Padre Antonio Aparecido Alves - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br Site oficial da Diocese de Uruaçu - GO Sat, 28 Sep 2024 04:04:47 +0000 pt-BR hourly 1 https://old.diocesedeuruacu.com.br/wp-content/uploads/2018/12/cropped-favicon-32x32.png Padre Antonio Aparecido Alves - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br 32 32 170539269 Água: dom de Deus, direito de todos https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/agua-dom-de-deus-direito-de-todos/ Thu, 22 Mar 2018 09:29:18 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=51365 Dia Mundial da Água é comemorado hoje, 22

Antigamente quando algo não estava bom se dizia: “É uma água” ou “Ficou uma água”. Hoje este é um recurso natural tão importante que ninguém ousa fazer este tipo de comparação. Nesta semana comemoramos o “Dia Mundial da Água”, que exatamente vem alertar para sua importância, escassez e a necessidade de se preservar este recurso. Para este ano o tema deste dia é: “Soluções naturais para a Água”, buscando alternativas no meio ambiente para os recursos hídricos, com destaque para as estratégias de preservação e restauração ambiental, visando proteger nascentes e o ciclo da água. Esta data ocorre dentro do 8º Fórum Mundial da Água, que acontece a cada três anos e é organizado pelo Conselho Mundial da Água. Neste ano o Brasil sedia este encontro que está acontecendo nesta semana em Brasília.

O consumo da água

Embora o nosso Planeta seja formado por 70% de água, cerca de 97% dela está em estado líquido nos oceanos, sendo imprópria para o consumo. Do restante, algo em torno de 2% está nas geleiras nos dois polos (norte e sul) e apenas 1% de água doce nos lagos, rios e aquíferos subterrâneos, imprescindível para todos os seres vivos.

É preciso cuidar deste recurso natural. A agricultura é responsável por 70% do consumo de água, indo a maior parte dela para irrigar as plantações. Quando esse produto se destina para o mercado interno, com gêneros alimentícios de primeira necessidade, então a água está sendo bem aproveitada. Infelizmente, por vezes, tudo isso serve para fazer girar o agronegócio, que traz dividendos para o país produzindo soja e outros grãos para a exportação, mas não o feijão e o arroz que alimenta a população brasileira.

Depois do agronegócio, vem a indústria, que responde a 20% do consumo dos recursos hídricos. Vale a mesma observação já feita, isto é, o que está sendo produzido? Bens de primeira necessidade para garantir a vida das famílias? Estão sendo gerados empregos para a população? Por fim, vem o consumo doméstico, com apenas 10%, sendo 1% deste consumo a água que é bebida pela população e o restante para higiene e limpeza.

Água, a última fronteira

A Bíblia indica que a água limpa e potável é símbolo de uma vida digna e um presente de Deus. O grande capital tenta atingir sua última fronteira, que é a água. Assim, baseando-se no conceito de escassez, quer transformá-la em um bem de mercado, submetida às leis da oferta e procura. E sabemos que, quanto mais escasso, mais caro. No entanto, a água não é mercadoria, mas direito, que existe em disponibilidade suficiente para todos os seres vivos. O que se faz urgente é um melhor gerenciamento de sua utilização, que evite o desperdício e que proceda ao reuso das águas residuais, de modo que o consumo de hoje não comprometa o abastecimento das gerações futuras que irão habitar este planeta. Todo cuidado que tivermos com a água será pouco.

Por Padre Antonio Aparecido Alves 

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Dignidade de trabalhador jamais será tirada da pessoa, diz especialista https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/dignidade-de-trabalhador-jamais-sera-tirada-da-pessoa-diz-especialista/ Fri, 06 Oct 2017 09:04:14 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=48869 O drama dos desempregados é tema das intenções de oração do Papa Francisco para este mês de outubro. Só no Brasil, o problema atinge cerca de 13,1 milhões de pessoas, segundo dados do IBGE divulgados no final de agosto.

Quem já sentiu na pele o desemprego lembra da dificuldade de superar o choque inicial e dar a volta por cima.

