protestantismo - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br Site oficial da Diocese de Uruaçu - GO Sat, 28 Sep 2024 04:08:50 +0000 pt-BR hourly 1 https://old.diocesedeuruacu.com.br/wp-content/uploads/2018/12/cropped-favicon-32x32.png protestantismo - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br 32 32 170539269 Padre Cantalamessa: V pregação da Quaresma https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/padre-cantalamessa-v-pregacao-da-quaresma/ Fri, 07 Apr 2017 12:24:24 +0000 http://teste.toqueto.com/padre-cantalamessa-v-pregacao-da-quaresma.html Frei Raniero Cantalamessa, Pregador oficial da Casa Pontifícia, fez, na manhã desta sexta-feira, (07) na Capela Redemptoris Mater, no Vaticano, a sua quinta e última pregação de Quaresma 2017. “Manifestou-se a Justiça de Deus” – Como fazer do V centenário da Reforma protestante uma ocasião de graça e de reconciliação para toda a Igreja, foi o tema da meditação da qual participou o Papa Francisco e membro da Cúria.

O Espírito Santo que – vimos nas meditações anteriores – nos insere na plena verdade da pessoa de Cristo e no seu mistério pascal, nos ilumina também sobre um aspecto crucial da nossa fé em Cristo, ou seja, sobre a maneira pela qual a salvação alcançada por ele chega a nós hoje na Igreja. Em outras palavras, sobre o grande problema da justificação do homem pecador por meio da fé. Acredito – disse o pregador – que tentar lançar luz sobre a história e sobre o estado atual deste debate seja a melhor forma para fazer do acontecimento do V centenário da Reforma protestante uma ocasião de graça e de reconciliação para toda a Igreja.

Ainda hoje, na pessoa religiosa mediana, em certos países do Norte da Europa, tal doutrina é o divisor de águas entre catolicismo e protestantismo. Eu mesmo ouvi de vários fieis leigos luteranos a pergunta: “Você crê na justificação pela fé?”, como a condição para poder ouvir aquilo que eu dizia. Esta doutrina é definida pelos próprios iniciadores da Reforma “o artigo com o qual a Igreja está em pé ou cai”.

É importante recordar que a tese da justificação pela fé e não pelas obras, não foi o resultado da polêmica com a Igreja da época, mas a sua causa. Foi uma verdadeira iluminação do alto, uma “experiência Erlebnis, tal como foi definida por ele próprio.

Então, a Reforma Protestante foi um caso de “muito barulho por nada”? Fruto de um equívoco? Devemos responder com firmeza: não! As revoluções, no entanto, não surgem pelas ideias ou pelas teorias abstratas, mas por situações históricas concretas, e a situação da Igreja, há tempo, não refletia realmente aquelas convicções. A vida, a catequese, a piedade cristã, a direção espiritual, por não falar depois da pregação popular: tudo parecia afirmar o contrário, ou seja, que o que conta são as obras, o esforço humano.

Depois que o cristianismo se tornou religião do Estado, a fé era absorvida naturalmente através da família, da escola, da sociedade. Não era tão importante insistir no momento em que se chega à fé e na decisão pessoal com a qual se torna crentes, mas insistir nas exigências práticas da fé, em outras palavras, na moral, nos costumes.

A doutrina da justificação gratuita pela fé  – disse Frei Cantalamessa – não é uma invenção do Apóstolo Paulo, mas a mensagem central do Evangelho de Cristo, independente da forma que tenha sido conhecida pelo Apóstolo: se por revelação direta do ressuscitado, ou pela “tradição”, que ele diz ter recebido e que não era certamente limitada às poucas palavras do kerygma. Se não fosse assim, teriam razão aqueles que dizem que Paulo, não Jesus, é o verdadeiro fundador do cristianismo.

O núcleo da doutrina está contido já na palavra “Evangelho”, boa notícia, que Paulo com certeza não inventou do nada.

Falando ainda Reforma, o pregador disse que é vital que o centenário da Reforma não seja desperdiçado permanecendo prisioneiros do passado, procurando ver quem errou ou quem tem razão, talvez em um tom mais conciliador do que no passado. Devemos, pelo contrário, dar um passo à frente, como quando um rio chega a um estreitamente de leito e retoma o seu curso em um nível mais alto.

