Padre Antonio Spadaro - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br Site oficial da Diocese de Uruaçu - GO Sat, 28 Sep 2024 04:07:26 +0000 pt-BR hourly 1 https://old.diocesedeuruacu.com.br/wp-content/uploads/2018/12/cropped-favicon-32x32.png Padre Antonio Spadaro - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br 32 32 170539269 Papa prefacia livro sobre suas entrevistas: elas têm um valor pastoral https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/papa-prefacia-livro-sobre-suas-entrevistas-elas-tem-um-valor-pastoral/ Mon, 23 Oct 2017 16:09:21 +0000 http://teste.toqueto.com/papa-prefacia-livro-sobre-suas-entrevistas-elas-tem-um-valor-pastoral.html “As entrevistas, para mim, têm sempre um valor pastoral”, “se não tivesse esta confiança, não concederia entrevistas”.

É o que enfatiza o Papa Francisco no prefácio do livro  “Adesso Fate le vostre domande” (“Agora façam as vossas perguntas”), do Padre Antônio Spadaro, apresentado no final da tarde do último sábado na sede da “Civiltà Cattolica”.

Jorge Mario Bergoglio, recorda que quando era Arcebispo em Buenos Aires, “tinha um pouco de medo dos jornalistas” e por esta razão não concedia entrevistas. Como Pontífice, porém, convenceu-se de que as entrevistas são “uma maneira de comunicação” de seu ministério.

E, significativamente, une “estas conversações nas entrevistas com a forma cotidiana das homilias na Santa Marta, que é – digamos assim – a minha paróquia”.

Francisco sublinha que nas entrevistas, assim como nas coletivas com os jornalistas no avião, lhe agrada “olhar as pessoas nos olhos e responder às perguntas com sinceridade”.

“Sei que isto pode me tornar vulnerável, mas – acrescenta – é um risco que quero correr”.

Para mim – prossegue – “as entrevistas são um diálogo, não uma lição”, eis porque “não me preparo”.

O livro traz também duas conversas com os Superiores Gerais. “Conversar – escreve o Papa – sempre me pareceu o melhor modo para encontrar-nos realmente”.

Existem também conversas com os jesuítas, onde – destaca – “me sinto em família e falo a nossa linguagem de família, e não temo incompreensões”.

O Papa conclui o prefácio do livro, reiterando o desejo de uma “Igreja que saiba inserir-se nas conversas dos homens, que saiba dialogar”. “É a Igreja de Emaús – observa Francisco – em que o Senhor entrevista os discípulos que caminham desencorajados. Para mim, a entrevista é parte desta conversação da Igreja com os homens de hoje”.

Sobre o significado das entrevistas para o Papa Francisco, a Rádio Vaticano entrevistou o jesuíta Padre Antonio Spadaro, responsável pela obra:

“Papa Francisco ama as entrevistas porque assim escuta as perguntas das pessoas. Às vezes, os jornalistas fazem o papel de mediadores das perguntas que são importantes para as pessoas, mesmo as pessoas comuns. Por isto o Papa aceitou conceder entrevistas e responder aos jornalistas, porque assim pode falar diretamente às pessoas”.

RV: O Papa diz no prefácio, que não se prepara com antecedência para as entrevistas. A coisa mais importante é olhar-se nos olhos. É a cultura do encontro de que tanto fala?

“Sim. Sobretudo ele escuta as perguntas. No fundo, ama recebê-las, não tanto para dar uma resposta precisa, definida, fechada, mas mais para escutar aquilo que as pessoas têm a dizer. E depois, a sua resposta, é muito atenta à própria pergunta, isto é, o Papa não responde àquelas dúvidas falsas ou àquelas perguntas que na realidade não comunicam uma inquietação; responde à inquietação, aquela verdadeira”.

RV: O senhor entrevistou o Papa Francisco e testemunhou entrevistas e conversações suas. O que mais lhe tocou nestas ocasiões?

“Eu diria, a tempestividade e a capacidade de escuta: isto sim. Ou seja, a capacidade de receber as perguntas e o fato que ele não está interessado em fazer grandes discursos e tanto menos de escutá-los, mas sim abrir um diálogo que seja expressão de um encontro verdadeiro”.

Por Rádio Vaticano

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Caridade não compromete sacralidade de um local de culto, explica Pe. Spadaro https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/caridade-nao-compromete-sacralidade-de-um-local-de-culto-explica-pe-spadaro/ Fri, 06 Oct 2017 08:01:30 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=48867 As imagens do almoço de solidariedade com os pobres, refugiados e detentos na Basílica de São Petrônio estão entre as mais emblemáticas da visita pastoral do Papa Francisco a Bolonha no último domingo.

Mesmo refletindo um dos momentos mais emocionantes de todo o dia, o gesto recebeu críticas nas redes sociais, com acusações até mesmo de “profanação”. Para alguns destes críticos, o almoço comprometeu a “sacralidade do local”.

Pouco antes da refeição, o Papa havia recordado que “a Igreja é de todos, particularmente dos pobres”.

“Nesta casa – explicou o Pontífice – normalmente é celebrado o mistério da Eucaristia, o altar sobre o qual é colocado o pão e o vinho que se tornam o Corpo e o Sangue de Jesus, partido e derramado pela multidão de homens que Ele ama”. “Preparemos sempre uma refeição de amor – acrescentou – para quem tem necessidade disto”.

No Código de Direito Canônico é sublinhado que o local sagrado é usado “somente quando serve ao exercício e à promoção do culto, da piedade, da religião, e proibido qualquer coisa que desdiz a santidade do lugar”. O Ordinário, porém, pode permitir outros usos, “quando não contrários à santidade do lugar”.

Neste sentido, seria contrário à santidade do local almoçar com os pobres em um local de culto, no âmbito de um evento extraordinário como a visita de um Pontífice?

