ser humano - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br Site oficial da Diocese de Uruaçu - GO Sat, 28 Sep 2024 04:04:15 +0000 pt-BR hourly 1 https://old.diocesedeuruacu.com.br/wp-content/uploads/2018/12/cropped-favicon-32x32.png ser humano - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br 32 32 170539269 Uma sociedade fraterna https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/uma-sociedade-fraterna/ Wed, 21 Mar 2018 07:56:44 +0000 http://teste.toqueto.com/uma-sociedade-fraterna.html Li, certa vez, que o trabalho afasta do ser humano três grandes males: o tédio, o vício e a miséria. O desemprego é sempre um mal e, quando atinge determinados limites – me parece ser a situação que estamos vivendo no país! -, pode tornar-se uma verdadeira calamidade social. Ele se torna um problema particularmente dramático quando são atingidos pais de família e jovens. É doloroso acompanhar a situação de quem tem vontade de trabalhar e um desejo profundo de assumir suas próprias responsabilidades, e não vê saída para a situação em que está.

Precisamos unir nossas forças e usar os meios que tivermos ao nosso alcance para que a sociedade se sensibilize com a grave situação dos desempregados, conheça as causas que a geram e as consequências que dela decorrem. Há necessidade de trabalhar na construção de uma sociedade baseada em novos paradigmas, nos quais a pessoa esteja no centro das decisões, a vida humana não se subordine à lógica econômica e o trabalho não se reduza à mera sobrevivência. Mais: é necessário que cresça um amplo movimento de solidariedade para manter viva a esperança dos que enfrentam diretamente o problema do desemprego.

A Quaresma é um tempo de avaliação de nosso ser cristão. É discípulo de Jesus quem promove a fraternidade e imita seu amor pelos pequenos, fracos e doentes. Segundo a visão bíblica, pobre, necessitado ou pequeno, é aquele que, sozinho, não pode sair da situação em que se encontra, nem consegue caminhar sem a ajuda de algum irmão.

 Se cada um de nós olhar para as próprias mãos, descobrirá que elas estão cheias de dons. Ora, todo dom que o Senhor dá a seus filhos não é para a própria autossatisfação e proveito. Cada dom recebido é sempre para os outros, para servi-los mais e amá-los melhor. Usando, pois, nossas capacidades, saibamos fazer o que estiver ao nosso alcance para diminuir o número de desempregados.

Precisamos, além disso, de reconhecer humildemente que somos limitados. Daí a necessidade de voltarmos nosso olhar suplicante para o Senhor, como fez Salomão, ao tomar consciência de seus próprios limites na arte de governar o povo. Quando Deus lhe perguntou o que desejava obter, ouviu o pedido: “Digna-te, Senhor, conceder-me sabedoria e inteligência para que possa conduzir este povo” (2Cr 1,10). Agradou ao Senhor que Salomão não tivesse pedido riquezas, tesouros nem glórias, e lhe deu muito mais do que lhe havia pedido.

Dessa sabedoria, isto é, dessa capacidade de ver o mundo, os homens e os acontecimentos com o olhar de Deus, nossa época tem imensa necessidade. Faltam-nos sábios. Precisamos de pessoas que, com sabedoria, defendam valores como a justiça, a fraternidade e o respeito à dignidade de cada ser humano.

Por Dom Murilo S.R. Krieger – Arcebispo de Salvador

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Papa: civilizar o mercado na perspectiva de uma ética amiga do ser humano https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/papa-civilizar-o-mercado-na-perspectiva-de-uma-etica-amiga-do-ser-humano/ Fri, 20 Oct 2017 13:00:24 +0000 http://teste.toqueto.com/papa-civilizar-o-mercado-na-perspectiva-de-uma-etica-amiga-do-ser-humano.html O Papa Francisco recebeu em audiência, nesta sexta-feira (20/10), na Sala Clementina, no Vaticano, os membros da Pontifícia Academia das Ciências Sociais que participam de um encontro promovido pelo organismo.

Instituída por São João Paulo II, com o objetivo de promover o estudo e o progresso das ciências sociais, econômicas, políticas e jurídicas, e oferecer à Igreja elementos a serem usados no estudo e no desenvolvimento da doutrina social, a Academia tem também a tarefa de refletir sobre a aplicação dessa doutrina na sociedade atual.

