Francisco para os próximos grupos da CNBB na Visita Ad Limina – 2020

24 de fevereiro – SUL 2

30 de março – SUL 3

11 de maio – NORDESTE 1 + NORDESTE 4

18 de maio – NORDESTE 2

25 de maio – NORDESTE 3

4 de junho – NORDESTE 5

18 de junho – NORTE 1 + NOROESTE

3 de setembro – NORTE 2 + NORTE 3

10 de setembro – OESTE 1 + OESTE 2

14 de setembro – SUL 1 A

21 de setembro – SUL 1 B

24 de setembro – LESTE 1

28 de setembro – LESTE 2

1 de outubro – SUL 4

]]>
57796
Pe. Francisco Agamenilton resume o fim de semana na Visita ad limina apostolorum https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/destaque/pe-francisco-agamenilton-resume-o-fim-de-semana-na-visita-ad-limina-apostolorum/ Mon, 17 Feb 2020 14:38:44 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=57770 Encerra-se, oficialmente, nesta segunda-feira, 17 de fevereiro, a Visita Ad Limina Apostolorum ao Papa e ao Vaticano, realizada pelos membros do Regional Centro-Oeste da CNBB. Os bispos terão ainda dois encontros em dicastérios, neste último dia: Assinatura Apostólica e Congregação para a Cultura.

Fim de semana

O correspondente oficial do Regional, padre Francisco Agamenilton, registrou os últimos dois dias da seguinte maneira:

DIA 15 – Neste dia nossas atividades foram reduzidas. Às 9h fizemos uma reunião na Domus Sacerdotalis para identificarmos os pontos e conteúdos mais significativos da visita ad limina ocorridos até agora. Refletimos sobre o que o Santo Padre nos disse e iniciamos a avaliação da visita. Ao meio-dia celebramos a missa presidida por Dom Marcony.

DIA 16 – Iniciamos o Dia do Senhor com a celebração da missa, às 8h, presidida por Dom Fernando Brocchini, na capela da Domus Sacerdotalis. Esta foi a única atividade deste dia.

**********************************

Missa do Sábado

Homilia de dom Marcony Vinicius.

Hoje, nós temos a divisão dos reinos e, ao mesmo tempo, a profecia do reino de Jeroboão, o reino do norte, que se revoltou e, ao mesmo tempo, por ganância, por soberba, com medo de perder o domínio para Roboão do sul, ele, então cria objetos de culto e substitui Deus. Continuidade da homilia de dom Francisco, ontem, que dizia que quando a gente não escuta Deus, a gente faz o culto para si mesmo, para a satisfação própria. Até mesmo para a política do momento, não perder o poder para Judá. E, como consequência, vem a queda do reino do norte com todo o extermínio, diz a Escritura.

Alguns detalhes dessa primeira leitura. “Aqueles que queriam, eram feitos sacerdotes”. Interessante isso: a vocação deixa de ser algo que é escolha de Deus e passa ser desejo dos homens para a satisfação própria. Hoje, temos que pedir a Deus muito discernimento para aqueles que procuram o ministério sacerdotal. Saber até onde é desejo de Deus, até onde é vocação e até onde é o modismo dos dias de hoje, não só em Brasília, mas, creio também, que em nosso Regional e no Brasil como temos assistido a padres que com um ano, dois anos, deixam o ministério. É preciso sempre perguntar se Deus quer, qual é a vontade de Deus. E isso é um dom, é uma graça. Uma graça de estado que Deus nos dá, como bispos, para percebermos onde está a Sua vontade e onde está vontade do homem, do homem como um todo, não só de cada um, mas do homem com a vontade do mundo de fazer também do ministério algo aprazível e algo que substitua a minha vontade, como foi o caso de Jeroboão. Deus escolhe, Deus suscita, Deus chama, Deus purifica, Deus não deixa faltar. A gente tem que confiar nessa Providência por mais que esteja ao nosso redor, com poder que temos, o poder dado por Deus como bispos pareça firme e, por isso, tenhamos medo, tenhamos receio e buscamos outras saídas.

