Tempo Comum - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br Site oficial da Diocese de Uruaçu - GO Thu, 23 Jan 2020 13:03:20 +0000 pt-BR hourly 1 https://old.diocesedeuruacu.com.br/wp-content/uploads/2018/12/cropped-favicon-32x32.png Tempo Comum - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br 32 32 170539269 Este é o Filho de Deus https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/este-e-o-filho-de-deus/ Thu, 23 Jan 2020 13:03:20 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=57612 Estamos no tempo comum. Após a Festa do Batismo do Senhor iniciamos a primeira semana. Agora vivemos já o segundo domingo desta primeira parte desse tempo que vai, neste ano, da segunda-feira após o domingo do Batismo do Senhor até à terça-feira antes da Quaresma. Como viver o Mistério da Encarnação recentemente celebrado no mundo atual anunciando permanentemente o Reino Deus? Estamos, portanto, iniciando a segunda semana desse tempo em que a cor predominante da liturgia é a verde: verde de quem caminha no dia-a-dia cheio de esperança, porque sabe que o Filho de Deus veio habitar entre nós, entrou nos nossos tempos para santificar os pequenos e aparentemente insignificantes momentos de nossa vida: “O Verbo se fez carne e armou sua tenda entre nós” (cf. Jo 1,14). Para nós, nunca mais o tempo, a vida e a história humana serão a mesma coisa! Agora, tudo tem o gosto da presença de Deus, nossos tempos têm sabor de eternidade, gostinho da vida de Deus, do companheirismo misericordioso de Deus. Então, que este Tempo Comum seja, para todos quantos, tempo de graça, tempo de vigilância amorosa, tempo de esperança invencível!

Na segunda leitura deste domingo, São Paulo (cf. 1Cor 1, 1-3) lembra a sua vocação a Apóstolo e a vocação de todos à santidade. Continua o Apóstolo: “Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação…” (cf. 1Ts 4, 3). O próprio Jesus ordena: “Sede perfeitos, assim como o Pai celeste é perfeito” (cf. Mt 5, 48). Como prova concreta desses sentimentos do Senhor, contamos com a o sacramento do perdão (confissão – reconciliação), que nos concede as graças necessárias para lutarmos e vencermos os defeitos que talvez estejam arraigados no nosso caráter, e que são muitas vezes a causa do nosso desalento. No sacramento da confissão renovamos as forças e nos é dada a graça perdida pelo pecado. Peçamos ao Senhor: Senhor, ensinai-me a arrepender-me, indicai-me o caminho do amor! Movei-me com a vossa graça à contrição quando eu tropeçar! Que as minhas fraquezas me levem a amar-vos cada vez mais!

O Evangelho (cf. Jo 1, 29-34) mostra o início da missão de Jesus. João Batista O apresenta: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (cf. Jo 1,29). Ele é o ungido do Senhor. Ele batizará no Espírito. Ele é o Filho de Deus. Jesus é o Cordeiro de Deus que tira o pecado mundo, anuncia São João Batista; e este pecado do mundo engloba todo o gênero de pecado: o original, que em Adão afetou também os seus descendentes, e os pessoais, dos homens de todos os tempos. No Cordeiro de Deus está a nossa esperança de salvação.

João Batista reconheceu em Jesus este Messias, tão humilde e tão grande: ele é o próprio Deus: “passou à minha frente porque existia antes de mim!” (cf. Jo 1,30) E como Deus feito homem, ele é o único e absoluto Salvador de todos – e não há salvação sem ele ou fora dele! João Batista reconhece nele o ungido, aquele sobre quem o Espírito “desceu e permaneceu” (cf. Jo 1,32). O próprio Jesus dará testemunho desta realidade: “O Espírito do Senhor repousa sobre mim, porque ele me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar a remissão aos presos e aos cegos a recuperação da vista, para restituir a liberdade aos oprimidos e para proclamar um ano de graça do Senhor” (Lc 4,18-19). João reconhece Nele ainda aquele que, cheio do Espírito Santo, batizará no Espírito Santo: “Aquele sobre quem vires o Espírito descer e permanecer, este é o que batiza com o Espírito Santo” (cf. Jo 1,33). Batizando-nos no Espírito, este Santíssimo Jesus-Messias dá-nos o perdão dos pecados, a sua própria vida divina e a graça de, um dia, ressuscitar dos mortos!

“Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (cf. Jo 1,29). Essas palavras soam aos nossos ouvidos em cada Santa Missa ao aproximar-se um dos momentos mais sublimes do sacrifício eucarístico, a comunhão. E nós respondemos: “Senhor, eu não sou digno (…)”. Jesus Cristo vem a nós em cada celebração eucarística. Não nos esqueçamos, no entanto, de que a graça da comunicação de Deus conosco passa pelo sacrifício do seu filho, Cordeiro oferecido ao Pai que, com a sua obediência e com o seu amor, tira o pecado do mundo. De fato, essas palavras do Evangelho segundo S. João aludem ao sacrifício redentor de Jesus Cristo.

