Páscoa - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br Site oficial da Diocese de Uruaçu - GO Sat, 28 Sep 2024 04:03:03 +0000 pt-BR hourly 1 https://old.diocesedeuruacu.com.br/wp-content/uploads/2018/12/cropped-favicon-32x32.png Páscoa - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br 32 32 170539269 Missa do Lava Pés 2022 https://photos.app.goo.gl/YruerEPchdYSiXNg7#new_tab Tue, 03 May 2022 20:48:27 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=63600 63600 Vigília Pascal: “Alegria irmão, nós hoje cantamos, o Senhor ressurgiu!” https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/destaque/alegria-irmao-nos-hoje-cantamos-o-senhor-ressurgiu/ Wed, 07 Apr 2021 02:17:54 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=60354 O bispo diocesano, Dom Giovani Carlos, presidiu a Vigília Pascal celebrada na noite do Sábado Santo, no dia 3 de abril, na Catedral Imaculado Coração de Maria, em Uruaçu. Como não poderia deixar de ser, ele apresentou uma mensagem de alegria e de esperança a todos: “mesmo na provação, na tempestade, em meio ao sofrimento da pandemia, a alegria tem que continuar porque Cristo está Vivo. Portanto, irmãos, alegria, o Senhor Ressurgiu!”. Por causa da pandemia, a celebração contou com número reduzido de pessoas e não teve o momento da bênção do fogo novo fora da igreja, como de costume.

Dom Giovani fez a comparação da ressurreição de Lázaro com a ressurreição de Jesus. Conforme o bispo, Jesus entra na morte e ressuscita para uma nova vida, uma nova condição. Algo novo, inaudito, portanto, é uma nova criação. Ele citou o livro do Gênesis que diz: “Faça-se a luz” e logo depois diz: “o sol e a lua”. Por conseguinte, o Senhor vai mostrar que anterior ao sol, já havia luz. Logo, Jesus disse: “Eu sou a luz do mundo”. A Páscoa começa com a Luz que veio iluminar as trevas e a verdadeira Luz representada pelo Círio Pascal é Cristo. “Ele significa Cristo, Luz do mundo! Como também tudo que é incensado: o povo de Deus e o Evangelho, representam o Senhor”. Dom Giovani explicou que para iluminar, uma vela precisa ser acesa e se desgastar. A mesma coisa é com o Mistério Pascal. “Ele deu a vida, gastou a vida por nós, para iluminar nossos caminhos”.

Por fim o bispo entoou o cântico “Ressuscitou, Ressuscitou, Aleluia, Aleluia, Aleluia, Aleluia…” e pediu à assembleia que cantasse com ele. Com a Páscoa do Senhor é necessário que nasça em nós homens e mulheres novos em Cristo. Essa foi a mensagem final do Dom Giovani. “O homem velho não está mais aqui. Ressuscitou! É um novo homem, uma vida nova, porque de agora em diante eu vivo o que meu Senhor me deu, me fez experimentar, me fez viver. Isso é a razão da minha vida. Razão porque eu sigo em frente. Mesmo na tempestade, em meio a um sofrimento, em meio a uma pandemia… e mesmo assim, a alegria tem que continuar porque o Senhor está Vivo! Por isso, eu ouso dizer pra vocês: Alegria irmão, nós hoje cantamos, O Senhor ressurgiu!”.

Texto: Indra Virgilia Ferreira Liah
Edição: Fúlvio Costa
Fotografia: José Tomaz França
Pascom Paróquia Sant’Ana
Uruaçu – Goiás.

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Liturgias do Tríduo e Via-Sacra, a Páscoa essencial do Papa https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/igreja-no-mundo/liturgias-do-triduo-e-via-sacra-a-pascoa-essencial-do-papa/ Thu, 09 Apr 2020 14:53:16 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=58176 Tudo será mais sóbrio e essencial. O Departamento de Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice teve que organizar rapidamente as celebrações papais que Francisco está prestes a presidir sem a presença dos fiéis, numa Basílica de São Pedro semivazia. No entanto, nesta Páscoa muitos olharão para o Papa graças aos meios de comunicação. De fato, o Papa quer estar próximo a muitas pessoas impossibilitadas de irem à missa e participar das liturgias desse Tríduo Pascal em tempos de pandemia e isolamento forçado. O crucifixo de São Marcelo e o ícone da Salus Populi Romani que acompanharam a oração de 27 de março, e a missa do Domingo de Ramos, estarão sempre presentes.

Na Quinta-feira Santa, o Papa não presidirá a missa do Crisma com os sacerdotes da Diocese de Roma: a celebração será realizada após o término da crise. A missa na Ceia do Senhor, que recorda a instituição da Eucaristia, será celebrada às 18h (hora italiana), 13h no horário de Brasília, no Altar da Cátedra, sem o rito tradicional do Lava-pés e não se concluirá com a reposição do Santíssimo no final da celebração.

Haverá dois momentos na Sexta-feira Santa. O primeiro é a Liturgia da Paixão e da Adoração da Cruz, às 18h locais (13h no horário de Brasília), na Basílica de São Pedro. O crucifixo de São Marcelo será coberto. Haverá uma meditação do pregador da Casa Pontifícia, frei Raniero Cantalamessa, e depois o crucifixo será descoberto. Haverá adoração, mas não o beijo na cruz.

