Política - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br Site oficial da Diocese de Uruaçu - GO Sat, 28 Sep 2024 04:07:55 +0000 pt-BR hourly 1 https://old.diocesedeuruacu.com.br/wp-content/uploads/2018/12/cropped-favicon-32x32.png Política - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br 32 32 170539269 Fragilidade no poder https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/fragilidade-no-poder/ Tue, 10 Apr 2018 03:20:33 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=51847 As reflexões sobre o poder são permeadas de argumentos e contestações, em um amplo percurso histórico-filosófico. Muitas disciplinas tratam desse tema, que reúne abrangente campo semântico. E os diferentes estudos sobre poder partilham a convicção de seu caráter determinante na dimensão existencial do ser humano – da configuração da cultura à forma como a sociedade lida com seus problemas. Por isso mesmo, a partir das importantes contribuições dos diferentes campos do saber, é preciso compreender melhor o poder, com seus desdobramentos políticos na história, e os interesses envolvidos no seu exercício. Perceber o modo como o poder é exercido pelo indivíduo e no âmbito institucional permite enxergar soluções para os desafios. Além das pertinentes análises teóricas, torna-se fundamental reconhecer uma inegável situação: a configuração do poder revela fragilidade em seu exercício.

O campo político restringiu toda essa realidade a um pífio desempenho na dinâmica partidária, o que compromete resultados e não gera a força necessária para as conquistas. Com frequência, pessoas “caem de paraquedas nas cadeiras do poder”. Os que se tornam “autoridade” não se dedicam a exercer adequadamente o papel de representantes do povo. Ao se definir nomes para as instâncias de decisão, invariavelmente os requisitos de caráter pessoal são desconsiderados. Na ocupação de cadeiras, lugares, distribuição de títulos, têm mais influência os interesses cartoriais. Consequentemente, torna-se difícil transformar sistemas organizacionais – de instituições, segmentos civis ou religiosos – e romper dinâmicas interesseiras, que não almejam o bem coletivo.

Há, pois, um vácuo entre o poder e a real atuação das autoridades, que se revela nos desempenhos medíocres. Essa mediocridade incide no exercício dos poderes constituídos e também no cotidiano de cidadãos comuns. Percebe-se que o poder aparece incontestavelmente fragilizado. Tudo em decorrência da falta de preparo profissional e humanístico, espiritual e cultural para o exercício da autoridade.

Prova dessa triste realidade é a corrupção que se mostra de diferentes modos no contexto social. Há uma dificuldade para tratar, de forma adequada, o bem comum. Falta envergadura para evitar assaltos aos cofres públicos e, ao mesmo tempo, convive-se com a incapacidade para inovar. Todos sofrem com as mais diversas consequências – déficits estruturais, equívocos na definição de prioridades e ausência de respostas capazes de alargar horizontes. Perdem as pessoas e as instituições que, deliberadamente, ou pela força dos medos e preconceitos, permanecem na rigidez, temendo o que é novo e diferente.

O exercício da autoridade deve incluir sobretudo o compromisso com a verdade, a competência e a disposição para promover os avanços culturais e as conquistas. Fundamental é vencer a incompetência, o autoritarismo, a rigidez, as obscuridades e tudo o que reveste o poder de fragilidades.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte

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A justiça é o instrumento para a construção da paz https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/a-justica-e-o-instrumento-para-a-construcao-da-paz/ Fri, 16 Feb 2018 14:27:05 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=50830 Não há paz sem justiça

Esta é uma verdade, que deve inspirar os horizontes do povo brasileiro, na construção de uma nova ordem social, econômica e política para se alcançar a paz: não há paz sem justiça. Sem esse entendimento, haverá um recrudescimento das diferentes formas de violência. A sociedade se transformará em um campo de guerras, de todo tipo, corroendo, cada vez mais, as riquezas do tecido cultural e histórico que caracterizam o país. A nova ordem a ser buscada, exige o fim da inaceitável situação de injustiça, que se escancara na forma de desigualdades sociais, se desdobrando em miséria, desemprego e indiferença com os que sofrem.

Conviver com a desigualdade social, e tantos outros males que são frutos da injustiça é, particularmente, vergonhoso para uma nação. Ainda mais quando se têm “recursos de sobra”, bem mais que o suficiente para edificar e manter uma sociedade justa. Diante de tantas possibilidades, percebe-se que a grave situação atual, de desigualdade, não é “obra do acaso”. As análises históricas mostram que é opção deliberada, emoldurada, pela incompetência de muitas pessoas. E o resultado é a injustiça que compromete a paz.

Ética

Assim, eis a tarefa ética que é da Igreja e de todos os que vivem os compromissos da fé: cada pessoa precisa guiar a própria vida a partir dos ensinamentos de Jesus Cristo, com a urgente e laboriosa missão de não omitir-se diante dos problemas sociopolíticos atuais. A desigualdade social e outros males, evidenciam a carência generalizada de iluminação ética. Por isso, muito além de interesses partidários e grupais, o que deve ser priorizada é a dimensão da ética e da moral. Cuide-se, assim, para que igrejas não se tornem instrumentos para ações de partidos políticos. Em vez disso, devem contribuir substantivamente para as indispensáveis transformações necessárias nesse momento.

