Quaresma - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br Site oficial da Diocese de Uruaçu - GO Sat, 28 Sep 2024 04:02:18 +0000 pt-BR hourly 1 https://old.diocesedeuruacu.com.br/wp-content/uploads/2018/12/cropped-favicon-32x32.png Quaresma - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br 32 32 170539269 Dom Giovani Carlos na Quarta-feira de Cinzas: “Se é do mundo fica aqui nas cinzas, se é de Deus vai para a vida eterna” https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/destaque/dom-giovani-carlos-na-quarta-feira-de-cinzas-se-e-do-mundo-fica-aqui-nas-cinzas-se-e-de-deus-vai-para-a-vida-eterna/ Thu, 23 Feb 2023 13:19:41 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=65555 Começa o Tempo da Quaresma. Mudam-se a cor litúrgica, os ornamentos das igrejas, os cantos da liturgia. Não é tempo de tristeza, mas de sobriedade. Tempo de preparação, de reaproximar de Deus, de viver intensamente a fé por meio da oração, da caridade e penitência.

É a Quaresma, tempo forte de conversão que começou com esta Quarta-feira de Cinzas. As cinzas que por sinal foram impostas sobre as nossas cabeças para nos lembrar que somos finitos, que um dia vamos morrer, que somos pó e ao pó voltaremos (cf. Gn 3,19). Isso não significa que a vida nos será tirada um dia, mas sim que Deus a transforma para que não mais possamos perecer. As cinzas também nos recordam que precisamos nos arrepender dos pecados, para podermos gozar da vida eterna no céu. Por isso, as cinzas são sinônimo de esperança.

Na Santa Missa presidida na noite desta Quarta-feira de Cinzas, na Catedral Imaculado Coração de Maria, em Uruaçu, nosso bispo diocesano Dom Giovani Carlos exortou a todos os cristãos a continuarem a caminhada de fé e não ficar nas cinzas. “Não vamos parar por aqui, vamos além das cinzas. Se é do mundo fica aqui nas cinzas, se é de Deus vai para a vida eterna. Por isso, hoje, na Quarta-feira de Cinzas, a nossa testa vai ficar marcada com as cinzas que nós seremos, que nosso corpo será um dia, a nossa alma se o Senhor permitir, se assim nos convertermos, irá para junto do nosso Deus e Salvador que tanto nos ama e deu a sua vida por nós, amém!”.

Quaresma
Nos preparar para a Páscoa de Nosso Senhor. Essa é a finalidade da Quaresma, pois a Páscoa é a festa mais importante para os cristãos católicos, por isso, não podemos chegar à Páscoa sem viver intensamente o tempo da Quaresma. Para que isso aconteça, a Igreja dá orientações importantes recomendando aos fiéis que pratiquem o jejum, a esmola (caridade) e a oração. São três modos diferentes de se fazer penitência.

Fotos: José Tomaz

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Em Santa Missa do 2º Domingo da Quaresma, Dom Giovani apresenta catecúmenos que serão batizados, receberão a Primeira Eucaristia e serão crismados no Domingo de Páscoa https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/destaque/em-santa-missa-do-2o-domingo-da-quaresma-dom-giovani-apresenta-catecumenos-que-serao-batizados-e-crismados-no-domingo-de-pascoa/ Tue, 02 Mar 2021 17:43:44 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=60188 O bispo diocesano, Dom Giovani Carlos presidiu a Santa Missa no 2º Domingo da Quaresma, na Catedral Imaculado Coração de Maria, em Uruaçu. Logo após o ato penitencial, o bispo apresentou os dois candidatos adultos que serão acolhidos como filhos da Igreja, na Grande Vigília Pascal, por meio dos sacramentos do batismo, da Eucaristia e da Crisma. Dando sequência, o bispo ungiu a fronte e os sentidos dos catecúmenos com o sinal do cristão: a cruz de Cristo. Marcelo Antônio e Izabela Pires estão recebendo a formação da Iniciação à Vida Cristã pelas catequistas irmã Cátia Silene, Ana Carla Silveira e Amanda Urbano, que trabalham em conjunto.

Dom Giovani, durante a homilia, abordou a importância da leitura do dia que narra o episódio da Transfiguração do Senhor (Mc 9, 2-10). Em um momento da reflexão, ele disse especificamente aos catecúmenos: “É preciso aprender a viver o mesmo sentimento de Jesus Cristo. A grande graça é de ser filhos de Deus”.

Adiante, Dom Giovani também comentou o momento de sofrimento presente que estamos vivendo: “Suporte a provação, porque o Senhor tem preparado algo que os olhos não viram e coração nenhum sentiu. O Senhor nos consola”.

