secularismo - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br Site oficial da Diocese de Uruaçu - GO Sat, 28 Sep 2024 04:07:12 +0000 pt-BR hourly 1 https://old.diocesedeuruacu.com.br/wp-content/uploads/2018/12/cropped-favicon-32x32.png secularismo - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br 32 32 170539269 Cardeal Sarah: a Igreja se seculariza quando reduz a fé à medida humana https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/cardeal-sarah-a-igreja-se-seculariza-quando-reduz-a-fe-a-medida-humana/ Tue, 30 May 2017 08:45:13 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=46500 O Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos no Vaticano, Cardeal Robert Sarah, advertiu que a secularização entra na igreja quando deixa de propor uma fé fundada na revelação de Cristo para reduzi-la às exigências e à mentalidade do homem moderno.

A autoridade vaticana fez esta advertência durante a apresentação da edição alemã do seu livro “A força do Silêncio”, em Roma (Itália), em 25 de maio.

“Não é um mistério – e digo com grande sofrimento –, que o nosso mundo moderno na realidade vive um afastamento prático de Deus”, expressou o Purpurado ao refletir sobre a importância do silêncio como um meio de se aproximar do Senhor.

Existe um ambiente cultural, afirmou, “onde sistematicamente evitam ficar sozinhos e olhar para dentro de si. O barulho, a fofoca e as tecnologias ocultam o vazio de um homem que já não sabe o que é viver”.

“Mas ainda mais doloroso para mim é constatar como essa superficialidade, esta impiedade injuriosa com Deus e com o ser humano também entrou na Igreja” e que a liturgia – a que o Concílio Vaticano II chamou de “fonte e ápice da vida cristã” – é a “que mais sofre pela redução secularista que também ocorre dentro da Igreja”, expressou.

O Cardeal Sarah expressou: “Às vezes tenho a impressão de que esta secularização também entrou na Igreja e consiste exatamente em reduzir a fé à medida humana. Em vez de abrir o homem à iniciativa de Deus, que é inesperada, detonante, libertadora, acredita-se que o homem de hoje pode acreditar melhor se lhe oferecemos uma fé que não se baseia tanto na revelação de Cristo e na tradição da Igreja, mas sobre as exigências do homem moderno, sobre as suas possibilidades e mentalidades”.

“Escutamos falar sobre a fé, a vida eterna, a comunhão com Cristo, do pecado como uma ruptura e rebelião contra Deus em nossas homilias?”, questionou. Ou, “de repente, tentam cancelar todos estes gestos que não parecem ‘compreensíveis’ para o homem de hoje, substituindo-os por um rio de palavras que transformam as nossas celebrações eucarísticas em grandes espetáculos, em cujo centro há um homem fechado em seus problemas e em seus critérios”, indicou.

Em seguida, o Cardeal Sarah assinalou que o silêncio não é um fim em si mesmo, “mas um silêncio no qual Deus pode falar e ser ouvido. A prioridade de Deus, a centralidade de Deus, a adoração de Deus e a santificação do homem são o coração e a substância da liturgia cristã”.

Nesse sentido, assinalou que o desafio do silêncio é um grande desafio porque “nos leva ao verdadeiro significado da existência humana: a relação do homem com Deus e, talvez, melhor ainda: a relação de Deus com o homem”.

O silêncio, afirmou, é uma condição necessária porque “cria um ambiente que torna possível acolher a Encarnação”. Como diz “Bento XVI em sua introdução, Jesus é silêncio e palavra, e a Igreja em suas expressões é silêncio e palavra que se fecundam reciprocamente”.

Em seu discurso, a autoridade vaticana também assinalou que “a questão da inculturação não é principalmente a questão de como podemos tornar a liturgia mais africana, mais asiática ou mais aborígene. O Divino irrompe no humano, não para se acorrentar pelo humano, mas para abri-lo, purificá-la, liberá-lo, transformá-lo, divinizá-lo. Muitas vezes, tenho a impressão de que nos ocupamos mais de como tornar a liturgia mais ‘adaptada’, do que de oferecer toda a sua riqueza”.

“Não podemos aprisionar o divino em categorias humanas”, insistiu o Cardeal Sarah.

