Pe. Giulio Michelini - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br Site oficial da Diocese de Uruaçu - GO Sat, 28 Sep 2024 04:09:02 +0000 pt-BR hourly 1 https://old.diocesedeuruacu.com.br/wp-content/uploads/2018/12/cropped-favicon-32x32.png Pe. Giulio Michelini - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br 32 32 170539269 Exercícios espirituais: morte de Jesus, verdadeira porque escandalosa https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/exercicios-espirituais-morte-de-jesus-verdadeira-porque-escandalosa/ Thu, 09 Mar 2017 15:27:24 +0000 http://teste.toqueto.com/exercicios-espirituais-morte-de-jesus-verdadeira-porque-escandalosa.html Da Cruz, Cristo oferece o lado do qual brotarão água e sangue “para o perdão dos pecados”. Essa é uma das passagens da sétima meditação de Pe. Giulio Michelini, durante os Exercícios espirituais propostos ao Papa e à Cúria Romana.

Em andamento desde domingo passado na Casa Divino Mestre de Ariccia, nas proximidades de Roma, o Retiro espiritual quaresmal do Papa e da Cúria Romana chega esta quinta-feira (10/09) a seu penúltimo dia.

Um olhar de “amor profundo” a Cristo crucificado. O frade menor o evocou na reflexão matutina, detendo-se sobre a morte do Messias narrada no Evangelho segundo São Mateus. Uma morte “real”, não “aparente”, esclareceu imediatamente o pregador franciscano.

“Não somente os discípulos têm dificuldade de acreditar que tenha voltado à vida, e isso é verdade; mas isso é possível propriamente porque morreu verdadeiramente.”

E os detalhes que descrevem a morte de Jesus são tão “incômodos”, tão cruentos, como por exemplo o grito na Cruz, que fazem parte daqueles que são habitualmente definidos “critérios de desconcerto”, que nos levam a dizer que tais particulares não podem ter sido criadas: efetivamente, foram escritas porque dizem realmente “algo daquilo que aconteceu”.

Em primeiro lugar, deve ser analisado “o sentido de abandono que Jesus viveu na Cruz” – quando pronuncia: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes” – agravado pela incompreensão “por parte de quem está assistindo ao espetáculo cruento” da Paixão de Cristo.

Há quem acredite que Jesus estivesse chamando Elias, explicou o franciscano repercorrendo os Evangélicos sinóticos:

“Quem podia ser Elias, que Jesus invocava? Claro, o profeta que teria voltado: mas o que poderia ter feito? Fazê-lo descer da Cruz? Ou talvez, como se dizia – e lemos nos Evangelhos –, Elias já tinha vindo e era o Batista? Da Cruz, Jesus chamava talvez seu amigo? Evidentemente se trata de um grande mal-entendido: Jesus não está pedindo ajuda a Elias e nem mesmo ao Batista; Jesus está – com um grito – chamando o Pai. Mas o Pai silencia.”

Propriamente o fato de o Pai não intervir é “outro elemento desconcertante de toda a narração da morte de Jesus”, explicou Pe. Michelini. Em todo caso, o sentimento que Cristo está vivendo, o sentimento de abandono da parte do Pai é algo real e tão “escandaloso” que resulta difícil ser inventado.

Jesus “se lamenta” não porque se sinta abandonado por Deus ou pela dor, mas porque suas forças físicas “vacilam”. No entanto, dois Evangelhos, o de João e o de Lucas, não trazem o grito de Cristo: é “por demais escandaloso”, ressaltou o pregador dos Exercícios espirituais.

A “última tortura” para Jesus é que não seja compreendido “nem mesmo estando na Cruz”: é “algo desconcertante”, é “incompreendido”, disse Pe. Michelini.

Por que acaba sendo incompreendido? – perguntou-se o pregador, recorrendo a uma experiência pessoal: o colóquio tido com um casal em que a mulher através de mensagens no celular dele havia descoberto a traição do marido.

