Ressuscitado - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br Site oficial da Diocese de Uruaçu - GO Wed, 28 Mar 2018 08:42:16 +0000 pt-BR hourly 1 https://old.diocesedeuruacu.com.br/wp-content/uploads/2018/12/cropped-favicon-32x32.png Ressuscitado - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br 32 32 170539269 Cristo, nossa Páscoa e nossa Paz https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/cristo-nossa-pascoa-e-nossa-paz/ Wed, 28 Mar 2018 08:42:16 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=51470 A violência cria um muro de separação entre “nós” e “os outros”. Será isto o que Deus quer para a humanidade? Claro que não! “Vós sois todos irmãos” (Mt 23,8), disse Jesus. A grande notícia que celebramos no tríduo pascal (Paixão-Morte-Ressurreição de Jesus Cristo) é que Ele “quis criar em si mesmo um homem novo, estabelecendo a paz” (Ef 2,15). Sim, “Cristo é a nossa paz” (Ef 2,14). São Paulo explica que esta paz é fruto da cruz de Jesus Cristo: “Quis reconciliá-los (judeus e pagãos) com Deus num só corpo, por meio da cruz; foi nela que Cristo matou o ódio” (Ef 2,16). A cruz de Cristo é fonte de paz para a humanidade, pois nela o ódio foi morto! Jesus nos ensinou, por todo seu sofrimento inocente, que o único remédio para superar o ódio é o amor.Anunciamos a esperança de um modo de viver diferente, pois em Cristo o bem é infinitamente maior do que o mal, por mais terrível que se apresente. A Páscoa nos convoca a vivermos como pessoas novas, reconciliadas, pacificadas e pacificadoras.

Nos dias da Semana Santa, sobretudo na Sexta-feira da Paixão, mais uma vez, os católicos ouvem os relatos da violência que se desencadeou sobre o inocente, o “Servo Sofredor” (cf. Is 52,13-53,12).Neste último Cântico do Servo Sofredor, Isaías profetizou o que aconteceria a Jesus. Parece uma descrição da cena da crucificação: “Ele não tinha nem aparência nem beleza para atrair o nosso olhar, nem simpatia para que pudéssemos apreciá-lo” (Is 53,2). Jesus foi condenado e crucificado como nocivo para o povo. “Ela (a Luz) veio para a sua casa, mas os seus não a receberam” (Jo 1,11). A humanidade de ontem e de hoje tem dificuldade de acolher o inocente e justo. Este é o verdadeiro pecado, não acolher aquele que nos salva, que nos traz a paz. Na sua Paixão, sobre ele se abateunossas maldades. Maspelas suas chagas fomos salvos (cf. Is 53,5). Aceita estar nas mãos dos perseguidores. Não responde à violência, nem com a violência e nem com palavras. Fica em silêncio. É entregue de mão em mão, mas livremente faz sua entrega interior. Renuncia à defesa, ao direito de dizer “eu sou inocente” e mostrar a injustiça da sua paixão. Renuncia recorrer a Deus. Não pede a Deus para intervir. Silencia. Não escolhe o caminho da violência (cf. Is 53,7). Uma ovelha mansa. Como o Profeta Jeremias parece dizer: “A ti confio minha causa” (Jr 20,20). Somente um grande silêncio. Será que o mal, a violência, a injustiça, o pecado e a opressão haverão de triunfar sempre?

Mas “o meu servo vai ter sucesso” (Is 52,13). “Por meio dele, o projeto do Senhor triunfará. Pelas amarguras sofridas, ele verá a luz. […] O meu servo justo devolverá a muitos a verdadeira justiça, pois carregou o crime deles” (Is53,10.11). Sua entrega fiel e unicamente vivida no amor, recebeu do Pai a confirmação na sua Ressurreição. Ele introduziu na humanidade uma “luz”, a reconciliação com Deus, pelo perdão redentor, e a possibilidade da reconciliação como caminho de fraternidade. “Como são belos sobre os montes os pés do mensageiro que anuncia a paz, que traz a boa notícia, que anuncia a salvação” (Is 52,7).

Toda vez que somos promotores da paz, permitimos que a força do Ressuscitado, que vive entre nós, triunfe e Ele continue, nos difíceis dias de hoje, a reconciliar, perdoar e pacificar. O Senhor Ressuscitado diz a todos nós, como aos seus discípulos: “A paz esteja convosco” (Jo 20,19). Feliz e Abençoada Páscoa a todos. Cristo, nossa Páscoa, é a nossa paz!

