individualismo - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br Site oficial da Diocese de Uruaçu - GO Tue, 06 Mar 2018 07:55:47 +0000 pt-BR hourly 1 https://old.diocesedeuruacu.com.br/wp-content/uploads/2018/12/cropped-favicon-32x32.png individualismo - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br 32 32 170539269 Purificação https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/purificacao/ Tue, 06 Mar 2018 07:55:47 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=51118 O povo de Deus foi privilegiado com a experiência da revelação amorosa de Deus, que o constituiu como sinal para os outros povos. A lei recebida no Sinai é o que se pode pensar de mais perfeito (Ex 20,1-7), na qual se estabelece de forma inigualável as relações com Deus e o trato das pessoas umas com as outras. Tudo se transformou em motivo de santo orgulho para as sucessivas gerações do povo escolhido, admirado pela sua fidelidade, mesmo sendo uma pequena nação diante de tantas outras, com as quais foi possível experimentar um confronto fecundo, instrumento de purificação e crescimento.

É que a lei oferecida por Deus, sendo excelente, viria a ser praticada por pessoas muito frágeis e limitadas, pelo que continuamente o Senhor lhes manda emissários portadores de chamadas à conversão e à volta para Deus. Não adiantava ter as normas fundamentais bordadas na própria roupa ou atadas com uma faixa em torno da cabeça. Era necessário trazê-las no coração e na prática cotidiana. E este povo era feito do mesmo barro que os seus vizinhos. E até hoje, em tempos da Boa Nova do Cristianismo, é necessário falar de conversão e entrar num caminho de purificação, pois não somos mais perfeitos do que os outros homens e mulheres de nosso tempo. Só que aprendemos a mergulhar no mar infinito da misericórdia de Deus, que nos reergue de nossos abismos profundos.

Um dos sinais importantes presença de Deus com seu povo foi o templo (Cf. Jo 2,13-15), vindo a ser considerado centro da vida religiosa. Lá se rezava sempre, e muitas pessoas peregrinavam, especialmente para a Páscoa judaica. No entanto, também este símbolo passou pelo desgaste quando ao seu uso pelo povo. Os profetas, como Jeremias, já denunciavam anteriormente as profanações do lugar sagrado: “Acaso esta casa consagrada ao meu nome tornou-se, a vosso ver, um esconderijo de ladrões?” (Jr 7,11). E Jesus, tomado do zelo que o devora interiormente, purifica o Templo, e tal gesto contribuirá para sua condenação à morte.

Ele chega de forma diferente, decepcionando os sonhos de poder de muitos de seus contemporâneos. Sua presença quer conduzir as pessoas do Templo edificado com tanto esforço ao novo Templo, o novo lugar que é ele mesmo, onde acontece o verdadeiro culto ao Pai do Céu. Jesus não destrói o Templo, antes o respeita profundamente, e com palavras duras e fortes que inaugurar um novo Templo e um novo Tempo!

É bom perguntar-nos se os vendilhões do Templo não existem ainda sob outras formas! Pode acontecer que também nós frequentemos o lugar sagrado apenas pelos nossos interesses individualistas, mesmo que seja a busca da salvação, sem descobri-lo como lugar de comunhão e gratuidade entre Deus e as pessoas que professam a fé! Deixemo-nos purificar! Nós cristãos professamos a fé no Cristo Morto e Ressuscitado. Com a fé, nossa vida tem uma meta a ser alcançada, impedindo-nos de sermos afogados pelos acontecimentos positivos ou negativos. Nosso olhar se volta para a plenitude do amor de Deus, acendendo continuamente a luz da esperança.

