jejum - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br Site oficial da Diocese de Uruaçu - GO Sat, 28 Sep 2024 04:09:16 +0000 pt-BR hourly 1 https://old.diocesedeuruacu.com.br/wp-content/uploads/2018/12/cropped-favicon-32x32.png jejum - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br 32 32 170539269 Dom Armando Bucciol fala sobre o sentido e os tipos de jejum durante a quaresma https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/dom-armando-bucciol-fala-sobre-o-sentido-e-os-tipos-de-jejum-durante-a-quaresma/ Fri, 22 Mar 2019 15:22:33 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=54356 O tempo da Quaresma proporciona uma preparação intensa, profunda e orante para a celebração da Páscoa. Nele, os cristãos são convidados a percorrer um itinerário espiritual com 40 dias, que vão da quarta-feira de Cinzas até o Domingo de Ramos. Dom Armando Bucciol, presidente da Comissão para a Liturgia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) afirma que a liturgia propõe, especialmente na quarta-feira de cinzas, a escuta do Evangelho de Mateus. Nele, o bispo explica que Jesus, por três vezes, repete: “Não sejais como os hipócritas”.

Nesta parte, dom Armando diz que Jesus é muito duro para com os que disfarçam comportamentos religiosos de forma ‘narcisista’, só para ‘mostrar a cara’. “Seus discípulos devem agir diferente, olhar somente para Deus e não importar do juízo dos homens; se não, ‘já receberam a sua recompensa”, afirma o bispo.

A igreja, fiel a esta tradição bíblica e ao exemplo de Jesus, propõe aos seus fiéis a prática do jejum, sobretudo na quaresma. Mas, em que consiste? Como praticá-lo hoje? Para compreender melhor, dom Armando afirma que é preciso recordar o que escreve o apóstolo Paulo aos Filipenses (3,18-19): “Há muitos que se comportam como inimigos da cruz de Cristo. O fim deles é a perdição, o deus deles é o estômago… só pensam em coisas terrenas”.

Segundo dom Armando, ninguém nega o prazer de uma boa comida, pois precisa do alimento para viver. Então, questionado sobre o sentido do jejum, ele diz que pensa, antes de tudo, que é para estar na vida de uma maneira diferente. “A palavra sobriedade expressa o modo melhor no uso das ‘coisas’ desse mundo. Viver com sábia sobriedade, valendo-se do que a vida oferece sem se deixar amarrar o coração”, diz.

O bispo alega que o desejo descontrolado pode levar aos excessos que estragam a procura do que mais faz crescer a humanidade. “Sem essa atitude interior, poderíamos nos perder, destruídos pelas paixões que fazem guerra ao nosso espírito”, salienta.

Hoje, bombardeados por mil mensagens muito chamativas, dom Armando afirma que é preciso abrir novos horizontes ao jejum, e de maneira mais exigente. “Trata-se de controlar os instintos mais destruidores e viver numa sábia sobriedade em todas as dimensões do ser humano”, argumenta.

Em tempos de uso (e abuso) das palavras, das redes sociais, das relações humanas cotidianas, dom Armando reitera que a renúncia na vida cristã visa não tanto o negativo, mas o positivo, isto é, o crescimento interior, a busca sincera do essencial, para acolher o projeto do Senhor que é não julgar, partilhar, ser solidário, doar, amar. “Seremos julgados não pelo jejum que fizemos, mas pela disponibilidade sincera e constante em ser pessoas que vivem relações humanas autênticas, com os outros e com Deus”, afirma o bispo.

Dom Armando recorda que Jesus jejuou por quarenta dias, no deserto, antes de iniciar sua missão. “Preparou-se, desse modo, ao anúncio do Reino que nele torna-se escolha e estilo de vida ao lado dos pobres, dos excluídos e marginalizados. Escolha que o Pai confirma e sustenta até à cruz. Nesse sentido, procuremos ser fieis às mensagens de vida nova propostas pela Palavra”, estimula.

Por fim, dom Armando explica que na quarta-feira de Cinzas, a oração depois da comunhão pede que “o jejum de hoje vos seja agradável e nos sirva de remédio”. A ideia é, de acordo com ele que o jejum ajude as pessoas a serem mais transparentes e livres daquela liberdade interior que permite colher e viver o que mais nos torna humanos, da mesma humanidade de Jesus, repleta de amor cativante. “Esse é o jejum que mais vale aos olhos do Senhor”, finaliza.

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Entenda: por que jejuar nas sextas-feiras da Quaresma? https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/entenda-por-que-jejuar-nas-sextas-feiras-da-quaresma/ Thu, 01 Mar 2018 10:32:34 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=51055 Durante a Quaresma – período de preparação para a festa da Páscoa – a Igreja recomenda que os fieis façam jejum e abstinência, principalmente às sextas-feiras. A prática é muito comum durante este tempo litúrgico, mas também no decorrer do ano. Mas porque jejuar nas sextas-feiras quaresmais?

“Para tornar mais verdadeira, autêntica e transparente a nossa vida diante de Deus”, explica o bispo de Livramento de Nossa Senhora (BA) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Armando Bucciol.

“A finalidade proposta é viver o jejum como renúncia de algo que nos dá prazer imediato e, porém, não é só o aspecto negativo da renúncia, mas impositivo. Eu insisto, o jejum é para tornar mais autentica, transparente e verdadeira conosco mesmo no relacionamento com os ouros e no final com Deus a nossa existência terrena”, explicou.

