periferias - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br Site oficial da Diocese de Uruaçu - GO Sat, 28 Sep 2024 04:09:20 +0000 pt-BR hourly 1 https://old.diocesedeuruacu.com.br/wp-content/uploads/2018/12/cropped-favicon-32x32.png periferias - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br 32 32 170539269 Nona meditação: escutar a sede das periferias https://old.diocesedeuruacu.com.br/sem-categoria/nona-meditacao-escutar-a-sede-das-periferias/ Thu, 22 Feb 2018 15:54:26 +0000 http://teste.toqueto.com/nona-meditacao-escutar-a-sede-das-periferias.html “É essencial estar com olhos bem abertos à realidade do mundo que está em torno a nós.”

Com estas palavras, o padre José Tolentino iniciou a nona meditação no retiro do Papa Francisco com seus colaboradores da Cúria Romana. Ele ressaltou que a “voz de Deus deverá sempre confrontar-se com a pergunta feita as origens: onde está o teu irmão?”

Um dos exemplos importantes que o pregador chamou à reflexão foi o problema da falta de água nas grandes periferias do mundo. Cita um pequeno trecho da Encíclica de Papa Francisco, Laudato Si, sobre este tema: “Um problema particularmente sério é aquele da qualidade da água disponível para os pobres, que provoca mortes a cada dia”.   E afirma que “diante da sede das periferias, urge adotar uma autêntica conversão dos estilos de vida e de coração”.

Em outro tema importante da meditação sobre as periferias, o padre José recorda que Jesus é um “homem periférico”, de que Ele também foi um homem de periferia.

Jesus “não nasceu cidadão romano, não pertencia ao primeiro mundo da época, nasceu em Belém, e em Nazaré, de onde recebeu o nome, é tão insignificante em ser uma das raras localidades da Palestina. Quem escutava falar de Nazaré mostrava um ar sarcástico e perguntava, fingindo uma perplexidade: de Nazaré pode vir alguma coisa de bom? ” (Jo 1.46)

Jesus viveu completamente esta realidade de periferia, desde o seu nascimento até o momento de sua morte. Era da periferia de Israel e consequentemente da periferia do Império, do domínio romano.

Porém “a mensagem de Jesus, pega aquela via do mundo periférico. Marcos, autor da primeira narração evangélica, põe o encontro de Jesus ressuscitado com os seus discípulos ainda na periferia: ‘Ele os precede na Galileia. Ali os verão, como os disse’” (Mc 16,7).

E convidou a recordarem que a partir de Jesus, o cristianismo também se encontra em uma realidade periférica.

“O território transformou-se, e não é mais o que era antes. A população mudou de lugar. Em torno às catedrais, por exemplo, não há mais a verdadeira vida: os centros urbanos se tornaram um polo de atividades burocráticas e comerciais.”

“Também nestes lugares a Igreja é chamada a sair de si mesma e descobrir um novo ardor missionário.”

Segundo o pregador, a Igreja do Século XXI será certamente mais periférica, e nos desafiará a redescobrir que as periferias não são vazias do religioso, mas os endereços de Deus.

Dentre todas as periferias, o pregador relata várias experiências nas diversas partes da cidade, desde o abandono aos índices de criminalidade, doentes e presidiários, que para ele são periferias onde a Igreja está presente.

“Ali onde se encontra a vulnerabilidade humana devemos ser cada mais o rosto de Cristo.”

Padre José fala do perigo da separação da vivência do Sacramento da Eucaristia do Altar, com o sacramento da vida  dos pobres, citando Dom Helder Câmara, que com estas palavras exortava a Igreja do seu tempo: “O que fizemos da Igreja de Cristo? Como pode a multidão dos excluídos, dos esquecidos, dos sem tetos, dos sem nada, crer ainda que o Criador é um Pai que os ama, se nós, nós que ousamos dizer-se cristãos, nós que temos tudo, continuamos a deixar seus pratos vazios…, não sejamos somente crentes. Busquemos ser credíveis”.   