Num segundo momento, este salmo nos diz muito. É Deus que se recorda de nós. É Ele que ama o seu povo. É interessante também nos revestirmos de humildade. O povo não é nosso. Um só é o Esposo. Um só. Nós participamos do ministério único de nosso Senhor de ser sacerdote, de ser esposo de sua Igreja e, por isso, Seu amor é imenso. E Ele não deixa faltar nem o povo para o seu pastor, impressionante isso tanbém, nem o pastor para o seu rebanho.

É no Evangelho que nós encontramos o desejo de Deus. Se no Antigo Testamento, a gente vê o desejo dos homens e a idolatria com outros altares, no Evangelho, nós vemos um único altar. Tomou, deu graças, partiu e deu. Todos nós reconhecemos nesta ação da multiplicação dos pães, primeiro, a escolha de Jesus: “dai, vós mesmos”. Eu sinto Jesus dizendo assim: “Eu já dei a vocês o essencial. Vocês já têm o que Eu recebi do meu Pai. Então, agora a responsabilidade de vocês é dar ao povo, alimentar o povo”. O nosso povo continua sedento, sedento dessa comunhão entre nós, dessa unidade na doutrina e desse dar o que é essencial, que é a Eucaristia. Para isso fomos ordenados. Eu sempre digo, quando tenho oportunidade, aos padres: “são duas coisas que só nós podemos fazer, é a Eucaristia e a Confissão. O restante, outros podem dar. Daí vós mesmos”.

“Quantos pães tendes?” Dom Sergio diz muito isso: a gente tem que fazer a procissão com o andor que a gente tem. A gente faz a diocese com os padres que a gente tem. E Jesus também fez com os que Ele tinha. “Quantos pães tendes?” O que vocês têm? Jesus conta com o que a gente tem da nossa sabedoria, da nossa experiência, da nossa inteligência, sobretudo do nosso coração e aquilo que a gente tem, todos nós reconhecemos, que recebemos da Igreja, da Mãe Igreja. Então, dai aquilo que vocês possuem. E daquilo que a gente tem, Jesus multiplica. A ação é dele, não é nossa. O milagre é dele, não é nosso. “E saciou todo o povo”. E ainda entrou aqui, de gorjeta, os peixes. Todo o aspecto de que aquilo que Ele vai nos falar nestes dias, no Sermão da Montanha, nas missas de domingo. É o que Ele mesmo fez. Quando Jesus nos pede, Ele pede que a gente dê muito mais do que se espera. “Ouvistes o que foi dito, eu porém vos digo”, ouviremos amanhã, no Evangelho. Jesus pede que a gente dê muito mais. Não só a túnica, mas também o manto. Não só cem passos, mas duzentos. Não só a bolsa, mas tudo o que temos. Jesus nos pede a gente muito mais, porque Ele nos deu muito mais. Então, Ele não deu simplesmente o necessário, mas deu muito mais a ponto de sobrar, de ter que recolher. É a confiança na Providência.

Neste dias, eu tenho visto na Ad Limina, tanta graça de Deus diante da nossa pequenez, das nossas necessidades, das nossas interrogações, dos nossos medos, se a gente é assim muito honesto como é que me coloco nessa situação. E a gente vem buscar respostas em Roma como os padres buscam respostas no bispo. Alguém e dê a resposta e a gente fique seguro para atuar daquela maneira. A confiança nas mãos de nosso Senhor, de que Ele provê aquilo que a gente não tem. Nós não temos, aqui no deserto, como nós vamos prover? O mundo, hoje, anda num deserto. Um deserto de verdade, um deserto de postura, com o que nós chamamos hoje de globalização, enfim, de polarização. Perdido, sem um alimento certo, sem se saciar. E nós somos os pastores do mundo de hoje, é a nós que Jesus confia. Não simplesmente a sua Palavra, mas Ele, que é Palavra do Pai, mas Ele como carne, Ele como Pessoa, Ele como resposta para o mundo de hoje. E a primeira resposta é para nós que participamos do Seu pastoreio: “comeram, ficaram saciados, satisfeitos”. Nós devemos satisfazer o povo com Cristo. Ele é o alimento, Ele é a luz, Ele é a verdade, Ele é a vida.

