sabedoria - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br Site oficial da Diocese de Uruaçu - GO Sat, 28 Sep 2024 04:03:50 +0000 pt-BR hourly 1 https://old.diocesedeuruacu.com.br/wp-content/uploads/2018/12/cropped-favicon-32x32.png sabedoria - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br 32 32 170539269 Aprendizado no ouvir https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/aprendizado-no-ouvir/ Wed, 21 Feb 2018 10:27:53 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=50884 A capacidade do silêncio é uma virtude importante, mas nos tempos atuais de muito barulho, sua prática é um desafio para as novas gerações. Falamos mais do que ouvimos, ou não queremos ouvir porque o barulho não dá trégua. Mas ouvir a voz de Deus é primordial e um verdadeiro aprendizado, porque provoca capacidade para também ouvir a voz das pessoas que nos cercam.

Diante da voz de Deus, Abraão responde: “Eis-me aqui” (Gn 1,1). A voz sempre produz barulho, mas supõe também ressonância, resposta, inquietude e aprendizado. Ela deve provocar encontro e diálogo, mas com objetivos evidentes na construção de algum interesse, para o bem ou para o mal. Deus chamava Abraão para ser pai de um grande povo e ser modelo de fé para seus descendentes.

No diálogo as pessoas precisam entender o verdadeiro e rico sentido da vida, como também o caminho por onde passar para defender sua dignidade. Ser agente da morte é transformar a voz em ruído, mudar sua finalidade e harmonia de aprendizado. Pela voz podemos maquinar situações de destruição. Significa que estamos numa cultura de muitos ruídos transformando a vida em morte.

A Quaresma é tempo de ouvir e ficar atento à voz do Senhor e das pessoas, porque ninguém é uma ilha isolada do mundo. A pessoa humana é ser de relações, de convivência e de laços fraternais, onde a palavra deve ser dita e ouvida, possibilitando encontros no diálogo. É dentro desse contexto dialogal que construímos práticas verdadeiramente humanas e cristãs.

Não podemos simplesmente confundir as vozes e os ruídos que nos chegam da nova cultura. É fundamental levar em conta a Palavra de Deus, porque ela não é neutra, mas tem uma claridade passível de reflexão e ajeitamento na vida de cada pessoa. Se ouvirmos apenas a nossa voz, ficando somente na zona de conforto, e a de Deus, que nos compromete, desaparece de nossa mente.

Todo tempo da Quaresma sugere reflexão, isto é, audição dos textos bíblicos para transformar a vida dos cristãos. Deus vai manifestando seu amor incondicional pela humanidade, mostrando a doação dolorosa de seu Filho Jesus Cristo num caminho de entrega e de sofrimento, culminando com sua morte na cruz. É caminho de aprendizado, que desperta as pessoas para o sentido da Paixão.

Por Dom Paulo Mendes Peixoto – Arcebispo de Uberaba (MG)

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Encontro com os jovens concluiu viagem do Papa a Bangladesh https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/encontro-com-os-jovens-concluiu-viagem-do-papa-a-bangladesh/ Mon, 04 Dec 2017 08:50:29 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=49722 “Finalmente nos encontramos!”. Assim como em Mianmar, foi com os jovens que Francisco concluiu sua visita a Bangladesh, a 3ª visita ao sudeste asiático, no último sábado, 2/12.

O encontro estava marcado para o Notre Dame College, de Daca, fundado pela Congregação da Santa Cruz em 1949. Aberto a estudantes de todas as Confissões religiosas, a instituição transferiu-se para o bairro atual em 1954.

O Papa foi acolhido pelo encarregado da Pastoral Juvenil, o Bispo de Barisal, Dom Subroto Howlader CSC, pelo Reitor da Universidade e pelo Diretor da Escola Notre Dame, ambas mantidas pela Congregação da Santa Cruz.

Francisco abençou a pedra fundamental do novo prédio “Notre Dame University Bangladesh” e uma placa comemorativa.

Sete mil jovens esperavam pelo Papa no campo esportivo da instituição. O palco, muito simples, foi montado com um material muito comum na região: o bambu.

