esmola - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br Site oficial da Diocese de Uruaçu - GO Sat, 28 Sep 2024 04:03:26 +0000 pt-BR hourly 1 https://old.diocesedeuruacu.com.br/wp-content/uploads/2018/12/cropped-favicon-32x32.png esmola - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br 32 32 170539269 Esmola, jejum e oração: tripé da espiritualidade quaresmal https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/esmola-jejum-e-oracao-tripe-da-espiritualidade-quaresmal/ Thu, 15 Feb 2018 09:09:10 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=50779 A Igreja começou o tempo quaresmal. Iniciar o período significa inaugurar um tempo de penitência, em preparação para a Páscoa do Senhor. Essa etapa certamente desperta em todos os cristãos a necessidade de revisão de vida, tanto em nível pessoal como social. Neste sentido, o portal da CNBB realizou uma entrevista exclusiva com o bispo de Livramento de Nossa Senhora e presidente da Comissão para a Liturgia, dom Armando Bucciol, que falou sobre a espiritualidade e intensidade do tempo quaresmal.

Desde quando a Quaresma é vivenciada como tempo intenso de preparação para a Páscoa?

Para celebrar a festa das festas, a Páscoa, a Igreja propõe desde o início de sua caminhada uma adequada preparação. Depois nos primeiros séculos, após ter focalizado no Dia do Senhor o centro de sua vida espiritual, em meados do segundo século, eis que se celebra a Festa da Páscoa. A Páscoa anual é celebrada com uma solene vigília. Ao redor desse núcleo forma-se o tríduo sagrado e a Páscoa é celebrada em três dias. A solenidade da Páscoa se prolonga numa festa de 50 dias até o Pentecostes. O desejo de se reproduzir os fatos da vida de Jesus, sobretudo por parte da Igreja de Jerusalém faz nascer algumas celebrações daquela que será chamada de Semana Santa. Elemento importante foi a conversão do Batismo durante a vigília pascoal no começo do terceiro século e a missa para a reconciliação dos penitentes desde o quinto século, a partir disso, forma-se a Quaresma como preparação à Páscoa.

Quais foram os primeiros testemunhos sobre a existência da Quaresma e como era feita a preparação para o período?

Temos os primeiros testemunhos sobre a existência da Quaresma já no século IV, um tempo de preparação de três semanas. Vários testemunhos de quarenta dias de preparação para a Páscoa se encontram ao longo do IV século. Para o desenvolvimento da Quaresma contribuiu a organização do catecumenato, tempo de preparação aos ensinamentos de Iniciação à Vida Crista para os Adultos que nesse século alcança seu apogeu. No Sábado Santo celebravam-se o Batismo com a unção crismal e a celebração da Eucaristia, neste período a Quaresma torna-se tempo forte de penitência para a reconciliação dos pecadores e acontecia uma grande celebração de acolhida na Quinta-feira da Semana Santa pela manhã. As características ‘batismal e penitencial’ permanecem na celebração da Quaresma até os dias atuais, o Sacrosanctum Concilium Sobre a Liturgia Sagrada as reconhece quando tanto na liturgia quanto na catequese litúrgica esclarece-se a dupla índole do tempo quaresmal que, principalmente, pela lembrança ou preparação do Batismo e pela penitência fazendo os fiéis ouvirem com mais frequência a Palavra de Deus e entregarem-se a oração os dispõe a celebração pascoal.

Qual o significado e origem do nome “Quaresma”?

O nome Quaresma lembra quarenta dias de purificação e penitência. Quarenta é um número que recorda muitas páginas bíblicas. Só para lembrar um pouco temos os quarenta dias do Dilúvio; Moisés no Monte Sinai; os quarenta anos da caminhada do Povo de Deus pelo deserto; o profeta Elias que caminha quarenta dias e quarenta noites até o Monte Horebe e o profeta Jonas que dá um tempo de quarenta dias para o povo de Nínive se converter, mas sobretudo lembremos nos Evangelhos o espírito que fez sair Jesus para o Deserto e lá por 40 dias foi posto à prova por Satanás e ele convivia com feras e os anjos o serviam.

Como podemos celebrar e viver a espiritualidade desse tempo quaresmal?

Na celebração da Quaresma temos como já vimos os testemunhos já nos primeiros séculos da Igreja, mas hoje celebramos a Quaresma no dia de abertura na Quarta-Feira de Cinzas. Três palavras são propostas como características da espiritualidade da quaresma: esmola, jejum e oração. A oração sobretudo deve animar a espiritualidade da Quaresma. Uma oração feita no silêncio do próprio quarto, da interioridade para meditar a Palavra, para deixar que a Palavra compenetre e transforme a nossa vida, então aí sim seremos capazes de jejum. Lembrando que não é só jejum da carne, dos alimentos, mas de palavras inúteis, do uso do celular em excesso, do uso das redes sociais em excesso, uma esmola que se torna sensibilidade social, atenção aos mais pobres, solidariedade. São todas as coisas que poderíamos melhorar, que podemos e devemos melhorar olhando para o Senhor Jesus que nos amou até dar a sua vida, que preparou a sua missão como os grandes profetas, como o seu povo lá no Deserto, purificando-se, orando, entrando em diálogo com o Pai.

