Missão - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br Site oficial da Diocese de Uruaçu - GO Sat, 28 Sep 2024 04:05:18 +0000 pt-BR hourly 1 https://old.diocesedeuruacu.com.br/wp-content/uploads/2018/12/cropped-favicon-32x32.png Missão - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br 32 32 170539269 “Ide e Fazei discípulos meus…” https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/ide-e-fazei-discipulos-meus/ Sat, 17 Oct 2020 14:09:18 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=59216 “Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulos, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando-as a observar tudo quando vos ordenei.” (Mt 28, 19-20a). A tônica do evangelista em concluir o Evangelho com um tom de início, começo revela que a Boa Notícia sempre precisa ser propagada, levada a todos sem quaisquer exceções. Tendo se assentado aos pés do Divino Mestre, faz necessário, um levantar que carregue consigo o transbordamento da experiência vivenciada.

O Ide de Jesus é característica do despojamento, do desprendimento e da saída daquele que se abre à escuta e a alegria pela adesão ao convite do Eterno Chamante. A Igreja tem como missão fazer vida e perpetuação esta convocação. Ela mesma nasceu, tem como essência deste Ide, que se configurou na história de tantos homens e mulheres de boa vontade que entregaram tudo de si, para que, o que eles experimentavam enquanto plenitude, preenchesse os vazios existenciais de muitos.

No que se refere ao “Fazer discípulos todas as nações”, precisa-se levar em consideração que o discipulado, a propagação do Evangelho é fruto do sair de si mesmo e do partir em direção daquele que é o destinatário do mistério salvífico. Uma “Igreja em saída” é ser um povo que caminha para Deus, que parte para o encontro com o outro, no cumprimento do Seu querer. O Papa Francisco a este respeito descreve na sua primeira Exortação Apostólica, A Alegria do Evangelho: “A evangelização é dever da Igreja. […] Trata-se certamente de um mistério que mergulha as raízes na Trindade, mas tem a sua concretização histórica num povo peregrino e evangelizador […]” (EG, n. 111)
Assim uma “Igreja em saída”, compreende a paróquia não como algo que encerra nela mesma, porém como extensão, parte tão ínfima, de uma Instituição (não meramente material) que transcende o tempo e o espaço. A Igreja em Saída é uma Igreja da proximidade, da partilha, da comunhão recíproca e verdadeira. A exemplo do Bom Pastor que está sempre pronto a sair e resgatar a ovelha perdida, desgarrada, deve estar pronto todo o homem que se diz cristão.

Neste viés a proximidade gera vínculo e comprometimento, um abrir-se para a graça. Por meio desta dinâmica se acentua o batismo em Nome da Trindade Santa: “batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”, (cf. Mt 28, 19). A própria Trindade se manifesta no transbordar do envio, do envio do amor. O Pai que sendo Amor (cf. 1 Jo 4, 8c) envia o Filho, sendo este o próprio Amado (cf. 1 Jo 4, 14) e o Pai e o Filho enviam o Espírito Santo o Amor doado.

A missão é a unidade da Trindade, é diretriz, o fundamento, o alicerce da vida toda do cristão, no “envio do anúncio, do testemunho e da difusão do mistério da comunhão da Santíssima Trindade” (cf. CEC 738). A saber, que este mistério da comunhão da Santíssima Trindade se estabelece sobretudo no Amor, de tal modo, a vocação missionária necessita ser vivida no Amor.

Vale ponderar que esta pedagogia missionária necessita da adesão livre, consciente e total do discípulo. A vida do discípulo está no agir e pensar em conformidade com o Mestre, que o ensina e o convida a uma vivência sempre mais radicada no seguimento.

A missão é um itinerário de caminhar junto a Cristo. Deixando ser conduzido por seus passos, são eles que motivarão e darão o sentido do caminho a ser percorrido. O discipulado se faz no ouvir, sabendo que o ouvir é sempre ligado na Sagrada Escritura no empenho da obediência, na entrega sem reservas. Somente um coração vazio de si mesmo e abnegado é capaz de ser preenchido por Deus.

O discípulo missionário está sempre em volto do acreditar, celebrar e viver. Acredita porque traz a firme convicção das Palavras por ele ouvidas e anunciadas. E celebra porque vive na certeza que tudo é dom, entrega, oferecimento e presença contínua do Amoroso e Misericordioso. Como diz o Santo Padre o Papa Francisco na Carta Encíclica sobre o Cuidado da Casa Comum: “Deus, que nos chama a uma generosa entrega e a oferecer-Lhe tudo, também nos dá forças e a luz de que necessitamos para prosseguir.[…] Não nos abandona, não nos deixa sozinhos.” (LS n. 245)

A Igreja tem como natureza a missionariedade, desde sua essência é uma Igreja missionária (cf. AG 2). A Missão conduz a vivência radicada no Anúncio, no serviço, na proximidade do povo, no cumprimento e efetividade do mandato de Cristo.

O mandato missionário pode ser entendido como a súmula da Boa Nova do Reino. Nele se expressa o querer salvífico do Pai, que envia seu Filho e o mesmo como enviado do Pai, convoca a todos a serem luz na vida daqueles que jazem nas trevas. Esta incumbência apostólica está impregnada por uma vida que se desinstala, que se coloca na prática concreta do seguimento.

Por fim, a Adesão do discípulo ao convite do seu “Ide e fazei discípulos meus…” se estabelece e se encerra na oblação de si mesmo, para a obra Daquele que envia. O discípulo dará maior adesão à medida que for íntimo de Deus, servo atento, vazio e reconhecer que o êxito da Missão não está em seu ser, senão Naquele que decorre todo bem, providência e Amor.

Pe. Raynner Leonardo

]]>
59216
O Papa e a missão: “Sem Jesus não podemos fazer nada” https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/destaque/o-papa-e-a-missao-sem-jesus-nao-podemos-fazer-nada/ Mon, 04 Nov 2019 18:06:37 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=57053 Antecipamos alguns trechos do livro-entrevista de Gianni Valente com o Papa Francisco, na conclusão do mês missionário extraordinário, onde o Papa reafirma que “A Igreja ou é anúncio ou não é Igreja”. O livro publicado pela LEV e edições São Paulo, estará nas livrarias a partir de 5 de novembro.

“A alegria do Evangelho enche o coração e a vida daqueles que se encontram com Jesus”. Assim inicia a Exortação Apostólica Evangelii gaudium, publicada pelo Papa em novembro de 2013, oito meses depois do Conclave que o elegera Bispo de Roma e Sucessor de Pedro. O programático texto do pontificado convidava todos a re-sintonizar cada ato, reflexão e iniciativa eclesial “sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual”. Quase seis anos depois, o Pontífice anunciou o Mês Missionário Extraordinário, para outubro de 2019, concluído poucos dias atrás, e a Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos dedicada à Região Amazônica, com o objetivo de sugerir novos caminhos de anúncio do Evangelho no “pulmão verde”, martirizado pelo sofrimento predatório que violenta e causa ferimentos “aos nossos irmãos e à nossa irmã terra” (Homilia do Santo Padre na missa de conclusão do Sínodo para a Região Pan-Amazônica).

