Fé - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br Site oficial da Diocese de Uruaçu - GO Sat, 28 Sep 2024 04:03:11 +0000 pt-BR hourly 1 https://old.diocesedeuruacu.com.br/wp-content/uploads/2018/12/cropped-favicon-32x32.png Fé - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br 32 32 170539269 Não vos preocupeis https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/nao-vos-preocupeis/ Tue, 12 May 2020 03:43:53 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=58374 Essa pandemia do Corona vírus é ocasião para refletirmos um pouco sobre a tranquilidade que devemos cultivar e o excesso de preocupação que devemos evitar. Fugir da depressão, do estresse e da ansiedade. A depressão, como dizem, é excesso de passado, estresse é excesso de presente e ansiedade é excesso de futuro. Enfim, excesso de preocupações. Vivamos bem o presente, com a confiança de filhos que somos de Deus, pai que se preocupa conosco.

Assim nos disse Jesus no seu Sermão da Montanha, ensinando-nos a pôr a nossa confiança em Deus. É a receita da tranquilidade: “Não vos preocupeis quanto à vossa vida… Olhai os pássaros do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros. No entanto, vosso Pai celeste os alimenta. Será que vós não valeis mais do que eles?… Aprendei dos lírios do campo, como crescem. Não trabalham nem fiam, e, no entanto, eu vos digo, nem Salomão, em toda a sua glória, jamais se vestiu como um só dentre eles… Vosso Pai celeste sabe que precisais de tudo isso. Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e sua justiça, e todas essas coisas vos serão dadas por acréscimo. Portanto, não fiqueis preocupados com o amanhã, pois o amanhã terá sua própria preocupação! A cada dia basta o seu mal” (Mt 6, 25-34).

Claro que é normal a sadia preocupação. Jesus nos adverte contra a preocupação excessiva, com ansiedade: Não fiqueis excessivamente preocupados com o amanhã, ele quis dizer. A cada dia basta o seu mal. Nem com o passado, que não existe mais e está nas mãos de Deus, nem com o futuro, que a ele pertence. “Que a saudade do ontem e o medo do amanhã não roubem a alegria do nosso hoje” (Pe. Roque Schneider). Foi a oração de São Pio de Pietrelcina: “Senhor, eu peço para o meu passado a vossa misericórdia, para o meu presente o vosso amor, para o meu futuro a vossa providência”.

E fiquemos tranquilos assim. Precisamos controlar as lembranças do passado e as expectativas do futuro, para não perdermos a paz de espírito no presente.
Mas não termos a preocupação ansiosa não significa que não devamos ter cuidados, precauções, prudência e prevenções. Deus mandou que a Sagrada Família de Belém fugisse para o Egito, porque Herodes queria matar o menino (Mt 2, 13). Também quando Deus mandou que retornassem para Israel, São José não quis voltar para a Judéia, com medo do filho de Herodes. O próprio Jesus, quando foi tentado pelo diabo para que se lançasse do alto do templo, confiando que o Pai o protegeria, resistiu a essa tentação, dizendo que isso seria tentar a Deus. Quando ouviu a notícia de que Herodes tinha prendido e assassinado João Batista, retirou-se dali (Mt 14, 15); quando os judeus quiseram apedrejá-lo, escondeu-se deles (cf. Jo 8, 59). Quando aumentou o perigo, Jesus não quis andar pela Judeia, porque os judeus procuravam mata-lo (Jo 7, 1).

Alguém acusaria Jesus e São José de não terem tido fortaleza, fé e confiança em Deus, para arrostar imprudentemente os perigos? Não! Agiram com sadia preocupação e prudência.Assim, não nos preocupemos ansiosamente, mas, com confiança em Deus, procedamos com cautela e os cuidados necessários que nos são recomendados pelas pessoas prudentes.

Dom Fernando Arêas Rifan
Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney

]]>
58374
CNBB emite nota sobre o desrespeito à fé cristã https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/destaque/cnbb-emite-nota-sobre-o-desrespeito-a-fe-crista/ Fri, 13 Dec 2019 11:17:16 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=57411 A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou nota na tarde desta quinta-feira, 12 de dezembro, na qual critica a postura de artistas que, em nome da liberdade de expressão, vilipendiam símbolos sagrados da fé cristã. “Ridicularizar a crença de um grupo, seja ele qual for, além de constituir ilícito previsto na legislação penal, significa desrespeitar todas as pessoas, ferindo a busca por uma sociedade efetivamente democrática, que valoriza todos os seus cidadãos”, diz o texto. Confira abaixo a íntegra do documento.

 

Nota ofical da CNBB
sobre o desrespeito à fé cristã

Examinai tudo e ficai com o que é bom! (1 Ts 5,21)

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) repudia recentes fatos que, em nome da liberdade de expressão e da criatividade artística, agridem profundamente a fé cristã. Ridicularizar a crença de um grupo, seja ele qual for, além de constituir ilícito previsto na legislação penal, significa desrespeitar todas as pessoas, ferindo a busca por uma sociedade efetivamente democrática, que valoriza todos os seus cidadãos.

A Igreja nunca deixou de promover a arte e a liberdade de expressão. Por isso, a CNBB reitera que toda produção artística respeite “os sentimentos de um povo ou de grupos que vivem valores, muitas vezes, revestidos de uma sacralidade inviolável”. Quando há desrespeito em produções midiáticas, os meios de comunicação tornam-se violentos, verdadeiras armas que contribuem para ridicularizar e matar os valores mais profundos de um povo.

Vivemos em uma sociedade pluralista. Nem todos têm as mesmas crenças. Devemos, no entanto, como exigência ética e democrática, respeitar todas as pessoas. Nada permite a quem quer que seja o direito de vilipendiar crenças, atingindo vidas. O direito à liberdade de expressão não anula o respeito às pessoas e aos seus valores.