A Igreja é desafiada, sempre à luz de princípios do Evangelho, a auxiliar os diferentes segmentos sociais na adoção de critérios mais consistentes na elaboração de planejamentos, iniciativas e reformas. Daí a necessidade de debates, reflexões, para qualificar projetos e possibilitar escolhas inteligentes, capazes de impulsionar a sociedade rumo a um futuro melhor. A história mostra que não é possível avançar quando se tem apenas propostas demagógicas, como tantas que já induziram a população a opções ruinosas. Por isso, temas de reconhecida importância para o país precisam ser debatidos, com abertura, para alcançar entendimentos, a partir da participação de todos.

Obra de justiça e de amor

Esse exigente e complexo processo requer um sentido pleno de justiça, alcançado a partir da conduta cidadã, que deve nortear cada pessoa, em todas as instâncias – de governos e parlamentos ao mundo empresarial, das instituições religiosas aos campos da cultura, arte, ciência e tecnologia. Afinal, em construção está a paz, que é tão preciosa para a sociedade. E essa construção é uma obra de justiça e de amor.

O compromisso com a justiça é o caminho que leva ao integral restabelecimento da ordem moral e social, tão ferida. Diz o profeta Isaías, apontando caminhos novos para o povo, que a paz é obra da justiça. E há de se reconhecer que a justiça é uma virtude moral, a garantia legal que vela sobre o respeito a direitos e deveres. Essa virtude é enfraquecida quando posturas ideológicas contaminam interpretações, pessoas passam a considerar somente o que interessa aos seus próprios grupos.

Por isso, importante e urgente é fazer com que a prática da justiça seja mais abrangente. Ultrapasse a dinâmica comum aos tribunais, para se tornar compromisso cotidiano de cada cidadão. Quando atitudes – simples ou com impacto mais amplo no contexto social – são pautadas pelos parâmetros da justiça, há uma efetiva contribuição para o restabelecimento da ordem social e política que equilibra as relações de um povo.

Investir em justiça

O brasileiro convive com uma lista enorme de metas e compromissos a serem efetivados. Entre as necessidades, está a urgente responsabilidade de debelar a miséria. Essa situação triste e tantas outras igualmente lamentáveis são produtos da injustiça, alimentada pela ganância sem limites e pela mesquinhez. Combater a pobreza é, pois, um compromisso determinante que precisa da força da justiça – capaz de equilibrar o exercício de direitos e deveres.

Somente a justiça, instrumento para a construção da paz, pode reconfigurar fundamentalmente as posturas que geram desequilíbrio social e submetem grande parte da população a agressões à sacralidade da vida humana. Assim, a inteligência normativa, que busca garantir o funcionamento justo da sociedade, precisa ser fecundada pela lucidez de princípios sólidos, não imediatistas e utilitaristas. Investir na justiça é imprescindível para a conquista da paz.

Por Dom Walmor Oliveira de Azevedo – Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte

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Papa aos líderes do G20: é preciso uma nova era de desenvolvimento https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/papa-aos-lideres-do-g20-e-preciso-uma-nova-era-de-desenvolvimento/ Fri, 07 Jul 2017 14:08:37 +0000 http://teste.toqueto.com/papa-aos-lideres-do-g20-e-preciso-uma-nova-era-de-desenvolvimento.html Uma nova era inovadora de desenvolvimento: este é o pedido do Papa Francisco aos líderes mundiais reunidos em Hamburgo, na Alemanha, para o G20.

A mensagem do Pontífice é endereçada à anfitriã do evento, a chanceler alemã Angela Merkel. O grupo das 20 maiores economias do mundo debate hoje e amanhã temas políticos, financeiros, sociais e ambientais.

Primeiramente, o Papa manifesta o seu apreço pelos esforços realizados para garantir a governabilidade e a estabilidade da economia mundial, com atenção especial a um crescimento mundial que seja inclusivo e sustentável. Esses esforços, recorda Francisco, são inseparáveis da atenção dirigida aos conflitos em andamento e ao problema mundial das migrações.

O Papa propõe aos líderes mundiais quatro princípios de ação para a construção de sociedades mais justas, contidas na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium: o tempo é superior ao espaço; a unidade prevalece sobre o conflito; a realidade é mais importante do que a ideia; e o todo é superior às partes.

O tempo é superior ao espaço

Analisando cada um dos princípios, Francisco afirma que a gravidade e a complexidade das problemáticas mundiais impedem soluções imediatas, e o drama das migrações – inseparável da pobreza e exacerbado pelas guerras – é uma prova disto. Todavia, é possível colocar em ação processos que sejam capazes de oferecer soluções progressivas e não traumáticas e conduzir, em tempos relativamente breves, a uma livre circulação e a uma estabilidade das pessoas que sejam vantajosas para todos.

Contudo, para Francisco, esta tensão entre espaço e tempo requer um movimento exatamente contrário na consciência dos governantes e poderosos. “Em seus corações e mentes, é necessário dar prioridade absoluta aos pobres, aos refugiados, aos deslocados e aos excluídos, sem distinção de nação, raça, religião ou cultura, e rejeitar os conflitos armados.”

O Papa faz então um premente apelo aos chefes de Estado e de governo do G20 e a toda a comunidade mundial pela trágica situação do Sudão do Sul, nos Grandes Lagos, Chade, Chifre da África e Iêmen, “onde 30 milhões de pessoas não têm alimento e água para sobreviver”.  

A unidade prevalece sobre o conflito

A história da humanidade, inclusive hoje, nos apresenta um vasto panorama de conflitos atuais ou potenciais. “Todavia, a guerra jamais é a solução”, acrescenta o Pontífice, afirmando se sentir na obrigação de pedir “ao mundo que ponha fim a inúteis massacres”.