Durante este tempo, o Papa Francisco no seu magistério, disseminou insistentes referências à natureza própria da missão da Igreja no mundo. Por exemplo, o Pontífice repetiu várias vezes que anunciar o Evangelho não é “proselitismo”, que a Igreja cresce “por atração” e por “testemunhos”. Uma série de expressões, todas elas orientadas a sugerir por menções qual é o dinamismo para cada obra apostólica, e qual pode ser a sua fonte.

Sobre isso e muitas outras coisas, o Papa Francisco fala no seu livro-entrevista intitulado “Sem Ele não podemos fazer nada. Uma conversa sobre o ser missionário no mundo de hoje”. A Agência Fides nos atencipa alguns trechos do livro.

Confira o vídeo!

O senhor contou que quando era jovem queria ser missionário no Japão. Pode-se dizer que o Papa é um missionário não completo?

Não sei. Entrei na ordem dos jesuítas porque me impressionava a vocação missionária da mesma, e o fato de sempre procurarem novas fronteiras. Na época não pude ir ao Japão. Mas sempre senti que anunciar Jesus e o seu Evangelho quer dizer sair e coloca-se a caminho.

O senhor repete sempre: “Igreja em saída”. A expressão é relançada com frequência e às vezes parece ter se tornado um slogan abusado, a disposição dos que, cada vez mais numerosos, passam o tempo a dar lições à Igreja sobre como deveria ser ou não ser.

“Igreja em saída” não é uma expressão de moda que eu inventei. É um mandamento de Jesus, que no Evangelho de Marcos pede aos seus discípulos para irem pelo mundo inteiro e anunciarem o Evangelho “a toda criatura”. A Igreja ou é em saída ou não é Igreja. Ou é em anúncio ou não é Igreja. Se a Igreja não sai se corrompe, perde sua natureza . Torna-se outra coisa.

Uma Igreja que não anuncia e que não sai, o que se torna?

Torna-se uma associação espiritual. Uma multinacional para lançar iniciativas e mensagens de conteúdo ético-religioso. Nada de mal, mas não é a Igreja. Este é um risco de qualquer organização estática dentro da Igreja. Termina-se por domesticar Cristo. Não se da mais testemunho da ação de Cristo, mas fala-se de uma certa ideia de Cristo. Uma ideia possuída e adomesticada por você mesmo. Você organiza as coisas, torna-se um pequeno empresário da vida eclesial, onde tudo acontece segundo o programa pré-estabelecido, isto, é, seguindo apenas as instruções. Mas o encontro com Cristo não se repete mais. Não se repete o encontro que tinha tocado seu coração no início.

A missão é por si antídoto a tudo isso? É suficiente a vontade e o esforço de “sair” em missão para evitar essas distorções?

A missão, a “Igreja em saída” não são um programa, uma intenção para a ser realizada por boa vontade. É Cristo que faz a Igreja sair de si mesma. Na missão de anunciar o Evangelho, você see move porque o Espírito Santo empurra você, e o leva. E quando você chega, da-se conta de que Ele chegou antes e está esperando você. O Espírito do Senhor chegou antes. Ele previne, também para preparar o seu caminho e já está em ação.

Em um encontro com as Pontifícias Obras Missionárias, o senhor sugeriu-lhes ler os Atos dos Apóstolos, como texto habitual de oração . A narração dos primeiros tempos, e não um manual de estratégia missionária moderna. Por que?

O protagonista dos Atos dos Apóstolos não são os apóstolos. O protagonista é o Espírito Santo. Os Apóstolos são os primeiros que o reconhecem e o confirmam. Quando comunicam aos irmãos de Antioquia as indicações estabelecidas pelo Concílio de Jerusalém, escrevem: “Decidimos, o Espírito Santo e nós”. Eles reconheciam com realismo o fato de que era o Senhor que adicionava todos dias à comunidade “os que estavam salvos”, e não os esforços de persuasão dos homens.

E agora é como naquela época? Não mudou nada?

A experiência dos Apóstolos é como um paradigma que vale para sempre. Basta pensar como os fatos nos Atos dos Apóstolos acontecem gratuitamente, sem artifícios. É um caso, uma história de homens na qual os discípulos chegam sempre depois do Espírito Santo que age por primeiro. Ele prepara e trabalha os corações. Abala seus planos. É ele que os acompanha, os guia, os consola dentro de todas as circunstâncias que devem viver. Quando chegam os problemas e as perseguições, o Espírito Santo trabalha ali também, de maneira ainda mais surpreendente, com o seu conforto, o seu consolo. Como acontece depois do primeiro martírio, o de Santo Estêvão.

O que ocorre?

Inicia um tempo de perseguição, e muitos discípulos fogem de Jerusalém, vão para a Judeia e Samaria. E ali, enquanto estão espalhados e fugitivos, começam a anunciar o Evangelho, mesmo se estão sozinhos e sem os Apóstolos, que ficaram em Jerusalém. São batizados, e o Espírito Santo lhes dá a coragem apostólica. Ali se vê pela primeira vez que o batismo é suficiente para se tornar anunciadores do Evangelho. A missão é o que aconteceu ali. A missão é obra Sua. É inútil se agitar. Não precisamos nos organizar, não precisamos gritar. Não servem descobertas ou estratégias. Precisa apenas pedir que se faça novamente em nós a experiência para que possamos dizer: “decidimos, o Espírito Santo e nós”.

E se não houver esta experiência, qual é o sentido das chamadas à mobilização missionária?

Sem o Espírito, a missão torna-se outra coisa. Torna-se, diria, um projeto de conquista, pretensão de uma conquista feita por nós. Uma conquista religiosa, ou talvez ideológica, talvez feita com boas intenções. Mas é uma outra coisa.

Citando Bento XVI, o senhor repete com frequência que a Igreja cresce por atração. O quer dizer isso? Quem atrai? Quem é atraído?

São palavras de Jesus no Evangelho de João. “Quando eu for levantado da terra, atrairei todos a mim”. E no mesmo Evangelho, diz ainda “Ninguém vem a mim, se não for atraído pelo Pai que me mandou”. A Igreja sempre reconheceu que esta é a forma de todo o lema que aproxima a Jesus e ao Evangelho. Não uma convicção, um raciocínio, uma tomada de consciência. Não uma pressão, ou uma constrição. Trata-se sempre de uma atração. O profeta Jeremias já dizia: “Tu me seduziste e eu me deixei seduzir”. E isso também vale para os apóstolos, para os missionários e pela sua obra.

Como ocorre o que o senhor descreveu acima?