Danças e cânticos de um coral receberam o Santo Padre, que. após ouvir testemunhos de dois jovens, dirigiu algumas palavras ao presentes em italiano, com tradução simultânea em bengali em um telão.

Ao dirigir-se aos jovens, agradeceu pelas palavras-chaves oferecidas em seus testemunhos, como “sabedoria” e “esperança”.

Ao comentar as palavras da jovem Upasana, Francisco referiu-se a um conhecido escritor bengalês, Kazi Nazrul Islam, que definiu a juventude do país como «arrojada», «habituada a arrancar a luz do ventre das trevas», observando:

“Os jovens estão sempre prontos para avançar, fazer com que as coisas aconteçam e correr riscos. Encorajo-vos a avançar com este entusiasmo nas circunstâncias boas e nas más. Avançar, especialmente nos momentos em que vos sentis oprimidos pelos problemas e pela tristeza e, olhando para fora, parece que Deus não Se faz ver no horizonte”.

Mas ao avançar – foi o seu alerta –  “certificai-vos de escolher o caminho certo”. Mas, o que significa isto?, perguntou, respondendo:

“Significa saber viajar na vida, não vagar sem rumo. A nossa não é uma vida sem direção; tem um objetivo, que nos foi dado por Deus. Ele guia-nos, orientando-nos com a sua graça. É como se tivesse colocado dentro de nós um software, que nos ajuda a discernir o seu programa divino e a responder-lhe livremente. Mas, como qualquer software, também este precisa de ser constantemente atualizado. Mantennham atualizado o vosso programa, prestando ouvidos ao Senhor e aceitando o desafio de fazer a sua vontade”.

O testemunho do jovem Anthony, ofereceu ao Papa “uma outra chave”, a palavra “sabedora”:

“Quando se passa do viajar ao vagar sem rumo, perdeu-se toda a sabedoria! A única coisa que nos orienta e faz avançar pelo caminho certo é a sabedoria, a sabedoria que nasce da fé. Não é a falsa sabedoria deste mundo. É a sabedoria que se vislumbra nos olhos dos pais e dos avós, que puseram a sua confiança em Deus.”

E é justamente esta sabedoria – disse o Santo Padre – que nos ajuda a identificar e rejeitar as promessas falsas de felicidade:

“Uma cultura que faz promessas falsas não pode libertar; conduz apenas a um egoísmo que enche o coração de escuridão e amargura. Pelo contrário, a sabedoria de Deus ajuda-nos a saber como acolher e aceitar aqueles que agem e pensam de forma diferente de nós. É triste quando começamos a fechar-nos no nosso pequeno mundo e nos retraímos em nós próprios. Então adotamos o princípio «ou é como digo eu, ou não se faz nada», acabando enredados, fechados em nós mesmos”.

Quando um povo, uma religião ou uma sociedade se tornam um «pequeno mundo» – observou o Papa – perdem o melhor que têm e precipitam numa mentalidade presunçosa, que faz dizer «eu sou bom, tu és mau».

Neste sentido – explicou o Papa – “a sabedoria de Deus abre-nos aos outros. Ajuda-nos a olhar para além das nossas comodidades pessoais e das falsas seguranças que nos deixam cegos perante os grandes ideais que tornam a vida mais bela e digna de ser vivida”.

Em um país onde os católicos são minoria, 0,2% da população, Francisco expressou a sua alegria pela presença no encontro de “amigos muçulmanos e de outras religiões”:

“Com o fato de vos encontrardes aqui hoje, mostrais a vossa determinação de promover um clima de harmonia, onde se estende a mão aos outros, apesar das vossas diferenças religiosas”.

A sabedoria de Deus ajuda-nos também a olhar para além de nós mesmos para intuir a bondade do nosso patrimônio cultural:

“A vossa cultura ensina-vos a respeitar os idosos. Como disse antes, os idosos ajudam-nos a apreciar a continuidade das gerações. Possuem a memória e a sabedoria feita de experiência, que nos ajudam a evitar a repetição dos erros do passado. Os idosos têm o «carisma de colmar as distâncias», assegurando que os valores mais importantes sejam transmitidos aos filhos e aos netos. Através das suas palavras, do seu amor, do seu carinho e da sua presença, compreendemos que a história não começou connosco, mas somos parte de um antigo «viajar» e que a realidade é maior do que nós”.