Por fim, recorda que a humanidade necessita ser abraçada, principalmente aquela que está ferida, quando se sente leprosa, diminuída, sufocada pela exclusão e pelos estigmas. E podemos dizer com a nossa presença simples e fraterna: Estou aqui, não estás sozinho.

Por Vatican News

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Papa preside missa no arcebispado em Yangun https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/papa-preside-missa-no-arcebispado-em-yangun/ Tue, 28 Nov 2017 07:48:17 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=49623 No fim da tarde de ontem, 27, o Papa Francisco presidiu uma missa na capela da sede do Arcebispado em Yangun, na presença de religiosas e alguns sacerdotes.

Yangun, ex-capital de Mianmar, conta com cerca de 5 milhões de habitantes e os problemas inerentes a todos grandes centros urbanos. Situada no continente asiático, é uma realidade desconhecida à maioria dos brasileiros.

Francisco chegou a Mianmar após uma viagem de 14 horas.

O Santo Padre teve um encontro nesta segunda-feira, 27, com lideranças das Forças Armadas de Mianmar, General Min Aung Hlaing, máximo responsável militar birmanês. O encontro, previsto para quinta-feira, 30, foi antecipado. O Papa ficará em Mianmar até esta quinta-feira, 30. De lá segue para Bangladesh, onde ficará até sábado, 2.

Por Canção Nova, com Rádio Vaticano

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Pela primeira vez Papa Francisco visita Miamar, país de maioria budista https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/pela-primeira-vez-papa-francisco-visita-miamar-pais-de-maioria-budista/ Mon, 27 Nov 2017 12:53:17 +0000 http://teste.toqueto.com/pela-primeira-vez-papa-francisco-visita-miamar-pais-de-maioria-budista.html O Papa Francisco chegou no início da tarde desta segunda-feira (27/11) em Yangun, Mianmar, primeira etapa desta sua nova viagem à Ásia, que dura até dia 30/11. Enquanto me preparo para visitar Mianmar e Bangladesh, desejo enviar uma palavra de saudação e de amizade aos seus povos. Não vejo a hora de poder encontrá-los!”, escreveu o papa Francisco em seu perfil do Twitter, no último sábado.

“Uma Igreja insignificante, mas muito engajada: assim o Arcebispo de Yangun, Cardeal Bo, define a presença católica em Mianmar.  Minoria num país budista, diferente de outras realidades os católicos não pertencem à elite nem política nem econômica da nação. A Igreja é periférica em todos os sentidos e já põe em prática o sonho do Papa Francisco: uma Igreja pobre para os pobres. De fato, a caridade ocupa grande parte das atividades eclesiais.

Agora que o país está se abrindo ao mundo depois de décadas de isolamento, a Igreja está seguindo os mesmos passos da população. Em entrevista à Rádio Vaticano, a coordenadora de Talitha Kum em Mianmar, Ir. Rebecca Kay, explica que a vulnerabilidade social faz dos birmaneses possíveis vítimas do tráfico.

“Sim, esta é a primeira visita e nós estamos muito orgulhosos disto. Em meio à crise em Mianmar, e o Papa escolheu este país, então estamos muito felizes porque ele nos ama e nos concede seu tempo ao nos visitar. A Igreja Católica em Mianmar é muito pequena, nós somos uma minoria, mas a fé dos católicos é forte. É uma bênção de Deus para nós, porque por muito muito tempo vivemos desconectados da Igreja por causa da situação do país.

A religiosa reitera que o país por um longo período sofreu muito, especialmente as minorias. “A visita do Papa irá nos unir, não só os católicos estão aguardando o Papa, mas também os budistas e outras denominações cristãs darão as boas-vindas ao Papa”, disse.

Neste primeiro dia, Francisco descansa, em preparação aos encontros oficiais da terça-feira, quando se deslocará para a capital Nay Pyi Taw. Eis a agenda do Papa na ex-Birmânia:

PROGRAMAÇÃO:

Terça-feira, 28 de novembro

No início da manhã o Santo Padre celebra de forma privada no Arcebispado, onde almoça. Logo após, se transfere ao Aeroporto de Yangun, distante 18,5 km.

