entendimento - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br Site oficial da Diocese de Uruaçu - GO Wed, 22 Nov 2017 09:24:56 +0000 pt-BR hourly 1 https://old.diocesedeuruacu.com.br/wp-content/uploads/2018/12/cropped-favicon-32x32.png entendimento - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br 32 32 170539269 Mudança de época: diálogo ou polarizações https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/mudanca-de-epoca-dialogo-ou-polarizacoes/ Wed, 22 Nov 2017 09:24:56 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=49509 A sociedade, as Igrejas e as instituições como um todo estão vivendo uma profunda mudança de época com transformações rápidas e radicais que atingem a cultura dos povos. Até poucas décadas atrás uma geração era definida pelo tempo e pela generatividade: num século contavam-se quatro gerações, uma a cada 25 anos. Hoje uma geração é definida a partir da mentalidade, da influência exercida pela cultura sobre os indivíduos e as massas e das tendências sociais sobre o comportamento humano. Calcula-se que a cada cinco anos haja uma profunda mudança e que uma geração hoje não passe desse período cronológico.

Outros fatores sociais, entre os quais a necessidade de segurança, tendem a fixar as pessoas em idéias ou tendências ideológicas blindadas em si mesmas, deixando assim de favorecer o diálogo entre as gerações ou entre grupos e promovendo o fundamentalismo em todas as suas vertentes.

Assistimos desse modo a confrontos acirrados não só de idéias, mas de pessoas ou de grupos que querem a todo custo impor a sua visão de mundo, de religião, de Igreja e de sociedade sobre os outros, sem considerar a primazia da liberdade e da pessoa humana sobre qualquer sistema e ideologia.

O confronto entre as gerações, assim como entre grupos ideológica ou  religiosamente definidos, não pode ter como finalidade a subjugação, ou pior ainda, a eliminação do outro, mas a integração do positivo que há no outro. Não é correto pensar: “Ou eu ou o nada! Ou o meu grupo ou o deserto!”. Dessa forma a humanidade está fadada ao suicídio cultural, moral e social!

Portanto é de se evitar radicalmente toda forma de fundamentalismo, toda postura de ódio contra quem não pensa e age como eu e o meu grupo. As considerações feitas até aqui atingem a convivência humana dentro de uma visão equilibrada.

Se nós partirmos de uma visão cristã, bem mais exigente e sublime será o comportamento e se tornarão as atitudes: o cristianismo surgiu plural, não monolítico. O próprio Cristo não se deixou engaiolar na mentalidade excludente dos poderosos e mestres do seu tempo: deixou as pessoas livres, sem com isso condená-las. Teve comportamentos diferenciados de acordo com a situação de vida da cada pessoa e a resposta gradual que ela podia dar. Deu bronca aos discípulos que queriam atear fogo nos samaritanos que não o tinham aceito em suas cidades. Não quis impedir que uma pessoa usasse o seu nome para operar o bem, embora não fazendo parte do grupo dos seus seguidores, afirmando: “Quem não está contra nós está a nosso favor!”. E diante dos inimigos apelou para o amor: “Amai os vossos inimigos! Fazei o bem a quem vos persegue!”. Foi assim que Jesus e seus seguidores conquistaram as pessoas de todas as culturas e dentre todos os povos, pois o amor tudo vence!

A atitude que se nos impõe é a atitude do diálogo! Por ele escuta-se e fala-se, valoriza-se a pessoa antes de suas idéias, instaura-se o vai e vem do positivo que existe em todos, não prevalece o resultado e as vantagens das tratativas, mas a paciente espera da maturidade de cada um. O diálogo é o caminho de Deus com a humanidade: deve ser o nosso caminho para o encontro fecundo com o outro!

Por Dom Francisco Biasin – Bispo de Volta Redonda (RJ)

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É tempo de clamar o Espírito Santo https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/e-tempo-de-clamar-o-espirito-santo/ Fri, 02 Jun 2017 10:26:49 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=46590 No alto da Cruz, quando Jesus morreu, entregou o “Espírito”. Não é apenas uma citação de um salmo, mas a realidade da entrega do Espírito à Igreja nascente do lado de Cristo, fonte de graça e vida para todos. No dia da Ressurreição, aparecendo aos seus discípulos, soprou sobre eles e lhes concedeu o Dom do Espírito Santo, garantia da Paz e do Perdão, do qual são portadores, para levar ao mundo inteiro. Na manhã gloriosa do Pentecostes, o vento impetuoso e as línguas de fogo, o assombro da multidão e o anúncio de Jesus Cristo, quando todos os presentes em Jerusalém os entendem, tudo expressa, na “inauguração” da Igreja, o tempo novo que se inicia, o tempo do Espírito, que se estende até a vinda gloriosa do Senhor, no fim dos tempos, para julgar os vivos e os mortos! É o Mistério Pascal que se realiza e a Igreja, nos últimos cinquenta dias, conduziu-nos, como mãe pressurosa, a viver cada uma das etapas do único e mesmo mistério. Podemos até unir, como numa única palavra, Morte-Ressurreição-Ascensão-Pentecostes!

