Reino de Deus - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br Site oficial da Diocese de Uruaçu - GO Sat, 28 Sep 2024 04:04:11 +0000 pt-BR hourly 1 https://old.diocesedeuruacu.com.br/wp-content/uploads/2018/12/cropped-favicon-32x32.png Reino de Deus - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br 32 32 170539269 Bendito o que vem https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/bendito-o-que-vem/ Tue, 20 Mar 2018 07:52:50 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=51322 A entrada triunfal de Jesus em Jerusalém mostra o rei pobre que vem apresentar uma nova ordem social. O Rei não vem para governar de cima para baixo, ou seja, não vem impor fardo pesado de impostos, de comando do poder para massacrar e tirar o sono dos sem nada. Ele quer fazer um reino diferente, em que a pessoa humana é o maior tesouro, que deve ser respeitado. O Rei vai julgar e condenar os sem misericórdia com o semelhante. Quem tem mais deve servir mais. Os possuidores de fortunas têm grande responsabilidade em contribuir com a maioria empobrecida. O maior diante de Deus não é o que possui mais e sim quem dá mais de si pelo bem do semelhante!

Os ramos jogados à passagem do Rei não podem ter efeito de homenagem ao Rei se não forem para cada um  comprometer-se com a nova mentalidade de ajudar a implantar um reinado da justiça, do entendimento, da superação da violência, da solidariedade e da paz. Só deve louvar aquele que vem com o novo reinado e quem estiver disposto a se despir do egoísmo, da atitude de se julgar superior aos outros, de deixar de ostentar vaidade e falta de compromisso com a promoção do bem comum.

O Rei pobre oferece sua vida para implantar nova ordem social, em que cada um dá de si pela promoção de quem é deserdado da vida digna. O profeta lembra sobre sua atitude: “Ofereci as costas para me baterem e as faces para me arrancarem a barba” (Isaías 50, 6). A petulância de quem se julga com o direito de escarnecer do Rei sofredor mostra a insanidade do ser humano que judia dos pequenos, pensando que ficará impune sua atitude diante do julgamento de Deus. Essa atitude continua a se efetivar com os poderosos que não deixam os pobres se erguerem de sua vida segregada e injustiçada. Jesus continua a sofrer vexames em inúmeras pessoas que não são atendidas adequadamente em suas necessidades mais elementares. Assim não sobra dinheiro para o atendimento da saúde, da educação, da segurança, do transporte e tantas outras carências de grandes parcelas da população. A fome ainda grassa um quarto da população terrestre, enquanto o desperdício de alimento  se verifica.

As guerras matam muito no planeta; talvez não mais que no Brasil, onde mais de sessenta mil pessoas são assassinadas  por ano e mais de cinquenta mil morrem no trânsito! O Filho de Deus quer entrar no coração de quem trabalha para superar as agressões à vida. Ele é o Deus da vida e não da morte. Veio para dar vida. Seu reinado é o da vida. Ele morreu na cruz para dizer-nos que também nós devemos dar a nossa para a promoção do reinado da vida no planeta. Nós o aclamamos bendito porque não veio tirar nada do que é nosso e sim dar-nos a base de sustentação da vida, que é o amor. Este nos faz doar-nos para a promoção de quem mais precisa de suporte para ter vida digna e de sentido!

A aclamar o Filho de Deus como nosso Rei comprometemo-nos em implantar os valores de sua pessoa e se seus ensinamentos  em nossa convivência. Assim teremos mais promoção do bem comum. Implantaremos mais solidariedade. Conforme o lema da Campanha da Fraternidade, reconhecemos que “somos todos irmãos”.

Por Dom José Alberto Moura – Arcebispo Metropolitano de Montes Claros (MG)

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Papa Francisco pede coragem para fazer crescer o Reino de Deus https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/papa-francisco-pede-coragem-para-fazer-crescer-o-reino-de-deus/ Tue, 31 Oct 2017 15:02:51 +0000 http://teste.toqueto.com/papa-francisco-pede-coragem-para-fazer-crescer-o-reino-de-deus.html Durante a Missa celebrada na Casa Santa Marta, no Vaticano, o Papa Francisco pediu à Igreja a coragem para fazer crescer o Reino de Deus, usar a esperança, mesmo que pareça pequena, para plantar a semente do Espírito Santo.