Quero, nessa missa com vocês, pedir a Deus o dom da sabedoria para que a gente saiba guiar o povo e dar ao povo aquilo que Jesus já nos deu. Que a gente ensine o nosso clero a não ter que inventar coisas, mas dar o que nós já recebemos, recebemos da Mãe Igreja (…) não é simplesmente um mero sentimento ou emocional, mas o sentir-se Igreja e porque recebemos fomos nutridos pela Igreja, porque agora podemos dar. (…) Deus quer chamar a gente para servir a Igreja, servir o Povo de Deus. Então, que Deus nos dê a sabedoria de dar aquilo que Ele já nos deu, que é seu Filho, Jesus Cristo. Que em cada Eucaristia, mesmo aquelas que rezamos nos recônditos de nossas capelas, que nós tenhamos ali presente todo o povo. Saciemos o povo de Deus com aquilo que Ele nos deu, mesmo que seja um trabalho pastoral ou uma celebração, que estejamos nas mãos de Deus. Pensemos em saciar o povo com a Providência de Deus através da nossa oração, do nosso pastoreio e, como pede, hoje, o Papa Francisco, com o nosso testemunho. Assim seja!

Missa do domingo

Homilia de dom Antônio Fernando Brochini

Vejamos onde essas palavras de Jesus Cristo parecem nos levar, bem como todos esses três textos da Sagrada Escritura. Paulo já nos alertou que Deus nos revelou com uma sabedoria que estava escondida, desde todos os tempos. E a revelou no Espírito Santo. Então, a partir desse princípio da revelação, desta sabedoria que é a presença do próprio Espírito em nossa vida, é que nós entendemos aquilo que o Livro dos Provérbios nos alertava: quem tem em si, no seu coração, o temor do Senhor, este viverá. Esta sabedoria que nos leva a honrar Deus em tudo, principalmente naquele que foi salvo ação de Cristo Jesus, na cruz. Como diz Paulo, se soubessem e tivessem o conhecimento dessa sabedoria que nos foi revelada, não teriam crucificado o Senhor. A sabedoria já seria esse princípio purificador do nosso ser e de toda a nossa vida.

No Evangelho, o Senhor mostrando a continuidade desse princípio transformador que leva, no chamado Sermão da Montanha, a uma radical transformação na compreensão da lei, dos mandamentos, dos preceitos de Deus. Não pela lei, simplesmente, mas aquilo que a lei deve provocar em nós, aquilo que as indicações de Deus devem nos provocar. Não fazer apenas o que está escrito, a letra da lei mata. Jesus está dizendo: vamos dar um passo a mais. Vamos progredir. Vamos buscar a perfeição que é revelada do Pai.

Que estas palavras de hoje nos levem também a essas atitudes práticas da vida em que devemos colocar o principio da misericórdia de Deus que nos revelou os seus desígnios de salvação. Celebrarmos esse de ato de infinito amor de Deus e que peçamos e compreendamos a plenitude da sabedoria que nos foi derivada na busca da perfeição em tudo o que fazemos, falamos e realizamos. Em nós e no testemunho junto aos nossos irmãos.

]]>
57770
Pe. Francisco Agamenilton relata como foi a visita ao papa Francisco https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/destaque/pe-francisco-agamenilton-relata-como-foi-a-visita-ao-papa-francisco/ Wed, 12 Feb 2020 18:07:35 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=57734 Os bispos do Regional Centro-Oeste da CNBB têm nesta quarta-feira, 12 de fevereiro, uma jornada cheia de compromissos. De manhã, deverão visitar a Congregação para o Culto Divino, a Secretaria de Estado da Santa Sé e Congregação para a Educação Católica. De tarde, eles vão visitar o Colégio Pio Brasileiro. Lá eles rezam missa com os padres estudantes e participam de um jantar.

