São Mateus - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br Site oficial da Diocese de Uruaçu - GO Sat, 28 Sep 2024 03:58:50 +0000 pt-BR hourly 1 https://old.diocesedeuruacu.com.br/wp-content/uploads/2018/12/cropped-favicon-32x32.png São Mateus - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br 32 32 170539269 O Evangelho de São Mateus e o sermão de Jesus na montanha https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/o-evangelho-de-sao-mateus-e-o-sermao-de-jesus-na-montanha/ Tue, 21 Sep 2021 16:05:28 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=61182 Prezados irmãos e irmãs, leitores do nosso site, a Tradição cristã concede o primeiro lugar entre os Evangelhos canônicos ao texto atribuído a São Mateus. No dia de hoje, que celebramos a sua festa, queremos discorrer sobre essa figura muito importante para a nossa fé e aprofundar parte da sua obra.

“O nome Mateus é segundo a etimologia hebraica equivalente às formas Matatias, Matias, da mesma língua, ao nome grego Teodoro, à designação latina Adeodato, que significa dom de Deus” (BETTENCOURT, 1960, pg. 90). Esse personagem notável da bíblia era cobrador de impostos, depois foi integrado ao grupo dos doze apóstolos. Passando pela cidade de Carfananum, Jesus o chama, e nos narra o texto sagrado que tendo ouvido o chamado “levantou-se e o seguiu” (Mt 9,9). Após a ressurreição, obedecendo ao mandato missional do Senhor, “ide e fazei discípulos todos os povos, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28,19), viveu as últimas instâncias da caridade e tornou-se mártir ao derramar seu sangue na Etiópia.

Algumas evidências literárias apontam que a escrita do seu Evangelho tinha como objetivo alcançar os judeus da Palestina. Sto. Irineu, Orígenes, Eusébio, São Jerônimo e Papias de Hierápolis afirmam que esse texto foi escrito em aramaico, bastante comum entre os hebreus após o exílio babilônico. O autor pressupõe que os seus leitores conheciam a língua aramaica e os próprios costumes judaicos e a geografia da Palestina, pois alude a esses tópicos sem maiores explicações (BETTENCOURT, 1960, pg. 92).

Nesta obra, “a figura do Cristo se salienta sobre o fundo do Antigo Testamento, fazendo as vezes do novo Moisés a promulgar a Lei perfeita disposta em cinco grandes sermões monumentais” (BETTENCOURT, 1960, pg. 87), daí esse Evangelho ser chamado de Novo Pentateuco. Entre esses sermões, nos deteremos hoje naquele feito na montanha, que encontramos nos capítulos 5, 6 e 7.

O texto nos mostra logo de início Jesus ensinando em cima do monte. O monte é o púlpito de Nosso Senhor, é onde Ele se detém para ensinar com autoridade. Esta elevação deixa entrever Jesus que se revela como mestre e que ensina seus companheiros. O monte é o auditório onde Jesus prega as verdades eternas.

Um dado importante dessa prédica é a menção às bem-aventuranças. Elas nos impulsionam em direção ao nosso fim último e proporcionam uma felicidade mais perfeita. Resultam na conquista da santidade e no encontro com Deus. É bem-aventurado, segundo o Senhor, os pobres de espírito, os mansos, os que choram (pois serão consolados), os que tem fome e sede de justiça, os misericordiosos, os puros de coração, os promotores da paz e os que são perseguidos por causa da justiça (Mt 5,3-12).

Vemos como o sermão vai se desenvolvendo numa série de declarações magistrais, que estabelecem a base do novo tempo inaugurado por Jesus. O discípulo de Cristo é chamado a agir em relação ao próximo com generosidade, retidão, simplicidade, sinceridade e amabilidade (Mt 5,21-26). Deve evitar ser severo com arrogância (Mt 7,1-5), e ser bem desconfiado de si mesmo. Em suma, temos sempre que procurar imitar nosso Pai que está no céu (B. ORCHARD; E. F. SUTCLIFFE, 1957, pp. 359-360). A ideia da Paternidade Divina perpassa todo o discurso. Somos chamados por Cristo a viver no amor filial. É o próprio Cristo quem coloca a palavra “Pai” em nossas bocas quando nos ensina a rezar (Mt 6,9).
Portanto, toda a nova moral, o caminho de conversão que Jesus aponta nesse texto, tem como fonte principal o amor. O amor pode exigir mais que o temor pode mandar. Antes, erámos orientados pela lei somente, que incutia em nossos corações o temor e o medo das punições para os que a transgredissem. Agora, com a chegada da plenitude dos tempos, somos libertados pelo amor gratuito de Deus manifestado através de Cristo. Isso não significa que a lei se tornou uma realidade descartável. O que Jesus quer nos mostrar é que a lei em si mesma não pode penetrar de maneira suficiente o coração do homem. Somente com a caridade, a lei chega a sua plena perfeição.