E o Espírito Santo continua a conduzir a Igreja. Vêm dele os carismas, ministérios e serviços suscitados no correr dos séculos. Prova disso é o fato de que a Igreja sempre foi inspirada a encontrar os caminhos da caridade, para chegar a todos os recantos e aos corações, com a criatividade que caracteriza seu serviço à humanidade.

Os dons do Espírito Santo

Do Espírito Santo esperamos receber os dons, que nos fazem viver de forma divina a nossa vida nesta terra: Sabedoria, Entendimento, Conselho, Fortaleza, Ciência, Piedade, Temor de Deus! De sua presença esperamos os frutos: “amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, lealdade, mansidão, domínio próprio” (Gl 5, 22-23).

O Espírito Santo conduz a Igreja, mantendo-a fiel à verdade, sustentando-a para que as portas do inferno não prevaleçam. Todas as crises devidas à condição humana de seus membros, que sabemos ser pecadores, têm sido superadas. Basta recordar os grandes Concílios, com os quais a Igreja buscou com sinceridade a verdade, para anunciá-la corajosamente.

É o Espírito Santo que dá aos cristãos a disposição para o testemunho de Jesus, fecunda uma vida santa nos filhos da Igreja. Ele foi e é o sustento dos mártires, para a audácia do derramamento do próprio sangue pelo nome de Jesus Cristo.

É o Espírito Santo que nos faz proclamar que Deus é Pai – Abba, é ele que nos possibilita reconhecer Jesus como Senhor, é o Espírito Santo que reza em nós! “O Espírito vem em socorro de nossa fraqueza. Pois não sabemos o que pedir nem como pedir; é o próprio Espírito que intercede em nosso favor, com gemidos inefáveis. E aquele que examina os corações sabe qual é a intenção do Espírito, pois é de acordo com Deus que ele intercede em favor dos santos” (Rm 8, 26-27).

O condutor dos cristãos

O Espírito Santo age na Igreja, conduzindo os cristãos das várias confissões na estrada exigente a maravilhosa da unidade, a ser buscada com afinco por todos os que professam Jesus como Senhor. Este é o sentido da Semana de Orações pela Unidade dos Cristãos, com o tema “Reconciliação” e o lema “É o amor de Cristo que nos move” (Cf. 2 Cor 5, 14-20). Junto com outros cristãos, queremos refletir também sobre os quinhentos anos da Reforma. E o Papa faz inúmeros gestos de aproximação com irmãos e irmãs de outras Igrejas. Na Vigília de Pentecostes, neste Sábado, tenho a alegria de estar com o Santo Padre na Vigília Ecumênica de Oração, em Roma, a se realizar no “Circo Máximo”, um dos lugares históricos do martírio dos cristãos dos primeiros séculos.

O quadro conflitivo em que nossa sociedade se encontra é um grito à unidade dos cristãos. Cabe-nos oferecer ao mundo o testemunho do amor mútuo, superando preconceitos, medos, agressividade, lutas estéreis que só escandalizam as pessoas. Vale buscar o que nos une, que certamente é muito maior do que os eventuais motivos de separação. E podemos começar pelas pessoas mais próximas, estendendo os braços para a reconciliação, valorizando o testemunho de pessoas que fazem parte de outras confissões cristãs, colocando-nos juntos em oração, pedindo os dons do Espírito Santo.

Mais ainda, o Espírito Santo conduz todos os homens e mulheres de todos os tempos na busca da verdade. É ele que planta as Sementes do Verbo de Deus por toda parte, fazendo com que os cristãos abram os seus olhos e seus corações, para identificar e valorizar o bem que é feito, onde quer que esteja!

Oração

Esta é uma ocasião privilegiada para convidar à oração confiante:

Oh vinde, Espírito Criador, as nossas almas visitai, e enchei os nossos corações
com vossos dons celestiais.
Vós sois chamado o Intercessor, do Deus excelso o dom sem par, a fonte viva, o fogo, o amor, a unção divina e salutar.
Sois doador dos sete dons, e sois poder na mão do Pai, por ele prometido a nós,
por nós seus feitos proclamais.
A nossa mente iluminai, os corações enchei de amor, nossa fraqueza encorajai,
qual força eterna e protetor.
Nosso inimigo repeli, e concedei-nos vossa paz; se pela graça nos guiais,
o mal deixamos para trás.
Ao Pai e ao Filho Salvador por vós possamos conhecer. Que procedeis do seu amor fazei-nos sempre firmes crer.

Vinde, Espírito Santo!

Dom Alberto Taveira Corrêa – Arcebispo da Arquidiocese de Belém – PA

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