justiça - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br Site oficial da Diocese de Uruaçu - GO Sat, 28 Sep 2024 04:09:18 +0000 pt-BR hourly 1 https://old.diocesedeuruacu.com.br/wp-content/uploads/2018/12/cropped-favicon-32x32.png justiça - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br 32 32 170539269 A justiça é o instrumento para a construção da paz https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/a-justica-e-o-instrumento-para-a-construcao-da-paz/ Fri, 16 Feb 2018 14:27:05 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=50830 Não há paz sem justiça

Esta é uma verdade, que deve inspirar os horizontes do povo brasileiro, na construção de uma nova ordem social, econômica e política para se alcançar a paz: não há paz sem justiça. Sem esse entendimento, haverá um recrudescimento das diferentes formas de violência. A sociedade se transformará em um campo de guerras, de todo tipo, corroendo, cada vez mais, as riquezas do tecido cultural e histórico que caracterizam o país. A nova ordem a ser buscada, exige o fim da inaceitável situação de injustiça, que se escancara na forma de desigualdades sociais, se desdobrando em miséria, desemprego e indiferença com os que sofrem.

Conviver com a desigualdade social, e tantos outros males que são frutos da injustiça é, particularmente, vergonhoso para uma nação. Ainda mais quando se têm “recursos de sobra”, bem mais que o suficiente para edificar e manter uma sociedade justa. Diante de tantas possibilidades, percebe-se que a grave situação atual, de desigualdade, não é “obra do acaso”. As análises históricas mostram que é opção deliberada, emoldurada, pela incompetência de muitas pessoas. E o resultado é a injustiça que compromete a paz.

Ética

Assim, eis a tarefa ética que é da Igreja e de todos os que vivem os compromissos da fé: cada pessoa precisa guiar a própria vida a partir dos ensinamentos de Jesus Cristo, com a urgente e laboriosa missão de não omitir-se diante dos problemas sociopolíticos atuais. A desigualdade social e outros males, evidenciam a carência generalizada de iluminação ética. Por isso, muito além de interesses partidários e grupais, o que deve ser priorizada é a dimensão da ética e da moral. Cuide-se, assim, para que igrejas não se tornem instrumentos para ações de partidos políticos. Em vez disso, devem contribuir substantivamente para as indispensáveis transformações necessárias nesse momento.

A Igreja é desafiada, sempre à luz de princípios do Evangelho, a auxiliar os diferentes segmentos sociais na adoção de critérios mais consistentes na elaboração de planejamentos, iniciativas e reformas. Daí a necessidade de debates, reflexões, para qualificar projetos e possibilitar escolhas inteligentes, capazes de impulsionar a sociedade rumo a um futuro melhor. A história mostra que não é possível avançar quando se tem apenas propostas demagógicas, como tantas que já induziram a população a opções ruinosas. Por isso, temas de reconhecida importância para o país precisam ser debatidos, com abertura, para alcançar entendimentos, a partir da participação de todos.

Obra de justiça e de amor

Esse exigente e complexo processo requer um sentido pleno de justiça, alcançado a partir da conduta cidadã, que deve nortear cada pessoa, em todas as instâncias – de governos e parlamentos ao mundo empresarial, das instituições religiosas aos campos da cultura, arte, ciência e tecnologia. Afinal, em construção está a paz, que é tão preciosa para a sociedade. E essa construção é uma obra de justiça e de amor.

O compromisso com a justiça é o caminho que leva ao integral restabelecimento da ordem moral e social, tão ferida. Diz o profeta Isaías, apontando caminhos novos para o povo, que a paz é obra da justiça. E há de se reconhecer que a justiça é uma virtude moral, a garantia legal que vela sobre o respeito a direitos e deveres. Essa virtude é enfraquecida quando posturas ideológicas contaminam interpretações, pessoas passam a considerar somente o que interessa aos seus próprios grupos.

Por isso, importante e urgente é fazer com que a prática da justiça seja mais abrangente. Ultrapasse a dinâmica comum aos tribunais, para se tornar compromisso cotidiano de cada cidadão. Quando atitudes – simples ou com impacto mais amplo no contexto social – são pautadas pelos parâmetros da justiça, há uma efetiva contribuição para o restabelecimento da ordem social e política que equilibra as relações de um povo.