Exatamente por isso, nós, homens cristãos de verdadeira fé, estamos ligados ao anúncio da verdade. O batismo implica um compromisso real com a pessoa divina de Jesus Cristo e com o Reino dos Céus. Seremos livres quando estivermos totalmente voltados para Deus. Seremos justos quando submetermos as leis que regem nossa sociedade ao escrutínio da fé e do amor.

Diác. Roberto César Braga
Diocese de Uruaçu

 

Referências:

BETTENCOURT, Estevão. Para entender os Evangelhos. 1ª Ed. Rio de Janeiro: Livraria Agir Editora, 1960.
B. ORCHARD; E. F. SUTCLIFFE; R. C. FULLER; R. RUSSEL. Verbum Dei. 1ª Ed. Barcelona: Editorial Herder, 1957.

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Datas móveis do calendário católico foram apresentadas durante Celebrações da Epifania do Senhor https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/destaque/datas-moveis-do-calendario-catolico-foram-apresentadas-durante-celebracoes-da-epifania-do-senhor/ Fri, 10 Jan 2020 14:46:41 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=57537 No último domingo (5) em todo o Brasil, a Igreja fez o anúncio das Solenidades móveis de todo o ano de 2020. O ano de 2020 é o ano A, no qual são proclamados no tempo comum os textos do Evangelho de São Mateus. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil disponibilizou o calendário com as datas das festas móveis. Confira abaixo:

2020
ANO A (São Mateus)
Festas móveis

Epifania do Senhor (Domingo)- 5 de janeiro

Batismo do Senhor (Domingo)- 12 de janeiro

Quarta-feira de Cinzas- 26 de fevereiro

Páscoa da Ressurreição- 12 de abril

Ascensão do Senhor- 24 de maio

Pentecostes- 31 de maio

Santíssima Trindade- 07 de junho

Corpo e Sangue de Cristo- 11 de junho

Sagrado Coração de Jesus- 19 de junho

São Pedro e São Paulo (Domingo)- 28 de junho

Assunção de N. Senhora- 16 de agosto

Todos os Santos (Domingo)- 01 de novembro

Solenidade de Cristo-Rei- 22 de novembro

1º Domingo do Advento- 29 de novembro

Sagrada Família (Domingo)- 27 de dezembro

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A ricos e pobres, o Reino de Deus e sua Justiça https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/a-ricos-e-pobres-o-reino-de-deus-e-sua-justica/ Mon, 27 Feb 2017 10:27:45 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=44603 Ambientado no Sermão da Montanha (Bem-aventuranças), São Mateus reuniu “ditos” (lógion, lógia, na língua grega) de Jesus, isto é, ensinamentos superiores mediante os quais Ele veio para aperfeiçoar as leis da Antiga Aliança e não suprimi-las. Jesus usou como fórmula própria para enunciá-los, a expressão: “Foi dito aos antigos, Eu, porém, vos digo…”. Jesus toma as letras, isto é, o corpo físico das leis da Antiga Aliança, das quais Ele não veio subtrair nem um “j” nem uma “vírgula, mas as transforma e aperfeiçoa no Espírito com que selou a Nova Aliança por seu sangue derramado na cruz. Sobre Jesus de Nazaré, o Ungido de Javé, o Messias, repousou o Espírito do Senhor. Somente Jesus, o novo Moisés, é quem dá uma lei nova, que tem espírito e vida, fundada numa Justiça superior, na Caridade, no Amor, na Misericórdia. A novidade do Reino de Deus e da Justiça do Pai se assenta sobre esta lei nova, esta Justiça superior do Amor. No trecho evangélico da Missa de hoje – Mt 6,24-34 – Mateus registra este outro ensinamento de Jesus dito aos discípulos: “Ninguém pode servir a dois senhores… Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro. Por isso Eu vos digo, não vos preocupeis com a vossa vida, com o que havereis de comer ou beber; nem com o vosso corpo, com o que havereis de vestir. Afinal, a vida não vale mais do que o alimento, e o corpo, mais do que a roupa?”. Jesus usa as imagens  dos “pássaros do céu” e das “flores dos campos”, que respectivamente não semeiam nem tecem, mas Deus os alimenta e as veste, para que os discípulos pudessem compreender com toda nitidez o que Ele ensinava em parábolas. Os pagãos, segundo afirma Jesus, é que poderão ficar preocupados com o que comer, beber e vestir. Mas, não os discípulos. Além do mais, o Pai sabe de tudo o que os discípulos precisam. Jesus arremata seus esclarecimentos dando uma instrução em tom de  imperativo categórico: “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais vos será dado por acréscimo”. Ele diz ainda: “Não vos preocupeis com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã terá suas preocupações! Para cada dia bastam seus próprios problemas”. Quanto ao tema, o Apóstolo São Paulo disse: “Porquanto o Reino de Deus não é uma questão de comer e beber, mas de justiça, paz e alegria no Espírito Santo” (Rm 14,17). E isso vale para todos, ricos e pobres. 

