relacionamento humano - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br Site oficial da Diocese de Uruaçu - GO Tue, 05 Sep 2017 09:01:23 +0000 pt-BR hourly 1 https://old.diocesedeuruacu.com.br/wp-content/uploads/2018/12/cropped-favicon-32x32.png relacionamento humano - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br 32 32 170539269 Correção fraterna https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/correcao-fraterna/ Tue, 05 Sep 2017 09:01:23 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=48259 Olhando numa visão real e coletiva da existência humana, concluímos que cada indivíduo deve auxiliar os outros nos seus momentos de fraqueza e desânimo. A Bíblia dá sustentação para isso, quando diz: “Não fecheis o coração” (Sl 94,8). Nenhuma pessoa deve viver como uma ilha, introspectiva e despreocupada com os demais. O sentido pleno da vida é marcado pela convivência fraterna.

É justamente nessa dimensão que falamos de correção fraterna, da capacidade de superar “picuinhas”, desentendimentos e hermetismos, no sentido de fechamento no próprio mundo. As pessoas errados precisam ser advertidas de seus atos irresponsáveis e não simplesmente condenadas sumariamente. Torna-se um ato bonito de responsabilidade de uns para com os outros.

A correção fraterna de uma má conduta é um fato delicado, porque pode causar constrangimento diante da comunidade de quem é corrigido, mas deve estar fundamentada no respeito e no amor. O erro consciente, daqueles que se presam como pessoas, perturba a mente humana e fragiliza a dignidade do indivíduo. Continuar no erro significa desatenção para com aquilo que realiza a vida pessoal.

Existe limite na correção fraterna. Em determinados atos, os recursos de correção passam para a área judicial. É por isso que estamos assistindo o vexame de muitas de nossas autoridades. Os rombos são muito grandes e a capacidade de conversão é impedida pelo deus dinheiro. A melhor correção seria a devolução do que foi desviado, mas poucas vezes isso acontece de forma satisfatória.

Quem ama faz de tudo para não praticar o mal e corrige-se de seus maus atos com muita facilidade. A fraternidade é divina e precisa estar acima dos interesses egoístas, daqueles que prejudicam a vida das outras pessoas. Nisso está centrada a mensagem cristã e os ensinamentos de Jesus Cristo contidos nos Evangelhos, que vê o outro como irmão e não como perigo e ameaça de vida.

Podemos dizer que a correção fraterna tem uma dimensão de fé. O verdadeiro amor, que é base para a mudança de vida, é fortalecido pelo encontro pessoal com Deus, em Jesus Cristo. Dele recebemos a força sobrenatural para a correção e tomar um itinerário mais fraterno e construtor de dignidade. Isso atinge os critérios da consciência e da responsabilidade na execução dos atos diários.

Por Dom Paulo Mendes Peixoto – Arcebispo de Uberaba

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Aprender a encerrar para poder começar de novo https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/aprender-a-encerrar-para-poder-comecar-de-novo/ Fri, 11 Aug 2017 08:42:41 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=47808 Quando terminamos um capítulo, se encerra uma pequena história; quando dizemos adeus, escrevemos um pequeno final. Tudo aquilo que não encerramos continuará nos perseguindo e continuará sendo repetido, até que sejamos capazes de escrever um ponto final, através de um processo de luto, para começar de novo em outra página.

O luto se define como o processo de adaptação emocional que se segue a qualquer perda. Uma perda não indica necessariamente uma morte. Apesar dessa ser a relação mais forte feita pelo inconsciente coletivo, uma perda também se refere a separações, trocas de emprego, mudanças…

Etapas do processo de luto

As diferentes etapas existentes no luto que foram propostas pela doutora E. Kluber Ross são:

– Fase de negação: a pessoa se nega a aceitar a perda. Ela também pode estar imersa em um estado de choque que a impede de aceitar o início do caminho que inevitavelmente vai ter que percorrer.

– Fase de ira: nessa etapa, a pessoa mostra frustração e raiva. Pode ser relativa às circunstâncias nas quais ocorreu a perda, relativa a si mesmo, a outras pessoas, etc.