O mandato do Senhor de sair e anunciar o Evangelho, vem de dentro, por paixão, por atração amorosa. Não se segue Jesus e muito menos se torna anunciadores d’Ele e do seu Evangelho por uma decisão prática, por uma militância autoinduzida. O próprio impulso missionário só pode ser fecundo se acontece dentro desta atração e que se transmite aos outros.

Qual é o significado destas palavras com relação à missão e ao anúncio do Evangelho?

Quer dizer que se é Cristo que atrai você, se você se move e faz as coisas é porque é atraído por Cristo, as pessoas então irão se dar conta disso sem esforço. Não há necessidade de demonstrá-lo, e muito menos ostentá-lo. Ao contrário, quem pensa em ser protagonista ou empresário da missão, com todos os seus bons propósitos e as suas declarações de intenção muitas vezes termina por não atrair ninguém.

Na sua Exortação Apostólica Evangelii gaudium, o senhor reconhece que tudo isso pode “causar-nos uma certa vertigem”. Como aqueles que mergulham em um mar onde não sabem o que encontrarão. O que o senhor queria sugerir com esta imagem? Essas palavras referem-se também à missão?

A missão não é um projeto empresarial bem organizado. Nem mesmo um espetáculo organizado para saber quantas pessoas participam graças às nossas propagandas. O Espírito Santo age como quer, quando e onde quiser. E isso pode causar uma certa vertigem. Mesmo assim o cume da liberdade repousa justamente neste deixar-se levar pelo Espírito, renunciado a calcular e controlar tudo. E justamente nisso imitamos o próprio Cristo, que no mistério da sua Ressurreição aprendeu a repousar na ternura dos braços do Pai. A misteriosa fecundidade da missão não consiste nas nossas intenções, nos nossos métodos, nos nossos lançamentos e iniciativas, mas repousa justamente nessa vertigem: a vertigem que se adverte diante das palavras de Jesus, quando diz “sem mim nada podeis fazer”.

O senhor repete muitas vezes também que a Igreja cresce “por testemunho”. Qual é a sugestão para esta insistência?

O fato que a atração se faz testemunho em nós. A testemunha comprova o que a obra de Cristo e do seu Espírito realizaram na sua vida. Depois da Ressurreição, é o próprio Cristo que nos torna visível aos apóstolos. É ele a sua testemunha. Também o testemunho não é um desempenho próprio, só se pode ser testemunha das obras do Senhor.

Outra coisa que o senhor repete com frequência, neste caso em chave negativa: a Igreja não cresce por proselitismo e a missão da Igreja não é fazer proselitismo. Por que tanta insistência? É para manter as boas relações com as outras Igrejas e o diálogo com as tradições religiosas?

O problema do proselitismo não é apenas o fato que contradiz o caminho ecumênico e o diálogo inter-religioso. Há proselitismo em todos os lugares, há a ideia de fazer com que a Igreja cresça deixando de lado a atração de Cristo e da obra do Espírito, apostando tudo nos chamados “discursos sábios”. Portanto, como primeira coisa, o proselitismo tira o próprio Cristo e o Espírito Santo da missão, mesmo quando pretende agir em nome de Cristo, de maneira nominalista. O proselitismo é sempre violento pela sua natureza, mesmo quando é dissimulado ou feito “com luvas de pelica”. Não suporta a liberdade e a gratuidade com a qual a fé pode se transmitir, pela graça, de pessoa a pessoa. Por isso o proselitismo não é apenas o do passado, dos tempos do antigo colonialismo, ou das conversões forçadas ou compradas com a promessa de vantagens materiais. Hoje também pode haver proselitismo, nas paróquias, nas comunidades, nos movimentos, nas congregações religiosas.

Então, o que quer dizer anunciar o Evangelho?

O anúncio do Evangelho que dizer entregar com palavras sóbrias e claras o próprio testemunho de Cristo como fizeram os apóstolos. Mas não é necessário discursos persuasivos. O anúncio do Evangelho pode ser também sussurrado, mas passa sempre pela força arrebatadora do escândalo da cruz. E desde sempre segue o caminho indicado na Carta de São Pedro Apóstolo, que consiste no simples “dar razão” aos outros da própria esperança. Uma esperança que permanece escândalo e tolice aos olhos do mundo.

Do que se trata o “missionar” cristão?

Uma característica distintiva é a de ser facilitadores e não controladores da fé. Facilitar, tornar fácil, não pôr obstáculos ao desejo de Jesus de abraçar todos, de curar todos, de salvar todos. Não fazer seleções, não criar “triagens pastorais”. Não fazer parte dos que se colocam à porta para controlar se todos têm requisitos para entrar. Recordo os párocos e as comunidades que em Buenos Aires tinham colocado em campo várias iniciativas para facilitar o acesso ao batismo. Deram-se conta que nos últimos anos estava aumentando o número dos que não eram batizados por vários motivos, mesmo sociológicos, e queriam recordar a todos que ser batizados é uma coisa simples, que todos podem pedir para si e para seus próprios filhos. O caminho que os párocos e aquelas comunidades tomaram era um só: não complicar, não pretender nada, eliminar todas as dificuldades de caráter cultural, psicológico ou prático que poderia levar as pessoas a adiar ou perder a intenção de batizar seus próprios filhos.

Na América, no início da evangelização, os missionários discutiam sobre quem seria “digno” de receber o batismo. Como se concluíram aquelas discussões?

Papa Paulo III recusou as teorias dos que sustentavam que os índios eram por natureza “incapazes” de acolher o Evangelho e confirmou a escolha dos que facilitavam o seu batismo. Parecem coisas passadas, mas ainda hoje há círculos e setores que se apresentam como “ilustrados”, iluminados, e sequestram também o anúncio do Evangelho nas suas lógicas distorcidas que dividem o mundo entre “civilização” e “barbárie”. A ideia que o Senhor tenha entre seus preferidos muitas “cabecitas negras” os irrita, deixa-os de mau humor. Eles consideram boa parte da família humana como se fosse uma entidade de classe inferior, inadequada a alcançar, segundo seus padrões, níveis decentes de vida espiritual e intelectual. Nesta base pode-se desenvolver um desprezo pelos povos considerados de segundo nível. Esse tema surgiu também por ocasião do Sínodo dos Bispos para a Amazônia.

Hoje existe a tendência de colocar em alternativa dialética o anúncio claro da fé e as obras sociais. Dizem que não precisa reduzir a missão para sustentar as obras sociais. É uma preocupação legítima?

Tudo o que está dentro do horizonte das Bem-Aventuranças e das obras de misericórdia estão de acordo com a missão, já é anúncio, já é missão. A Igreja não é uma ONG, a Igreja é uma outra coisa. Mas a Igreja é também um hospital de campo, onde se acolhe todos, assim como são, cuidando das feridas de todos. E isso faz parte da sua missão. Tudo depende do amor que move o coração dos que atuam. Se um missionário ajuda a escavar um poço em Moçambique, porque se deu conta que é fundamental para os que ele batizou e aos quais prega o Evangelho, como se pode dizer que a obra é separada do anúncio?