“A esperança que nos leva à plenitude – explicou –, a esperança de sair desta prisão, desta limitação, desta escravidão, desta corrupção e chegar à glória: um caminho de esperança. E a esperança é um dom do Espírito. É propriamente o Espírito Santo que está dentro de nós e leva a isso: a algo grandioso, a uma libertação, a uma grande glória. E para isso, Jesus diz: ‘Dentro da semente de mostarda, daquele grão pequenininho, há uma força que desencadeia um crescimento inimaginável’”.

Essa força “é o Espírito Santo que habita em nós e nos dá esperança”. Francisco explicou que essa força interior, essa esperança “cresce a partir de dentro, não por proselitismo, mas através do Espírito Santo”.

Neste sentido, o Santo Padre encorajou os membros da Igreja a deixar que essa semente cresça com a força do Espírito, pois “muitas vezes nós vemos que se prefere uma pastoral de manutenção e não deixar que o Reino cresça. Para que o Reino cresça é preciso coragem: de lançar o grão, de misturar o fermento”.

O Pontífice encorajou a não ter medo de sujar as mãos ao plantar a semente do Reino de Deus. “Ai daqueles que pregam o Reino de Deus com a ilusão de não sujar as mãos. Estes são guardiões de museus: preferem as coisas belas, e não este gesto de lançar para que a força se desencadeie, de misturar para que a força faça crescer”.

Esta é a mensagem de Paulo na carta aos Romanos. “Esta tensão que vai da escravidão do pecado, para ser simples, à plenitude da glória. E a esperança é aquela que vai avante, a esperança não desilude: porque a esperança é muito pequena, a esperança é tão pequena quanto o grão e o fermento a ajuda a crescer”.

“A esperança é a virtude mais humilde”, explicou o Papa e concluiu insistindo que é necessária a coragem “que leva em frente o Reino de Deus”.

Evangelho comentado pelo Papa Francisco:

Lc 13, 18-21

Naquele tempo, 18Jesus dizia: “A que é semelhante o Reino de Deus, e com que poderei compará-lo? 19Ele é como a semente de mostarda, que um homem pega e atira no seu jardim. A semente cresce, torna-se uma grande árvore, e as aves do céu fazem ninhos nos seus ramos”. 20Jesus disse ainda: “Com que poderei ainda comparar o Reino de Deus? 21Ele é como o fermento que uma mulher pega e mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentado”.

Por ACI Digital

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Percepção humana https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/percepcao-humana/ Wed, 27 Sep 2017 09:01:57 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=48707 Não é tão fácil distinguir coisas que têm dimensões divinas, que fazem parte do Reino de Deus e as realidades do reino humano. Mas as duas se complementam, porque em ambas o objetivo é a prática de vida das pessoas. A forma da ação divina e do querer de Deus deve ser percebida pelas criaturas humanas. Suas decisões devem estar fundamentadas no livre-arbítrio e na responsabilidade.

A vida no mundo pode ter caminhos tortuosos, indignos e desproporcionais em relação aos princípios do querer divino. A vontade de Deus está expressa nas orientações dadas pelas palavras da Sagrada Escritura. Seu objetivo é chegar ao coração das pessoas para que elas superem todos os desvios que lhes causam sofrimento e incertezas de um futuro promissor e feliz.

O ser humano, por causa de sua liberdade, é capaz de mudar de rumo com muita facilidade. Ele tem diante de si a opção por um “sim” ou por um “não”, dando-lhe possibilidade muito ampla de escolha e de fazer um discernimento conforme as decisões de sua vontade. Talvez não seja tão fácil perceber as dimensões e as consequências de sua percepção e decisão final.