Isso só será possível se todas as partes se empenharem em reduzir substancialmente os níveis de conflitualidade, deter a atual corrida armamentista e renunciar a se envolver direta ou indiretamente em conflitos. “É uma trágica contradição e incoerência a aparente unidade em fóruns econômicos e sociais e a persistência de conflitos bélicos”, constata o Papa.

A realidade é mais importante do que a ideia

Para Francisco, as trágicas ideologias da primeira metade do século XX foram substituídas por novas ideologias da autonomia absoluta dos mercados e da especulação financeira. Essas ideologias deixam um rastro de exclusão e de descarte, e inclusive de morte.  “Peço a Deus que a cúpula de Hamburgo seja iluminada pelo exemplo de líderes europeus e mundiais que privilegiaram o diálogo e a busca de soluções comuns.”

O todo é superior às partes

Essas soluções, prossegue o Pontífice, para serem duradouras devem ter uma visão ampla e considerar as repercussões em todos os países, não só nos que compõem o G20. Porque é justamente sobre as nações sem voz e seus habitantes que recaem os efeitos das crises econômicas. Para Francisco, é importante sempre fazer referência às Nações Unidas, às agências associadas e respeitar os tratados internacionais.

O Papa conclui invocando a bênção de Deus sobre o encontro de Hamburgo e sobre todos os esforços da comunidade internacional para ativar uma nova era de desenvolvimento inovadora, interconexa, sustentável, respeitosa do meio ambiente e inclusiva de todos os povos e de todas as pessoas.

A cúpula

Na véspera do encontro, em Hamburgo, houve protestos contra a reunião e muita violência entre a polícia alemã e black blocs. Quase 30 manifestantes foram presos e 111 policiais ficaram feridos. Mais manifestações estão previstas para esta sexta-feira.

O encontro mais esperado é o dos presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e Rússia, Vladimir Putin. O presidente do Brasil, Michel Temer, chegou a Hamburgo na madrugada desta sexta. Entre os principais temas em discussão, estão a luta ao terrorismo, o fenômeno migratório e a preservação do meio ambiente.

Por Rádio Vaticano

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A verdade vos libertará https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/a-verdade-vos-libertara/ Tue, 06 Jun 2017 07:54:16 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=46653 “Os acontecimentos não nos tornam piores: eles apenas mostram o que somos”. Lembrei-me desse pensamento, extraído do livro “Imitação de Cristo”, de Thomas de Kempis, escrito no séc. XV, ao refletir sobre o momento atual de nosso país.

Quem não tem ficado chocado com as notícias veiculadas a cada dia: desvio de dinheiro; contratos superfaturados; propinas; favores (ilícitos) mútuos; verbas que não chegam a seu destino?… A lista de crimes é enorme e mostra o tamanho da crise ética por que passa nosso país. Como chegamos a esse ponto?, perguntam alguns. Quem poderia imaginar uma situação como essa?, interrogam outros. A verdade não é agradável, mas é a verdade: a corrupção se tornou endêmica. Esse mal não é apenas fruto da ganância de um ou outro grupo; não está circunscrito a um ou outro setor. Parece tratar-se, sim, de um traço cultural de desprezo pelos princípios éticos, cuja prática se difundiu por toda parte.

Mas, e se essa rede de crimes não tivesse sido descoberta? Estaria tudo bem? Seria melhor para o país? Certamente, não. Comparo o momento que vivemos com o de uma pessoa que trabalha, faz planos e anda de um lado para outro, tranquila. Um dia, por um motivo qualquer, resolve fazer um check-up. Feitos os exames, uma descoberta: está com uma doença grave. Teria sentido, nessa hora, culpar o médico que requisitou os exames ou o laboratório que os realizou? O diagnóstico foi providencial; foi o passo necessário para o início do tratamento. Caso contrário, descoberto problema depois, talvez fosse tarde demais.

Realmente, a situação que agora se descobre não nos torna piores. Nosso país está tendo uma excelente oportunidade de recomeçar sua construção, e em bases sólidas. Nada há de mais sólido do que a verdade, pois ela nos liberta, assegurou-nos Jesus Cristo.

Essa reconstrução, contudo, não poderá ser feita a partir da violência. A democracia nos oferece inúmeras formas para expressarmos nossa alegria e apoio, nosso descontentamento e discordância em relação a uma pessoa, grupo ou situação. Ao se apelar para a violência, volta-se ao tempo das cavernas, quando o tacape era a única forma de manifestação. A História já nos demonstrou que a violência gera a violência, que gera mais violência…
Com a violência, todos perdem, todos empobrecem, todos sofrem. Mas alguns perdem, empobrecem e sofrem mais do que os outros: os mais pobres.

Os recentes acontecimentos, que nos envergonham perante o mundo, nos mostram como está o Brasil. Urge, portanto, que nós, brasileiros, nos unamos para construir um novo país. O conhecimento de si próprio, da própria realidade e da verdade, diziam os filósofos gregos, é o princípio da sabedoria. Que aprendamos a lição!

Por Dom Murilo S.R. Krieger – Arcebispo de Salvador

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Dom Jaime Spengler: "Quadro político perdeu perspectiva da ética" https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/dom-jaime-spengler-quadro-politico-perdeu-perspectiva-da-etica/ Thu, 25 May 2017 12:41:59 +0000 http://teste.toqueto.com/dom-jaime-spengler-quadro-politico-perdeu-perspectiva-da-etica.html Na violência desencadeada durante as manifestações da tarde de quarta-feira (24/05) em Brasília, 49 pessoas ficaram feridas e foram atendidas pelo Corpo de Bombeiros. 45 destas foram encaminhados a hospitais. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública da capital, 45 mil pessoas participaram dos protestos, enquanto para a Central Única dos Trabalhadores, 200 mil manifestantes passaram pelo local ao longo do protesto.