Atualmente, quais são as novas atenções e sensibilidades a serem exercidas nos processos destinados a tornar fecundo o anúncio do Evangelho, nos vários contextos sociais e culturais?

O cristianismo não dispõe de um único modelo cultural. Como reconheceu João Paulo II, “permanecendo plenamente si mesmo, na total fidelidade ao anúncio evangélico e à tradição eclesial, o cristianismo carregará também o rosto das várias culturas e dos vários povos nos quais foi acolhido e enraizado”. O Espírito Santo embeleza a Igreja, com as expressões novas das pessoas e das comunidades que abraçam o Evangelho. Assim a Igreja, assumindo os valores das várias culturas, torna-se “sponsa ornata monilibus suis”, “a esposa que se enfeita com suas jóias”, da qual fala o profeta Isaías. É verdade que algumas culturas foram estreitamente ligadas à pregação do Evangelho e ao desenvolvimento de um pensamento cristão. Mas nos nossos dias, torna-se ainda mais urgente considerar que a mensagem revelada não se identifica com nenhuma cultura. E no encontro com novas culturas ou com culturas que não acolheram a pregação cristã, não se deve tentar impor uma determinada forma cultural junto com a proposta evangélica. Hoje, também na obra missionária convém mais do que nunca, não carregar bagagem pesada.

Missão e martírio. O senhor recordou várias vezes o íntimo vínculo que une estas duas experiências.

Na vida cristã a experiência do martírio e a proclamação do Evangelho a todos têm a mesma origem, a mesma fonte, quando o amor de Deus derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo doa força, coragem e consolação. O martírio é a máxima expressão do reconhecimento e do testemunho feito a Cristo, que representam o cumprimento da missão, da obra apostólica. Penso sempre nos irmãos coptas trucidados na Líbia, que pronunciavam em voz baixa o nome de Jesus enquanto eram degolados. Penso nas Irmãs de Santa Madre Teresa mortas no Iêmen, enquanto cuidavam dos pacientes muçulmanos de uma casa de idosos com deficiências. Quando foram mortas, estavam com o avental de trabalho sobre o hábito religioso. São todos vencedores, não “vítimas”. E seu martírio, até o derramamento de sangue, ilumina o martírio que todos podem sofrer na vida todos os dias, com o testemunho dado a Cristo todos os dias. Isso pode-se ver quando se vai visitar os asilos de missionários idosos, muitas vezes debilitados pela vida que levaram. Um missionário me disse que muitos deles perdem a memória e não recordam mais nada do bem que fizeram. “Mas não tem importância”, me disse “porque disso o Senhor se recorda muito bem”.

 

]]>
57053
Papa ao PIME: retomar com novo impulso a transformação missionária da vida e da pastoral https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/igreja-no-mundo/papa-ao-pime-retomar-com-novo-impulso-a-transformacao-missionaria-da-vida-e-da-pastoral/ Tue, 21 May 2019 01:54:18 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=55426 Francisco recordou que este ano celebram-se os cem anos da promulgação da Carta Apostólica Maximum illud com a qual o Papa Bento XV “quis dar novo impulso à responsabilidade missionária de anunciar o Evangelho”.

O Papa Francisco recebeu em audiência, nesta segunda-feira (20/05), na Sala do Consistório, no Vaticano, os participantes do Capítulo Geral do Pontifício Instituto das Missões Exteriores (PIME).

O Santo Padre deu graças a Deus pelo longo caminho percorrido pelo organismo eclesial em seus quase 170 anos de fundação ocorrida, em Milão, na Itália, como Seminário das Missões Exteriores.

Francisco recordou dom Angelo Ramazzotti, na época Bispo de Pavia, fundador do PIME. “Ele acolheu o desejo do Papa Pio IX e teve a ideia de envolver na fundação os bispos da Lombardia, com base no princípio da corresponsabilidade de todas as dioceses, na difusão do Evangelho aos povos que ainda não conhecem Jesus Cristo”, frisou o Pontífice. Era uma novidade para aquele tempo, pois até aquele momento, o apostolado missionário estava totalmente nas mãos das Ordens e Congregações religiosas.

Semente que produziu muitos frutos
Com o passar dos anos, o PIME fez um percurso autônomo, e em parte se desenvolveu como as outras Congregações religiosas, mas sem identificar-se com elas. Os membros não fazem votos como os religiosos, mas consagram suas vidas para a atividade missionária com a promessa definitiva.

“Os seus primeiros campos de missão foram na Oceania, Índia, Bangladesh, Mianmar, Hong Kong e China. A semente escondida debaixo da terra produziu muitos frutos de novas comunidades, de dioceses que nasceram do nada, de vocações sacerdotais e religiosas que germinaram pelo serviço da Igreja local. Depois da II Guerra Mundial vocês foram para o Brasil, na Amazônia, Estados Unidos, Japão, Guiné-Bissau, Filipinas, Camarões, Costa do Marfim, Tailândia, Camboja, Papua Nova Guiné, México, Argélia e Chade”, frisou o Papa.

Mártires do PIME
“A sua história é marcada por uma trilha luminosa de santidade em muitos de seus membros, em alguns reconhecida oficialmente pela Igreja”, disse Francisco, recordando os mártires Santo Alberico Crescitelli, o beato Giovanni Battista Mazzucconi, o beato Mario Vergara, e os confessores o Beato Paolo Manna e o Beato Clemente Vismara.

“Dentre os seus missionários há 19 mártires que deram suas vidas por Jesus em nome de seu povo, sem reservas e sem cálculos pessoais.”

“ Vocês são uma ‘família de apóstolos’, uma comunidade internacional de sacerdotes e leigos que vivem em comunhão de vida e atividade. ”

“É somente a partir de Cristo que nossa vida e nossa missão fazem sentido, porque «não haverá nunca evangelização verdadeira se o nome, a doutrina, a vida, as promessas, o reino, o mistério de Jesus de Nazaré, Filho de Deus, não forem anunciados», disse Francisco, recordando um trecho da Exortação Apostólica Evangelii nuntiandi sobre a Evangelização no mundo contemporâneo de São Paulo VI, que resume o sentido da vida e vocação dos missionários do PIME.

“Evangelizar é a graça e a vocação própria de seu Instituto, a sua identidade mais profunda. No entanto, essa missão, é sempre bom enfatizar, não lhes pertence, porque brota da graça de Deus: «A primeira palavra, a iniciativa verdadeira, a atividade verdadeira vem de Deus e só inserindo-nos nesta iniciativa divina, só implorando esta iniciativa divina, podemos nos tornar também, com Ele e n’Ele, evangelizadores», disse o Papa citando um trecho da sua Exortação Apostólica Evangelii gaudium.

Despertar a consciência da missio ad gentes
A seguir, Francisco recordou que, este ano, celebram-se os cem anos da promulgação da Carta Apostólica Maximum illud com a qual o Papa Bento XV “quis dar novo impulso à responsabilidade missionária de anunciar o Evangelho”.

