moral - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br Site oficial da Diocese de Uruaçu - GO Sat, 28 Sep 2024 04:04:47 +0000 pt-BR hourly 1 https://old.diocesedeuruacu.com.br/wp-content/uploads/2018/12/cropped-favicon-32x32.png moral - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br 32 32 170539269 Dia Mundial de Combate à Corrupção: só nova educação pode vencer tal prática https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/dia-mundial-de-combate-a-corrupcao-so-nova-educacao-pode-vencer-tal-pratica/ Fri, 08 Dec 2017 16:41:18 +0000 http://teste.toqueto.com/dia-mundial-de-combate-a-corrupcao-so-nova-educacao-pode-vencer-tal-pratica.html “Precisamos terminar com as castas que se enquistam no poder público distribuindo benesses e privilégios para os seus comparsas. Quem rouba milhões, mata milhões, não se defendem direitos humanos e sociais deixando impune a corrupção, sem tocar nos tentáculos das máfias do poder. Que o Evangelho do poder-serviço nos leve a construir um Brasil republicano, centrado na justiça, na integridade e no bem comum”.

O trecho acima é do artigo do bispo de Campos (RJ), dom Roberto Francisco Ferreria Paz, recém-publicado no site da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) que tem como título “Refundar e fazer nova a República”. No artigo, o bispo retrata em poucos parágrafos a crise do sistema político e a extensão do câncer da corrupção no Brasil.

O bispo é uma das milhares de vozes brasileiras que têm se levantado contra a corrupção que assola este país. Neste sábado, dia 9 de dezembro, se comemora o Dia Internacional contra a Corrupção. Esta data remete ao dia em que o Brasil e mais 101 países assinaram a Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção, em 2003, na cidade mexicana de Mérida.

Para o bispo de Ipameri (GO) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para Ação Social Transformadora da CNBB, dom Guilherme Werlang, a corrupção é moralmente um grande e gravíssimo pecado.

“Uma pessoa que compactua e pratica a corrupção jamais poderá ser reconhecida como cristão ou cristã. Eticamente, a corrupção destrói qualquer sociedade”.

O bispo destaca ainda que é preciso uma conscientização coletiva não só da corrupção que existe nos altos escalões da sociedade brasileira ou praticado por políticos, seja no Executivo, Legislativo ou no Judiciário.

“Temos que nos conscientizar que a corrupção começa com as pequenas desonestidades, desde a infância. Ela cresce, por exemplo, quando não exigimos fiscal. Quando queremos vantagens sobre pagamentos escondendo parte do valor. Quando fizermos a educação nova da honestidade e transparência aí podemos pensar em vencer a corrupção endêmica do Brasil”, enfatiza o bispo.

No último dia 26 de outubro, a CNBB divulgou uma nota sobre o grave momento político, destacando que a corrupção corrói o Brasil. No texto, a entidade repudia a falta de ética que se instalou nas instituições públicas, empresas, grupos sociais e na atuação de inúmeros políticos que “traindo a missão para a qual foram eleitos, jogam a atividade política no descrédito”.

A Conferência criticou também a apatia e o desinteresse pela política, que cresce cada dia mais no meio da população brasileira, inclusive nos movimentos sociais. Apesar de tudo, a entidade diz que é preciso vencer a tentação do desânimo, pois só uma reação do povo, consciente e organizado, no exercício de sua cidadania é capaz de purificar a política e a esperança dos cidadãos que “parecem não mais acreditar na força transformadora e renovadora do voto”.

De acordo com dados da Organização das Nações Unidas sobre Drogas e Crime no Brasil (UNODC), divulgados em 2013, a corrupção é o maior obstáculo ao desenvolvimento econômico e social na atualidade. Todos os anos, 1 trilhão de dólares é pago em suborno, enquanto cerca de 2,6 trilhões de dólares são roubados pela corrupção, o equivalente a mais de 5% do Produto Interno Bruto mundial.

Segundo estudo divulgado pela entidade Transparência Internacional, o Brasil fechou o ano de 2016 em 79º lugar entre 176 países em ranking sobre a percepção de corrupção no mundo. Além do Brasil, estão empatados em 79º lugar Bielorrússia, China e Índia.

Dom Guilherme, convoca a Igreja no Brasil, os pastores, leigos e leigas, neste Ano do Laicato, a assumir uma nova educação partindo da Palavra de Deus, que desafia e orienta ao mesmo tempo como buscar isto.