Mais ainda, o ser humano nunca está totalmente pronto no seu agir. Ele precisa ter consciência de suas próprias limitações e de que é propenso a erros. É aí que entra a ação divina, a capacidade de conversão e confiança na misericórdia de Deus. A vida humana é um processo, uma estrada de mão dupla e de busca de realização plena, mas impossível de conseguir plenitude na dimensão apenas humana.

No campo da percepção, o pano de fundo é a justiça, que pode ser divina e humana. Dizemos que Deus é justo, mas as pessoas também podem e devem ser justas. É sobre essa plataforma que acontece a realização da pessoa. As injustiças descaracterizam sua identidade e inviabilizam a ação de Deus. O amor vai além da justiça, e passa a ser qualificado como graça de Deus.

Na percepção daquilo que é divino e do que é humano descobrimos que Deus se humanizou para que a pessoa se tornasse divina. Em Jesus Deus se esvaziou e tomou forma humana. Com isso resgatou quem vive mergulhado em critérios desonestos. Só é capaz de se tornar divino quem fizer um caminho de despir-se do orgulho próprio e reconhecer a presença libertadora de Deus.

Por Dom Paulo Mendes Peixoto – Arcebispo de Uberaba (MG)

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Amor e sofrimento https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/amor-e-sofrimento/ Tue, 29 Aug 2017 13:02:31 +0000 http://teste.toqueto.com/amor-e-sofrimento.html O sofrimento não agrada a Deus, mas fecunda o sentido do amor. Amor sem sofrimento é como bolha de sabão, porque basta um pequeno vento para se desfazer. O verdadeiro amor é fruto de luta constante para conquistar o bem e contra tudo aquilo que provoca o mal e a destruição das pessoas. É um caminho de cruz, assumido literalmente por Jesus Cristo, com o objetivo final de salvação.

Não é fácil fazer uma entrega generosa de vida, porque as marcas profundas do egoísmo fragilizam as decisões comprometidas feitas pelas pessoas. É uma atitude que supõe liberdade assentada na espiritualidade divina. Jesus Cristo encarna em si os sofrimentos até os últimos momentos de sua morte na cruz, mas totalmente consciente dos objetivos que implicaria essa sua decisão.

A vida não se conquista com o uso de armas, com guerras e terrorismos, porque Deus, autor da vida, não está presente nessas práticas. Aliás, são fontes de destruição e de morte. A arma da vida é o amor, porque ele é capaz de superar todos os stress e revoltas contidas no coração do ser humano. Necessitamos de pessoas que são capazes de encarnar o amor, que gera vida e dignidade.

O sofrimento de grande parte da população brasileira não é uma fatalidade, ou uma situação de normalidade da economia do país. É fruto de uma governalidade sem identidade para tal. O bem comum é sacrificado para privilegiar um grupo seleto que acumula desnecessariamente. Eles impedem que o “bolo”, os bens do país sejam distribuídos de forma social, justa e equitativa.

É lamentável a gente ter que ver um mundo dominado pelas leis da imposição e da vontade de violentos, daqueles que forçam e produzem uma cultura de desumanidade e de morte. Nessa situação, os sofrimentos das pessoas não conseguem gerar amor, porque são provocados e não trazem os objetivos de esperança e de vida. Tudo isso significa que alguma coisa precisa mudar na sociedade.

A vida, como dom de Deus, não é uma realidade abstrata e desconectada dos princípios humanos de cidadania, de amor, de sofrimento e de espiritualidade. Ela é uma perfeita construção, que transita no mundo de animosidades, constrangimentos, e caminha para a perfeição na plenitude do Reino de Deus. Sofrimento e amor se concretizam no encontro pessoal com Jesus Cristo.