Investir em justiça

O brasileiro convive com uma lista enorme de metas e compromissos a serem efetivados. Entre as necessidades, está a urgente responsabilidade de debelar a miséria. Essa situação triste e tantas outras igualmente lamentáveis são produtos da injustiça, alimentada pela ganância sem limites e pela mesquinhez. Combater a pobreza é, pois, um compromisso determinante que precisa da força da justiça – capaz de equilibrar o exercício de direitos e deveres.

Somente a justiça, instrumento para a construção da paz, pode reconfigurar fundamentalmente as posturas que geram desequilíbrio social e submetem grande parte da população a agressões à sacralidade da vida humana. Assim, a inteligência normativa, que busca garantir o funcionamento justo da sociedade, precisa ser fecundada pela lucidez de princípios sólidos, não imediatistas e utilitaristas. Investir na justiça é imprescindível para a conquista da paz.

Por Dom Walmor Oliveira de Azevedo – Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte

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Dia Mundial de Combate à Corrupção: só nova educação pode vencer tal prática https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/dia-mundial-de-combate-a-corrupcao-so-nova-educacao-pode-vencer-tal-pratica/ Fri, 08 Dec 2017 16:41:18 +0000 http://teste.toqueto.com/dia-mundial-de-combate-a-corrupcao-so-nova-educacao-pode-vencer-tal-pratica.html “Precisamos terminar com as castas que se enquistam no poder público distribuindo benesses e privilégios para os seus comparsas. Quem rouba milhões, mata milhões, não se defendem direitos humanos e sociais deixando impune a corrupção, sem tocar nos tentáculos das máfias do poder. Que o Evangelho do poder-serviço nos leve a construir um Brasil republicano, centrado na justiça, na integridade e no bem comum”.

O trecho acima é do artigo do bispo de Campos (RJ), dom Roberto Francisco Ferreria Paz, recém-publicado no site da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) que tem como título “Refundar e fazer nova a República”. No artigo, o bispo retrata em poucos parágrafos a crise do sistema político e a extensão do câncer da corrupção no Brasil.

O bispo é uma das milhares de vozes brasileiras que têm se levantado contra a corrupção que assola este país. Neste sábado, dia 9 de dezembro, se comemora o Dia Internacional contra a Corrupção. Esta data remete ao dia em que o Brasil e mais 101 países assinaram a Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção, em 2003, na cidade mexicana de Mérida.

Para o bispo de Ipameri (GO) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para Ação Social Transformadora da CNBB, dom Guilherme Werlang, a corrupção é moralmente um grande e gravíssimo pecado.

“Uma pessoa que compactua e pratica a corrupção jamais poderá ser reconhecida como cristão ou cristã. Eticamente, a corrupção destrói qualquer sociedade”.

O bispo destaca ainda que é preciso uma conscientização coletiva não só da corrupção que existe nos altos escalões da sociedade brasileira ou praticado por políticos, seja no Executivo, Legislativo ou no Judiciário.

“Temos que nos conscientizar que a corrupção começa com as pequenas desonestidades, desde a infância. Ela cresce, por exemplo, quando não exigimos fiscal. Quando queremos vantagens sobre pagamentos escondendo parte do valor. Quando fizermos a educação nova da honestidade e transparência aí podemos pensar em vencer a corrupção endêmica do Brasil”, enfatiza o bispo.

No último dia 26 de outubro, a CNBB divulgou uma nota sobre o grave momento político, destacando que a corrupção corrói o Brasil. No texto, a entidade repudia a falta de ética que se instalou nas instituições públicas, empresas, grupos sociais e na atuação de inúmeros políticos que “traindo a missão para a qual foram eleitos, jogam a atividade política no descrédito”.

A Conferência criticou também a apatia e o desinteresse pela política, que cresce cada dia mais no meio da população brasileira, inclusive nos movimentos sociais. Apesar de tudo, a entidade diz que é preciso vencer a tentação do desânimo, pois só uma reação do povo, consciente e organizado, no exercício de sua cidadania é capaz de purificar a política e a esperança dos cidadãos que “parecem não mais acreditar na força transformadora e renovadora do voto”.

De acordo com dados da Organização das Nações Unidas sobre Drogas e Crime no Brasil (UNODC), divulgados em 2013, a corrupção é o maior obstáculo ao desenvolvimento econômico e social na atualidade. Todos os anos, 1 trilhão de dólares é pago em suborno, enquanto cerca de 2,6 trilhões de dólares são roubados pela corrupção, o equivalente a mais de 5% do Produto Interno Bruto mundial.