Dom Jaime Spengler, Arcebispo de Porto Alegre, comenta a violência, expressa a preocupação dos bispos brasileiros e opina que os protestos são uma expressão clara da insatisfação popular. A entrevista foi concedida em exclusiva, para a RV:

“Certamente o que assistimos ontem em Brasília nos preocupa e causa uma certa expectativa. Penso que o que vimos é expressão de uma parcela da população insatisfeita com aquilo que estamos assistindo diariamente nos telejornais. É consequência das denúncias que dia a dia se somam, mostrando um quadro que perdeu a perspectiva da ética e isto sem dúvida preocupa e preocupa muito”.

“Os bispos esperam que se consiga encontrar uma via de saída, uma estrada para a superação desta situação, através do diálogo e do respeito pelas instituições, que bem ou mal, estão se mantendo e funcionam bem”.

“A reforma da previdência e a reforma trabalhista são necessárias, precisam ser feitas. Há anos, se vem discutindo esta necessidade. Junto com elas, precisamos também de uma reforma do sistema político, de uma reforma agrária, de uma reforma tributária. Ao que parece, existe medo, um receio ou talvez até incompetência das pessoas envolvidas em levar adiante estas necessárias reformas. O Brasil precisa destas reformas, mas a população precisa ser ouvida, o povo precisa ser levado em consideração, as expectativas do nosso povo precisam ser avaliadas. Não se pode levar estas reformas tão necessárias e urgentes a toque de caixa”.

(A decisão de convocar o exército às ruas ) “nos surpreendeu. Existem outras possibilidades, eu diria, talvez mais simples e não tão radicais. Quando se chama o exército, isto causa, no mínimo, um estranhamento”.

Por Rádio Vaticano

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Entrevista de Dom Leonardo Steiner à BBC Brasil sobre a situação nacional https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/entrevista-de-dom-leonardo-steiner-a-bbc-brasil-sobre-a-situacao-nacional/ Thu, 25 May 2017 09:42:57 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=46415 Dom Leonardo Steiner, secretário-geral da CNBB, concedeu entrevista ao repórter João Fellet, corresponde da BBC Brasil, na tarde de terça-feira, na sede nacional em Brasília. O repórter fez perguntas bastante amplas sobre a atual crise e o resultado da conversa está no site da BBC Brasil. Outros portais na internet já replicaram a conversa extraindo pontos diferentes daqueles da publicação original.

Leia a íntegra da matéria da BBC Brasil.

Não há condições éticas de Temer seguir no cargo, diz secretário-geral da CNBB

Secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Leonardo Ulrich Steiner avalia não ver condições éticas para a permanência do presidente Michel Temer no cargo após a revelação de detalhes de seu encontro com o empresário Joesley Batista, do grupo JBS, em março.

Mas ele também acredita que o país não superaria o atual “momento de tensão” com uma eventual candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, devido à “resistência de uma parcela da sociedade à pessoa dele, dadas as contínuas notícias de que estaria implicado na Lava Jato”.

Para Steiner, Temer deveria ter denunciado Batista quando, no encontro que os dois tiveram no Palácio do Jaburu, o empresário lhe disse que havia corrompido autoridades para ser favorecido em investigações sobre sua empresa.

No dia 18, o Supremo Tribunal Federal (STF) divulgou a conversa, gravada por Joesley como parte de seu acordo de delação premiada com a Procuradoria Geral da República. O presidente diz que o áudio foi editado e não tem validade jurídica.

“Se alguém vem e diz que está subornando juiz e o Ministério Público, não é possível que quem está à frente do Estado não se mexa”, afirma Steiner, enfatizando se tratar de opinião pessoal sua, e não uma posição oficial da CNBB.

Mas Steiner diz que a nota emitida pela presidência da CNBB no dia 19 de maio, um dia após a divulgação da conversa de Joesley com Temer, com o título “Pela Ética na Política” (dizendo estar acompanhando “com espanto e indignação as graves denúncias de corrupção política acolhidas pelo STF”), foi uma resposta da entidade “para dizer que, para alguém que exerce um cargo público, a idoneidade é tudo”.

Principal organização ligada à Igreja Católica no Brasil, a CNBB foi fundada em 1952 e desenvolveu uma forte atuação política. O grupo se tornou uma das principais vozes contrárias à ditadura militar (1964-1985), embora tivesse apoiado o golpe no início. Paralelamente, aproximou-se de movimentos de esquerda e teve influência na fundação do PT.

A CNBB tem mantido postura crítica ao governo Temer e se pronunciado contra algumas das principais propostas do presidente, como o projeto de reforma da Previdência.

Em entrevista à BBC Brasil na sede do órgão, na terça-feira, Steiner diz preferir a realização de eleições diretas numa eventual saída de Temer. Porém, se houver eleição indireta, afirma que a escolha deve ser debatida com a sociedade e não pode ser imposta pelo Congresso ou por grupos “ligados ao mercado”, sob o risco de haver uma convulsão social.

Bispo auxiliar de Brasília, Steiner é secretário-geral da CNBB desde 2011, posto que assumiu após atuar na prelazia de São Félix, em Mato Grosso. Catarinense de Forquilha e franciscano da Ordem dos Frades Menores, foi ordenado padre pelo ex-arcebispo de São Paulo dom Paulo Evaristo Arns (1921-2016), seu primo.

Confira os principais trechos da entrevista.