“O bom exemplo deve partir de nós. Infelizmente a desonestidade também acontece entre nós, em Igreja Cristãs, em nossas paróquias e dioceses onde também se fazem estas concessões e um jogo não tão transparente como deveria ser, portanto, temos muito trabalho e devemos ser os primeiros a dar um bom exemplo de uma vida honesta, transparente e justa para sermos construtores de uma nova sociedade”, ressalta.

Por CNBB

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Não responder intolerância com intolerância, diz Dom Sergio da Rocha https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/nao-responder-intolerancia-com-intolerancia-diz-dom-sergio-da-rocha/ Wed, 25 Oct 2017 08:02:03 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=49207 Exposições com uso de símbolos religiosos e abordando de forma polêmica questões da sexualidade, provocaram discussão na sociedade brasileira, ferindo não poucas sensibilidades e levando ao questionamento sobre o limite da arte.

O Cardeal Arcebispo de Brasília e Presidente da CNBB, Dom Sérgio da Rocha, o Secretário da entidade, Dom Leonardo Steiner e o Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger – em visita à Rádio Vaticano – falaram sobre este tema:

Dom Murilo Krieger:  “Sim, porque há uma ideia que às vezes se espalha de que o artista, ele não tem limites, quando a gente sabe que todo mundo gosta ser respeitado. E se toma a arte como se fosse um campo onde não houvesse ética. Ora, quando valores nossos são atacados – valores religiosos, ou então da raça – por exemplo, ninguém não é porque o artista é livre ele pode ofender judeus, não pode ofender negros, ou afrodescendentes. Também não pode ofender nossos símbolos religiosos. Então muitas vezes eles tentam deslocar a conversa e a discussão, mas quase só sobre o problema do nudismo, mas acho que é em segundo plano.

O problema são valores que cada um tem e que tem que ser respeitados. Senão fica um campo de agressividade maior. Então o que a gente nota, é que muitas mães de família, pais de família, logo se colocaram na situação do filhinho, como isto meu filho, ele não tem direito de ser agredido  por algo que não me interessa que ele veja e toque. E a gente nota  algo muito positivo, uma reação da sociedade. Claro, que aí vem o pessoal que chama de os retrógrados, os conservadores,  os direitistas.  Ou seja, tentar abafar a voz de quem pensa diferente, de uma forma assim agressiva. Mas eu penso que isto tudo está obrigando todos nós a tomarmos consciência, que devemos e temos o direito de defender nossos valores. Não é porque alguém se sente inspirado não sei por quem, pode ofender-nos assim gratuitamente.

RV: Dom Leonardo, o senhor que está em Brasília, naturalmente a CNBB…chega tudo, como o senhor diz, procuraram muito também os senhores por esta questão?

Dom Leonardo Steiner: “É, fomos muito procurados e nós achamos melhor não emitirmos nota, mas ajudarmos na reflexão.  Aquilo que Dom Murilo acaba de dizer é vital. Vejo que a questão da sexualidade ela  está sendo abordada de maneira quase superficial, e se diz como arte. Quando a sexualidade humana exige um certo distanciamento, exige uma intimidade que lhe é própria. É porque a nossa sexualidade se diferencia da sexualidade animal. A sexualidade humana tem a ver com intimidade, tem a ver com amor, tem a ver com delicadeza, tem a ver com vida que se entrecruza, tem a ver com vida que está por vir. Então não se pode abordar a questão da sexualidade humana de qualquer maneira, de uma maneira escancarada.

E eu penso que aqui tem alguns elementos que nós  poderemos ajudar a refletir. Mesmo aqueles quadros  expostos num dos museus, nos ajudam a refletir e a perceber assim  a que ponto estamos chegando na sociedade brasileira em relação a questões que são vitais para a pessoa humana, para não decairmos em relação a nossa sexualidade, ao nosso amor, nas nossas relações. As nossas relações humanas, elas têm um significado muito próprio. Nós não podemos banalizar as relações humanas, senão nós começamos a decair como civilização, como sociedade brasileira.

Eu creio que aqui existem alguns elementos antropológicos onde nós como CNBB podemos ajudar a refletir.  Não estou aqui nem mencionando – como Dom Murilo já lembrou –  as questões teológicas, as questões que o Evangelho nos propõe. Estou abordando aqui apenas no sentido antropológico, de pessoa, humana. E mesmo também  os símbolos religiosos. Os símbolos religiosos têm a ver com a expressão de nossa humanidade. Os valores, os símbolos, nos dizem algo, eles fazem parte de nossa vida. Se não fazem parte da vida de algumas pessoas, de determinados grupos, nós não invadimos a intimidade, não invadimos as pessoas com nossa agressividade, colocando estes valores ou estes símbolos em cheque, ou desprezamos estes valores. 