A situação mudou desde então. Os problemas que causaram a separação entre a Igreja de Roma e a Reforma foram particularmente as indulgências e o modo como ocorre a justificação do ímpio. Mas podemos dizer que estes são os problemas que levantam ou derrubam a fé do homem de hoje? Em uma ocasião recordo que o cardeal Kasper fez esta observação: para Lutero o problema existencial número um era como superar o sentido de culpa e obter um Deus benevolente; hoje o problema é exatamente o oposto: como dar novamente ao homem o sentido do pecado que desapareceu totalmente.

A justificação gratuita por meio da fé em Cristo deveria ser pregada hoje por toda a Igreja e com mais vigor do que nunca. Não, no entanto, em oposição às “obras” mencionadas no Novo Testamento, mas em contraste com a pretensão do homem pós-moderno de salvar-se sozinho com a sua ciência e tecnologia ou com espiritualidades improvisadas e tranquilizantes. Estas são as “obras” em que o homem moderno confia. Estou convencido de que, se Lutero voltasse à vida, esta seria a maneira pela qual ele também pregaria hoje a justificação pela fé.

Outra coisa importante devemos aprender todos, luteranos e católicos, do iniciador da Reforma. Para ele a justificação gratuita pela fé era acima de tudo uma experiência vivida e só mais tarde teorizada.

Nunca devemos perder de vista o ponto principal da mensagem paulina. Aquilo que o Apóstolo quer por acima de tudo afirmar em Romanos 3 não é que somos justificados pela fé , mas que somos justificados pela fé em Cristo; não é tanto que somos justificados pela graça, mas que somos justificados pela graça de Cristo. É Cristo o coração da mensagem, antes mesmo que a graça e a fé. É ele, hoje, o artigo com o qual a Igreja está em pé ou cai: uma pessoa, não uma doutrina.

Por Rádio Vaticano

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Encontro no Vaticano: perspectiva histórica da Reforma e Lutero https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/encontro-no-vaticano-perspectiva-historica-da-reforma-e-lutero/ Fri, 24 Mar 2017 10:27:33 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=45094 O Papa Francisco quer “reabilitar” a figura de Lutero? “Não sei. Sei porém que Lutero foi percebido nos séculos do passado como a encarnação do diabo, aquele que rompeu a comunhão e assim por diante. Hoje não se trata de dizer que aquilo que fez Lutero tenha sido uma coisa boa, porém, podemos explicar os acontecimentos que levaram à Reforma e os desdobramentos que se seguiram”.

Assim o Presidente do Pontifício Comitê das Ciências Históricas, Padre Bernard Ardura, ao apresentar o Simpósio Internacional de Estudos “Lutero 500 anos depois. Uma releitura da Reforma luterana em seu contexto histórico eclesial”,  a ter lugar no Instituto de Maria SS.ma Bambina, em Roma, de 29 a 31 de março próximo.

Para ele, as polêmicas e “interpretações pessoais” vieram mais tarde, mas o que interessa é “a busca da verdade” de um contexto histórico, econômico e político, que motivou uma reforma inicialmente marcada por “boas intenções”, mas que acabou provocando uma “ruptura” que durou cinco séculos e ainda hoje apresenta-se como “uma ferida aberta”.

Releitura histórica e eclesial

Trata-se de “uma releitura histórica e eclesial dos acontecimentos que levaram à reforma dentro da Igreja. Isto é, ver qual é o contexto histórico e eclesial em que viveu Lutero, pois sem este conhecimento não se pode entender o que aconteceu sucessivamente em todo o continente europeu”, explica o Presidente do Pontifício Comitê, no encontro realizado na Sala de Imprensa da Santa Sé.

Um evento, portanto, que pretende “abrir perspectivas” e esclarecer alguns aspectos que até agora permanecem obscuros. Como por exemplo, o fato de que Lutero “não chega em uma Igreja a ser completamente transformada, mas em uma Igreja que já desde o final do século XV conhece elementos de reforma, não somente do ponto de vista teológico: havia, para exemplificar, reformas dentro das Ordens religiosas, na Inglaterra, na Boêmia, na Itália, na Espanha”, onde estava em curso a obra do Cardeal Francisco Jimenez de Cisneros, que de qualquer forma, acabou antecipando a contra-Reforma.