Segundo estudo divulgado pela entidade Transparência Internacional, o Brasil fechou o ano de 2016 em 79º lugar entre 176 países em ranking sobre a percepção de corrupção no mundo. Além do Brasil, estão empatados em 79º lugar Bielorrússia, China e Índia.

Dom Guilherme, convoca a Igreja no Brasil, os pastores, leigos e leigas, neste Ano do Laicato, a assumir uma nova educação partindo da Palavra de Deus, que desafia e orienta ao mesmo tempo como buscar isto.

“O bom exemplo deve partir de nós. Infelizmente a desonestidade também acontece entre nós, em Igreja Cristãs, em nossas paróquias e dioceses onde também se fazem estas concessões e um jogo não tão transparente como deveria ser, portanto, temos muito trabalho e devemos ser os primeiros a dar um bom exemplo de uma vida honesta, transparente e justa para sermos construtores de uma nova sociedade”, ressalta.

Por CNBB

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Vida de surpresas https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/vida-de-surpresas/ Mon, 06 Nov 2017 15:49:54 +0000 http://teste.toqueto.com/vida-de-surpresas.html As pessoas são desafiadas, por todos os lados, nas suas realidades normais de vida. Porque as surpresas causam encantos e desencantos, encontros e também desencontros, exigindo atitudes de constante vigilância. Os contravalores aparecem a todo o momento, que causam estragos e diminuem muito a qualidade e o sentido de vida dos que são atingidos e pegos totalmente despreparados.

Um clima propriamente de hipocrisia e de falsos valores domina a sociedade, e corrói a autenticidade das pessoas bem intencionadas. O que sentimos é o domínio do desejo de levar vantagem em tudo. Com isso podemos dizer que há muitas surpresas no campo da honestidade, da justiça e da misericórdia. O bem coletivo não é o alvo principal nas negociações de muita gente.

A prudência diz que as pessoas devem se preocupar com o essencial, para evitar um imediatismo sem estabilidade. É incômodo viver de surpresas na vida concreta, de espera sem segurança e de falta de esperança. É fundamental descobrir a sabedoria divina presente nas criaturas humanas, que se expressa através da fé, da caridade e da esperança, dando sentido autêntico para a vida.

A história é construída com as mudanças da sociedade. Estamos saindo de uma pós-modernidade, no confronto com uma sociedade, chamada “líquida”, no dizer do sociólogo e filósofo polonês Zygmunt Bauman. Tudo toma novas formas e as pessoas, na sua consciência humana, num processo de transformação, conseguem influenciar na construção de novas realidades na vida social.

Para os cristãos, as mudanças e as surpresas normalmente vêm da fé em Deus. É Jesus Cristo, Deus feito homem, quem veio construir a história e inaugurar uma nova e definitiva realidade. O contato das pessoas com Ele revela surpresas agradáveis, mas também comprometedoras na vida cotidiana. Seguir Cristo é fazer o que Ele fez e propõe através de sua Palavra na Sagrada Escritura.

Está chegando o final do Ano Litúrgico, com a Festa de Cristo Rei e Senhor da História. Na data celebraremos a abertura do Ano do Laicato, tempo de reflexão e de descoberta da vocação de todas as pessoas batizadas. Os leigos e as leigas cristãos são construtores de uma Igreja missionária, em saída e preocupada com a realização de um mudo diferente e melhor, surpresa do bem.

Por Dom Paulo Mendes Peixoto – Arcebispo de Uberaba (MG)

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Fé: uma luz que deve incidir sobre todas as relações sociais https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/fe-uma-luz-que-deve-incidir-sobre-todas-as-relacoes-sociais/ Fri, 25 Aug 2017 09:44:47 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=48114 A sociedade há de encontrar na fé a nota indispensável e insubstituível da sua sinfonia perdida. Pensam muitos que para se conquistar essa harmonia basta a correção no âmbito da política partidária. Trata-se de aspecto importante, mas que não é suficiente. Há um longo caminho de reconstrução das cidadanias para vencer mediocridades. É preciso reagir, com investimentos urgentes e indispensáveis, na educação, em reformas, no cultivo da sensibilidade social, da consciência de que se pertence a um povo. De modo especial, é importante investir na fé, tesouro que
alicerça a vida, ilumina a razão, inspira e equilibra a conduta humana.