Estes valores são respeitados porque para determinado grupo ou para determinadas pessoas têm um significado inclusive de transcendência. Não estou aqui nem falando de fé, estou falando de transcendência, para além do imediato da cotidianidade e que ajuda a enfrentar a cotidianidade das pessoas. Eu não estou falando aqui apenas dos nossos símbolos católicos, estou falando dos símbolos que, por exemplo, o candomblé tem os seus símbolos e que estão sendo também agredidos.

E existe – Dom Sérgio antes estava falando – uma intolerância religiosa que vai aparecendo também na agressividade em relação aos símbolos, que vai aparecendo também em relação à arte. A própria arte às vezes está incentivando a intolerância. Então creio que existem aqui alguns elementos, e estes  foram aparecendo, e nós, como CNBB, tentamos ajudar a refletir. Certamente, o Conselho Permanente deve ainda também se manifestar a este respeito. Mas eu creio que também nisto temos sim uma contribuição a dar. Porque a intolerância está aparecendo também em forma de arte. E aí corremos um perigo muito grande”.

Dom Sérgio da Rocha: “Só alertar aqui, para aquilo que já acenamos, o risco, o perigo de querer responder uma ofensa de maneira ofensiva. Ou seja, querer responder uma forma de intolerância, sendo ainda mais intolerante. Isto preocupa muito. É justo manifestar a posição cristã ou a posição que as pessoas têm diante de situações assim. Mas é preciso ter um cuidado muito grande, para não alimentar ainda mais agressividade e intolerância, para não se tornar agressivo e intolerante, na resposta àquilo que consideramos ofensa, não pode ser respondido com mais ofensa ainda, como se diz arrasando com as pessoas, sobretudo. Acho que este cuidado precisa ter, porque senão nós não estaríamos respondendo de maneira cristã, nem estaríamos ajudando a superar a intolerância ou a agressividade”.

RV: Neste contexto as redes sociais assumem um papel bastante arriscado, porque a sensibilidade das outras pessoas é facilmente pisoteada, porque a gente não tem um interlocutor na frente e fica aquela avalanche de ofensas e insultos que vai sempre crescendo….

Dom Sérgio da Rocha: “E também, eu acho, o cuidado em não compartilhar aquilo que não é bom. Eu não sei porque, as pessoas hoje passam para frente com a maior facilidade ofensas, e às vezes sem maior razão de ser vão compartilhando, compartilhando, parece que por curiosidade, e com isto vão alimentando, vão divulgando também aquilo que não é bom. Acho que nós estamos precisando divulgar, compartilhar, aquilo que vale a pena, aquilo que constrói. Não que não vamos levar em conta, não se vai dar atenção àquilo que também seja considerado anticristão ou desumano. Mas eu creio que nós precisamos acima de tudo ter este cuidado de nas redes sociais não ficar compartilhando aquilo que não valeria a pena, coisa que não vale a pena ser passado para frente. E às vezes ela se multiplica de uma maneira impressionante, sem maior reflexão, sem maior posicionamento cristão”.

Por Rádio Vaticano

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Pe. Fábio de Melo: “Respeitem a infância” https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/pe-fabio-de-melo-respeitem-a-infancia/ Tue, 17 Oct 2017 10:24:49 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=49023 Com a onda de militância ideológica relativista que ataca o Brasil sob o pomposo eufemismo de “direitos sexuais de crianças e adolescentes”, a reação dos cidadãos em defesa do bom senso se avoluma.

Nesse contexto, o padre Fábio de Melo publicou um texto, em sua conta na rede social Instagram, para defender os pequenos.

Se alguém pretende acusar o sacerdote de repetir o que alguns rotulam de “clichês cristãos”, pode procurar argumentos mais sólidos. O padre afirma: “Não é inteligente contradizer a ciência. O desenvolvimento do juízo moral é processual. Cabe aos tutores o acompanhamento em cada fase da vida”.

Confira o texto na íntegra:

Que a infância seja respeitada. Que toda criança tenha o direito de crescer, fluir sob a autoridade amorosa dos que a ajudam a descobrir a ética do bem viver.