Com esta fé, passamos pelo mundo fazendo o bem, acreditando que é possível restaurar vidas e superar as muitas dilacerações existentes na sociedade. Para tanto, somos chamados a algumas atitudes e gestos. Para nós, a maldade não tem a última palavra em quem quer que seja. Olhamos para as pessoas e suas crises pessoais e descobrimos aquela fagulha, para não apagar a chama que fumega, pois no nome de Jesus as nações podem depositar a esperança (Cf. Mt 12,15-21; Is 42,1-4). No dia a dia, não desperdiçamos as oportunidades para tecer novos relacionamentos com as pessoas, aproveitando os eventuais laços que poderiam impedir a caminhada para compor redes de fraternidade. Onde quer que encontremos eventuais restos de edificações destruídas, recolheremos os pedaços para realizar a profecia: “Quando o invocares, o Senhor te atenderá, e ao clamares, ele responderá: Aqui estou! Se, pois, tirares do teu meio toda espécie de opressão, o dedo que acusa e a conversa maligna, se entregares ao faminto o que mais gostarias de comer, matando a fome de um humilhado, então a tua luz brilhará nas trevas, o teu escuro será igual ao meio-dia. O Senhor te guiará todos os dias e vai satisfazer teu apetite, até no meio do deserto. Ele dará a teu corpo nova vida, e tu serás um jardim bem irrigado, mina d’água que nunca deixa de correr. E a tua gente reconstruirá as ruínas que pareciam eternas, farás subir os alicerces que atravessaram gerações, serás chamado reparador e brechas, restaurador de caminhos, para que lá se possa morar” (Is 58, 9-12).

Deixemo-nos tocar pelo chicote de cordas de Jesus, permitindo que ele nos purifique. Caia a casca do orgulho e da vaidade, que nos engana para pensarmos ser mais perfeitos do que os outros. Seja derrubado o muro de defesa que nos cerca, para sabermos que somos, sim, vulneráveis e acolhidos por Deus por pura misericórdia. Permitamos que o Senhor, com a graça de seu Espírito Santo, penetre os meandros de nossa mentalidade egoísta. Aprendamos, com a graça da Quaresma que corre, a fazer um corajoso exame de consciência, com a luz dos mandamentos da Lei de Deus, para chegarmos humildes e sinceros, ao Sacramento da Penitência. Nossas Paróquias e Comunidades cristãs aproveitem para rever o cuidado com a Casa de Deus, que são as pessoas, feitas pelo Batismo templos do Espírito Santo, mas verifiquem também o uso que fazem de suas edificações destinadas ao culto divino.

Em vista de uma boa revisão de vida, abrindo-nos à purificação proposta pela Igreja na Quaresma, para “recordar e viver” aqui está o tesouro dos mandamentos, numa bem elaborada versão proposta pelo Compêndio do Catecismo da Igreja Católica (433): “Eu sou o Senhor teu Deus! Primeiro: Adorar a Deus e amá-lo sobre todas as coisas. Segundo: Não invocar o santo nome de Deus em vão. Terceiro: Santificar os Domingos e festas de guarda. Quarto: Honrar pai e mãe e os outros legítimos superiores. Quinto: Não matar nem causar outro dano, no corpo ou na alma, a si mesmo ou ao próximo. Sexto: Guardar castidade nas palavras e nas obras. Sétimo: Não furtar nem injustamente reter ou danificar os bens do próximo. Oitavo: Não levantar falsos testemunhos nem de qualquer outro modo faltar à verdade ou difamar o próximo. Nono: Guardar castidade nos pensamentos e desejos. Décimo: Não cobiçar as coisas alheias. Estes dez mandamentos resumem-se em dois que são: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos”.

Por Dom Alberto Taveira Corrêa – Arcebispo Metropolitano de Belém do Pará

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Papa: vida humana possui uma dignidade intangível https://old.diocesedeuruacu.com.br/sem-categoria/papa-vida-humana-possui-uma-dignidade-intangivel/ Fri, 26 Jan 2018 13:04:44 +0000 http://teste.toqueto.com/papa-vida-humana-possui-uma-dignidade-intangivel.html O Papa Francisco recebeu na Sala Clementina, esta sexta-feira (26/01), os participantes da plenária da Congregação para a Doutrina da Fé.

O Santo Padre agradeceu-lhes pelo compromisso cotidiano de apoio ao magistério dos bispos, pela tutela da retidão da fé e da santidade dos Sacramentos, e pela atenção a todas as questões que hoje requerem um discernimento pastoral importante, como examinar casos relativos a delitos graves e pedidos de dissolução do vínculo matrimonial em favor da fé.

Segundo o Papa, “essas tarefas são ainda mais atuais diante do horizonte, cada vez mais fluido e mutável, que caracteriza a autocompreensão do homem de hoje e influi em suas escolhas existenciais e éticas”.