Texto: Indra Liah
Edição: Fúlvio Costa
Fotografias: José Tomaz França
Pascom Paróquia Sant’Ana
Uruaçu-GO.

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Celebrando em família o Dia do Senhor – 5º Domingo da Quaresma https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/destaque/celebrando-em-familia-o-dia-do-senhor-5o-domingo-da-quaresma/ Sun, 29 Mar 2020 03:15:30 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=58095

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Mensagem do papa Francisco para a Quaresma de 2020 https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/destaque/mensagem-do-papa-francisco-para-a-quaresma-de-2020/ Tue, 03 Mar 2020 04:26:03 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=57940 “Em nome de Cristo, suplicamo-vos: reconciliai-vos com Deus” (2Cor 5, 20)

Queridos irmãos e irmãs!

O Senhor concede-nos, também neste ano, um tempo propício para nos prepararmos para celebrar, de coração renovado, o grande Mistério da morte e ressurreição de Jesus, pilar da vida cristã pessoal e comunitária. Com a mente e o coração, devemos voltar continuamente a esse Mistério. Com efeito, o mesmo não cessa de crescer em nós na medida em que nos deixarmos envolver pelo seu dinamismo espiritual e aderirmos a ele com uma resposta livre e generosa.

1. O Mistério pascal, fundamento da conversão
A alegria do cristão brota da escuta e recepção da Boa-Nova da morte e ressurreição de Jesus: o kerygma. Ele compendia o Mistério de um amor “tão real, tão verdadeiro, tão concreto, que nos proporciona uma relação cheia de diálogo sincero e fecundo” (Francisco, Exort. Ap. Christus Vivit, 117). Quem crê nesse anúncio rejeita a mentira de que a nossa vida teria origem em nós mesmos, quando na realidade nasce do amor de Deus Pai, da sua vontade de dar vida em abundância (cf. Jo 10,10). Se, pelo contrário, se presta ouvidos à voz persuasiva do “pai da mentira” (Jo 8,44), corre-se o risco de precipitar no abismo do absurdo, experimentando o inferno já aqui na terra, como infelizmente dão testemunho muitos acontecimentos dramáticos da experiência humana pessoal e coletiva.
Por isso, nesta Quaresma de 2020, quero estender a todos os cristãos o mesmo que escrevi aos jovens na Exortação Apostólica Christus Vivit (n. 123): “Fixa os braços abertos de Cristo crucificado, deixa-te salvar sempre de novo. E quando te aproximares para confessar os teus pecados, crê firmemente na sua misericórdia que te liberta de toda a culpa. Contempla o seu sangue derramado pelo grande amor que te tem e deixa-te purificar por ele. Assim, poderás renascer sempre de novo”. A Páscoa de Jesus não é um acontecimento do passado: pela força do Espírito Santo é sempre atual e permite-nos contemplar e tocar com fé a carne de Cristo em tantas pessoas que sofrem.

2. Urgência da conversão
É salutar uma contemplação mais profunda do Mistério pascal, em virtude do qual nos foi concedida a misericórdia de Deus. Com efeito, a experiência da misericórdia só é possível “face a face” com o Senhor crucificado e ressuscitado, “que me amou e a Si mesmo se entregou por mim” (Gl 2,20). Um diálogo coração a coração, de amigo a amigo. Por isso mesmo, é tão importante a oração no tempo quaresmal. Antes de ser um dever, ela expressa a necessidade de corresponder ao amor de Deus, que sempre nos precede e sustenta. De fato, o cristão reza ciente da sua indignidade de ser amado. A oração poderá assumir formas diferentes, mas o que conta verdadeiramente aos olhos de Deus é que ela escave dentro de nós, chegando a romper a dureza do nosso coração, para o converter cada vez mais a ele e à sua vontade.

Por isso, neste tempo favorável, deixemo-nos conduzir como Israel ao deserto (cf. Os 2,16), para podermos finalmente ouvir a voz do nosso Esposo, deixando-a ressoar em nós com maior profundidade e disponibilidade. Quanto mais nos deixarmos envolver pela sua Palavra, tanto mais conseguiremos experimentar a sua misericórdia gratuita por nós. Portanto não deixemos passar em vão este tempo de graça, na presunçosa ilusão de sermos nós o dono dos tempos e modos da nossa conversão a Ele.

3. A vontade apaixonada que Deus tem de dialogar com os seus filhos
O fato de o Senhor nos proporcionar uma vez mais um tempo favorável para a nossa conversão, não devemos jamais dá-lo como garantido. Essa nova oportunidade deveria suscitar em nós um sentido de gratidão e sacudir-nos do nosso torpor. Não obstante a presença do mal, por vezes até dramática, tanto na nossa existência como na vida da Igreja e do mundo, este período que nos é oferecido para uma mudança de rumo manifesta a vontade tenaz de Deus de não interromper o diálogo de salvação conosco. Em Jesus crucificado, que Deus “fez pecado por nós” (2Cor 5,21), essa vontade chegou ao ponto de fazer recair sobre o seu Filho todos os nossos pecados, como se houvesse – segundo o Papa Bento XVI – um “virar-se de Deus contra si próprio” (Enc. Deus Caritas Est, 12). De fato, Deus ama também os seus inimigos (cf. Mt 5,43-48).

