Sínodo dos Bispos para a Amazônia - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br Site oficial da Diocese de Uruaçu - GO Sat, 28 Sep 2024 04:01:58 +0000 pt-BR hourly 1 https://old.diocesedeuruacu.com.br/wp-content/uploads/2018/12/cropped-favicon-32x32.png Sínodo dos Bispos para a Amazônia - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br 32 32 170539269 Lições do Sínodo aos bispos https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/licoes-do-sinodo-aos-bispos/ Sun, 27 Oct 2019 01:13:01 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=56983 Encerra-se neste domingo a Assembleia especial do Sínodo dos Bispos para a Pan-Amazônia. Desde o primeiro Domingo de Outubro, Bispos dos vários países que compõem a Amazônia estão reunidos com o Papa Francisco, acompanhados de assessores e pessoas convidadas, refletindo sobre os desafios da Evangelização da região e em busca de caminhos para a contribuição da Igreja à Ecologia Integral. Trata-se de uma Assembleia de Pastores da Igreja, chamados pelo Senhor a conduzir o rebanho nos caminhos da história. Aos Bispos cabe, nestes últimos dias, votar um documento conclusivo, a ser entregue ao Santo Padre. As outras pessoas participantes ajudam muito com sua presença e suas ideias, mas aos sucessores dos Apóstolos reunidos em Roma está confiada a responsabilidade do texto final. “Ao mesmo tempo que ajuda o mundo e dele muito recebe, a Igreja tem em mira uma só coisa, a vinda do reino de Deus e a salvação de todo o gênero humano. Porquanto todo bem, que o Povo de Deus em sua peregrinação terrestre pode prestar à humanidade, decorre do fato de ser a Igreja o sacramento da salvação universal, manifestando e realizando ao mesmo tempo o mistério do amor de Deus para com os homens” (Gaudium et Spes 40.45).

Como é do conhecimento de todos, o Sínodo não é um Parlamento nem tem funções deliberativas. O texto da Declaração final, que pode ou não ser publicado nos próximos dias, é entregue ao Papa, a quem cabe uma possível Exortação Apostólica, com as devidas orientações pastorais. Seria temerário antecipar o seu conteúdo antes da votação a ser realizada nos próximos dias.

Desde o primeiro dia, o Papa tem ensinado muito. A primeira lição é a presença. Vê-lo assentado, tranquilo, escutando todas as intervenções, depois presente nos intervalos, alimentando-se junto conosco, conversando com simplicidade, deixando-se fotografar, edifica a todos. Sua postura é de grande humildade, cujo olhar revela uma imensa autoridade, sem autoritarismo. Atenção a tudo e todos, zelo de pastor, preocupação pela Igreja, para que ela leve a Boa Nova a todos os recantos do mundo, especialmente na Amazônia.

Aprendemos a conviver com um mundo que nos pressiona muito, através dos grandes meios de Comunicação e das Redes Sociais, com uma imensa diversidade de interpretações e julgamentos. Estamos expostos, dados como verdadeiro espetáculo. Há grupos e pessoas que têm criticado a Igreja, os Bispos e o Papa e, não estando dentro do ambiente sinodal, não sabem como convivemos e trabalhamos. Internamente, temos respirado a fraternidade, clima de oração, capacidade de escuta, respeito profundo pelas opiniões dos outros, busca do consenso, amor a Jesus Cristo, à Igreja e à verdade. Entretanto, sabemos que na preparação e na realização do Sínodo, foram muito mais as pessoas e comunidades que nos acompanharam com sua oração e apoio, o que nos fez ter a certeza de que Deus está no comando. A certa altura, o Papa Francisco insistiu com os participantes que sem o Espírito Santo não existe Sínodo! De fato, existiriam discussões e opiniões, mas não o “caminhar juntos”, significado da palavra Sínodo.

Como trabalhamos? No primeiro dia, a leitura dos relatórios iniciais, com os quais repercutimos um processo de escuta, realizado nos diversos países, com o qual muitas pessoas e grupos se manifestaram, com seu desejo de ajudar na caminhada da Igreja em nossos países. Em seguida, cada membro da Assembleia pôde manifestar seu parecer a respeito dos diversos assuntos. E ouvimos muita coisa a ser trabalhada com afinco. Durante o desenrolar dos trabalhos, várias vezes nos reunimos em grupos por línguas, quando pudemos estudar com atenção os grandes temas ligados à busca de novos caminhos para a Evangelização na Amazônia e a nossa contribuição para uma Ecologia Integral. Tratamos das grandes questões sociais, como a violência, o narcotráfico, os grandes projetos que incidem sobre as populações da Amazônia e ainda questões pastorais, como a participação na Eucaristia, a Catequese, a juventude e seu protagonismo eclesial, as vocações e o testemunho do Evangelho.