“O aumento endêmico e sistêmico das desigualdades e da exploração do Planeta, e o trabalho que não dignifica a pessoa humana são as duas causas específicas que alimentam a exclusão e as periferias existenciais”, frisou o Papa em seu discurso.

“A desigualdade e a exploração não são uma fatalidade e nem uma constante histórica. Não são uma fatalidade porque dependem, além dos vários comportamentos individuais, das regras econômicas que uma sociedade se dá. O lucro prevalece como finalidade e a democracia se torna uma plutocracia na qual aumentam as desigualdades e também a exploração do Planeta.” 

Em relação à segunda causa de exclusão social, o Papa chamou a atenção para que no mundo do trabalho existam “pessoas abertas, empreendedoras, capazes de relações fraternas”, evidenciando uma necessidade fundamental: 

“Desvincular-se das pressões de lobistas públicos e privados que defendem interesses setoriais. Também é necessário superar as formas de preguiça espiritual. Ação política deve ser colocada a serviço da pessoa humana, do bem comum e do respeito pela natureza.”

“Valores fundamentais como a democracia, a justiça, a liberdade, a família e a criação” não podem ser sacrificadas no “altar da eficiência”. “Devemos mirar a civilização do mercado, na perspectiva de uma ética amiga do ser humano e seu ambiente.”

Segundo o Papa,  é preciso repensar a figura e o papel do Estado-nação no novo contexto da globalização:

“O Estado não pode conceber-se como único e exclusivo detentor do bem comum, não permitindo a corpos intermediários da sociedade civil de expressarem plenamente seu pleno potencial. Esta seria uma violação do princípio de subsidiariedade que, junto com o da solidariedade, forma uma coluna da doutrina social da Igreja. O desafio aqui é o de como vincular os direitos individuais ao bem comum”.

Enfim, o Papa citou as palavras do escritor francês Charles Péguy a propósito do papel específico da sociedade civil e da virtude da esperança: “Como uma irmã pequena está no meio das outras duas virtudes, fé e caridade, segurando-as pela mão e puxando-as para frente. Parece-me ser esta a posição da sociedade civil: puxar para frente o Estado e o mercado a fim de que repensem sua razão de ser e seu modo de agir.”

Por Rádio Vaticano

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O homem foi feito para amar https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/o-homem-foi-feito-para-amar/ Thu, 30 Mar 2017 09:29:39 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=45202 Caros amigos, o homem foi criado por Deus como um ser social, capaz de conhecer e amar os seus semelhantes. Assim ensina o Catecismo da Igreja Católica: “A pessoa humana tem necessidade da vida social. Esta não constitui para ela algo de acessório, mas uma exigência da sua natureza. Graças ao contato com os demais, ao serviço mútuo e ao diálogo com os seus irmãos, o homem desenvolve as suas capacidades, e assim responde à sua vocação” (n. 1879).

Esta fraternidade tem sua raiz mais íntima na unidade das Pessoas Divinas – Pai, Filho e Espírito Santo (Cfr. Catecismo, 1878). Da mesma forma, o ser humano também necessita de relações espirituais, tais como: amizade, aprendizagem, confiança, misericórdia e, sobretudo, amor. Certamente, o caminho para a realização humana é o amor, concretizado nos principais mandamentos da lei do Senhor: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo (Cfr. Mt 22, 36-39 e IJo 4, 20-21). Por isso, na Quaresma, somos convidados a refletir sobre nossa vida de amor efetivo para com Deus e nossos semelhantes, com todas as suas consequências.

Sabemos que as exigências do amor ao próximo muitas vezes impedem o homem moderno de viver sem conflitos, pois o amor pede iniciativas e renúncias que custam. Felizmente, a atual sociedade tem avançado no diálogo, abrindo espaços de convivência e compreensão mútuas em meio à diversidade de pensamentos vigentes. Por outro lado, isto não significa, como temos percebido, a demolição de valores que constituem os pilares fundamentais de uma sociedade sadia.

A consequência deste quadro é o esfriamento das relações com nossos semelhantes e uma grande crise no sentido da vida. A este respeito, diz o Papa Francisco: “Quase sem nos dar conta, tornamo-nos incapazes de nos compadecer ao ouvir os clamores alheios, já não choramos à vista do drama dos outros, nem nos interessamos por cuidar deles, como se tudo fosse uma responsabilidade de outrem, que não nos incumbe” (EG, 54).