Visita ao Papa

Na terça-feira, 11 de fevereiro, os bispos se reuniram com o Papa Francisco, no Vaticano. Pe. Francisco Agamenilton, administrador diocesano de Uruaçu, resumiu o encontro do seguinte modo:

O ponto central da jornada de hoje foi a audiência com o Santo Padre, o Papa Francisco. Fomos cordialmente recebidos por ele que se deteve conosco de 10h30 às 12h45. O ambiente foi bastante familiar. Sentimo-nos como irmãos que se sentam para juntos conversarem sobre coisas importantes que tocam a vida pessoal e a missão de pastores responsáveis por um povo. A conversa foi muito espontânea. Correspondeu primeiramente a Dom Waldemar apresentar ao Papa uma síntese do nosso Regional em todos os seus aspectos. Em seguida, começamos o diálogo com Francisco de modo muito livre sobre alguns temas com suas respostas por parte do papa. Eis alguns deles:

Discernimento na vida pastoral. O discernimento é um dom do Espírito Santo. Ele se dá de modo gradual e, como é próprio do Espírito, de modo muito livre, longe da rigidez. Discernir não é cair no relativismo, nem se desfazer da disciplina eclesiástica. É um estilo de vida próprio de quem vive a vida no espírito. Para responder bem a esta questão, o papa nos presentou o livro de Marcello Semerano, intitulado Ascoltare e curare il cuore. Il discernimento nella vita dei pastori della Chiesa, publicado pela Libreria Editrice Vaticana em 2019. Neste livro, em seu prefácio, Francisco diz; “o discernimento evangélico é o ‘lugar’ onde, à luz do Espírito, se procura reconhecer o específico chamado que Deus faz ressoar à Igreja e a cada um nas inéditas situações históricas”.

Perseguição e martírio dos cristãos católicos. O papa nos recordou que hoje há mais mártires cristãos que no início da Igreja e nos desenhou o mapa destas perseguições.
Imigração, pobres. A acolhida ao imigrante tem sua raiz bíblica: “recordar-te que foste escravo no Egito”, “era estrangeiro e me acolheste”. A migração ocorre muitas das vezes por causa da fome e da guerra. É possível acolher e integrar as pessoas em uma nova terra. O povo do continente americano é em boa parte resultado da imigração.

Seitas. É importante diferenciar as seitas das igrejas cristãs históricas e outras comunidades cristãs mais bem formadas. O combate às seitas não se faz com proselitismo da nossa parte e sim com o testemunho. Recordando Bento XVI, na abertura da Conferência de Aparecida, 2007, Papa Francisco disse: “o cristianismo não cresce por proselitismo, mas por atração”. A igreja primitiva não tinha um plano de pastoral e crescia bastante pela atração. Por isso, aprendamos com os Atos dos Apóstolos para fazermos um bom trabalho pastoral.

Economia. Uma economia para a pessoa humana e não ao contrário. O papa destacou o encontro próximo com os jovens economistas, em Assis, e suas grandes esperanças nas novas gerações.

Clero jovem e como envelhecer como padre. O papa reforçou a necessidade e importância do bispo estar próximo de Deus pela oração, dos padres, dos demais bispos e do Povo de Deus. Ao saber que um padre lhe deseja falar, procure-o no mesmo dia ou no dia seguinte. Que este padre saiba que ele tem um pai. Sobre o padre idoso, crie em torno a ele o sentido de avô. Tenha-o junto a outros sacerdotes e seminaristas. Assim, se favorece o pacto intergeracional.

Piedade popular. O papa nos incentivou à promoção da piedade popular e indicou a Evangelii Nuntiandi, número 48, como melhor ponto de referência para este assunto.
Ao final do encontro, Dom Washington presenteou o papa Francisco com a imagem do Divino Pai Eterno e deixamos com ele cópia da última edição da Revista Uma voz no Centro-Oeste. Da parte do papa, recebemos terços, o livro de Marcelo Semeraro, acima indicado, e uma bela medalha de Nossa Senhora.