Tratamos de assuntos candentes, como os desafios socioambientais, vistos no ângulo que nos é próprio, a saber, as dimensões éticas e morais, sem qualquer parecer a respeito da responsabilidade territorial sobre a Amazônia, já que estamos todos convictos, junto com nossos países, da absoluta autonomia e independência de cada nação. Tratamos dos modos para ajudar nossa população, especialmente os indígenas e povos originários, no respeito à sua cultura e tradições, e não sejam considerados atrasados ou menos qualificados. Mais ainda, veio à tona a riqueza cultural secular de tantas populações tradicionais.

Aprendemos a escutar o clamor por maior presença da Igreja, o desejo da Eucaristia, coração de nossa vida cristã em toda a Amazônia. Era bonito ver que realmente, de todas as partes, vinha o clamor pela Eucaristia. Algumas pessoas e grupos, pelo mundo afora e em nossa Amazônia, insistiam em que nossos assuntos eram a ordenação de homens casados, provados pelo tempo e pela vida cristã, e um eventual ministério a ser confiado às mulheres. Se ouvimos muitos relatos de grande importância, o assunto da disciplina dos ministérios é agora confiado ao discernimento do Papa, que saberá definir os eventuais passos possíveis. Ficou sempre muito claro o respeito pelo celibato sacerdotal, que é a prática da Igreja Latina, ainda que existam homens casados e ordenados presbíteros católicos em outras áreas do mundo. Foi muito valorizado o ministério dos Diáconos Permanentes, o que já acontece em nossa Arquidiocese de Belém, que tem o maior número deles em toda a Amazônia.

Debruçamo-nos muito e com seriedade sobre a diversidade de culturas presentes na Amazônia e ainda um dos maiores desafios, a urbanização, pois a grande maioria de nossa população vive em grandes cidades, ou delas recebe influência significativa. E aprendemos muito dos exemplos de irmãos e irmãs, gente que pagou com a vida a Evangelização da Amazônia. Renovamos nosso compromisso com a verdade, pela organização da Igreja e dos Povos Amazônicos e pela defesa dos direitos humanos com ardor missionário.

Veio à tona o desejo de um organismo eclesial representativo das circunscrições eclesiásticas da Amazônia, para reforçar o caminho sinodal proposto pelo Papa. E assim aprendemos a valorizar o que pertence aos outros países e áreas da Amazônia. E todos nos entendemos e soubemos escutar-nos mutuamente, admirando a diversidade existente entre nós. Foi uma lição de Igreja e de missão, abrindo-nos cada vez mais para a dimensão missionária. Nos próximos dias e meses, muitas riquezas de reflexão e vida serão ainda comunicadas a todos, a fim de que se sintam participantes daquilo que vivemos. Deus seja louvado!

DOM ALBERTO TAVEIRA CORRÊA
Arcebispo de Belém do Pará

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Papa: as diagnoses feitas pelo Sínodo são a sua vitória https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/destaque/papa-as-diagnoses-feitas-pelo-sinodo-sao-a-sua-vitoria/ Sun, 27 Oct 2019 01:01:12 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=56977 Depois de participar ativamente das três semanas de trabalhos sinodais, o Papa Francisco tomou a palavra no final da tarde deste sábado para se dirigir a todos os participantes e encerrar as sessões.

Como é seu estilo, falou a partir de sua experiência, compartilhando sua perspectiva e revelando algumas decisões.

Antes de tudo, agradeceu a todos pelo testemunho de “trabalho, escuta e busca” por colocar em prática o “espírito sinodal”. “Estamos percebendo sempre mais o que é este caminhar juntos e estamos entendendo o que significa discernir, o que significa escutar, o que significa incorporar a rica tradição da Igreja nos momentos conjunturais”.

Exortação pós-sinodal

Francisco citou o compositor austríaco Gustav Mahler, que dizia que a tradição é a salvaguarda do futuro e não a custódia das cinzas. E confidenciou que ainda não tomou uma decisão sobre o tema do próximo Sínodo, que pode ser justamente o da sinodalidade, já que foi um dos três temas que recebeu votação majoritária.