– Fase de negociação: a pessoa tenta buscar soluções para a perda. Se falamos da perda de um ente querido, essa fase de negociação pode incluir o fato de retomar algumas atividades que fazia na companhia do falecido.

– Fase de tristeza: nessa etapa, a perda é experimentada através da dor e se lida com a tristeza que surge. É uma fase de recolhimento sobre si mesmo.

– Fase de aceitação: nessa etapa, a pessoa toma consciência do momento em que se encontra e da perda. Ela aceita e tenta se adaptar ao ambiente fazendo o melhor com o que tem naquele momento.

Essas fases não são iguais para todos. Tampouco ocorrem nessa mesma ordem, nem têm uma duração específica; elas são meramente indicativas. O importante dessa divisão para lidar com uma pessoa que está em pleno processo de luto é saber que em cada etapa vamos encontrar alguém com uma disposição distinta face a este luto. Essa disposição vai definir as ferramentas e as tarefas que podemos propor para essa pessoa.

Todo processo que não se encerra adequadamente tende a se repetir, a se estagnar ou a regredir. Todas as falhas que vemos nos outros e ignoramos ou encerramos sem lidar com as mesmas, nos levam à mesma direção. Porque precisamos experimentar a dor da perda, porque precisamos ver como nos sentimos, precisamos extrair a energia que envolve a raiva para depois integrar essa tristeza como uma parte aceitável de nós mesmos.

Se não realizarmos esse processo de encerramento, a única coisa que estaremos fazendo é um curativo, sem realmente curar a ferida que sangra. Assim, só vamos conseguir tapar superficialmente aquilo que nos machuca, apenas até tocarmos novamente nessa ferida.

Lidar com a dor renunciando ao sofrimento

No livro “O Caminho das Lágrimas”, Jorge Bucay nos explica esta frase: “Sofrer é transformar a dor em algo crônico. É transformar um momento em um estado, é se apegar à lembrança daquilo que me faz chorar, o que não me permite deixar de chorar, esquecer, renunciar ou me livrar desse pensamento, mesmo que o preço seja meu sofrimento, uma lealdade misteriosa aos ausentes.”

A dor que precisamos experimentar é uma emoção saudável, é uma sensação de que está nos curando, nos conecta com o nosso interior e nos ajuda a processar a perda. Ela também acrescenta algo, pois nos dá um tempo para nós mesmos.

Nenhuma emoção na medida certa é disfuncional e, portanto, as perdas provocam tristeza, dor, distanciamento, ira, etc. São etapas e, quando duram mais que o necessário ou quando machucam ou impossibilitam de continuar a vida por muito tempo, é esse o momento de pedir ajuda. Quando a tristeza se transforma em depressão, a ira em agressões injustificadas, o distanciamento em desleixo pessoal ou a dor em dilaceração, então sim: algo está falhando nesse processo de cura, não estamos no caminho certo das lágrimas e precisamos pedir ajuda.

Que papel eu tenho no processo de luto?

“O processo de luto permite buscar o lugar que o seu ente querido merece entre os tesouros do seu coração. É lembrar dele com ternura e sentir que o tempo que você passou com ele foi um grande presente. É entender com o coração na mão que o amor não acaba com a morte.” (Jorge Bucay)

Saber por que uma etapa terminou e que pensamento positivo eu posso tirar disso, o que deu errado, o que eu poderia ter feito melhor, me ajuda a me conhecer e a saber o que posso fazer para melhorar. O que eu quero mudar, o que eu quero manter ou o que eu teria feito melhor.

O processo de luto me leva a uma reticências especial, porque marca o final de uma história. Não é um processo passivo, exige de cada um de nós, de nossas emoções e de nossas ações, da nossa vontade e da nossa força para seguir em frente e começar de novo. Exige um trabalho pessoal para saber escrever um bom final e começar o próximo capítulo com o que você aprendeu e desfrutou.

Por A Mente é Maravilhosa via Aleteia

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