missão da Igreja - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br Site oficial da Diocese de Uruaçu - GO Sat, 28 Sep 2024 04:09:02 +0000 pt-BR hourly 1 https://old.diocesedeuruacu.com.br/wp-content/uploads/2018/12/cropped-favicon-32x32.png missão da Igreja - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br 32 32 170539269 Pe. Michelini: Judas e o risco de perder a fé https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/pe-michelini-judas-e-o-risco-de-perder-a-fe/ Wed, 08 Mar 2017 13:36:15 +0000 http://teste.toqueto.com/pe-michelini-judas-e-o-risco-de-perder-a-fe.html O risco de perder a fé, o suicídio e a missão da Igreja em busca dos pecadores: foram os temas candentes sobre os quais se deteve o pregador dos Exercícios espirituais, Pe. Giulio Michelini, na quinta meditação proposta ao Papa e à Cúria Romana, reunidos deste domingo passado na localidade de Ariccia, próximo de Roma. A reflexão da manhã desta quarta-feira (08/03) foi centralizada na figura de Judas.

De fato, a meditação matutina do frade menor girou em torno do drama do suicídio de Judas, um dos Doze. Um evento escandaloso e desconcertante, que porém o Evangelho não esconde. Um drama evidenciado também pelo arrependimento de Judas que no Evangelho segundo São Mateus reconhece ter pecado porque traiu sangue inocente.

Judas e nós: o risco da perda da fé

Em seguida, o pregador buscou reconstruir os motivos que podem ter levado Judas a trair Jesus, que o havia escolhido e chamado. E Judas o havia seguido. Para entender o seu drama, Pe. Michelini releu textos de estudiosos e escritores. De Romano Guardini a Amós Oz, que dedicaram páginas a esta figura. A primeira hipótese é que Judas a um certo ponto tenha perdido a fé. Um risco a partir do qual todos devem se perguntar:

“Há por acaso em minha vida muitos dias em que não abandonamos Cristo – nosso saber melhor, nosso amor – por uma vaidade, uma sensualidade, um ganho, uma segurança, um ódio, uma vingança? Temos poucas justificativas para falar com indignação sobre o traidor. Judas revela nós mesmos.”

O pregador evocou a experiência do escritor francês Emmanuel Carrère e o seu livro “O Reino”, de 2014, no qual conta ter novamente abraçado a fé durante três anos e depois tê-la perdido outra vez. Emerge o trabalho interior de um homem que, porém, escreve: “Abandono-te, Senhor. Tu, não me abandones.”

Foi levantada outra hipótese sobre a traição de Judas: Judas queria que Cristo se mostrasse como o Messias de Israel, libertador, combatente, político. Por conseguinte, não via mais no rosto de Jesus o Senhor, mas apenas um Rabi, um Mestre, e quer forçá-lo a fazer aquilo que ele deseja.

Sair pelas ruas a buscar os pagãos e os publicanos

A segunda reflexão que a meditação matutina quer provocar é sobre o que se pode fazer por quem se encontra distante da fé. É preciso sair à procura dos pecadores, recordou o franciscano que contou uma experiência:

“Vivo com uma comunidade de jovens que fazem duas missões populares por ano. Brinco com eles porque saem para dançar, entram nas discotecas e vão aos pubs. Eu, naturalmente, como professor não me permitiria fazer algo assim e, portanto, brinco com meus frades. E são muitos anos, desde que ensino, que não faço missões populares. Mas eles sabem quanta estima tenho pelo fato de ter alguém que vai ali aonde há isso que não queremos ver, há jovens quem sabe desesperados… Portanto, mesmo se não fazemos isso, devemos ser realmente gratos e solidários para com aqueles que saem pelas ruas a buscar, como dizia Jesus, os pagãos e os publicanos.”

O percurso de Judas levou-o ao suicídio após dar-se conta de seu pecado, observou o frade. Na obra “Os noivos” de Alessandro Manzoni é emblemática, nesse sentido, a conversão do Apaixonado que tem a tentação de tirar a própria vida, até que ouviu o repicar dos sinos. Retornam a sua memória as palavras de sua amada Lúcia sobre Deus que perdoa tantas coisas por uma obra de misericórdia. Em seguida – ainda citando Manzoni –, tem lugar o encontro com o Cardeal Federigo Borromeo, que lamenta não ter sido ele por primeiro a ir encontrá-lo. São páginas de fé, que convidam a ir em busca dos pecadores, ressaltou.

Foram também evocadas palavras do Papa Francisco numa homilia da missa na Casa Santa Marta, quando a propósito dos sacerdotes que rechaçam Judas, falou do clericalismo: Judas foi descartado, traidor e arrependido não foi acolhido pelos pastores que eram intelectuais da religião com uma moral feita a partir da sua inteligência e não da revelação de Deus.