A universitária Euliny Fernanda Fradique de Oliveira, 23 anos, recorda que em 2015 perdeu seu emprego, o que a abalou tanto financeira, quanto emocionalmente, desenvolvendo um quadro de ansiedade e depressão. “Não conseguia lidar com as contas vencendo sem ter condições de pagar. Isso me perturbava”, lembra.

Apesar de jovem, sua realidade foi sofrida. Pernambucana, mudou-se para o Espírito Santo há três anos, após o suicídio de sua mãe. No início morava na casa de um familiar, mas com o desemprego, precisou desocupar a casa, não tinha o que comer e nem dinheiro para voltar ao seu estado de origem, onde tinha conhecidos que a ajudariam.

Mesmo com as dificuldades, ela destaca as motivações que a ajudaram a driblar o problema: “A esperança de superar os traumas do passado, de dar orgulho pra ‘mainha’, de conquistar meu espaço, de sobreviver dignamente num lugar que mal conheço (…) Deus me deu muita resiliência para enfrentar as dificuldades pelas quais passei estando desempregada”.

A volta por cima veio através de um novo empreendimento. Seu noivo, contabilista, a convidou para abrirem juntos um escritório de consultoria contábil, e mesmo recente, têm conseguido captar novos clientes.

Aos que passam hoje pelo desemprego, Fernanda pede que não se deixem levar pelo medo ou desespero, mas acreditem na vida, pois tudo tem o dedo de Deus. “Ele sabe das nossas dificuldades e aflições, por isso, a saída mais inteligente nessa hora é manter a calma, os pés no chão, fazer sua parte (buscar novas oportunidades, se reinventar) e entregar o que você não pode resolver sozinho nas mão de Deus. Na hora dEle tudo se resolve”, sugere.

Empenho de todos para driblar o problema

Um dos pedidos do Papa, em sua intenção de oração, é que “sejam assegurados a todos o respeito e a tutela dos direitos”.

Sobre isso o mestre em Ciências Sociais com especialização em Doutrina Social da Igreja, padre Antonio Aparecido Alves, conhecido como padre Toninho, esclarece que a busca dessa proteção não deve ser feita a partir de afirmações simplistas, como por exemplo, colocar a culpa na legislação trabalhista ou invocar o crescimento econômico como gerador de novos postos de trabalho.

Para o especialista, os números do desemprego impressionam porque por trás deles existem pessoas, afrontadas em sua dignidade. Ele indica que os caminhos para o pleno emprego devem ser buscados em uma atitude de diálogo entre governo, empresas, sindicatos e sociedade civil organizada. 

Da parte do empresariado, o especialista destaca a necessidade de medidas estruturais que favoreçam o emprego, como investimento no setor produtivo, ao invés do mercado financeiro.

Quanto ao desempregado, o sacerdote diz que este deve manter o ânimo, acreditar que a situação poderá ser melhor e procurar atividades alternativas para geração de renda.

E, por fim, da parte das comunidades, organizar-se em rede de assistência aos desempregados, ajudando-os com a doação de alimentos, pagamentos das tarifas públicas, balcão de empregos onde sejam disponibilizados pelas mídias paroquiais sua oferta de mão-de-obra, entre outras coisas, sugere padre Toninho.

Dignidade do trabalhador

O especialista destaca que há diferença entre trabalho e emprego. Este último refere-se à atividade remunerada por certo número de horas, destinado à produção de bens e serviços. Já o trabalho trata da capacidade criativa do ser humano, desde a criança que transforma tinta da caneta em letra, até o trabalho de um metalúrgico que transforma o aço em um automóvel.

Diante disso, padre Toninho destaca que a “dignidade de trabalhador jamais será tirada da pessoa. É preciso alimentar a autoestima de que se é um trabalhador, mesmo que esteja desempregado”.

Justamente a fim de manter essa dignidade, o Papa pede ainda, em sua intenção de oração, que “seja dada aos desempregados a possibilidade de contribuírem para a edificação do bem comum”.

“São necessárias políticas públicas que possibilitem aos desempregados contribuírem para o bem da sociedade, em frentes de trabalho, onde se assegure o mínimo necessário para sua vida e de suas famílias, bem como ações solidárias nas comunidades que abram espaço para que estas pessoas possam ajudar de alguma maneira, colocando ali seus dons e talentos a serviço de todos”, aponta.

