sexualidade - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br Site oficial da Diocese de Uruaçu - GO Sat, 28 Sep 2024 04:05:52 +0000 pt-BR hourly 1 https://old.diocesedeuruacu.com.br/wp-content/uploads/2018/12/cropped-favicon-32x32.png sexualidade - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br 32 32 170539269 Não responder intolerância com intolerância, diz Dom Sergio da Rocha https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/nao-responder-intolerancia-com-intolerancia-diz-dom-sergio-da-rocha/ Wed, 25 Oct 2017 08:02:03 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=49207 Exposições com uso de símbolos religiosos e abordando de forma polêmica questões da sexualidade, provocaram discussão na sociedade brasileira, ferindo não poucas sensibilidades e levando ao questionamento sobre o limite da arte.

O Cardeal Arcebispo de Brasília e Presidente da CNBB, Dom Sérgio da Rocha, o Secretário da entidade, Dom Leonardo Steiner e o Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger – em visita à Rádio Vaticano – falaram sobre este tema:

Dom Murilo Krieger:  “Sim, porque há uma ideia que às vezes se espalha de que o artista, ele não tem limites, quando a gente sabe que todo mundo gosta ser respeitado. E se toma a arte como se fosse um campo onde não houvesse ética. Ora, quando valores nossos são atacados – valores religiosos, ou então da raça – por exemplo, ninguém não é porque o artista é livre ele pode ofender judeus, não pode ofender negros, ou afrodescendentes. Também não pode ofender nossos símbolos religiosos. Então muitas vezes eles tentam deslocar a conversa e a discussão, mas quase só sobre o problema do nudismo, mas acho que é em segundo plano.

O problema são valores que cada um tem e que tem que ser respeitados. Senão fica um campo de agressividade maior. Então o que a gente nota, é que muitas mães de família, pais de família, logo se colocaram na situação do filhinho, como isto meu filho, ele não tem direito de ser agredido  por algo que não me interessa que ele veja e toque. E a gente nota  algo muito positivo, uma reação da sociedade. Claro, que aí vem o pessoal que chama de os retrógrados, os conservadores,  os direitistas.  Ou seja, tentar abafar a voz de quem pensa diferente, de uma forma assim agressiva. Mas eu penso que isto tudo está obrigando todos nós a tomarmos consciência, que devemos e temos o direito de defender nossos valores. Não é porque alguém se sente inspirado não sei por quem, pode ofender-nos assim gratuitamente.

RV: Dom Leonardo, o senhor que está em Brasília, naturalmente a CNBB…chega tudo, como o senhor diz, procuraram muito também os senhores por esta questão?

Dom Leonardo Steiner: “É, fomos muito procurados e nós achamos melhor não emitirmos nota, mas ajudarmos na reflexão.  Aquilo que Dom Murilo acaba de dizer é vital. Vejo que a questão da sexualidade ela  está sendo abordada de maneira quase superficial, e se diz como arte. Quando a sexualidade humana exige um certo distanciamento, exige uma intimidade que lhe é própria. É porque a nossa sexualidade se diferencia da sexualidade animal. A sexualidade humana tem a ver com intimidade, tem a ver com amor, tem a ver com delicadeza, tem a ver com vida que se entrecruza, tem a ver com vida que está por vir. Então não se pode abordar a questão da sexualidade humana de qualquer maneira, de uma maneira escancarada.

E eu penso que aqui tem alguns elementos que nós  poderemos ajudar a refletir. Mesmo aqueles quadros  expostos num dos museus, nos ajudam a refletir e a perceber assim  a que ponto estamos chegando na sociedade brasileira em relação a questões que são vitais para a pessoa humana, para não decairmos em relação a nossa sexualidade, ao nosso amor, nas nossas relações. As nossas relações humanas, elas têm um significado muito próprio. Nós não podemos banalizar as relações humanas, senão nós começamos a decair como civilização, como sociedade brasileira.