“Como vocês sabem, para comemorar este aniversário, convoquei o Mês Missionário Extraordinário, em outubro próximo, sobre o tema: “Batizados e enviados: a Igreja de Cristo em missão no mundo”. A finalidade dessa iniciativa é “despertar em medida maior a consciência da missio ad gentes e retomar com novo impulso a transformação missionária da vida e da pastoral. Vocês missionários são os protagonistas desse aniversário, a fim de que seja ocasião para renovar o impulso missionário ad gentes, de modo que toda a sua vida, seus programas, seu trabalho e suas estruturas extraiam da missão e da proclamação do Evangelho a seiva vital e critérios de renovação.”

Colocar a missão no centro
O Papa sublinhou que o PIME está procurando, na medida do possível, colocar a missão no centro, pois esta foi a urgência missionária que fundou o Instituto e continua a moldá-lo.

“Vocês estão convencidos disso e escolheram as palavras de São Paulo ‘Ai de mim se eu não pregar o evangelho’, como guia e inspiração.” Segundo o Pontífice, à luz dessas palavras, o organismo trabalhou “para compreender novamente a missão ad gentes, reafirmar a primazia da única vocação missionária tanto para os leigos quanto para os sacerdotes, escolher os âmbitos da missão, definir a animação vocacional como atividade missionária, verificar o seu ser comunidade e repensar a organização do PIME de hoje e de amanhã”.

“Não tenhamos medo de fazer, com confiança em Deus e muita coragem, uma escolha missionária capaz de transformar todas as coisas, para que os costumes, os estilos, os horários, a linguagem e toda estrutura eclesial se tornem um canal adequado para a evangelização do mundo atual”, concluiu Francisco.

]]>
55426
Pelos caminhos da missão III https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/pelos-caminhos-da-missao-iii/ Sat, 15 Dec 2018 20:42:13 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=16328 Olá amigos e amigas, missionários e missionárias. Nosso bispo Dom Messias partiu para uma nova missão. Eu na verdade já me acostumei com idas e vindas de missionários. Aqui na Amazônia recebemos centenas deles durante o ano. Poucos ficam mais tempo.
Mas, gostaria de partilhar um poema de minha autoria refletindo sobre a missão. Não é um dOs melhores, mas acalenta o coração. Até a próxima.

Missão é sempre partir!

Partir sem medo, partir com coragem, partir com amor, mesmo na dor.

Partir não é perder, partir não é ganhar, partir é se abandonar naquele que nos amou.

Partir é olhar para trás e ver com Alegria as alegrias que nos irmãos nos apraz.

Partir é olhar para frente e ter a certeza que no mar da vida ondas virão, mas pela calmaria elas se vão.

Parte aquele que vai, parte aquele que vem, só não parte quem não amou ninguém.

O missionário que parte leva na sua mochila o sorriso, as boas obras, as alegrias compartilhadas no tempo por Deus lhe concedido.

O tempo do missionário nunca é curto, nunca é longo, é intenso, e quando ele tem uma certeza interior que se dedicou na missão aí brota a gratidão.

O barco do missionário no mar da vida sempre está a posto no porto, pois não é ele quem decide quando chega e quando vai.

O missionário sempre deve obedecer, assim nos ensina Jesus a missão viver.
Missão é sempre partir.

Partir para o coração do pobre que não tendo quem o acolha acolhe o que partiu.
Partir para novas realidades sem se esquecer que as de outrora o fizeram crescer.

No peito a cruz traduz o sinal de Cristo Jesus.

Missão é sempre partir seja para perto seja para longe.

O Missionário olha o aqui e o acolá sempre com a certeza que sua oração e cooperação chega lá.

O Missionário nunca desiste de Jesus Cristo anunciar, seja no aqui, ou seja no acolá, seja em sua pátria, seja no mundo a rodar.

Portanto, fica uma lição, não sou escritor nem poeta apenas trouxe aqui coisas do meu coração!

Pe. Marcelo Gualberto Monteiro
Pároco da Paróquia São Paulo Apóstolo
Co-Catedral do Alto Solimões-AM

]]>
16328
Padre Cornélio José está em missão no Ordinariado Militar do Brasil https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/igreja-diocesana/padre-cornelio-jose-esta-em-missao-no-ordinariado-militar-do-brasil/ Thu, 03 May 2018 00:22:47 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=52143 Encontra-se em missão no Ordinariado Militar do Brasil, padre Cornélio José dos Santos, 37 anos. Ele estava como pároco da Paróquia Nossa Senhora do Pilar, em Pilar de Goiás. O sacerdote do clero diocesano de Uruaçu foi ordenado em 16 de julho de 2009.

No Ordinariado ele foi admitido no dia 26 de fevereiro deste ano, quando passou por uma fase de adaptação no quadro de capelães navais da Marinha. “Entrei como candidato da reserva. Após uma semana de treinamento ao lado dos demais capelães navais e profissionais presentes, fui inserido no quadro de guarda-marinha”, informou.

Sua formação acadêmica foi no Centro de Instrução Almirante Wandenkolk, no Rio de Janeiro, na Ilha das Enxadas, Bahia de Guanabara. Atualmente ele mora na Paróquia Imaculada Conceição e São Sebastião, com o pároco padre João, no endereço Rua Catulo Cearense Engenho de dentro, nº 26. RJ. CEP: 20.730-320. Fone: (21) 2599-9900. Seu primeiro título no momento é capelão da guarda marinha. Após o dia 12 de dezembro deste ano ele receberá o título pós-formatura de 1º tenente (Capelão).

Ordinariado Militar

É uma Circunscrição Eclesiástica da Igreja Católica no Brasil subordinada diretamente à Santa Sé. Participa do Conselho Episcopal do Regional Centro-Oeste (Goiás e Distrito Federal) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A Sé episcopal está na Catedral Militar Rainha da Paz, na cidade de Brasília, Distrito Federal. O Arcebispo Militar do Brasil, Dom Fernando Guimarães, é o responsável por todas as capelanias militares católicas do Brasil.

Setor de Comunicação Diocesano

]]>
52143
Plano de vida https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/plano-de-vida/ Wed, 24 Jan 2018 10:47:38 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=50416 Caros amigos, transcorridos os primeiros dias do ano, que traz consigo a esperança de progresso e felicidade, não podemos nos esquecer da urgência de nossa missão. O tempo nesta terra é um presente maravilhoso do Criador que nos dá, por amor, uma vida plena. De fato, o mundo precisa de homens e mulheres que desejem viver com Deus, irradiá-lo, não pelo gosto da fama, mas pela superabundância de vida interior.

Deste modo, precisamos de um plano. Vejo constantemente os que olham para o ano de 2018 e falam de “planos de cursos”, “planos de orçamentos”, “planos de viagens”, “planos de investimentos”, “planos de previdência”, “planos para os filhos”… talvez seja o momento de ousarmos um verdadeiro “plano de vida”.

