mal - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br Site oficial da Diocese de Uruaçu - GO Wed, 20 Sep 2017 08:00:41 +0000 pt-BR hourly 1 https://old.diocesedeuruacu.com.br/wp-content/uploads/2018/12/cropped-favicon-32x32.png mal - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br 32 32 170539269 Lutar contra o mal https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/lutar-contra-o-mal/ Wed, 20 Sep 2017 08:00:41 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=48565 Caros amigos, todos os dias temos a missão de revigorar a memória de Deus e de Seu chamado de amor em nossas vidas. Tal atitude não é passiva, pois o caminho de nossa vocação tem obstáculos e muitos são os que se levantam no mundo contra Cristo e Seu Evangelho de Amor.

Isso não é uma novidade, pois a Igreja de Deus sempre sofreu com o “mar revolto” e os “ventos contrários” (Cf. Mt 14, 22-33), realidade esta que foi transmitida pelo Concílio Vaticano II nestes termos: “A Igreja prossegue a sua peregrinação no meio das perseguições do mundo e das consolações de Deus, anunciando a cruz e a morte do Senhor até que Ele venha” (cfr. Cor. 11,26) (LG, 9).

Sem dúvida, a identidade de alguém pode ser entendida a partir das ideias que defende, mas não é menos verdade que conhecemos alguém quando descobrimos “contra o que ele luta”. O mundo não somente carece da luz de Cristo, frente ao que temos a vocação de ser “sal e luz” (Cf. Mt 5, 13-14), mas também é constantemente combatido pelas trevas da ignorância e do egoísmo, frente ao que precisamos tomar uma posição. Lembremos o que ensina São Paulo: “não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal pelo bem” (Rm 12, 21).

Nesta batalha, ensina o Concílio, “(A Igreja) é robustecida pela força do Senhor ressuscitado, de modo a vencer, pela paciência e pela caridade, as suas aflições e dificuldades tanto internas como externas, e a revelar, velada mas fielmente, o seu mistério, até que por fim se manifeste em plena luz” (LG, 9).

É importante recordar que em sua caminhada histórica a Igreja se opõe ao mal sendo ela mesma ferida em seus membros. Porém, isto não pode nos acovardar, ao contrário, manifesta ainda mais claramente a origem santa de nossa vocação e missão, fazendo brilhar em meio às limitações humanas o esplendor da Verdade Divina.

Esta verdade e bondade que vêm de Deus é Jesus Cristo, o Filho Amado, que, ao mesmo tempo em que cura os membros doentes e vacilantes da Igreja, é alimento e salvação para o mundo inteiro “para iluminar os que jazem nas trevas, na sombra da morte, e dirigir nossos passos no caminho da paz” (Lc 1, 79).

A Igreja existe para proclamar a Vida e Ressurreição de Jesus, esta é sua bandeira e sua arma contra todo mal e egoísmo que há. Oxalá vivêssemos plenamente esta realidade e dispuséssemos de tudo o que somos e temos para levar esta luz de verdade até os confins da terra.

Por Dom Edney Gouvêa Mattoso – Bispo de Nova Friburgo (RJ)

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Justiça do Reino https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/justica-do-reino/ Thu, 09 Feb 2017 08:27:19 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=44296 No íntimo do ser humano há tendências para a prática do bem ou do mal. A noção do bem, solidificada com a vontade de se pautar por um caminho de busca de um ideal pautado por valores éticos, morais e religiosos, leva a pessoa a alcançar sua realização humana na busca e conquista deste ideal elevado. Ao contrário, se ela se deixar levar por saciar os desejos instintivos desenfreados e opostos àqueles da boa consciência, sua realização e felicidade se tornam efêmeras e de um vazio existencial. A felicidade do ser humano não tem consistência duradoura se não se basear no fundamento da justiça, que traz o equilíbrio da vontade humana pautada pela divina.

Deus não nos criou para a infelicidade, mas nos deixa a liberdade para optarmos ou não em realizar seu projeto de vida para nós. A consciência reta, formada na valorização da ética natural e na vivência dos valores apresentados pelo Criador, já inerentes à natureza e plenificado pela revelação do seu Filho vindo até nós de modo humano, leva-nos a praticar a justiça do Reino. Esta nos impulsiona a vivermos na retribuição do amor de Deus, que nos dá gratuitamente o dom da vida. Se desfizermos dessa justiça, desfazemos nossa realização humana. Pervertemos a consciência da retidão moral. Erramos,  injustiçamos  a nós mesmos, o semelhante, a família, o desenvolvimento de toda a ordem e não usamos nossos recursos para a promoção da vida, da dignidade humana e da justiça social. A Bíblia nos ensina: “Diante do homem estão a vida e a morte, o bem e o mal; ele receberá aquilo que preferir… (Deus) não mandou a ninguém agir como ímpio e a ninguém deu licença de pecar” (Eclesiástico 15, 18.21).