Sobre a Exortação pós-sinodal, o Papa recordou que não é obrigatória, que o mais simples seria dizer: “Eis aqui o documento, vejam vocês”. “Em todo caso, uma palavra do Papa sobre o que se viveu no Sínodo pode ser uma boa coisa e gostaria de fazê-lo antes do final do ano, de modo que não passe muito tempo.”

As quatro dimensões

O Pontífice falou na sequência sobre as quatro dimensões tratadas no Sínodo Amazônico: cultural, ecológica, social e pastoral.

Quanto à primeira, foram abordados temas como a inculturação, a valorização das culturas e a tradição. Sobre a segunda, o Papa manifestou sua admiração pelo Patriarca Bartolomeu de Constantinopla, um dos pioneiros na conscientização do problema ecológico e da exploração compulsiva, da qual a Amazônia é um dos alvos principais.

Já a dimensão social chama em causa a exploração das pessoas e a destruição da identidade cultural. A quarta dimensão – a pastoral – é “a principal”. “O anúncio do Evangelho é urgente, urgente. Porém, que seja entendido, assimilado e compreendido por essas culturas.” Para Francisco, uma das expressões fundamentais é “criatividade nos novos ministérios”, inspirados em “Ministeria Quaedam” de Paulo VI.

O Papa assumiu o compromisso de reforçar a Comissão para o estudo do diaconato permanente. “Vocês sabem que se chegou a um acordo entre todos que não era claro. (…) Recolho o desafio que foi lançado: “que sejamos ouvidas”… recolho este desafio”, disse Francisco em meio aos aplausos.

Outro tema mencionado pelo Pontífice foi “reforma”: para a formação sacerdotal, para o zelo apostólico e para a redistribuição do clero, inclusive entre continentes. A este ponto, fez um agradecimento aos verdadeiros sacerdotes “fidei donum” que “não se apaixonam pelo Primeiro Mundo”.

Mulheres, reformas e ritos

Francisco falou também da mulher: “Nós não nos damos conta do que significa a mulher na Igreja.” O seu papel vai muito além da “parte funcional”, afirmou mais uma vez entre aplausos.

A Rede Eclesial Pan-amazônica (Repam) também foi mencionada como modelo a seguir para uma “semi-conferência episcopal” para a região ou um “Celam amazônico” (Conselho Episcopal Latino-americano). Outra sugestão, desta vez dentro da Cúria Romana, seria criar uma seção amazônica no Dicastério para a Promoção Humana Integral.

Quanto à abertura a novos ritos, Francisco disse que este aspecto cabe à Congregação para o Culto Divino e se pode fazer seguindo certos critérios e “eu sei que se pode fazer muito bem e fazer as propostas necessárias para a inculturação”.

Elite católica

Por fim, os agradecimentos a quem trabalhou “escondido” nas secretarias e também aos meios de comunicação. Aos profissionais da imprensa, um conselho: do Documento final, ressaltar sobretudo a parte da “diagnose” feita, porque “é realmente a parte em que o Sínodo mais se expressou: diagnose cultural, social, pastoral, ecológica, porque a sociedade deve assumir a sua responsabilidade.

Mais importante do que saber o que foi decidido sobre um aspecto particular, disciplinar, ou “qual partido venceu”, é saber que “todos vencemos com as diagnoses feitas e com o que foi avante nas questões pastorais e intereclesiásticas”.

Francisco falou de grupos da elite cristã, sobretudo católica, que se preocupam com “miudezas” e se esquecem das grandes coisas. A propósito, citou uma frase do escritor francês Charles Péguy: “Porque não têm a coragem de estar com o mundo, creem estar com Deus. Porque não têm a coragem de comprometer-se nas opções de vida do homem, creem lutar por Deus. Porque não amam ninguém, creem amar a Deus”.

Ao se desculpar pela “petulância”, o Papa concluiu de maneira “tradicional”: pedindo que rezem por ele.

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Sínodo: espaço de diálogo e discernimento https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/sinodo-espaco-de-dialogo-e-discernimento/ Mon, 07 Oct 2019 12:13:38 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=56880 O Sínodo especial para a região Pan-Amazônica, que iniciou neste domingo (6), no Vaticano, representa uma oportunidade para a Igreja rever sua metodologia de atuação evangelizadora e sua prática pastoral, buscando novos caminhos para ser presença ainda mais eficaz naquela região.