Duas pessoas que carregavam consigo “uma grande ferida”, o adultério: “no fundo, aquele era o problema que os impedia de compreender-se reciprocamente”, disse o frade menor. Jesus, refletiu o pregador, quando pode, intervém para “explicar e explicar novamente”. Mas da Cruz “não consegue explicar mais nada”:

“Naturalmente, sabemos que a Cruz explica tudo. Mas Jesus não pode nem mesmo mais dizer porque está chamando o Pai e não está chamando Elias. Pode fazer somente uma coisa: confiar-se ao Espírito que efetivamente doará, para que seja o Espírito a explicar aquilo que não tinha conseguido fazer entender. Ou então, terá que esperar ressurgir e estar com seus discípulos, deter-se com eles à mesa durante 40 dias –diz o início dos Atos dos Apóstolos – para acompanhar os discípulos segurando-os pelas mãos, eles que não entendem.”

Em seguida, o pregador dos Exercícios espirituais recordou que “além” desta última tortura, há também a “lança do centurião”. E repropôs o episódio de Cafarnaum: outro centurião “provavelmente armado” se dirige a Jesus porque mortificado com a enfermidade de um “filho” ou um “servo” seu”. E Cristo não lhe nega “um gesto de amor”:

“Ora, segundo algumas importantes testemunhas textuais de Mateus, Cristo foi morto propriamente com o golpe da lança de um soldado. Jesus ofereceu a outra face aos soldados, como havia ensinado no sermão da montanha: havia dado sua disponibilidade ao centurião de Cafarnaum. Agora, da Cruz, podia somente oferecer seu lado do qual brotará água e sangue, para o perdão dos pecados.”

Em seguida, examinou a passagem do Evangelho segundo São Mateus que explica que o golpe de lança foi dado “antes” da morte de Jesus e não depois, como no Evangelho segundo São João. Embora – observou o pregador – tenha acabado por prevalecer na Igreja a interpretação do quarto Evangelho: o golpe de lança “após” a morte do Senhor.

Por fim, a meditação deteve-se sobre as mulheres presentes na cena da crucifixão. Segundo Mateus, são “muitas”, entre as quais Maria “mãe de Tiago e José”; para alguns essa figura é a “Mãe do Senhor”, que está presente “aos pés da Cruz” como no Evangelho segundo São João:

“Talvez também aqui, como alguns notaram, o evangelista Mateus – que poderia até mesmo ter inspirado João – queira dizer que Ela está presente, mas num modo muito oblíquo, até mesmo com um realce, uma estratégia retórica não chamando-a ‘a Mãe do Senhor’, mas ‘Maria, a mãe de Tiago e de José’. Por qual motivo? Alguém escreveu – é uma hipótese interessante – que Maria, a Mãe de Jesus, não é mais simplesmente Ela e Jesus, não é mais simplesmente o Filho e Maria. Como depois Maria, no Evangelho segundo São João, não será mais simplesmente a Mãe de Jesus, mas a Mãe do discípulo amado e, portanto, Mãe da Igreja. Do mesmo modo Maria, na Paixão narrada por São Mateus, está presente e seria, porém, a mãe de Tiago e de José, isto é, de seus irmãos: e, por conseguinte, também para nós, para este Evangelho, a Mãe da Igreja.”

Por fim, o pregador dos Exercícios espirituais convidou a perguntar-se se, devido a “fechamentos” ou por orgulho, não se entendem os outros, não tanto porque as coisas que dizem “são pouco claras”, mas simplesmente porque “não querem compreender”.

Em seguida, pediu que se busque compreender se existe um “defeito” na comunicação com os outros, exortando a “melhorá-la”, crescendo “na humildade”, e a perguntar-se se se consegue “colher a presença de Deus” também no “ordinário do cotidiano” ou no “olhar do outro”.

Por Rádio Vaticano

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Pe. Michelini: Judas e o risco de perder a fé https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/pe-michelini-judas-e-o-risco-de-perder-a-fe/ Wed, 08 Mar 2017 13:36:15 +0000 http://teste.toqueto.com/pe-michelini-judas-e-o-risco-de-perder-a-fe.html O risco de perder a fé, o suicídio e a missão da Igreja em busca dos pecadores: foram os temas candentes sobre os quais se deteve o pregador dos Exercícios espirituais, Pe. Giulio Michelini, na quinta meditação proposta ao Papa e à Cúria Romana, reunidos deste domingo passado na localidade de Ariccia, próximo de Roma. A reflexão da manhã desta quarta-feira (08/03) foi centralizada na figura de Judas.

De fato, a meditação matutina do frade menor girou em torno do drama do suicídio de Judas, um dos Doze. Um evento escandaloso e desconcertante, que porém o Evangelho não esconde. Um drama evidenciado também pelo arrependimento de Judas que no Evangelho segundo São Mateus reconhece ter pecado porque traiu sangue inocente.