“O silêncio é o clima interior, a atitude interior, a disponibilidade interior”, que “torna fecunda a palavra da Igreja”, afirmou.

Nesse sentido, a autoridade vaticana disse que a uma igreja que está em perigo de se empobrecer, pois se fecha em julgamentos puramente humanos, “indico, com grande humildade, o caminho do silêncio para que todos os fiéis, mas também cada comunidade celebrante, se abra a iniciativa de Deus e acolha toda a graça que vem Dele”.

Por ACI Digital

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Crise do Carnaval https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/crise-do-carnaval/ Mon, 20 Feb 2017 11:17:33 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=44520 Tornou-se cotidiano o tema da crise. Fala-se de crise política, econômica, social, ética, antropológica, de segurança, de saúde pública, de educação. A crise instalou-se na sociedade!

Em nome da crise se atropela instâncias da sociedade, tempos e ritos, fazendo avançar iniciativas bizarras que vulgarizam valores e tradições. É o que se constata quando qualquer período do ano se torna oportunidade para carnaval.

O carnaval fazia parte da tradição cultural de vários povos antigos. Tratava-se de uma animada festa popular, com forte apelo à liberdade de expressão e movimento.

O carnaval também faz parte da cultura brasileira. Ora, cultura é tudo o que um grupo humano desenvolve para viver, conviver, sobreviver, relacionar-se, interpretar e dar sentido à vida. Cultura é conhecer e respeitar os valores das pessoas como expressão de sabedoria. Cultura é descoberta, conhecimento, benefício, partilha de experiências. Cultura é respeito pelas diferenças!

Nesse contexto, vale recordar o que dizia o cacique Raoni, da etnia Kayapó: “Eu não quero a sua cultura. Alguns entre vocês têm dinheiro e matam os outros para ter um pouco. Outros bebem álcool e bêbados destroem a si mesmos e os outros. Eu tenho medo mesmo! Nós, os Kayapós, pelo menos temos consideração e compreensão para com os outros. Somos todos irmãos e tios uns dos outros. É por isso que temos respeito, que protegemos uns aos outros. Vocês, brancos, não se preocupam com os de menos sorte. Vocês mentem uns para os outros. Eu descobri!”.

O carnaval traz em si um forte apelo de integração social. O genuíno carnaval é marcado pela música, dança, canto, pela alegria descontraída. Quanta beleza nos grupos que percorrem ruas e praças com alegria, candura e inocência… Gente imaginando que podia ser rei, rainha, princesa ao menos um dia na vida! O que dizer das fantasias, expressão de pausa no cotidiano marcado por tensões de toda espécie! E as músicas cheias de graça e movimentos; o cotidiano sendo transformado em samba: a mulher com a lata d’água na cabeça, a chiquita bacana lá da Martinica, os mil palhaços no salão, a colombina e o pierrô que se amam. Quanta alegria simples e pura! 

O que fizeram do carnaval? O carnaval enquanto expressão cultural do povo brasileiro está em crise! Às outras crises que marcam o presente, soma-se também a crise do carnaval.

A crise provoca alterações, convidando à purificação. Assumir a crise significa dispor-se à revisão de comportamentos, posturas, compreensões. Acolher a crise é saber cuidar. Viver a crise é dispor-se para ir ao encalço do novo que se apresenta, desafiando o ser humano à superação de referências cristalizadas.

O povo brasileiro está sendo desafiado no viver e conviver; está sendo desafiado a sobreviver! A crise vivida, nas suas múltiplas facetas, é fruto de equívocos teimosos e persistentes na sociedade. É expressão da falência de um modelo social que escolheu organizar-se a partir de uma lógica perversa que não respeita ninguém, nem tempos e cultura.

A vida atual em sociedade tem sofrido modificações bruscas, fruto do secularismo, subjetivismo, hedonismo, individualismo. Neste contexto, os discípulos de Jesus Cristo tem uma particular missão, sintetizada de forma exemplar pelo Padre Antônio Vieira: “Veja o céu que ainda tem na terra quem se põe da sua parte. Saiba o inferno que ainda há na terra quem lhe faça guerra com a palavra de Deus; e saiba a mesma terra, que ainda está em estado de reverdecer e dar muito fruto”.

Por Dom Jaime Spengler – Arcebispo metropolitano de Porto Alegre

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