O bispo ressalta ainda que sexta-feira na tradição da Igreja é o dia da morte do Senhor. Portanto, desde os primeiros séculos se tornou um dia litúrgico. Isto é, em que se recordava a morte do Senhor de uma maneira especial.

“O fato de ter um dia de Jejum é para viver juntos como Igreja Universal um gesto que manifeste a nossa busca de uma espiritualidade mais profunda, mais autêntica ligada ao sofrimento de Cristo”, destaca.

De acordo com o Código de Direito Canônico – leis que orientam a Igreja Católica – o jejum é a “forma de penitência que consiste na privação de alimentos”. Para tal prática, a orientação tradicional é que se faça apenas uma refeição completa durante o dia e, caso haja necessidade, pode-se tomar duas outras pequenas refeições, que não sejam iguais em quantidade à habitual.

Segundo dom Armando, a Igreja enriquecida por uma longa história documentada pela Bíblia, fala muitas vezes da necessidade de jejuar. Na Sagrada Escritura, o profeta Isaías insiste que não basta um jejum como obra exterior. É importante jejuar como purificação interior.

“Nós como Igreja temos essa obra durante a Quaresma com o intuito da vivência mais profunda com nós mesmo e com Deus para que a nossa vida se torne mais pura, autêntica e fiel”.

Conforme as orientações da Igreja, o jejum e a abstinência são obrigatórios na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa e estão obrigados ao jejum os que tiverem completado 18 anos até os 59 completos. Os outros podem fazer, mas sem obrigação. Grávidas e doentes estão dispensados do jejum, bem como aqueles que desenvolvem árduo trabalho braçal ou intelectual no dia do jejum.

Sobre a abstinência, o Direito Canônico diz que “consiste na escolha de uma alimentação simples e pobre”. Segundo o documento, a tradição da Igreja indica a abstenção de carne, pelo menos nas sextas-feiras da Quaresma. “Mas poderá ser substituída pela privação de outros alimentos e bebidas, sobretudo os mais requintados e dispendiosos [caros] ou da especial preferência de cada um”, orienta o documento.

Para dom Armando, o jejum quaresmal é um momento para entrar em si mesmos e ver na transparência do mistério de Deus a proposta cristã o que torna a vida mais bela, transparente.

“Quem ganha com o jejum não é Deus, somos nós. São as nossas vidas que se tornam mais verdadeiras em si mesmas. É claro a motivação não é de ordem só estética ou física, mas espiritual. Mas, Deus é aquele que, mais do que todos, procura o nosso bem e a Igreja, fiel a uma longa tradição de espiritualidade, convida seus filhos a fazer renúncias que não são tanto para honrar a Deus, é para tornar o nosso relacionamento com Ele mais puro, rico, belo, mais fiel ao projeto que Ele nos deixou”, finaliza o bispo.

Por CNBB

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Papa pede coerência em nosso jejum https://old.diocesedeuruacu.com.br/sem-categoria/papa-pede-coerencia-em-nosso-jejum-3/ Fri, 16 Feb 2018 14:08:19 +0000 http://teste.toqueto.com/papa-pede-coerencia-em-nosso-jejum-3.html Jejuar com coerência e não para aparecer. Na homilia da Missa na Casa Santa Marta, o Papa Francisco advertiu quanto ao jejum incoerente, exortando a nos questionarmos como nos comportamos com os outros.

Na primeira leitura, extraída do livro do Profeta Isaías (Is 58,1-9a), fala-se do jejum que o Senhor quer: “quebrar as cadeias injustas, desligar as amarras do jugo, tornar livres os que estão detidos, enfim romper todo tipo de sujeição”.

O jejum é uma dos deveres da Quaresma, recordou o Papa. “Se não puder fazer um jejum total, que faz sentir fome até os ossos, “faça um jejum humilde, mas verdadeiro”, pediu o Papa.

É Isaías que evidencia as inúmeras incoerências na prática da virtude: cuidar dos próprios interesses, o dinheiro, enquanto o jejum é “um pouco despojar-se”; fazer penitência em paz : “não pode, de um lado, falar com Deus e, de outro, falar com o diabo”, porque é incoerente, advertiu o Francisco.

“Não jejuem mais como fazem hoje, de modo que se ouça o barulho”, ou seja, nós jejuamos, nós somos católicos, somos praticantes; eu pertenço àquela associação, nós jejuamos sempre, fazemos penitência. Mas, vocês jejuam com coerência ou fazem a penitência incoerentemente como diz o Senhor, com barulho, para que todos vejam e digam: “Mas que pessoa justa, que homem justo, que mulher justa…” Este é um disfarce; é maquiar a virtude”.

É preciso disfarçar, mas seriamente, com o sorriso, isto é, não mostrar que está fazendo penitência. “Procura a fome para ajudar os outros, mas sempre com o sorriso”, exortou o Santo Padre.

O jejum consiste também em humilhar-se e isso se realiza pensando nos próprios pecados e pedindo perdão ao Senhor.  “Mas, se este pecado que eu cometi fosse descoberto, fosse publicado nos jornais, que vergonha!” –  “Pois bem, envergonha-te!”, disse o Papa, convidando também a quebrar as cadeias injustas.

