exclusão social - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br Site oficial da Diocese de Uruaçu - GO Sat, 28 Sep 2024 04:09:20 +0000 pt-BR hourly 1 https://old.diocesedeuruacu.com.br/wp-content/uploads/2018/12/cropped-favicon-32x32.png exclusão social - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br 32 32 170539269 Coisa de negro: suor de cada dia, peso do trabalho, mãos tomadas de calos https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/coisa-de-negro-suor-de-cada-dia-peso-do-trabalho-maos-tomadas-de-calos/ Tue, 21 Nov 2017 09:25:39 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=49477 No contexto do dia dedicado à Consciência Negra, comemorado ontem, 20/11, e de fatos preconceituosos expostos nas redes sociais, o arcebispo de Feira de Santana (BA) e referencial da Pastoral Afro-Brasileira, dom Zanoni Demettino Castro, convidou em artigo à reflexão sobre a vida, a fé, a cultura e a tradição do povo brasileiro afrodescendente.

Dom Zanoni parafraseou a canção “Canto Gemido”, do padre Valmir Neves, de Itapetinga (BA), para ressaltar o que é, realmente, “coisa de negro”:

“O suor de cada dia, o peso de nosso trabalho, as mãos tomadas de calos, coisa de negro. O que faço não é certo. Meu grito nunca fez eco. Senhor sou negro. E não nego. Venho ofertar minha dor. Senhor meu canto gemido. Dele nunca vou esquecer. Entre salmos e benditos. Venho vos oferecer.”

Recordando o Documento de Aparecida, o arcebispo salienta a constatação da V Conferência do Episcopado Latino-Americano e Caribenho, em Aparecida, no ano de 2007, de que a história dos afrodescendentes “tem sido atravessada por uma exclusão social, econômica, política e, sobretudo, racial, onde a identidade étnica é fator de subordinação social”. Para ele, embora o contexto atual não admita etnocentrismos, xenofobismos e preconceitos, os afrodescendentes “são discriminados na inserção do trabalho, na qualidade e conteúdo da formação escolar, nas relações cotidianas”. Para dom Zanoni, as consequências dos 300 anos de escravidão ainda não foram suficientemente reparadas.

Ainda citando o documento de Aparecida, dom Zanoni revela que há “um processo de ocultamento sistemático dos valores, da história e da cultura dos afrodescendentes”. Neste sentido, a Pastoral Afro-Brasileira tem colocado em pauta essas realidades. No dia 4 deste mês, aconteceu a 21ª Romaria das Comunidades Negras ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida. Na ocasião, os agentes refletiram sobre o extermínio de jovens negros, a presença do negro, da negra e da Pastoral Afro-brasileira na Igreja, além da garantia do comprometimento na continuidade do trabalho.

Os eventos e espaços também são aproveitados para mostrar a identidade negra e celebrar nas respectivas culturas, assim como fortalecer a caminhada conjunta com outras organizações contra a desigualdade, a discriminação e o racismo, a intolerância religiosa, a exclusão dos direitos dos negros e negras nas periferias.

A reflexão proposta por dom Zanoni, a partir da canção e do documento de Aparecida, deve favorecer o aprofundamento com vistas ao o IX Congresso Nacional das entidades negras católicas (Conenc), que acontecerá de 18 a 21 de janeiro de 2018, em Maringá (PR), e o XIV Encontro de Pastoral Afro-americana (EPA), em Cali, na Colômbia.

O encontro continental será celebrado de 15 a 19 de julho de 2018 com o tema “Espiritualidade cristã afro-americana e os desafios do século XXI” e o lema “Nossa espiritualidade, força transformadora da realidade”. O objetivo é chegar a uma síntese de quase quatro décadas de caminhada em um mundo cada vez mais desafiante. A reflexão, de acordo com os organizadores, será feita a partir da própria essência da identidade cultural e na fé em Jesus Cristo, “caminho, verdade e vida” (Jo 14,6).