BBC Brasil – Como o senhor recebeu a notícia sobre a delação da JBS envolvendo o presidente Michel Temer?

Leonardo Ulrich Steiner – Quase atônito. Nós pensávamos que o pior já tivesse passado. Claro que, de alguém que está há tanto tempo na política e num partido que também vinha sendo acusado na Lava Jato, se podia esperar alguma coisa, mas não nesse montante. Por isso a presidência [da CNBB] tomou a iniciativa de emitir uma nota para dizer que, para alguém que exerce um cargo público, a idoneidade é tudo.

Não estávamos nos referindo apenas ao presidente da República, mas também ao deputado [Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR)] e ao senador [Aécio Neves (PSDB-MG)] envolvidos, e também a outros que agora começam a aparecer com mais nitidez. Talvez seja a continuidade de uma crise que estamos vendo já há um bom tempo no Brasil, que não é uma crise econômica-política, mas uma crise ética.

A coisa pública é tratada como vantagem pessoal, ou como vantagem do partido, de determinados grupos. O que espanta é que falem de bilhões como se fossem mil reais.

BBC Brasil – Qual o melhor desfecho para o impasse em relação à permanência do presidente no cargo?

Steiner – A CNBB está discutindo essa questão internamente. Não temos ainda uma posição. Estamos nos encontrando com muitas pessoas e vendo qual seria a melhor saída. Várias pessoas têm sugerido eleições diretas para presidente e vice. A questão é: é necessário mexer na Constituição? Como a questão não foi regulamentada ainda, vê-se alguma possibilidade de haver eleições diretas para presidente e vice sem mexer na Constituição.

‘Se alguém vem e diz que está subornando juiz e o Ministério Público, não é possível que quem está à frente do Estado não se mexa’, afirma Steiner

A outra saída em que se fala mais é do próprio Congresso eleger um novo presidente e um novo vice, no caso de renúncia ou de cassação do atual presidente. Mas penso que é sempre importante passar pelo voto, é sempre importante ouvir a sociedade.

BBC Brasil – O senhor não vislumbra a permanência de Temer no cargo?

Steiner – Por aquilo que ele mesmo tem falado nas entrevistas, não vejo condições éticas de ele continuar. Não se trata apenas do áudio, trata-se de uma questão ética. Se alguém vem e diz que está subornando juiz e o Ministério Público, não é possível que quem está à frente do Estado não se mexa, não denuncie. Isso é gravíssimo.

BBC Brasil – Temer diz que não acreditava que o empresário Joesley Batista estivesse falando a verdade, que as afirmações eram uma “fanfarronice” dele.

Steiner – Pode ser que sejam, mas mesmo assim ele tem de ser investigado. Não se pode ficar quieto. A ética está acima de qualquer outra coisa para o exercício do próprio mandato. Estou falando isso como uma opinião pessoal – a CNBB não discutiu internamente essas questões. Mas o próprio presidente, ao se defender, está dizendo que a situação ficou extremamente frágil para continuar a exercer o seu mandato.

BBC Brasil – É desejável que Temer renuncie?
Steiner – Não tenho como dizer, porque isso é algo que depende da pessoa.

BBC Brasil – Há clima para o avanço das reformas que o governo vinha defendendo?
Steiner – Penso que não. Como podem pessoas que estão tão envolvidas na Lava Jato decidir os destinos da população brasileira? Depois, há a necessidade de maior diálogo com a sociedade em relação, por exemplo, à [reforma da] legislação trabalhista. Sobre a terceirização, não houve diálogo. Sobre a reforma da Previdência, até agora não se mostraram os dados reais. Fala-se em deficit, mas como funciona a Previdência brasileira? É preciso debater muito mais.

‘Como podem pessoas que estão tão envolvidas na Lava Jato decidir os destinos da população brasileira?’, disse Steiner sobre a votação das reformas no Congresso em meio à crise política

Em todas essas questões, sempre se fala num ponto: que é preciso sinalizar ao mercado, que é preciso colocar a economia em ordem. Não se fala em pessoas, não se fala em Brasil. Isso é grave. É uma mentalidade de mercado.

É preciso que o Congresso, diante de uma crise dessas, comece a rever as próprias ações e atitudes para o bem do povo brasileiro, e não para o bem de um determinado grupo. Veja o que está sendo feito em relação à [diminuição das áreas protegidas na] Amazônia. Não é uma questão apenas sobre a preservação da natureza, mas uma questão ética em relação à casa comum, para usar uma expressão do Santo Padre.

BBC Brasil – Uma das principais saídas discutidas seria uma eleição indireta em que o ex-presidente FHC, o ministro Henrique Meirelles ou ex-ministro Nelson Jobim assumiriam a Presidência até próxima eleição. Como enxerga essas hipóteses?

Steiner – Não citaria nomes, mas, se houver uma eleição indireta, é preciso um debate para chegar num consenso de um nome que não esteja ligado a falcatruas, que não esteja ligado a essa questão toda da Lava Jato, que tenha dignidade do cargo e também consiga dialogar e levar o país adiante.

Um partido não vai poder impor um nome, o Congresso Nacional não vai poder impor um nome à sociedade, um pequeno grupo que esteja interessado no mercado não pode impor ao Brasil um presidente. Senão corremos o risco de ter uma convulsão social.