O diálogo que Deus quer estabelecer com cada homem, por meio do Mistério pascal do seu Filho, não é como o diálogo atribuído aos habitantes de Atenas, que “não passavam o tempo em outra coisa senão a dizer ou a escutar as últimas novidades” (At 17,21). Esse tipo de conversa, ditado por uma curiosidade vazia e superficial, caracteriza a mundanidade de todos os tempos e, hoje em dia, pode insinuar-se também num uso pervertido dos meios de comunicação.

4. Uma riqueza que deve ser partilhada, e não acumulada só para si mesmo
Colocar o Mistério pascal no centro da vida significa sentir compaixão pelas chagas de Cristo crucificado presentes nas inúmeras vítimas inocentes das guerras, das prepotências contra a vida desde a do nascituro até a do idoso, das variadas formas de violência, dos desastres ambientais, da iníqua distribuição dos bens da terra, do tráfico de seres humanos em todas as suas formas e da sede desenfreada de lucro, que é uma forma de idolatria.

Também hoje é importante chamar os homens e mulheres de boa vontade à partilha dos seus bens com os mais necessitados através da esmola, como forma de participação pessoal na edificação de um mundo mais justo. A partilha, na caridade, torna o homem mais humano; com a acumulação, corre o risco de embrutecer, fechado no seu egoísmo. Podemos e devemos ir mais além, considerando as dimensões estruturais da economia. Por esse motivo, na Quaresma de 2020 – mais concretamente, de 26 a 28 de março –, convoquei para Assis jovens economistas, empreendedores e transformativos, com o objetivo de contribuir para delinear uma economia mais justa e inclusiva do que a atual. Como várias vezes se referiu no magistério da Igreja, a política é uma forma eminente de caridade (cf. Pio XI, Discurso à FUCI, 18/XII/1927). E sê-lo-á igualmente ocupar-se da economia com o mesmo espírito evangélico, que é o espírito das Bem-aventuranças.

Invoco a intercessão de Maria Santíssima sobre a próxima Quaresma, para que acolhamos o apelo a deixar-nos reconciliar com Deus, fixemos o olhar do coração no Mistério pascal e nos convertamos a um diálogo aberto e sincero com Deus. Assim, poderemos tornar-nos aquilo que Cristo diz dos seus discípulos: sal da terra e luz do mundo (cf. Mt 5,13.14).

Franciscus

Roma, em São João de Latrão, 7 de outubro de 2019
Memória de Nossa Senhora do Rosário.

Foto: Agência Lusa/retirada do site da Agência Brasil

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Cinzas da Reconciliação https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/cinzas-da-reconciliacao/ Tue, 03 Mar 2020 04:23:51 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=57938 Quarta-feira de Cinzas é o início do litúrgico da Quaresma, preparação para a festa da Páscoa. Assim, o Santo Padre, o Papa Francisco, em sua mensagem para esta Quaresma, usando como tema a frase de São Paulo “em nome de Cristo, suplicamo-vos: reconciliai-vos com Deus” (2 Cor 5, 20), nos convida à volta para Deus, pela penitência e oração.

“O Senhor concede-nos, também neste ano, um tempo propício para nos prepararmos para celebrar, de coração renovado, o grande Mistério da morte e ressurreição de Jesus, cerne da vida cristã pessoal e comunitária… A alegria do cristão brota da escuta e recepção da Boa Nova da morte e ressurreição de Jesus: o kerygma. Este compendia o Mistério dum amor tão real, tão verdadeiro, tão concreto, que nos proporciona uma relação cheia de diálogo sincero e fecundo. Quem crê neste anúncio rejeita a mentira de que a nossa vida teria origem em nós mesmos, quando na realidade nasce do amor de Deus Pai, da sua vontade de dar vida em abundância (cf. Jo 10, 10). Se, pelo contrário, se presta ouvidos à voz persuasora do ‘pai da mentira’ (Jo 8, 44), corre-se o risco de precipitar no abismo do absurdo, experimentando o inferno já aqui na terra, como infelizmente dão testemunho muitos acontecimentos dramáticos da experiência humana pessoal e coletiva”.