Basílica de São Paulo Fora dos Muros

Às 16h de Roma, os bispos participaram da Missa na Basílica de São Paulo Fora dos Muros. Dom Washington Cruz, arcebispo de Goiânia, presidiu a celebração. Na homilia, ele disse: “estamos a milhares de quilômetros de distância de Roma e a das nossas queridas dioceses, no Brasil. Um oceano de águas, de sentimentos e de missão nos liga às nossas origens e o nosso destino. Sobre o altar desta Basílica, temos a graça de comungar do Corpo e Sangue de Cristo e na coluna eclesial de sustentação desse altar repousam, em silêncio, o corpo decapitado e a memória do Apóstolo Paulo. Assim como ressoou aos ouvidos e ao coração de Paulo, hoje nos ressoam, com força, essas palavras proclamadas no Evangelho: ‘Ide pelo mundo, anunciai o Evangelho’. Este mandato do Ressuscitado foi especialmente dirigido aos onze, nós os sucedemos e, por isso, devemos continuar fazendo o que Cristo nos ordenou”.

Dom Washington, em seguida, compartilhou uma recordação: “lembro-me, com viva memória, quando São Paulo VI promulgou a Encíclica Evangelii Nutiandi. O Cardeal Giovanni Montini, apenas eleito papa, havia escolhido para si o nome de Paulo. A evangelização no mundo contemporâneo era-lhe um desafio e imperativo apostólico. Por isso, com razão, ele questionava: ‘o que é que é feita, em nossos dias, daquela energia escondida da Boa Nova suscetível de impressionar profundamente a consciência dos homens?’ (EN, 4). Depois do questionamento, admoestava-nos São Paulo VI: ‘Em nome do próprio Senhor Jesus Cristo, em nome dos apóstolos Pedro e Paulo, nós exortamos todos aqueles que, graças aos carismas do Espírito Santo e ao mandato da Igreja, são verdadeiros evangelizadores, a demonstrarem-se dignos da própria vocação, a exercitarem-na sem reticências nascidas de dúvidas ou do medo e a não descurarem as condições que hão de tornar essa evangelização, não apenas possível, mas também ativa e frutuosa’ (EN, 74). Tornar-se digno da própria vocação! Esta é a exigência prévia de nosso ministério. Só então, nos tornando dignos, poderemos ir pelo mundo, chegar até o Centro-Oeste do Brasil e evangelizar com destemor, convicção e amor”.

Embaixada brasileira junto a Santa Sé

No fim da tarde, convidados pelo embaixador brasileiro junto à Santa Sé, os bispos participaram de uma reunião e de um jantar. Padre Agamenilton resumiu assim: “fomos cortesmente recebidos pelo senhor Henrique da Silveira Sardinha Pinto, embaixador do Brasil junto a Santa Sé, e sua equipe, no palácio residencial do embaixador. Depois de um momento de diálogo, o senhor Henrique nos ofereceu o jantar”.

************************************

Partilha sobre o encontro com o Papa

Dom Nélio Domingos Zortea, bispo de Jataí (GO):

“Palavra fundamental: familiaridade, proximidade. A maneira como o Santo Padre conduziu a nossa conversa, o nosso diálogo, foi como se faz numa conversa familiar. Um pai que está a instruir os seus filhos”.

Dom Marcony Vinicius Ferreira, bispo auxiliar de Brasília (DF):

“Creio que em primeiro lugar que estar com Pedro é estar em unidade com toda a Igreja de Cristo, é ser fiel a tudo aquilo que o sucessor de Pedro nos coloca, hoje na pessoa do papa Francisco. E por ser quem é, uma alegria muito grande pela simplicidade, abertura. O papa nos deixou muito livres para perguntarmos o que queríamos, para colocar o que queríamos. Nos acolheu muito bem no Palácio Apostólico e partilhou conosco, respondendo as nossas perguntas, nossas inquietações sobre a vida da Igreja nos dias de hoje. Então, estar com o Santo Padre além da alegria que todos sentem de estar com o papa é igualmente fortificar nossa fé, é estar unido a Pedro, é ter uma resposta daquele que Cristo colocou como princípio de unidade e de comunhão da sua Igreja. Foi uma manhã extremamente valiosa no sentido do encontro e também do conteúdo daquilo que o Santo Padre nos colocou pastoralmente, como devemos agir como pastores de nossas dioceses”