Neste tempo de Advento, somos convocados a permanecer firmes na fé, constantes na esperança e assíduos na caridade. Não podemos nos deixar conduzir por atitudes de quem, utilizando a inteligência recebida de Deus, agride esse mesmo Deus. Um dia, haveremos de prestar contas de todos os nossos atos.

Diante, pois, dessas agressões, respeitando a autonomia de cada pessoa a reagir conforme sua consciência, a CNBB clama a todos os cidadãos brasileiros a se unirem por um país com mais justiça, paz, respeito e fraternidade.

Brasília-DF, 12 de dezembro de 2019
Festa de Nossa Senhora de Guadalupe

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte – MG
Presidente da CNBB

Dom Jaime Spengler
Arcebispo de Porto Alegre – RS
1º Vice-Presidente da CNBB

Dom Mário Antônio da Silva
Bispo de Roraima – RR
2º Vice-Presidente da CNBB

Dom Joel Portella Amado
Bispo Auxiliar de S. Sebastião do Rio de Janeiro – RJ
Secretário-Geral da CNBB

]]>
57411
O processo de amadurecimento na fé https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/o-processo-de-amadurecimento-na-fe/ Thu, 24 May 2018 01:44:22 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=52461 Hoje vos saudamos como Jesus saudou os discípulos, após a ressurreição: “A Paz esteja convosco”! Em nossa vida cristã, certamente já nos damos conta que o processo de amadurecimento na fé é lento, mas pode e deve ser progressivo. Com os primeiros seguidores de Jesus não foi muito diferente. Os apóstolos e outros discípulos e discípulas, desiludidos com a paixão e morte do Senhor, estavam frustrados em sua esperança messiânica triunfalista: “Nós esperávamos que fosse ele quem libertaria Israel… Então ele lhes disse: ‘como sois sem inteligência e lentos para crer em tudo o que os profetas falaram! Não era necessário que o Cristo sofresse tudo isso para entrar na sua glória’” (Lc 24, 21.25-26). Vemos que nem tudo se resolveu imediatamente com um romper mágico do túmulo ou com o anúncio das mulheres, dizendo que o Senhor não estava na sepultura: “Contaram estas coisas aos apóstolos, mas estes acharam tudo isso um delírio e não acreditaram. Pedro, no entanto, levantou-se e correu ao túmulo. Olhou para dentro e viu apenas os lençóis. Então voltou para casa, admirado com o que havia acontecido” (Lc 24, 11-12). Os discípulos tiveram que passar por um longo processo de amadurecimento na fé da ressurreição. Para tal, é importante analisar a figura de Tomé, um dos doze: “Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos, se eu não puser a mão no seu lado, não acreditarei” (Jo 20, 25). Só mais adiante surge o ato de fé: “Meu Senhor e meu Deus!” (Jo 20, 28).

O evangelista São João relata com três verbos – entrar, ver, crer – esse processo de crescimento na fé, ao narrar sua ida, junto com Pedro, à sepultura do Senhor: “O outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo, também entrou, viu e acreditou” (Jo 20, 8). Sim, o Apóstolo que Jesus amava também entrou no verdadeiro mistério da morte e ressurreição (Páscoa), contemplou-o em sua profundidade e chegou à graça da atitude da fé. Antes, “eles ainda não tinham compreendido a Escritura segundo a qual ele devia ressuscitar dos mortos” (Jo 20, 9). A aparição a Maria Madalena revela situação idêntica. No texto grego o autor usa três termos diferentes para o verbo “ver”: olhar, contemplar, crer. Inicialmente, significa o simples ato de olhar; depois, tem o sentido de olhar atentamente (contemplar) e só no final recebe o significado de crer: “Eu vi o Senhor!” (Jo 20, 18). Enquanto os discípulos não chegaram ao ato de fé, Jesus continuou confundido com simples jardineiro (cf. Jo 20, 15) ou como único peregrino de Jerusalém que não sabe o que lá aconteceu (cf. Lc 24, 18) ou ainda como visão de um espírito (cf. Lc 24, 37). Os olhos da fé dos discípulos estavam ofuscados, tinham dificuldades em ver além do Jesus Nazareno, que fora crucificado. Somente aos poucos conseguem reconhecer nele o Senhor, o Messias, o Mestre. Todos queriam sinais extraordinários para crer (cf. Mt 12, 38-40).

Esse amadurecimento na fé repete-se na história com os apóstolos de todos os tempos. O processo de conversão é lento e exige perseverança. A vida dos santos e das santas nos ensina isso. Agora chegou nossa vez de fazermos a experiência pascal em nossa vida, em nosso tempo para seremos também suas testemunhas (Lc 24, 48; Jo 20, 18). Que as celebrações do Tempo pascal nos ajudem no amadurecimento da fé cristã.

Dom Aloísio A. Dilli
Bispo de Santa Cruz do Sul

]]>
52461
Purificação https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/purificacao/ Tue, 06 Mar 2018 07:55:47 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=51118 O povo de Deus foi privilegiado com a experiência da revelação amorosa de Deus, que o constituiu como sinal para os outros povos. A lei recebida no Sinai é o que se pode pensar de mais perfeito (Ex 20,1-7), na qual se estabelece de forma inigualável as relações com Deus e o trato das pessoas umas com as outras. Tudo se transformou em motivo de santo orgulho para as sucessivas gerações do povo escolhido, admirado pela sua fidelidade, mesmo sendo uma pequena nação diante de tantas outras, com as quais foi possível experimentar um confronto fecundo, instrumento de purificação e crescimento.

