Doutrina Social da Igreja - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br Site oficial da Diocese de Uruaçu - GO Sat, 28 Sep 2024 04:08:53 +0000 pt-BR hourly 1 https://old.diocesedeuruacu.com.br/wp-content/uploads/2018/12/cropped-favicon-32x32.png Doutrina Social da Igreja - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br 32 32 170539269 Em debate no Vaticano o mundo do trabalho nos últimos 50 anos https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/em-debate-no-vaticano-o-mundo-do-trabalho-nos-ultimos-50-anos/ Tue, 21 Nov 2017 08:02:49 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=49475 Por que o mundo do trabalho continua a ser a chave do desenvolvimento no mundo global? Será o tema do debate da Conferência internacional “Da Populorum Progressio à Laudato si. O trabalho e o movimento trabalhista no centro do desenvolvimento integral, sustentável e solidário”. O encontro, nos dias 23 e 24 de novembro, na Sala do Sínodo, no Vaticano, é organizado pelo Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral.

Objetivos, análise e propostas

O objetivo será abrir uma reflexão sobre o mundo do trabalho e os aspectos ligados às atividades profissionais nas estruturas sociais existentes. O patrimônio da Doutrina Social da Igreja e suas perspectivas, a análise das novas realidades sociais; e as experiências positivas neste campo estarão no centro do debate. Serão apresentadas iniciativas e propostas para a construção de sociedades cujas agendas priorizem a pessoa e sua dignidade e políticas públicas que visem o desenvolvimento seja material como espiritual.

A Conferência tem a proposta também de aprofundar o magistério da Igreja desde a Populorum progressio do Beato Paolo VI, que completa 50 anos, até a Laudato si do Papa Francisco, que afirma: “O trabalho é uma necessidade, faz parte do sentido da vida nesta terra, é caminho de maturação, desenvolvimento humano e realização pessoal”.   

Além de representantes da Santa Sé, o encontro terá a presença de expoentes dos principais sindicatos do mundo, especialistas no campo das ciências sociais, delegações de mais de 40 países e representantes de movimentos cristãos de trabalhadores. Do Brasil, está confirmada a participação de Vagner Freitas, Presidente da CUT, Central Única de Trabalhadores.

Na tarde de sexta-feira (24/11), no final dos trabalhos, está prevista a audiência com o Papa Francisco.

Por Rádio Vaticano

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Dignidade de trabalhador jamais será tirada da pessoa, diz especialista https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/dignidade-de-trabalhador-jamais-sera-tirada-da-pessoa-diz-especialista/ Fri, 06 Oct 2017 09:04:14 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=48869 O drama dos desempregados é tema das intenções de oração do Papa Francisco para este mês de outubro. Só no Brasil, o problema atinge cerca de 13,1 milhões de pessoas, segundo dados do IBGE divulgados no final de agosto.

Quem já sentiu na pele o desemprego lembra da dificuldade de superar o choque inicial e dar a volta por cima.

A universitária Euliny Fernanda Fradique de Oliveira, 23 anos, recorda que em 2015 perdeu seu emprego, o que a abalou tanto financeira, quanto emocionalmente, desenvolvendo um quadro de ansiedade e depressão. “Não conseguia lidar com as contas vencendo sem ter condições de pagar. Isso me perturbava”, lembra.

Apesar de jovem, sua realidade foi sofrida. Pernambucana, mudou-se para o Espírito Santo há três anos, após o suicídio de sua mãe. No início morava na casa de um familiar, mas com o desemprego, precisou desocupar a casa, não tinha o que comer e nem dinheiro para voltar ao seu estado de origem, onde tinha conhecidos que a ajudariam.

Mesmo com as dificuldades, ela destaca as motivações que a ajudaram a driblar o problema: “A esperança de superar os traumas do passado, de dar orgulho pra ‘mainha’, de conquistar meu espaço, de sobreviver dignamente num lugar que mal conheço (…) Deus me deu muita resiliência para enfrentar as dificuldades pelas quais passei estando desempregada”.

A volta por cima veio através de um novo empreendimento. Seu noivo, contabilista, a convidou para abrirem juntos um escritório de consultoria contábil, e mesmo recente, têm conseguido captar novos clientes.