A preparação do Sínodo originou muitos debates. Suscitou polêmica o conceito de ecologia integral. O Papa Francisco explica que o conceito requer “abertura para categorias que transcendem a linguagem das ciências exatas ou da biologia e nos põem em contato com a essência do ser humano. (…) Uma ecologia integral exige que se dedique algum tempo para recuperar a harmonia serena com a criação, refletir sobre o nosso estilo de vida e os nossos ideais, contemplar o Criador, que vive entre nós e naquilo que nos rodeia e cuja presença não precisa ser criada, mas descoberta, desvendada” (Papa Francisco). Além disso, é necessário ter presente que o ambiente situa-se na lógica da recepção. É um empréstimo que cada geração recebe e deve transmitir à geração seguinte.

Precede a celebração da assembleia sinodal um amplo processo de escuta dos povos e das comunidades daquela imensa região.

Durante os trabalhos da assembleia, os Bispos são chamados a desenvolver a obra do discernimento, a fim de propor caminhos para o anúncio do Evangelho de Jesus Cristo junto àquela realidade. Caberá, depois, ao Papa Francisco avaliar as propostas apresentadas e de acordo com o Evangelho, a tradição da Igreja e as novas exigências que o tempo atual apresenta para a Igreja, decidir quais caminhos empreender para que ela cumpra a sua missão de anunciar o Evangelho a todos os povos.

A região Pan-Amazônica, além de cidades importantes, conserva uma variedade de povos nativos com suas culturas. Ora, desde o seu nascimento, o cristianismo tocou e se deixou tocar por outras culturas, colhendo dessas elementos e características. Isso diz de um processo de inculturação, ou seja, de inserção da mensagem cristã em diversas regiões e contextos sociais, por meio de um processo de diálogo com o universo simbólico dos povos com os quais o Evangelho entrou em contato.

Construir novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral requer capacidade para o diálogo, oração e sincero compromisso com a missão de cooperar ativamente na construção de uma “Terra sem males”, segundo os critérios do Evangelho.

Dom Jaime Spengler
Arcebispo de Porto Alegre

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Papa: o Espírito Santo é o protagonista do Sínodo https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/destaque/papa-o-espirito-santo-e-o-protagonista-do-sinodo/ Mon, 07 Oct 2019 12:07:12 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=56874 Os trabalhos do Sínodo dos Bispos sobre a Amazônia tiveram início na manhã desta segunda-feira (07/10) com um momento de oração diante do túmulo de Pedro, na Basílica Vaticana, intercalado com um canto da região amazônica, seguido pelo Veni Creator.

Os participantes seguiram em procissão até a sala sinodal levando cartazes com imagens de mártires e frases da encíclica Laudato Si’ e símbolos da região amazônica, como o barco, a rede e objetos indígenas.

O Pontífice fez a saudação inicial, agradecendo a todos pelo trabalho realizado desde sua visita a Puerto Maldonado, no Peru.

Dimensão pastoral
“O Sínodo para a Amazônia tem quatro dimensões”, explicou o Papa: pastoral, cultural, social e ecológica. “A primeira é essencial porque abarca tudo e vemos a realidade da Amazônia com olhos dos discípulos, porque não existem hermenêuticas neutras, ascéticas, sempre estão condicionadas a uma opção prévia, e a nossa opção prévia é a dos discípulos. Mas também com olhos missionários, porque o amor que o Espírito Santo colocou em nós nos impulsiona ao anúncio de Jesus Cristo.”

Francisco advertiu para as colonizações ideológicas, que fazem ver a realidade com programas pré-confeccionados com o afã de domesticar os povos originários. “As ideologias são uma arma perigosa”, afirmou, porque levam a visões redutivas, a entender sem admirar, sem assumir, sem compreender.

A realidade é absorvida com categorias “ismos”. O lema “civilização e barbárie” serviu para dividir, aniquilar os povos originários, demonstrando todo o desprezo por eles.
O Pontífice citou a experiência que a própria Argentina viveu com estes povos e as atitudes depreciativas que continuam até hoje, expresso inclusive na linguagem.

Contra o risco de medidas pragmáticas, o Papa propõe a contemplação dos povos, a capacidade de admiração e um pensamento paradigmático. “Se alguém veio com intenções pragmáticas, converte-se para atitudes paradigmáticas, que nasce da realidade dos povos”, afirmou.

Francisco alertou ainda para os riscos da mundanidade, “que sempre se infiltra e nos faz distanciar da poesia dos povos. Viemos para contemplar, compreender, servir os povos e fazemos percorrendo um caminho sinodal, não numa mesa-redonda, em conferências ou em discursos, mas em sínodo. Porque um Sínodo não é um parlamento, um locutório, é um caminhar juntos sob a inspiração do Espírito Santo e o Espírito Santo é o protagonista do Sínodo”.