Por Dom Paulo Mendes Peixoto – Arcebispo de Uberaba (MG)

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Convicção de fé https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/conviccao-de-fe/ Wed, 21 Jun 2017 11:09:49 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=46909 A fé, no Reino divino, é um dom de Deus. É recebida pelo batismo, como uma semente. Mas tem que ser regada, assumida com maturidade e equilíbrio. Muitas de suas manifestações revelam desequilíbrios. Até o fato de a pessoa querer ser diferente das outras, na comunidade cristã, onde ela (a fé) deve ser colocada em prática, “cheira” atitude estranha, que não passa de falta de equilíbrio.

Identifica-se claramente, nos últimos tempos, uma forte contradição relacionada com a fé: de um lado, o indiferentismo em relação à vida cristã; de outro, as manifestações de religiosidade sensacionalista, com pouco, ou nada, de comprometimento com as realidades concretas da vida da sociedade. Não adianta dizer ter fé se não tem obras, não há esforço para construir uma vida de liberdade.

Quem teve oportunidade de uma boa formação sobre a fé, tem mais facilidade para enfrentar os caminhos difíceis na vida. Seus atos devem ser autênticos, justos e honestos. Sua base de ação está mais fundamentada na Palavra de Deus. Fica indignado diante da corrupção, da violência e da falta de paz. Mas também acredita no caminho do diálogo, do respeito e da misericórdia.

Faz parte do compromisso de fé a alegria da missão, mas também os sinais de contradição e de rejeição. Na cultura brasileira do momento, falar de justiça e de honestidade é correr o risco e o desafio da exclusão. Parece bastante sintomático ser desonesto, principalmente nos desvios das coisas públicas. Todo brasileiro sente, “na pele”, as consequências dos “Lava-jatos da vida”.

Nos momentos de provação, por causa da missão profética, Deus está com as pessoas que professam a fé nele. O medo não pode roubar da pessoa de fé, sua motivação profética, e nem ter medo de quem mata o corpo, pois Deus cuida até dos pássaros do campo, quanto mais da vida de seus filhos na fé (cf. Mt 10,28-29). Jesus disse estar com seu povo até o fim dos tempos (cf. Mt 28,20).

Quem luta por Deus, fazendo o bem pelas pessoas e pela natureza, pode contar com ele em todos os momentos. Ele não está presente em quem “trambica”, usa de esperteza no exercício do poder e do ter, porque não é uma atitude de quem vivencia a fé. A vida será julgada pelo que a pessoa fez ou deixou de fazer. Ela terá que arcar com as consequências dos maus atos.

Por Dom Paulo Mendes Peixoto – Arcebispo de Uberaba

 

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A ricos e pobres, o Reino de Deus e sua Justiça https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/a-ricos-e-pobres-o-reino-de-deus-e-sua-justica/ Mon, 27 Feb 2017 10:27:45 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=44603 Ambientado no Sermão da Montanha (Bem-aventuranças), São Mateus reuniu “ditos” (lógion, lógia, na língua grega) de Jesus, isto é, ensinamentos superiores mediante os quais Ele veio para aperfeiçoar as leis da Antiga Aliança e não suprimi-las. Jesus usou como fórmula própria para enunciá-los, a expressão: “Foi dito aos antigos, Eu, porém, vos digo…”. Jesus toma as letras, isto é, o corpo físico das leis da Antiga Aliança, das quais Ele não veio subtrair nem um “j” nem uma “vírgula, mas as transforma e aperfeiçoa no Espírito com que selou a Nova Aliança por seu sangue derramado na cruz. Sobre Jesus de Nazaré, o Ungido de Javé, o Messias, repousou o Espírito do Senhor. Somente Jesus, o novo Moisés, é quem dá uma lei nova, que tem espírito e vida, fundada numa Justiça superior, na Caridade, no Amor, na Misericórdia. A novidade do Reino de Deus e da Justiça do Pai se assenta sobre esta lei nova, esta Justiça superior do Amor. No trecho evangélico da Missa de hoje – Mt 6,24-34 – Mateus registra este outro ensinamento de Jesus dito aos discípulos: “Ninguém pode servir a dois senhores… Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro. Por isso Eu vos digo, não vos preocupeis com a vossa vida, com o que havereis de comer ou beber; nem com o vosso corpo, com o que havereis de vestir. Afinal, a vida não vale mais do que o alimento, e o corpo, mais do que a roupa?”. Jesus usa as imagens  dos “pássaros do céu” e das “flores dos campos”, que respectivamente não semeiam nem tecem, mas Deus os alimenta e as veste, para que os discípulos pudessem compreender com toda nitidez o que Ele ensinava em parábolas. Os pagãos, segundo afirma Jesus, é que poderão ficar preocupados com o que comer, beber e vestir. Mas, não os discípulos. Além do mais, o Pai sabe de tudo o que os discípulos precisam. Jesus arremata seus esclarecimentos dando uma instrução em tom de  imperativo categórico: “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais vos será dado por acréscimo”. Ele diz ainda: “Não vos preocupeis com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã terá suas preocupações! Para cada dia bastam seus próprios problemas”. Quanto ao tema, o Apóstolo São Paulo disse: “Porquanto o Reino de Deus não é uma questão de comer e beber, mas de justiça, paz e alegria no Espírito Santo” (Rm 14,17). E isso vale para todos, ricos e pobres. 