Visibilidade na Igreja no Brasil

O membro da Pastoral Afro-brasileira e da secretaria de Pastoral Afro-americana, padre Jurandyr Azevedo Araújo, ressalta que, na Igreja no Brasil, a Pastoral Afro é aceita em suas estruturas de serviço e recebe um novo alento através do texto de estudo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) número 85. “Esse espaço conquistado pelos Afro-brasileiros enriquece o catolicismo com sua forma de expressar a sua fé nas manifestações da religiosidade popular e nas celebrações inculturadas. Assim, o povo negro ressuscita sua memória histórica, sua autoestima, sua cultura, enfim, sua identidade”, afirma.

Padre Jurandyr ainda sinaliza que os principais documentos da Igreja no Brasil registram o clamor do povo negro e que os negros e negras estão mais envolvidos nas diversas dimensões da vida e missão da Igreja, procurando conhecer e estimar o dom de Deus presente na negritude. Exemplos deste envolvimento é o secretariado de Pastoral Afro-brasileira; o Grupo Atabaque; a caminhada dos Conencs; as Romarias das Comunidades Negras; o Instituto Mariama, que conta com bispos, padres, diáconos, religiosos e leigos, estudantes, exercitando a inteligência e o coração, para proclamar as maravilhas de Deus; o Grupo de Educadoras Negras; o Encontro de Pastoral Afro-americano e os diversos subsídios produzidos pela Pastoral Afro-brasileira. “Hoje é possível contemplar muitas iniciativas beneméritas de conhecimento, estudo, estima e defesa dos valores do povo negro”, enaltece.

Instituído pela lei 12.519, de 10 de novembro de 2011, o Dia da Consciência Negra é data do falecimento do líder negro Zumbi dos Palmares. Mesmo com a fixação no calendário oficial, desde a década de 1970 são realizadas celebrações e mobilizações no sentido de reflexão sobre o preconceito, homenagens aos afro-brasileiros, reconhecimento do fenômeno da eclosão do movimento de “consciência negra” no País, além de oferta de oportunidade de reflexão sobre suas origens, história e heróis.

Por CNBB

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Dom Leonardo Steiner reforça: não à redução da maioridade penal https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/dom-leonardo-steiner-reforca-nao-a-reducao-da-maioridade-penal/ Thu, 28 Sep 2017 08:26:30 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=48724 Diante da possibilidade da PEC 33/2012, que prevê a redução da maioridade penal, ser votada pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado [a votação foi adiada por essa Comissão na manhã de ontem, 27/9], o bispo auxiliar de Brasília e secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, dom Leonardo Steiner, reapresentou a posição da entidade em um vídeo no qual afirma que a CNBB é contra a redução da maioridade penal. A PEC  tem como objetivo a redução da maioridade de 18 para 16 anos.

“Nós acreditamos na pessoa humana, mas nós acreditamos especialmente que a sociedade Brasileira e o Congresso Nacional devem encontrar meios para levar esses nossos adolescentes, esses nossos jovens a um caminho de inserção social e não de exclusão social como propõe a diminuição da maioridade penal”, diz o bispo.

A postura da CNBB não é nova, e foi reforçada pela 53ª Assembleia Geral, em 2015, durante a qual os bispos elaboraram uma nota com reflexões sobre o momento nacional. Veja mensagem sobre o assunto com Dom Leonardo Steiner aqui.

Abaixo, confira a mensagem da CNBB de 2015 contra a redução da Maioridade Penal:

Mensagem da CNBB sobre a Redução da Maioridade Penal

“Felizes os que têm fome e sede da justiça, porque serão saciados.” (Mt 5,6).

Temos acompanhado, nos últimos dias, os intensos debates sobre a redução da maioridade penal, provocados pela votação desta matéria no Congresso Nacional. Trata-se de um tema de extrema importância porque diz respeito, de um lado, à segurança da população e, de outro, à promoção e defesa dos direitos da criança e do adolescente. É natural que a complexidade do tema deixe dividida a população que aspira por segurança. Afinal, ninguém pode compactuar com a violência, venha de onde vier.

