entrega - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br Site oficial da Diocese de Uruaçu - GO Sat, 28 Sep 2024 04:08:26 +0000 pt-BR hourly 1 https://old.diocesedeuruacu.com.br/wp-content/uploads/2018/12/cropped-favicon-32x32.png entrega - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br 32 32 170539269 O dom de si https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/o-dom-de-si/ Tue, 07 Nov 2017 15:34:21 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=49412 Qual o segredo de uma vocação acertada e uma vida feliz? A capacidade de doar-se. O dom de si, como resposta aos apelos de Deus, o movimento de saída em direção ao outro, a superação do narcisismo e do desejo compulsivo de autorrealização, está na base de qualquer vocação. Em nossa cultura, profundamente marcada pelo individualismo, “é preciso verificar quanto as escolhas sejam ditadas pela busca da própria autorrealização narcisista e quanto ao invés incluam a disponibilidade para viver a própria existência na lógica do dom generoso de si” (Sínodo dos Bispos, Os jovens, a fé e o discernimento vocacional, Documento preparatório, p. 35). Com certeza, um dos elementos que pesam na escassez de vocações sacerdotais e religiosas, bem como na dificuldade de muitos casais na vida matrimonial, é este excessivo voltar-se sobre si mesmo, que torna incapaz de ver com os olhos do outro, colocar-se no seu lugar, ir além dos seus interesses.

Foi Jesus quem disse: “Se o grão de trigo caindo na terra não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto” (Jo 12,24). A lógica da felicidade humana não é possuir e conquistar (postos, cargos, fama, dinheiro…), mas é um processo de saída, de descentrar-se para correr o risco de viver grandes ideais. Somente se a pessoa renunciar a pautar sua vida a partir de suas necessidades conseguirá acolher o projeto de Deus à vida familiar, ao sacerdócio, à vida consagrada e até numa profissão, em vista do bem comum. A autorrealização, querida por Deus para todos, não é algo que se busca diretamente. “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais vos será acrescentado” (Mt 6,33). A generosidade na entrega é base para a felicidade.

A Sagrada Escritura está cheia de exemplos de pessoas que, acolhendo a proposta divina, se puseram a caminho. O primeiro caso típico é Abrão. Deus lhe diz “sai” e ele se move. “Vai para a terra que eu vou te mostrar” (Gn 12,1). Ainda não a conhecia, mas parte, arrisca-se, confia. O clássico exemplo é dos dois discípulos que ouviram de Jesus “Vinde e vede” (Jo 1,39). Jesus os convida a percorrer um caminho, sem ter tudo claro. Graças a esta coragem de ir e ver, os discípulos puderam ouvir sua Palavra, acompanhar seus gestos e serem seus amigos.

A entrega livre e generosa de si pede um percurso de discernimento. Parte de uma experiência de encantamento por Jesus Cristo, sua pessoa, seu Evangelho e seu projeto. Neste encontro, sempre renovado, são despertados os grandes ideais pelos quais vale a pena a doação total. Pedro diz a Jesus: “eu darei a minha vida por ti” (Jo 13,37). A fé é um elemento fundamental no discernimento vocacional. “A fé não é um refúgio para gente sem coragem, mas a dilatação da vida: faz descobrir um grande chamado – a vocação ao amor – e assegura que este amor é fiável, que vale a pena entregar-se a ele, porque seu fundamento encontra-se na fidelidade de Deus, que é mais forte do que a nossa fragilidade” (LumenFidei n. 53). O discernimento é iluminado pela Palavra de Deus. Na escuta do Espírito Santo, no diálogo com a Palavra e com as provocações da realidade deixa-se Deus falar à consciência, “onde ele está a sós com Deus, cuja voz ressoa na intimidade” (GS 16).

O dom generoso de si faz a vida ser feliz.

Por Dom Adelar Baruffi – Bispo de Cruz Alta (RS)

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Amor e sofrimento https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/amor-e-sofrimento/ Tue, 29 Aug 2017 13:02:31 +0000 http://teste.toqueto.com/amor-e-sofrimento.html O sofrimento não agrada a Deus, mas fecunda o sentido do amor. Amor sem sofrimento é como bolha de sabão, porque basta um pequeno vento para se desfazer. O verdadeiro amor é fruto de luta constante para conquistar o bem e contra tudo aquilo que provoca o mal e a destruição das pessoas. É um caminho de cruz, assumido literalmente por Jesus Cristo, com o objetivo final de salvação.

