lições - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br Site oficial da Diocese de Uruaçu - GO Wed, 01 Nov 2017 08:33:12 +0000 pt-BR hourly 1 https://old.diocesedeuruacu.com.br/wp-content/uploads/2018/12/cropped-favicon-32x32.png lições - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br 32 32 170539269 Lições do Dia de Finados https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/licoes-do-dia-de-finados/ Wed, 01 Nov 2017 08:33:12 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=49310 O dia 02 de novembro, no qual comemoramos o Dia de Finados, é marcado por um rito especial: a visita aos túmulos onde foram depositados os restos mortais daqueles que fizeram parte de nossa vida e a oração por eles. O cemitério é o lugar onde os opostos convivem: o lugar é de silêncio, mas nos fala muito; tudo recorda a morte, mas, não de menos, a vida terrena e a vida eterna. A visita ao cemitério, ao mesmo tempo, fala dos que já partiram, de nós mesmos e também de Deus.

Em primeiro lugar é dia de memórias. Muitas vezes ainda é uma recordação dolorida, quando o luto ainda não foi integrado e a dor da separação ainda não foi curada. Então, cada túmulo é o ponto humano de conexão com tantas histórias, lugares, ensinamentos, alegrias e cruzes, que ainda permanecem vivas. Eles permanecem vivos na memória. Nossa oração por eles e as flores que depositamos são manifestações de nossa gratidão a Deus e a eles. Que importante ter uma memória agradecida por aqueles que nos antecederam. Continuamente, nos recordam que a história não iniciou quando nós nascemos. Eles nos precederam e nos ensinaram a viver. Por isso, alguém só morre quando ninguém se lembra mais dele.

Mas o silêncio dos que já partiram nos fala muito e fala também sobre nós, sobre nossa condição humana. Com certeza, a morte é a realidade humana que mais devemos tematizar e refletir. Nós sempre vivenciamos a morte dos outros. Mas a verdade inquestionável de nossa morte é o ponto a partir da qual lemos toda nossa vida. Embora para um mundo que preza por uma vida de fruição ilimitada a perspectiva da morte é propositalmente esquecida, no entanto, ela é certa. Aqui acabam todas as divisões sociais. A morte nos torna todos iguais. Recorda-nos a relatividade da vida terrena e a definitividade de cada dia, cada escolha, cada ato, visto que, como nos diz a Escritura, “todo homem está destinado a morrer uma só vez” (Hb 9,27). Mas, também, se formos sinceros, revela nossa mesquinhez e põe por terra todo orgulho e as pretensões humanas, como disse Jesus: “Louco! Ainda nesta noite, pedirão de volta a tua vida. E para quem ficará o que tu acumulaste?” (Lc 12,20). Recordar da morte nos torna humildes e responsáveis.

Enfim, o Dia de Finados nos fala de Deus, de sua misericórdia e de seu infinito amor que a todos atrai a si, no seu Filho Jesus. No seu Filho, Deus vence a morte definitivamente, quando ressuscitou-o. Na visão cristã, morremos para viver. O que nos aguarda não é o fim de tudo, nem o nada, nem um retorno à natureza, mas os braços acolhedores de Deus Pai, que nos quer consigo. É a vida eterna, estar definitivamente com Ele.Com a morte deixamos “a mansão deste corpo para ir morar junto do Senhor” (2Cor 5,8); “se com Ele morremos, com Ele vivemos” (2 Tm 1, 22). Disse Jesus: “hei de levar-vos para junto de mim, a fim de que, onde Eu estou, vós estejais também” (Jo 14, 3).

Portanto, ao recordarmos nossos queridos que já partiram, iluminados pela morte-ressurreição de Cristo, abre-se para nosso viver a esperança. O sentido para o presente vem do futuro, da promessa da vida eterna. O cristão é portador de esperança. Vale a pena ser justo, ético, caridoso, fazer o bem e viver cada dia intensamente.