“Fixa os braços abertos de Cristo crucificado, deixa-te salvar sempre de novo. E quando te aproximares para confessar os teus pecados, crê firmemente na sua misericórdia que te liberta de toda a culpa. Contempla o seu sangue derramado pelo grande amor que te tem e deixa-te purificar por ele. Assim, poderás renascer sempre de novo. A Páscoa de Jesus não é um acontecimento do passado: pela força do Espírito Santo é sempre atual…”.

“É salutar uma contemplação mais profunda do Mistério pascal, em virtude do qual nos foi concedida a misericórdia de Deus. Com efeito, a experiência da misericórdia só é possível ‘face a face’ com o Senhor crucificado e ressuscitado, ‘que me amou e a Si mesmo Se entregou por mim’ (Gl 2, 20). Um diálogo coração a coração, de amigo a amigo. Por isso mesmo, é tão importante a oração no tempo quaresmal. Antes de ser um dever, esta expressa a necessidade de corresponder ao amor de Deus, que sempre nos precede e sustenta. De fato, o cristão reza ciente da sua indignidade de ser amado. A oração poderá assumir formas diferentes, mas o que conta verdadeiramente aos olhos de Deus é que ela escave dentro de nós, chegando a romper a dureza do nosso coração, para o converter cada vez mais a Ele e à sua vontade”.

E o Papa nos dá um conselho prático: “O diálogo que Deus quer estabelecer com cada homem, por meio do Mistério pascal do seu Filho, não é como o diálogo atribuído aos habitantes de Atenas, que ‘não passavam o tempo noutra coisa senão a dizer ou a escutar as últimas novidades’ (At 17, 21). Este tipo de conversa, ditado por uma curiosidade vazia e superficial, caracteriza o mundanismo de todos os tempos e, hoje em dia, pode insinuar-se também em um uso pervertido dos meios de comunicação”.

Dom Fernando Arêas Rifan
Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney

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Início da Quaresma na Paróquia Imaculado Coração de Maria, em Itapaci: “Convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15) https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/destaque/inicio-da-quaresma-na-paroquia-imaculado-coracao-de-maria-em-itapaci-convertei-vos-e-crede-no-evangelho-mc-115/ Sun, 01 Mar 2020 00:20:44 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=57889 No dia 26 teve início a Quaresma, tempo forte de conversão e penitência, e com ele foi aberto, como de costume da Campanha da Fraternidade, cujo tema neste ano é “Fraternidade e vida: dom e compromisso” e lema “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10, 33-34). Na Paróquia Imaculado Coração de Maria, em Itapaci (GO), a celebração foi presidida pelo vigário paroquial padre Marcelo Francisco. Em sua homilia, ele frisou a importância do perdão no dom de amar, “só  ama verdadeiramente quem consegue perdoar”, disse ele. Os fiéis receberam as cinzas como sinal da atitude de um coração penitente que cada batizado é convidado a assumir na caminhada quaresmal que se inicia.

Fonte: Pascom Paroquial

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Dom Armando Bucciol fala sobre o sentido e os tipos de jejum durante a quaresma https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/dom-armando-bucciol-fala-sobre-o-sentido-e-os-tipos-de-jejum-durante-a-quaresma/ Fri, 22 Mar 2019 15:22:33 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=54356 O tempo da Quaresma proporciona uma preparação intensa, profunda e orante para a celebração da Páscoa. Nele, os cristãos são convidados a percorrer um itinerário espiritual com 40 dias, que vão da quarta-feira de Cinzas até o Domingo de Ramos. Dom Armando Bucciol, presidente da Comissão para a Liturgia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) afirma que a liturgia propõe, especialmente na quarta-feira de cinzas, a escuta do Evangelho de Mateus. Nele, o bispo explica que Jesus, por três vezes, repete: “Não sejais como os hipócritas”.

Nesta parte, dom Armando diz que Jesus é muito duro para com os que disfarçam comportamentos religiosos de forma ‘narcisista’, só para ‘mostrar a cara’. “Seus discípulos devem agir diferente, olhar somente para Deus e não importar do juízo dos homens; se não, ‘já receberam a sua recompensa”, afirma o bispo.

A igreja, fiel a esta tradição bíblica e ao exemplo de Jesus, propõe aos seus fiéis a prática do jejum, sobretudo na quaresma. Mas, em que consiste? Como praticá-lo hoje? Para compreender melhor, dom Armando afirma que é preciso recordar o que escreve o apóstolo Paulo aos Filipenses (3,18-19): “Há muitos que se comportam como inimigos da cruz de Cristo. O fim deles é a perdição, o deus deles é o estômago… só pensam em coisas terrenas”.