O sacrifício está presente em toda a Sagrada Escritura; também o está nas diversas religiões. O ser humano sempre sentiu o desejo de oferecer dons a Deus. A universalidade desse fato nos mostra que é uma tendência natural do ser humano dirigir-se à divindade ofertando-lhe algo. Nas pessoas há tendências universais, independentemente da cultura na qual estejam integradas: a consciência de limitação e de culpa; a intuição de que existe um ser que está acima de todos, criador e providente (= Deus).

Jesus entrou no céu com todos os méritos conseguidos na sua vida terrena. Esses méritos são infinitos porque são os méritos do Filho de Deus, que é Deus. Apresentando-se ao Pai com o seu Mistério Pascal, Jesus envia desde o santuário celeste esse mesmo Mistério, a sua Páscoa, à humanidade. Como? Através da Missa, que é a atualização dos Mistérios de Cristo, cujo central é a Cruz gloriosa, isto é, a sua Morte e Ressurreição, que mereceu também o envio do Espírito Santo. Em cada Missa, faz-se presente, atual, o Mistério da Cruz gloriosa e, ao entrarmos nesses raios divino-humanos da Eucaristia, somos redimidos, salvados, santificados e glorificados antecipadamente.

No dia seguinte a esse domingo, 20 de janeiro, iremos celebrar o nosso excelso padroeiro São Sebastião. Convido a todos os fiéis para a Missa na Basílica de São Sebastião, dos freis capuchinhos, às 10hs. No mesmo local, às 15hs nos reuniremos para o Terço da Misericórdia, sendo que às 16hs sairá a procissão desta Basílica para a Catedral Metropolitana, na Avenida Chile, aonde, também, presidirei Santa Missa, onde o nosso futuro Bispo Auxiliar, Mons. Tiago Estanislau fará seus compromissos públicos de obediência à Igreja, unidade profissão de Fé como pedem os documentos da Igreja quando alguém recebe um ofício eclesiástico. Nestes dias de trezena aprendemos que São Sebastião é um ardoroso missionário: vamos nos espelhar nele para, como discípulos-missionários de Jesus nós possamos, até mesmo dar a nossa própria vida para anunciar e testemunhar o Redentor. Que o Santo protetor contra a peste, a fome e a guerra interceda por nós e pela almejada paz para a nossa cidade!

Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro

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Rezar e trabalhar https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/rezar-e-trabalhar/ Wed, 24 Jul 2019 22:41:07 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=56190 O período da Igreja chamado Tempo Comum, no qual nos encontramos e vai até o final do Ano litúrgico, no qual a Liturgia Dominical é celebrada com os paramentos verdes, é propício para o aprofundamento das várias dimensões da vida cristã. “Ora et labora” – Ora e trabalha – é o lema que conduziu a vida de São Bento Abade, comemorado no dia onze de julho. E a Igreja nos oferece nas celebrações litúrgicas do final de semana, no décimo sexto domingo do Tempo Comum, o episódio da visita de Jesus à casa de Marta, irmã de Lázaro e Maria (Lc 10,38-42), precedido pelo magnífico texto da visita de três personagens misteriosos a Abraão e Sara, junto ao Carvalho de Mambré (Gn 18,1-10). Comentando este fato, a Carta aos Hebreus assim se expressa: “Perseverai no amor fraterno. Não descuideis da hospitalidade; pois, graças a ela, alguns hospedaram anjos, sem o perceber” (Hb 13,1-2). Muitas vezes a Sagrada Escritura nos abre à compreensão de aspectos muito práticos do seguimento do Senhor e seus desdobramentos, como acontece com aquela família de amigos de Jesus, uma casa onde Jesus certamente se sentia à vontade.

Marta, a serva disponível, cuja festa, aliás, é celebrada no dia vinte e nove de julho, enquanto não existe uma festa litúrgica para Maria de Betânia, está atarefada, no afã de preparar excelente refeição para Jesus e seus discípulos, fica incomodada com a atitude de sua irmã, assentada aos pés de Jesus como discípula. Não era comum que as mulheres se fizessem discípulas. Era tarefa dos homens, e elas certamente deveriam estar, quem sabe, na cozinha. Estar aos pés do mestre era até atitude escandalosa, em tempos em que um homem não podia falar publicamente com uma mulher e muito menos ensiná-la. E mais ainda, no culto das Sinagogas as mulheres ficavam em lugares secundários, separadas dos homens. Por isso Marta reclama. E o Senhor reconhece os esforços de Marta, sem repreendê-la por ser trabalhadora. E defende Maria, aquela que “escolheu a melhor parte”, a única necessária (Lc 10,42), que não vem a ser considerada preguiçosa, até porque certamente ajudava sua irmã em outras ocasiões. Jesus mostra que naquele momento chega a hora da escuta, do discipulado, agora aberto a todos! De fato, as duas irmãs, e Lázaro com elas, querem bem a Jesus e querem servi-lo, mas de forma distinta. Há um tempo para cada coisa, já ensinava o Eclesiastes! (Cf. Ecl 3,1-12).