Que a inocência não a abandone antes da hora. Que nunca lhe falte a mão pedagoga, condutora, o abraço que afugenta o medo e a ordem que lhe faz desbravar o mundo em pequenas medidas. Infância é o tempo sagrado em que a submissão faz sentido. Alguém decide por nós o que ainda não sabemos decidir sozinhos. Permitir escolher ao que ainda não está preparado para a escolha é desproteger. Não é inteligente contradizer a Ciência. O desenvolvimento do juízo moral é processual. Cabe aos tutores o acompanhamento em cada fase da vida. Infância é o tempo dos sins que facilitam, mas também das restrições que protegem.

Que toda criança tenha o direito à tutela do amor respeitoso. É nesse seio que deveríamos aprender as regras da fragilidade. Que nossos espaços humanos não desprotejam, tampouco instrumentalizem a infância com o intuito de fortalecerem a violenta crueldade do mundo. Que nossos meninos e meninas possam ser frágeis ao nosso lado, sem que isso lhes seja sinal de perigo. Proteger a infância é proteger o direito humano à fragilidade. O que não pode ser frágil a seu tempo sucumbe antes da hora. É a partir da fragilidade que descobrimos a força que nos habita. Onde houver uma criança desprotegida, lá o mundo inteiro padece, retrocede.

Por Aleteia Brasil

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Papa: colaboração é a chave para proteger os menores na internet https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/papa-colaboracao-e-a-chave-para-proteger-os-menores-na-internet/ Fri, 06 Oct 2017 12:44:58 +0000 http://teste.toqueto.com/papa-colaboracao-e-a-chave-para-proteger-os-menores-na-internet.html “Trabalhar juntos para ter sempre o direito, a coragem e alegria de olhar nos olhos as crianças do mundo.” Esta foi a exortação que o Papa Francisco fez aos participantes do Congresso Internacional “A dignidade do menor no mundo digital”, recebidos em audiência, no Vaticano, esta sexta-feira (06/10).

Em seu longo discurso, o Pontífice definiu a vulnerabilidade dos menores na rede como um “problema novo e gravíssimo, característico do nosso tempo”.

De fato, observou o Papa, “vivemos num novo mundo, que quando éramos jovens não podíamos nem mesmo imaginar”. O mundo digital é fruto do progresso da ciência e da técnica e que transformou em poucas décadas o nosso ambiente de vida e o nosso modo de comunicar e de viver e está transformando inclusive o nosso modo de pensar e de ser.

De um lado, vivemos esta transformação com admiração e fascínio e, de outro, com medo e temor pelas consequências. Sentimentos contrastantes que nos levam a questionar se somos capazes de guiar os processos que nós mesmos criamos ou se estamos perdendo o controle. Para Francisco, esta é a pergunta existencial da humanidade de hoje diante dos diversos aspectos da crise global.

O Papa citou também alguns dados: dos mais de três bilhões de usuários da internet, mais de 800 milhões são menores. “O que encontram na rede? E como são considerados por quem pode administrá-la?” Não entendemos nesses anos que esconder a realidade dos abusos sexuais é um gravíssimo erro e fonte de muitos males?”, questionou Francisco.

Por isso, é preciso manter os olhos bem abertos e enfrentar o aspecto obscuro da rede, que se tornou um lugar propício para os seguintes crimes: pornografia, bullying, tráfico online de pessoas, prostituição, transmissão ao vivo de estupros e novos fenômenos como “sexting” (divulgação de conteúdos eróticos e sensuais através de celulares) e “sextortion” (extorquir através da exploração sexual sem coerção física).

Diante de tudo isso, afirmou o Papa, permanecemos certamente horrorizados, mas também, infelizmente, desorientados. A isso, se acrescenta o difícil diálogo entre a antiga e a nova geração digital.

As palavras de Francisco são, portanto, de encorajamento e de mobilização conjunta. E para que seja eficaz, o Papa convida a combater três possíveis erros de perspectiva.

O primeiro é não subestimar o dano que esses crimes provocam nos menores e inclusive nos próprios adultos.

“Seria uma grave ilusão pensar que uma sociedade em que o consumo aberrante do sexo se expande entre os adultos seja depois capaz de proteger de modo eficaz os menores.” O segundo erro é pensar que as soluções técnicas automáticas, como os filtros do computador para identificar e bloquear a difusão de imagens, sejam suficientes para combater o problema. “Certamente essas soluções são necessárias, mas também é necessário a força da exigência ética.” O terceiro erro é pensar a rede como o reino da liberdade sem limites, quando – na verdade – também necessita ser gerida por leis, com a colaboração de governos e da polícia.