Segundo dom Armando, ninguém nega o prazer de uma boa comida, pois precisa do alimento para viver. Então, questionado sobre o sentido do jejum, ele diz que pensa, antes de tudo, que é para estar na vida de uma maneira diferente. “A palavra sobriedade expressa o modo melhor no uso das ‘coisas’ desse mundo. Viver com sábia sobriedade, valendo-se do que a vida oferece sem se deixar amarrar o coração”, diz.

O bispo alega que o desejo descontrolado pode levar aos excessos que estragam a procura do que mais faz crescer a humanidade. “Sem essa atitude interior, poderíamos nos perder, destruídos pelas paixões que fazem guerra ao nosso espírito”, salienta.

Hoje, bombardeados por mil mensagens muito chamativas, dom Armando afirma que é preciso abrir novos horizontes ao jejum, e de maneira mais exigente. “Trata-se de controlar os instintos mais destruidores e viver numa sábia sobriedade em todas as dimensões do ser humano”, argumenta.

Em tempos de uso (e abuso) das palavras, das redes sociais, das relações humanas cotidianas, dom Armando reitera que a renúncia na vida cristã visa não tanto o negativo, mas o positivo, isto é, o crescimento interior, a busca sincera do essencial, para acolher o projeto do Senhor que é não julgar, partilhar, ser solidário, doar, amar. “Seremos julgados não pelo jejum que fizemos, mas pela disponibilidade sincera e constante em ser pessoas que vivem relações humanas autênticas, com os outros e com Deus”, afirma o bispo.

Dom Armando recorda que Jesus jejuou por quarenta dias, no deserto, antes de iniciar sua missão. “Preparou-se, desse modo, ao anúncio do Reino que nele torna-se escolha e estilo de vida ao lado dos pobres, dos excluídos e marginalizados. Escolha que o Pai confirma e sustenta até à cruz. Nesse sentido, procuremos ser fieis às mensagens de vida nova propostas pela Palavra”, estimula.

Por fim, dom Armando explica que na quarta-feira de Cinzas, a oração depois da comunhão pede que “o jejum de hoje vos seja agradável e nos sirva de remédio”. A ideia é, de acordo com ele que o jejum ajude as pessoas a serem mais transparentes e livres daquela liberdade interior que permite colher e viver o que mais nos torna humanos, da mesma humanidade de Jesus, repleta de amor cativante. “Esse é o jejum que mais vale aos olhos do Senhor”, finaliza.

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Cardeal Tagle sobre generosidade na Quaresma: com o coração aberto https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/igreja-no-mundo/cardeal-tagle-sobre-generosidade-na-quaresma-com-o-coracao-aberto/ Fri, 22 Mar 2019 15:05:58 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=54353 “A prática de dar esmola nos ajuda a crescer na caridade e na generosidade. Além disso, nos ajuda a reconhecer o Senhor Jesus nos pobres e nos necessitados. É um percurso que pode levar à conversão: aproximando-nos dos nossos irmãos e irmãs, aproximamo-nos de Deus mesmo”, afirma o purpurado em Carta pastoral.

O arcebispo de Manila, nas Filipinas, e presidente da Caritas Internacional, cardeal Luis Antonio Tagle, lança um apelo aos fiéis do país do sudeste asiático a ser mais generosos e disponíveis neste período da Quaresma.

Na Carta pastoral para este período litúrgico, ao ressaltar que a “Quaresma é um momento especial para a renovação e a conversão, um tempo para voltar-se para Deus”, o purpurado exorta os fiéis filipinos a “apoiar o esforço humanitário de ‘Alay Kapwa’, programa anual de evangelização e coleta de fundos que há décadas a arquidiocese dedica aos mais necessitados, sobretudo após as calamidades naturais.

Reconhecer o Senhor Jesus nos pobres e necessitados
“A prática de dar esmola nos ajuda a crescer na caridade e na generosidade. Além disso, nos ajuda a reconhecer o Senhor Jesus nos pobres e nos necessitados. É um percurso que pode levar à conversão: aproximando-nos dos nossos irmãos e irmãs, aproximamo-nos de Deus mesmo”, afirma o purpurado na Carta pastoral.

As Filipinas são um dos países mas atingidos por catástrofes naturais. De fato, todos os anos ventos violentos e furacões se abatem sobre a nação. Através da Caritas Damayan, a Caritas de Manila responde às crises provocadas pelas calamidades.

Na Quaresma, fiéis convidados a participar de segunda coleta
As ofertas coletadas por “Alay Kapwa” durante a Quaresma serão utilizadas como fundo de emergência após desastres causados por furacões, inundações, incêndios, terremotos e outras tragédias, e nos programas de prevenção e atenuação das catástrofes.

Em todas as paróquias de Manila e para todos os seis domingo da Quaresma (de 10 de março a 14 de abril), durante as missas, a Igreja católica encoraja os fiéis a participar de um segunda coleta.