Jesus oferece o Reino de Deus e a Justiça do Pai a ricos e pobres. Jesus coloca diante de uns como dos outros a alternativa “Deus ou o dinheiro”. Talvez para os pobres seja mais fácil fazer a opção clara por Deus do que pelo deus “Mamon” (palavra semítica que significa dinheiro, riqueza), porque eles, de dinheiro real, pouco ou nada tenham. No entanto, é bem sabido que há avarentos que nada possuem, bem menos é claro do que os avarentos ricos. O perigo dos ricos é de substituírem o Deus verdadeiro pelo “demônio Mamon”, de elevarem o dinheiro e a sua posse no valor mais importante da sua vida, no fim último da sua existência, como o bem maior a desejar e procurar e a fonte de sua felicidade. Essa é a idolatria do dinheiro e da sua posse que arranca a pessoa da busca do Reino de Deus e de sua justiça. O perigo dos pobres, porém, pode estar nas preocupações exacerbadas com a luta pelo mínimo necessário à sobrevivência. Alguns, então, se revoltam contra Deus e todo mundo, outros se esquecem dEle, outros acabam numa resignação pessimista, num conformismo antievangélico de que essa seria a vontade de Deus ou esse o seu destino, não restando nada a se fazer.

Palavras como “fé e confiança em Deus”, “oração e trabalho”, “providência divina e solidariedade” devem ser bem conjugadas na correta compreensão dos significados e na perfeita articulação das atitudes e ações. Entre todos os valores superiores hierárquicos da vida o cristão precisa, em primeiro lugar, fazer a sua opção clara por Deus e em favor do seu Reino e da sua Justiça. À fé em Deus segue-se a confiança em Deus. A confiança em Deus, no entanto, não deve ser passiva, como se só bastasse crer, confiar e esperar. O ditado popular “Deus ajuda quem cedo madruga” expressa bem como o cristão deve enfrentar a vida, fazendo a sua parte. Depois, vem o valor da “oração e o trabalho. “Ora et labora” é um sábio princípio monástico. Oração e trabalho, espiritualidade e ação, mística e missão servem tanto na luta pessoal pela vida como na construção da sociedade e na obra pastoral da evangelização. “Sem mim nada podeis fazer”, disse Jesus. A oração é eixo que atravessa toda a vida, sustém a vida no Espírito e fecunda toda a ação. Mas não basta dizer “Senhor, Senhor se não se procurar pôr em prática a Palavra de Deus”, afirmou também Jesus. Portanto, “ora et labora”. Em seguida, vem “a providência divina e a solidariedade”. Jesus está dizendo: “Olhai os pássaros… Considerai as flores… Não vos preocupeis por vossa vida”. Ele conclui, contrapondo: “Pelo contrário, buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas as coisas de que precisais vos serão dadas de acréscimo”. A Justiça nova do Reino funda-se no mandamento novo da caridade, do amor, da misericórdia. Por isso, é exigência do Reino pôr em prática a caridade, a solidariedade com os outros, sobretudo com os pobres, e a misericórdia com pecadores e sofredores. 