Na noite da Sexta-feira Santa, às 21h (16h de Brasília), haverá a Via-Sacra na Praça São Pedro, com as estações ao longo da colunata, ao redor do obelisco e ao longo do percurso que leva ao adro. Dois grupos levarão a cruz. Haverá dois detentos do cárcere “Due Palazzi” de Pádua (as meditações foram escritas por alguns deles) e alguns médicos e enfermeiros do FAS (Fundo de Assistência Médica Vaticana). Médicos e enfermeiros estão na vanguarda do serviço aos doentes afetados pela pandemia.

Durante a Vigília do Sábado Santo, às 21h (16h de Brasília), não serão celebrados batismos. A cerimônia inicial com a Bênção do Fogo será realizada atrás do altar da Confissao. Não haverá luzes para os presentes e o canto das três invocações “Lumen Christi” ocorrerá somente quando as luzes forem acesas na Basílica durante a procissão ao altar da Cátedra. Os sinos da Basílica de São Pedro tocarão no momento do Glória, anunciando a ressurreição.

A mesma sobriedade também caracterizará a Missa do Domingo de Páscoa, que o Papa celebrará às 11h locais (6h de Brasília) no Altar da Cátedra. O Evangelho será proclamado em grego e latim. No final da missa, Francisco irá à sacristia para tirar as vestimentas, depois retornará à Basílica diante do altar da Confissão para proferir a mensagem Urbi et Orbi e dar a bênção pascal.

 

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Ele vive e nos quer vivos https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/ele-vive-e-nos-quer-vivos/ Tue, 07 Apr 2020 19:16:59 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=58143 A ressurreição do Crucificado, que celebramos na liturgia da Páscoa, é a absoluta novidade do cristianismo. Aquele que foi injustamente condenado, morto como um maldito no madeiro, “desprezado como o último dos mortais, homem coberto de dores, cheio de sofrimentos” (Is 53,3), Deus Pai o ressuscitou e Ele vive para sempre. “Deus constituiu Senhor e Cristo a este Jesus que vós crucificastes” (At, 2,36). Vale dizer que não somente sua ressurreição é a grande novidade, mas exatamente porque foi aquele que fora crucificado, de tal modo que é apropriado olhar sempre para o Crucificado-Ressuscitado, inseparavelmente. No Mistério Pascal, Ele recapitula em si tudo o que existe, reconcilia a humanidade e o cosmos, pois nele Deus quis “reconciliar consigo todas as coisas” (Cl 1,20).

Qual nossa melhor atitude diante desta novidade absoluta? Alegria e gratidão diante de tão grande dom. Nós somos beneficiados por esta imensa graça e somos filhos de Deus pelo nosso batismo, acolhidos e perdoados. Somos ungidos para vivermos nele e portadores desta alegria da ressurreição como o sentido último de nossas vidas e de tudo o que fazemos. Às vezes, sentimos dificuldades de perceber e vivenciar sua presença constante no cotidiano, em meio a tantos sinais de morte e convites à indiferença. Não estamos órfãos e entregues à própria sorte. Alguém é por nós. E isto faz toda diferença. E mais, o Ressuscitado está no cotidiano: vai onde estão os apóstolos, acompanha seus desânimos e sua missão. Esta presença do Ressuscitado dá qualidade humana e evangélica a tudo o que fazemos, promete vida plena. Uma vida sem Deus é como uma árvore envelhecida, que aparentemente está bela e frondosa, mas sua seiva vai definhando e corroendo seu interior, comprometendo seus frutos. O Ressuscitado se contrapõe à “noite”, é “luz”.

A consequência principal na espiritualidade do nosso cotidiano é a certeza que somos suas testemunhas como Jesus pediu: “recebereis a força do Espírito Santo que virá sobre vós e sereis minhas testemunhas” (At 1,8). O fim último de todo o viver é a vida plena em Deus. A vida não termina aqui, mas continua em Deus, pois como Cristo ressuscitou, nós também haveremos de ressuscitar. Jesus Cristo ressuscitou como “primícias dos que adormeceram” (1Cor 15,20). A ressurreição do Crucificado nos ensina a manter nossos “corações ao alto”. Este anúncio é deveras essencial e fundamental hoje, na sociedade cada vez mais secularizada.

Enfim, a espiritualidade pascal não é sinônimo de euforia, mas remete nosso olhar para a cruz e, junto com ela, o sofrimento de tantos irmãos. Sabemos que o sofrimento está na vida humana, mas para quem crê, no Crucificado temos um sinal de esperança. Ao ressuscitar o Filho, Deus Pai confirma toda a vida e ação de Jesus. Sua humanidade é modelo para nossa vida sempre. Ao ressuscitar o Filho, Deus confirma sua vida, suas palavras, sua misericórdia. A ressurreição deu um atestado de credibilidade, que o evangelho vivido e anunciado pelo Nazareno é verdadeiro. Mesmo que, muitas vezes, suas palavras foram duras (cf. Jo 6,61), elas são fonte de vida. Nele se tornou visível a nós o caminho de uma humanidade feliz pela proximidade com cada pessoa, sobretudo com os sofredores. Por isso, a Páscoa não é somente um tempo isolado do ano, mas um modo de viver com Cristo, com sua presença, com sua esperança, todos os dias de nossa vida. A Páscoa anuncia o Cristo vivo sempre. Somos portadores desta vida nova, da luz da esperança aos sofredores de hoje.