“Os fundos coletados serão destinados à Caritas Manila para nosso programa Damayan. No ano passado a Caritas Damayan ajudou as vítimas dos furacões Agaton, Josie e Ompong”, bem como os atingidos por incêndios provocados por curto-circuito na capital metropolitana, explica o arcebispo de Manila.

“Ajudamos Marawi a reerguer-se, demos assistência aos nativos lumad de Tandang e às famílias atingidas pela erupção do monte Mayon. O número cada vez maior e destrutivo de catástrofes e calamidades aos quais a Caritas Damayan responde faz de modo que os fundos ‘Alay Kapwa’ durem pouco. Esperamos poder ser mais generosos em nossos óbolos nestes tempo da Quaresma”, conclui o cardeal Tagle.

(L’Osservatore Romano)

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Quaresma: 40 dias de caminho para a Páscoa https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/quaresma-40-dias-de-caminho-para-a-pascoa/ Wed, 06 Mar 2019 00:14:55 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=54155 Nesta Quarta-feira de Cinzas, 6 de março, tem início a Quaresma. Trata-se de um tempo forte da Igreja em que somos todos chamados à conversão, conforme nos exorta o Evangelho: “Convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1, 15). A partir disso é necessário renovar a fé na morte, paixão e ressurreição de Cristo e assumir a identidade e compromisso no itinerário quaresmal, que se estende até a Quinta-feira Santa, 18 de abril.

Nesta Quarta-feira (6), além da simbologia de receber as cinzas, somos convidados também a reconhecer nossa própria fragilidade e mortalidade, pois “do pó vieste e ao pó voltarás” (Gn 3, 19). Neste tempo cada um deve admitir que por meio da misericórdia e do amor divino se encontra o sentido da própria existência.

O papa Francisco divulgou a Mensagem para a Quaresma 2019, no dia 26 de fevereiro, com o título “A criação encontra-se em expectativa ansiosa, aguardando a revelação dos filhos de Deus”, extraído de Romanos 8,19. No texto, o Pontífice oferece algumas propostas de reflexão para acompanharem o caminho de conversão nesta Quaresma. Em um trecho da mensagem, Francisco destaca: “Como sabemos, a causa de todo o mal é o pecado, que, desde a sua aparição no meio dos homens, interrompeu a comunhão com Deus, com os outros e com a criação, à qual nos encontramos ligados antes de mais nada através do nosso corpo. Rompendo-se a comunhão com Deus, acabou por falir também a relação harmoniosa dos seres humanos com o meio ambiente, onde estão chamados a viver, a ponto de o jardim se transformar num deserto” (cf. Gn 3, 17-18).

É no silêncio que devemos rever nossa própria vida, a fim de uma mudança e da conversão em direção a um caminho determinado que é Deus

A Quaresma é marcada por alguns aspectos como a cor litúrgica utilizada – o roxo, que simboliza a penitência. Além disso, nas missas há a ausência do Aleluia e do Glória; a ornamentação e as músicas são mais sóbrias e as imagens são cobertas em grande parte das igrejas. Embora para muitos esses aspectos apresentem um período de tristeza, esse tempo quaresmal não é de isolamento, mas de recolhimento. É no silêncio que devemos rever nossa própria vida, a fim de uma mudança e da conversão em direção a um caminho determinado que é Deus.

Fraternidade e penitência são também fundamentais para a vivência neste tempo quaresmal. Os dois devem ser praticados diante de Deus e do próximo, pois nossa relação com o próximo, muitas vezes, reflete nossa relação com Deus. A Quaresma é portanto, “o tempo propício para abrir a porta a cada necessitado e nele reconhecer o rosto de Cristo”, conforme mensagem do papa Francisco para a Quaresma no ano de 2017. É justamente por isso que a Igreja indica intensificar as obras de misericórdia, físicas e espirituais. Já a sobriedade que devemos assumir neste tempo é para propiciar o encontro. É importante, porém, que as práticas adotadas são para a conversão permanente e não podem ficar na superficialidade ou servir para autopromoção.

Simbolismo e práticas penitenciais
Na Quaresma, o número 40 é simbólico e recorda passagens importantes da Sagrada Escritura, como os 40 anos de peregrinação do povo judeu pelo deserto, os 40 dias que passou Moisés nas montanhas, os 40 dias de caminhada de Elias e ainda os 40 dias que Jesus jejuou no deserto.

Durante a Quaresma somos todos convidados às práticas penitenciais, para viver de forma mais intensa esse tempo.

Jejum: abster-se de necessidades terrenas, a fim de descobrir necessidades espirituais; livrar-nos daquilo que nos impede de alcançar a graça do Senhor.

Oração: Dedicar mais tempo à oração; ter disposição para a misericórdia de Deus.