Busquemos primeiramente o Reino de Deus, confiemos firmemente na Providência divina e partilhemos generosamente os dons, frutos da bênção e do trabalho, com os pobres e necessitados.

Por Dom Caetano Ferrari – Diocese de Bauru

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A novidade do Evangelho https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/a-novidade-do-evangelho/ Mon, 13 Feb 2017 09:51:15 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=44343 “Antes que o céu e a terra deixem de existir, nem uma só letra ou vírgula serão tiradas da Lei, sem que tudo aconteça” (Mt 5, 18). A força da Palavra de Jesus concede o devido valor ao Antigo Testamento, proporcionando a todas as gerações a estrada que dá significado e plenitude aos preceitos da lei, da primeira à última letra, com seu valor de vida e santidade. Ele assegura que, atrás dos autores sagrados, existe uma providencial presença de Deus, que, com seu Espírito, que faz com que todas as etapas da história da Salvação iluminem os passos das gerações humanas. No entanto, Jesus é portador da novidade e ele mesmo é a novidade, pois nele se cumpre toda a lei. Só através dele se pode entrar no Reino de Deus, e nele até o menor dos mandamentos encontra seu sentido. Trata-se agora da exuberância de presença de Deus na história, no mistério da Encarnação. E em sua Morte e Ressurreição, Jesus realizou completamente o que consta na lei e nos profetas.

Assistimos diariamente ao espetáculo, com cenas nem sempre edificantes, de todos os embates políticos e judiciais em nosso país, com “operações” que se multiplicam, prisões, judicialização das relações humanas. A novidade do dia costuma trazer novas listas de figurões a serem presos, com espaço nos noticiários, julgamentos sumários nas redes sociais. No dia a dia de nossa convivência, qualquer pequena ofensa pode se transformar em assédio moral, os apelidos e brincadeiras de crianças passam a ser tratados como buylling, e daí por diante. E todo mundo se sente aparentemente seguro quando seus direitos são garantidos, as cercas e alarmes parecem garantir a privacidade, os condomínios oferecidos a todas as classes sociais se erguem para as pessoas se sentirem tranquilas. Tudo bem organizado, e as pessoas infelizes!

Eis que aparece o Evangelho, com propostas diferentes, novidade absoluta, a ser anunciada ao nosso tempo machucado e cansado. Há uma belíssima expressão, a “nova justiça” do Reino de Deus, cuja atualidade inverte todas as relações entre as pessoas e propugna um mundo novo, possível, sim, mas profundamente desafiador, cuja aceitação depende de uma decisão pessoal e adesão a outro “Reino”, que é de Deus e quer envolver a todos os homens e mulheres também de nossa geração. Jesus surge como aquele que cumpre toda a lei e os profetas, e esta já uma novidade radical, pois não anuncia um código de doutrinas, mas dá sentido verdadeiro a tudo o que veio antes. Aquele que é o bem-aventurado por excelência pode enviar os que a ele aderem com a força de uma palavra ousada: “Quem os praticar e ensinar será considerado grande no Reino dos Céus. Eu vos digo: Se vossa justiça não for maior que a dos escribas e dos fariseus, não entrareis no Reino dos Céus” (Mt 5, 19-20). 

A nova justiça proposta por Jesus tem sua síntese no mandamento do amor. A inversão por ele proposta pede uma nova sensibilidade. Não basta ser educados no trato com as pessoas, ou respeitar limites na convivência. Nem é suficiente evitar os atentados contra a vida, como a violência que se expressa nas mortes cotidianas, mas, por amor, nem mesmo considerar imbecil ou louco qualquer irmão. Mesmo a raiva cultivada contra os outros há de ser superada! A justiça do Reino de Deus considera todos como irmãos! Deficientes, retardados, limitados, incapazes, e depois, os criminosos, os viciados, os traficantes, ou demais qualificações corretas ou politicamente incorretas que existirem, todas sejam superadas, para que a qualificação de irmão ou irmã a ser amado ilumine toda abordagem de quem quer que seja! 