Jesus oferece o Reino de Deus e a Justiça do Pai a ricos e pobres. Jesus coloca diante de uns como dos outros a alternativa “Deus ou o dinheiro”. Talvez para os pobres seja mais fácil fazer a opção clara por Deus do que pelo deus “Mamon” (palavra semítica que significa dinheiro, riqueza), porque eles, de dinheiro real, pouco ou nada tenham. No entanto, é bem sabido que há avarentos que nada possuem, bem menos é claro do que os avarentos ricos. O perigo dos ricos é de substituírem o Deus verdadeiro pelo “demônio Mamon”, de elevarem o dinheiro e a sua posse no valor mais importante da sua vida, no fim último da sua existência, como o bem maior a desejar e procurar e a fonte de sua felicidade. Essa é a idolatria do dinheiro e da sua posse que arranca a pessoa da busca do Reino de Deus e de sua justiça. O perigo dos pobres, porém, pode estar nas preocupações exacerbadas com a luta pelo mínimo necessário à sobrevivência. Alguns, então, se revoltam contra Deus e todo mundo, outros se esquecem dEle, outros acabam numa resignação pessimista, num conformismo antievangélico de que essa seria a vontade de Deus ou esse o seu destino, não restando nada a se fazer.

Palavras como “fé e confiança em Deus”, “oração e trabalho”, “providência divina e solidariedade” devem ser bem conjugadas na correta compreensão dos significados e na perfeita articulação das atitudes e ações. Entre todos os valores superiores hierárquicos da vida o cristão precisa, em primeiro lugar, fazer a sua opção clara por Deus e em favor do seu Reino e da sua Justiça. À fé em Deus segue-se a confiança em Deus. A confiança em Deus, no entanto, não deve ser passiva, como se só bastasse crer, confiar e esperar. O ditado popular “Deus ajuda quem cedo madruga” expressa bem como o cristão deve enfrentar a vida, fazendo a sua parte. Depois, vem o valor da “oração e o trabalho. “Ora et labora” é um sábio princípio monástico. Oração e trabalho, espiritualidade e ação, mística e missão servem tanto na luta pessoal pela vida como na construção da sociedade e na obra pastoral da evangelização. “Sem mim nada podeis fazer”, disse Jesus. A oração é eixo que atravessa toda a vida, sustém a vida no Espírito e fecunda toda a ação. Mas não basta dizer “Senhor, Senhor se não se procurar pôr em prática a Palavra de Deus”, afirmou também Jesus. Portanto, “ora et labora”. Em seguida, vem “a providência divina e a solidariedade”. Jesus está dizendo: “Olhai os pássaros… Considerai as flores… Não vos preocupeis por vossa vida”. Ele conclui, contrapondo: “Pelo contrário, buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas as coisas de que precisais vos serão dadas de acréscimo”. A Justiça nova do Reino funda-se no mandamento novo da caridade, do amor, da misericórdia. Por isso, é exigência do Reino pôr em prática a caridade, a solidariedade com os outros, sobretudo com os pobres, e a misericórdia com pecadores e sofredores. 

Busquemos primeiramente o Reino de Deus, confiemos firmemente na Providência divina e partilhemos generosamente os dons, frutos da bênção e do trabalho, com os pobres e necessitados.

Por Dom Caetano Ferrari – Diocese de Bauru

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