Esmola: é o amor que se faz partilha e doação.

Na Mensagem para a Quaresma deste ano, o papa Francisco explica o sentido das práticas penitenciais. “Jejuar, isto é, aprender a modificar a nossa atitude para com os outros e as criaturas: passar da tentação de «devorar» tudo para satisfazer a nossa voracidade, à capacidade de sofrer por amor, que pode preencher o vazio do nosso coração. Orar, para saber renunciar à idolatria e à autossuficiência do nosso eu, e nos declararmos necessitados do Senhor e da sua misericórdia. Dar esmola, para sair da insensatez de viver e acumular tudo para nós mesmos, com a ilusão de assegurarmos um futuro que não nos pertence. E, assim, reencontrar a alegria do projeto que Deus colocou na criação e no nosso coração: o projeto de amá-Lo a Ele, aos nossos irmãos e ao mundo inteiro, encontrando neste amor a verdadeira felicidade”.

É fundamental ressaltar, no entanto, que a base de todas as práticas penitenciais e luz do caminho quaresmal é a Palavra de Deus. “Palavra é dom”, diz o papa Francisco, pois Deus no fala por meio dela. A Lectio Divina (Leitura Orante da Palavra de Deus) é um convite constante da Igreja, e é indicada inclusive para a prática diária. Precisamos compreender a centralidade da Palavra para o aprofundamento espiritual e por ser a Quaresma tempo forte e propício à conversão. É o momento também de propor encontros para a vivência comunitária da fé.

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Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2019 https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/igreja-no-mundo/mensagem-do-papa-francisco-para-a-quaresma-2019/ Tue, 05 Mar 2019 14:52:45 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=54150 «A criação encontra-se em expectativa ansiosa,
aguardando a revelação dos filhos de Deus» (Rm 8, 19)

Queridos irmãos e irmãs!

Todos os anos, por meio da Mãe Igreja, Deus «concede aos seus fiéis a graça de se prepararem, na alegria do coração purificado, para celebrar as festas pascais, a fim de que (…), participando nos mistérios da renovação cristã, alcancem a plenitude da filiação divina» (Prefácio I da Quaresma). Assim, de Páscoa em Páscoa, podemos caminhar para a realização da salvação que já recebemos, graças ao mistério pascal de Cristo: «De fato, foi na esperança que fomos salvos» (Rm 8, 24). Este mistério de salvação, já operante em nós durante a vida terrena, é um processo dinâmico que abrange também a história e toda a criação. São Paulo chega a dizer: «Até a criação se encontra em expectativa ansiosa, aguardando a revelação dos filhos de Deus» (Rm 8, 19). Nesta perspectiva, gostaria de oferecer algumas propostas de reflexão, que acompanhem o nosso caminho de conversão na próxima Quaresma.

1. A redenção da criação

A celebração do Tríduo Pascal da paixão, morte e ressurreição de Cristo, ponto culminante do Ano Litúrgico, sempre nos chama a viver um itinerário de preparação, cientes de que tornar-nos semelhantes a Cristo (cf. Rm 8, 29) é um dom inestimável da misericórdia de Deus.

Se o homem vive como filho de Deus, se vive como pessoa redimida, que se deixa guiar pelo Espírito Santo (cf. Rm 8, 14), e sabe reconhecer e praticar a lei de Deus, a começar pela lei gravada no seu coração e na natureza, beneficia também a criação, cooperando para a sua redenção. Por isso, a criação – diz São Paulo – deseja de modo intensíssimo que se manifestem os filhos de Deus, isto é, que a vida daqueles que gozam da graça do mistério pascal de Jesus se cubra plenamente dos seus frutos, destinados a alcançar o seu completo amadurecimento na redenção do próprio corpo humano. Quando a caridade de Cristo transfigura a vida dos santos – espírito, alma e corpo –, estes rendem louvor a Deus e, com a oração, a contemplação e a arte, envolvem nisto também as criaturas, como demonstra admiravelmente o «Cântico do irmão sol», de São Francisco de Assis (cf. Encíclica Laudato si’, 87). Neste mundo, porém, a harmonia gerada pela redenção continua ainda – e sempre estará – ameaçada pela força negativa do pecado e da morte.

2. A força destruidora do pecado

Com efeito, quando não vivemos como filhos de Deus, muitas vezes adotamos comportamentos destruidores do próximo e das outras criaturas – mas também de nós próprios –, considerando, de forma mais ou menos consciente, que podemos usá-los como bem nos apraz. Então sobrepõe-se a intemperança, levando a um estilo de vida que viola os limites que a nossa condição humana e a natureza nos pedem para respeitar, seguindo aqueles desejos incontrolados que, no livro da Sabedoria, se atribuem aos ímpios, ou seja, a quantos não têm Deus como ponto de referência das suas ações, nem uma esperança para o futuro (cf. 2, 1-11). Se não estivermos voltados continuamente para a Páscoa, para o horizonte da Ressurreição, é claro que acaba por se impor a lógica do tudo e imediatamente, do possuir cada vez mais.