Quem responde, é o Padre Antonio Spadaro, Diretor da revista dos jesuítas “La Civiltà Cattolica”:

“A sacralidade do local não é de forma alguma perturbada pela caridade, sobretudo em uma situação assim composta e de partilha. Portanto, penso que o gesto do Papa, que é um gesto realizado por outros sacerdotes também na cidade de Roma, é um sinal muito forte, que revela o valor profundo do culto a Deus. Assim, de forma alguma, o fato de partilhar a mesa com os pobres viola a santidade de um local. Seria paradoxal afirmar isto. O sentido fundamental do cristianismo é a caridade: a sacralidade não é de forma alguma comprometida pela caridade, antes pelo contrário, é exaltada. O fato de que o Papa Francisco tenha almoçado dentro deste local sagrado é a exaltação máxima da caridade e, portanto, o princípio fundamental do cristianismo. Antes ainda, torna mais evidente que a Igreja é chamada ao serviço”.

RV: Seria também um sinal da continuidade entre as duas refeições, a eucarística e a “caritativa” com os pobres…?

“O Senhor escolheu precisamente a imagem da refeição para a Eucaristia, portanto, neste sentido, a partilha do pão é um sinal muito bonito e eficaz da graça que a Eucaristia confere”.

Por Rádio Vaticano

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Pe. Spadaro: diplomacia de Francisco constrói pontes e abate muros https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/pe-spadaro-diplomacia-de-francisco-constroi-pontes-e-abate-muros/ Tue, 23 May 2017 10:00:50 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=46374 “O Atlas de Papa Francisco. Como o Papa vê o mundo?” foi o tema da mesa-redonda realizada no dia 20 de maio na sede da revista dos jesuítas “La Civiltà Cattolica” em Roma.

Em entrevista à Rádio Vaticano, o diretor da publicação, Padre Antonio Spadaro, falou sobre os critérios que norteiam a ação diplomática do Santo Padre, marcada pela misericórdia e pela cultura do encontro:

“Encontrando nós jesuítas da Civiltà Cattolica, o Papa disse que a crise é global e que portanto é necessário dirigir o nosso olhar aos critérios por meio dos quais vemos o bem e o mal no mundo, procurando entender como funciona. Neste sentido, o Papa vê o mundo como uma realidade complexa de grande diversidade onde o risco é que sejam construídas barreiras, que sejam construídos muros. Muitas vezes referiu-se ao risco de populismos e nacionalismos que fecham as nações dentro de si mesmas. Assim, o Papa vê o mundo como abraçado por um desejo de encontro, de superação das barreiras, mas também um mundo em que existem feridas abertas que podem, porém, se tornar portas. Foi assim, por exemplo, para Lampedusa e para a Ilha de Cuba. Portanto, poderíamos dizer um mundo em movimento, que porém, tem necessidade de uma alma”.

RV: Obviamente quando se fala de Atlas, o pensamento se volta, naturalmente, para as viagens do Papa. O senhor escreveu várias vezes que muitas destas viagens, como por exemplo ao Egito, têm um “valor terapêutico”. Qual o significado desta expressão?

“O Papa ama confrontar-se com a realidade assim como é, e muitas vezes esta realidade é dramática. Existem fortes tensões nos países que o Papa tocou, ao menos em muitos destes países estão acontecendo tensões muito fortes e o Papa quis tocar com a mão, às vezes até mesmo os próprios muros fisicamente, os muros que existem, como foi em sua viagem à Terra Santa, o muro de Auschwitz – que tem um valor histórico – e situações complexas e de divisões, como foi em Cuba, em Bangui, etc. Portanto o Papa quer confrontar-se com esta dramaticidade, mas quer fazê-lo como fez o Senhor, isto é, tocando com a mão para curar e então a sua abordagem e o seu contato direto, eu diria físico, com esta realidade complexa e difícil e cheio de tensões é um contato que quer restabelecer a fluidez, os contatos, as pontes. Quer curar as feridas”.

RV: O Papa Francisco propõe uma “diplomacia da misericórdia” – afirmou recentemente o Premier italiano Gentiloni em um encontro promovido pela Civiltà Cattolica. Quais seriam, na sua opinião, os pontos fortes em que se expressa esta diplomacia assim tão particular?

“Substancialmente significa que nunca nada deve ser considerado como definitivamente perdido, não somente nas relações entre as pessoas, mas também entre os Estados ou entre os vários quadrantes conflituais encontrados hoje em nosso mundo. Assim, neste sentido, o Papa é aberto ao diálogo com todos, porque sabe bem que muitas vezes não está em jogo o bem contra o mal, mas é toda uma questão de interesses, e portanto é necessário falar com todos, porque somente deste modo se consegue alcançar uma solução mediada, portanto diplomática, sabendo que nunca nada deve ser considerado como perdido”.

RV: Em 24 de maio o Papa Francisco receberá no Vaticano o Presidente estadunidense Trump. O Papa disse aos jornalistas no voo de volta de Portugal: “Escutarei ele sem preconceitos”. Aqui se percebe também o realismo do cristão, poderíamos dizer com a Evangelii gaudium, de que “a realidade é superior à ideia”…

“Para o Papa sempre a realidade é superior à ideia e o encontro é superior a qualquer outra coisa, porque o Papa não raciocina em termos de ideias ou de preconceitos. Portanto é perfeitamente consciente das dificuldades que existem em cada encontro, mas ao mesmo tempo não quer colocar premissas, “a prioris”, prefere encontrar as pessoas e naquele contexto ser sincero, franco. Somente a partir de um encontro, de um encontro realístico em que cada um diz aquilo que pensa, é possível sair com perspectivas para o futuro”.

Por Rádio Vaticano

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