Se a vida é a preciosa e a única existência que teremos nesta terra, em um determinado momento precisamos parar e pensar o que estamos fazendo com ela. Qual o valor que dou ao meu tempo? Como o estou gastando? Que garantias tenho da boa aplicação deste investimento?

Passam os dias e as horas cada vez mais depressa, por causa do ritmo frenético destes tempos modernos. Caminhamos, andamos rápido, corremos o tempo todo. Mas não deixaremos um rastro fecundo atrás de nós se não nos decidirmos, de uma vez por todas, por Deus: Precisamos dizer sim a Deus!

Entretanto, este sim não é uma obra qualquer. Exige cálculo, passos, pequenas e grandes mudanças: exige um plano. Por exemplo: seria ingenuidade pensar que praticaremos o Evangelho de Jesus Cristo hoje, se não tomamos nem cinco minutos para lê-lo e nos custa recordar uma parábola que seja; ou ainda, não podemos dizer que somos íntimos de Deus se não falamos com Ele, se não experimentamos um momento reconfortante de oração diária, acompanhado daquele silêncio que tantos e tantas fazem diante do televisor e celulares; também nunca expulsaremos as trevas do pecado de nossos corações sem procurar o sacramento da reconciliação ou sem o alimento da Eucaristia.

Ainda falta, para que nosso plano seja verdadeiramente cristão, uma peça fundamental: o amor e o cuidado pelos necessitados, a fraternidade nascida do Espírito de Jesus Cristo. Completo esta ideia com palavras de nosso amado Papa Francisco: “Escreve São Pedro Fabro no seu Memorial que o primeiro movimento do coração deve ser o de ‘desejar o que é essencial e originário, ou seja, que o primeiro lugar seja deixado à solicitude perfeita de encontrar Deus nosso Senhor’ (Memorial, 63) (…). Só estando centrados em Deus é possível caminhar rumo às periferias do mundo!” (03/01/2014).

Por Dom Edney Gouvêa Mattoso – Bispo de Nova Friburgo (RJ)

]]>
50416
Como saber o que Deus quer para mim? https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/como-saber-o-que-deus-quer-para-mim/ Tue, 24 Oct 2017 11:11:10 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=49135 Não sei bem como lidar com a incerteza na minha própria vida. Como fazer para não temer diante do futuro incerto? Tenho medo de enfrentar o que eu não controlo. Não ser dono dos tempos. Nem do resultado de minhas apostas na vida.

Assusto-me ao ver que a paz e a guerra não dependem do desejo de meu coração. Não quero ser tomado pela raiva quando eu vislumbrar caminhos que não desejo. Nem que o medo me impeça de avançar quando tudo parecer difícil e incerto.

Não quero que o fim justifique os meios que eu emprego para alcançá-lo. Mesmo que o fim seja bom, às vezes os meios podem não ser tão bons quanto. Não quero me ofuscar por possuir o que desejo. Não quero que os sonhos e ideais que se apoderam de mim cheguem a tomar conta da minha alma. Não quero me confundir e pensar que o que eu consigo fazer é tudo o que eu posso e nada mais.

Não sei bem o que fazer quando as posições opostas se enfrentam sem um aparente caminho de saída. Tudo é escuro ao meu redor. Às vezes, há muita luz, muita esperança.

É verdade que eu não sei o que vai acontecer amanhã. Nem nos dias seguintes. Não sei bem qual é o desejo de Deus para a minha vida. Nem conheço seu desejo mais íntimo. Ele pronuncia esse desejo dentro de mim. Mas eu não ou ouço. Talvez o barulho do mundo me perturbe.

Seguindo os passos de São Ignácio, eu lia: “Busque a vontade de Deus. Uma proposta imensa e difícil. Você nunca se perguntou o que Deus quer de você? Nunca discutiu com alguém, enchendo-se de incerteza? Na vida, é conveniente buscar a vontade de Deus” [1].

Buscar o desejo de Deus quando tudo está cheio de dúvidas e medos. Buscar a vontade Dele quando eu pretendo seguir meus desejos sozinho. Buscar a vontade de Deus quando não controlo meus passos no meio da noite.

Como escolher o posicionamento correto? Como saber o que de verdade me convém? Não vou me equivocar e errar o caminho? E se eu fracassar em minhas opções de vida e perder amigos e entes queridos para a vida inteira?

Às vezes, só quero ter certeza do futuro. Temo tanto a morte. Tenho tanto medo de perder o que amo. A única coisa com que eu deveria me preocupar é viver o momento. Amar sem barreiras. Sonhar mais alto, com o bom, com o nobre, com o belo.

Mas, neste mundo inquieto e cheio de mudanças, não sei bem como fazer para escolher o posicionamento correto, o lado adequado, o lugar pacífico.  Uns me dizem para seguir um caminho. Outros me mostram o caminho oposto. Nos dois, há algo de verdadeiro. Nos dois, há algo de atrativo. Nos dois, há mentiras. Não sei como escolher o meu caminho.

Como fazer para encontrar meu caminho entre tantos possíveis? Como fazer para não errar meus passos, para não deixar feridos com minhas opções de vida? Há tantas incertezas neste caminho que fico andando de um lado para o outro!

Como saber o que Deus me pede? Como saber onde ele quer que eu entregue minhas forças? Como saber quando caminho segurando suas mãos?

Jesus passou pela Terra libertando os corações. Acolheu a todos. Buscaram enquadrá-lo em uma postura, em um grupo. Quiseram fazer dele o inimigo dos que eram contra. Quiseram que ele decidisse por um lado, sua posição. Mas Jesus veio para todos ou somente para alguns?

Jesus não se deixou enganar. Não caiu no jogo dos homens. Não se alinhou a alguns, deixando os outros. Isso sempre me impressiona.

Ele poderia ter optado pelos poderosos do mundo para impor seu reino. Poderia ter escolhido os mais sábios e os conhecedores da lei. Poderia ter se protegido. Mas não fez nada disso.

Não caiu no jogo dos enganos. Queriam sua ruína. Mas ele veio para salvar a todos. Os bons e os maus. Os puros e os impuros. Os de um lado e os de outro. Os que ninguém queria e os que todos amavam. Jesus se fez carne para todos. Alma de um mundo ferido. E quis amar os que o rejeitavam.

Seu imenso coração me mostra um caminho a seguir. Jesus foi um homem livre, que amou a todos. Sua liberdade estava no amor, não no ódio. Ele não defendeu sua postura com ódio. Não recorreu à violência para fazer vencer seus pontos de vista. Aquele que usa a violência perde a razão.

Tagore dizia: “A verdade não está do lado de quem grita mais”. Ele guardou silêncio. Outros gritavam. Jesus me mostrou como eu tenho que viver. Ele quer que eu ame até a morte. Quer que eu entregue meu coração e, ao mesmo tempo, viva livre para doar-me.