Francisco manifesta seu apoio à Declaração redigida pelos participantes do Congresso e pede a colaboração também das lideranças religiosas, garantindo a disponibilidade e o empenho dos católicos.

Neste ponto, o Pontífice afirma que a Igreja Católica se tornou sempre mais consciente nos últimos anos do fato de não ter protegido suficientemente os menores dentro de suas instituições: “Vieram à luz fatos gravíssimos dos quais tivemos que reconhecer as responsabilidades diante de Deus, das vítimas e da opinião pública. Justamente por isso, a Igreja sente hoje um dever particularmente grave de se empenhar de modo sempre mais profundo para proteção dos menores e de sua dignidade”.

O Papa concluiu falando de quando os seus olhos cruzam o olhar de inúmeras crianças em suas audiências e viagens:

“Ser visto pelos olhos das crianças é um experiência que todos conhecemos e que nos toca profundamente no coração, e que nos obriga também a um exame de consciência. O que nós fazemos para que essas crianças possam nos olhar sorrindo?  O que fazemos para que esses olhos não sejam corrompidos por aquilo que encontrarão na rede? Trabalhemos portanto para ter sempre o direito, a coragem e a alegria de olhar nos olhos as crianças do mundo.”

Por Rádio Vaticano

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Crise do Carnaval https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/crise-do-carnaval/ Mon, 20 Feb 2017 11:17:33 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=44520 Tornou-se cotidiano o tema da crise. Fala-se de crise política, econômica, social, ética, antropológica, de segurança, de saúde pública, de educação. A crise instalou-se na sociedade!

Em nome da crise se atropela instâncias da sociedade, tempos e ritos, fazendo avançar iniciativas bizarras que vulgarizam valores e tradições. É o que se constata quando qualquer período do ano se torna oportunidade para carnaval.

O carnaval fazia parte da tradição cultural de vários povos antigos. Tratava-se de uma animada festa popular, com forte apelo à liberdade de expressão e movimento.

O carnaval também faz parte da cultura brasileira. Ora, cultura é tudo o que um grupo humano desenvolve para viver, conviver, sobreviver, relacionar-se, interpretar e dar sentido à vida. Cultura é conhecer e respeitar os valores das pessoas como expressão de sabedoria. Cultura é descoberta, conhecimento, benefício, partilha de experiências. Cultura é respeito pelas diferenças!

Nesse contexto, vale recordar o que dizia o cacique Raoni, da etnia Kayapó: “Eu não quero a sua cultura. Alguns entre vocês têm dinheiro e matam os outros para ter um pouco. Outros bebem álcool e bêbados destroem a si mesmos e os outros. Eu tenho medo mesmo! Nós, os Kayapós, pelo menos temos consideração e compreensão para com os outros. Somos todos irmãos e tios uns dos outros. É por isso que temos respeito, que protegemos uns aos outros. Vocês, brancos, não se preocupam com os de menos sorte. Vocês mentem uns para os outros. Eu descobri!”.

O carnaval traz em si um forte apelo de integração social. O genuíno carnaval é marcado pela música, dança, canto, pela alegria descontraída. Quanta beleza nos grupos que percorrem ruas e praças com alegria, candura e inocência… Gente imaginando que podia ser rei, rainha, princesa ao menos um dia na vida! O que dizer das fantasias, expressão de pausa no cotidiano marcado por tensões de toda espécie! E as músicas cheias de graça e movimentos; o cotidiano sendo transformado em samba: a mulher com a lata d’água na cabeça, a chiquita bacana lá da Martinica, os mil palhaços no salão, a colombina e o pierrô que se amam. Quanta alegria simples e pura! 

O que fizeram do carnaval? O carnaval enquanto expressão cultural do povo brasileiro está em crise! Às outras crises que marcam o presente, soma-se também a crise do carnaval.

A crise provoca alterações, convidando à purificação. Assumir a crise significa dispor-se à revisão de comportamentos, posturas, compreensões. Acolher a crise é saber cuidar. Viver a crise é dispor-se para ir ao encalço do novo que se apresenta, desafiando o ser humano à superação de referências cristalizadas.

O povo brasileiro está sendo desafiado no viver e conviver; está sendo desafiado a sobreviver! A crise vivida, nas suas múltiplas facetas, é fruto de equívocos teimosos e persistentes na sociedade. É expressão da falência de um modelo social que escolheu organizar-se a partir de uma lógica perversa que não respeita ninguém, nem tempos e cultura.