A Palavra de Deus, na Carta aos Hebreus, capítulo 11, bem define esse tesouro: “A fé é a certeza daquilo que ainda se espera, a demonstração de realidades que não se veem”. Cultivá-la provoca transformações profundas que são capazes de devolver, a cada pessoa, o brilho sagrado que reside no coração humano. Por isso mesmo, não é permitida a nenhuma confissão religiosa contemporizar com as manipulações a respeito dos entendimentos sobre Deus e a fé n’Ele professada, para alcançar certos objetivos questionáveis.

Cultura e sociedade

Os líderes religiosos têm grande responsabilidade e não podem retardar a reação diante dessas manipulações que ocorrem a partir de meios de comunicação bem estruturados, de certas práticas alicerçadas na irracionalidade que, por isso mesmo, são incapazes de gerar transformações necessárias na cultura e na sociedade. Situações diversas que impedem o surgimento de novos horizontes, só alcançados pela fé, por sua vivência, a partir da coragem profética e mística de seu testemunho.

Compreende-se a fé não como prática piedosa, no sentido de se reservá-la a sacristias, ou como força a ser buscada simplesmente pelo viés milagreiro, conduta que muitas vezes apenas alimenta cofres, justifica nomes e deixa, em segundo plano, o que é essencial e urgente no que se refere a respostas cidadãs. A fé é uma luz que deve incidir sobre todas as relações sociais, desdobrando-se em gestos de solidariedade.

Toda autêntica manifestação da fé é experiência de fraternidade, sustentada pelo reconhecimento da paternidade de Deus. No centro dessa experiência está o amor do Pai, que não deixa obscurecer a preciosidade singular da vida humana. Assim, a fé leva o homem a preservar o seu lugar no universo, sem que se extravie da sua natureza. Quem cultiva a fé torna-se cada vez mais consciente da própria responsabilidade moral, demove-se da pretensão de ser árbitro absoluto de tudo e não corre o risco oneroso e destruidor de achar que tem o direito de manipular outras pessoas.

Justiça

É verdade que a justa ordem da sociedade e do estado é dever da política e, como afirma Santo Agostinho, “um estado que não se rege segundo a justiça, se reduz a uma grande banda de ladrões, porque a justiça é o objetivo e a medida intrínseca de toda política”. Na busca pela realização da justiça, a política necessita da fé, que tem propriedades para iluminar a razão a partir da experiência do encontro com o Deus. Essa experiência ultrapassa a dimensão simplesmente racional. Nesse sentido, a fé possibilita à razão realizar melhor a sua tarefa de configurar a cidadania nos parâmetros necessários para a construção de uma sociedade melhor.

Por tudo isso, é possível reconhecer a importância de cultivar e sempre ter apreço pelo patrimônio da fé enraizado na cultura de um povo. Um dom que exige atenção redobrada no seu cuidado. Eis um compromisso de todos, de governos também, para que a genuinidade da fé fecunde cidadanias e reconduza a sociedade aos caminhos da
justiça, do bem, às veredas da verdade e da fraternidade.

Por Dom Walmor Oliveira de Azevedo – Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte

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Museus Vaticanos: restauração revela duas pinturas inéditas de Rafael https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/museus-vaticanos-restauracao-revela-duas-pinturas-ineditas-de-rafael/ Mon, 03 Jul 2017 11:09:15 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=47188 Das restaurações em andamento na Sala de Constantino [foto], dos Museus Vaticanos, chegou uma confirmação que era muito aguardada: duas figuras femininas, alegorias das virtudes da Amizade e da Justiça, são obra de Rafael.

Vatican Magazine – quadro semanal televisivo de aprofundamento da Secretaria para a Comunicação/CTV – apresentou as primeiras imagens da figura da Comitas – a Amizade em latim – recém restaurada, e das primeiras sondagens de limpeza da figura da Justiça.

Graças ao trabalho dos restauradores dos Museus Vaticanos, coordenados por Maria Ludmilla Pustka – restauradora chefe do laboratório de restauração de pinturas dos Museus Vaticanos -, o histórico de arte Arnold Nesselrath, delegado para a área técnico-científica dos Museus Vaticanos e Diretor do Departamento para a Arte dos séculos XV e XVI, se obteve a confirmação daquilo que fontes da época relatavam.