“Eu penso a tantas domésticas que ganham o pão com o seu trabalho: humilhadas, desprezadas… Nunca pude esquecer uma vez que fui a casa de um amigo quando criança. Vi a mãe dar um tapa na doméstica.  81 anos… Não esqueci aquilo. “Sim, não Pai, eu nunca dou um tapa” – “Mas como os trata? Como pessoas ou como escravos? Pagas a eles o justo? Dás a eles as férias, é uma pessoa ou um animal que te ajuda em casa?”.  Pensem somente nisto. Nas nossas casas, nas nossas instituições, existe isto. Como eu me comporto com a doméstica que tenho em casa, com as domésticas que estão em casa?”

Então, um outro exemplo nascido de sua experiência pessoal. Falando com um senhor muito culto que explorava as domésticas, o Papa o fez entender que se tratava de um pecado grave, porque são “como nós, imagem de Deus”, enquanto ele sustentava que eram “pessoas inferiores”.

O jejum que o Senhor quer – como recorda ainda a Primeira leitura – consiste em “partilhar o pão com o faminto, no acolher em casa os miseráveis, sem-teto, em vestir os nus, sem negligenciar o teu sangue”.

“Hoje – observa Francisco – se discute se damos o teto ou não àqueles que vem pedi-lo”.

E, ao concluir, exorta a fazer penitência, a “sentir um pouco a fome”, a “rezar mais” durante a Quaresma e a perguntar-se como se comporta com os outros:

“O meu jejum chega a ajudar os outros? Se não chega, é fingido, é incoerente e te leva pelo caminho da vida dupla. Faço de conta ser cristão, justo…. como os fariseus, como os saduceus. Mas, por dentro, não o sou. Peça humildemente a graça da coerência. A coerência. Se eu não posso fazer algo, não a faço. Mas não fazê-la incoerentemente. Fazer somente aquilo que eu posso fazer, mas com coerência cristã. Que o Senhor nos dê esta graça”.

Por Vatican News

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Papa pede coerência em nosso jejum https://old.diocesedeuruacu.com.br/sem-categoria/papa-pede-coerencia-em-nosso-jejum/ Fri, 16 Feb 2018 13:51:35 +0000 http://teste.toqueto.com/papa-pede-coerencia-em-nosso-jejum.html Jejuar com coerência e não para aparecer. Na homilia da Missa na Casa Santa Marta, o Papa Francisco advertiu quanto ao jejum incoerente, exortando a nos questionarmos como nos comportamos com os outros.

Na primeira leitura, extraída do livro do Profeta Isaías (Is 58,1-9a), fala-se do jejum que o Senhor quer: “quebrar as cadeias injustas, desligar as amarras do jugo, tornar livres os que estão detidos, enfim romper todo tipo de sujeição”.

O jejum é uma dos deveres da Quaresma, recordou o Papa. “Se não puder fazer um jejum total, que faz sentir fome até os ossos, “faça um jejum humilde, mas verdadeiro”, pediu o Papa.

É Isaías que evidencia as inúmeras incoerências na prática da virtude: cuidar dos próprios interesses, o dinheiro, enquanto o jejum é “um pouco despojar-se”; fazer penitência em paz : “não pode, de um lado, falar com Deus e, de outro, falar com o diabo”, porque é incoerente, advertiu o Francisco.

“Não jejuem mais como fazem hoje, de modo que se ouça o barulho”, ou seja, nós jejuamos, nós somos católicos, somos praticantes; eu pertenço àquela associação, nós jejuamos sempre, fazemos penitência. Mas, vocês jejuam com coerência ou fazem a penitência incoerentemente como diz o Senhor, com barulho, para que todos vejam e digam: “Mas que pessoa justa, que homem justo, que mulher justa…” Este é um disfarce; é maquiar a virtude”.

É preciso disfarçar, mas seriamente, com o sorriso, isto é, não mostrar que está fazendo penitência. “Procura a fome para ajudar os outros, mas sempre com o sorriso”, exortou o Santo Padre.

O jejum consiste também em humilhar-se e isso se realiza pensando nos próprios pecados e pedindo perdão ao Senhor.  “Mas, se este pecado que eu cometi fosse descoberto, fosse publicado nos jornais, que vergonha!” –  “Pois bem, envergonha-te!”, disse o Papa, convidando também a quebrar as cadeias injustas.

“Eu penso a tantas domésticas que ganham o pão com o seu trabalho: humilhadas, desprezadas… Nunca pude esquecer uma vez que fui a casa de um amigo quando criança. Vi a mãe dar um tapa na doméstica.  81 anos… Não esqueci aquilo. “Sim, não Pai, eu nunca dou um tapa” – “Mas como os trata? Como pessoas ou como escravos? Pagas a eles o justo? Dás a eles as férias, é uma pessoa ou um animal que te ajuda em casa?”.  Pensem somente nisto. Nas nossas casas, nas nossas instituições, existe isto. Como eu me comporto com a doméstica que tenho em casa, com as domésticas que estão em casa?”

Então, um outro exemplo nascido de sua experiência pessoal. Falando com um senhor muito culto que explorava as domésticas, o Papa o fez entender que se tratava de um pecado grave, porque são “como nós, imagem de Deus”, enquanto ele sustentava que eram “pessoas inferiores”.

O jejum que o Senhor quer – como recorda ainda a Primeira leitura – consiste em “partilhar o pão com o faminto, no acolher em casa os miseráveis, sem-teto, em vestir os nus, sem negligenciar o teu sangue”.

“Hoje – observa Francisco – se discute se damos o teto ou não àqueles que vem pedi-lo”.