Dom Adelar Baruffi
Bispo de Cruz Alta

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Páscoa, festa da remoção das pedras mais duras: a morte, o pecado, o medo, o mundanismo https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/igreja-no-mundo/pascoa-festa-da-remocao-das-pedras-mais-duras-a-morte-o-pecado-o-medo-o-mundanismo/ Mon, 22 Apr 2019 19:47:19 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=54576 “Porque não te decides a deixar aquele pecado que, como pedra à entrada do coração, impede à luz divina de entrar? Porque, aos lampejos cintilantes do dinheiro, da carreira, do orgulho e do prazer, não antepões Jesus, a luz verdadeira? Porque não dizes às vaidades mundanas que não é para elas que vives, mas para o Senhor da vida?
Cidade do Vaticano

O Papa Francisco preside na noite de sábado na Basílica de São Pedro a Vigília Pascal, quando batiza 8 catecúmenos. Confira o texto integral de sua homilia:

1. As mulheres vão ao túmulo levando os aromas, mas temem que a viagem seja inútil, porque uma grande pedra bloqueia a entrada do sepulcro. O caminho daquelas mulheres é também o nosso caminho; lembra o caminho da salvação, que voltamos a percorrer nesta noite. Nele, parece que tudo se vai estilhaçar contra uma pedra: a beleza da criação contra o drama do pecado; a libertação da escravatura contra a infidelidade à Aliança; as promessas dos profetas contra a triste indiferença do povo. O mesmo se passa na história da Igreja e na história de cada um de nós: parece que os passos dados nunca levem à meta. E assim pode insinuar-se a ideia de que a frustração da esperança seja a obscura lei da vida.

Hoje, porém, descobrimos que o nosso caminho não é feito em vão, que não esbarra contra uma pedra tumular. Uma frase incita as mulheres e muda a história: «Porque buscais o Vivente entre os mortos?» (Lc 24, 5); porque pensais que tudo seja inútil, que ninguém possa remover as vossas pedras? Porque cedeis à resignação e ao fracasso? A Páscoa é a festa da remoção das pedras. Deus remove as pedras mais duras, contra as quais vão embater esperanças e expetativas: a morte, o pecado, o medo, o mundanismo. A história humana não acaba frente a uma pedra sepulcral, já que hoje mesmo descobre a «pedra viva» (cf. 1 Ped 2, 4): Jesus ressuscitado. Como Igreja, estamos fundados sobre Ele e, mesmo quando desfalecemos, mesmo quando somos tentados a julgar tudo a partir dos nossos fracassos, Ele vem fazer novas todas as coisas, inverter as nossas deceções. Nesta noite, cada um é chamado a encontrar, no Vivente, Aquele que remove do coração as pedras mais pesadas. Perguntemo-nos, antes de mais nada: Qual é a minha pedra a ser removida, como se chama?

Muitas vezes, a esperança é obstruída pela pedra da falta de confiança. Quando se dá espaço à ideia de que tudo corre mal e que sempre vai de mal a pior, resignados, chegamos a crer que a morte seja mais forte que a vida e tornamo-nos cínicos e sarcásticos, portadores dum desânimo doentio. Pedra sobre pedra, construímos dentro de nós um monumento à insatisfação, o sepulcro da esperança. Lamentando-nos da vida, tornamos a vida dependente das lamentações e espiritualmente doente. Insinua-se, assim, uma espécie de psicologia do sepulcro: tudo termina ali, sem esperança de sair vivo. Mas, eis que surge a pergunta desafiadora da Páscoa: Porque buscais o Vivente entre os mortos? O Senhor não habita na resignação. Ressuscitou, não está lá; não O procures, onde nunca O encontrarás: não é Deus dos mortos, mas dos vivos (cf. Mt 22, 32). Não sepultes a esperança!

Há uma segunda pedra que, muitas vezes, fecha o coração: a pedra do pecado. O pecado seduz, promete coisas fáceis e prontas, bem-estar e sucesso, mas, depois, dentro deixa solidão e morte. O pecado é procurar a vida entre os mortos, o sentido da vida nas coisas que passam. Porque buscais o Vivente entre os mortos? Porque não te decides a deixar aquele pecado que, como pedra à entrada do coração, impede à luz divina de entrar? Porque, aos lampejos cintilantes do dinheiro, da carreira, do orgulho e do prazer, não antepões Jesus, a luz verdadeira (cf. Jo 1, 9)? Porque não dizes às vaidades mundanas que não é para elas que vives, mas para o Senhor da vida?

2. Voltemos às mulheres que vão ao sepulcro de Jesus… À vista da pedra removida, sentem-se perplexas; ao ver os anjos, ficam – diz o Evangelho – «amedrontadas» e «voltam o rosto para o chão» (Lc 24, 5). Não têm a coragem de levantar o olhar. Quantas vezes nos acontece o mesmo! Preferimos ficar encolhidos nos nossos limites, escondidos nos nossos medos. É estranho! Porque o fazemos? Muitas vezes porque, no fechamento e na tristeza, somos nós os protagonistas, porque é mais fácil ficarmos sozinhos nas celas escuras do coração do que abrir-nos ao Senhor. E, todavia, só Ele levanta. Uma poetisa escreveu: «Só conhecemos a nossa altura, quando somos chamados a levantar-nos» (E. Dickinson, Nunca sabemos quão alto estamos nós). O Senhor chama-nos para nos levantarmos, ressuscitarmos à sua Palavra, olharmos para o alto e crermos que estamos feitos para o Céu, não para a terra; para as alturas da vida, não para as torpezas da morte: Porque buscais o Vivente entre os mortos?