Pouco antes de morrer de forma inesperada aos 37 anos, no dia de seu aniversário, devido a uma febre (entre 1519 e 1520) – o mestre Rafael Sanzio – que projetou e desenhou a decoração da sala destinada a banquetes, nomeações de cardeais e recepção de embaixadores e autoridades políticas, pintou com as próprias mãos duas figuras na sala, posteriormente completadas pelos alunos, entre os quais despontam Giulio Romano e Giovan Francesco Penni.

O restaurador Fabio Piacentini, trabalhando desde março de 2015 na Sala de Constantino, explicou ao Vatican Magazine:

“Analisando precisamente a pintura “de visu”, nos damos conta que era certa a participação do mestre, do grande Rafael. Nos deparamos com uma pintura feita a óleo sobre a parede, que é uma técnica realmente particular. Efetuadas as primeiras provas de limpeza e retirando todas as substâncias acumuladas no decorrer dos séculos durante restaurações mais antigas, eis que surge a preciosidade da pintura e o traço pictórico típico do mestre. A técnica usada é aquela que Rafael havia usado para a decoração de toda a sala. Sobre a parede aplica um estrato suficientemente espesso de uma resina natural conhecida também como “pez grega” e sobre ele, depois, pintou como se fosse uma pintura sobre tela, ou melhor ainda, sobre mesa”.

Confirma isto o Professor Arnold Nesselrath, delegado para a área técnico-científica dos Museus Vaticanos:

“Sabia-se, de fontes do século XVI, que Rafael havia pintado ainda duas figuras nesta sala. Sabíamos que antes de morrer tinha feito ainda duas tentativas na técnica a óleo nesta sala. Estas duas figuras são, com efeito, pintadas a óleo, como dizem as fontes, e são de uma qualidade muito superior àquelas que estão junto delas. Rafael era um grande aventureiro na pintura, sempre experimentava algo diferente. Quando entendia como funcionava uma coisa, tentava o próximo desafio. E assim, quando chega na sala maior do apartamento pontifício, decide pintar esta sala a óleo. Conseguiu pintar somente duas figuras e os alunos, mais tarde, continuaram no método tradicional e deixaram estas duas figuras autógrafas do mestre”.

Por Rádio Vaticano

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O dom da alegria https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/o-dom-da-alegria/ Fri, 30 Jun 2017 10:05:49 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=47050 “Alegrai-vos sempre no Senhor! Repito: alegrai-vos!” (Fl 4,4). É difícil acreditar que esse convite do apóstolo Paulo à alegria tenha sido escrito não em um momento de sucesso ou de festa, mas quando ele se encontrava na prisão. Não sei o que Paulo escreveria, se vivesse no Brasil de hoje. Tenho minhas dúvidas, contudo, de que se contentasse em aumentar o coro dos pessimistas – isto é, daqueles que são levados pela onda de reclamações, críticas e insatisfações.

Nossos problemas são, reconheçamos, sérios e graves, gerando inquietação e insegurança. Como, pois, ser alegres? De que maneira, para usar a linguagem de Paulo (2Cor 7,4), estar cheios de consolação e transbordar de alegria?

Todos desejam ser felizes. Mas nossa alegria é sempre incompleta e frágil. O homem moderno, que pela técnica consegue multiplicar ocasiões de prazer, não conseguiu, ainda, “fabricar” a alegria autêntica. E, por isso mesmo, tem como constantes companheiros o tédio e a tristeza, a angústia e o desespero, a solidão e o vazio…

A  alegria somente será possível se se  fizer um renovado esforço para que todos tenham um mínimo de segurança, de justiça e bem-estar. Não há alegria em um ambiente onde  falta o sentimento de fraternidade e não se tem uma  visão poética das coisas boas que acontecem ao nosso redor.  Sem um  coração de poeta e  de criança, somos  incapazes de alegrar-nos diante da vida, do amor, da natureza, do trabalho bem feito, do dever cumprido, da partilha, do sacrifício…

A alegria duradoura, que levou Paulo a desejar experimentá-la  mesmo em  meio a  inquietações, passa pela experiência da fé. Experiência que fez o apóstolo e evangelista João exclamar: “Deus é amor!” (1 Jo 4,16 ). E Agostinho lamentar: “Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei!” (Confissões X, 27).