Se todos ouvissem a proposta divina, já percebida na consciência bem formada e na revelação de Cristo, seríamos mais solidários, justos, compassivos e altruístas. Superaríamos a concentração de recursos exagerados nas mãos de poucos para promovermos mais justiça na terra. Seriam banidas a fome, as armas e as guerras. A formação com famílias melhor estruturadas e assistidas, a educação de melhor qualidade, a saúde melhor encaminhada e a segurança mais estruturada, todo tipo de benefício social seria mais democratizado. Aconteceria, de fato, a inclusão social mais justa e a cidadania haveria de modo extensivo a todos. Deus quer o bem de todos, mas respeita nossa vontade e ação para usarmos a inteligência e todos os recursos que Ele nos dá para fazermos nossa parte. Assim, faríamos deste planeta um lugar de verdadeira justiça em que reinem o amor e a fraternidade. Para isso, precisamos da sabedoria que não provém simplesmente de nossas capacidades humanas e sim da sabedoria de Deus, como lembra o apóstolo Paulo (Cf. 1 Coríntios 2,6-10).

A sabedoria divina nos é dada para sabermos obedecer ao Criador, na prática da justiça e da caridade. Quem as praticar e assim ensinar aos outros “será considerado grande no reino dos céus” (Mateus 5,19). Não se trata simplesmente de um ensinamento religioso, mas também autenticamente humano. Hoje precisamos demais de promover o que realmente nos humaniza, com o exercício das virtudes do altruísmo e da promoção do respeito à dignidade humana. Assim colaboramos com o bem comum e nos tornamos felizes porque damos de nós pelo bem do semelhante e de toda a sociedade. Afinal, marcamos presença de qualidade aqui na terra e nos realizamos porque usamos dos dons de Deus para amar e servir, mesmo à custa de nos sacrificarmos pela promoção da justiça humana permeada com a divina.

Por Dom José Alberto Moura – Arcebispo de Montes Claros (MG)

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O sofrimento por trás das drogas https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/o-sofrimento-por-tras-das-drogas/ Fri, 03 Feb 2017 11:04:36 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=44236 Caros amigos, o tráfico e o consumo de drogas ilícitas são um terrível sofrimento social, atingindo milhares de pessoas em nosso país. Famílias de dependentes, comunidades reféns da violência do tráfico e das milícias e as inumeráveis redes criminosas de lavagem de dinheiro e manipulação política são alguns problemas críticos desta situação.

Não há lugar livre deste grande mal e, por isso, são necessárias ações efetivas em todas as Paróquias e comunidades. Nossas armas de resistência contra este mal são a onipotente graça de Deus e a caridade fraterna.

Em princípio, é importante perceber que toda esta rede de violência baseia-se na fragilidade de nossa natureza, passível de vícios de todo tipo. Assim, todas as repressões legais e policiais contra o tráfico cuidam dos sintomas de uma sociedade doente, em que os vícios funcionam como compensação ao déficit de amor nos corações frágeis. Mas o cuidado com a pessoa atinge diretamente a causa do problema.

Ninguém está imune aos vícios, mas há grupos mais vulneráveis. Estes não se caracterizam primordialmente pela desigualdade econômica, como muitos tendem a afirmar, mas coincidem na busca por prazeres imediatos e pela fuga da realidade, fatores continuamente denunciados como um grave problema social pelo Papa Francisco. (Cfr. Evangelii Gaudium 62)

É preciso destacar que o sofrimento que leva às drogas tem entre outras causas a crescente desagregação familiar e a ausência de um comprometimento decisivo no campo da educação. Quando as relações familiares se desorientam ou deixam de existir, a sociedade perde a oportunidade de receber homens e mulheres formados na esteira do amor e das virtudes. Ao mesmo tempo, a sociedade também sofre por falta de políticas educacionais que verdadeiramente promovam a formação integral da pessoa.

Sem esses dois eixos basilares de uma sociedade sadia e forte, crescem a violência, as tragédias e o recurso às drogas. Tanto a violência como a fuga da realidade são grandes flagelos da ordem social e da convivência humana pacífica, que impedem o progresso de uma nação. Profetizou o antropólogo Darcy Ribeiro em 1982: ”se os governadores não construírem escolas, em 20 anos faltará dinheiro para construir presídios”.

Por isso, no que diz respeito aos jovens, que estão desenvolvendo sua personalidade, é fundamental uma formação humana integral baseada no amor e na verdade, que lhes dará instrumentos suficientes não só para descartar os caminhos errados, mas também uma consciência crítica bem formada que o torna capaz de perceber e agir conforme os princípios da verdade, justiça e fraternidade que se traduzem por um compromisso decidido no serviço à vida de seus semelhantes e à construção de uma sociedade mais humana.

Nenhuma iniciativa é fácil, mas não podemos assistir de braços cruzados, os jovens caindo nas drogas, as famílias definhando, as mortes de inocentes e a ampliação das “cracolândias”. O clamor de tanta dor chega ao Coração Deus, que pede de nós uma ação concreta. É preciso quebrar esta corrente do mal!