Deus pede-nos para olharmos a vida como a contempla Ele, que em cada um de nós sempre vê um núcleo incancelável de beleza. No pecado, vê filhos carecidos de ser levantados; na morte, irmãos carecidos de ressuscitar; na desolação, corações carecidos de consolação. Por isso, não temas! O Senhor ama esta tua vida, mesmo quando tens medo de a olhar de frente e tomar a sério. Na Páscoa, mostra-te quanto a ama. Ama-a a ponto de a atravessar toda, experimentar a angústia, o abandono, a morte e a mansão dos mortos para de lá sair vitorioso e dizer-te: «Não estás sozinho, confia em Mim!» Jesus é especialista em transformar as nossas mortes em vida, os nossos lamentos em dança (cf. Sal 30, 12). Com Ele, podemos realizar também nós a Páscoa, isto é, a passagem: passagem do fechamento à comunhão, da desolação ao conforto, do medo à confiança. Não fiquemos a olhar para o chão amedrontados, fixemos Jesus ressuscitado: o seu olhar infunde-nos esperança, porque nos diz que somos sempre amados e que, não obstante tudo o que possamos combinar, o amor d’Ele não muda. Esta é a certeza não negociável da vida: o seu amor não muda. Perguntemo-nos: Na vida, para onde olho? Contemplo ambientes sepulcrais ou procuro o Vivente?

3. Porque buscais o Vivente entre os mortos? As mulheres escutam a advertência dos anjos, que acrescentam: «Lembrai-vos de como vos falou, quando ainda estava na Galileia» (Lc 24, 6). Aquelas mulheres tinham esquecido a esperança, porque não recordavam as palavras de Jesus, a chamada que lhes fez na Galileia. Perdida a memória viva de Jesus, ficam a olhar o sepulcro. A fé precisa de voltar à Galileia, reavivar o primeiro amor com Jesus, a sua chamada: precisa de O recordar, ou seja – literalmente –, de voltar com o coração para Ele. Voltar a um amor vivo para com o Senhor é essencial; caso contrário, tem-se uma fé de museu, não a fé pascal. Mas Jesus não é um personagem do passado, é uma Pessoa vivente hoje; não Se conhece nos livros de história, encontra-Se na vida. Hoje, repassemos na memória o momento em que Jesus nos chamou, quando venceu as nossas trevas, resistências, pecados, como nos tocou o coração com a sua Palavra.

Recordando Jesus, as mulheres deixam o sepulcro. A Páscoa ensina-nos que o crente se detém pouco no cemitério, porque é chamado a caminhar ao encontro do Vivente. Perguntemo-nos: na vida, para onde caminho? Sucede às vezes que o nosso pensamento se dirija continua e exclusivamente para os nossos problemas, que nunca faltam, e vamos ter com o Senhor apenas para nos ajudar. Mas, deste modo, são as nossas necessidades que nos orientam, não Jesus. E continuamos a buscar o Vivente entre os mortos. E quantas vezes, mesmo depois de ter encontrado o Senhor, voltamos entre os mortos, repassando intimamente saudades, remorsos, feridas e insatisfações, sem deixar que o Ressuscitado nos transforme! Queridos irmãos e irmãs, na vida demos o lugar central ao Vivente. Peçamos a graça de não nos deixarmos levar pela corrente, pelo mar dos problemas; a graça de não nos estilhaçarmos contra as pedras do pecado e os rochedos da desconfiança e do medo. Procuremo-Lo a Ele, em tudo e antes de tudo. Com Ele, ressuscitaremos.

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Ressuscitou e está sempre conosco https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/ressuscitou-e-esta-sempre-conosco/ Mon, 22 Apr 2019 19:44:09 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=54573 O sentimento da orfandade, da solidão e do abandono expressos por Jesus, o homem das dores, no alto da cruz, continua a ecoar em tantas situações humanas de sofrimento: “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?” (Mt 27,46). Pedem de nós uma solidariedade e uma proximidade misericordiosa. Seria esta a condição humana, condenado a sofrer? É isto o que está no coração de Deus? Fica Ele meramente assistindo impassível o desenrolar das maldades? Não, há uma resposta definitiva: o Crucificado é o Ressuscitado. Ele vive. Ele está sempre conosco. A luz da ressurreição de Cristo e o sopro de vida do seu Espírito são infinitamente maiores do que qualquer violência e mal humanos. Por isso, o contraponto do grito de dor na cruz é a presença do Ressuscitado diante do Pai, como canta a antífona do domingo de Páscoa: “Ressuscitei, ó Pai, e sempre estou contigo” e as palavras do Ressuscitado quando se apresenta aos seus: “Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos” (Mt 28,20). Ele está vivo diante do Pai e conosco!

A certeza da presença do Crucificado como o Ressuscitado, vivo, é fonte de esperança. O ser humano nunca está sozinho. Ele não somente deixou um exemplo para toda humanidade, mas ao assumir a condição humana recapitulou em si toda a criação. Ao celebrarmos a Páscoa do Senhor, reafirmamos a certeza que no nosso cotidiano, com suas alegrias e dramas, temos uma companhia. Se abrirmos os olhos da fé, reconheceremos sua presença. Ele se interessa por nós. Aos seus discípulos, medrosos, diz: “Por que estais preocupados e por que tendes dúvidas no coração? Vede minhas mãos e meus pés: sou eu mesmo!” (Lc 24,39).