Infelizmente, a indiferença sempre fez parte da trajetória humana. Porém, agora você está atuando na história e pode contribuir para a mudança deste quadro. Para isso, é preciso uma decisão resoluta pela conversão. Diz a Palavra de Deus: “Filhinhos, não amemos só com palavras e de boca, mas com ações e de verdade!” (1Jo 3, 18).

Assim, qual tem sido seu gesto concreto de caridade nesta Quaresma? Desejo que ele seja o princípio de uma vida mais plena de amor e que marque toda a sua existência, apesar das possíveis consequências.

Por Dom Edney Gouvêa Mattoso – Bispo de Nova Friburgo (RJ)

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O significado do esconderijo do ser humano, segundo Santo Agostinho https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/o-significado-do-esconderijo-do-ser-humano-segundo-santo-agostinho/ Fri, 17 Feb 2017 09:01:30 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=44500 O pecado do ser humano rompeu a relação que Deus tinha com ele e vice-versa. Se antes havia a cordialidade, com o pecado surgiu o medo, o esconderijo, a fuga dos compromissos. Vejamos estes dados em Santo Agostinho.

1. O passeio de Deus

Se Deus passeava no paraíso e o homem e a mulher se encontravam com Deus, algo de novo, de ruim ocorreu com a queda. O ser humano foge à presença de Deus. Quando Deus veio até eles para julgá-los, ao ouvirem a sua voz se esconderam de sua presença. O pecado rompe com a alegria e o amor da pessoa com Deus.

2. O motivo do esconderijo

Por que o ser humano buscou a fuga? Santo Agostinho afirmou que o homem e a mulher fugiram porque a luz da verdade interior não estava mais neles. Quem se esconde do olhar de Deus senão aquele que, abandona-o, para amar o que é lhe é próprio? Eles tiveram que se cobrir com as vestes da mentira e o que profere mentiras, fala do que lhe é próprio e não aquilo que é de Deus.

3. O lugar do esconderijo

Eles se esconderam junto à arvore que estava no meio do paraíso, ou seja, junto a si mesmos que foram estabelecidos no meio das criaturas, abaixo de Deus e acima das coisas corporais. Segundo Santo Agostinho, o homem e a mulher se esconderam porque desobedecerem a Deus, abandonando a luz da verdade que é o Deus vivo e verdadeiro, não vivendo o seu amor por cada um de nós..

4. O Ser humano interrogado

Adão será interrogado não como se Deus ignorasse onde estava, mas para obrigá-lo a confessar seu pecado. Adão respondeu, depois de ouvir a voz de Deus, que se escondera porque descobrira que estava nu, como se isso pudesse desagradar a Deus, porque foi dessa forma que Deus o criou no início. A queda ao pecado levou Adão a pensar que o desagrada a alguém, desagrade a Deus. Ali virá a pergunta de Deus: E quem te fez perceber que estavas nu, a não ser porque comeste do fruto daquela árvore que era proibido comer?(cfr. Gn 3,11). O homem e a mulher se apartaram de Deus e voltaram-se para si mesmos. Assim descobre-se o significado de ter comido o fruto daquela árvore ao perceber a sua nudez, desagradando a Deus e à todos porque o amor de Deus pelas pessoas foi violado.

5. A culpa passa adiante

Estando numa atitude de soberba e de orgulho, Adão acusou o seu pecado à Eva, a sua mulher. Ele quis passar a culpa adiante, para a mulher. Ele não disse: a mulher deu-me mas acrescentou: a mulher que me deste(cfr. Gn 3,12). Isso significa que quando a pessoa peca acusa os outros, os pecados de que são acusados. Isso proveio da desobediência do homem, de sua soberba pois logo que ele pecou, ao querer ser igual a Deus, ou seja ficar livre de seu domínio porque só Deus é livre de todo o domínio, sendo o Senhor de todos, e não conseguindo ser igual a Ele em majestade, esforçou-se para torná-lo igual a si, considerando-se inocente. Por sua vez, a mulher ao ser interrogada, passou a culpa para a serpente de modo que os dois não guardaram o preceito de Deus dando ouvidos às palavras da serpente. A serpente recebeu logo o castigo, pois não confessou o pecado e nem apresentou desculpas.

6. O castigo recebido

O ser humano é castigado por não obedecer a Deus e por não considerar-se sempre como criatura de Deus. Antes do pecado, podia alegrar-se com a verdade eterna, na qual não permaneceu. Os animais passaram a ser hostis contra o ser humano, o homem e a mulher.