Consequência exigente é quase adivinhar, diante do altar, para buscar a reconciliação, tomando a iniciativa, sem esperar que alguém se humilhe para pedir perdão. A estrada a ser percorrida com as outras pessoas deverá ser uma verdadeira aventura de pacificação: “Procura reconciliar-te com teu adversário, enquanto ele caminha contigo para o tribunal. Senão o adversário te entregará ao juiz, o juiz te entregará ao oficial de justiça, e tu serás jogado na prisão. Em verdade, te digo: dali não sairás, enquanto não pagares o último centavo” (Mt 5, 23-26). 

Também o relacionamento afetivo adquire novo contorno e pede práticas diferentes, pedindo um olhar de pureza em relação às pessoas. Num tempo de exposição do corpo, práticas sexuais antes inimagináveis, libertinagem oferecida e propagandeada, Jesus propõe nadar contra a correnteza. Faz-se necessário tomar decisões com coragem, para começar a ser diferentes! Vale trazer plenamente à luz a palavra de Jesus: “Se teu olho direito te leva à queda, arranca-o e joga para longe de ti! De fato, é melhor perderes um de teus membros do que todo o corpo ser lançado ao inferno. Se a tua mão direita te leva à queda, corta-a e joga-a para longe de ti! De fato, é melhor perderes um de teus membros do que todo o corpo ir para o inferno” (Mt 5, 29-30). Que ninguém se assuste! Dá mais trabalho amputar a maldade do coração do que um dos membros do corpo!

A recomendação que se segue pode deixar perplexa nossa geração, ainda que o Evangelho seja conhecido há tanto tempo: “Foi dito também: ‘Quem despedir sua mulher dê-lhe um atestado de divórcio’. Ora, eu vos digo: todo aquele que despedir sua mulher – fora o caso de união ilícita – faz com que ela se torne adúltera; e quem se casa com a mulher que foi despedida comete adultério” (Mt 5, 31-32). 

Enfim, a palavra dada e o compromisso com a verdade: “Ouvistes também que foi dito aos antigos: ‘Não jurarás falso’, mas ‘cumprirás os teus juramentos feitos ao Senhor’. Ora, eu vos digo: não jureis de modo algum, nem pelo céu, porque é o trono de Deus; nem pela terra, porque é o apoio dos seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do Grande Rei. Também não jures pela tua cabeça, porque não podes tornar branco ou preto um só fio de cabelo. Seja o vosso sim, sim, e o vosso não, não. O que passa disso vem do Maligno (Mt 5, 34-37).

Foi proposital a transcrição de trechos do Sermão da Montanha quanto ao respeito à vida e às pessoas, a pureza, a fidelidade à palavra dada. Para não escandalizar, vem o convite a olhar para Jesus, aquele que realiza plenamente o que anuncia. E ouso apresentar um questionamento! Estamos abertos à novidade da justiça evangélica? A exigência do “Eu, porém, vos digo”, pode tornar-se um imperativo em nossa vida? A escolha é nossa! Venha em nossa ajuda a coragem de São Paulo: “Mais que isso, julgo que tudo é prejuízo diante deste bem supremo que é o conhecimento do Cristo Jesus, meu Senhor. Por causa dele, perdi tudo e considero tudo como lixo, a fim de ganhar Cristo e ser encontrado unido a ele. E isto, não com a minha justiça que vem da Lei, mas com a justiça que vem pela fé em Cristo, a justiça que vem de Deus, com base na fé (Fl 3, 8-9).

Por Dom Alberto Taveira Corrêa – Arcebispo Metropolitano de Belém do Pará

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