Dom Francisco Rodrigues, bispo de Ipameri (GO):

“A experiência nossa tem uma expressão muito grande com relação a comunhão. Experiência de fraternidade e proximidade do Santo Padre, muita cordialidade, muita simplicidade. Tudo isso gera uma segurança, uma tranquilidade para a gente. E mais ainda: a certeza de que a gente participa do ministério que nos é dado por Cristo Jesus numa perfeita comunhão eclesial estando em Roma ou estando em nossas Igrejas e comunidades. Então, esta foi uma experiência de comunhão”.

Dom Washington Cruz, arcebispo de Goiânia (GO):

“Realmente foi uma visita muito calorosa, muito espontânea. Quase todos os bispos falaram, fizeram suas perguntas e o Santo Padre respondeu com muita sabedoria. A gente estava muito tranquilo diante do papa. Foi uma visita muito bela e peço a Deus que aquilo que o papa nos disse possa ser objeto de muita reflexão e possa servir às nossas Igrejas Particulares, especialmente no que tange a Pastoral e no cuidado dos sacerdotes e dos seminaristas”.

Dom Waldemar Passini, bispo de Luziânia (GO):

“Hoje pela manhã, tivemos o encontro com o Santo Padre, alguns minutos antes do previsto, era por volta de 10h15. A experiência do encontro, em primeiro lugar, causou um grande sentimento de acolhida. O Santo Padre se mostrou extremamente acolhedor com cada um dos bispos. Já no início, na saudação inicial, e depois ao nos dar imensa liberdade para tocarmos em qualquer tema que fosse de nosso interesse. Portanto, foi um encontro que não tinha uma pauta. Ele não fez um discurso e nos disse algo que tinha preparado, mas dialogou conosco. Foi um momento de muita liberdade. Nós, os bispos, estávamos todos muito contentes de estarmos com o papa Francisco e pudemos apresentar a ele as questões que iam surgindo, as mais sentidas, as mais importantes para nós, após uma introdução que eu fiz como presidente do regional, apresentando, indicando para ele alguns traços da nossa região Centro-Oeste, o coração do Brasil, com esse grupo de bispos que inicia essa Visita Ad Limina. Então, se somou a acolhida, a gentileza, a espontaneidade do papa Francisco. A segurança, nós sentimos muita segurança na sua fala. O apoio para estarmos realmente atentos aos sinais do Espírito, a vivermos um discernimento contínuo; um chamado a prudência no governo das Igrejas, no sentido de estarmos sempre atentos aos sinais de vida, às solicitações, as portas que Deus vai abrindo no caminho da Igreja, em cada diocese para a evangelização”.

Monsenhor Vanildo Fernandes da Mota, Administrador diocesano de Rubiataba-Mozarlândia (GO):

“Eu esperava por esse momento. A alegria é muito grande no meu coração porque nós encontramos um papa que é pai, que é irmão, que tem um coração grande, misericordioso e que acolheu a todos nós do Regional Centro-Oeste muito bem. Todos nós vamos voltar para as nossas dioceses com uma palavra de fé, de esperança, de confiança e sabedores que poderemos fazer coisas em nossas dioceses para fazer com que nossa Igreja seja mais alegre, mais viva, mais uma Igreja em saída, mais uma Igreja missionária. Eu estou muito feliz com esse momento vivido hoje pelo Regional Centro-Oeste, essa visita com o Santo Padre, o papa”.