A alegria é para ser desfrutada por todos. Quando Maria Santíssima a experimentou na casa de Isabel, externou-a  num cântico  em que engrandece o Senhor (Lc 1,46-55). Jesus fez da alegria um tema constante de suas pregações. Lembrou que ela é sentida pela mulher que encontra a moeda perdida e pelo semeador que faz a colheita; pelo homem que acha um tesouro e pelo pastor que reencontra a ovelha extraviada; pelo pai que acolhe o filho e pelos pequenos que recebem a revelação do Reino. O Filho de Deus desejou que sentíssemos  a sua alegria para que, assim, a nossa fosse completa e duradoura (Jo 15,11).

Em meio a nossa crise, precisamos nos recordar de que, assim como só o poeta vê o invisível, ou seja, a essência dos acontecimentos, da natureza e das pessoas, só quem tiver o Espírito de Deus será capaz de saborear a alegria, esse dom que caracteriza os seguidores de Jesus de Nazaré.

Por Dom Murilo S. R. Krieger – Arcebispo de São Salvador 

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Roma condena ex-diretores do Banco do Vaticano à prisão https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/roma-condena-ex-diretores-do-banco-do-vaticano-a-prisao/ Fri, 24 Feb 2017 09:04:47 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=44582 A Procuradoria de Roma condenou o ex-diretor-geral do Instituto para Obras da Religião (IOR) Paolo Cipriani e seu então vice-diretor Massimo Trulli a quatro meses e 10 dias de prisão por omissão ligada às operações consideradas suspeitas.

A decisão desta quinta-feira, 23, ainda absolveu os dois por supostos crimes ligados ao rombo financeiro de 23 milhões de euros registrado pelo Banco do Vaticano em 2010.

O veredito seguiu parcialmente o pedido do procurador Stefano Rocco Fava, que acusava os dois ex-dirigentes pelos crimes financeiros, e que havia pedido um ano de condenação para Cipriani e 10 meses para Trulli.

A investigação contra o Banco do Vaticano começou há sete anos por conta de uma suposta falta de respeito às normas bancárias na referência ao pedido do Credito Artigiano.

Em 2010, uma transferência de 23 milhões de euros para o J.P. Morgan Frankfurt (que recebeu 20 milhões de euros) e ao Banco del Fucino (que recebeu os outros três milhões de euros) levantou a suspeita de lavagem de dinheiro. O valor foi restituído à Santa Sé em junho de 2011. O IOR deveria ter como função atuar apenas nas obras da Igreja Católica, mas a Itália abriu investigações para verificar se ele atuava com pessoas laicas como se fosse um banco comum, o que afeta as leis italianas.

Roma chegou a acusar o Banco do Vaticano de atuar por 40 anos sem autorização. Mas, os casos anteriores a Cipriani e Trulli não foram investigados por já terem prescrevido.

Desde que assumiu o Pontificado, o Papa Francisco vem fazendo diversas reformas nas estruturas administrativas e financeiras da instituição. Uma delas, feitas no IOR, acarretou uma série de afastamentos de seus diretores e passou por uma completa reestruturação.

Por Canção Nova, com Ansa

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Gratuidade do amor https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/gratuidade-do-amor/ Tue, 21 Feb 2017 10:17:52 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=44537 Amar de verdade não é fácil, porque significa comprometer-se. Podemos citar o caso de duas pessoas que se dizem realmente amar independentemente das situações e problemas que possam aparecer. Mas é um tema muito discutido entre pessoas que tiveram experiências negativas na convivência. No início o amor era tudo, mas que caiu no esvaziamento. Era realmente amor?

Em seus ensinamentos, Jesus diz que o verdadeiro amor significa doação, serviço ao próximo, despojamento de todos os interesses individualistas e prática do que não favorece o outro. O ideal do amor como gratuidade é lindo, mas entra em confronto com a cultura do capitalismo e da violência. Quem ama preserva a vida em todas as suas dimensões e a vê como dom de Deus.

O amor de Deus é providente, porque cuida até dos lírios do campo (Mt 6,30). Valoriza os mínimos detalhes da natureza, porque tudo tem sua finalidade e seu valor. Sinal de que não podemos descartar os dons da criação, principalmente a pessoa humana, porque ela é criada à imagem e semelhança do Criador. Em respeito à gratuidade do amor, toda a natureza merece ser valorizada.