Às 14 horas, o Papa parte para Nay Pyi Taw, onde será recebido às 15h10 pelo Ministro Delegado do Presidente e passa em revista a Guarda..

Às 15h50, a cerimônia de boas-vindas no Palácio Presidencial, com a visita de cortesia ao Presidente às 16 horas, o encontro com os Conselheiros de Estado e Ministros dos Assuntos Externos, às 16h30.

O encontro com as autoridades, com a sociedade civil e o Corpo Diplomático às 17h15 no International Convention Centre, conclui as atividades do Pontífice em Nay Pyi Taw, que retorna para Yangun às 18h20, transferindo-se então para o Arcebispado.

Quarta-feira, 29 de novembro

Às 9h30 o Papa Francisco preside a celebração da Santa Missa no Kyaikkasan Ground.

Às 16h15 encontra o Conselho Supremo “Sangha” dos monges budistas no Kaba Aye Centre e às 17h15 os Bispos de Mianmar na Catedral de St. Mary.

Quinta-feira, 30 de novembro

Às 10h15 o Papa celebra a Missa com os jovens na Catedral de Santa Maria e às 12h45 se despede de Mianmar no Aeroporto internacional de Yangon, de onde parte para a capital de Bangladesh, próxima etapa de sua viagem, às 13h05.

* Os horários indicados são sempre os locais

Por CNBB, com Rádio Vaticano

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Para Cardeal Parolin, visita do Papa a Mianmar vai encorajar cristãos https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/para-cardeal-parolin-visita-do-papa-a-mianmar-vai-encorajar-cristaos/ Mon, 27 Nov 2017 10:19:39 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=49595 O Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Pietro Parolin, disse nesta sexta-feira, 24, que a visita apostólica do Papa a Mianmar e Bangladesh encorajará as modestas comunidades católicas destes países. A visita começa hoje em Mianmar e Francisco parte para Bangladesh na quinta-feira, 30. A viagem chega ao fim no sábado, 2 de dezembro.

“O Santo Padre se encontrará com as comunidades cristãs, que são minoria nestes dois países. Esta viagem vai mostrar o interesse e atenção a estas comunidades, especialmente por serem pequenas comunidades que precisam ser encorajadas”, afirmou Parolin.

O Secretário de Estado do Vaticano explicou que Bangladesh conta atualmente com 400 mil católicos em uma população de 163 milhões de pessoas, enquanto em Mianmar vivem 700 mil católicos em uma população de 53 milhões. “Essas pessoas precisam desta proximidade com o Papa”, reiterou o cardeal.

A agenda do Papa em Mianmar contará com audiências e encontros com bispos, clérigos, religiosos e jovens. “O Santo Padre encorajará essas comunidades a serem presença efetiva em nível social, dando suas contribuições para o bem comum e ser um elemento para construção da paz, reconciliação e solidariedade entre a população destes dois países”, finalizou o Cardeal Parolin.

Por Canção Nova, com Rádio Vaticano

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Em Mianmar e Bangladesh, viagem apostólica às periferias https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/em-mianmar-e-bangladesh-viagem-apostolica-as-periferias/ Thu, 23 Nov 2017 07:54:59 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=49523 A 21ª viagem apostólica internacional do Papa Francisco, que se realizará de 26 de novembro a 2 de dezembro a Mianmar e Bangladesh, esteve no centro da coletiva da manhã de ontem, quarta-feira (22/11) na Sala de Imprensa da Santa Sé, na qual o diretor da mesma, Greg Burke, ilustrou o programa da viagem e ressaltou que o Pontífice levará aos dois países do sudeste asiático uma mensagem de reconciliação, perdão e paz.

Burke ressaltou que na quinta-feira, 30 de novembro, o Santo Padre terá um encontro privado com o chefe do exército birmanês, Gal. Min Aung Hlaing. Ademais, destacou que durante o encontro ecumênico e inter-religioso, programado para o dia 1º de dezembro, na capital bengalesa, Daca, estará presente também um grupo de refugiados rohingya.