]]>
57734
Bispos iniciam trabalhos da Visita Ad Limina 2020 https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/destaque/bispos-iniciam-trabalhos-da-visita-ad-limina-2020/ Mon, 10 Feb 2020 19:13:15 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=57727 Os 15 bispos e os dois administradores diocesanos do Regional Centro-Oeste da CNBB saíram de São Paulo, na sexta-feira, dia 7 de fevereiro num voo da Alitália que pousou em Roma as 7 da manhã do sábado. Oficialmente, a Visita Ad Limina Apostolorum de 2020, teve início no dia 8 de fevereiro, com a chegada e a instalação do grupo na Domus Romana Sacerdotalis, que se localiza, à esquerda, no final de uma das últimas tranversais da Via della Concilazione, Via Transpontina, para quem sai da Praça de São Pedro em direção do Rio Tibre. Esse hotel, chamado também de Casa do Clero de Roma, foi criado por João Paulo II, em janeiro de 1999, com objetivo oferecer hospitalidade aos eclesiásticos que pertencem ao corpo diplomático da Santa Sé ou que servem na Cúria Romana.

Última reunião preparativa

Na Domus Sacerdotalis, os bispos realizaram às 9h30 da manhã do domingo, 9 de fevereiro, a última reunião em preparação para todo o processo da visita aos dicastérios e ao Papa Francisco. Dom Waldemar Passini, bispo de Luziânia (GO), coordenou os trabalhos e tratou, naturalmente, dos últimos detalhes práticos de toda a movimentação que vai durar até o dia 18 de fevereiro. Como foi largamente divulgado, essa visita é obrigatória e prevista no Direito Canônico. Em seu Diretório, essa visita “por parte de todos os Bispos que presidem na caridade e no serviço às Igrejas particulares em todo o mundo, em comunhão com a Sé Apostólica tem um significado preciso, ou seja, o revigoramento da própria responsabilidade de sucessores dos Apóstolos e da comunhão hierárquica com o Sucessor de Pedro, e a referência na visita a Roma, ao túmulo dos Santos Pedro e Paulo, pastores e colunas da Igreja Romana”. O documento diretivo ainda sublinha que a visita “representa na realidade um momento central no exercício do ministério pastoral do Santo Padre. Em tal visita o Supremo Pastor recebe os Pastores das Igrejas particulares, trata com estes das questões concernentes ao seu ministério eclesial”.

Dom Waldemar ainda destacou o significado espiritual deste momento vivido pelo Regional Centro-Oeste. Os presentes à reunião puderam também indicar alguns assuntos ligados ao Clero, às questões de doutrina da fé e ao trabalho dos tribunais eclesiásticos a serem abordados nos departamentos do Vaticano que cuidam destas áreas.

Logo após a reunião, às 11h, o grupo participou de uma celebração da Eucaristia que foi presidida pelo bispo auxiliar de Anápolis (GO), dom Dilmo Franco.

Durante a homilia, ele fez alguns destaques importantes da liturgia. Inicialmente, esclareceu: “Sabemos que o Evangelho de hoje é uma continuação do Sermão da Montanha. Jesus diz: ‘vós sois sal da terra e luz do mundo’. Um jesuíta, Pe. Adroaldo Palaoro diz que, no tempo de Jesus, as pessoas pegavam blocos de sal para colocar nos fornos na hora de assar o pão porque o sal retinha o calor. Mas, depois da algumas fornadas, aquele sal já não tinha mais o poder de ‘segurar’ o calor e aí precisavam ser trocados. Esses blocos, então, eram jogados nas estradas para tapar buracos de enxurrada e é por isso que Jesus fala que não servirá para outra coisa a não ser ‘pisado pelos homens’”.