E, ao concluir, exorta a fazer penitência, a “sentir um pouco a fome”, a “rezar mais” durante a Quaresma e a perguntar-se como se comporta com os outros:

“O meu jejum chega a ajudar os outros? Se não chega, é fingido, é incoerente e te leva pelo caminho da vida dupla. Faço de conta ser cristão, justo…. como os fariseus, como os saduceus. Mas, por dentro, não o sou. Peça humildemente a graça da coerência. A coerência. Se eu não posso fazer algo, não a faço. Mas não fazê-la incoerentemente. Fazer somente aquilo que eu posso fazer, mas com coerência cristã. Que o Senhor nos dê esta graça”.

Por Vatican News

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Esmola, jejum e oração: tripé da espiritualidade quaresmal https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/esmola-jejum-e-oracao-tripe-da-espiritualidade-quaresmal/ Thu, 15 Feb 2018 09:09:10 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=50779 A Igreja começou o tempo quaresmal. Iniciar o período significa inaugurar um tempo de penitência, em preparação para a Páscoa do Senhor. Essa etapa certamente desperta em todos os cristãos a necessidade de revisão de vida, tanto em nível pessoal como social. Neste sentido, o portal da CNBB realizou uma entrevista exclusiva com o bispo de Livramento de Nossa Senhora e presidente da Comissão para a Liturgia, dom Armando Bucciol, que falou sobre a espiritualidade e intensidade do tempo quaresmal.

Desde quando a Quaresma é vivenciada como tempo intenso de preparação para a Páscoa?

Para celebrar a festa das festas, a Páscoa, a Igreja propõe desde o início de sua caminhada uma adequada preparação. Depois nos primeiros séculos, após ter focalizado no Dia do Senhor o centro de sua vida espiritual, em meados do segundo século, eis que se celebra a Festa da Páscoa. A Páscoa anual é celebrada com uma solene vigília. Ao redor desse núcleo forma-se o tríduo sagrado e a Páscoa é celebrada em três dias. A solenidade da Páscoa se prolonga numa festa de 50 dias até o Pentecostes. O desejo de se reproduzir os fatos da vida de Jesus, sobretudo por parte da Igreja de Jerusalém faz nascer algumas celebrações daquela que será chamada de Semana Santa. Elemento importante foi a conversão do Batismo durante a vigília pascoal no começo do terceiro século e a missa para a reconciliação dos penitentes desde o quinto século, a partir disso, forma-se a Quaresma como preparação à Páscoa.

Quais foram os primeiros testemunhos sobre a existência da Quaresma e como era feita a preparação para o período?

Temos os primeiros testemunhos sobre a existência da Quaresma já no século IV, um tempo de preparação de três semanas. Vários testemunhos de quarenta dias de preparação para a Páscoa se encontram ao longo do IV século. Para o desenvolvimento da Quaresma contribuiu a organização do catecumenato, tempo de preparação aos ensinamentos de Iniciação à Vida Crista para os Adultos que nesse século alcança seu apogeu. No Sábado Santo celebravam-se o Batismo com a unção crismal e a celebração da Eucaristia, neste período a Quaresma torna-se tempo forte de penitência para a reconciliação dos pecadores e acontecia uma grande celebração de acolhida na Quinta-feira da Semana Santa pela manhã. As características ‘batismal e penitencial’ permanecem na celebração da Quaresma até os dias atuais, o Sacrosanctum Concilium Sobre a Liturgia Sagrada as reconhece quando tanto na liturgia quanto na catequese litúrgica esclarece-se a dupla índole do tempo quaresmal que, principalmente, pela lembrança ou preparação do Batismo e pela penitência fazendo os fiéis ouvirem com mais frequência a Palavra de Deus e entregarem-se a oração os dispõe a celebração pascoal.

Qual o significado e origem do nome “Quaresma”?

O nome Quaresma lembra quarenta dias de purificação e penitência. Quarenta é um número que recorda muitas páginas bíblicas. Só para lembrar um pouco temos os quarenta dias do Dilúvio; Moisés no Monte Sinai; os quarenta anos da caminhada do Povo de Deus pelo deserto; o profeta Elias que caminha quarenta dias e quarenta noites até o Monte Horebe e o profeta Jonas que dá um tempo de quarenta dias para o povo de Nínive se converter, mas sobretudo lembremos nos Evangelhos o espírito que fez sair Jesus para o Deserto e lá por 40 dias foi posto à prova por Satanás e ele convivia com feras e os anjos o serviam.

Como podemos celebrar e viver a espiritualidade desse tempo quaresmal?

Na celebração da Quaresma temos como já vimos os testemunhos já nos primeiros séculos da Igreja, mas hoje celebramos a Quaresma no dia de abertura na Quarta-Feira de Cinzas. Três palavras são propostas como características da espiritualidade da quaresma: esmola, jejum e oração. A oração sobretudo deve animar a espiritualidade da Quaresma. Uma oração feita no silêncio do próprio quarto, da interioridade para meditar a Palavra, para deixar que a Palavra compenetre e transforme a nossa vida, então aí sim seremos capazes de jejum. Lembrando que não é só jejum da carne, dos alimentos, mas de palavras inúteis, do uso do celular em excesso, do uso das redes sociais em excesso, uma esmola que se torna sensibilidade social, atenção aos mais pobres, solidariedade. São todas as coisas que poderíamos melhorar, que podemos e devemos melhorar olhando para o Senhor Jesus que nos amou até dar a sua vida, que preparou a sua missão como os grandes profetas, como o seu povo lá no Deserto, purificando-se, orando, entrando em diálogo com o Pai.

