pós-verdade - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br Site oficial da Diocese de Uruaçu - GO Thu, 22 Feb 2018 10:23:24 +0000 pt-BR hourly 1 https://old.diocesedeuruacu.com.br/wp-content/uploads/2018/12/cropped-favicon-32x32.png pós-verdade - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br 32 32 170539269 Testemunha da Verdade que liberta https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/testemunha-da-verdade-que-liberta/ Thu, 22 Feb 2018 10:23:24 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=50927 No dia 22 de fevereiro a Igreja celebra a Festa da Cátedra de Pedro, lembrando a função magisterial do Papa de ser um guardião e testemunha da mensagem de Cristo. Jesus, diante de Pilatos, afirmara que tinha vindo ao mundo para dar testemunho da Verdade e quem a buscasse com sinceridade a encontraria. Estamos vivendo numa cultura que, entre outras coisas, se pode denominar de sociedade da “pós-verdade”, ou o que o Papa Bento XVI chamava de Ditadura do Relativismo.

Numa época em que tudo se esboroa e se torna liquido e efêmero, entendemos a expressão e o nome conferido a Cefas por Jesus, Pedro, que significa Rocha, sobre a qual se edificaria a Igreja que é como a considera São Paulo “Coluna da Verdade”. A pós- modernidade é avessa ao que se conceitua de megarelatos, grandes cosmovisões, deixando que cada um viva de acordo à suas intuições, pensamento débil e gelatinoso que desconstrói convicções morais, compromissos vocacionais e projetos de vida.

A Boa Nova do Evangelho, entre outras coisas, exige a libertação das mentiras, das ideologias anti-humanas e idolátricas que oprimem as pessoas e ter alguém que, em nome de Cristo, nos anuncia de forma confiável e firme a certeza da fé. O ministério petrino será sempre uma luz para iluminar a cidade humana, a aventura e a procura do esplendor da verdade, pois só ela sacia nossa mente e tranquiliza nosso espírito.

A Paz é também fruto da Verdade sobre Deus, o homem e a própria Igreja, e defendê-la, como frisava o pensador latino-americano Methol Ferré, é importar-se com os pobres, pois o relativismo constitui a outra faceta da cultura da morte, que desconhece os valores e direitos humanos. Por isso, o magistério do Papa, hoje Francisco, longe de ser um engessamento e uma limitação a liberdade, é uma janela ao transcendente, uma ponte para Cristo, uma voz ao serviço da verdadeira liberdade e da nobreza e dignidade da pessoa humana.

Vida longa ao Papa Francisco, para que possa ser entre nós, e no meio da Humanidade que caminha na história, a testemunha fiel, o homem do diálogo, a presença amorosa da Verdade, do Deus cujo nome é misericórdia. Deus seja louvado!

Por Dom Roberto Francisco Ferreria – Paz Bispo de Campos (RJ)

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Viver na era da pós-verdade https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/viver-na-era-da-pos-verdade/ Tue, 24 Jan 2017 09:38:37 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=44005 Anualmente, a Universidade de Oxford elege uma palavra que defina aquele ano. No final de 2016, o termo escolhido foi “pós-verdade” (“post-truth”), empregado já em 1992 pelo dramaturgo sérvio-americano Steve Tesich. Nem o Aurélio, o Houaiss ou o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, da Academia Brasileira de Letras, registra essa palavra. Por ela procuram-se definir circunstâncias nas quais os fatos objetivos têm pouca importância. O que vale são os apelos à emoção e a crenças pessoais. A verdade como tal estaria, pois, perdendo sua importância; o fato torna-se secundário; importante são as reações – isto é, como o fato é recebido e que emoções ele desperta.

É grave uma situação em que se deixa de levar em conta a distinção entre o certo e o errado, o bom e o mau, o justo e injusto, os fatos e as versões, a verdade e a mentira. Entra-se, então, numa era em que predominam as avaliações fluidas, as terminologias vagas ou os juízos baseados mais em sensações do que em evidências. Passa a ser verdade aquilo de que gostamos, que escolhemos e difundimos, torcendo para que tenha a maior repercussão possível.  

O que muito contribui para o avanço daquilo que a palavra “pós-verdade” representa são as novas tecnologias de informação e comunicação. Tudo é imediatamente transmitido, repartido e globalizado. Não há mais tempo para se checar se o que recebemos é verdadeiro; o importante é que seja o quanto antes partilhado e multiplicado. Mentiras são construídas de forma sofisticada, com ares de verdade, e são difundidas por um exército de simpatizantes. Com isso, o bom nome de muitos é destruído de forma rápida e cruel – pior, a difamação é envolvida por um ódio que assusta. Voltaire entendia disso: “Menti, menti, que alguma coisa permanecerá!”. Goebbels, chefe da propaganda nazista, dizia algo semelhante: “Uma mentira repetida mil vezes vira verdade”. Não é segredo para ninguém que as redes sociais são um campo aberto e fértil para a difusão de histórias e “fatos” que não precisam ser comprovados; basta que sejam bem apresentados.

Tendo ouvido Jesus lhe afirmar “Eu nasci e vim ao mundo para isto: para dar testemunho da verdade; todo aquele que é da verdade escuta a minha voz” (Jo 18,37-38), Pilatos lhe perguntou: “O que é a verdade?”. Mas o governador romano não estava interessado na resposta; tanto assim que, feita a pergunta, afastou-se. Venceu a mentira e um inocente foi condenado.

Pode-se aplicar à palavra “verdade” o que Cecília Meireles aplica à palavra “liberdade”: “não há ninguém que a explique e ninguém que não a entenda”. O mundo precisa de pessoas que sejam verdadeiras no agir e no falar – inclusive, e principalmente, no uso das redes sociais.

Por Dom Murilo S.R. Krieger – Arcebispo de São Salvador da Bahia e Primaz do Brasil

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