Judas e nós: o risco da perda da fé

Em seguida, o pregador buscou reconstruir os motivos que podem ter levado Judas a trair Jesus, que o havia escolhido e chamado. E Judas o havia seguido. Para entender o seu drama, Pe. Michelini releu textos de estudiosos e escritores. De Romano Guardini a Amós Oz, que dedicaram páginas a esta figura. A primeira hipótese é que Judas a um certo ponto tenha perdido a fé. Um risco a partir do qual todos devem se perguntar:

“Há por acaso em minha vida muitos dias em que não abandonamos Cristo – nosso saber melhor, nosso amor – por uma vaidade, uma sensualidade, um ganho, uma segurança, um ódio, uma vingança? Temos poucas justificativas para falar com indignação sobre o traidor. Judas revela nós mesmos.”

O pregador evocou a experiência do escritor francês Emmanuel Carrère e o seu livro “O Reino”, de 2014, no qual conta ter novamente abraçado a fé durante três anos e depois tê-la perdido outra vez. Emerge o trabalho interior de um homem que, porém, escreve: “Abandono-te, Senhor. Tu, não me abandones.”

Foi levantada outra hipótese sobre a traição de Judas: Judas queria que Cristo se mostrasse como o Messias de Israel, libertador, combatente, político. Por conseguinte, não via mais no rosto de Jesus o Senhor, mas apenas um Rabi, um Mestre, e quer forçá-lo a fazer aquilo que ele deseja.

Sair pelas ruas a buscar os pagãos e os publicanos

A segunda reflexão que a meditação matutina quer provocar é sobre o que se pode fazer por quem se encontra distante da fé. É preciso sair à procura dos pecadores, recordou o franciscano que contou uma experiência:

“Vivo com uma comunidade de jovens que fazem duas missões populares por ano. Brinco com eles porque saem para dançar, entram nas discotecas e vão aos pubs. Eu, naturalmente, como professor não me permitiria fazer algo assim e, portanto, brinco com meus frades. E são muitos anos, desde que ensino, que não faço missões populares. Mas eles sabem quanta estima tenho pelo fato de ter alguém que vai ali aonde há isso que não queremos ver, há jovens quem sabe desesperados… Portanto, mesmo se não fazemos isso, devemos ser realmente gratos e solidários para com aqueles que saem pelas ruas a buscar, como dizia Jesus, os pagãos e os publicanos.”

O percurso de Judas levou-o ao suicídio após dar-se conta de seu pecado, observou o frade. Na obra “Os noivos” de Alessandro Manzoni é emblemática, nesse sentido, a conversão do Apaixonado que tem a tentação de tirar a própria vida, até que ouviu o repicar dos sinos. Retornam a sua memória as palavras de sua amada Lúcia sobre Deus que perdoa tantas coisas por uma obra de misericórdia. Em seguida – ainda citando Manzoni –, tem lugar o encontro com o Cardeal Federigo Borromeo, que lamenta não ter sido ele por primeiro a ir encontrá-lo. São páginas de fé, que convidam a ir em busca dos pecadores, ressaltou.

Foram também evocadas palavras do Papa Francisco numa homilia da missa na Casa Santa Marta, quando a propósito dos sacerdotes que rechaçam Judas, falou do clericalismo: Judas foi descartado, traidor e arrependido não foi acolhido pelos pastores que eram intelectuais da religião com uma moral feita a partir da sua inteligência e não da revelação de Deus.

Os suicídios do nosso tempo. Ajudar os cristãos a não perder a fé

E falando do suicídio de Judas, Pe. Michelini não esqueceu a atualidade com os suicídios assistidos e os suicídios de jovens. Daí, o ponto de agarra para uma pergunta dirigida aos pastores:

“Como podemos ajudar os cristãos do nosso tempo a não perder a fé, a retomar consciência da própria fé, aquela da qual se fala no Novo Testamento, a fé alegre, totalizadora, a adesão à pessoa de Jesus, o que podemos fazer para que não mais ocorram esses suicídios?”

Tratou-se de uma meditação com traços fortemente existenciais sobre a fé, sobre nossas interpelações e sobre a missão da Igreja no mundo.

Por Rádio Vaticano

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