7. A esperança de se lançar na árvore da vida

Ao ser expulso do paraíso o homem e a mulher foram lançados para os trabalhos desta vida em vista de seus sustentos. Mas segundo Santo Agostinho Deus colocou nele o desejo de novamente abraçar a árvore da vida, não mais para se esconder de seu pecado, mas para viver eternamente com o seu Criador. Este desejo será imprimido pela vinda do Messias, Jesus Cristo que reconciliou o ser humano com Deus de modo que o homem e a mulher possam de novo algum dia estender a sua mão para a árvore da vida, que é o Senhor e viver para sempre com Deus.

Por Dom Vital Corbellini, bispo de Marabá/PA

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Tempo próprio https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/tempo-proprio/ Fri, 10 Feb 2017 10:08:44 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=44315 Vivemos inseridos no tempo, caracterizado por estações, ritmos, festas. As estações com a subdivisão entre dia e noite é o próprio tempo que oferece. Os ritmos, isto é, a divisão em anos, meses, semanas, horas é fruto de convenção humana para marcar o tempo. As festas são expressão do modo como o ser humano se relaciona com esta realidade de desafiadora compreensão.

Os seres vivos possuem um tempo de desenvolvimento característico e um ritmo próprio. A estabilidade dos mesmos é dinâmica, resultado do equilíbrio ou da alternância constante de processos de degradação e de regeneração. O ser humano, por sua vez, pode criar, projetar-se e decidir por construir conscientemente algo novo. Ele pode ter o olhar voltado para o tempo futuro, o qual lhe permite sonhar.

No entanto, o ser humano sabe que o passado é o seu rosto mais autêntico e que lhe permite continuidade e significar o presente. O sentido do passado decorre da orientação para o futuro, para os fins que se escolhem, das possibilidades que se elegem como metas a atingir. No futuro projetamos os valores que iluminam a memória na seleção necessária entre o que há para esquecer e o que há para reter e recordar, enquanto significante e edificante para a vida social e pessoal. 

O ser humano se encontra embarcado na realidade do tempo, do qual ele não pode fugir. A compreensão do tempo expressa a finitude do ser humano. Por isso, o tempo é também marcado por simbolismo. O simbólico é onde a existência humana concreta encontra o seu enraizamento, equilíbrio e sentido.

Ao longo da história, cada cultura foi elaborando seus símbolos e ações simbólicas, destacando-se as etapas importantes existência humana. É o que se constata, por exemplo, com as festas de nascimento, aniversário, os ritos de passagem, casamento, morte etc. Os estados também possuem e promovem datas com seu simbolismo. Temos, assim, o dia da descoberta, da independência, das vitórias, da república, da bandeira.

Do mesmo modo, a sociedade civil cultiva etapas de tempo com seu simbolismo. Exemplos disso podem ser os tempos de férias e do carnaval.

As comunidades de fé possuem seus símbolos e cultivam suas ações simbólicas inseridas no tempo. A cultura ocidental é marcada por tais ações. Assim, se compreende o tempo da Páscoa e do Natal, com sua preparação, celebração e seus símbolos. Os símbolos se constituem numa linguagem cifrada das aspirações e dos ideais humanos. Eles sempre existiram e continuarão existindo. Eles são importantes para a vida e a cultura dos povos. 

Existem símbolos com significados profundos dentro de um determinado contexto histórico e cultural. Quando abraçados com ardor, manifestam e alimentam o respeito e despertam energias inesperadas. Há símbolos e tempos que tentam traduzir convicções e valores que se apresentam como indissociáveis para a sobrevivência de uma cultura.

Quando uma sociedade desconsidera a dimensão do simbólico e seus tempos, então se vulgariza tradição, cultura, arte. Um povo que desconsidera sua arte, cultura e tradição é um povo sem raízes, ficando a mercê de impressões genéricas e conformado ao politicamente correto.

A vulgarização do universo artístico e cultural de um povo é expressão de pouco respeito para com esse mesmo povo e suas tradições. Desconsiderar, por exemplo, o tempo da quaresma e vulgarizar o carnaval e seu tempo preocupam e fazem pensar. Até porque a existência humana não é um eterno carnaval!

Por Dom Jaime Spengler – Arcebispo de Porto Alegre (RS)

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