Eu creio que aqui existem alguns elementos antropológicos onde nós como CNBB podemos ajudar a refletir.  Não estou aqui nem mencionando – como Dom Murilo já lembrou –  as questões teológicas, as questões que o Evangelho nos propõe. Estou abordando aqui apenas no sentido antropológico, de pessoa, humana. E mesmo também  os símbolos religiosos. Os símbolos religiosos têm a ver com a expressão de nossa humanidade. Os valores, os símbolos, nos dizem algo, eles fazem parte de nossa vida. Se não fazem parte da vida de algumas pessoas, de determinados grupos, nós não invadimos a intimidade, não invadimos as pessoas com nossa agressividade, colocando estes valores ou estes símbolos em cheque, ou desprezamos estes valores. 

Estes valores são respeitados porque para determinado grupo ou para determinadas pessoas têm um significado inclusive de transcendência. Não estou aqui nem falando de fé, estou falando de transcendência, para além do imediato da cotidianidade e que ajuda a enfrentar a cotidianidade das pessoas. Eu não estou falando aqui apenas dos nossos símbolos católicos, estou falando dos símbolos que, por exemplo, o candomblé tem os seus símbolos e que estão sendo também agredidos.

E existe – Dom Sérgio antes estava falando – uma intolerância religiosa que vai aparecendo também na agressividade em relação aos símbolos, que vai aparecendo também em relação à arte. A própria arte às vezes está incentivando a intolerância. Então creio que existem aqui alguns elementos, e estes  foram aparecendo, e nós, como CNBB, tentamos ajudar a refletir. Certamente, o Conselho Permanente deve ainda também se manifestar a este respeito. Mas eu creio que também nisto temos sim uma contribuição a dar. Porque a intolerância está aparecendo também em forma de arte. E aí corremos um perigo muito grande”.

Dom Sérgio da Rocha: “Só alertar aqui, para aquilo que já acenamos, o risco, o perigo de querer responder uma ofensa de maneira ofensiva. Ou seja, querer responder uma forma de intolerância, sendo ainda mais intolerante. Isto preocupa muito. É justo manifestar a posição cristã ou a posição que as pessoas têm diante de situações assim. Mas é preciso ter um cuidado muito grande, para não alimentar ainda mais agressividade e intolerância, para não se tornar agressivo e intolerante, na resposta àquilo que consideramos ofensa, não pode ser respondido com mais ofensa ainda, como se diz arrasando com as pessoas, sobretudo. Acho que este cuidado precisa ter, porque senão nós não estaríamos respondendo de maneira cristã, nem estaríamos ajudando a superar a intolerância ou a agressividade”.

RV: Neste contexto as redes sociais assumem um papel bastante arriscado, porque a sensibilidade das outras pessoas é facilmente pisoteada, porque a gente não tem um interlocutor na frente e fica aquela avalanche de ofensas e insultos que vai sempre crescendo….

Dom Sérgio da Rocha: “E também, eu acho, o cuidado em não compartilhar aquilo que não é bom. Eu não sei porque, as pessoas hoje passam para frente com a maior facilidade ofensas, e às vezes sem maior razão de ser vão compartilhando, compartilhando, parece que por curiosidade, e com isto vão alimentando, vão divulgando também aquilo que não é bom. Acho que nós estamos precisando divulgar, compartilhar, aquilo que vale a pena, aquilo que constrói. Não que não vamos levar em conta, não se vai dar atenção àquilo que também seja considerado anticristão ou desumano. Mas eu creio que nós precisamos acima de tudo ter este cuidado de nas redes sociais não ficar compartilhando aquilo que não valeria a pena, coisa que não vale a pena ser passado para frente. E às vezes ela se multiplica de uma maneira impressionante, sem maior reflexão, sem maior posicionamento cristão”.

Por Rádio Vaticano

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Novo estudo: a pornografia prejudica os homens na relação com as mulheres https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/novo-estudo-a-pornografia-prejudica-os-homens-na-relacao-com-as-mulheres/ Tue, 08 Aug 2017 08:23:56 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=47732 Uma pesquisa apresentada na 125ª Convenção Anual da Associação Americana de Psicologia (APA) revelou que a idade na qual uma pessoa é exposta pela primeira vez à pornografia é significativamente associada a certas atitudes de maltrato contra as mulheres no futuro.

O nome do estudo é “Age and Experience of First Exposure to Pornography: Relationes to Masculine Norms” (Idade e experiência da primeira exposição à pornografia: Relações com as normas masculinas) e foi apresentado pelas pesquisadoras da Universidade de Nebraska- Lincoln (Estados Unidos), Alyssa Bischmann e Chrissy Richardson.