Mas, também, ao ressuscitar o Filho, Deus confirma sua vida, suas palavras, sua misericórdia. A ressurreição deu um atestado de credibilidade, que o evangelho vivido e anunciado pelo Nazareno é verdadeiro. Mesmo que, muitas vezes, suas palavras foram duras (cf. Jo 6,61), elas são fonte de vida. Nele se tornou visível a nós o caminho de uma humanidade feliz. Por isso, São João, anuncia: “O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com nossos olhos, o que contemplamos e nossas mãos apalparam da Palavra da Vida, […] isto que vimos e ouvimos, nós vos anunciamos, para que estejais em comunhão conosco” (1Jo 1,1-3). Esta vida nova em Cristo, com sua companhia, é a certeza que carregamos conosco para não sucumbirmos diante de um caminho com tantas provações. Afinal, Jesus nos mostrou que o seu seguimento se dá na “cruz de cada dia” (Mt 16,24) e na fidelidade diante das provações.

A experiência cristã da Páscoa, que na Vigília Pascal é cantada como “noite da alegria verdadeira” (Exultet), nos qualifica como testemunhas do Ressuscitado. Logo que o Ressuscitado aparece, após confirmar a fé dos discípulos, envia-os em missão. A vida de ressuscitados com Cristo, pelo nosso batismo, não é ainda a consumação de todas as coisas em Deus. Somos portadores desta vida nova, da luz da esperança aos sofredores de hoje. Levemos a luz do Ressuscitado a todas as trevas do pecado, da exploração das crianças, dos migrantes, dos que não encontram um sentido para viver, da violência que mata mais que uma guerra em nosso país! Esta é nossa missão. Mas não estamos sozinhos, pois o Ressuscitado disse: “Ele vai à vossa frente na Galileia; lá o vereis como vos disse” (Mc 15,7).

Desejo a todos os diocesanos que a luz da Ressurreição de Cristo reanime nossa fé e esperança, infunda alegria em todas as famílias e confirme nosso testemunho cristão. Feliz e abençoada Páscoa do Crucificado-Ressuscitado.

Dom Adelar Baruffi
Bispo de Cruz Alta

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“A alegria pascal se alicerça na fé que dá novo alento no cotidiano” https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/alegria-pascal-se-alicerca-na-fe-que-da-novo-alento-no-cotidiano/ Tue, 03 Apr 2018 04:20:17 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=51734 Para o povo cristão, a Páscoa é a ‘festas das festas’, ponto de partida de sua caminhada de fé no Senhor morto e ressuscitado. Nesta época a liturgia reflete, em suas celebrações, a convicção de fé e dá um destaque muito grande ao evento que é celebrado por cinquenta dias: o tempo pascal. O bispo de Livramento e presidente da Comissão para a Liturgia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Armando Bucciol falou ao portal da CNBB sobre a unidade desse tempo e a continuidade da celebração do ministério pascal. “Os cristãos católicos são chamados a viver não só a liturgia que celebram, mas, sobretudo, da liturgia e o que nela se propõe e se experimenta. A alegria pascal não é superficial entusiasmo, nem sentimento passageiro. Ela se alicerça na fé que dá novo alento nos acontecimentos cotidianos”, afirma dom Armando.

Confira, abaixo, a entrevista na íntegra:

O tempo pascal representa para os católicos um momento especial. O que os textos litúrgicos nos colocam?

A solenidade da Páscoa é celebrada como o primeiro de sete domingos todos ‘pascais’. Antes da reforma litúrgica do Vaticano II falava-se em ‘domingos após a Páscoa’; agora destaca-se a unidade desse tempo e a continuidade da celebração do mistério pascal.

Nos textos litúrgicos retornam as palavras alegria, júbilo, felicidade. A nascente de tudo se encontra na vitória de Cristo sobre a morte. Por isso, a Oração da II feira depois da Páscoa reza: Transborde em nossos corações, Senhor, / a graça do sacramento pascal / e tornai dignos dos vossos dons aqueles que fizestes entrar / no caminho da salvação eterna. No dia seguinte, pede-se a Deus: preparai os corações de vossos filhos / que enriquecestes com a graça do batismo, para merecerem a felicidade eterna.

É uma explosão de vida, de esperança e de futuro que já irrompe nos que acolhem o Senhor e pretendem viver acolhendo seus dons batismais: pelas festas que celebramos na terra, mereçamos chegar às alegrias eternas, diz a ‘oração do dia’, na quarta feira da primeira semana.

Esse Tempo pascal continua até a solenidade do Pentecostes, plenitude do dom do Espírito e início da missão da Igreja enviada a testemunhar essa alegria pascal pelas estradas do mundo. No quadragésimo dia, na quinta feira da penúltima semana, celebra-se a festa da Ascensão do Senhor ao céu, festa que, no Brasil, é adiada ao domingo seguinte. A liturgia proporciona aos seus filhos e filhas o dom de respirar, com os pulmões da Palavra e da Eucaristia, o sopro santificador e transformador do divino Espírito.

Como as comunidades católicas podem vivenciar esse tempo litúrgico?