Ele quer que eu deixe tudo para seguir seus passos: “Jesus os convida a deixar a casa onde vivem, a família e as terras pertencentes ao grupo familiar. Não é fácil. A casa é tudo: refúgio afetivo, lugar de trabalho, símbolo da posição social. Desfazer uma casa é uma ofensa grave para a família e uma desonra para todos. Mas, sobretudo, significa lançar-se a uma insegurança total [2].

Jesus me convida a viver a incerteza dos caminhos, sem buscar segurança. Convida-me a não me alinhar com os poderosos, a não me esconder entre os que protegem meus passos. Ele me quer livre, sem ataduras, sem cordas. Assim quero viver. 

[1] José María Rodríguez Olaizola, Ignacio de Loyola, nunca solo

[2] José Antonio Pagola, Jesús, aproximación histórica

Por Padre Carlos Padilla via Aleteia

]]>
49135
Pontifícias Obras Missionárias lança subsídios para articular sua missão no Brasil https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/pontificias-obras-missionarias-lanca-subsidios-para-articular-sua-missao-no-brasil/ Wed, 27 Sep 2017 08:00:29 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=48705 Uma das atividades da Pontifícias Obras Missionárias (POM), a Juventude Missionária (JM), lançou um novo cartaz e folder com a intenção de dinamizar a divulgação e articulação de sua missão em todo o Brasil.

Em sua última Assembleia, em dezembro de 2016, a JM elaborou um Plano de Ação para o próximo triênio (2017-2019), articulado nos eixos da Formação integral, Articulação e acompanhamento e Missão e espiritualidade.

“O objetivo é fortalecer a atuação da JM no Brasil por meio de atividades com as juventudes nas dioceses e paróquias. O novo cartaz e o folder formativo fazem parte dessa estratégia”, explicou o Padre Badacer Neto, secretário nacional da Obra da Propagação da Fé. “O eixo da Articulação e acompanhamento quer, por meio destes instrumentos, estimular a divulgação da Obra e contribuir com a criação e formação de novos grupos de JM”, acrescentou.

O cartaz e o folder trazem a mesma arte do material anterior, dando assim continuidade ao processo iniciado na Assembleia de 2016.

No conteúdo do material, uma das novidades apresentadas é a bandeira com o seu significado, as imagens dos padroeiros, São Francisco Xavier e Santa Teresinha do Menino Jesus, com um pensamento de cada um e suas respectivas datas de festas.

O folder também traz os projetos assumidos pela JM, que são a Corrente Solidária como cooperação missionária, Missão sem Fronteiras e Juventude Ad Gentes, além do hino das POM. (LMI)

Por Gaudium Press, com Pontifícias Obras Missionárias

]]>
48705
Ao Celam, Papa diz que missão se faz com paixão e no corpo a corpo https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/ao-celam-papa-diz-que-missao-se-faz-com-paixao-e-no-corpo-a-corpo/ Fri, 08 Sep 2017 08:27:54 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=48328 Um dos discursos mais esperados do Papa Francisco, em Bogotá, foi dirigido aos bispos latino-americanos e do Caribe na tarde de ontem, quinta-feira, 7. O encontro com o Comitê Diretivo do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam), aconteceu na Nunciatura Apostólica.

Em sinal de gentileza, o Santo Padre agradeceu pelo esforço da presença de cada um, já que o encontro não pôde ser realizado na sede do organismo católico em Bogotá, “uma casa ao serviço da comunhão e da missão da Igreja na América Latina”, além de ser um “ponto de referência vital para a compreensão e aprofundamento da catolicidade latino-americana”.

Francisco alinhavou seu discurso remetendo-se ao Rio de Janeiro, quatro anos atrás, quando falou sobre a “herança pastoral de Aparecida” e destacou a necessidade permanente de aprender com o método local, que “coloca a missão de Jesus no coração da própria Igreja”. Iniciativas que não são “programáticas que enchem agendas e desperdiçam preciosas energias”, mas que são baseadas “na participação das Igrejas locais”, com peregrinos que buscam Deus através da manifestação da “Virgem pescada nas águas”, e se estendem “na missão continental”.

O esforço na realização desse método, sustentou o Papa, deve se transformar num “critério para medir a eficácia das estruturas, os resultados do trabalho, a fecundidade dos ministros e a alegria que são capazes de suscitar. Porque, sem alegria, não se atrai ninguém”.

Ainda lembrando suas manifestações no Rio, o Papa se deteve às tentações, presentes ainda hoje, “da ideologização da mensagem evangélica, do funcionalismo eclesial e do clericalismo”.

“Deus, quando fala ao homem em Jesus, não o faz com um apelo vago como a um estranho, nem com uma convocação impessoal como faria um notário, nem mesmo com uma declaração de preceitos para cumprir como faz qualquer funcionário do sagrado. Deus fala com a voz inconfundível do Pai que se dirige ao filho, e respeita o seu mistério pois foi Ele que o formou com as suas próprias mãos e destinou à plenitude. O nosso maior desafio como Igreja é falar ao homem como porta-voz desta intimidade de Deus. […] Por isso, não se pode reduzir o Evangelho a um programa ao serviço de um gnosticismo na moda, a um projeto de promoção social nem a uma visão da Igreja como burocracia que se autopromove; e a Igreja também não pode ser reduzida a uma organização dirigida, com modernos critérios empresariais, por uma casta clerical.”

Francisco, assim, insistiu sobre o “discipulado missionário”, aquele “permanente sair com Jesus” em direção aos irmãos, usando os “instrumentos” de Deus, isto é, “proximidade e encontro”. O Papa, então, chamou a atenção para realidades  da Igreja que jamais devem ser consideradas monumentos, mas patrimônio vivo, como de Aparecida, “um tesouro, cuja descoberta ainda está incompleta”.

“É muito mais cômodo transformá-las em recordações, de que se celebram os aniversários: 50 anos de Medellín, 20 de Ecclesia in America, 10 de Aparecida! Trata-se, porém, de algo diverso: salvaguardar e fazer fluir a riqueza desse patrimônio (pater munus) constituem o munus da nossa paternidade episcopal para com a Igreja do nosso Continente.”

O encontro com Cristo vivo, prosseguiu Francisco, deve ser cultivado para que a missão pastoral não perca a força e não haja retrocesso da conversão pastoral:

“Nós precisamos ainda mais deste estar a sós com o Senhor, para reencontrar o coração da missão da Igreja na América Latina, nas circunstâncias atuais. Há tanta dispersão interior e também exterior! Os numerosos eventos, a fragmentação da realidade, a instantaneidade e a velocidade do presente poderiam fazer-nos cair na dispersão e no vazio. Reencontrar a unidade é um imperativo. Onde se encontra a unidade? Sempre em Jesus. […] Se a razão do nosso caminhar não é Ele, será fácil desanimar no meio da fadiga do caminho, perante a resistência dos destinatários da missão, face aos cenários mutáveis das circunstâncias que marcam a história, ou pelo cansaço dos pés devido ao desgaste insidioso causado pelo inimigo.”