“O homem de hoje não sabe mais quem ele é e faz esforço para reconhecer como agir bem.”

Francisco reconheceu o esforço da Congregação para a Doutrina da Fé no estudo “acerca de alguns aspectos da salvação cristã, com o objetivo de reafirmar o significado da redenção”, tendo como referência algumas tendências que expressam um individualismo que confia nas próprias forças para salvar-se.

“Acreditamos que a salvação consiste na comunhão com Cristo ressuscitado que, graças ao dom de seu Espírito, nos introduziu numa nova ordem de relações com o Pai e entre os homens”, afirmou o Papa.

Francisco recordou também o estudo realizado pelo organismo sobre as implicações éticas de uma antropologia adequada no campo econômico-financeiro.

“Somente uma visão do ser humano como pessoa, ou seja, como sujeito essencialmente de relação e dotado de uma racionalidade peculiar e ampla, é capaz de agir conforme a ordem objetiva da moral. O Magistério da Igreja sempre reiterou com clareza, a esse propósito, que a atividade econômica deve ser conduzida segundo as leis e os métodos próprios da economia, mas no âmbito da ordem moral.”

O Papa recordou que nessa assembleia os participantes debateram também a questão delicada do acompanhamento dos doentes terminais.

“A esse respeito, o processo de secularização, levou ao crescimento do pedido de eutanásia em muitos países, como afirmação ideológica do desejo de poder do homem sobre a vida. Isso também levou a considerar a interrupção voluntária da existência humana como uma escolha de ‘civilização’.”

Segundo o Pontífice, “é claro que onde a vida não vale por sua dignidade, mas por sua eficiência e produtividade, tudo se torna possível. Nesse cenário é preciso reiterar que a vida humana, desde a concepção até a morte natural, possui uma dignidade que a torna intangível”.

Para Francisco, “a dor, o sofrimento, o sentido da vida e da morte são realidades que a mentalidade atual luta para enfrentar com um olhar cheio de esperança. Sem uma esperança confiável que ajude o homem a enfrentar também a dor e a morte, ele não consegue viver bem e conservar uma perspectiva confiante diante de seu futuro. Este é um dos serviços que a Igreja é chamada a prestar ao homem atual”.

O Papa concluiu o discurso, afirmando que a missão da Congregação para a Doutrina da Fé é eminentemente pastoral.

“Pastores autênticos são aqueles que não abandonam o homem, nem o deixam em sua desorientação e erros, mas com verdade e misericórdia o trazem de volta para reencontrar no bem o seu rosto autêntico.”

Segundo o Papa, “autenticamente pastoral é toda ação que pega o ser humano pela mão quando ele perdeu o sentido de sua dignidade e destino, para leva-lo com confiança a redescobrir o amor paterno de Deus, seu bom destino e os caminhos para  construir um mundo mais humano”.

“Esta é a grande tarefa da Congregação para a Doutrina da Fé e toda instituição pastoral na Igreja”, concluiu Francisco. 

Por Vatican News

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A cegueira dos sábios https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/a-cegueira-dos-sabios/ Fri, 14 Jul 2017 08:46:18 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=47430 Quem é muito focado em si mesmo não consegue enxergar as realidades sofridas da sociedade. A soberba e o individualismo sobem tanto na cabeça, que até provocam escândalos no exercício do poder e do dinheiro. Podemos até dizer de uma sabedoria “burra”, fadada a ser negociada pela justiça, porque a injustiça tem pernas curtas. Mais cedo ou mais tarde aparecem as consequências.

O coração humano é um terreno fértil. É uma terra de onde brotam e crescem as práticas do bem e do mal. Ele é responsável pela execução dos diversos valores, para construir ou destruir a vida da sociedade. No coração das pessoas está implantada a sabedoria divina, a capacidade para colocar em prática a Palavra do Evangelho, que indica os passos que conduzem para se chegar a uma vida feliz.

Muitos sábios preferem a mentira em vez da verdade de Deus. Passam a ser cegos conduzindo cegos, porque são terrenos ruins, sem hombridade, e injustos. As riquezas e as propostas do mundo transformam os corações irresistentes, que passam a agir cegamente produzindo frutos amargos para si mesmos. São bem-aventurados aqueles que são abertos aos valores do Reino de Deus.