Não é fácil fazer uma entrega generosa de vida, porque as marcas profundas do egoísmo fragilizam as decisões comprometidas feitas pelas pessoas. É uma atitude que supõe liberdade assentada na espiritualidade divina. Jesus Cristo encarna em si os sofrimentos até os últimos momentos de sua morte na cruz, mas totalmente consciente dos objetivos que implicaria essa sua decisão.

A vida não se conquista com o uso de armas, com guerras e terrorismos, porque Deus, autor da vida, não está presente nessas práticas. Aliás, são fontes de destruição e de morte. A arma da vida é o amor, porque ele é capaz de superar todos os stress e revoltas contidas no coração do ser humano. Necessitamos de pessoas que são capazes de encarnar o amor, que gera vida e dignidade.

O sofrimento de grande parte da população brasileira não é uma fatalidade, ou uma situação de normalidade da economia do país. É fruto de uma governalidade sem identidade para tal. O bem comum é sacrificado para privilegiar um grupo seleto que acumula desnecessariamente. Eles impedem que o “bolo”, os bens do país sejam distribuídos de forma social, justa e equitativa.

É lamentável a gente ter que ver um mundo dominado pelas leis da imposição e da vontade de violentos, daqueles que forçam e produzem uma cultura de desumanidade e de morte. Nessa situação, os sofrimentos das pessoas não conseguem gerar amor, porque são provocados e não trazem os objetivos de esperança e de vida. Tudo isso significa que alguma coisa precisa mudar na sociedade.

A vida, como dom de Deus, não é uma realidade abstrata e desconectada dos princípios humanos de cidadania, de amor, de sofrimento e de espiritualidade. Ela é uma perfeita construção, que transita no mundo de animosidades, constrangimentos, e caminha para a perfeição na plenitude do Reino de Deus. Sofrimento e amor se concretizam no encontro pessoal com Jesus Cristo.

Por Dom Paulo Mendes Peixoto – Arcebispo de Uberaba (MG)

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Semana Santa: todo cristão pode fazer esse caminho com Jesus https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/semana-santa-todo-cristao-pode-fazer-esse-caminho-com-jesus/ Mon, 10 Apr 2017 09:22:56 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=45375 A Igreja já está na Semana Santa, iniciada neste domingo (9), com a celebração dos Ramos da Paixão. Junto com Jesus, o povo de Deus entrou em Jerusalém. Ao longo da semana será vivenciado o caminho para o maior de todos os desafios que foi vencido: Jesus morreu e ressuscitou, trazendo a todos os que Nele creem a esperança de uma vida nova. Essa é a essência da celebração da Páscoa, a principal festa cristã. Segundo o bispo auxiliar de Brasília (DF), Dom Leonardo Ulrich Steiner, Secretário-Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), este é o período de participação na entrega, na dor, no sofrimento, na morte, mas também na transformação e na ressurreição de Cristo.

“Todo cristão pode fazer esse caminho com Jesus. Fazer esse caminho é perceber que Jerusalém é o ápice de uma vida, de uma entrega, de uma presença de Deus no meio de nós que vai ter a culminância no mistério da morte”, ressalta o prelado.

Segundo Dom Leonardo, “esse mistério profundo, quase incompreensível para o ser humano, é de um Deus que sofre, que se sente abandonado, mas de um Deus que é de uma entrega completa de amor. De uma confiança absoluta: ‘nas tuas mãos entrego meu espírito’. Isso é o ápice dessa grande transformação que se manifesta na ressurreição e na vida nova”.

A preparação para este momento começou na Quaresma, o período de 40 dias entre a Quarta-feira de Cinzas e o Domingo de Ramos. Os textos litúrgicos da celebração pascal mostram quais os passos que Jesus vai dando neste período e apresenta uma reflexão de como os cristãos devem seguir os passos de Jesus. Dom Leonardo ressalta a importância da participação intensa nas celebrações.

“As celebrações nos ajudam muito a perceber esse silêncio da Sexta-feira Santa, por exemplo. Esse gesto extraordinário de uma Quinta-feira Santa, de lavar os pés. Essa é uma das liturgias mais bonitas da Igreja, de benzermos o fogo, acender o Círio e estarmos na Vigília. Nessa vivência percebemos como uma história de salvação, libertação e de doação de Deus nos prepara para podermos ser cristão melhores, para sermos homens e mulheres que, a partir da fé, dão sentido a tudo, e sabem também dar uma palavra de sentido as outras pessoas, ser uma presença evangelizadora”, observa.

“A ressurreição de Jesus Cristo revela que Deus está do lado da vida. A Páscoa de Jesus é sinal da vitória possível sobre a morte e todos os males”, ensina Dom Leonardo.

Por Rádio Vaticano

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