Qual mensagem deixaria para que todos possam mergulhar no mistério quaresmal?

Desejo a todos irmãos e irmãs que possamos viver mesmo correndo intensamente, abrindo nossos corações e nossas mentes para que iluminados com a Palavra de Deus sejamos prontos a viver com intensidade, renovando a nossa vida também e celebrando com maior intensidade espiritual o sacramento da reconciliação, passando a viver a plenitude da luz pascal em nossa vida.

Por CNBB

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5 coisas que deve saber sobre a Quaresma https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/5-coisas-que-deve-saber-sobre-a-quaresma/ Wed, 14 Feb 2018 09:16:58 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=50753 A Quaresma é um tempo litúrgico em que por 40 dias a Igreja chama os fiéis à penitência e à conversão, para se preparar verdadeiramente para viver os mistérios da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo na Semana Santa.

Aqui estão cinco pontos que todo católico deve saber sobre a Quaresma:

1. Oração, mortificação e caridade: as três práticas quaresmais

A oração é uma condição indispensável para o encontro com Deus. Na oração, o cristão entra em diálogo íntimo com o Senhor, deixa que a graça entre em seu coração e, como Maria, abre-se para a oração do Espírito cooperando com ela em sua resposta livre e generosa (ver Lc 1,38).

A mortificação se realiza cotidianamente e sem a necessidade de fazer grandes sacrifícios. Com ela, são oferecidos a Cristo aqueles momentos que geram desânimo no transcorrer do dia e se aceita com humildade, gozo e alegria, todas as diversidades que chegam.

Da mesma forma, saber renunciar a certas coisas legítimas ajuda a viver o desapego e desprendimento. Dentro dessa prática quaresmal, estão o jejum e a abstinência que serão explicados mais adiante.

A caridade é necessária como refere São Leão Magno: “Se desejamos chegar à Páscoa santificados em nosso ser, devemos pôr um interesse especialíssimo na aquisição desta virtude, que contém em si as demais e cobre multidão de pecados”.

Sobre esta prática, São João Paulo II explica que este chamado a dar “está enraizado no mais profundo do coração humano: toda pessoa sente o desejo de colocar-se em contato com os outros e se realiza plenamente quando se dá livremente aos demais”.

2. O jejum e a abstinência

O jejum consiste em fazer uma refeição forte por dia, enquanto a abstinência consiste em não comer carne. Com ambos os sacrifícios, reconhecemos a necessidade de fazer obras para reparar o dano causado por nossos pecados e para o bem da Igreja.

Além disso, de forma voluntária, deixam-se de lado necessidades terrenas e se redescobre a necessidade da vida do céu. “Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus” (Mt 4,4).

O jejum não proíbe de tomar um pouco de alimento na parte da manhã e à noite. É obrigatório dos 18 aos 59 anos.

Por outro lado, a abstinência, embora proíba o consumo de carne, não é o caso de ovos, leite e qualquer condimento feito a partir de gorduras animais. O jejum é obrigatório a partir de 14 anos de idade.

3. A Quaresma começa com a Quarta-feira de Cinzas e termina na Quinta-feira Santa

Na Quarta-feira de Cinzas começam os 40 dias de preparação para a Páscoa. Após a Missa, o sacerdote abençoa e impõe as cinzas feitas de ramos de oliveira abençoados no Domingo de Ramos do ano anterior. Estas são impostas fazendo o sinal da cruz na testa e dizendo as palavras bíblicas: “Lembra-te que és pó e ao pó retornarás” ou “Convertei-vos e crede no Evangelho”. Desta forma, a cinza é um sinal de humildade e recorda ao cristão sua origem e seu fim.

A Quaresma termina na Quinta-feira Santa. Nesse dia, a Igreja recorda a Última Ceia do Senhor, quando Jesus de Nazaré compartilhou a refeição pela última vez com seus apóstolos antes de ser crucificado na Sexta-feira Santa.

4. A duração da Quaresma está baseada na simbologia do número 40 na Bíblia

Os 40 dias da Quaresma representam o mesmo número de dias que Jesus passou no deserto antes de começar sua vida pública, os quarenta dias do dilúvio, os quarenta dias da marcha do povo judeu pelo deserto, os quarenta dias de Moisés e Elias na montanha e os 400 anos que durou a estadia dos judeus no Egito.

Na Bíblia, o número quatro simboliza o universo material, seguido de zeros significa o tempo de nossa vida na terra, seguido de provas e dificuldades.

5. Na Quaresma, a cor litúrgica é o roxo

A cor litúrgica deste tempo é o roxo, que significa luto e penitência. É um tempo de reflexão, penitência, conversão espiritual; tempo para preparar o mistério pascal.

Por ACI Digital

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CNBB incentiva a participação no Dia de Jejum e oração pelo Brasil https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/cnbb-incentiva-a-participacao-no-dia-de-jejum-e-oracao-pelo-brasil/ Fri, 01 Sep 2017 12:32:14 +0000 http://teste.toqueto.com/cnbb-incentiva-a-participacao-no-dia-de-jejum-e-oracao-pelo-brasil.html O Brasil passa por um momento difícil e de apreensão. A realidade econômica, política, ética está acompanhada de violência e desesperança. Diante dessa realidade, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) conclama todos os cristãos e pessoas de boa vontade a se unirem em um momento de oração pelo país.