Dom Dilmo, continuou: “Nós sabemos que o sal, como dizem alguns cozinheiros, não dá o sabor para comida, mas ressalta o sabor de cada alimento. Uma pequena quantidade de sal é capaz de ressaltar o sabor de uma grande quantidade de comida. Nesse sentido, quando acolhemos o símbolo do sal que Jesus coloca, lembramos que no Livro dos Números (NM 18,19) vai falar de uma oferta de alimentos que é colocada diante do Senhor e que é jogado sal sobre ela simbolizando a perenidade daquela oferta. Isto pode depois ser feita uma leitura sobre a Eucaristia, mas o sal é a representação de uma aliança, de uma oferta perene. Então, quando Jesus diz ‘vós sois sal da terra’ e que se o sal perder sua capacidade de salgar, mas o sal não perde a sua capacidade de salgar, ele a tem dentro de si. Para nós também, nós temos sempre em nós essa graça de Deus dada pelo batismo, de salgar, ou seja, de dar sabor, de ressaltar o sabor. Mas, ao mesmo tempo não é somente oferecer, não é somente apresentar a oferta é se tornar oferta. Não é, simplesmente, oferecer o sacrifício, é se tornar também sacrifício”.

O bispo auxiliar de Anápolis, ex diretor do Seminário São João Maria Vianey, que foi ordenado no mês passado, dia 25 de janeiro, dom Dilmo lembrou ainda a Primeira Leitura da liturgia do Domingo: “a gente olha o que está dizendo o livro, pegando ali o aquilo que temos também nos conselhos evangélicos materiais, que é dar pão a quem fome, vestir o nu e acolher os peregrinos. Então, como ser luz? Justamente isso; através das ações. De maneira que o nosso culto nunca pode ser vazio ou simplesmente teórico, mas colocando como ser luz através das ações. Uma pequena quantidade de sal é capaz salgar, de dar sabor a muito alimento. Então, desta maneira, pequenas ações, mesmo que sejam isoladas elas têm o poder de iluminar muitas pessoas. Isso dá ao nosso coração uma certa paz de não perder a esperança no mundo como muitas pessoas estão perdendo a esperança de mudanças para um mundo melhor. As pequenas ações iluminam, necessariamente, porque a força de Deus se impõe”.

Pe. Francisco Agamenilton, Administrador Diocesano de Uruaçu (GO) e também o correspondente escolhido pelos bispos para informar os passos dados na visita finalizou: “Às 18h30 rezamos a oração da tarde e tivemos a adoração eucarística. Pelo fato de estarmos hospedados no mesmo local e tomarmos as refeições juntos, já se nota que o aspecto comunitário será algo muito forte nestes dias. Isto nos proporciona o reforço dos laços de fraternidade e caridade entre nós. Em tempos de polarizações e fragmentação social, este sinal de comunhão dos bispos é um sinal profético de que se pode viver de outro modo”.

Na segunda-feira, 10 de fevereiro, os bispos têm agenda cheia: missa na Basílica de Santa Maria Maior e, na parte da manhã ainda, visita a dois dicastérios: Congregação para o Clero e Congregação para a Doutrina da fé. Na parte da tarde, eles vão conhecer as novas estruturas da Secretaria de Comunicação da Santa Sé.

*****************

Entrevista

Dom Dilmo Franco

O senhor foi ordenado recentemente, o bispo mais recente bispo ordenado do regional; apresentado à sua Igreja Particular a apenas uma semana e já presidiu a missa oficial de abertura da Visita Ad Limina. Qual o sentimento que senhor experimentou?

O dom Waldemar, Presidente do Regional, durante a nossa primeira reunião que tivemos, disse que estamos todos juntos aqui como irmãos e que não era para momento de tensão para ninguém. Ele tinha que falar para o meu cérebro isso, parece que não entendi não… Claro, a gente fica nervoso, um pouco aquela ansiedade, pois afinal de contas são bispos que ouço desde quando era seminarista. E, de repente, meu Deus, o que vou falar para esses homens? Sabem tudo! Mas, sinto uma alegria grande, alegria grande de ser acolhido e de poder ajudar naquilo que Deus pedir de mim.

E quando a visita, daqui em diante, qual é a expectativa?

De aprendizado. Quero ver tudo. Quero escutar tudo porque sei que depois vai ser cobrado.

Muito obrigado!

Amém.

(O entrevistador foi Pe. Eduardo Rezende, secretário-executivo do Regional)

]]>
57727