O martírio do Instrumento de trabalho
Quanto ao Instrumento de trabalho, o Papa o qualificou como “mártir”, destinado a ser destruído, pois é o ponto de partida.

“Vamos caminhar sob a guia do Espírito Santo, deixar que Ele se expresse nesta assembleia, entre nós, conosco, através de nós e se expresse apesar da nossa resistência.”
Para assegurar que a presença do Espírito Santo seja fecunda, Francisco indicou antes de tudo a oração – “rezemos muito”. “É preciso também refletir, dialogar, escutar com humildade, sabendo que eu não sei tudo e falar com coragem, com paresia, “mesmo que tenha que passar vergonha”, discernir e tudo isso dentro, custodiando a fraternidade que deve existir aqui dentro.”

Para favorecer essa atitude de reflexão, oração, discernimento, depois das intervenções haverá um espaço de quatro minutos de silêncio. “Pois estar no Sínodo é entrar num processo, não é ocupar um espaço na sala, e os processos eclesiais têm necessidade de ser custodiados, cuidados com delicadeza, com o calor da Mãe Igreja.”

Francisco então indicou prudência ao falar com os jornalistas, para não se criar a impressão de que exista um “Sínodo dentro” e um “Sínodo fora”. “Uma informação impudente leva a equívocos.”

“Obrigado por aquilo que estão fazendo, obrigado por rezar uns pelos outros e ânimo, não perdamos o sentido de humor”.

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A bispos do Brasil, Papa diz que o Sínodo é um momento para ouvir a vontade de Deus https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/igreja-no-brasil/a-bispos-do-brasil-papa-diz-que-o-sinodo-e-um-momento-para-ouvir-a-vontade-de-deus/ Thu, 05 Sep 2019 18:03:12 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=56664 Cinco bispos brasileiros participaram no dia 2 de setembro de um almoço com o Papa Francisco, em sua residência, a Casa Santa Marta, no Vaticano. O encontro se deu no final de um retiro, organizado pela Congregação para os Bispos, que durou 15 dias e reuniu cerca de 30 prelados de diferentes países com até cinco anos de ordenação episcopal na Casa Divino Mestre, na cidade de Ariccia, próxima de Roma, na Itália.

Segundo o arcebispo de Diamantina (MG), dom Darci José Nicioli, presente ao encontro, em entrevista concedida ao VaticanNews, o papa conversou com os bispos sobre vários assuntos, entre os quais a realização do Sínodo da Amazônia, evento que reunirá, no Vaticano, de 6 a 27 de outubro próximo, bispos de todo o mundo.

O Papa, reforçou o arcebispo de Diamantina, chamou a atenção em primeiro lugar para a natureza de um sínodo. Segundo dom Darci, o Santo Padre disse que um sínodo é um encontro de irmãos que conversam, falam de suas preocupações, trocam experiências e que pensam juntos.

Para o Papa Francisco, o Sínodo é uma oportunidade para a Igreja ouvir a vontade de Deus e o que o Espírito Santo diz. Não se trata, apontou Francisco, de um parlamento, onde cada um vai pegar a bandeirinha, segundo os seus interesses, e defender então aquilo que entende oportuno.

Segundo dom Darci, o papa enfatizou que o Sínodo é uma oportunidade em que o Espírito Santo vai falar ao coração dos bispos e a partir das luzes que brotarem deste diálogo estes pensarão como ser Igreja na Amazônia e sobre a sua responsabilidade, como cidadãos, com a Casa Comum, expressão cunhada pelo Santo Padre em sua encíclica Laudato Sí.

Dom Darci disse ainda que o Santo Padre insistiu em que os bispos busquem uma vida baseada no testemunho da simplicidade. “O papa fala isto de cátedra. Porque ele é um homem muito muito simples. Ele fala não a partir de uma teoria mas de uma experiência de vida. Isto nos comove e ajuda a desenvolver nossa missão como bispos da Igreja”, concluiu.

Os prelados brasileiros que participam do encontro com o papa foram o bispo de Divinópolis (MG), dom José Carlos, presidente do regional Leste 2 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), bispo de Almenara (MG), dom José Carlos Brandão Cabral, o bispo-auxiliar de Salvador (BA), Estevam dos Santos Silva Filho, o bispo de Marília (SP), Luiz Antôni Cipolini e o arcebispo de Diamantina, dom Darci José Nicioli.

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