Qual mensagem deixaria para que todos possam mergulhar no mistério quaresmal?

Desejo a todos irmãos e irmãs que possamos viver mesmo correndo intensamente, abrindo nossos corações e nossas mentes para que iluminados com a Palavra de Deus sejamos prontos a viver com intensidade, renovando a nossa vida também e celebrando com maior intensidade espiritual o sacramento da reconciliação, passando a viver a plenitude da luz pascal em nossa vida.

Por CNBB

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A dimensão política da caridade, um grande desafio pastoral https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/a-dimensao-politica-da-caridade-um-grande-desafio-pastoral/ Thu, 28 Sep 2017 09:03:12 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=48726 No centro da vida cristã está a contemplação do rosto do Senhor a partir dos pobres e o empenho em favor do Reino de Deus contra toda forma de idolatria. Por isso, a especificidade do “ethos” cristão não está propriamente em seu conteúdo, pois todo cristão deve fazer o que fazem todos os homens de bem, mas na referência a Jesus de
Nazaré.

Partindo de sua vida, que foi sempre doação incondicional pelo Reino, Jesus quis deixar um sinal distintivo para os seus seguidores. Sendo assim, resumiu toda a Lei em um único mandamento, a “agape”, que seria então o diferencial para seus discípulos (cf. Jo 15,12-14). Esse “novo mandamento” caracterizaria a vida cristã e seria o sinal pelo qual seus seguidores seriam reconhecidos. Isso é muito importante, de tal modo que a Igreja não pode descurar-se desse  serviço, assim como não pode negligenciar os Sacramentos nem a Palavra.

Caridade: compromisso da fé

A palavra “caridade”, entendida univocamente como “amor”, traduz a expressão grega “agape”, associada na tradição latina a “carus” (= caro, importante, estimado), que por sua vez se relaciona com o vocábulo grego “charis”, graça, dom e foi traduzido por “caridade”. Outras duas expressões são utilizadas na língua grega para significar o amor: “eros” e “philia”, significando o amor sensitivo e de amizade, respectivamente.

A novidade que se expressa no Novo Testamento, significativa para a fé cristã, é a marginalização dessas duas expressões e a utilização da palavra “agape” para significar o amor cristão, a ponto da Eucaristia ser chamada pelo mesmo nome.

Para a vida cristã, a caridade é um compromisso. Ao longo dos séculos, a fé foi se reduzindo à profissão de um conteúdo ortodoxo e sua “prática” tomou contornos litúrgicos e jurídicos. Ser uma pessoa de fé implicava em professar um conjunto de verdades e praticar o culto correspondente. Sua dimensão de experiência foi diminuída, bem como sua incidência na vida concreta também o foi. As consequências desse empobrecimento se fizeram sentir no terreno da caridade, que passou a ser compreendida como “sentimento”, ou então como obras pontuais e extraordinárias.

A esmola e a caridade

Dessa maneira, contrariamente ao ensino clássico, a caridade foi se tornando sinônimo de esmola, desvinculada da prática da justiça. Essa mentalidade se prolongou na prática eclesial e inspirou as “obras assistenciais”, que procuravam mitigar os efeitos maléficos deixados pela injustiça estrutural. Isso levou à acusação, especialmente da parte do marxismo, no bojo da revolução industrial, de que a caridade cristã era um meio de manutenção do “status quo”, sem nenhuma incidência sócio-transformadora.

Um grande desafio pastoral é, por isso, recuperar a dimensão política da caridade. Dessa maneira, estaremos voltando à senda indicada pelo Senhor e trilhada pelas primeiras comunidades cristãs, porque a “agape” é uma exigência evangélica, um mandamento deixado pelo Mestre a seus discípulos (cfr. Jo 15,12.17).

Em vista disso, resgatar a dimensão macropolítica da caridade, acentuando sua necessária ligação com a prática da justiça social e a transformação das estruturas injustas, configura-se certamente como o grande desafio pastoral de nosso tempo e um dos pontos de intersecção entre a Fé e a Política, colocando a caridade como princípio articulador do compromisso político. Afinal, a política é uma forma exigente de se viver a caridade cristã (Octogesima Adveniens 46).

Por Padre Antonio Aparecido Alves via Canção Nova (Padre Antonio Aparecido Alves é Mestre em Ciências Sociais com especialização em Doutrina Social da Igreja pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma e Doutor em Teologia pela PUC-Rio. Professor na Faculdade Católica de São José dos Campos e Pároco na Paróquia São Benedito do Alto da Ponte em São José dos Campos (SP). Para conhecer mais sobre Doutrina Social visite o Blog: www.caminhosevidas.com.br)

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