É que a lei oferecida por Deus, sendo excelente, viria a ser praticada por pessoas muito frágeis e limitadas, pelo que continuamente o Senhor lhes manda emissários portadores de chamadas à conversão e à volta para Deus. Não adiantava ter as normas fundamentais bordadas na própria roupa ou atadas com uma faixa em torno da cabeça. Era necessário trazê-las no coração e na prática cotidiana. E este povo era feito do mesmo barro que os seus vizinhos. E até hoje, em tempos da Boa Nova do Cristianismo, é necessário falar de conversão e entrar num caminho de purificação, pois não somos mais perfeitos do que os outros homens e mulheres de nosso tempo. Só que aprendemos a mergulhar no mar infinito da misericórdia de Deus, que nos reergue de nossos abismos profundos.

Um dos sinais importantes presença de Deus com seu povo foi o templo (Cf. Jo 2,13-15), vindo a ser considerado centro da vida religiosa. Lá se rezava sempre, e muitas pessoas peregrinavam, especialmente para a Páscoa judaica. No entanto, também este símbolo passou pelo desgaste quando ao seu uso pelo povo. Os profetas, como Jeremias, já denunciavam anteriormente as profanações do lugar sagrado: “Acaso esta casa consagrada ao meu nome tornou-se, a vosso ver, um esconderijo de ladrões?” (Jr 7,11). E Jesus, tomado do zelo que o devora interiormente, purifica o Templo, e tal gesto contribuirá para sua condenação à morte.

Ele chega de forma diferente, decepcionando os sonhos de poder de muitos de seus contemporâneos. Sua presença quer conduzir as pessoas do Templo edificado com tanto esforço ao novo Templo, o novo lugar que é ele mesmo, onde acontece o verdadeiro culto ao Pai do Céu. Jesus não destrói o Templo, antes o respeita profundamente, e com palavras duras e fortes que inaugurar um novo Templo e um novo Tempo!

É bom perguntar-nos se os vendilhões do Templo não existem ainda sob outras formas! Pode acontecer que também nós frequentemos o lugar sagrado apenas pelos nossos interesses individualistas, mesmo que seja a busca da salvação, sem descobri-lo como lugar de comunhão e gratuidade entre Deus e as pessoas que professam a fé! Deixemo-nos purificar! Nós cristãos professamos a fé no Cristo Morto e Ressuscitado. Com a fé, nossa vida tem uma meta a ser alcançada, impedindo-nos de sermos afogados pelos acontecimentos positivos ou negativos. Nosso olhar se volta para a plenitude do amor de Deus, acendendo continuamente a luz da esperança.

Com esta fé, passamos pelo mundo fazendo o bem, acreditando que é possível restaurar vidas e superar as muitas dilacerações existentes na sociedade. Para tanto, somos chamados a algumas atitudes e gestos. Para nós, a maldade não tem a última palavra em quem quer que seja. Olhamos para as pessoas e suas crises pessoais e descobrimos aquela fagulha, para não apagar a chama que fumega, pois no nome de Jesus as nações podem depositar a esperança (Cf. Mt 12,15-21; Is 42,1-4). No dia a dia, não desperdiçamos as oportunidades para tecer novos relacionamentos com as pessoas, aproveitando os eventuais laços que poderiam impedir a caminhada para compor redes de fraternidade. Onde quer que encontremos eventuais restos de edificações destruídas, recolheremos os pedaços para realizar a profecia: “Quando o invocares, o Senhor te atenderá, e ao clamares, ele responderá: Aqui estou! Se, pois, tirares do teu meio toda espécie de opressão, o dedo que acusa e a conversa maligna, se entregares ao faminto o que mais gostarias de comer, matando a fome de um humilhado, então a tua luz brilhará nas trevas, o teu escuro será igual ao meio-dia. O Senhor te guiará todos os dias e vai satisfazer teu apetite, até no meio do deserto. Ele dará a teu corpo nova vida, e tu serás um jardim bem irrigado, mina d’água que nunca deixa de correr. E a tua gente reconstruirá as ruínas que pareciam eternas, farás subir os alicerces que atravessaram gerações, serás chamado reparador e brechas, restaurador de caminhos, para que lá se possa morar” (Is 58, 9-12).

Deixemo-nos tocar pelo chicote de cordas de Jesus, permitindo que ele nos purifique. Caia a casca do orgulho e da vaidade, que nos engana para pensarmos ser mais perfeitos do que os outros. Seja derrubado o muro de defesa que nos cerca, para sabermos que somos, sim, vulneráveis e acolhidos por Deus por pura misericórdia. Permitamos que o Senhor, com a graça de seu Espírito Santo, penetre os meandros de nossa mentalidade egoísta. Aprendamos, com a graça da Quaresma que corre, a fazer um corajoso exame de consciência, com a luz dos mandamentos da Lei de Deus, para chegarmos humildes e sinceros, ao Sacramento da Penitência. Nossas Paróquias e Comunidades cristãs aproveitem para rever o cuidado com a Casa de Deus, que são as pessoas, feitas pelo Batismo templos do Espírito Santo, mas verifiquem também o uso que fazem de suas edificações destinadas ao culto divino.

Em vista de uma boa revisão de vida, abrindo-nos à purificação proposta pela Igreja na Quaresma, para “recordar e viver” aqui está o tesouro dos mandamentos, numa bem elaborada versão proposta pelo Compêndio do Catecismo da Igreja Católica (433): “Eu sou o Senhor teu Deus! Primeiro: Adorar a Deus e amá-lo sobre todas as coisas. Segundo: Não invocar o santo nome de Deus em vão. Terceiro: Santificar os Domingos e festas de guarda. Quarto: Honrar pai e mãe e os outros legítimos superiores. Quinto: Não matar nem causar outro dano, no corpo ou na alma, a si mesmo ou ao próximo. Sexto: Guardar castidade nas palavras e nas obras. Sétimo: Não furtar nem injustamente reter ou danificar os bens do próximo. Oitavo: Não levantar falsos testemunhos nem de qualquer outro modo faltar à verdade ou difamar o próximo. Nono: Guardar castidade nos pensamentos e desejos. Décimo: Não cobiçar as coisas alheias. Estes dez mandamentos resumem-se em dois que são: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos”.