BBC Brasil – Na oposição ao governo, há uma aglutinação em torno do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a expectativa de que ele volte à Presidência numa eventual eleição direta. Como o senhor vê essa movimentação?
Steiner – Quanto ao Lula ser candidato, ele tem esse direito, assim como tem o Fernando Henrique (Cardoso), o (Geraldo) Alckmin, o (Jair) Bolsonaro e outros que estão se propondo a ser candidatos. A dificuldade pessoal que eu vejo é a resistência de uma parcela da sociedade à pessoa dele, dadas as contínuas notícias de que estaria implicado na Lava Jato. E nós não superaríamos esse momento de tanta tensão no Brasil.

Existe uma tensão muito grande, e essa tensão talvez poderia até crescer [se Lula for eleito]. Precisaria haver gestos muito significativos dele para ajudar numa reconciliação da sociedade brasileira.

BBC Brasil – Do ponto de vista ético, Lula teria condições de assumir esse papel?

Steiner – Ele precisaria primeiro mostrar para a Justiça a inocência.

BBC Brasil – Como o senhor avalia a Operação Lava Jato?

Steiner – Ela tem sido muito importante para o Brasil. Ela tem mostrado onde estamos, esse envolvimento das empresas na política, esse beneficiamento mútuo, um Congresso eleito pelo poder das empresas. Creio que a sociedade brasileira está tomando consciência de que isso não pode continuar assim.

‘Lava Jato tem sido importante para o Brasil, mas tem algumas incoerências’, disse o bispo. Mas também a Lava Jato veio demonstrar algumas incoerências. Por que esse alarde no momento de prender pessoas? Quando vão prender, os jornalistas já estão lá. O Ministério Público não precisa disso pra exercer seu trabalho. E a Lava Jato não tomou cuidado em relação às nossas empresas. As nossas empresas envolvidas estão numa situação muito difícil, ao passo que as pessoas envolvidas estão livres e soltas. Então existem algumas dificuldades que precisariam ser discutidas para que a Lava Jato realmente ajudasse, como alguns querem, numa expressão que não é muito feliz, a passar o Brasil a limpo.

BBC Brasil – Como o senhor vê o crescimento de figuras que tentam se projetar como alheias à política tradicional, como o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ)?

Steiner – Com uma dificuldade muito grande. Você certamente acompanhou as eleições nos EUA e deve estar acompanhando o momento crítico que vive o país. Normalmente os salvadores da pátria não dão certo. Diante do descrédito da política e dos políticos, existe essa tentação de buscar alguém de fora da política para salvar a pátria. Não é o melhor caminho.

Há cada vez mais a necessidade de esclarecer às pessoas a importância da política, mas também a importância de termos no meio político pessoas que tenham condições de governar o país. Normalmente os salvadores da pátria têm um espiritozinho um pouco ditatorial.

BBC Brasil – Tem se falado no prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), e até no apresentador Luciano Huck como figuras que poderiam tentar voos mais altos na política, promover alguma renovação. Que acha dos dois?

Steiner – Não os conheço. Não sei se seriam a solução. Deseja-se que a velha política desapareça, isso é verdade, a gente sente. Mas creio que encontraremos políticos, que possam exercer seu mandato com dignidade e integridade.

BBC Brasil – Recentemente o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), órgão ligado à CNBB, foi alvo da CPI da Funai, que investigou processos de demarcações de terras indígenas. Deputados ruralistas acusaram o Cimi de estimular “demarcações fraudulentas”. Como o senhor encarou o processo?

Steiner – A instalação dessa CPI tinha apenas o interesse de encostar na parede diversas entidades que assumiram a causa indígena. Não havia nenhum interesse nessa CPI de realmente defender os povos indígenas. Por que, ao apresentar o relatório, eles não incriminaram nenhum grande fazendeiro?

O Cimi tem feito um trabalho extraordinário. Vivi numa região do Mato Grosso onde tínhamos vários povos indígenas e um trabalho muito importante na área educacional, de saúde, no resgate das tradições, dos rituais. Quando um povo se sente inteiro na sua identidade, ele começa a exigir mais. Ele também cria autoconsciência de que precisa de espaço para viver. A terra para eles não é uma propriedade, a terra é uma casa. E isso incomoda muita gente.

Acho que no futuro [os deputados da CPI] vão se envergonhar do que fizeram, porque não se faz com irmãos o que eles estão fazendo com os índios. E eles não estão por dentro da questão indígena, estão somente interessados na questão das terras. É preciso dizer isso.

Por CNBB

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Bispos recordam Constituição Federal em nota sobre corrupção e ética https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/bispos-recordam-constituicao-federal-em-nota-sobre-corrupcao-e-etica/ Mon, 22 May 2017 12:11:27 +0000 http://teste.toqueto.com/bispos-recordam-constituicao-federal-em-nota-sobre-corrupcao-e-etica.html Os membros da Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), emitiram na manhã da última sexta-feira, 19 de maio, uma Nota Oficial com o título “Pela Ética na Política” na qual afirmam que a Conferência está “unida aos bispos e às comunidades de todo o país” e acompanha “com espanto e indignação” as graves denúncias de corrupção política acolhidas pelo Supremo Tribunal Federal.

Na Nota, os bispos afirmam que “tais denúncias exigem rigorosa apuração, obedecendo-se sempre as garantias constitucionais. Apurados os fatos, os autores dos atos ilícitos devem ser responsabilizados. A vigilância e a participação política das nossas comunidades, dos movimentos sociais e da sociedade, como um todo, muito podem contribuir para elucidação dos fatos e defesa da ética, da justiça e do bem comum”.

“Além disso, é necessário que saídas para a atual crise respeitem e fortaleçam o Estado democrático de direito. Pedimos às nossas comunidades que participem responsável e pacificamente da vida política, contribuam para a realização da justiça e da paz e rezem pelo Brasil”, concluem os membros da Presidência.