Antes da Santa Missa em Daca, alguns jovens moradores de rua doarão ao Papa sandálias confeccionadas por eles. Entre as pessoas que farão parte da comitiva papal estará um funcionário leigo da Tipografia Vaticana, declarou o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé.

Nos dois países asiáticos o Santo Padre viajará de automóvel fechado, não blindado. Em Mianmar, Francisco se hospedará no arcebispado; já em Bangladesh, ficará na nunciatura apostólica. Eis o que disse Burke à Rádio Vaticano – Secretaria para a Comunicação – sobre a viagem apostólica aos dois países:

Greg Burke:- “Em ambos os países é uma viagem às periferias. O Papa Francisco fala muito em periferias e esta é realmente uma periferia: de certo modo pela distância, de certo modo também em relação à comunidade católica, muito pequena, em ambos os países.”

RV: Uma viagem a países que devem enfrentar desafios importantes. Entre estes o combate à pobreza…

Greg Burke:- “Faz pouco tempo que Bangladesh passou de país ‘subdesenvolvido’ para um país ‘em desenvolvimento’. E é ainda mais forte, claramente, a mensagem de esperança dada pelo Papa quando chega a terras tão pobres como estas. Há outro elemento muito importante : o inter-religioso. Mianmar é, em grande parte, um país budista. E Bangladesh é um país oficialmente islâmico. Também aí o Papa quer demonstrar, mais uma vez, o significado da religião para a paz e para a reconciliação.”

RV: O Papa também quer confirmar na fé as comunidades católicas destes dois países. Trata-se de minorias, mas, mesmo assim, importantes no tecido social de ambos os países…

Greg Burke:- “É uma viagem apostólica e tem um aspecto muito importante a nível pastoral. Vimos muitas vezes o Papa ir tão longe visitar uma comunidade tão pequena. É certamente uma grande ajuda, é um modo de reforçá-los na fé.

RV: Recordemos alguns encontros centrais das duas viagens, a Mianmar e depois a Bangladesh…

Greg Burke-: ”Em Mianmar o encontro com os budistas será muito importante. Em Bangladesh o encontro inter-religioso. Voltamos a esse tema das relações pacíficas entre as religiões. É interessante que em ambos os países o Papa concluirá sua visita encontrando os jovens. Mesmo de pequenas comunidades católicas percebe-se um sentido de grande esperança.”

Por Rádio Vaticano

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Periferias tornam-se centrais no Pontificado de Francisco https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/periferias-tornam-se-centrais-no-pontificado-de-francisco/ Wed, 22 Mar 2017 08:02:26 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=45056 Domingo passado, 19 de março, teve início o quinto ano de Pontificado do Papa Francisco. Após um intenso 2016, vivido no signo da misericórdia, no próximo sábado, 25 de março, o Santo Padre fará uma visita pastoral a Milão, em 2 de abril a Carpi – ambas no norte da Itália –, em 27 de maio irá Gênova – noroeste da Península.

No âmbito das próximas viagens apostólicas internacionais, em abril irá ao Egito, em maio a Portugal e em setembro à Colômbia. Trata-se de um Pontificado que se perfaz no signo da misericórdia e da atenção aos últimos, passando pelas periferias do mundo.

A propósito, a Rádio Vaticano entrevistou o bispo de Albano, Dom Marcello Semeraro, que é também administrador apostólico da Abadia de Santa Maria de Grottaferrata e secretário do grupo dos 9 cardeais, o C9, formado por Francisco para estudar o projeto de reforma da Cúria Romana:

Dom Marcello Semeraro:- “O tema da periferia o encontramos desde o início na linguagem do Papa Bergoglio, mesmo antes, nas homilias feita em Buenos Aires. O Papa tem muito a peito uma Igreja que sai de si mesma rumo às periferias. Aliás, o Evangelho teve início numa periferia, a Palestina era um canto periférico do grande Império Romano. Portanto, a periferia tem também um valor teológico, além do geográfico e, depois, também antropológico, obviamente, porque o Papa fala de “periferias existenciais”. Diria, então, que não podemos perder de vista o fato de o Evangelho ser periférico, porque parte propriamente de uma periferia. Temos várias periferias, como as periferias da alma: a ausência de luz, a ausência de amizade, a solidão, a angústia e outros medos. Depois, as periferias da existência: temos em nossas mãos a Exortação Amoris laetitia, aí temos as famílias feridas, as relações interrompidas. Ademais, tantas outras situações de dor, as periferias sociais, onde há pessoas que não contam nada e onde as decisões são tomadas em outros lugares.”

RV: O magistério do Papa se caracteriza também por seus gestos de comunicação humana…

Dom Marcello Semeraro:- “Não nos esqueçamos que de certo modo todos os Papas, ao menos aqueles dos quais me recordo, realizaram gestos que tocaram profundamente o nosso ânimo. Mas, em particular, recordaria alguns de Francisco. O gesto com o qual o Papa curvou-se na noite na qual se apresentou no balcão central da Basílica de São Pedro, antes de abençoar, pedindo a oração dos fiéis. E esse gesto do Papa que pede para ser abençoado e que toda vez pede sempre para que rezem por ele, é um gesto de grande simplicidade e humildade. Penso também em suas viagens, que quis começar em lugares de periferia. Penso também no simples fato de morar na Casa Santa Marta. Mediante gestos ordinários da vida, o Papa mostra, sobretudo, ser, ele mesmo, um homem como nós.”

RV: Uma das chaves do Pontificado é a presença da misericórdia na vida cotidiana e na relação com Deus…

Dom Marcello Semeraro:- “Celebramos um Ano inteiro sobre o tema da misericórdia e a misericórdia está no coração do Evangelho. A misericórdia é atrativa, tem força interior porque é o coração do Evangelho, o pilar do Evangelho.”

RV: Os valores da Doutrina social da Igreja mudaram no modo de ser comunicados e defendidos?

Dom Marcello Semeraro:- “Penso que não. Temos uma Encíclica do Papa Francisco que retomou, diria, levou adiante, instâncias que já estavam na Caritas in veritate de Bento XVI. Na Laudato si vemos um alargamento desses valores sociais. É claro, todavia, que o Papa nos recorda que não é desses valores que parte o anúncio do Evangelho, o Evangelho parte do encontro com Cristo.” É daí que depois, consequentemente, vem tudo, como o compromisso público, na Igreja, e todos os outros valores irrenunciáveis que dizem respeito à vida, dignidade do homem, à consciência e liberdade do homem. Mas têm um sentido porque brotam do Evangelho.”

RV: Podemos dizer que os cristãos vivem com Francisco um espécie de novo Concílio?

Dom Marcello Semeraro:- “Diria que sim. A grande herança que o Concílio nos deixou foi a de viver de modo ‘conciliar’. Hoje, usamos muito a palavra “sinodalidade”. Também esta, a meu ver, não significa comprometer-nos a fazer Concílios e Sínodos, mas viver de modo “sinodal’ significa encontrar-nos, começando por escutar-nos reciprocamente. Se falarmos sem antes empenhar-nos na escuta, se falarmos sem ouvir, corremos o risco de dizer palavras inúteis.”

Por Rádio Varticano

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Papa aos Movimentos Populares: ignorar os pobres é uma fraude moral https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/papa-aos-movimentos-populares-ignorar-os-pobres-e-uma-fraude-moral/ Mon, 20 Feb 2017 09:44:20 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=44517 O Papa Francisco enviou uma mensagem, na última sexta-feira (17/02), aos participantes do encontro dos Movimentos Populares em andamento na cidade de Modesto, na Califórnia (EUA). A reunião teve início, nesta quinta-feira (16/02), e prosseguiu até sábado, 18.

“As feridas sociais causadas por um sistema econômico desumano e difundido podem ser tratadas e curadas com o comportamento do bom samaritano, fazendo-se próximo de quem precisa”, afirma o Papa no texto. 