Os suicídios do nosso tempo. Ajudar os cristãos a não perder a fé

E falando do suicídio de Judas, Pe. Michelini não esqueceu a atualidade com os suicídios assistidos e os suicídios de jovens. Daí, o ponto de agarra para uma pergunta dirigida aos pastores:

“Como podemos ajudar os cristãos do nosso tempo a não perder a fé, a retomar consciência da própria fé, aquela da qual se fala no Novo Testamento, a fé alegre, totalizadora, a adesão à pessoa de Jesus, o que podemos fazer para que não mais ocorram esses suicídios?”

Tratou-se de uma meditação com traços fortemente existenciais sobre a fé, sobre nossas interpelações e sobre a missão da Igreja no mundo.

Por Rádio Vaticano

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O dízimo em vista da evangelização https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/o-dizimo-em-vista-da-evangelizacao/ Wed, 15 Feb 2017 10:18:10 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=44464 O recente Documento “O dízimo na comunidade de fé: orientações e propostas”, (CNBB, Doc. 106) ajuda-nos a corrigir erros e aponta o seu verdadeiro sentido. “Por meio do dízimo, que é uma contribuição motivada pela fé, os fiéis vivenciam a comunhão, a participação e a corresponsabilidade na evangelização” (Doc. 106, n. 5). A missão da Igreja é o anúncio da Boa Nova de Jesus Cristo. Para isto ela existe e se organiza em comunidades. Pressupõe cristãos evangelizados, que se sintam comprometidos com a comunidade na transmissão e amadurecimento da fé dos batizados. 

Por isso, em primeiro lugar, o dízimo é uma questão de fé e não uma forma de captação de recursos para as pastorais e a manutenção das estruturas eclesiais. Ele está relacionado com a experiência de Deus e com o amor fraterno. “A decisão de contribuir com o dízimo nasce de um coração agradecido por ter encontrado o Deus da vida e experimentado a beleza de sua presença amorosa no dia a dia.” (Doc. 106, n.12). Reconhecemos que tudo vem dele e, por gratidão, o melhor devemos dar a Ele (cf. 1Sm 2,29). Ao contribuir, de maneira espontânea, “segundo tiver decidido em seu coração” (2Cor 9,7), o cristão confia-se inteiramente a Deus, manifestando que sua segurança está n´Ele depositada. Um exemplo bíblico é o da viúva pobre que doa duas moedas, que era tudo o que tinha (Mc 12,41-44). Ela manifesta total desapego e, ao mesmo tempo, total confiança e segurança em Deus. Ainda enquanto ligado à fé, ele expressa o vínculo do fiel, sua pertença e ativa participação na vida da comunidade, da Igreja. Porque somos Igreja, somos responsáveis pela sua missão, a evangelização. 

Dízimo é sinônimo de gratuidade. Tudo em Deus é gratuito. Ele não tem nada a negociar, para comprar ou vender. É errada a compreensão do dízimo como pressuposto para ter direitos em troca: para poder realizar catequese, para poder realizar a celebração do matrimônio ou até para receber graças especiais. Não faz sentido, por exemplo, contribuir com o dízimo unicamente para poder um dia ser sepultado no cemitério.Quem contribui com o dízimo não pede nada em troca, pois já se sente agraciado por Deus por tantas bênçãos dele recebidas. As graças que recebemos sempre partem da bondade e misericórdia de Deus, nunca são um direito adquirido por um valor a Ele ofertado. Disso tudo que falamos, compreendemos que o dízimo não é uma taxa ou um pagamento de um imposto. Tem a ver com a maturidade de nossa fé, com o vínculo com a comunidade e com a missão de toda a Igreja. Há, também, quem faz da contribuição do dízimo a única forma de participação comunitária. Com sua contribuição,julga-se isento do comprometimento com a caminhada pastoral da comunidade. A corresponsabilidade dos leigos, religiosos e ministros ordenados perpassa todos os âmbitos da ação evangelizadora, nos diferentes serviços e ministérios. Por isso, é lógico que a contribuição do dízimo seja feita na comunidade de fé em que a pessoa participa. Por ser dizimista sabe-se ainda mais ligado a Jesus Cristo e com a missão da Igreja.

À medida que o dízimo for consciente, fruto de uma decisão de fé madura, não será mais necessário buscar recursos por meio de festas ou com a comercialização de bebidas alcoólicas, que, muitas vezes, são um contratestemunho. As festas terão seu verdadeiro significado como a oportunidade da comunidade se encontrar, rezar e festejar, sem a preocupação de obter recursos para investimentos materiais. Compreenderemos, aos poucos, que o melhor investimento que uma comunidade pode fazer é na formação cristã de seus membros e na ajuda aos necessitados.

Por Dom Adelar Baruffi – Bispo de Cruz Alta

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