Leia a Nota:

Brasília-DF, 19 de maio de 2017
P – Nº 0291/17

Pela Ética na Política
Nota da CNBB sobre o Momento Nacional

“O fruto da justiça é semeado na paz” (Tg 3,18)

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, por meio de sua Presidência, unida aos bispos e às comunidades de todo o país, acompanha, com espanto e indignação, as graves denúncias de corrupção política acolhidas pelo Supremo Tribunal Federal. Segundo a Constituição, Art. 37, é dever de todo servidor público, principalmente os que detêm elevadas funções, manter conduta íntegra, sob pena de não poder exercer o cargo que ocupa.

Tais denúncias exigem rigorosa apuração, obedecendo-se sempre as garantias constitucionais. Apurados os fatos, os autores dos atos ilícitos devem ser responsabilizados. A vigilância e a participação política das nossas comunidades, dos movimentos sociais e da sociedade, como um todo, muito podem contribuir para elucidação dos fatos e defesa da ética, da justiça e do bem comum.

A superação da grave crise vivida no Brasil exige o resgate da ética na política que desempenha papel fundamental na sociedade democrática. Urge um novo modo de fazer política, alicerçado nos valores da honestidade e da justiça social. Lembramos a afirmação da Assembleia Geral da CNBB: “O desprezo da ética leva a uma relação promíscua entre os interesses públicos e privados, razão primeira dos escândalos da corrupção”.

Recordamos também as palavras do Papa Francisco: “Na vida pública, na política, se não houver a ética, uma ética de referimento, tudo é possível e tudo se pode fazer” (Roma, maio de 2013). Além disso, é necessário que saídas para a atual crise respeitem e fortaleçam o Estado democrático de direito.

Pedimos às nossas comunidades que participem responsável e pacificamente da vida política, contribuam para a realização da justiça e da paz e rezem pelo Brasil.

Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, nos ajude a caminhar com esperança construindo uma nova sociedade.

Cardeal Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília
Presidente da CNBB

Dom Murilo S. Ramos Krieger
Arcebispo de São Salvador da Bahia
Vice-Presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário-Geral da CNBB

Por CNBB

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Papa participará em outubro de encontro Repensar a Europa https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/papa-participara-em-outubro-de-encontro-repensar-a-europa/ Thu, 18 May 2017 08:00:48 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=46321 O Papa participará de um grande encontro por ocasião dos 60 anos do Tratado de Roma. Promovido pela Comissão dos episcopados da Comunidade europeia (Comece) e pela Santa Sé, o encontro se realizará de 27 a 29 de outubro e terá como tema “Repensar a Europa”. A presidência da Comece falou com o Papa Francisco sobre este encontro ao ser recebida pelo Pontífice na tarde desta terça-feira (16/05) no Vaticano.

Entender juntos o que se quer fazer hoje na Europa

Vimos falar com o Santo Padre sobre “o encontro de diálogo que a Santa Sé e a Comece organizarão para o final de outubro entre as Igrejas e os atores do mundo político, para entender juntos o que queremos fazer hoje na Europa”, disse o secretário geral da Comece, Frei Olivier Poquillon.

“A União Europeia é uma máquina extraordinária, uma máquina talvez um pouco pesada, mas que é capaz de assegurar a paz e de assegurar uma certa prosperidade. Mas a pergunta é: esta paz e esta prosperidade são para todos? – questionou o religioso dominicano.

No encontro com o Pontífice os bispos europeus falaram durante uma hora com Francisco sobre as questões abertas que marcam o Velho Continente: as migrações, a pobreza, o mercado e a economia social.

Europa desempenha papel específico no mundo

Todos temos a consciência de que a Europa se encontra hoje numa situação crucial. “Se não se faz nada corremos grandes riscos não somente para a União Europeia, mas para todo o continente europeu e para o mundo inteiroo. A Europa desempenha um papel específico no mundo”, disse Poquillon.

“A nossa história mostrou que é possível reconciliar-se entre inimigos. Trata-se de uma reconciliação que não buscou somente acabar com as hostilidades, mas construir algo de positivo.” O desafio agora é recolocar “o bem comum” no centro da União Europeia.

Igreja não pretende substituir-se à política

“Este encontro de outubro com o Santo Padre e a Santa Sé é destinado a propor aos atores políticos uma plataforma de diálogo com as Igrejas para repensar juntos a Europa. A Igreja não tem respostas pré-constituídas, não pretende substituir-se à política. Trata-se de ter novamente o gosto de investir no bem comum”, acrescentou o secretário geral da Comece.

Conduzida pelo presidente Cardeal Reinhard Marx – arcebispo  de Munique e Freising (Alemanha), a presidência da Comece estava composta por Dom Jean Kockerols – bispo auxiliar de Malines-Bruxelas (Bélgica); Dom Gianni Ambrosio – bispo de Piacenza-Bobbio (Itália); Dom Czeslaw Kozon – bispo de Copenhague (Dinamarca); e Dom Rimantas Norvila – bispo de Vilkaviskis (Lituânia).

Por Rádio Vaticano

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Dom Joaquim Mol afirma que a Igreja diz ao povo: “Erga a cabeça!” https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/dom-joaquim-mol-afirma-que-a-igreja-diz-ao-povo-erga-a-cabeca/ Wed, 03 May 2017 08:05:29 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=46023 O bispo auxiliar de Belo Horizonte (MG), dom Joaquim Giovani Mol, falou aos jornalistas na tarde desta terça-feira, dia 2 de maio, sobre o atual momento nacional. A crise ética na política, a questão econômica e algumas preocupações do episcopado tiveram lugar na fala do prelado, como o da questão da violência, dos direitos das comunidades tradicionais, da criminalização dos movimentos sociais, do desemprego e a da degradação do meio ambiente.