É preciso, no entanto, desfazer alguns equívocos que têm embasado a argumentação dos que defendem a redução da maioridade penal como, por exemplo, a afirmação de que há impunidade quando o adolescente comete um delito e que, com a redução da idade penal, se diminuirá a violência. No Brasil, a responsabilização penal do adolescente começa aos 12 anos. Dados do Mapa da Violência de 2014 mostram que os adolescentes são mais vítimas que responsáveis pela violência que apavora a população. Se há impunidade, a culpa não é da lei, mas dos responsáveis por sua aplicação.

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), saudado há 25 anos como uma das melhores leis do mundo em relação à criança e ao adolescente, é exigente com o adolescente em conflito com a lei e não compactua com a impunidade. As medidas socioeducativas nele previstas foram adotadas a partir do princípio de que todo adolescente infrator é recuperável, por mais grave que seja o delito que tenha cometido. Esse princípio está de pleno acordo com a fé cristã, que nos ensina a fazer a diferença entre o pecador e o pecado, amando o primeiro e condenando o segundo.

Se aprovada a redução da maioridade penal, abrem-se as portas para o desrespeito a outros direitos da criança e do adolescente, colocando em xeque a Doutrina da Proteção Integral assegurada pelo ECA. Poderá haver um “efeito dominó” fazendo com que algumas violações aos direitos da criança e do adolescente deixem de ser crimes como a venda de bebida alcoólica, abusos sexuais, dentre outras.

A comoção não é boa conselheira e, nesse caso, pode levar a decisões equivocadas com danos irreparáveis para muitas crianças e adolescentes, incidindo diretamente nas famílias e na sociedade. O caminho para pôr fim à condenável violência praticada por adolescentes passa, antes de tudo, por ações preventivas como educação de qualidade, em tempo integral; combate sistemático ao tráfico de drogas; proteção à família; criação, por parte dos poderes públicos e de nossas comunidades eclesiais, de espaços de convivência, visando a ocupação e a inclusão social de adolescentes e jovens por meio de lazer sadio e atividades educativas; reafirmação de valores como o amor, o perdão, a reconciliação, a responsabilidade e a paz.

Consciente da importância de se dedicar mais tempo à reflexão sobre esse tema, também sob a luz do Evangelho, o Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, reunido em Brasília, nos dias 16 a 18 de junho, em consonância com a 53ª Assembleia Geral da CNBB, dirige esta mensagem a toda a sociedade brasileira, especialmente, às comunidades eclesiais, a fim de exortá-las a fazer uma opção clara em favor da criança e do adolescente. Digamos não à redução da maioridade penal e reivindiquemos das autoridades competentes o cumprimento do que estabelece o ECA para o adolescente em conflito com a lei.

Que Nossa Senhora, a jovem de Nazaré, proteja as crianças e adolescentes do Brasil!

Brasília, 18 de junho de 2015.

Dom Sergio da Rocha – Arcebispo de Brasília/DF – Presidente da CNBB
Dom Murilo S. R. Krieger – Arcebispo de São Salvador da Bahia/BA – Vice-presidente da CNBB
Dom Leonardo Ulrich Steiner – Bispo Auxiliar de Brasília/DF – Secretário Geral da CNBB

Por CNBB

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Papa aos Movimentos Populares: ignorar os pobres é uma fraude moral https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/papa-aos-movimentos-populares-ignorar-os-pobres-e-uma-fraude-moral/ Mon, 20 Feb 2017 09:44:20 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=44517 O Papa Francisco enviou uma mensagem, na última sexta-feira (17/02), aos participantes do encontro dos Movimentos Populares em andamento na cidade de Modesto, na Califórnia (EUA). A reunião teve início, nesta quinta-feira (16/02), e prosseguiu até sábado, 18.

“As feridas sociais causadas por um sistema econômico desumano e difundido podem ser tratadas e curadas com o comportamento do bom samaritano, fazendo-se próximo de quem precisa”, afirma o Papa no texto. 