Falai com os vossos pais e avós – exortou Francisco – não passeis o dia inteiro com o celular, ignorando o mundo ao vosso redor!.

Por fim, o Papa fala de outra palavra presente nos dois testemunhos, a esperança:

“A sabedoria de Deus fortalece em nós a esperança e ajuda-nos a enfrentar o futuro com coragem. Nós, cristãos, encontramos esta esperança no encontro pessoal com Jesus na oração e nos Sacramentos, e no encontro concreto com Ele nos pobres, doentes, atribulados e abandonados. Em Jesus, descobrimos a solidariedade de Deus, que caminha constantemente ao nosso lado”.

“Ao despedir-me hoje do vosso país – concluiu o Papa – asseguro-vos a minha oração, para que todos possais continuar a crescer no amor de Deus e do próximo. E, por favor, não se esqueçam de rezar por mim. Isshór Bangladeshké ashirbád Korun [Deus abençoe Bangladesh].

Por Rádio Vaticano

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Lâmpada da fé https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/lampada-da-fe/ Thu, 09 Nov 2017 08:06:20 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=49424 A pessoa sábia organiza a vida de modo tal a encaminhar tudo dentro de um projeto de ações progressivas para conquistar a felicidade maior possível. Mas só pensando em ter cada vez mais coisas materiais, cultura, saber intelectual, prestígio e fama não dá base para a plena realização. O que é passageiro sozinho não sustenta a felicidade do ser humano, que tem sede do infinito. Essa somente é saciada no encontro com o Criador. Santo Agostinho lembra que a pessoa humana se satisfaz só quando se encontra com Deus. Ele mesmo teve experiência disso.

Quem é sábio tudo faz para o encontro com o divino. É capaz até de deixar de lado o projeto de colocar a finalidade da vida no que é transitório para buscar o Absoluto. A matéria e tudo o mais que é passageiro são utilizados apenas como instrumento para o sábio unir-se ao Criador na caminhada terrena. Assim realiza sua vontade para a construção de um convívio justo e solidário. Tudo, então, se torna como um trampolim para o infinito divino.

A sabedoria de quem entra na dinâmica divina é como a fé que transforma a vida para ela ser uma verdadeira luz. A pessoa passa, então, a enxergar o caminho que leva à vida plenamente realizada. Mas a luz é apenas instrumento para a pessoa ver por onde seguir no caminho de sentido para a existência (Cf. Sabedoria 6,12-16). Todos queremos a felicidade ilimitada. Mas ela não acontece aqui na terra. Por isso, almejamos o infinito, que só é alcançado no caminho de quem pode dá-lo. Por isso, o próprio Filho de Deus vem nos apresentar a possibilidade de alcançá-lo. Isso só é possível  caminhando com ele. É desafiador, mas possível. Ele mesmo diz que o obtém quem for capaz de dar a própria vida no colocar-se a serviço do semelhante, fazendo do convívio humano uma verdadeira relação de fraternidade, justiça e misericórdia. Depois da vida terrena, cheia de solidariedade e promoção do bem comum, seremos ressuscitados para a vida imorredoura (Cf.1 Tessalonicenses 4,13-18).

No entanto, o seguimento a Cristo não é simples teoria ou empolgação momentânea. Exige prudência para não nos deixarmos conduzir sofregamente, sem atenção, compromisso, vigilância e perseverança. Não podemos ser preguiçosos e lentos para realizar o projeto de Deus a nosso respeito. Sem sacrifício, esforço e vontade contínua para praticar a justiça, o dever e colocar em prática as orientações divinas não chegamos ao objetivo da caminhada. No Evangelho Jesus narra a parábola do casamento e das moças. Algumas dessas são atentas e vigilantes. Preparam-se para participar da festa. Outras não. Essas não ficaram vigilantes e chegaram atrasadas, não tendo podido participar da festa (Cf. Mateus 25,1-13). Nós também, se não nos comprometermos e não estivermos continuamente ligados com o projeto de Deus, realizando o que Ele nos pede, não seremos recompensados por não sermos fiéis na prática do amor e da justiça. Não podemos exigir de Deus o que não merecemos por falta de esforço em colocarmos em prática o amor ao semelhante.