A palavra de dom Mol foi de análise conjuntural, apresentando as situações que se colocam na realidade e algumas causas e pontuando papéis importantes na sociedade para a superação do quadro em que o país se encontra. Para o bispo, a reconstrução do país deverá salvaguardar quatro pontos fundamentais: a dignidade da pessoa humana, a liberdade, a paz e a justiça. “Temos esperança de que o povo brasileiro alcançará [a reconstrução] porque a nossa esperança está fundada em Jesus Cristo Nosso Senhor”, afirmou esperançoso.

Dom Joaquim Mol revelou que está sendo objeto de reflexão da 55ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) um texto sobre o atual momento que o Brasil vive. Na manhã de hoje, os bispos debateram uma prévia do que será um pronunciamento oficial da entidade.

A Igreja, como serva da humanidade, assim chamada por Paulo VI no fim do Concílio Vaticano II, deve dar as contribuições à luz do Evangelho sobre tudo que diz respeito ao bem da humanidade, de acordo com dom Mol.

Situação atual

O momento é de perplexidade e de falta de perspectiva da população, segundo o bispo. Dom Mol começou abordando a situação da corrupção e desprezo da ética por parte de agentes púbicos e privados.

“Esta perplexidade tem causado um mal muito grande à nossa sociedade, que leva a população brasileira a desacreditar, a se desencantar com os poderes no Brasil, Legislativo, Executivo e Judiciário. E isso é não só muito ruim, mas grave, porque trata-se de instituições que têm que ter perenidade, elas garantem o desenvolvimento da sociedade, a organização da sociedade”, ponderou.

Para o bispo, o descrédito por parte da população não contribui para a solução dos problemas. Ele ressalta que a voz da Igreja vai no sentido de dizer ao povo: “erga a cabeça! Precisamos compreender o que está acontecendo há vários anos para tomarmos parte de tudo isso: viver, praticar uma democracia verdadeiramente participativa”. Tal envolvimento é uma obrigação com os atos acompanhar, zelar, questionar, ajudar e rezar pelas pessoas que representam a população.

Economia

O contexto econômico é de “verdadeiro suplício”, de acordo com dom Joaquim Mol. Ele explica a expressão lembrando de uma fala do papa Francisco: “uma economia que não coloca a pessoa humana à frente como primazia, ela mata as pessoas, porque, no lugar das pessoas, coloca o mercado, o capital”. Dom Mol recordou ainda que a Doutrina da Igreja evidencia a primazia da pessoa humana sobre o mercado e do trabalho sobre o capital, “exatamente o contrário do que propõe a economia de mercado”. O pensamento da Igreja é aquilo que satisfaz a condição humana de viver com dignidade sobre a face da terra.

“Quando a economia inverte esses valores, ela se torna um suplício para boa parte da população”, alerta dom Mol. Neste sentido, para uma pequena parte da população a economia é “escandalosamente” benéfica, por conta do acúmulo de riquezas. O bispo ressaltou a necessidade de o Estado ser o regulador do mercado.

Os últimos pontos da análise apresentada pelo bispo foram: a questão dos direitos das populações tradicionais, a criminalização dos movimentos sociais, o desemprego e a violência, também gerada pela falta do trabalho. “É uma violência para a família”, disse referindo-se ao desemprego.

“É violência também esse esforço que tantas pessoas fazem de incutir ideias, privações e legitimações nas nossas cabeças de forma escravizante. A isso a gente dá o nome de ideologias escravizantes, totalitárias, que vão nos fazendo mover dentro da na sociedade, não na perspectiva de transformar a sociedade, mas de mantê-la assim, como satisfaz apenas a um pequeno grupo”, denunciou.

Dom Mol ainda falou da falta de perspectiva para os jovens que, sem direcionar seu olhar para o futuro, procura-o “de maneira fantasiosa através de outros recursos que ele pensa que são favoráveis à sua vida”, gerando um terreno fértil para a entrada das drogas e outros males. Outra preocupação dos bispos apresentada é a degradação e exploração irracional do meio ambiente.

Papeis importantes

O Poder Judiciário e a imprensa têm um papel importante no processo de reconstrução do país. O primeiro na medida em que garante o direito e a justiça, porque esse é seu papel, mas é esperada uma atuação independente, autônoma, fundada no cumprimento da lei, isonômica, igual para todos. E a mídia, à qual cabe informar e colocar-se a serviço da verdade. “No nosso entender, deve ser uma atuação livre, plural e independente”, afirmou o bispo que concluiu: “entendemos que o caminho do diálogo até a exaustão em momentos de crise e de acirramento é fundamental para que o país possa se entender, se compreender para criar condições de desenvolvimento para todos”.

Por CNBB
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Brasil perde por ano cerca de 200 bilhões de reais em corrupção https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/brasil-perde-por-ano-cerca-de-200-bilhoes-de-reais-em-corrupcao/ Thu, 27 Apr 2017 10:06:16 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=45734 A Organização das Nações Unidas apontou que o Brasil perde cerca de duzentos bilhões de reais por ano com atos de corrupção. O número alto é um alerta para o presente e uma reflexão importante sobre o tipo de futuro que não queremos para a nação.

Assista à matéria aqui.

Por Canção Nova

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