A vida atual em sociedade tem sofrido modificações bruscas, fruto do secularismo, subjetivismo, hedonismo, individualismo. Neste contexto, os discípulos de Jesus Cristo tem uma particular missão, sintetizada de forma exemplar pelo Padre Antônio Vieira: “Veja o céu que ainda tem na terra quem se põe da sua parte. Saiba o inferno que ainda há na terra quem lhe faça guerra com a palavra de Deus; e saiba a mesma terra, que ainda está em estado de reverdecer e dar muito fruto”.

Por Dom Jaime Spengler – Arcebispo metropolitano de Porto Alegre

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Justiça do Reino https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/justica-do-reino/ Thu, 09 Feb 2017 08:27:19 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=44296 No íntimo do ser humano há tendências para a prática do bem ou do mal. A noção do bem, solidificada com a vontade de se pautar por um caminho de busca de um ideal pautado por valores éticos, morais e religiosos, leva a pessoa a alcançar sua realização humana na busca e conquista deste ideal elevado. Ao contrário, se ela se deixar levar por saciar os desejos instintivos desenfreados e opostos àqueles da boa consciência, sua realização e felicidade se tornam efêmeras e de um vazio existencial. A felicidade do ser humano não tem consistência duradoura se não se basear no fundamento da justiça, que traz o equilíbrio da vontade humana pautada pela divina.

Deus não nos criou para a infelicidade, mas nos deixa a liberdade para optarmos ou não em realizar seu projeto de vida para nós. A consciência reta, formada na valorização da ética natural e na vivência dos valores apresentados pelo Criador, já inerentes à natureza e plenificado pela revelação do seu Filho vindo até nós de modo humano, leva-nos a praticar a justiça do Reino. Esta nos impulsiona a vivermos na retribuição do amor de Deus, que nos dá gratuitamente o dom da vida. Se desfizermos dessa justiça, desfazemos nossa realização humana. Pervertemos a consciência da retidão moral. Erramos,  injustiçamos  a nós mesmos, o semelhante, a família, o desenvolvimento de toda a ordem e não usamos nossos recursos para a promoção da vida, da dignidade humana e da justiça social. A Bíblia nos ensina: “Diante do homem estão a vida e a morte, o bem e o mal; ele receberá aquilo que preferir… (Deus) não mandou a ninguém agir como ímpio e a ninguém deu licença de pecar” (Eclesiástico 15, 18.21).

Se todos ouvissem a proposta divina, já percebida na consciência bem formada e na revelação de Cristo, seríamos mais solidários, justos, compassivos e altruístas. Superaríamos a concentração de recursos exagerados nas mãos de poucos para promovermos mais justiça na terra. Seriam banidas a fome, as armas e as guerras. A formação com famílias melhor estruturadas e assistidas, a educação de melhor qualidade, a saúde melhor encaminhada e a segurança mais estruturada, todo tipo de benefício social seria mais democratizado. Aconteceria, de fato, a inclusão social mais justa e a cidadania haveria de modo extensivo a todos. Deus quer o bem de todos, mas respeita nossa vontade e ação para usarmos a inteligência e todos os recursos que Ele nos dá para fazermos nossa parte. Assim, faríamos deste planeta um lugar de verdadeira justiça em que reinem o amor e a fraternidade. Para isso, precisamos da sabedoria que não provém simplesmente de nossas capacidades humanas e sim da sabedoria de Deus, como lembra o apóstolo Paulo (Cf. 1 Coríntios 2,6-10).

A sabedoria divina nos é dada para sabermos obedecer ao Criador, na prática da justiça e da caridade. Quem as praticar e assim ensinar aos outros “será considerado grande no reino dos céus” (Mateus 5,19). Não se trata simplesmente de um ensinamento religioso, mas também autenticamente humano. Hoje precisamos demais de promover o que realmente nos humaniza, com o exercício das virtudes do altruísmo e da promoção do respeito à dignidade humana. Assim colaboramos com o bem comum e nos tornamos felizes porque damos de nós pelo bem do semelhante e de toda a sociedade. Afinal, marcamos presença de qualidade aqui na terra e nos realizamos porque usamos dos dons de Deus para amar e servir, mesmo à custa de nos sacrificarmos pela promoção da justiça humana permeada com a divina.