Os cristãos que, ao longo da Quaresma, viveram com intensidade espiritual o mistério pascal do Senhor já amadureceram uma espiritualidade transformadora, isto é, tornaram-se disponíveis no seguimento de Jesus, fiéis à Palavra, compenetrados pela Eucaristia e pela força do Espírito.

Os cristãos católicos são chamados a viver não só a liturgia que celebram, mas, sobretudo, da liturgia do que nela se propõe e se experimenta. A alegria pascal não é superficial entusiasmo, nem sentimento passageiro. Ela se alicerça na fé que dá novo alento nos acontecimentos cotidianos. À escola da liturgia, portanto, devemos aprender a sermos acolhedores, como Ele nos acolhe; capazes de dar perdão, como o Senhor nos perdoa; disponíveis à escuta nos encontros e contatos com os irmãos. De fato, como podemos dizer que escutamos o Senhor (que não vemos), se não formos capazes de escutar o próximo (que vemos)? A liturgia do tempo pascal é repleta de luz e de paz. Vivamos, portanto, essa alegria – dom do alto – e sejamos disponíveis à partilhar o que somos e o que temos, com humildade, sinceridade, coerência nos acontecimentos que a vida nos proporciona.

Como está indo o seu trabalho de pastor na diocese de Livramento, especialmente neste tempo?

Meu trabalho pastoral na diocese? Sabe, os antigos diziam que ninguém é juiz em causa própria. Deveria perguntar aos padres e aos fiéis o que pensam.

Só destaco que a primazia, na organização pastoral e nas prioridades pastorais, razão primeira e última, é continuar a missão que Jesus nos deixou: ‘Anunciar aos pobres a Boa-Nova’. Para isso, outra prioridade é procurar formar leigos e leigas para um serviço pastoral competente, apaixonado e fraterno. Outra dimensão importante é a organização pastoral, tendo Conselhos pastorais na diocese, nas paróquias e suas comunidades, para viver o espírito de comunhão e participação, com o respiro de Cristo. Por isso, outra urgência consiste em alimentar a espiritualidade à escola da Palavra e da oração.

A Diocese é relativamente pequena (uns 24 mil Km2), com uma população de uns 320 mil habitantes. Os padres são 22 (com os religiosos); temos 15 seminaristas, alguns próximos à ordenação presbiteral. Caminhamos na alegria da fé, procurando semear com simplicidade e na esperança. O projeto pastoral dos próximos anos nos empenha a sermos “Igreja missionária a serviço do Evangelho”. Confiamos na presença amorosa e maternal de Nossa Senhora do Livramento.

Fonte: CNBB Nacional

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Reflexão: O Sepulcro vazio está vazio, Jesus ressuscitou! https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/reflexao-o-sepulcro-vazio-esta-vazio-jesus-ressuscitou/ Tue, 03 Apr 2018 04:14:37 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=51731 “Jesus continua, em sua nova forma de existência, vindo ao nosso encontro e quer saber quais são as causas de nossa tristeza. Ele é o consolador, é a nossa alegria, é a nossa vida!”

“Maria Madalena vai ao sepulcro. É madrugada! Maria, ainda com o ambiente escuro pela ausência de sol, vai ao sepulcro. É noite não apenas na natureza, mas principalmente no coração de Maria Madalena. Aliás, em seu coração não. Ali o amor iluminava. Ela não consegue ficar longe do corpo morto de seu Senhor, daquele que a libertou do mal. Ela não consegue viver sem Jesus!

Ela diz que vai ungir o corpo do Senhor, mas como? Existe uma pesada pedra tampando o túmulo e, além do mais, Nicodemos e José de Arimateia já haviam preparado o corpo.

Quando ela chega, a pedra está removida, mas o sepulcro está vazio! Maria sente-se completamente perdida e desolada. Sai correndo para comunicar a Pedro e a João. Ela pede ajuda. Sente-se perdida e impotente.
Quando também experimento a ausência de Jesus, como reajo? Onde e como o busco? No lugar dos mortos ou como aquele que é Vida e que dá Vida?

Cristo é, de fato, o Senhor de minha vida?

Prossigamos em nossa oração.

Todo aquele que ama está fadado a sofrer muito!

Maria vê o sepulcro vazio, um anjo à cabeceira e outro nos pés, mas nada entende.

O evangelista quando descreveu esse quadro, quis nos dizer que Jesus é a nova e eterna aliança do Pai com os homens.

O sepulcro, uma caixa retangular aberta e com dois anjos, recorda a qualquer devoto a arca da aliança com os anjos do propiciatório. A aliança nova e eterna foi realizada!

Enquanto está com o olhar fixado dentro da sepultura, Maria escuta alguém perguntando a ela por que está chorando. Esse que lhe pergunta quer lhe dizer: “Mulher, por que choras?” Você não tem motivo para chorar, antes para se alegrar. As lágrimas de Maria revelam seu grande amor e sua pouca fé.

Jesus entra em diálogo com Maria de modo semelhante como entrou em diálogo com outras pessoas. Revela-se progressivamente, adaptando suas palavras e seus gestos à história dessas pessoas e às situações concretas em que se encontram.

Maria só vai entender que aquela voz é de Jesus no momento em que deixa de olhar para o sepulcro, para o lugar da morte, e volta os olhos e o corpo inteiro na direção contrária. Então, ela vê Jesus, vivo, ressuscitado!