Nossa fé não é apenas feita de ritos e enunciado de amor. É prática do que Deus nos indica para alcançarmos a vida plena feliz. Podemos até errar na tentativa de acertar. Mas não podemos errar na falta de compromisso de tentar  praticar o amor que Deus nos pede.

Por Dom José Alberto Moura – Arcebispo Metropolitano de Montes Claros (MG)

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Fardo pesado https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/fardo-pesado/ Tue, 11 Jul 2017 11:27:50 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=47395 Quando olhamos para as palavras proferidas por Jesus, vemos que elas são fundamentais para todas aquelas pessoas que enfrentam diversos tipos de sofrimentos na vida. Jesus disse: “Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei” (Mt 11,28). Muitos fardos são impostos sobre as pessoas, e de formas muito desonestas, impedindo a qualidade de seu viver.

Olhando para as realidades do mundo todo, vemos as marcas violentas das práticas de injustiça, provocando sofrimento às pessoas. É até incontável o grande número dos empobrecidos e sofredores, em todos os lugares. Aí está o motivo pelo qual sofrem as consequências, realizando as grandes migrações. As pessoas estão sempre em busca de vida digna e melhor, sem fardos pesados.

Existe uma falta de sabedoria e de uma vontade realmente sincera para construir um mundo e uma sociedade melhores, e sabemos que isso é possível. A verdadeira sabedoria tem uma dimensão divina, e está voltada para a felicidade de todas as pessoas, mas o próprio homem a canaliza para objetivos contrários aos planos de Deus. Acabam criando fardos e sofrimento para o povo.

No Brasil, essa prática é muito comum. Poderíamos ter pobres com dignidade. O próprio Jesus, na sua palavra, disse: “pobres sempre tereis” (Jo 12,8). Ele não falou de empobrecidos, marginalizados, miseráveis e fragilizados diante da carga negativa que carregam. Pela riqueza e as possibilidades que o país tem, essa realidade não poderia estar acontecendo no volume que acontece.

O sistema político brasileiro tem sido um verdadeiro palco de desonestidade, tornando-se a fonte número um das desigualdades sociais. Tudo é direcionado para favorecer a quem já vive numa vida de grande conforto e de acúmulo. Revela a realidade de um país que não é capaz de partilhar, nem de colocar o acúmulo com função social. Grande parte dos políticos coloca peso sobre a população.

A prática, insistentemente pedida por Jesus nos Evangelhos, é outra. Isto aparece de forma clara na frase que Ele mesmo disse: Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus (cf. Mc 12,17). Isso significa dar aos pobres aquilo que é dos pobres, colocando os bens adquiridos e acumulados a serviço de uma cultura mais humana, justa e descentralizada.

Por Dom Paulo Mendes Peixoto – Arcebispo de Uberaba, MG

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É tempo de clamar o Espírito Santo https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/e-tempo-de-clamar-o-espirito-santo/ Fri, 02 Jun 2017 10:26:49 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=46590 No alto da Cruz, quando Jesus morreu, entregou o “Espírito”. Não é apenas uma citação de um salmo, mas a realidade da entrega do Espírito à Igreja nascente do lado de Cristo, fonte de graça e vida para todos. No dia da Ressurreição, aparecendo aos seus discípulos, soprou sobre eles e lhes concedeu o Dom do Espírito Santo, garantia da Paz e do Perdão, do qual são portadores, para levar ao mundo inteiro. Na manhã gloriosa do Pentecostes, o vento impetuoso e as línguas de fogo, o assombro da multidão e o anúncio de Jesus Cristo, quando todos os presentes em Jerusalém os entendem, tudo expressa, na “inauguração” da Igreja, o tempo novo que se inicia, o tempo do Espírito, que se estende até a vinda gloriosa do Senhor, no fim dos tempos, para julgar os vivos e os mortos! É o Mistério Pascal que se realiza e a Igreja, nos últimos cinquenta dias, conduziu-nos, como mãe pressurosa, a viver cada uma das etapas do único e mesmo mistério. Podemos até unir, como numa única palavra, Morte-Ressurreição-Ascensão-Pentecostes!