Durante a Semana da Pátria, a partir desta sexta-feira, 1º, até o dia 7 de setembro, as comunidades, paróquias, dioceses e regionais da CNBB são chamados a realizarem a Jornada de Oração pelo Brasil. Para a ocasião, a conferência dos bispos propôs uma oração (disponível ao final da matéria). 

E no dia que marca a Independência do Brasil, a CNBB propõe além da oração, um dia também de jejum.

Segundo o bispo auxiliar de Brasília e secretário-geral da CNBB, Dom Leonardo Steiner, a Jornada de Oração é um convite aos cristãos católicos brasileiros a entrar e despertar para a realidade brasileira por meio da oração e jejum. “A oração nos abre um horizonte de compreensão para além da nossa realidade imediata e nos convida a dar nossa contribuição como cristãos e católicos”, disse.

Dom Leonardo afirma ainda ser necessário lembrar do Brasil e, como cristãos católicos, participar ativamente da vida da nossa sociedade brasileira. “Não podemos continuar com a política e com o momento tenso que estamos vivendo de violência e agressões e desprezo das relações sociais. É necessário buscar um reequilíbrio a partir da ética”, disse.

Veja a íntegra da oração proposta pela CNBB para a Jornada de Oração pelo Brasil

Semana da Pátria
1º a 07 de setembro de 2017
07 de setembro – dia da Pátria: Vida em primeiro lugar
“A paz é o nome de Deus” (Papa Francisco)

Diante do grave momento vivido por nosso país, dirijamos nossa oração a Deus, pedindo a bênção da paz para o Brasil.

Pai misericordioso, nós vos pedimos pelo Brasil!

Vivemos um momento triste, marcado por injustiças e violência. Para construirmos a justiça e a paz, em nosso país, necessitamos muito do vosso amor misericordioso, que nunca se cansa de perdoar.

Pai misericordioso, nós vos pedimos pelo Brasil!

Estamos indignados, diante de tanta corrupção e violência que espalham morte e insegurança. Pedimos perdão e conversão. Nós cremos no vosso amor misericordioso que nos ajuda a vencer as causas dos graves problemas do País: injustiça e desigualdade, ambição de poder e ganância, exploração e desprezo pela vida humana.

Pai misericordioso, nós vos pedimos pelo Brasil!

Ajudai-nos a construir um país justo e fraterno. Que todos estejamos atentos às necessidades das pessoas mais fragilizadas e indefesas! Que o diálogo e o respeito vençam o ódio e os conflitos! Que as barreiras sejam superadas por meio do encontro e da reconciliação! Que a política esteja, de fato, a serviço da pessoa e da sociedade e não dos interesses pessoais, partidários e de grupos.

Pai misericordioso, nós vos pedimos pelo Brasil!

Vosso Filho, Jesus, nos ensinou: “Pedi e recebereis”. Por isso, nós vos pedimos confiantes: fazei que nós, brasileiros e brasileiras, sejamos agentes da paz, iluminados pela Palavra e alimentados pela Eucaristia.

Pai misericordioso, nós vos pedimos pelo Brasil!

Vosso filho Jesus está no meio de nós, trazendo-nos esperança e força para caminhar. A comunhão eucarística seja fonte de comunhão fraterna e de paz, em nossas comunidades, nas famílias e nas ruas.

Pai misericordioso, nós vos pedimos pelo Brasil!

Neste ano em que celebramos os 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida, queremos seguir o exemplo de Maria, permanecendo unidos a Jesus Cristo, que convosco vive, na unidade do Espírito Santo.

Amém!
(Pai nosso! Ave, Maria! Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo!)

Por Canção Nova, com CNBB

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Papa Francisco: verdadeiro jejum é ajudar os outros https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/papa-francisco-verdadeiro-jejum-e-ajudar-os-outros/ Fri, 03 Mar 2017 15:06:36 +0000 http://teste.toqueto.com/papa-francisco-verdadeiro-jejum-e-ajudar-os-outros.html O verdadeiro jejum, agradável a Deus, foi o tema da homilia do Papa Francisco na missa celebrada manhã desta sexta-feira (03/03), na Capela da Casa Santa Marta.

As leituras do dia falam do jejum, isto é – explica o Papa – “da penitência a que somos convidados a fazer no tempo da Quaresma” para aproximar-nos ao Senhor. A Deus agrada “o coração penitente” – diz o Salmo – “o coração que se sente pecador e sabe ser pecador”.

Na primeira leitura – tirada do Livro do Profeta Isaías – Deus repreende a falsa religiosidade dos hipócritas que jejuam enquanto cuidam dos próprios negócios, oprimem os operários e brigam “ferindo com punhos iníquos”. 

Por um lado fazem penitência e por outro cometem injustiças, fazendo “negócios sujos”. O Senhor, ao contrário, pede um jejum verdadeiro, atento ao próximo:

“O outro é o jejum “hipócrita” – é a palavra que Jesus tanto usa – é um jejum para se mostrar ou para sentir-se justo, mas ao mesmo tempo cometem injustiças, não são justos, exploram as pessoas. “Mas eu sou generoso, farei uma bela oferta à Igreja” – ‘Mas me diga, tu pagas o justo às tuas domésticas? Paga teus funcionários sem assinar a carteira? Ou como quer a lei, para que possam dar de comer aos seus filhos?’”.