Por Dom José Alberto Moura – Arcebispo de Montes Claros (MG)

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Recuperar as instituições https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/recuperar-as-instituicoes/ Mon, 06 Feb 2017 09:02:34 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=44246 É grave o processo de sucateamento das instituições. Isso porque os funcionamentos institucionais, frequentemente, são obsoletos e não conseguem promover o bem da coletividade.  Essa realidade traz resultados nefastos para cada instituição – sejam elas governamentais, educacionais, religiosas ou familiares, além de prejuízos para toda a sociedade. Os investimentos para se adequar processos são insuficientes e, consequentemente, os resultados são pífios na prestação de serviços. Um mal terrível que envolve variadas instituições, inclusive as que têm seu balizamento maior na experiência da fé. 

A sociedade pede mais consistência por parte das organizações, que precisam cumprir bem sua tarefa: assumir a responsabilidade de cooperar para a transformação de uma sociedade carente de novos impulsos e inovações. É preciso deixar de insistir em práticas de tempos que já se foram. Muitas ações que são próprias do passado já não têm força para interagir com as demandas do mundo contemporâneo. Consequentemente, não conseguem interferir positivamente na realidade. Mas ainda assim, permanecem os gastos – com recursos financeiros e também humanos – direcionados a esses funcionamentos inadequados. As pessoas ficam submersas na mediocridade de escolhas e de encaminhamentos. Conviver com a pequenez naquilo que se faz, por não se engajar nos processos de mudanças, torna-se normal. Isso trava criatividades e amordaça muitos na condição de não conseguir contribuir. Cria-se facilmente o vício de se fazer das configurações institucionais, nos seus funcionamentos, simplesmente um amparo para quem se satisfaz com a oportunidade de ter um “lugar ao sol”. Ora, esse fenômeno é a contramão das dinâmicas modernas e inevitáveis das inovações. 

Inovar é uma exigência e deveria ser a meta, mas os agentes da inovação – as pessoas que integram as instituições – se satisfazem com a conquista de uma zona de conforto que mata gestos de altruísmo, impedindo o ser humano de ser participe na criação e recriação. Compreende-se, assim, porque a ocupação de cargos não é garantia para uma atuação proativa e com força de transformação. O marasmo no interior das instituições envolve como uma nuvem a preciosidade de cada pessoa. O resultado nefasto é o cumprimento de mandatos ou tempo de serviço com opacidade. 

Percebe-se que a dimensão pessoal sucateia a instituição. Mas, também a dimensão institucional pode prejudicar as pessoas, enjaulando-as, inclusive as que têm grande potencial. Sem conseguir mostrar a própria capacidade, elas permanecem na linha mediana de atuação.  Por isso, cada pessoa precisa assumir o compromisso de lançar um olhar sobre a instituição na qual se insere, buscando saídas para a terrível fragilização das organizações. Essa fragilização é fundamentada na incompetência que afeta modos de agir e nos desvios ético-morais que, inclusive, levam agentes a usufruírem, de modo desonesto, de recursos institucionais, conduzindo velozmente as organizações, na qual trabalham, rumo a precipícios. 

O fato mais comum é, consciente ou inconscientemente, tender a escolhas que levem a colocar responsabilidades e intervenções nas mãos de quem não as operará adequadamente. Certamente, trata-se de mecanismo de defesa que perpetua a mediocridade que, infelizmente, incomoda menos. O que incomoda mais é o desafio de desinstalar-se da “zona de conforto” para responder às exigências e às demandas do dia a dia, às necessidades de qualificação permanente do tecido institucional. Esse tecido, quando fortalecido, pode alavancar mudanças que levem às soluções adequadas para o tempo atual.  Assim, em gesto de humildade e batendo penitencialmente no peito, cada pessoa precisa cultivar uma consciência cidadã e não apenas ocupar postos que representem, somente, oportunidade de promoção pessoal. Todos devem assumir a responsabilidade para ajudar a encontrar novas respostas, com trabalho produtivo. Esse é um indispensável caminho no combate à mediocridade, no enfrentamento das demagogias e na coragem de avaliar, sinceramente, o que se está fazendo, para encontrar os caminhos da inovação e recuperar as instituições.

Por Dom Walmor Oliveira de Azevedo – Arcebispo de Belo Horizonte (MG)

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Frear as banalizações https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/frear-as-banalizacoes/ Thu, 19 Jan 2017 18:31:37 +0000 http://teste.toqueto.com/frear-as-banalizacoes.html A progressiva banalização do mal revela uma exigência: o confronto dos processos que deterioram o núcleo humanístico essencial de cada pessoa, recôndito sacrossanto da consciência que conduz atitudes e escolhas nos trilhos do bem e da justiça.   Sem a superação do sentimento de que o mal é algo natural, não se conquistará a paz. Essas banalizações são uma sucursal do inferno, aprisionando a humanidade. Gradativamente, perde-se a sensibilidade fundamental que capacita, motiva e impulsiona o coração para o perdão e a reconciliação. Consequentemente, prevalece a incapacidade para a convivência fraterna e pacífica. Multiplicam-se os cenários aterrorizantes dos atentados, das chacinas e de outras diversas violências que, além dos prejuízos nefastos e das perdas irreversíveis, vão adoecendo consciências, deturpando entendimentos e formatando – com vícios – as escolhas. Ficam comprometidas as condutas, pois é banido o sentido que se conquista na experiência convincente de que é bom ser bom.