Por Dom Alberto Taveira Corrêa – Arcebispo Metropolitano de Belém do Pará

]]>
51118
Papa: a fé não é espetáculo, é preciso pensar com espírito de Deus https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/papa-a-fe-nao-e-espetaculo-e-preciso-pensar-com-espirito-de-deus/ Mon, 05 Mar 2018 14:51:52 +0000 http://teste.toqueto.com/papa-a-fe-nao-e-espetaculo-e-preciso-pensar-com-espirito-de-deus.html A religião e a fé não são “um espetáculo”. O Papa começou a semana celebrando a missa na capela da Casa Santa Marta.

Na homilia, comentou as leituras do dia: a Primeira dedicada a Naamã o Sírio e o Evangelho de Lucas, em que Jesus explica que nenhum profeta é bem recebido em sua pátria. O Pontífice explicou que neste tempo da Quaresma a Igreja nos faz refletir hoje sobre a conversão do pensamento, das obras e dos sentimentos.

A conversão do pensamento

“A Igreja nos diz que as nossas obras devem se converter, e nos fala do jejum, da esmola, da penitência: é uma conversão das obras. Fazer obras novas, obras com estilo cristão, o estilo que vem das Bem-aventuranças, em Mateus 25: fazer isto. Também a Igreja nos fala da conversão dos sentimentos: também os sentimentos devem se converter. Pensemos por exemplo na Parábola do Bom Samaritano: converter-se à compaixão. Sentimentos cristãos. Conversão das obras; conversão dos sentimentos; mas, hoje, nos fala da ‘conversão do pensamento’: não daquilo que pensamos, mas também de como pensamos, do estilo do pensamento. Eu penso com um estilo cristão ou com um estilo pagão? Esta é a mensagem que hoje a Igreja nos dá”.

Deus não faz espetáculo

A propósito do episódio de Naamã o Sírio, doente de lepra, o Papa lembra que ele “vai até Eliseu para ser curado” e é aconselhado a se banhar sete vezes no Jordão. Ao contrário, ele pensa que os rios de Damasco são melhores do que as águas de Israel, “fica irritado e vai embora sem fazê-lo”, recorda Francisco, porque “este homem queria o espetáculo”.

“Pensava que Deus vinha somente no espetáculo. E, dentro do espetáculo, a cura. ‘Eu pensava que ele sairia para me receber e que, de pé, invocaria o nome do Senhor, seu Deus, e que tocaria com sua mão o lugar da lepra e me curaria’, esperava o espetáculo. E o estilo de Deus é outro: cura de outro modo. Ele deve aprender a pensar num estilo novo, deve converter o modo de pensar”.

O Pontífice notou que o mesmo acontece com Jesus que volta a Nazaré e vai até Sinagoga. Inicialmente “as pessoas o olhavam”, “estavam impressionadas”, “contentes”.

“Mas sempre tem um falador que começou a dizer: Mas este, este é o filho do carpinteiro. O que nos ensina? Em que universidade ele estudou? Sim! É o filho de José. Começam a cruzar opiniões, muda o comportamento das pessoas e querem matá-lo.  Da admiração e surpresa ao desejo de matá-lo. Eles também queriam espetáculo. Dizem que fez milagres na Galileia e nós acreditamos. Jesus explica: “Eu garanto a vocês: nenhum profeta é bem recebido em sua pátria”. Isso porque nós resistimos em dizer que alguns de nós podem nos corrigir. Deve vir alguém com o espetáculo a nos corrigir. A religião não é um espetáculo. A fé não é um espetáculo: é a Palavra de Deus e o Espírito Santo que age nos corações.”

A graça da conversão

“A Igreja”, sublinhou Francisco, “nos convida a mudar a maneira de pensar, o estilo de pensar. Podemos recitar o Credo e todos os dogmas da Igreja”, mas:

“A conversão do pensamento. Não é usual que pensemos desse modo. Não é usual. Também a maneira de pensar, a maneira de crer deve ser convertida. Podemos nos fazer uma pergunta: com que espírito eu penso? Com o espírito do Senhor ou com o próprio espírito, com o espírito da comunidade à qual pertenço ou do grupinho ou da classe social da qual faço parte, com o do partido político ao qual pertenço? Com que espírito eu penso? E procurar saber se penso realmente com o espírito de Deus. Pedir a graça de discernir quando penso com o espírito do mundo e quando penso com o espírito de Deus. Pedir a graça da conversão do pensamento.”

Por Vatican News

]]>
51108
Aprouve a Deus https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/aprouve-a-deus/ Fri, 02 Mar 2018 16:25:45 +0000 http://teste.toqueto.com/aprouve-a-deus.html Acaba de ser publicada (01 de março) a Carta Placuit Deo, da Congregação para a Doutrina da Fé. A Igreja sempre atenta aos “sinais dos tempos” procura com o seu magistério esclarecer as questões surgidas nesta “mudança de época” e iluminar a vida do povo de Deus procurando sempre voltar às origens da revelação cristã. É um importante serviço que se presta à mensagem de Jesus que precisa sempre estar pura e clara para o nosso povo. A carta foi aprovada pelo Papa Francisco e trata de temas muito importantes para os atuais momentos da Igreja.