Surpresas

O Papa Francisco fala de um caso ocorrido logo após a II Guerra Mundial com o Padre jesuíta Padre Arrupe, quando era missionário no Japão. Um rico homem de negócios fez a ele uma doação para atividades de evangelização, mas o acompanhava um fotógrafo e um jornalista. O envelope continha somente 10 dólares:

“Nós também fazemos o mesmo quando não pagamos o justo à nossa gente. Pegamos de nossas penitências, de nossos gestos, do jejum, da esmola, aceitamos uma propina: o suborno da vaidade, de se mostrar. Isso não é autenticidade, é hipocrisia. Por isso, quando Jesus diz ‘Quando vocês rezarem, entrem no seu quarto, fechem a porta, no escondido, quando derem esmola não faça soar a trombeta, quando jejuar não fiquem tristes. É o mesmo que dizer: Por favor, quando vocês fizerem uma boa obra não aceitem propina desta boa obra, é somente para o Pai.”

O Papa citou o Profeta Isaías, quando o Senhor fala aos hipócritas sobre o jejum verdadeiro. Palavras significativas também “para os nossos dias”: 

“Não é este o jejum que escolhi: quebrar as cadeias injustas, desligar as amarras do jugo, tornar livres os que estão detidos, e romper todo tipo de sujeição? Não consiste talvez em dividir o pão com o faminto, deixar entrar em casa os pobres, os sem-teto, vestir o que está nu sem transcurar os próprios parentes? Pensemos nestas palavras, pensemos em nosso coração, como nós jejuamos, rezamos, damos esmolas. Nos ajudará também a pensar: o que sente um homem depois de um jantar, que custou 200 euros, por exemplo, e volta para casa, vê um faminto, não olha para ele e continua caminhando? Nos fará bem pensar nisso.”

Por Rádio Vaticano

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Quaresma, preparação para a Páscoa https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/quaresma-preparacao-para-a-pascoa/ Fri, 03 Mar 2017 08:29:11 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=44673 Neste tempo que começa na Igreja, a Quaresma, que vai da Quarta-feira de Cinzas até Quinta-feira Santa pela manhã, somos chamados a viver em Cristo preparando-nos para a celebração da festa mais importante do ano, a Páscoa: a morte e ressurreição de Jesus e a nossa. Como a palavra Quaresma sugere são quarenta dias que recordam os quarenta anos em que o povo de Israel, atravessando o deserto depois da fuga do Egito, passou pela provação da e na fé, a fim de poder entrar na terra prometida. Recordam também os quarenta dias em que Jesus se retirou ao deserto para se dedicar à oração e à penitência do jejum, e ser tentado pelo diabo; uma preparação a que Jesus se submeteu como preparação para a sua vida apostólica que começava. Todos os grandes acontecimentos que são celebrados como festas, a festa da entrada na terra prometida, a festa do anúncio da chegada do Reino de Deus e sua justiça, as festas dos mistérios do Senhor, as festas de Nossa Senhora e dos Santos, foram previamente preparadas e são sempre renovadas na Liturgia da Igreja por tempos fortes de preparação (tríduos, novenas, Advento, Quaresma). A Igreja, ou seja, todos nós somos convidados a entrar generosamente nesse ambiente de preparação, que é tanto mais longo quanto mais importante é o evento a ser celebrado. A Páscoa, a maior festa, deve passar necessariamente por esta preparação de quarenta dias. 

A palavra chave na preparação de toda festa religiosa é a conversão. A Quaresma nos propõe a conversão de vida pela vivência dos exercícios espirituais da oração, jejum e caridade. Os textos bíblicos da Quarta-feira de Cinzas já nos colocavam no clima da Quaresma: “Voltai-vos para o Senhor, com todo o coração, com jejuns, lágrimas e gemidos… Reuni-vos todos em celebrações de culto e oração… Suplicai o perdão do Senhor… O Senhor é benigno e compassivo, paciente e cheio de misericórdia” (Joel 2,12-18). Paulo dizia: “É agora o momento favorável, é agora o dia da salvação” (2Cor 6,2). No Evangelho, Jesus pedia : “Ficai atentos… Quando deres esmola, que a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua mão direita… Quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta e reza a teu Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa… Quando jejuares, não fiqueis com o rosto triste como os hipócritas… E o teu Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa” (Mt 6 1-6.16-18).   

Neste primeiro domingo da Quaresma, o Evangelho é o das tentações de Jesus – Mt 4,1-11. O Espírito conduziu Jesus ao deserto para um recolhimento espiritual, onde Ele jejuou por quarenta dias e quarenta noites, estando em comunhão permanente de oração com o Pai. Findos os quais, Jesus estava com fome e o tentador aproximou-se de Jesus e, com astúcia, o provocou: “Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães!”. Jesus, porém, sem perder a calma, respondeu: “Está escrito: ‘Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus’”. Então, o diabo levou Jesus para a parte mais alta do templo e lhe disse: “Se és Filho de Deus, lança-te daqui para baixo! Porque está escrito: ‘Deus dará ordens aos seus anjos a seu respeito, e eles te levarão nas mãos, para que não tropeces em alguma pedra’”. Jesus lhe respondeu: “Também está escrito: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus!’”.  E o diabo O levou para um monte muito alto, e mostrou-Lhe todos os reinos do mundo e sua glória e Lhe disse: “Eu te darei tudo isso, se ajoelhares diante de mim, para me adorar”. Jesus lhe disse: “Vai-te embora, satanás, porque está escrito: ‘Adorarás ao Senhor teu Deus e somente a Ele prestarás culto”. Mateus conclui a passagem, registrando: Então, o diabo o deixou. E os anjos se aproximaram e serviram a Jesus”.       