A crise do homem Lutero

O encontro em Roma será também a ocasião para indagar sobre “implicações psicológicas” do “drama” vivido pelo homem Lutero: um homem “pecador”. Portanto, aquela “crise pessoal, interior” que levou o monge alemão a romper com a vida religiosa e com aquela Igreja na qual havia se consagrado.

“Lutero também casou-se com uma religiosa. Tudo isto não pode acontecer, senão após uma crise profunda”, evidencia Ardura. “São elementos que devemos levar em consideração, porque deram início à reforma que encontrou o seu ponto de difusão entre os principados europeus” e também porque sua história pessoal “tornou-se, de uma forma ou outra, um modelo que forjou a cultura protestante que se vê, por exemplo, hoje nos Estados Unidos, onde os próprios católicos são um pouco contaminados por este modo de conceber a vida cristã, o pecado nas áreas da vida, da sexualidade…”.

Romper não era o objetivo

As intenções iniciais do teólogo, porém, não eram estas. A reforma era principalmente “interna”. “Lutero não queria a cisão”, assegura Padre Ardura. “No início ele queria fazer uma reforma dentro da Igreja, algo que sempre ocorreu no decorrer dos séculos. Ele cumpre um caminho espiritual. O ponto de partida, neste sentido, é bom. Depois, porém, houve pressões de todas as partes, elementos intervieram de fora – historiadores, políticos e empresários – que influenciaram a “involução” da própria reforma, desembocando posteriormente em uma ruptura”.

Ferida ainda aberta, mas mudou o olhar

A “ferida ainda está aberta”, afirma Padre Ardura, mas “o olhar não é mais o mesmo”. “Temos um olhar de caridade, uma olhar recíproco, que vê no outro alguém que tem boa vontade e que procura responder à sua profissão de fé”.

 Chegou-se a este resultado certamente graças ao impulso ecumênico do pontificado de Bergoglio, mas o caminho iniciou bem antes: “Os resultados que vemos hoje são o fruto de um processo iniciado já com João XXIII, primeiro Papa da história recente a querer dar estes passos. Recordemos o seu encontro com o Primaz anglicano. Não se fala ainda de unidade ou comunhão, mas se inicia a ver o outro como um irmão. E este é o ponto de partida, um bom ponto de partida”.

Dar passos e aprofundar releituras

O Presidente do Pontifício Comitê das Ciências Históricas também recorda os passos dados com as Igrejas “irmãs” Ortodoxas, enquanto nas costas dos católicos e protestantes “existem cinco séculos de separações, durante os quais as duas Igrejas se desenvolveram seguindo dois caminhos diferentes. Isto deve ser levado em consideração. Quinhentos anos de afastamento não podem ser resolvidos em poucos anos”. Porém podem ser dados passos e serem aprofundadas “as releituras que permitem redescobrir que houve mal-entendidos”.

Ecumenismo cotidiano

Essencial, em tal contexto, é “o diálogo entre teólogos”, que porém é diferente “do ecumenismo da vida cotidiana: aquele vivido por tantas comunidades. Temos por exemplo, em Moscou, um centro cultural criado pela Igreja Católica no qual os trabalhadores são quase todos ortodoxos; um local de encontro em que não se fala de teologia, mas se pratica ecumenismo no respeito de um pelo outro. Mesmo nós, não fazemos ecumenismo, porém com os historiadores, os teólogos que pertencem a diversas Igrejas, podemos fazer um pouco do caminhos juntos. Fazer uma história absolutamente neutra me parece difícil, mas é necessário fazer uma história honesta, alicerçada em documentos. E isto é importante”.

 E ajuda também a prudência em manter sob controle as “interpretações pessoais”, um outro modo para definir as críticas. Como aquelas dirigidas ao Pontífice pela sua viagem a Lund, Suécia, em novembro de 2016, ou aquelas contra o Patriarca de Moscou Alexis II, que durante uma viagem à França havia celebrado as Vésperas ecumênicas na Catedral de Notre Dame e recitado o Pai Nosso com os anglicanos. “Alguns bispos russos haviam pedido a deposição do Patriarca porque para eles era uma heresia”, conta Padre Ardura. “Não devemos nos deixar levar pelas interpretações. Certamente devemos ser prudentes nas nossas palavras e permanecer sempre fieis à própria fé. Abrir-se é um risco, mas acredito que valha a pena sermos corajosos”.

Por Rádio Vaticano

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