E o Espírito Santo continua a conduzir a Igreja. Vêm dele os carismas, ministérios e serviços suscitados no correr dos séculos. Prova disso é o fato de que a Igreja sempre foi inspirada a encontrar os caminhos da caridade, para chegar a todos os recantos e aos corações, com a criatividade que caracteriza seu serviço à humanidade.

Os dons do Espírito Santo

Do Espírito Santo esperamos receber os dons, que nos fazem viver de forma divina a nossa vida nesta terra: Sabedoria, Entendimento, Conselho, Fortaleza, Ciência, Piedade, Temor de Deus! De sua presença esperamos os frutos: “amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, lealdade, mansidão, domínio próprio” (Gl 5, 22-23).

O Espírito Santo conduz a Igreja, mantendo-a fiel à verdade, sustentando-a para que as portas do inferno não prevaleçam. Todas as crises devidas à condição humana de seus membros, que sabemos ser pecadores, têm sido superadas. Basta recordar os grandes Concílios, com os quais a Igreja buscou com sinceridade a verdade, para anunciá-la corajosamente.

É o Espírito Santo que dá aos cristãos a disposição para o testemunho de Jesus, fecunda uma vida santa nos filhos da Igreja. Ele foi e é o sustento dos mártires, para a audácia do derramamento do próprio sangue pelo nome de Jesus Cristo.

É o Espírito Santo que nos faz proclamar que Deus é Pai – Abba, é ele que nos possibilita reconhecer Jesus como Senhor, é o Espírito Santo que reza em nós! “O Espírito vem em socorro de nossa fraqueza. Pois não sabemos o que pedir nem como pedir; é o próprio Espírito que intercede em nosso favor, com gemidos inefáveis. E aquele que examina os corações sabe qual é a intenção do Espírito, pois é de acordo com Deus que ele intercede em favor dos santos” (Rm 8, 26-27).

O condutor dos cristãos

O Espírito Santo age na Igreja, conduzindo os cristãos das várias confissões na estrada exigente a maravilhosa da unidade, a ser buscada com afinco por todos os que professam Jesus como Senhor. Este é o sentido da Semana de Orações pela Unidade dos Cristãos, com o tema “Reconciliação” e o lema “É o amor de Cristo que nos move” (Cf. 2 Cor 5, 14-20). Junto com outros cristãos, queremos refletir também sobre os quinhentos anos da Reforma. E o Papa faz inúmeros gestos de aproximação com irmãos e irmãs de outras Igrejas. Na Vigília de Pentecostes, neste Sábado, tenho a alegria de estar com o Santo Padre na Vigília Ecumênica de Oração, em Roma, a se realizar no “Circo Máximo”, um dos lugares históricos do martírio dos cristãos dos primeiros séculos.

O quadro conflitivo em que nossa sociedade se encontra é um grito à unidade dos cristãos. Cabe-nos oferecer ao mundo o testemunho do amor mútuo, superando preconceitos, medos, agressividade, lutas estéreis que só escandalizam as pessoas. Vale buscar o que nos une, que certamente é muito maior do que os eventuais motivos de separação. E podemos começar pelas pessoas mais próximas, estendendo os braços para a reconciliação, valorizando o testemunho de pessoas que fazem parte de outras confissões cristãs, colocando-nos juntos em oração, pedindo os dons do Espírito Santo.

Mais ainda, o Espírito Santo conduz todos os homens e mulheres de todos os tempos na busca da verdade. É ele que planta as Sementes do Verbo de Deus por toda parte, fazendo com que os cristãos abram os seus olhos e seus corações, para identificar e valorizar o bem que é feito, onde quer que esteja!