Uma das características do amor é a liberdade, e fomos criados livres. Mas muitas coisas nos aprisionam e nos escravizam. É o caso do apego exagerado ao dinheiro, capaz até de desmoronar a solidez de um amor consolidado. Em vez de confiança no outro, ela fica apoiada na conta bancária e no acúmulo. Acontece uma mudança de valores, porque o ter sacrifica a identidade do ser.

Amor com gratuidade aproxima a pessoa do Criador e a faz feliz, porque vê nos outros a imagem e a semelhança de Deus. A existência de cada pessoa revela a vida como um dom. Tudo isto é fruto do uso correto da liberdade, que consegue enxergar a beleza da criação como fruto da bondade divina e não como propriedade e domínio da criatura humana com suas fraquezas e limites.

Quem realmente pratica a justiça faz sua vida ser pautada pela fraternidade e se deixa conduzir pela providência divina. O amor marcado pela verdadeira gratuidade precisa ser todo entranhado pela sabedoria dos ensinamentos de Deus. Do contrário, ela não passa de ação recheada de orgulho, vazia e não dura muito. O amor na gratuidade não combina com atos de orgulho próprio.

Por Dom Paulo Mendes Peixoto – Arcebispo de Uberaba, MG

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A novidade do Evangelho https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/a-novidade-do-evangelho/ Mon, 13 Feb 2017 09:51:15 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=44343 “Antes que o céu e a terra deixem de existir, nem uma só letra ou vírgula serão tiradas da Lei, sem que tudo aconteça” (Mt 5, 18). A força da Palavra de Jesus concede o devido valor ao Antigo Testamento, proporcionando a todas as gerações a estrada que dá significado e plenitude aos preceitos da lei, da primeira à última letra, com seu valor de vida e santidade. Ele assegura que, atrás dos autores sagrados, existe uma providencial presença de Deus, que, com seu Espírito, que faz com que todas as etapas da história da Salvação iluminem os passos das gerações humanas. No entanto, Jesus é portador da novidade e ele mesmo é a novidade, pois nele se cumpre toda a lei. Só através dele se pode entrar no Reino de Deus, e nele até o menor dos mandamentos encontra seu sentido. Trata-se agora da exuberância de presença de Deus na história, no mistério da Encarnação. E em sua Morte e Ressurreição, Jesus realizou completamente o que consta na lei e nos profetas.

Assistimos diariamente ao espetáculo, com cenas nem sempre edificantes, de todos os embates políticos e judiciais em nosso país, com “operações” que se multiplicam, prisões, judicialização das relações humanas. A novidade do dia costuma trazer novas listas de figurões a serem presos, com espaço nos noticiários, julgamentos sumários nas redes sociais. No dia a dia de nossa convivência, qualquer pequena ofensa pode se transformar em assédio moral, os apelidos e brincadeiras de crianças passam a ser tratados como buylling, e daí por diante. E todo mundo se sente aparentemente seguro quando seus direitos são garantidos, as cercas e alarmes parecem garantir a privacidade, os condomínios oferecidos a todas as classes sociais se erguem para as pessoas se sentirem tranquilas. Tudo bem organizado, e as pessoas infelizes!

Eis que aparece o Evangelho, com propostas diferentes, novidade absoluta, a ser anunciada ao nosso tempo machucado e cansado. Há uma belíssima expressão, a “nova justiça” do Reino de Deus, cuja atualidade inverte todas as relações entre as pessoas e propugna um mundo novo, possível, sim, mas profundamente desafiador, cuja aceitação depende de uma decisão pessoal e adesão a outro “Reino”, que é de Deus e quer envolver a todos os homens e mulheres também de nossa geração. Jesus surge como aquele que cumpre toda a lei e os profetas, e esta já uma novidade radical, pois não anuncia um código de doutrinas, mas dá sentido verdadeiro a tudo o que veio antes. Aquele que é o bem-aventurado por excelência pode enviar os que a ele aderem com a força de uma palavra ousada: “Quem os praticar e ensinar será considerado grande no Reino dos Céus. Eu vos digo: Se vossa justiça não for maior que a dos escribas e dos fariseus, não entrareis no Reino dos Céus” (Mt 5, 19-20). 