“Descobrimos que quanto mais jovem o homem assistiu pela primeira vez a pornografia, mais provável era a sua busca de poder sobre as mulheres. E quanto mais velho o homem em sua primeira exposição à pornografia, mais provável que ele queira participar de comportamentos sexualmente promíscuos”, disse Bischmann.

O estudo, segundo indica o site da APA, avaliou 330 estudantes universitários do sexo masculino e lhes perguntou sobre o seu primeiro contato com a pornografia. Também perguntaram sobre as suas atitudes em relação às mulheres e compararam ambos os resultados.

De acordo com a coautora Chrissy Richardson, a descoberta foi surpreendente porque os pesquisadores esperavam que as atitudes de promiscuidade e do desejo de exercer poder sobre a mulher fossem mais altas enquanto a primeira idade de contato com a pornografia fosse menor.

“A descoberta mais interessante deste estudo foi que com a idade avançada na primeira exposição previu uma adesão maior às normas masculinas promíscuas. Esta descoberta provocou muitas outras perguntas e ideias potenciais de pesquisa, porque era tão inesperado com base no que sabemos acerca da socialização do papel do gênero e da exposição na mídia”, disse Richardson.

Bischmann desconfia que os resultados podem estar relacionados a variáveis ??não examinadas, como a religiosidade dos participantes, a ansiedade pelo desempenho sexual, as experiências sexuais negativas ou se o primeiro contato foi positivo ou negativo.

“É necessário fazer mais pesquisas”, indicou.

Entre o grupo, a idade média do primeiro contato com a pornografia foi de 13,37 anos, 5 anos foi a idade menor e 26 a maior. A maioria dos homens indicou que o seu primeiro contato foi acidental (43,5%), intencional (33,4%) ou forçado (17,2%). E 6% não indicou a natureza da exposição.

Entretanto, apesar dos dados mencionados, ninguém determinou como os homens se relacionam com as mulheres.

“Ficamos surpresos que o tipo de exposição não afetasse se alguém quisesse exercer poder sobre as mulheres ou participasse de comportamentos promíscuos. Esperávamos que as experiências intencionais, acidentais ou forçadas tivessem resultados diferentes”, concluiu Bischmann.

Em março deste ano, uma análise de 50 estudos descobriu que a pornografia está significativamente ligada a uma baixa satisfação nas “relações sexuais e relacionais” dos homens.

A análise incluiu 50.000 participantes de 10 países diferentes e contradiz outro estudo que afirmava que a pornografia tem um impacto positivo em seus consumidores.

Por ACI Digital

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Sexualidade, relacionamentos e vida de oração https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/sexualidade-relacionamentos-e-vida-de-oracao/ Mon, 31 Jul 2017 11:31:44 +0000 http://teste.toqueto.com/sexualidade-relacionamentos-e-vida-de-oracao.html Para cultivar a castidade, a pureza e a santidade, o alicerce da sua casa precisa ser a vida de oração, como uma planta que recebe da sua raiz vida, força e vigor. É importante entender o relacionamento de sexualidade, relacionamento e vida de oração.

Essa vida não acontece com uma oração, com um terço de vez em quando e indo à Missa somente aos domingos. Para homens e mulheres que assumem o compromisso de conversão, não é mais possível ir às Missas só aos domingos. Com a sede de Deus que temos, precisamos buscar outras oportunidades para receber o alimento que nos guarda e nos prepara para o céu: a Eucaristia.

A confissão precisa acontecer sempre que necessário. Depois que nos encontramos com Deus, não podemos continuar tendo ideias como: “Não vou me confessar, porque o padre é um pecador como eu”. O que importa é a graça que a Igreja concedeu àquele homem de Deus por meio do sacramento da ordem, dando-lhe, em nome de Deus e da Igreja, o poder para perdoar nossos pecados.

Durante algum tempo, levei minha vida confessando-me todo mês. Depois, vi que era hipocrisia da minha parte, pois deveria me confessar sempre que necessário, e não esperar completar um mês para fazê-lo.