Oração

Esta é uma ocasião privilegiada para convidar à oração confiante:

Oh vinde, Espírito Criador, as nossas almas visitai, e enchei os nossos corações
com vossos dons celestiais.
Vós sois chamado o Intercessor, do Deus excelso o dom sem par, a fonte viva, o fogo, o amor, a unção divina e salutar.
Sois doador dos sete dons, e sois poder na mão do Pai, por ele prometido a nós,
por nós seus feitos proclamais.
A nossa mente iluminai, os corações enchei de amor, nossa fraqueza encorajai,
qual força eterna e protetor.
Nosso inimigo repeli, e concedei-nos vossa paz; se pela graça nos guiais,
o mal deixamos para trás.
Ao Pai e ao Filho Salvador por vós possamos conhecer. Que procedeis do seu amor fazei-nos sempre firmes crer.

Vinde, Espírito Santo!

Dom Alberto Taveira Corrêa – Arcebispo da Arquidiocese de Belém – PA

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Ter o valor de calar e de falar https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/ter-o-valor-de-calar-e-de-falar/ Tue, 07 Feb 2017 09:22:17 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=44264 Calar ou falar? Há circunstâncias em que o calar é um ato de covardia, de ignorância ou medo para expressar a própria opinião. Em outros momentos, é uma atitude sensata, um ato de coragem, um sinal de controle dos instintos. Falar em local e na hora inoportuna revela superficialidade, falta de sensibilidade ou desejo de esconder a verdade. Conjugar a fala com o silêncio é sabedoria, é um valor na convivência.

“Só pode exercer o valor de calar aquele que consegue falar, que é capaz de se expor, mas escolhe livremente fechar os lábios. O silêncio é um valor quando vem de dentro, quando o indivíduo, podendo falar, decide se calar”. (Torralba, Francesc. O valor de ter valores). O silêncio imposto e violento não é valor, mas somente o é quando nasce de uma decisão livre, de um ato de vontade.

É valoroso calar para escutar o outro. Para escutar é preciso calar. É a atitude de discípulo que reconhece que o outro sabe mais e que tem algo importante para dizer e que posso aprender dele ampliando assim o meu horizonte e o conhecimento. Em outras circunstâncias, talvez o outro não tenha nada a me ensinar, mas ele precisa falar do que se passa na sua vida. Neste caso, ouvir calado é uma fala extremamente loquaz.

Há circunstâncias na vida em que é preciso calar para não ferir o outro. Há situações que convidam para retribuir uma ofensa, uma agressão ou traição sofrida, com a mesma medida. Nestas horas, controlar as emoções, o desejo de vingança com o silêncio é sinal de domínio das próprias paixões. É um ato voluntário, um exercício de reflexão de não retribuir o mal com o mal. De não retribuir ofensa com ofensa, pois ofender não faz desaparecer a ofensa. É calar nesta hora, para oportunamente falar. 

É preciso manter-se calado diante segredo confiado. Quem confia um segredo é uma pessoa concreta e que revela algo que está guardando com sete chaves. Por outro lado, revela o segredo a um confidente que escolheu. O confidente não tem tarefa fácil, precisa ter as virtudes da escuta e da discrição. O segredo tem algo de sedutor, de irresistível que desperta a curiosidade humana. A tendência é tornar público o segredo. O confidente para ser merecedor de confiança deve guardar na penumbra o segredo, mesmo podendo falar, não diz nada. É um valor guardar um segredo, pois o inimigo não é externo, mas está dentro de nós. 

Assim como é valoroso calar, do mesmo modo, é sabedoria e virtude saber falar. Tomar a palavra e quebrar o silêncio para revelar o está dentro é um ato de coragem e liberdade. A palavra, como um poderoso instrumento de comunicação, sai como um projétil de dentro de uma pessoa e penetra na consciência do outro gerando uma reação. O que foi lançado pode edificar, mas igualmente pode disseminar o mal.

Há situações de silêncio onde se esconde a verdade de forma mentirosa. Todos sabem dos fatos, mas ninguém se manifesta. Falar neste ambiente é um ato de coragem. Dizer a verdade para quem não quer ouvir é superar as amarradas da falsidade. Falar a verdade, neste contexto, causa dor, mas é libertador e traz frutos e ganhos emocionais.

Dom Rodolfo Luís Weber – Arcebispo de Passo Fundo (RS)

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