Muitas pessoas não se dão conta da gravidade, quando provocam atos de violência, de intolerância, de ganância, de desvios públicos e de todos os males que deixam nosso espírito doente. Essa tem sido a constante prática de muitos políticos brasileiros, deixando a população do país totalmente decepcionada e fragilizada na expectativa de seu futuro e de sua dignidade cidadã.

As decepções dos brasileiros são muito grandes e o povo, cansado de ouvir promessas, não acredita mais em receitas mágicas. Não podemos continuar cegos diante do cenário político brasileiro. Novas eleições veem por aí. Creio ser a hora dos eleitores darem o troco, eliminando quem trai a Nação, não “desagarra” do poder e não cumpre com dignidade as tarefas de seu ofício.

As pessoas, na realidade, precisam se deixar transformar pelo amor gratuito de Deus para agir com responsabilidade. A cegueira mata e não tem futuro promissor. É por isso que o Brasil vai mal, está desorganizado e sem perspectiva imediata de recuperação. É impossível querer um país desenvolvido sem autenticidade de seus governantes. Os impuros são tendentes para atos também impuros.

Por Dom Paulo Mendes Peixoto – Arcebispo de Uberaba

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Expectativas da pessoa humana https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/expectativas-da-pessoa-humana/ Fri, 28 Apr 2017 11:14:42 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=45792 Vivemos hoje uma situação confusa em relação à dignidade da pessoa humana. De um lado, imperam o individualismo, a autonomia e a liberdade com atitudes bem egocêntricas. De outro lado, perdemos a sensibilidade humana, pois, tratamos melhor determinados animais que as pessoas e a banalização da vida nos leva a ter atitudes de vingança, violência e desrespeito pelo ser humano. Quais são, então, as expectativas da pessoa humana para que se sinta bem e seja uma pessoa centrada?

Todo ser humano deseja e gosta de ser:

1. Valorizado. Ser bem acolhida, elogiada, valorizada nos seus dons. Alegra-se quando lhe são confiadas responsabilidades e tarefas. Ela gosta de receber a confiança dos outros. Toda atitude de exclusão, humilhação, rejeição, abre feridas e traumas. Mesmo quem errou, merece confiança para poder recuperar-se.

2. Bem tratado. Toda pessoa gosta de ser notada e bem atendida nos lugares públicos, receber respostas educadas, gestos de solidariedade, ser correspondida, ser saudada e cumprimentada, ser ajudada por alguém em situações especiais.

3. Apreciado. Todos nos sentimos bem ao receber incentivo, elogio, gratidão e compreensão dos outros. Isso nos eleva e promove. A pessoa humana quer ser aceita, compreendida e isso aumenta a sua auto-estima. Como é bom a gente se sentir importante, porque assim nos sentimos amados.

4. Encorajado. Um bom conselho, palavras de consolação e de encorajamento, apoio e incentivo são fatores que dão coragem às pessoas e as levam a agir com entusiasmo, perseverança e de bom grado. Um pequeno toque, um gesto, uma palavra podem fazer milagres.

5. Reconhecido. As pessoas apreciam a gratidão, o elogio, a valorização de si. Todo gesto de atenção, de carinho, de boas maneiras faz a pessoa sentir-se importante e útil. Falar o nome, lembrar fatos positivos, retribuir o bem com bem, elogiar os dons, promover a vida e a dignidade são gestos de ouro.

6. Premiado. Receber o prêmio pelo esforço e o sacrifício realizado, colher frutos do que se plantou, obter retorno, gratificação, reconhecimento, tudo isso aumenta o estímulo para a pessoa crescer e melhorar.

7. Amado. Desde o útero a criança percebe se é amada ou rejeitada. A pior experiência é a rejeição, a máxima felicidade é a aceitação. Só as pessoas amadas crescem sadiamente, aprendem facilmente, desenvolvem-se e mudam. Só os amados mudam. A pessoa precisa saber e perceber que é amada. O amor regenera, cura, liberta, transforma.

Por Dom Orlando Brandes – Arcebispo de Aparecida (SP)

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