Aos que passam hoje pelo desemprego, Fernanda pede que não se deixem levar pelo medo ou desespero, mas acreditem na vida, pois tudo tem o dedo de Deus. “Ele sabe das nossas dificuldades e aflições, por isso, a saída mais inteligente nessa hora é manter a calma, os pés no chão, fazer sua parte (buscar novas oportunidades, se reinventar) e entregar o que você não pode resolver sozinho nas mão de Deus. Na hora dEle tudo se resolve”, sugere.

Empenho de todos para driblar o problema

Um dos pedidos do Papa, em sua intenção de oração, é que “sejam assegurados a todos o respeito e a tutela dos direitos”.

Sobre isso o mestre em Ciências Sociais com especialização em Doutrina Social da Igreja, padre Antonio Aparecido Alves, conhecido como padre Toninho, esclarece que a busca dessa proteção não deve ser feita a partir de afirmações simplistas, como por exemplo, colocar a culpa na legislação trabalhista ou invocar o crescimento econômico como gerador de novos postos de trabalho.

Para o especialista, os números do desemprego impressionam porque por trás deles existem pessoas, afrontadas em sua dignidade. Ele indica que os caminhos para o pleno emprego devem ser buscados em uma atitude de diálogo entre governo, empresas, sindicatos e sociedade civil organizada. 

Da parte do empresariado, o especialista destaca a necessidade de medidas estruturais que favoreçam o emprego, como investimento no setor produtivo, ao invés do mercado financeiro.

Quanto ao desempregado, o sacerdote diz que este deve manter o ânimo, acreditar que a situação poderá ser melhor e procurar atividades alternativas para geração de renda.

E, por fim, da parte das comunidades, organizar-se em rede de assistência aos desempregados, ajudando-os com a doação de alimentos, pagamentos das tarifas públicas, balcão de empregos onde sejam disponibilizados pelas mídias paroquiais sua oferta de mão-de-obra, entre outras coisas, sugere padre Toninho.

Dignidade do trabalhador

O especialista destaca que há diferença entre trabalho e emprego. Este último refere-se à atividade remunerada por certo número de horas, destinado à produção de bens e serviços. Já o trabalho trata da capacidade criativa do ser humano, desde a criança que transforma tinta da caneta em letra, até o trabalho de um metalúrgico que transforma o aço em um automóvel.

Diante disso, padre Toninho destaca que a “dignidade de trabalhador jamais será tirada da pessoa. É preciso alimentar a autoestima de que se é um trabalhador, mesmo que esteja desempregado”.

Justamente a fim de manter essa dignidade, o Papa pede ainda, em sua intenção de oração, que “seja dada aos desempregados a possibilidade de contribuírem para a edificação do bem comum”.

“São necessárias políticas públicas que possibilitem aos desempregados contribuírem para o bem da sociedade, em frentes de trabalho, onde se assegure o mínimo necessário para sua vida e de suas famílias, bem como ações solidárias nas comunidades que abram espaço para que estas pessoas possam ajudar de alguma maneira, colocando ali seus dons e talentos a serviço de todos”, aponta.

Por Canção Nova

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Centesimus Annus: dignidade e bem comum ao centro da economia https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/centesimus-annus-dignidade-e-bem-comum-ao-centro-da-economia/ Fri, 19 May 2017 11:04:13 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=46343 Não observadores, mas protagonistas que deem respostas concretas para que a economia e o mercado na época atual, marcada por uma conturbação global, estejam sempre mais a serviço da dignidade humana.

Esta é a proposta dos cerca de 300 participantes do simpósio aberto esta quinta-feira (18/05) em Roma, com a presença de representantes de 18 países, em resposta aos pedidos do Papa Francisco feito pela Fundação Centesimus Annus em 2016. O Coordenador do Comitê Científico, Professor Giovanni Marguerra, conversou com a Rádio Vaticano:

“A nossa Fundação, fiel a sua identidade – que por um lado é dada pela Encíclica Centesimus Annus “ e por outro pelo “ensinamento do Papa Francisco – procura, com as suas convenções e nos  seus encontros territoriais – quer na Itália como no exterior –   prosseguir enfrentando as emergências globais que neste momento sacodem o mundo, olhando porém para elas como momentos em que se tenta fazer mais integração, se procura introduzir um modelo social em que a inclusão das pessoas seja a norma. Nós temos uma sociedade profundamente desintegrada, profundamente desigual, entre quem está dentro e quem está fora. E o que nos diz o Papa é para promover a participação e a responsabilidade. A integração não é algo que acontece por si só, mas acontece se alguém que está dentro assume a responsabilidade de fazer participar quem está fora”.