A expressão que dá nome ao novo documento significa “aprouve a Deus”. O título, nos documentos do Magistério da Igreja, é sempre tomado das primeiras palavras do próprio documento. Neste caso, elas são uma citação da Constituição Dogmática do Concílio Vaticano II sobre a Revelação Divina (Dei Verbum – A Palavra de Deus). Este é o ponto de partida da Carta “sobre alguns aspectos da salvação cristã” (título), na qual são recordadas verdades de fé que a Igreja proclamou desde o princípio, mas que as transformações culturais atuais (n. 1) tornam necessário retomar e refletir com profundidade.

Trata-se de desafios que hoje se encontram muito presentes e que têm semelhança com outros que no passado a Igreja teve de enfrentar. O Papa Francisco se referiu várias vezes a eles. A primeira vez foi aqui no Rio de Janeiro, no Centro de Estudos do Sumaré, quando se encontrou com os Bispos responsáveis pelo Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM), dia 28 de julho de 2013. Tratando das “tentações contra o discipulado missionário”, ele falou de várias formas de ideologização da mensagem evangélica, entre as quais estão “a proposta gnóstica” e “a proposta pelagiana”. Também na Exortação apostólica Evangelii Gaudium (A Alegria do Evangelho), número 94. Essas duas tendências se assemelham, em vários aspectos, a duas antigas heresias, e o Papa as descreve com seus antigos nomes: pelagianismo e gnosticismo.

O pelagianismo é uma tendência a supervalorizar a capacidade humana em vista da salvação. Como se, por nossas próprias capacidades, nos pudéssemos salvar. Essa tendência, atualmente se apresenta como um “individualismo centrado no sujeito autônomo”, que “tende a ver o homem como um ser cuja realização depende somente das suas forças” (n. 2).

O gnosticismo tende a desvalorizar o corpo e a valorizar unilateralmente o espírito e o intelecto. Sua versão atual consiste numa “visão de salvação meramente interior, que talvez suscita uma forte convicção pessoal ou um sentimento intenso de estar unido a Deus, mas sem assumir, curar e renovar as nossas relações com os outros e com o mundo criado” (n.2).

 “Seja o individualismo neo-pelagiano que o desprezo neo-gnóstico do corpo, descaracterizam a confissão de fé em Cristo, único Salvador universal” (n. 4). Posicionando-se diante dessas tendências, a Carta reafirma que nossa salvação consiste na união com Deus: “Diante destas tendências, esta Carta pretende reafirmar que, a salvação consiste na nossa união com Cristo, que, com a sua Encarnação, vida, morte e ressurreição, gerou uma nova ordem de relações com o Pai e entre os homens, e nos introduziu nesta ordem graças ao dom do seu Espírito” (idem).

Nos números 5 a 7, a Carta trata da correta compreensão da pessoa humana e da sede universal de felicidade e de salvação. Estas não se realizam plenamente naquilo que nós mesmos podemos fazer ou conquistar. Só Deus pode preencher plenamente o coração humano. “E a pessoa inteira, em corpo e alma, criada pelo amor de Deus à sua imagem e semelhança, que é chamada a viver em comunhão com Ele” (n. 7).

Cristo, Salvador e Salvação, é apresentado nos números 8 a 11. A reflexão sobre o modo como Deus nos salva em Cristo, deixa claro que “a salvação que Jesus trouxe na sua própria pessoa não se realiza somente de modo interior” e que “para poder comunicar a cada pessoa a comunhão salvífica com Deus, o Filho se fez carne” (cf. Jo 1,14) (n. 10). Tornou-se Ele mesmo o caminho, que não é apenas interior, sem relação com os outros e com o mundo. Ele assumiu integralmente a nossa humanidade, viveu plenamente a vida humana, em comunhão com o Pai e conosco. Diante disso, não se pode compreender corretamente a salvação de modo pelagiano, individualista; nem de modo gnóstico, meramente interior. “A salvação consiste em incorporar-se na vida de Cristo, recebendo o seu Espírito (cf. 1 Jo 4,13)” (n. 11).

“O lugar onde recebemos a salvação trazida por Jesus é a Igreja” (n. 12). Por isso, a Carta trata da dimensão eclesial da nossa salvação nos números 12 a 14). A dimensão eclesial-comunitária da salvação contradiz o individualismo. Contradiz também o espiritualismo gnóstico: as relações são concretas, a Igreja é uma fraternidade. A participação na Igreja se fundamenta nos sacramentos. Estes são matéria assumida por Deus e transformada em sinais eficazes da sua graça e da salvação. “O corpo humano foi modelado por Deus, que nele inscreveu uma linguagem que convida a pessoa humana a reconhecer os dons do Criador e a viver em comunhão com os irmãos. O Salvador restabeleceu e renovou, com a sua Encarnação e o seu mistério pascal, esta linguagem originária, e comunicou-a na economia corporal dos sacramentos”, afirma a Congregação, no número 14.

Ainda no âmbito eclesial e com relação aos sacramentos, nos é recordado que estar inseridos no Corpo de Cristo graças aos sacramentos, exige de nós “o cuidado pela humanidade sofredora de todos os homens, através das obras de misericórdia corporais e espirituais” (n. 14).

A experiência da salvação em Cristo impulsiona à missão, a proclamar a todos as pessoas humanas a alegria e a luz do Evangelho (n. 15), e a dialogar de modo sincero e construtivo com os crentes de outras religiões.

 Por fim, na Carta se recorda que “a salvação integral, da alma e do corpo, é o destino final ao qual Deus chama todos os homens”, pois “a salvação será plena” somente quando “participaremos plenamente da glória de Cristo ressuscitado, que leva à plenitude a nossa relação com Deus, com os irmãos e com toda a criação” (n. 15).