O Papa, então, questiona: “o que significa sair com Jesus em missão, hoje, na América Latina?”. A missão no continente, insistiu Francisco, é vencer a tentação dos “bizantinismos dos ‘doutores da lei’, e partir com Jesus que “enquanto caminha, encontra; quando encontra, se aproxima; quando se aproxima, fala; quando fala, toca com o seu poder; quando toca, cura e salva”. Trata-se, então, de diariamente “trabalhar no campo, lá onde vive o Povo de Deus”. A missão “se faz no corpo a corpo”.

Francisco também sublinhou a “dispersão” que desagrega hoje o continente e disse para se ter cuidado para “não ficar preso nessas armadilhas”. Segundo o Papa, “a Igreja não está na América Latina como se tivesse as malas na mão”, pronta pra partir depois de ter sido saqueada, como muitos fizeram ao longo do tempo:

“Homens e utopias fortes prometeram soluções mágicas, respostas instantâneas, efeitos imediatos. A Igreja, sem pretensões humanas, respeitosa do rosto multiforme do Continente – que considera, não uma desvantagem, mas uma riqueza perene – deve continuar humildemente a prestar o seu serviço ao verdadeiro bem do homem latino-americano. Deve trabalhar incansavelmente por construir pontes, abater muros, integrar a diversidade, promover a cultura do encontro e do diálogo, educar para o perdão e a reconciliação, para o sentido de justiça, a rejeição da violência e a coragem da paz. Nenhuma construção duradoura na América Latina pode prescindir desta base invisível, mas essencial. A Igreja conhece, como poucos, aquela unidade sapiencial que antecede toda e qualquer realidade na América Latina.”

O Papa Francisco, então, trouxe as imagens de Guadalupe e de Aparecida, como “manifestações programáticas dessa criatividade divina”, “o sentido de Deus e da sua transcendência”.

Sobre a situação vivida hoje na América Latina, o Pontífice disse que não é permitido lamúrias, porque “sabemos que bem que o coração latino-americano foi treinado para a esperança” e lembrou de João Bosco:

“Como dizia um cantor e compositor brasileiro, ‘a esperança é equilibrista; dança na corda bamba de sombrinha’ (cf. João Bosco, O Bêbado e o Equilibrista). Quando se pensava que tinha acabado, eis que ressurge onde menos se esperava. O nosso povo aprendeu que nenhuma decepção é capaz de o vencer. Segue Cristo flagelado e manso, sabe aguardar que se faça dia e permanecer na esperança da sua vitória, porque, no fundo, está ciente de não pertencer totalmente a este mundo.”

O Papa também pediu aos bispos do Celam que, mesmo com estatísticas e notícias que trazem a caricatura de jovens “adormecidos” ou perdidos nas drogas e em meio à violência, que invistam tempo e recursos na formação, através de “programas educacionais incisivos e objetivos”.

Já ao que tange o rosto feminino da América Latina, Francisco reservou palavras de grande admiração. O Papa as definiu como “protagonistas na Igreja latino-americana”:

“Penso nas mães indígenas ou morenas, penso nas mulheres das cidades com o seu triplo turno de trabalho, penso nas avós catequistas, penso nas consagradas e nas artesãs tão discretas do bem. Sem as mulheres, a Igreja do Continente perderia a força de renascer continuamente. São as mulheres que, com meticulosa paciência, acendem e reacendem a chama da fé.”

Por sua vez, os leigos, disse o Papa, continuam à espera do desafio de um papel que os veja capazes de incidir na consolidação da democracia política e social, no contribuir à prosperidade, à justiça e à paz nos países. Para Francisco, “a Esperança na América Latina passa pelo coração, pela mente e os braços dos leigos”, através de uma “simplicidade cristã que se esconde aos poderosos e manifesta aos humildes”.

O Papa então resumiu o seu discurso na paixão pelo servir para “transformar as ideias em utopias viáveis”: “por favor, irmãos, peço-vos paixão, paixão evangelizadora”.

Por CançãoNova, com Rádio Vaticano

]]>
48328
A vocação do leigo https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/a-vocacao-do-leigo/ Thu, 31 Aug 2017 08:01:25 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=48208 Caros amigos, todos somos chamados à santidade. Ao mesmo tempo, cada pessoa é importante aos olhos do Senhor, que convida individualmente aos homens e mulheres de boa vontade a participarem de Seu plano de amor. Por isso, podemos dizer que cada pessoa neste mundo tem uma particular missão e insubstituível responsabilidade na construção do Reino de Deus.

Os leigos, ou seja, os fiéis que não receberam a Sagrada Ordenação nem fizeram votos públicos dos conselhos evangélicos, são chamados por Deus a assumir com grande amor e generosidade sua missão específica na Igreja e no mundo.

Assim ensina o Catecismo da Igreja Católica: “É específico dos leigos, por sua própria vocação, procurar o Reino de Deus exercendo funções temporais e ordenando-as segundo Deus… A eles, portanto, cabe de maneira especial iluminar e ordenar de tal modo todas as coisas temporais, às quais estão intimamente unidos, que elas continuamente se façam e cresçam segundo Cristo e contribuam para o louvor do Criador e Redentor” (n. 898).

Quando os leigos não assumem sua tarefa evangelizadora, todo o mundo sofre graves consequências. Por sua índole “secular”, esses fiéis podem iluminar os importantes ambientes da vida social, desde as famílias – primeira célula da sociedade – até as estruturas políticas e econômicas, cujas ações repercutem na vida de todos.

Percebemos que dois grandes perigos ameaçam a verdadeira missão do leigo. Por um lado, a cultura do bem-estar, que faz com que muitos fiéis evitem tarefas apostólicas ou outros compromissos cristãos que lhes possam roubar o seu “precioso” tempo livre (Cfr. EG, 30). Por outro lado, alguns setores da Igreja fazem uma má interpretação do que deve ser a valorização da missão dos leigos colocando-os apenas em tarefas no seio da Igreja (cfr. EG, 102), e não formando lideranças para os difíceis e urgentes campos sociais como a política, a caridade social, a produção intelectual em defesa da fé e a educação da juventude.

Os leigos sempre foram a vocação mais abrangente e evangelizadora da Igreja. Mesmo onde os sacerdotes e religiosos não podiam atender adequadamente, lá um exército de batizados e batizadas mantinha a fé com a devoção popular e um profundo sentido de temor de Deus, como atesta a história da evangelização de nossa Diocese. Falta que toda a Igreja cresça na consciência da missão evangelizadora do leigo e sua enorme boa vontade, que conta com a luz do Espírito Santo.

Por Dom Edney Gouvêa Mattoso – Bispo de Nova Friburgo (RJ)

]]>
48208