Como Maria, muitas vezes não encontramos Jesus porque não o buscamos vivo, mas sim seu cadáver.

Concluamos nossa reflexão.

Assim como Madalena buscava Jesus por toda a parte, também o Ressuscitado seguia seus passos, seus olhares. E a primeira palavra que pronuncia ao dirigir-se a ela é “MULHER”. Depois pergunta por que chora. Jesus continua, em sua nova forma de existência, vindo ao nosso encontro e quer saber quais são as causas de nossa tristeza. Ele é o consolador, é a nossa alegria, é a nossa vida!

Feliz Páscoa!

Padre César Augusto dos Santos – Cidade do Vaticano

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A grande semana https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/a-grande-semana/ Thu, 29 Mar 2018 08:48:25 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=51501 Nesta semana mais importante do ano, celebramos o Mistério Pascal, recordando a Paixão, Morte e, na Páscoa, a Ressurreição de Jesus Cristo: “nele encontra plena realização toda a ânsia e anelo do coração humano. A alegria do amor, a resposta ao drama da tribulação e do sofrimento, a força do perdão diante da ofensa recebida e a vitória da vida sobre o vazio da morte… Nele, morto e ressuscitado para a nossa salvação, encontram plena luz os exemplos de fé que marcaram esses dois mil anos da nossa história da salvação” (Porta Fidei).

É o tempo também de pensarmos nos nossos pecados, deles nos arrependendo e pedindo perdão. Em sua mensagem para a Quaresma deste ano, com o tema tirado das palavras de Jesus: “Porque se multiplicará a iniquidade vai resfriar o amor de muitos” (Mt 24, 12), o Papa Francisco nos convida à reflexão: “E o amor resfria-se também nas nossas comunidades: na Exortação apostólica Evangelii gaudium procurei descrever os sinais mais evidentes desta falta de amor. São eles a acédia egoísta, o pessimismo estéril, a tentação de se isolar empenhando-se em contínuas guerras fratricidas, a mentalidade mundana que induz a ocupar-se apenas do que dá nas vistas, reduzindo assim o ardor missionário”.

E o Papa nos convida a tirar todo o fruto das cerimônias da Semana Santa, especialmente da Vigília Pascal: “Na noite de Páscoa, reviveremos o sugestivo rito de acender o círio pascal: a luz, tirada do ‘lume novo’, pouco a pouco expulsará a escuridão e iluminará a assembleia litúrgica. ‘A luz de Cristo, gloriosamente ressuscitado, nos dissipe as trevas do coração e do espírito’, para que todos possamos reviver a experiência dos discípulos de Emaús: ouvir a palavra do Senhor e alimentar-nos do Pão Eucarístico permitirá que o nosso coração volte a inflamar-se de fé, esperança e amor”.

Sugiro alguns bons pensamentos para a Semana Santa: “Se, qual o ladrão, estás crucificado com Cristo, como homem íntegro, reconhece a Deus. Se por tua causa e por teu pecado ele foi tratado como malfeitor, torna-te justo por seu amor. Adora aquele que foi crucificado por tua causa. Preso à tua cruz, aprende a tirar proveito até da tua própria iniquidade. Adquire a tua salvação com a sua morte, entra com Jesus no paraíso, e saberás que bens perdeste com a tua queda. Contempla as belezas daquele lugar, e deixa que o ladrão rebelde fique dele excluído, morrendo na sua blasfêmia”.

“Se és José de Arimateia, pede o corpo a quem o mandou crucificar; e assim será tua a vítima que expiou o pecado do mundo. Se és Nicodemos, aquele adorador noturno de Deus, unge-o com perfumes para a sua sepultura”.“Se és Maria, ou a outra Maria, ou Salomé, ou Joana, derrama tuas lágrimas por ele. Levanta-te de manhã cedo, procura ser o primeiro a ver a pedra do túmulo afastada, e a encontrar talvez os anjos, ou melhor ainda, o próprio Jesus” (São Gregório de Nazianzo, bispo).

Feliz Páscoa a todos!

Por Dom Fernando Arêas Rifan – Bispo da Administração Apostólica São João Maria Vianney

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Bispos e padres consagram os óleos e realizam o Lava pés https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/bispos-e-padres-consagram-os-oleos-e-realizam-o-lava-pes/ Wed, 28 Mar 2018 14:49:26 +0000 http://teste.toqueto.com/bispos-e-padres-consagram-os-oleos-e-realizam-o-lava-pes.html O arcebispo de Porto Alegre (RS) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB, dom Jaime Spengler, um dos responsáveis pela elaboração do texto do tema central da 56ª Assembleia Geral dos bispos do Brasil que se realiza em Aparecida (SP), de 11 a 20 de abril falou ao portal da CNBB sobre o sentido das celebrações da quinta-feira Santa: a Missa Crismal e a missa do Lava-pés. Nesta celebração, que marca o início do Tríduo Pascal, se consagram os Santos Óleos do Crisma, dos Catecúmenos e dos Enfermos. “Pode-se dizer que na Quinta-feira Santa sela-se o Testamento da Nova Aliança, em torno dos sacramentos, especialmente da Eucaristia, e do novo mandamento, significado pelo lava-pés”. 