Aprendi que aquele que se confessa o mesmo pecado várias vezes, há anos, não é um fraco, mas um lutador, que está aguentando firme. Continue confessando-se e recebendo a cura, a graça de que você precisa. Fraco é quem se afasta da confissão, porque não tem coragem suficiente para acusar-se diante de Deus, que é amor. Se não tomarmos cuidado, vamos levando nossa espiritualidade de qualquer jeito.

A necessidade de ter uma vida de oração

Inventamos mil motivos para não ter profundidade na nossa vida espiritual, que é, de fato, aquilo que nos dá sustento. A boa semente que recebemos precisa ser cuidada, e a primeira coisa a fazer é resolvermos nossa vida de oração.

Nossa vida de oração precisa ser crescente. Chega de altos e baixos! Precisamos decidir o que queremos fazer com o Deus da nossa vida.

Eu não durmo sem a Palavra de Deus, é uma regra para mim. Posso estar extremamente cansado, seja por qual for o motivo, na minha casa não tem cama sem Bíblia. A decisão de ter uma vida de oração muda radicalmente nossa vida.

Vida de oração

Não pense que já estamos suficientemente fortes para enfrentarmos esse mundo em que vivemos. Acredito na espiritualidade que nos faz crescer quando nos ensina a desligarmos a televisão e irmos para o quarto rezar com a Bíblia. Acredito na espiritualidade quando um amigo telefona e diz: “Vamos sair? Vai ter um programa legal! Depois dormimos na casa de um colega”, mas eu lhe digo: “Desculpe-me, mas não fiz meu estudo bíblico ainda. Podia até ir, mas pode deixar para a outra semana?”. Talvez possamos perder esse amigo, mas não acredito em nenhuma outra espiritualidade que não cresça dessa forma.

Deus toca naquilo que, de fato, nos faz felizes: nossa capacidade de amar. Você deve conhecer pessoas que possuem muito dinheiro, muitos bens, mas que não se tornaram amor, por isso são frustradas e infelizes. Deve conhecer também pessoas muito simples, algumas sem dinheiro, que tiveram uma vida pobre materialmente nem tiveram o que comer, mas foram muito amadas e são pessoas íntegras. Você deve conhecer muitas pessoas que conheceram o mundo inteiro, viajaram, falam cinco idiomas e conversam sobre muitos assuntos, mas que não possuem o brilho nos olhos nem o sorriso nos lábios. Essas pessoas não fizeram a experiência do amor.

Se você não teve muito afeto, gerando assim carências, e com isso aconteceram as experiências sexuais com pessoas do mesmo sexo, despertando em você esse interesse, saiba que a luta é grande. O mundo manda fazer sua opção, porque você é livre. É uma pressão enorme sobre sua pessoa. Mas, é preciso entender que sua íntima decisão de buscar a cura é fundamental. Não importa o fundo do poço no qual você se encontra é preciso decidir-se.

Não tenha medo e afaste-se das pessoas que alimentam em você todo e qualquer desregramento na sua afetividade e sexualidade. Sua luta será enorme, mas também assim será sua coroa.

Por Ricardo Sá (membro da Comunidade Canção Nova)

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Uma personalidade harmoniosa é fruto de uma maturidade humana https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/uma-personalidade-harmoniosa-e-fruto-de-uma-maturidade-humana/ Tue, 23 May 2017 07:54:10 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=46368 Não é amor a busca de si, mas a doação de si

Hoje se fala tanto de maturidade humana como um estilo de vida, um modo de ser que faz o homem capaz de cumprir com serenidade e com satisfação a própria missão, sem perder o equilíbrio diante de dificuldades, mesmo graves, que se encontram no decorrer da vida. Entende-se que o homem é um “ser para”. Ele possui uma personalidade harmoniosa na medida em que sabe viver pelos outros e com os outros.

Também no campo da sexualidade, toda pessoa – prescindindo da sua vocação específica – deve procurar alcançar essa maturidade se é que deseja uma vida equilibrada na relação consigo e com os outros.

É fácil notar o comportamento instintivo de uma criança que toca os objetos que encontra e os leva espontaneamente à boca. Quando não consegue fazê-lo, lamenta-se e faz toda sorte de manhas. Parece que todo o mundo circunstante deva estar a seu serviço. É um pouco a imagem do egocentrismo infantil. Através de uma obra educativa paciente e progressiva, terá que aprender a reconhecer a existência de outras pessoas iguais a ela e a partilhar com elas os seus brinquedos.