Partindo da orientação da Doutrina Social da Igreja, três sessões de trabalho debaterão temas prioritários, verdadeiras “emergências planetárias”.

Se começará pelos desafios apresentados pela digitalização ao mundo do trabalho, não somente ameaça de desemprego e exclusão, porque mais dados, mas serviços, mais produtos também podem – dizem os participantes – “servir oa bem comum” e ser “uma oportunidade para aprender e envolver”.

Fundamental neste contexto é a educação, como explica o Prof Giovanni Marguerra:

“O desemprego é um problema que atinge a carne viva de nossa sociedade, não é somente uma questão de jovens ou de idosos. É também uma questão de quem tem as competências para conseguir resistir a uma mudança tecnológica impactante e quem, pelo contrário, não a tem e é expulso do meio do trabalho. Sob este aspecto, procurar dar uma maior valorização à educação – não somente à formação, durante toda a vida de trabalho – porque isto é já  aquilo que devemos fazer se quisermos sobreviver em um mundo que muda assim tão rapidamente – é sempre mais crucial o papel da família, como crucial sempre foi em termos educativos, evidentemente”.

Perguntaremos aos participantes nas sessões sucessivas do encontro – refere o Presidente da Fundação, Domingo Bickel – também propostas concretas sobre como enfrentar os efeitos de uma economia criminal – como o tráfico de seres humanos – e de como incentivar a solidariedade e as virtudes sociais.

Participarão, nestes casos, expoentes da Europol, do voluntariado e renomados economistas. “O tema é empenhativo e requer coragem e aliança – explica ainda, o Prof. Giovanni Marguerra – mas para dar seguimento ao ideal de fraternidade que tantas vezes o Papa nos recomenda, não temos outro caminho senão este:

“Assistimos a contextos em que o homem e a mulher são instrumentalizados, não sendo valorizada a sua dignidade. Cada um tem a sua dignidade e acredito que o ensinamento a ser seguido com mais atenção da doutrina social é justamente este da valorização e da promoção da dignidade humana em cada circunstância”.

Por Rádio Vaticano

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Por uma cultura do trabalho decente, justa e solidária https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/por-uma-cultura-do-trabalho-decente-justa-e-solidaria/ Wed, 26 Apr 2017 10:04:35 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=45713 Ao celebrarmos o Dia dos Trabalhadores evocando a luta heroica pela jornada das 8 horas acontecida em Chicago,  no 1º de maio de 1886 , quando por um atentado simulado, a justiça executou 4 operários condenados sem o devido processo legal; nos deparamos que conquistas alcançadas com o suor e sangue de irmãos do povo simples e trabalhador estão a perigo de desaparecer. 

Nunca se viu desde 1943 quando se consolidou a legislação que protege e tutela os direitos do trabalho, um ataque tão virulento e sistemático, que com a promessa de uma flexibilização  que poderia ampliar os postos de trabalho, se impõe sem escrúpulos a agenda neoliberal, do fim da segurança, empregabilidade e os princípios mais claros da justiça trabalhista qual sejam: a prioridade do trabalho sobre o capital, a irrenunciabilidade dos direitos sociais, e a tutela do mais fraco diante da desigualdade imposta pelo dinheiro.  

Criam-se as figuras do trabalho intermitente, part time, horista, terceirizado, sem vínculos nem proteção, deixando a negociação por si dessimétrica a cargo do consenso das partes. Quebra-se o pacto social e civilizatório que mantinha um marco regulatório que servia ao bem comum,  uma vez que colocava limites a torpe ganância e ao lucro predador. 

A doutrina social da Igreja pensada a partir do Evangelho é como sempre inequívoca,  é clara nas suas opções e princípios: o trabalho deve ter um salário digno que permita sustentar a família e ter aceso a propriedade, participação nos rendimentos e nas decisões, lembrando o destino universal dos bens e a função social que hipoteca e onera todo empreendimento financeiro e econômico. É verdadeiramente míope trazer de volta o capitalismo selvagem, pois  se reduz o mercado interno e se inviabiliza o verdadeiro desenvolvimento humano, integral, solidário e sustentável. 