Por Dom Adelar Baruffi – Bispo de Cruz Alta

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Discípulos do Crucificado-Ressuscitado https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/discipulos-do-crucificado-ressuscitado/ Wed, 12 Apr 2017 09:04:56 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=45436 A celebração do Tríduo Pascal, da paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo, preparada com empenho no tempo quaresmal, toca os pontos centrais de nossa vida cristã. A Páscoa permite que compreendamos quem é Jesus Cristo e quem somos nós, seus seguidores. 

O grande anúncio da ressurreição tem sua importância não somente pela sua absoluta novidade mas, também, porque aquele que agora vive é o mesmo que foi injustamente condenado, morto como um maldito no madeiro, “desprezado como o último dos mortais, homem coberto de dores, cheio de sofrimentos”(Is 53,3). Após as aparições do Ressuscitado, os discípulos compreenderam, como Pedro que “Deus constituiu Senhor e Cristo, a esse Jesus que vós crucificastes” (At 2, 36). O homem de Nazaré, que falou com autoridade e fez prodígios e sinais, foi entregue nas mãos dos poderosos de Israel e condenado à morte na cruz. Mas este mesmo Jesus, crucificado, Deus o ressuscitou e o constituiu Senhor e Cristo. Não somente a ressurreição, em si, foi a grande notícia, mas o fato de ter sido exatamente aquele que fora crucificado. A ressurreição manifesta que Jesus e Senhor estão unidos como sujeito e predicado, pois a humilhado foi exaltado. Ao se apresentar, como ressuscitado, logo quis fazer-se reconhecer pelos seus. “Por que vocês estão perturbados e por que o coração de vocês está cheio de dúvidas? Vejam minhas mãos e o meus pés: sou eu mesmo” (Lc 24, 38-39). Como ressuscitado, traz consigo as marcas da sua história de fidelidade e, também,do pecado humano, simbolizado nas chagas que mostra solenemente ao incrédulo Tomé. O acontecimento maravilhoso e inesperado da ressurreição possibilita aos discípulos verdadeira compreensão de Jesus: é o Crucificado-Ressuscitado; o Humilhado-Exaltado. O reconhecimento evidencia, ao mesmo tempo, a continuidade e a novidade do ressuscitado em relação ao abandonado da cruz.

O discípulo de Jesus, de todos os tempos, vive guiado pelo dinamismo da Ressurreição de Cristo, qual “força de vida que penetrou o mundo. […] Esta é a força da ressurreição, e cada evangelizador é um instrumento desse dinamismo” (EG 276). Com os olhos iluminados pela luz da ressurreição, o discípulo compreende o significado das palavras, do estilo de vida e do projeto do Reino de Jesus Cristo. Esta certeza sustenta a fé e move a caridade e torna-o capaz de ser evangelizador. Na Páscoa renovamos nosso batismo e, por isso, comprometemo-nos, mais uma vez neste caminho do amor que se doa até o fim (cf. Jo 13,1). Atualizam-se em cada fiel as palavras de Jesus: “se o grão de trigo não cair na terra e não morrer, permanecerá ele só; mas se morrer produzirá muito fruto” (Jo 12,24). 

O convite é que a celebração pascal renove em nós este dinamismo da ressurreição, que faz assumir com coragem, na força do Espírito Santo, a cruz de cada dia, pois uma semente de esperança foi depositada em nossos corações. O cristão não pode fugir da cruz, nem dos crucificados de nossa história, pois tem um horizonte maior diante de si, que a tudo dá sentido, o Pai que ressuscitou o Crucificado, fonte de nossa esperança e de nossa fé. Quando os apóstolos tiveram esta certeza, viveram com fidelidade até a entrega da própria vida através do martírio. É a partir da Páscoa que os discípulos de Jesus de ontem e de hoje compreendem o que é ser cristão.

Desejo que o dinamismo renovador do Ressuscitado encontre eco em cada cristão, em cada família, em nossas comunidades e, assim, “faça novas todas as coisas” (Ap 21,3).

Feliz e abençoada Páscoa do Crucificado-Ressuscitado a todos.

Por Dom Adelar Baruffi – Bispo de Cruz Alta

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