Como sabemos, a causa de todo o mal é o pecado, que, desde a sua aparição no meio dos homens, interrompeu a comunhão com Deus, com os outros e com a criação, à qual nos encontramos ligados antes de mais nada através do nosso corpo. Rompendo-se a comunhão com Deus, acabou por falir também a relação harmoniosa dos seres humanos com o meio ambiente, onde estão chamados a viver, a ponto de o jardim se transformar num deserto (cf. Gn 3, 17-18). Trata-se daquele pecado que leva o homem a considerar-se como deus da criação, a sentir-se o seu senhor absoluto e a usá-la, não para o fim querido pelo Criador, mas para interesse próprio em detrimento das criaturas e dos outros.

Quando se abandona a lei de Deus, a lei do amor, acaba por se afirmar a lei do mais forte sobre o mais fraco. O pecado – que habita no coração do homem (cf. Mc 7, 20-23), manifestando-se como avidez, ambição desmedida de bem-estar, desinteresse pelo bem dos outros e muitas vezes também do próprio – leva à exploração da criação (pessoas e meio ambiente), movidos por aquela ganância insaciável que considera todo o desejo um direito e que, mais cedo ou mais tarde, acabará por destruir inclusive quem está dominado por ela.

3. A força sanadora do arrependimento e do perdão

Por isso, a criação tem impelente necessidade que se revelem os filhos de Deus, aqueles que se tornaram «nova criação»: «Se alguém está em Cristo, é uma nova criação. O que era antigo passou; eis que surgiram coisas novas» (2 Cor 5, 17). Com efeito, com a sua manifestação, a própria criação pode também «fazer páscoa»: abrir-se para o novo céu e a nova terra (cf. Ap 21, 1). E o caminho rumo à Páscoa chama-nos precisamente a restaurar a nossa fisionomia e o nosso coração de cristãos, através do arrependimento, a conversão e o perdão, para podermos viver toda a riqueza da graça do mistério pascal.

Esta «impaciência», esta expectativa da criação ver-se-á satisfeita quando se manifestarem os filhos de Deus, isto é, quando os cristãos e todos os homens entrarem decididamente neste «parto» que é a conversão. Juntamente conosco, toda a criação é chamada a sair «da escravidão da corrupção, para alcançar a liberdade na glória dos filhos de Deus» (Rm 8, 21). A Quaresma é sinal sacramental desta conversão. Ela chama os cristãos a encarnarem, de forma mais intensa e concreta, o mistério pascal na sua vida pessoal, familiar e social, particularmente através do jejum, da oração e da esmola.

Jejuar, isto é, aprender a modificar a nossa atitude para com os outros e as criaturas: passar da tentação de «devorar» tudo para satisfazer a nossa voracidade, à capacidade de sofrer por amor, que pode preencher o vazio do nosso coração. Orar, para saber renunciar à idolatria e à autossuficiência do nosso eu, e nos declararmos necessitados do Senhor e da sua misericórdia. Dar esmola, para sair da insensatez de viver e acumular tudo para nós mesmos, com a ilusão de assegurarmos um futuro que não nos pertence. E, assim, reencontrar a alegria do projeto que Deus colocou na criação e no nosso coração: o projeto de amá-Lo a Ele, aos nossos irmãos e ao mundo inteiro, encontrando neste amor a verdadeira felicidade.

Queridos irmãos e irmãs, a «quaresma» do Filho de Deus consistiu em entrar no deserto da criação para fazê-la voltar a ser aquele jardim da comunhão com Deus que era antes do pecado das origens (cf. Mc 1,12-13; Is 51,3). Que a nossa Quaresma seja percorrer o mesmo caminho, para levar a esperança de Cristo também à criação, que «será libertada da escravidão da corrupção, para alcançar a liberdade na glória dos filhos de Deus» (Rm 8, 21). Não deixemos que passe em vão este tempo favorável! Peçamos a Deus que nos ajude a realizar um caminho de verdadeira conversão. Abandonemos o egoísmo, o olhar fixo em nós mesmos, e voltemo-nos para a Páscoa de Jesus; façamo-nos próximo dos irmãos e irmãs em dificuldade, partilhando com eles os nossos bens espirituais e materiais. Assim, acolhendo na nossa vida concreta a vitória de Cristo sobre o pecado e a morte, atrairemos também sobre a criação a sua força transformadora.

Vaticano, Festa de São Francisco de Assis, 4 de outubro de 2018.

Francisco

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