A ocasião, reforça o pastor, também é oportuna para rezar pelas vocações tendo em vista que muitas comunidades não contam com a presença de um sacerdote nem mesmo no período da Semana Santa. “Todas as comunidades são convocadas a rezar pelas vocações. Contudo é também importante que, neste caso, os próprios ministros ordenados tenham coragem suficiente para dizer aos adolescentes e jovens de nosso tempo que o ministério ordenado vale a pena; que vale a pena ser presbítero. Que gostamos do que somos e amamos o que fazemos”.

O arcebispo lembra que povo brasileiro vive momentos difíceis em função do descrédito em relação às instituições, à corrupção, ao desemprego e às drogas o que, segundo ele, abre brechas para o risco de se cair em radicalismos tanto de direita como de esquerda. Para ele, o Evangelho de Jesus Cristo apresenta um caminho para superação de todas as expressões de morte. “A Páscoa é a celebração dos prodígios de Deus ao longo da história da salvação: a libertação do povo da escravidão do Egito e a vitória de Cristo sobre a morte”, disse. Confira abaixo, a íntegra da entrevista.

A celebração da quinta-feira santa tem a ver com a missão dos ministros ordenados na Igreja? Qual?

Aqui tratamos da Missa Crismal que o Bispo concelebra com o seu presbitério (presbíteros diocesanos e presbíteros religiosos que atuam no território da Diocese) e durante a qual se consagram os Santos Óleos do Crisma, dos Catecúmenos e dos Enfermos. Esta concelebração é manifestação da comunhão dos presbíteros com o seu Bispo.

Nesta solene concelebração, os presbíteros, na confecção do óleo do Crisma são testemunhas e cooperadores do seu Bispo, de cujo múnus sagrado são participantes, edificando, santificando e conduzindo o povo de Deus. É conveniente que todos os presbíteros atuantes no território da Diocese estejam presentes na concelebração da Missa Crismal, exprimindo-se assim a unidade do presbitério.  Em muitas comunidades do Brasil, católicos ficam impossibilitados de ter a presença de um sacerdote na semana santa.

O senhor considera ser hora importante para a oração pelas vocações?

É fato que em muitas comunidades do imenso território brasileiro é impossível a presença do presbítero não só nestes dias da Semana Santa. Tal situação representa um forte apelo à reflexão e ao estudo, no sentido de encontrar meios para superar essa deficiência. Em tempos idos, os bispos da América Latina, reunidos em Puebla, afirmaram que “a Eucaristia orienta-nos de modo imediato para a hierarquia sem a qual ela é impossível; porque foi aos apóstolos que o Senhor deu o mandato de celebrá-la ‘em minha memória’ (Lc 22,19).

Os pastores da Igreja, sucessores dos apóstolos, constituem por isso mesmo o centro visível onde se constrói, aqui na terra a unidade da Igreja” (n. 247). Quase 30 anos depois, reunidos em Aparecida dão continuidade à reflexão dizendo que “os fiéis devem desejar a participação plena na Eucaristia dominical, pela qual também os motivamos a orar pelas vocações” (n. 253). É certamente sempre tempo de rezar pelas vocações! A oração pelas vocações é resposta à exortação do próprio Jesus: “Pedi ao Senhor da messe que envie operários” (Mt 9,38).

Há na Igreja um serviço de animação vocacional. Faz parte da pastoral orgânica da Igreja o trabalho em prol das vocações. Para este trabalho é necessário planejamento, estratégias, organização. No entanto, não se pode jamais esquecer que fundamental é seguir aquilo que Jesus ensina. Vocações é sobretudo questão de oração. Pode-se aqui lançar uma provocação: será que acreditamos na força da oração? Cremos verdadeiramente que o Senhor mesmo inspira e chama para o trabalho na sua messe?

Todas as comunidades são convocadas a rezar pelas vocações. Contudo é também importante que, neste caso, os próprios ministros ordenados tenham coragem suficiente para dizer aos adolescentes e jovens de nosso tempo que o ministério ordenado vale a pena; que vale a pena ser presbítero. Em poucas palavras: dizer aos nossos adolescentes e jovens que gostamos do que somos e amamos o que fazemos.

Qual a mensagem de Páscoa o senhor envia ao povo brasileiro?

A solenidade da Páscoa é expressão maior do amor de Deus pela humanidade. Deus não poupou o seu próprio Filho (Rm 8,32); Ele “amou tanto o mundo, que deu o seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16).

O nosso povo vive momentos difíceis! Há um certo descrédito em relação às instituições; a corrupção é uma realidade em distintos níveis da sociedade; a violência atinge números alarmantes, vitimando, sobretudo, os menos favorecidos; o desemprego se alastra como praga, roubando o sonho de muitos; a drogadição espalha a morte por toda parte. Faz falta um projeto de nação! Com isso se corre o risco de cair em radicalismos tanto de direita como de esquerda. É urgente a necessidade de espaços para uma autocritica, que envolva distintos setores da sociedade.

O Evangelho de Jesus Cristo apresenta um caminho para superação de todas as expressões de morte. Somente o amor é mais forte que a morte (Ct 8,6) . A Igreja, através de sua Doutrina Social, deseja cooperar ativamente para que se possa construir uma ‘terra sem males’.

A Páscoa é celebração dos prodígios de Deus ao longo da história da salvação: a libertação do povo da escravidão do Egito e a vitória de Cristo sobre a morte. Possa a celebração da Páscoa reacender em nosso povo a esperança. A esperança num Deus que nos ama e que deseja que todos tenham vida e vida em abundância.

Por CNBB

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