Por Canção Nova

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A dimensão política da caridade, um grande desafio pastoral https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/a-dimensao-politica-da-caridade-um-grande-desafio-pastoral/ Thu, 28 Sep 2017 09:03:12 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=48726 No centro da vida cristã está a contemplação do rosto do Senhor a partir dos pobres e o empenho em favor do Reino de Deus contra toda forma de idolatria. Por isso, a especificidade do “ethos” cristão não está propriamente em seu conteúdo, pois todo cristão deve fazer o que fazem todos os homens de bem, mas na referência a Jesus de
Nazaré.

Partindo de sua vida, que foi sempre doação incondicional pelo Reino, Jesus quis deixar um sinal distintivo para os seus seguidores. Sendo assim, resumiu toda a Lei em um único mandamento, a “agape”, que seria então o diferencial para seus discípulos (cf. Jo 15,12-14). Esse “novo mandamento” caracterizaria a vida cristã e seria o sinal pelo qual seus seguidores seriam reconhecidos. Isso é muito importante, de tal modo que a Igreja não pode descurar-se desse  serviço, assim como não pode negligenciar os Sacramentos nem a Palavra.

Caridade: compromisso da fé

A palavra “caridade”, entendida univocamente como “amor”, traduz a expressão grega “agape”, associada na tradição latina a “carus” (= caro, importante, estimado), que por sua vez se relaciona com o vocábulo grego “charis”, graça, dom e foi traduzido por “caridade”. Outras duas expressões são utilizadas na língua grega para significar o amor: “eros” e “philia”, significando o amor sensitivo e de amizade, respectivamente.

A novidade que se expressa no Novo Testamento, significativa para a fé cristã, é a marginalização dessas duas expressões e a utilização da palavra “agape” para significar o amor cristão, a ponto da Eucaristia ser chamada pelo mesmo nome.

Para a vida cristã, a caridade é um compromisso. Ao longo dos séculos, a fé foi se reduzindo à profissão de um conteúdo ortodoxo e sua “prática” tomou contornos litúrgicos e jurídicos. Ser uma pessoa de fé implicava em professar um conjunto de verdades e praticar o culto correspondente. Sua dimensão de experiência foi diminuída, bem como sua incidência na vida concreta também o foi. As consequências desse empobrecimento se fizeram sentir no terreno da caridade, que passou a ser compreendida como “sentimento”, ou então como obras pontuais e extraordinárias.

A esmola e a caridade

Dessa maneira, contrariamente ao ensino clássico, a caridade foi se tornando sinônimo de esmola, desvinculada da prática da justiça. Essa mentalidade se prolongou na prática eclesial e inspirou as “obras assistenciais”, que procuravam mitigar os efeitos maléficos deixados pela injustiça estrutural. Isso levou à acusação, especialmente da parte do marxismo, no bojo da revolução industrial, de que a caridade cristã era um meio de manutenção do “status quo”, sem nenhuma incidência sócio-transformadora.

Um grande desafio pastoral é, por isso, recuperar a dimensão política da caridade. Dessa maneira, estaremos voltando à senda indicada pelo Senhor e trilhada pelas primeiras comunidades cristãs, porque a “agape” é uma exigência evangélica, um mandamento deixado pelo Mestre a seus discípulos (cfr. Jo 15,12.17).

Em vista disso, resgatar a dimensão macropolítica da caridade, acentuando sua necessária ligação com a prática da justiça social e a transformação das estruturas injustas, configura-se certamente como o grande desafio pastoral de nosso tempo e um dos pontos de intersecção entre a Fé e a Política, colocando a caridade como princípio articulador do compromisso político. Afinal, a política é uma forma exigente de se viver a caridade cristã (Octogesima Adveniens 46).