Fazemos nossa a invocação da Santa Virgem Maria, “a primeira dos que foram salvos”, pedindo-lhe que nos acompanhe na missão de evangelizar, anunciando a todos o amor salvador de Deus e superando toda e qualquer forma de reducionismo da fé e da vida cristã.

Por Cardeal Orani João Tempesta – Arcebispo do Rio de Janeiro

]]>
51069
Papa incentiva a buscar a paciência e nega que seja resignação ou derrota https://old.diocesedeuruacu.com.br/sem-categoria/papa-incentiva-a-buscar-a-paciencia-e-nega-que-seja-resignacao-ou-derrota/ Mon, 12 Feb 2018 15:27:23 +0000 http://teste.toqueto.com/papa-incentiva-a-buscar-a-paciencia-e-nega-que-seja-resignacao-ou-derrota.html A partir da frase do Apóstolo Tiago na Primeira Leitura, “sua fé, colocada à prova, produz paciência”, o Papa Francisco refletiu durante a homilia da Missa celebrada na manhã de hoje na Casa Santa Marta sobre a paciência e assinalou que não é resignação ou derrota.

O Santo Padre fez uma clara distinção entre paciência cristã e resignação, assim como a atitude de derrota. Segundo explicou, a paciência cristã é a virtude de quem está em caminho, não de quem está parado e fechado.

“E quando se vai em caminho acontecem tantas coisas nem sempre boas. É tão significativo para mim a paciência como virtude em caminho, a atitude dos pais quando têm um filho doente ou deficiente, nasce assim, mas graças a Deus, ele está vivo”.

Destacou que os pais que estão passando por esta situação “são pacientes e criam toda a vida aquele filho com amor, até o fim. E não é fácil levar por anos e anos e anos um filho com necessidades especiais, um filho doente… Mas a alegria de ter aquele filho dá a eles a força de levar avante e isso é paciência, não é resignação: ou seja, é a virtude que vem quando uma pessoa está em caminho”.

Em outra parte da sua reflexão, o Papa falou sobre a etimologia da palavra “paciência”. Nesse sentido, sublinhou que a paciência significa “suportar”, “e não confiar a outro para que carregue o problema, que carregue a dificuldade: ‘Carrego eu, esta é a minha dificuldade, é o meu problema. Faz-me sofrer? Eh, certo! Mas eu a carrego”.

 Por outro lado, “a paciência também é a sabedoria de saber dialogar com o limite. Existem tantos limites na vida, mas a impaciência não os quer, os ignora porque não sabe dialogar com os limites. Há uma fantasia de onipotência ou de preguiça, não sabemos…”.

A paciência mencionada pelo apóstolo Tiago “não é um conselho para os cristãos”, sublinhou Francisco. É a paciência de Deus, do Pai “acompanhando-nos e esperando os nossos tempos”.

“E aqui eu penso em nossos irmãos perseguidos no Oriente Médio, expulsos por serem cristãos… e eles fazem questão de ser cristãos: são pacientes como o Senhor é paciente”.

Ao concluir, o Papa propôs esta oração: “Senhor, dá ao teu povo paciência para suportar as provações”.

Leitura comentada pelo Papa Francisco:

Tg 1,1-11

1Tiago, servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo, às doze tribos que vivem na dispersão: Saudações. 2Meus irmãos, quando deveis passar por diversas provações, considerai isso motivo de grande alegria, 3por saberdes que a comprovação da fé produz em vós a perseverança. 4Mas é preciso que a perseverança gere uma obra de perfeição, para que vos torneis perfeitos e íntegros, sem falta ou deficiência alguma.

5Se a alguém de vós falta sabedoria, peça-a a Deus, que a concede generosamente a todos, sem impor condições; e ela lhe será dada. 6Mas peça com fé, sem duvidar, porque aquele que duvida é semelhante a uma onda do mar, impelida e agitada pelo vento. 7Não pense tal pessoa que receberá alguma coisa do Senhor: 8o homem de duas almas é inconstante em todos os seus caminhos.

9O irmão humilde pode ufanar-se de sua exaltação, 10mas o rico deve gloriar-se de sua humilhação. Pois há de passar como a flor da erva. 11Com efeito, basta que surja o sol com o seu calor, logo seca a erva, cai a sua flor, e desaparece a beleza do seu aspecto. Assim também acabará por murchar o rico no meio de seus negócios.

Por ACI Digital

]]>
50747
Por que sofremos? https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/por-que-sofremos/ Tue, 30 Jan 2018 07:44:46 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=50572 Franz Kafka descreve o ser humano como um condenado à morte que ignora, contudo, como será a sentença que lhe será decretada. Ele não sabe por que deve morrer e não compreende o sentido dessa experiência. Albert Camus concebe o ser humano como alguém que busca o inatingível. Mas, na medida em que passa a vida, descobre que não consegue alcançar as mais profundas aspirações. Dessa forma, constata o absurdo de sua existência. Há esvaziamento de sentido de sua humana vivência na terra.

Nesses casos, não se concebe a beleza da existência como um benefício da bondade divina, que é o fundamento de todos os outros bens. Quando se percebe a realidade da existência nos confins de nossa vida na terra, interpreta-se que a cadeia de acontecimentos vividos desemboca necessariamente no desespero. Entende-se a vida apenas como uma evolução penosa rumo a um destino ignorado.

Em tempos de profunda crise de esperança, de incapacidade de sonhar e projetar o futuro, de preferir eternizar o presente para que seja eterno enquanto dure, toda experiência de dor tende a ser camuflada ou intencionalmente “esquecida”, se é que é possível enganar-se tanto e por muito tempo.

A experiência da vida humana é uma alternância de alegrias e sofrimentos. Tristeza e dor nem sempre dependem da vontade humana. Pode-se até pensar o mal como uma anomalia da criação ou um escândalo que remete a tantas interrogações: por que sofrer? O mistério do mal sempre afetou o ser humano ao longo da história. A dor aparece como a privação do bem ou uma ruptura, ou mesmo uma desordem.