Abraão serviu, mandou preparar lauta refeição e hospedou anjos de Deus! Marta serve, é santa, Maria é discípula e modelo, Lázaro entra no meio da história, e Jesus oferece a síntese preciosa, que pode iluminar os nossos caminhos. Nos Atos dos Apóstolos (Cf. At 6,1-6), as primeiras comunidades cristãs já encontraram o desafio de estabelecer o justo equilíbrio de duas dimensões da vida cristã. A atenção aos mais pobres suscitou um novo ministério, que está na origem da vocação dos que hoje chamamos diáconos. Aos Apóstolos, segundo o discernimento de Pedro, deveria caber a oração e a pregação da Palavra.

Concretamente, em nossa vida cristã cotidiana, de modo especial em nossos dias, o desafio se apresenta. Nesta semana, celebramos Nossa Senhora do Carmo, e a Arquidiocese de Belém se reuniu alegremente com as Monjas Carmelitas Descalças, no Carmelo Santa Teresinha, em Benevides. Ali, estas religiosas contemplativas representam um verdadeiro para-raios de oração para a Arquidiocese. Seu trabalho principal é a oração contínua pela Igreja. As pessoas que acorrem ao Carmelo ficam edificadas com a atualização das irmãs em todos os assuntos da Igreja e do mundo e como se tornam madrinhas de sacerdotes, seminaristas, leigos e leigas, pessoas que acreditam na força da oração. Elas expressam de modo digno e bonito a dimensão contemplativa da vida cristã, ainda que trabalhem, e muito, já que são sustentadas pelas atividades que ali realizam.

E o que dizer de tantos homens e mulheres enviados ao mundo para a pregação, o testemunho e a caridade? Como nos tem edificado a resposta ao convite à missão de leigos e leigas em nossa Arquidiocese de Belém, a prontidão para as visitas domiciliares, o engajamento nas atividades de evangelização, as semanas missionárias, os mutirões de evangelização. E não são poucas as pessoas que assumem o rosto da caridade cristã para serem presença no mundo. Além disso, há as pessoas que põem literalmente a mão na massa, nas edificações que se multiplicam na Igreja! Assim a Igreja é completa, reza e trabalha!

Mas como equilibrar estas duas dimensões na vida diária do cristão? Prioridade absoluta seja dada à Eucaristia Dominical, nossa Páscoa semanal. Fazer todo o possível para que não haja em nossa vida Domingo sem Missa! Depois, a oração diária. Rezar pela manhã e à noite, agradecer juntos a Deus, com a família, às refeições, dedicar-se à oração, como o Rosário e outras devoções existentes na Igreja. E a Palavra de Deus? Vale aprender e praticar a leitura orante da Palavra de Deus: Leitura, Meditação, Oração, Contemplação, Ação.

Outra proposta é a superação do julgamento! Não existe uma segunda ou terceira categoria de pessoas na Igreja, porque rezam ou trabalham de forma diferente daquele que cada um de nós pratica! O Espírito Santo sopra onde quer e como quer, suscitando dons, carismas e serviços diferentes, mas todos importantes. Ninguém deseje uma espécie de rolo compressor, querendo que todos vivam a mesma espiritualidade, a mesma prática de contato com a Palavra e os mesmos engajamentos. É bela a diversidade na Igreja! “Na Igreja, Deus estabeleceu, primeiro, os apóstolos; segundo, os profetas; terceiro, os que ensinam; depois, dons diversos: milagres, cura, beneficência, administração, diversidade de línguas. Acaso todos são apóstolos? Todos são profetas? Todos ensinam? Todos fazem milagres? Todos têm dons de cura? Todos falam em línguas? Todos as interpretam? Aspirai aos dons mais elevados. E vou ainda mostrar-vos um caminho incomparavelmente superior” (1 Cor 12, 28-31). E em seguida, São Paulo indicou a caridade, o amor de Deus derramado nos corações, como a estrada mestra com a qual a síntese da vida cristã se realiza.

Dom Alberto Taveira Corrêa
Arcebispo Metropolitano de Belém do Pará

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