A reação contrária às banalizações do mal deve nascer de uma articulada e contemporânea retomada do compromisso de se investir na formação moral. Obviamente, isso não pode ser um posicionamento reacionário marcado por rigidez e intolerâncias. Em vez disso, é um enfrentamento dos descompassos que inviabilizam a convivência solidária, aumentam a indiferença, levando-a a um patamar que produz brutalidades, estampadas em chacinas como as ocorridas em presídios, nos homicídios registrados nas cidades, atentados contra a vida em muitos outros lugares. Esses crimes ocorrem de modo fragmentado, disperso, mas, se somados, evidenciam números de uma sociedade em guerra.

A moralidade tem força para frear as banalizações agravadas ainda mais pela influência das tecnologias sobre o comportamento humano. De um lado, são verificados avanços fantásticos no universo tecnológico, mas, por outro, surgem verdadeiras “armas de destruição”, quando as relações presenciais são substituídas por “contatos virtuais”. Um contexto preocupante em que, muitas vezes, as interações renunciam ao mais elementar sentido de respeito pelo outro e pelas singularidades. Eis um dos nascedouros da banalização do mal que, nessas situações, se revela na ausência do sentido de igualdade, do apreço pelo outro. As consequências são a perversão do deboche e da manipulação das pessoas, desconsiderando a sacralidade de todos. Trata-se o outro como descartável, compreendendo-o como simples instrumento para se alcançar certos objetivos pessoais. Por isso, não há alianças e vínculos duradouros, necessários alicerces para uma vida qualificada e verdadeiramente humana. 

Os investimentos na ordem moral devem incidir na esfera individual, com o balizamento do núcleo familiar, célula da sociedade, e com o empenho das mais diferentes instituições e segmentos, todos comprometidos com um funcionamento eticamente exemplar. Há um terrível dilaceramento do tecido moral que precisa ser recuperado. Isso só é possível a partir da redescoberta dos valores que promovem o altruísmo. Assim, as escolhas não serão somente orientadas pelos critérios do lucro, das vantagens e das comodidades, mas regidas pelo compromisso de se fazer o bem.

Essa reação exige que todos reconheçam um preocupante fenômeno, consequência da banalização do mal: a perda do sentido de gratidão e da competência para a generosidade. As portas, assim, escancaram-se, cada vez mais, para todo tipo de violência. Nada tem sentido de sagrado, tudo é vulnerável e descartável.  O ser humano passa a se habituar a tudo o que deveria ser condenado. Banalizam-se as chamadas “pequenas mentiras”, os enganos que sordidamente são produzidos para manipular pessoas e esconder esquemas de corrupção.

Importante é reconhecer que as violências alimentam essas situações, que, por sua vez, fomentam as violências. Para superar essa perversa dinâmica, é preciso acolher a orientação de Jesus, que também viveu tempos de violência. O Mestre ensinou que o verdadeiro campo de batalha, onde se defrontam a violência e a paz, é o coração humano. Nesse sentido, o Papa Francisco pede a cada pessoa, em sua mensagem para o Dia Mundial da Paz: comprometamo-nos, por meio da oração e da ação, a tornar-nos pessoas que baniram dos seus corações, palavras e gestos a violência, e a construir comunidades não violentas, que cuidem da “casa comum”. O estilo adotado de se viver pautado pela não violência depende que cada pessoa seja um “coração da paz”. Nobre e pertinente, interpelante e indicativa é também a palavra do Papa emérito Bento XVI, ao dizer que a não violência para os cristãos não é mero comportamento tático, mas um modo de ser da pessoa, uma atitude de quem está tão convicto do amor de Deus e de seu poder que não tem medo de enfrentar o mal com as armas do amor e da verdade. Assumir esse modo de ser: aí está o caminho único para a moralização capaz de frear as banalizações do mal que deterioram a humanidade.

 
 
Dom Walmor Oliveira de Azevedo
 Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte
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