A fé não suprime a dor, mas a despoja do seu estilo punitivo. Para quem crê, o sofrer estabelece uma intimidade com Cristo. A partir da experiência de Jesus na carne, o Filho de Deus viveu o sofrimento. Com Ele, o sofrer implica tentação e convite. Tentação porque a dor, seja de qual tipo for, ameaça todas as seguranças e certezas da pessoa. Ela é uma ruptura que pode fragmentar todo o indivíduo. Reagir com revolta diante da dor é a atitude de quem não consegue avaliar os limites da natureza e termina imputando a Deus a impotência humana. Sofrer também implica convite, porque ao absurdo da dor se contrapõe a solidariedade de Cristo, que modifica o sentido do sofrimento. Quem sofre pode crescer moral e espiritualmente com essa experiência. É claro que poucos são os que conseguem viver tudo isso numa enfermidade. Depende de fé. Só o crente pode abrir caminhos de libertação da escravidão imposta pelo mal. Assim, não interessa quanto se sofre, mas como se sofre.

A fé não pode ocupar-se em responder sobre o porquê da dor. Na Bíblia não se encontra uma solução racional para essa questão. Mesmo que os textos tendam, na maior parte, a conceber a dor como resultado de uma desordem introduzida no mundo pelo pecado, biblicamente não se sustenta a ideia de que a dor é resultado de um destino cego que advém sobre a humanidade. Muito mais é entendida como uma disposição da insondável sabedoria divina, diante da qual o ser humano deve reverenciar pela força da fé.

Assim, a dor não é uma vingança, tampouco um castigo divino para descontar as faltas humanas. Mas a dor tem sempre um significado, seja para o justo quanto para o pecador. É um caminho para que a humanidade alcance a felicidade eterna. Por um lado, induz o pecador a abandonar o pecado e voltar-se para Deus. Por outro, o sofrimento é vivido pelo justo como um meio da pedagogia divina. Eis o desafio: aprender a amar mesmo em meio ao sofrer.

Por Dom Leomar Antônio Brustolin – Bispo auxiliar de Porto Alegre

]]>
50572
Ele veio para o que era Dele https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/ele-veio-para-o-que-era-dele/ Thu, 14 Dec 2017 07:58:50 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=50030 Sem Jesus Cristo, o homem não sabe quem é, não sabe o que faz neste mundo, não sabe o sentido da vida, do sofrimento, da morte, da dor

“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos sua glória, a glória que o Filho único recebe do seu Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1, 8)

Nas quatro semanas do Advento a Igreja nos leva a meditar e preparar o coração para celebrar as duas Vindas de Jesus Cristo. As cores e símbolos da liturgia nos ajudam nisso. A Coroa do Advento com as quatro velas que vão sendo acendidas uma a cada semana nos preparam e ensinam.

– A vela vermelha significa a  que o Menino traz ao mundo; a certeza de que Deus está conosco, armou a sua tenda entre nós; “revestido de nossa fragilidade, Ele veio uma primeira vez para realizar o seu eterno plano de amor e abrir-nos o caminho da salvação”, diz um dos Prefácios do Advento.

– A vela branca simboliza a Paz; este Menino é o “Príncipe da Paz”, disse o profeta Isaías (11,1s). Quando o Seu Reino for implantado, “a justiça será como o cinto de seus rins, e a lealdade circundará seus flancos. Então o lobo será hóspede do cordeiro, a pantera se deitará ao pé do cabrito, o touro e o leão comerão juntos, e um menino pequeno os conduzirá; a vaca e o urso se fraternizarão, suas crias repousarão juntas, e o leão comerá palha com o boi. A criança de peito brincará junto à toca da víbora, e o menino desmamado meterá a mão na caverna da áspide. Não se fará mal nem dano em todo o meu santo monte, porque a terra estará cheia de ciência do Senhor, assim como as águas recobrem o fundo do mar” (Is 11, 5-8).

– A vela roxa (quase rosa) simboliza a Alegria do Menino que chega para salvar. É a alegria mitigada pela cuidadosa vigilância do tempo da espera.

– A vela verde traz a simbologia da Esperança que o Deus Menino traz a todos os homens de todos os tempos e todos os lugares. “Sem Deus não há esperança”, disse o Papa Bento XVI na encíclica Spe Salvi(Salvos pela Esperança); e “sem esperança não há vida”, concluiu o Pontífice. É esta esperança de uma vida feliz aqui e no Céu que o grande Menino veio anunciar com sua meiga e frágil presença na manjedoura de Belém.

A primeira vinda de Cristo mostra todo o amor de Deus por nós. Ninguém mais tem o direito de duvidar desse Amor. Ele deixou a glória do Céu, dignou-se assumir a nossa frágil humanidade, para nos levar de volta para o Céu; Ele aceitou viver a nossa vida, derramar as nossas lágrimas, comer nosso pão de cada dia… e, por amor puro a cada um de nós dar um mergulho nas sombras da morte para destruí-la.

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio junto de Deus. Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito. Nele havia a vida, e a vida era a luz dos homens” (Jo 1, 1s).

O amor de Deus não é o amor de novelas, com músicas românticas e palavras sensuais; é amor que se revela por fatos, atos, renúncia, sofrimento… É amor que gera a vida.

São João apresenta o Menino que vai chegar:

“A luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam… Ele era a verdadeira luz que, vindo ao mundo, ilumina todo homem. Estava no mundo e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o reconheceu. Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam”.