Sem esta educação ao amor para com o outro a criança, quando chega à adolescência, fechar-se-á sempre mais em si mesmo para deleitar-se das suas belas qualidades, no narcisismo, ou para lamentar-se das suas carências. No campo sexual, poderá fixar-se no autoerotismo ou masturbação.

É bom notar a este propósito que, sendo o caminho da formação humana e cristã um caminho progressivo, não há de se espantar se na adolescência acharmos facilmente esta prática. A sua presença não deve desencorajar, mas estimular à conquista daquele completo autodomínio sobre os próprios instintos que ajudará a amadurecer como pessoa.

O adolescente que desde menino procurou seguir esse caminho no amor, acha-se nas melhores condições para descobrir e entender o verdadeiro sentido da sexualidade humana em todos os seus aspectos, inclusive a genitalidade, e a descoberta da função dos dois sexos, vistos segundo o plano inscrito por Deus na natureza e, iluminado ainda mais pela fé, não só não será para ele traumatizante, mas o comprometerá a preparar-se modo digno para o futuro que o espera. Se, pelo contrário, vem a faltar esta visão sadia da sexualidade humana, o jovem corre sérios riscos de viver de modo egoísta a própria sexualidade.

Educação sexual distorcida

A imaturidade pode levar a procurar expansão afetiva e satisfação dos seus instintos sexuais de forma inadequada. É algo muito complexo e hoje muito difundido, que quase sempre afunda suas raízes numa educação sexual distorcida e exige um cuidado cauteloso. Não basta porém ter a orientação correta da sexualidade e deixar de lado todo tipo de narcisismo, voltar-se de alguma maneira para o outro sexo, para considerar-se pessoas maduras neste campo.

Ninguém tem o direito de ir até o outro para impor qualquer coisa que seja, nem utilizar afetiva e sexualmente a outra pessoa, como uma esponja que absorve tudo para seu próprio prazer. Sugar e desfrutar uma outra pessoa só leva à infelicidade. Não é amor a busca de si, mas a doação de si. Faz-se necessário adquirir o sentido da oblatividade, do serviço e da doação. Um pressuposto indispensável para conseguir a maturidade, é a capacidade de autocontrole. Para dar alguma coisa é necessário antes possuí-la. Para que nossa pessoa possa ser uma doação para os outros, devemos antes possuir-nos, ter o autocontrole de nós mesmos.

Todos os nossos pensamentos, desejos, impulsos sexuais, tudo aquilo que constitui neste campo o nosso psiquismo consciente e inconsciente deve encontrar uma forma de equilíbrio através do autocontrole, de modo que, tendo alcançado uma liberdade interior, o nosso agir será uma doação a quem está próximo de nós, no pleno respeito das exigências alheias e da lei de Deus, inscrita no coração humano. Sabemos que todo homem e toda mulher são uma obra-prima de Deus, um ser único e irrepetível, criado por amor e lançado por amor na divina aventura da vida.

O autocontrole nos ajuda a nos colocarmos perto de todo homem e de toda mulher não como elemento que perturba este plano de Deus e torna o outro infeliz, mas como alguém que o ajuda a alcançar a felicidade. Quando uma pessoa alcançou certo equilíbrio e sabe sair do próprio egoísmo para doar-se, então ela é livre e se encontra nas condições normais para aceitar o chamado de Deus ao matrimônio ou à virgindade. Podemos dizer que ele tem a pureza no sentido evangélico; pode, por isso, descobrir e colocar em prática o plano de Deus na sua vida: “Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus” (Mt 5,8).

Por Dom Alberto Taveira Corrêa – extraído do Retiro Popular 2017

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Outra vez ideologia de gênero https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/outra-vez-ideologia-de-genero/ Fri, 24 Mar 2017 09:48:31 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=45091 Sei que há opiniões divergentes. A questão “gênero” é uma das polêmicas mais debatidas na atualidade. O que deverão prevalecer? As correntes do modismo, os interesses particularizados de minorias, ou o bom senso da razão?  O que se está propondo (ou impondo) é uma revolução dos conceitos e dos costumes. As revoluções podem ser boas ou más, mudar para melhor ou para pior. Elas são geralmente resultado de uma ideia que, de alguma forma, pegou. Porém, também nem sempre o que pegou é bom. A ideias nazistas e fascistas pegaram, à época, mas não eram boas e geraram guerra mundial. As consequências vão demonstrar onde está a verdade. Mas, pela experiência da história, podemos evitar desastres desnecessários. 