Por Padre Antonio Aparecido Alves via Canção Nova (Padre Antonio Aparecido Alves é Mestre em Ciências Sociais com especialização em Doutrina Social da Igreja pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma e Doutor em Teologia pela PUC-Rio. Professor na Faculdade Católica de São José dos Campos e Pároco na Paróquia São Benedito do Alto da Ponte em São José dos Campos (SP). Para conhecer mais sobre Doutrina Social visite o Blog: www.caminhosevidas.com.br)

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A Eucaristia como partilha e solidariedade https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/a-eucaristia-como-partilha-e-solidariedade/ Wed, 14 Jun 2017 14:02:34 +0000 http://teste.toqueto.com/a-eucaristia-como-partilha-e-solidariedade.html A Solenidade de Corpus Christi ajuda-nos a refletir sobre uma das dimensões da Eucaristia, que é a da partilha. A partir desta dimensão, podemos inferir a dimensão social deste Santíssimo Sacramento, por vezes esquecida na espiritualidade cristã.

Na Carta Apostólica Mane Nobiscum Domine, São João Paulo II afirma que gostaria de chamar a atenção dos fiéis para esta dimensão, porque sobre ela “recai em grande medida a autenticidade da participação na Eucaristia celebrada em comunidade” (n. 28).

Note-se que o Pontífice não destaca aqui a exatidão do cumprimento das rubricas litúrgicas, a confissão sacramental ou o jejum eucarístico, mas “o impulso que ela traz em si por um empenho eficaz na edificação de uma sociedade mais equânime e fraterna” (idem). Infelizmente ainda persistem em muitos cristãos uma compreensão intimista e individualista deste Santíssimo Sacramento.

Combater as causas geradoras da fome

No que tange à fome, não bastam somente soluções assistenciais emergenciais que têm sido praticadas com generosidade pela Igreja ao longo dos séculos. Sem deixar de preocupar-se com as necessidades mais imediatas e com as situações de emergência, é necessário ter um horizonte maior, que se preocupe com a transformação das estruturas geradoras da miséria e da fome.

Existe alimento para todos, afirmam os Bispos do Brasil. Portanto, a fome não é resultado do aumento da população ou de outras causas naturais, mas fruto de um sistema iníquo, que não distribui a renda, agravado com o desperdício (CNBB. Exigências éticas de superação da miséria e da fome. Documento 69, n. 2).

João Paulo II já afirmara anteriormente na Sollicitudo rei socialis que a miséria não é fruto da fatalidade, mas de mecanismos perversos (n. 9) que se encarnam em verdadeiras estruturas de pecado (n. 16). É necessário criar uma cultura da solidariedade, que desmascare e desmonte estas estruturas perversas.

O Papa Francisco não se cansa de dizer que não podemos dormir sossegados enquanto houver pessoas com fome no mundo. Não podemos tolerar que se jogue comida no lixo, enquanto há tantos famintos. O desafio “dai-lhes vós mesmos de comer” (Mc 6,37) implica um compromisso, tanto para transformar uma economia geradora de morte, quanto para realizar pequenos gestos de solidariedade com os mais sofredores (Evangelii Gaudium 53;188).

A participação no banquete da Eucaristia tem sido para os cristãos um impulso para a transformação da sociedade? Empenhar-se para diminuir a fome no mundo e em volta de nós poderia ser uma boa maneira de se viver a Eucaristia.

Dai-lhes vós mesmos de comer (Mc 6,37)

A prática de Jesus se mostra no relato da multiplicação dos pães, que é narrada nos evangelhos sinóticos e em João, com pequenas diferenças (Mc 6,30-44; Mt 14,13-21; Lc 9,10-17; Jo 6, 1-13).

Em todas as narrativas Jesus se compadece com a fome do povo e provoca os discípulos. A resposta desses é evasiva, dizendo que a multidão deve ser dispersada para buscar alimento por si mesma. O desafio de Jesus, que atravessa os séculos e chega até nós é: “Dai-lhes vós mesmos de comer” (Mc 6,37).

A saciedade do povo somente ocorreu porque Jesus deslocou o coração dos discípulos da lógica econômica que passa pelo dinheiro, para o eixo da partilha e da solidariedade que passa pela compaixão. Primeiro veio a partilha, para que depois aparecessem os doze cestos cheios.

Por Padre Antonio Aparecido Alves, via Canção Nova

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