A nova justiça proposta por Jesus tem sua síntese no mandamento do amor. A inversão por ele proposta pede uma nova sensibilidade. Não basta ser educados no trato com as pessoas, ou respeitar limites na convivência. Nem é suficiente evitar os atentados contra a vida, como a violência que se expressa nas mortes cotidianas, mas, por amor, nem mesmo considerar imbecil ou louco qualquer irmão. Mesmo a raiva cultivada contra os outros há de ser superada! A justiça do Reino de Deus considera todos como irmãos! Deficientes, retardados, limitados, incapazes, e depois, os criminosos, os viciados, os traficantes, ou demais qualificações corretas ou politicamente incorretas que existirem, todas sejam superadas, para que a qualificação de irmão ou irmã a ser amado ilumine toda abordagem de quem quer que seja! 

Consequência exigente é quase adivinhar, diante do altar, para buscar a reconciliação, tomando a iniciativa, sem esperar que alguém se humilhe para pedir perdão. A estrada a ser percorrida com as outras pessoas deverá ser uma verdadeira aventura de pacificação: “Procura reconciliar-te com teu adversário, enquanto ele caminha contigo para o tribunal. Senão o adversário te entregará ao juiz, o juiz te entregará ao oficial de justiça, e tu serás jogado na prisão. Em verdade, te digo: dali não sairás, enquanto não pagares o último centavo” (Mt 5, 23-26). 

Também o relacionamento afetivo adquire novo contorno e pede práticas diferentes, pedindo um olhar de pureza em relação às pessoas. Num tempo de exposição do corpo, práticas sexuais antes inimagináveis, libertinagem oferecida e propagandeada, Jesus propõe nadar contra a correnteza. Faz-se necessário tomar decisões com coragem, para começar a ser diferentes! Vale trazer plenamente à luz a palavra de Jesus: “Se teu olho direito te leva à queda, arranca-o e joga para longe de ti! De fato, é melhor perderes um de teus membros do que todo o corpo ser lançado ao inferno. Se a tua mão direita te leva à queda, corta-a e joga-a para longe de ti! De fato, é melhor perderes um de teus membros do que todo o corpo ir para o inferno” (Mt 5, 29-30). Que ninguém se assuste! Dá mais trabalho amputar a maldade do coração do que um dos membros do corpo!

A recomendação que se segue pode deixar perplexa nossa geração, ainda que o Evangelho seja conhecido há tanto tempo: “Foi dito também: ‘Quem despedir sua mulher dê-lhe um atestado de divórcio’. Ora, eu vos digo: todo aquele que despedir sua mulher – fora o caso de união ilícita – faz com que ela se torne adúltera; e quem se casa com a mulher que foi despedida comete adultério” (Mt 5, 31-32). 

Enfim, a palavra dada e o compromisso com a verdade: “Ouvistes também que foi dito aos antigos: ‘Não jurarás falso’, mas ‘cumprirás os teus juramentos feitos ao Senhor’. Ora, eu vos digo: não jureis de modo algum, nem pelo céu, porque é o trono de Deus; nem pela terra, porque é o apoio dos seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do Grande Rei. Também não jures pela tua cabeça, porque não podes tornar branco ou preto um só fio de cabelo. Seja o vosso sim, sim, e o vosso não, não. O que passa disso vem do Maligno (Mt 5, 34-37).

Foi proposital a transcrição de trechos do Sermão da Montanha quanto ao respeito à vida e às pessoas, a pureza, a fidelidade à palavra dada. Para não escandalizar, vem o convite a olhar para Jesus, aquele que realiza plenamente o que anuncia. E ouso apresentar um questionamento! Estamos abertos à novidade da justiça evangélica? A exigência do “Eu, porém, vos digo”, pode tornar-se um imperativo em nossa vida? A escolha é nossa! Venha em nossa ajuda a coragem de São Paulo: “Mais que isso, julgo que tudo é prejuízo diante deste bem supremo que é o conhecimento do Cristo Jesus, meu Senhor. Por causa dele, perdi tudo e considero tudo como lixo, a fim de ganhar Cristo e ser encontrado unido a ele. E isto, não com a minha justiça que vem da Lei, mas com a justiça que vem pela fé em Cristo, a justiça que vem de Deus, com base na fé (Fl 3, 8-9).

Por Dom Alberto Taveira Corrêa – Arcebispo Metropolitano de Belém do Pará

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