Segundo o Pontífice, “os bons samaritanos, aqueles que têm a capacidade autêntica de estar próximo de quem sofre, salvarão o mundo, e não a hipocrisia daqueles quem enchem os bolsos ignorando, com estilo, as chagas sociais, para depois manipular as consciências quando as feridas são evidentes e não se pode mais fingir de não vê-las”.
 
Indiferença

Como acontece muitas vezes quando os interlocutores do Papa são as “elites” das periferias, neste caso os movimentos sociais, Francisco encontra expressões fortes para desmascarar as falhas do que ele chama de “paradigma imperante”, um “sistema econômico que causa sofrimentos enormes para a família humana”, porque é baseado no lucro e não na solidariedade.

O Papa conta aos participantes do encontro, em Modesto, a Parábola do Bom Samaritano. O contraste entre o “estrangeiro, pagão e impuro” que se inclina sobre um moribundo agredido por assaltantes e cuida dele, e a indiferença do sacerdote e do levita, expoentes ligados ao Templo, que viram as costas ao homem ferido e à lei de Deus que pedia para prestar socorro em casos como esse. 

Fraude moral

“As feridas causadas pelo sistema econômico que coloca no centro o deus dinheiro e às vezes age com a mesma brutalidade dos assaltantes da parábola foram transcuradas culposamente”, afirma o Papa, denunciando o “estilo elegante usado para desviar o olhar de forma recorrente. Sob a aparência de ser correto na Política ou das modas ideológicas, se olha para quem sofre sem tocá-lo, distante, vendo-o na televisão, e se adota um discurso de aparência tolerante e cheio de eufemismos, mas nada se faz de sistemático para curar as feridas sociais e enfrentar as estruturas que deixam muitos irmãos ao longo da estrada”.

“Trata-se de uma fraude moral que antes ou depois se descobre e dissipa-se como uma miragem. Os feridos existem, são uma realidade. O desemprego é real assim como a violência, a corrupção, a crise de identidade, o esvaziamento das democracias, a crise ecológica”, diante da qual o Papa Francisco exorta povos indígenas, pastores e governantes a “defenderem a criação”, confiando na ciência, mas sem crer na existência de uma “ciência neutra”.

Gangrena

Segundo o Papa, “a gangrena de um sistema não pode ser camuflada eternamente porque antes ou depois se sente o mal cheiro e quando não pode ser mais negada pelo próprio poder que criou este estado de coisas, nasce a manipulação do medo, a insegurança, a raiva, incluindo a indignação das pessoas, e se transfere a responsabilidade de todos os males a um que não está próximo”.
 
Esta é uma tentação grande que alimenta “este processo social em andamento em muitas partes do mundo” e que para o Papa Francisco “é uma ameaça séria para a humanidade”: a tentação de “classificar as pessoas em próximas ou não” e “aquelas que podem se tornar vizinhas de casa ou não”.

Sofrer com o outro

Jesus ensina outra maneira. Ensina a “tornar próximo daqueles que precisam”, atitude possível se no próprio coração existir “compaixão e capacidade de sofrer com o outro”. A Igreja acrescenta: deve ser “como o dono da pensão ao qual o samaritano confia, no final da parábola, a pessoa que sofre. Os cristãos e  todos os homens de boa vontade devem viver e agir agora, porque muito tempo precioso foi perdido sem resolver essas realidades destruidoras”.
 
“Da participação ativa das pessoas, em grande parte realizada pelos movimentos populares, depende a maneira em que se pode resolver essa crise profunda.” 

O Papa repete o que disse no último encontro com os Movimentos Populares: “nenhum povo é criminoso e nenhuma religião é terrorista. Não existe o terrorismo cristão, nem o judeu ou muçulmano”. Enfrentando o terror com amor trabalhamos pela paz e nisso “se encontra a humanidade verdadeira que resiste à desumanização manifestada em forma de indiferença, hipocrisia e intolerância”.

Por Rádio Vaticano

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