O critério para decisões nas horas acaloradas não pode ser outro senão o respeito à ordem natural das coisas, a dignidade das pessoas, e a legitimidade do método.  No caso da agenda de gênero, me parece haver vários enganos que poderão causar danos irreparáveis. Em primeiro lugar, afirmar que ninguém nasce homem ou mulher e que isso é resultado pura e simplesmente das influências sociais, é evidente e clamoroso equívoco, uma vez que desconhece, de forma absoluta, o dado biológico. Por natureza, os seres vivos são criados em machos e fêmeas, e isso não é apenas um acaso, mas a ordem natural que possibilita a procriação e a harmonia entre os seres vivos. A natureza já nos traz prontos e isto não pode ser encarado como uma agressão da mesma. Há coisas que devem ser recebidas como um dom e não como uma imposição. Seria uma deformação psicológica ver em tudo opressão. Você, se nasceu no Brasil, nasceu brasileiro, se nasceu no Japão, será sempre japonês. Ainda que você, por opção, se naturalize em outro país, a sua origem nunca poderá ser negada. Há, portanto, um dado original que lhe determina a existência. 

No campo da sexualidade, se ao caminhar da vida algo de diferente apareceu no organismo psicológico ou em opções pessoais, trata-se de exceção e deve ser visto, respeitosamente, como tal. As pessoas não têm culpa de terem esta ou aquela tendência. Mas é preciso tratar as coisas com objetividade. Se você, por exemplo, se sente japonês num corpo brasileiro, todos o respeitarão, mas seria um contra-senso exigir que a todos nasçam sem nacionalidade ou naturalidade definida, e tentar criar legislação que proibisse todas as pessoas de se reconhecerem como tais, dando-lhes o pseudodireito, antinatural, de esperar ter a idade da razão para saber se quer ser brasileiro, japonês, ou ter qualquer outra naturalidade.  

Se se procura com o respeito pelas opções, é necessário observar que a liberdade das opções tem limites e consequências. Mesmo as opções por algo que julgo bom, devem ser averiguadas. É preciso saber se vão causar danos a alguém, ao grupo humano de que fazemos parte e até à humanidade inteira. Por exemplo, a opção pelo desmatamento pode ser julgada por alguém como algo bom, pois poderá gerar lucros e para estes autores da desflorestização o lucro é tentador. Mas, sabemos que tal ato causa um grande prejuízo ao meio ambiente e gera situações de morte para pessoas humanas e outros seres vivos. 

Os métodos para conseguir prevalecer ideias devem ser legítimos e respeitosos. Não me parece que isto esteja acontecendo, com relação à ideologia de gênero. A instrumentalização da mídia com casuísmos dramáticos, com exemplos particularizados, a forma de impor tal agenda nos planos municipais de educação, de juventude, da mulher e outros, além do uso de material didático, verdadeira literatura pornográfica, já distribuído nos últimos anos sem nenhuma aprovação, não tem nada de democrático. 

O direito das famílias de educarem seus filhos conforme suas consciências e suas crenças é totalmente desprezado, não lhe reconhecendo nenhum direito de falar, de argumentar ou de optar por algo que lhe seja valor inalienável, e se o fizer será pejorativamente criticado com termos como conservadorismo, homofobia, atitude contra os direitos das mulheres e outros. 

Aos cristãos, sejam católicos ou evangélicos, constituidores da grande maioria do povo brasileiro, eu ofereceria a Palavra do Senhor que nos chama a lutar com destemor: “No mundo tereis provações. Mas tende coragem! Eu venci o mundo” (Jo 16, 33). Já enfrentamos coisas piores na história, mas sempre venceu o bom senso e a ordem estabelecida por Deus. No espírito da Quaresma que prepara a Páscoa, lutemos com as aramas da paz e da justiça, do respeito, da coragem e do amor, certos de que a vitória será da vida, pois Cristo venceu o pecado e a morte, ressuscitou e está vivo para sempre.

Por Dom Gil Antônio Moreira – Arcebispo de Juiz de Fora

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