Luz de Cristo resplandeceu nas trevas mas essas não a compreenderam; as trevas fogem da luz, tem medo dela, porque a luz revela o erro. Quem faz o mal, pratica o crime, busca a calada da noite para que a luz não o denuncie. Por isso Jesus foi logo perseguido pelo cruel tirano Herodes Magno.

Disse a Lumen Gentium que “só Jesus Cristo revela o homem ao próprio homem”; Ele é “a luz que ilumina todo homem que vem a este mundo”; é por isso que o Papa João Paulo II disse em sua primeira encíclica, Redemptor Hominis, que “o homem que não conhece Jesus Cristo permanece para si mesmo um desconhecido, um mistério inexplicável, um enigma insondável”.

Sem Jesus Cristo, o homem não sabe quem é, não sabe o que faz neste mundo, não sabe o sentido da vida, do sofrimento, da morte, da dor e das estrelas… é um coitado e um perdido como muitos filósofos ateus que se debateram em meio de suas trevas e acabaram arrastando muitos outros consigo para uma vida vazia e triste. Não foi à toa que muitos jovens suicidaram-se lendo o Werther de Goethe e a Comédia Humana de Balzac. Depois de ler A Nova Heloísa, de Jean Jacques Rousseau, uma jovem estourou os miolos em uma praça de Genebra e vários jovens se enforcaram em Moscou depois de lerem Os sete que se enforcaram, de Leonid Andreiv. Só Jesus Cristo “é a Luz que ilumina todo homem que vem a este mundo”. Um dia, Karl Wusmann, escritor francês, entre o revólver e o crucifixo, escolheu o crucifixo… e viveu (cf. J. Mohana, Sofrer e Amar).

“Mas a todos aqueles que o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus, os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas sim de Deus”.

O Natal nos traz esta certeza e esta enorme alegria: somos filhos amados de Deus; que nos fez para Ele, por amor. Ele fez para nós as estrelas, o cosmos, as pedras , os rios, as montanhas, os animais, os peixes das águas e os pássaros do Céu, o doce fruto da terra, o perfume das flores, a harmonia das cores e o mar que murmura o Seu Nome a cantar…

Obrigado Senhor!

Por Prof. Felipe Aquino, em Cleofas – dezembro de 2013, via Aleteia

]]>
50030
Lâmpada da fé https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/lampada-da-fe/ Thu, 09 Nov 2017 08:06:20 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=49424 A pessoa sábia organiza a vida de modo tal a encaminhar tudo dentro de um projeto de ações progressivas para conquistar a felicidade maior possível. Mas só pensando em ter cada vez mais coisas materiais, cultura, saber intelectual, prestígio e fama não dá base para a plena realização. O que é passageiro sozinho não sustenta a felicidade do ser humano, que tem sede do infinito. Essa somente é saciada no encontro com o Criador. Santo Agostinho lembra que a pessoa humana se satisfaz só quando se encontra com Deus. Ele mesmo teve experiência disso.

Quem é sábio tudo faz para o encontro com o divino. É capaz até de deixar de lado o projeto de colocar a finalidade da vida no que é transitório para buscar o Absoluto. A matéria e tudo o mais que é passageiro são utilizados apenas como instrumento para o sábio unir-se ao Criador na caminhada terrena. Assim realiza sua vontade para a construção de um convívio justo e solidário. Tudo, então, se torna como um trampolim para o infinito divino.

A sabedoria de quem entra na dinâmica divina é como a fé que transforma a vida para ela ser uma verdadeira luz. A pessoa passa, então, a enxergar o caminho que leva à vida plenamente realizada. Mas a luz é apenas instrumento para a pessoa ver por onde seguir no caminho de sentido para a existência (Cf. Sabedoria 6,12-16). Todos queremos a felicidade ilimitada. Mas ela não acontece aqui na terra. Por isso, almejamos o infinito, que só é alcançado no caminho de quem pode dá-lo. Por isso, o próprio Filho de Deus vem nos apresentar a possibilidade de alcançá-lo. Isso só é possível  caminhando com ele. É desafiador, mas possível. Ele mesmo diz que o obtém quem for capaz de dar a própria vida no colocar-se a serviço do semelhante, fazendo do convívio humano uma verdadeira relação de fraternidade, justiça e misericórdia. Depois da vida terrena, cheia de solidariedade e promoção do bem comum, seremos ressuscitados para a vida imorredoura (Cf.1 Tessalonicenses 4,13-18).

No entanto, o seguimento a Cristo não é simples teoria ou empolgação momentânea. Exige prudência para não nos deixarmos conduzir sofregamente, sem atenção, compromisso, vigilância e perseverança. Não podemos ser preguiçosos e lentos para realizar o projeto de Deus a nosso respeito. Sem sacrifício, esforço e vontade contínua para praticar a justiça, o dever e colocar em prática as orientações divinas não chegamos ao objetivo da caminhada. No Evangelho Jesus narra a parábola do casamento e das moças. Algumas dessas são atentas e vigilantes. Preparam-se para participar da festa. Outras não. Essas não ficaram vigilantes e chegaram atrasadas, não tendo podido participar da festa (Cf. Mateus 25,1-13). Nós também, se não nos comprometermos e não estivermos continuamente ligados com o projeto de Deus, realizando o que Ele nos pede, não seremos recompensados por não sermos fiéis na prática do amor e da justiça. Não podemos exigir de Deus o que não merecemos por falta de esforço em colocarmos em prática o amor ao semelhante.

Nossa fé não é apenas feita de ritos e enunciado de amor. É prática do que Deus nos indica para alcançarmos a vida plena feliz. Podemos até errar na tentativa de acertar. Mas não podemos errar na falta de compromisso de tentar  praticar o amor que Deus nos pede.

Por Dom José Alberto Moura – Arcebispo Metropolitano de Montes Claros (MG)

]]>
49424