Por Dom Adelar Baruffi – Bispo de Cruz Alta

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As lições de Aparecida https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/as-licoes-de-aparecida/ Wed, 11 Oct 2017 08:42:50 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=48955 No dia 12 de outubro o povo católico do Brasil reverencia nossa padroeira, Nossa Senhora Aparecida. Este ano, com uma motivação especial, pois conclui-se o Ano Nacional Mariano, que recorda os 300 anos da devoção à Mãe Aparecida. Nossa Diocese, embora tenha como principal devoção mariana Nossa Senhora de Fátima, juntamente com todas as dioceses do Brasil, peregrinou com uma réplica da imagem da Aparecida, recebida pelo Santuário Nacional, por todas as mais de 600 comunidades que juntas formam nossa Igreja Particular. Esta missão foi confiada aos jovens das paróquias e foi um impulso na evangelização.

Quero relembrar alguns pensamentos da belíssima mensagem deixada pelo Papa Francisco aos bispos do Brasil, na Jornada Mundial da Juventude, dia 27 de julho de 2013, no Rio de Janeiro. De fato, “a Igreja tem sempre a necessidade urgente de não desaprender a lição de Aparecida; não a pode esquecer”, disse o Santo Padre.

A Mãe.Em primeiro lugar, nos recorda que “em Aparecida, Deus ofereceu ao Brasil a sua própria Mãe”. Sentimo-nos amados por ela. Em Aparecida, Maria não pronunciou palavras, mas pede para termos tempo para estar na sua companhia e contemplá-la, pois ela nos fala de Deus, da Igreja e de cada um de nós.

A pobreza. Aparecida revela a realidade do povo brasileiro de ontem e de hoje: a pobreza e os meios pobres para viver. Os pescadores são pobres. “Os homens partem sempre das suas carências, mesmo hoje.Possuem um barco frágil, inadequado; têm redes decadentes, talvez mesmo danificadas, insuficientes.Primeiro, há a labuta, talvez o cansaço, pela pesca, mas o resultado é escasso: um falimento, um insucesso. Apesar dos esforços, as redes estão vazias.”

A surpresa de Deus. Como em Aparecida, Deus nos surpreende sempre. “Ele chegou de surpresa, quem sabe quando já não o esperávamos. A paciência dos que esperam por Ele é sempre posta à prova. E Deus chegou de uma maneira nova, porque Deus é surpresa: uma imagem de barro frágil, escurecida pelas águas do rio, envelhecida também pelo tempo. Deus entra sempre nas vestes da pequenez.”

Instrumento de unidade. “O Brasil colonial estava dividido pelo muro vergonhoso da escravatura. Nossa Senhora Aparecida se apresenta com a face negra, primeiro dividida, mas depois unida, nas mãos dos pescadores. […] Muros, abismos, distâncias ainda hoje existentes estão destinados a desaparecer. A Igreja não pode descurar esta lição: ser instrumento de reconciliação.”

Acolhida em casa. “Depois, os pescadores trazem para casa o mistério. O povo simples tem sempre espaço para albergar o mistério. Talvez nós tenhamos reduzido a nossa exposição do mistério a uma explicação racional; no povo, pelo contrário, o mistério entra pelo coração. Na casa dos pobres, Deus encontra sempre lugar. […] Deus faz-se levar para casa. Ele desperta no homem o desejo de guardá-lo em sua própria vida, na própria casa, em seu coração.”

 Os meios pobres. “As redes da Igreja são frágeis, talvez remendadas; a barca da Igreja não tem a força dos grandes transatlânticos que cruzam os oceanos. E, contudo, Deus quer se manifestar justamente através dos nossos meios, meios pobres, porque é sempre Ele que está agindo.”

Parabéns a todas as crianças pela passagem do vosso dia! Nossa Senhora Aparecida, olha para nosso povo brasileiro!

Por Dom Adelar Baruffi – Bispo de Cruz Alta

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