Segundo o Pontífice, “os bons samaritanos, aqueles que têm a capacidade autêntica de estar próximo de quem sofre, salvarão o mundo, e não a hipocrisia daqueles quem enchem os bolsos ignorando, com estilo, as chagas sociais, para depois manipular as consciências quando as feridas são evidentes e não se pode mais fingir de não vê-las”.
 
Indiferença

Como acontece muitas vezes quando os interlocutores do Papa são as “elites” das periferias, neste caso os movimentos sociais, Francisco encontra expressões fortes para desmascarar as falhas do que ele chama de “paradigma imperante”, um “sistema econômico que causa sofrimentos enormes para a família humana”, porque é baseado no lucro e não na solidariedade.

O Papa conta aos participantes do encontro, em Modesto, a Parábola do Bom Samaritano. O contraste entre o “estrangeiro, pagão e impuro” que se inclina sobre um moribundo agredido por assaltantes e cuida dele, e a indiferença do sacerdote e do levita, expoentes ligados ao Templo, que viram as costas ao homem ferido e à lei de Deus que pedia para prestar socorro em casos como esse. 

Fraude moral

“As feridas causadas pelo sistema econômico que coloca no centro o deus dinheiro e às vezes age com a mesma brutalidade dos assaltantes da parábola foram transcuradas culposamente”, afirma o Papa, denunciando o “estilo elegante usado para desviar o olhar de forma recorrente. Sob a aparência de ser correto na Política ou das modas ideológicas, se olha para quem sofre sem tocá-lo, distante, vendo-o na televisão, e se adota um discurso de aparência tolerante e cheio de eufemismos, mas nada se faz de sistemático para curar as feridas sociais e enfrentar as estruturas que deixam muitos irmãos ao longo da estrada”.

“Trata-se de uma fraude moral que antes ou depois se descobre e dissipa-se como uma miragem. Os feridos existem, são uma realidade. O desemprego é real assim como a violência, a corrupção, a crise de identidade, o esvaziamento das democracias, a crise ecológica”, diante da qual o Papa Francisco exorta povos indígenas, pastores e governantes a “defenderem a criação”, confiando na ciência, mas sem crer na existência de uma “ciência neutra”.

Gangrena

Segundo o Papa, “a gangrena de um sistema não pode ser camuflada eternamente porque antes ou depois se sente o mal cheiro e quando não pode ser mais negada pelo próprio poder que criou este estado de coisas, nasce a manipulação do medo, a insegurança, a raiva, incluindo a indignação das pessoas, e se transfere a responsabilidade de todos os males a um que não está próximo”.
 
Esta é uma tentação grande que alimenta “este processo social em andamento em muitas partes do mundo” e que para o Papa Francisco “é uma ameaça séria para a humanidade”: a tentação de “classificar as pessoas em próximas ou não” e “aquelas que podem se tornar vizinhas de casa ou não”.

Sofrer com o outro

Jesus ensina outra maneira. Ensina a “tornar próximo daqueles que precisam”, atitude possível se no próprio coração existir “compaixão e capacidade de sofrer com o outro”. A Igreja acrescenta: deve ser “como o dono da pensão ao qual o samaritano confia, no final da parábola, a pessoa que sofre. Os cristãos e  todos os homens de boa vontade devem viver e agir agora, porque muito tempo precioso foi perdido sem resolver essas realidades destruidoras”.
 
“Da participação ativa das pessoas, em grande parte realizada pelos movimentos populares, depende a maneira em que se pode resolver essa crise profunda.” 

O Papa repete o que disse no último encontro com os Movimentos Populares: “nenhum povo é criminoso e nenhuma religião é terrorista. Não existe o terrorismo cristão, nem o judeu ou muçulmano”. Enfrentando o terror com amor trabalhamos pela paz e nisso “se encontra a humanidade verdadeira que resiste à desumanização manifestada em forma de indiferença, hipocrisia e intolerância”.

Por Rádio Vaticano

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