Dom Edney Gouvêa Mattoso – Bispo de Nova Friburgo (RJ)

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Frear as banalizações https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/frear-as-banalizacoes/ Thu, 19 Jan 2017 18:31:37 +0000 http://teste.toqueto.com/frear-as-banalizacoes.html A progressiva banalização do mal revela uma exigência: o confronto dos processos que deterioram o núcleo humanístico essencial de cada pessoa, recôndito sacrossanto da consciência que conduz atitudes e escolhas nos trilhos do bem e da justiça.   Sem a superação do sentimento de que o mal é algo natural, não se conquistará a paz. Essas banalizações são uma sucursal do inferno, aprisionando a humanidade. Gradativamente, perde-se a sensibilidade fundamental que capacita, motiva e impulsiona o coração para o perdão e a reconciliação. Consequentemente, prevalece a incapacidade para a convivência fraterna e pacífica. Multiplicam-se os cenários aterrorizantes dos atentados, das chacinas e de outras diversas violências que, além dos prejuízos nefastos e das perdas irreversíveis, vão adoecendo consciências, deturpando entendimentos e formatando – com vícios – as escolhas. Ficam comprometidas as condutas, pois é banido o sentido que se conquista na experiência convincente de que é bom ser bom.

A reação contrária às banalizações do mal deve nascer de uma articulada e contemporânea retomada do compromisso de se investir na formação moral. Obviamente, isso não pode ser um posicionamento reacionário marcado por rigidez e intolerâncias. Em vez disso, é um enfrentamento dos descompassos que inviabilizam a convivência solidária, aumentam a indiferença, levando-a a um patamar que produz brutalidades, estampadas em chacinas como as ocorridas em presídios, nos homicídios registrados nas cidades, atentados contra a vida em muitos outros lugares. Esses crimes ocorrem de modo fragmentado, disperso, mas, se somados, evidenciam números de uma sociedade em guerra.

A moralidade tem força para frear as banalizações agravadas ainda mais pela influência das tecnologias sobre o comportamento humano. De um lado, são verificados avanços fantásticos no universo tecnológico, mas, por outro, surgem verdadeiras “armas de destruição”, quando as relações presenciais são substituídas por “contatos virtuais”. Um contexto preocupante em que, muitas vezes, as interações renunciam ao mais elementar sentido de respeito pelo outro e pelas singularidades. Eis um dos nascedouros da banalização do mal que, nessas situações, se revela na ausência do sentido de igualdade, do apreço pelo outro. As consequências são a perversão do deboche e da manipulação das pessoas, desconsiderando a sacralidade de todos. Trata-se o outro como descartável, compreendendo-o como simples instrumento para se alcançar certos objetivos pessoais. Por isso, não há alianças e vínculos duradouros, necessários alicerces para uma vida qualificada e verdadeiramente humana. 

Os investimentos na ordem moral devem incidir na esfera individual, com o balizamento do núcleo familiar, célula da sociedade, e com o empenho das mais diferentes instituições e segmentos, todos comprometidos com um funcionamento eticamente exemplar. Há um terrível dilaceramento do tecido moral que precisa ser recuperado. Isso só é possível a partir da redescoberta dos valores que promovem o altruísmo. Assim, as escolhas não serão somente orientadas pelos critérios do lucro, das vantagens e das comodidades, mas regidas pelo compromisso de se fazer o bem.

Essa reação exige que todos reconheçam um preocupante fenômeno, consequência da banalização do mal: a perda do sentido de gratidão e da competência para a generosidade. As portas, assim, escancaram-se, cada vez mais, para todo tipo de violência. Nada tem sentido de sagrado, tudo é vulnerável e descartável.  O ser humano passa a se habituar a tudo o que deveria ser condenado. Banalizam-se as chamadas “pequenas mentiras”, os enganos que sordidamente são produzidos para manipular pessoas e esconder esquemas de corrupção.

Importante é reconhecer que as violências alimentam essas situações, que, por sua vez, fomentam as violências. Para superar essa perversa dinâmica, é preciso acolher a orientação de Jesus, que também viveu tempos de violência. O Mestre ensinou que o verdadeiro campo de batalha, onde se defrontam a violência e a paz, é o coração humano. Nesse sentido, o Papa Francisco pede a cada pessoa, em sua mensagem para o Dia Mundial da Paz: comprometamo-nos, por meio da oração e da ação, a tornar-nos pessoas que baniram dos seus corações, palavras e gestos a violência, e a construir comunidades não violentas, que cuidem da “casa comum”. O estilo adotado de se viver pautado pela não violência depende que cada pessoa seja um “coração da paz”. Nobre e pertinente, interpelante e indicativa é também a palavra do Papa emérito Bento XVI, ao dizer que a não violência para os cristãos não é mero comportamento tático, mas um modo de ser da pessoa, uma atitude de quem está tão convicto do amor de Deus e de seu poder que não tem medo de enfrentar o mal com as armas do amor e da verdade. Assumir esse modo de ser: aí está o caminho único para a moralização capaz de frear as banalizações do mal que deterioram a humanidade.

 
 
Dom Walmor Oliveira de Azevedo
 Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte
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