No sentido evangélico as tentações em geral, e em particular as de Jesus, não significam solicitações para fazer o mal, mas devem ser entendidas como provas, provações, lutas a que o povo ou pessoas, no caso, o próprio Jesus deviam passar. Por essas provações as pessoas de fé comprovavam a sua fidelidade a Deus. Assim sendo, a Quaresma é um tempo de comprovação da nossa fidelidade a Deus. Nesses momentos de retiro espiritual, de mais oração, penitência, jejum, sacrifícios, como da Quaresma, é que o diabo vem nos tentar. Ele vem precisamente questionar a nossa fé, nossas convicções, nossa paciência, com todas as artimanhas que ele sabe muito bem manejar. Vale a pena observar que Jesus respondeu ao demo servindo-se da Palavra de Deus. Nas três tentações Jesus começou com esta expressão: “Está escrito na Palavra de Deus…” Diante da Palavra de Deus, o bicho feio não tinha como contrapor. Até que, enfim, desistiu, e, bufando enxofre queimado pelas ventas, se mandou.

À conversão quaresmal se conjugam outras palavras: provação, penitência, purificação, em resumo, “oração, jejum e caridade”. 

O gesto concreto da Quaresma deste ano vem proposto pela Campanha da Fraternidade 2017, cujo tema é “Biomas brasileiros e defesa da vida”, e cujo lema é “Cultivar e guardar a criação”. 

Venha participar na sua comunidade de Igreja das celebrações de preparação para a Páscoa, procurando seguir o modelo da vida de Jesus Cristo que passou quarenta dias em oração, jejum e penitência a fim de realizar vitoriosamente o combate contra o mal e o pecado e a implantação do Reino e Deus com a sua justiça. Se Jesus, o Filho de Deus e sem pecado, foi tentado, nós também o seremos. Mas, porque foi tentado e provado, Jesus pode nos ajudar nas tentações. É Ele quem nos ensinou na sua mais bela oração a pedir ao Pai: “Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém!”

Por Dom Caetano Ferrari – Diocese de Bauru

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Quaresma: tempo de reflexão, oração e conversão https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/igreja-diocesana/quaresma-tempo-de-reflexao-oracao-e-conversao/ Wed, 01 Mar 2017 19:30:26 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=44642
A Igreja  ajuda seus filhos a se santificarem dentro do tempo. Os tempos litúrgicos acompanham os ritmo da vida que se identifica com o mistério de Cristo. Eis que chega o tempo quaresmal. É tempo de refletir como está o crescimento da vida especialmente no que diz  respeito a humanidade e espiritualidade. “Feliz o homem sem pecado, em seu caminho, que lei do Senhor Deus vai progredindo” (Sl 118/119, 1).
“Desde sempre a Quaresma foi o tempo da penitência e do jejum, da conversão e das renúncias espontâneas, mais ou menos generosas. E assim continuará  sendo, mas só  como sinal da participação no mistério pascal de Cristo; esse é o ponto determinante, aquilo que de fato deve crescer em cada Quaresma, o verdadeiro desejo de quem crê” (Amedeo Cencini in Respiro da vida, p. 245). Assim o tempo quaresmal prepara a pessoa para morrer para as coisas que tornam triste a vida, o pecado e, abrir-se a luz do Ressuscitado.
Por isso com muita clareza esse tempo é apresentado como oportunidade de profunda reflexão e oração para que as decisões sejam tomadas e os pés sejam fortalecidos, para andarem sempre nos caminhos de Cristo.
Pela reflexão a mente se abre. Quaresma é tempo de meditar sobre o tempo quaresmal da existência. Sim, todo discípulo de Jesus vive uma quaresma pessoal. Tanto a quaresma pessoal, como a litúrgica serão proveitosas se não se perder de vista o mistério pascal. É por causa dele que a vida encontra o seu sentido.
No Brasil a Igreja tem o costume de realizar a Campanha da Fraternidade apresentando um tema para a reflexão e conversão. Neste ano em sintonia com a Encíclica Laudato Si, do Papa Francisco o tema escolhido é sobre os biomas brasileiros e a defesa da vida. É um tema que demanda muita reflexão, pois a qualidade da vida depende do cuidado com a natureza que também vive o seu tempo quaresmal de maus tratos, explorações e ameaças. Como o tempo quaresmal prepara para a Páscoa, e aí celebramos o mistério da morte e ressurreição de Jesus, assim também podemos dizer que os biomas brasileiros estão crucificados pela exploração, desmatamento e queimadas. A Igreja deseja que eles ressuscitem para que tenhamos vida conforme Jesus quer. Permitindo que os biomas vivam, teremos melhores condições de vida.
Quaresma é tempo especial para  rezar. Na oração a pessoa se volta para Deus. Sente-se dependente Dele. Encontra Nele seu apoio. A partir dela assume-se compromissos que não deixam perder o rumo.
Vivamos com esperança esse tempo especial. Viver bem a Quaresma é como fazer um retiro de quarenta dias, no qual o pregador é o próprio Cristo que vai nos falando ao coração para que endireitemos nossas vidas, buscando a conversão pessoal e comunitária.
 

Dom Messias dos Reis Silveira

Bispo Diocesano de Uruaçu GO

Presidente do Regional Centro Oeste da Cnbb

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