As reformas que estão em pauta não são um salto para o futuro, mas um regresso aos piores tempos da exploração quando o “exército de reserva dos desempregados” baixava os salários e as condições do trabalho, ao nível cruel da sobrevivência e da total precariedade. A competitividade destrutiva e predatória não promove pessoas e não gera uma civilização do trabalho responsável, eficiente e verdadeiramente criativa. Deus seja louvado!

Por Dom Roberto Francisco Ferreria Paz – Bispo de Campos (RJ)

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Santa Sé nos 50 anos da Populorum progressio: supreendente atualidade https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/santa-se-nos-50-anos-da-populorum-progressio-supreendente-atualidade/ Mon, 27 Mar 2017 14:12:49 +0000 http://teste.toqueto.com/santa-se-nos-50-anos-da-populorum-progressio-supreendente-atualidade.html “Colher como os ensinamentos de Paulo VI, por sua surpreendente atualidade, respondem também aos desafios do atual contexto sociocultural – marcado pela interdependência planetária, eclodida com a globalização –, da prolongada crise econômica e do mais recente fenômeno dos refugiados.”

Segundo afirmou o secretário da Congregação para a Educação Católica, Dom Angelo Vincenzo Zani, esse foi o objetivo do Simpósio sobre “Educação e desenvolvimento para a paz entre os povos”, concluído este sábado em Brescia – região italiana da Lombardia –, na sede da Universidade Católica.

O evento acadêmico teve lugar por ocasião dos 50 anos da Carta encíclica “Populorum progressio” (celebrados este domingo, 26 de março) e dos 60 anos dos Tratados de Roma – que instituíram a Comunidade Econômica Europeia (CEE).

“A Populorum progressio deu decididamente uma orientação mundial à Doutrina social da Igreja no campo social que, até aquele momento, tinha sido abordada numa ótica prevalentemente europeia”, disse o arcebispo no Simpósio.

“A verdade do desenvolvimento consiste na sua integralidade: se não é do homem por inteiro e de todo homem, o desenvolvimento não é verdadeiro desenvolvimento.”

Para Dom Zani, essa é uma das afirmações-chave da encíclica de Paulo VI, na qual se encontra a própria “fonte de inspiração” também o compromisso da Congregação para a Educação Católica, que tem a finalidade de acompanhar mais de 215 mil escolas católicas e 1.865 universidade católicas, frequentadas por cerca de 60 milhões de estudantes, entre os quais um alto percentual pertencentes a culturas e religiões não-cristãs.

Por Rádio Vaticano

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Periferias tornam-se centrais no Pontificado de Francisco https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/periferias-tornam-se-centrais-no-pontificado-de-francisco/ Wed, 22 Mar 2017 08:02:26 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=45056 Domingo passado, 19 de março, teve início o quinto ano de Pontificado do Papa Francisco. Após um intenso 2016, vivido no signo da misericórdia, no próximo sábado, 25 de março, o Santo Padre fará uma visita pastoral a Milão, em 2 de abril a Carpi – ambas no norte da Itália –, em 27 de maio irá Gênova – noroeste da Península.

No âmbito das próximas viagens apostólicas internacionais, em abril irá ao Egito, em maio a Portugal e em setembro à Colômbia. Trata-se de um Pontificado que se perfaz no signo da misericórdia e da atenção aos últimos, passando pelas periferias do mundo.

A propósito, a Rádio Vaticano entrevistou o bispo de Albano, Dom Marcello Semeraro, que é também administrador apostólico da Abadia de Santa Maria de Grottaferrata e secretário do grupo dos 9 cardeais, o C9, formado por Francisco para estudar o projeto de reforma da Cúria Romana:

Dom Marcello Semeraro:- “O tema da periferia o encontramos desde o início na linguagem do Papa Bergoglio, mesmo antes, nas homilias feita em Buenos Aires. O Papa tem muito a peito uma Igreja que sai de si mesma rumo às periferias. Aliás, o Evangelho teve início numa periferia, a Palestina era um canto periférico do grande Império Romano. Portanto, a periferia tem também um valor teológico, além do geográfico e, depois, também antropológico, obviamente, porque o Papa fala de “periferias existenciais”. Diria, então, que não podemos perder de vista o fato de o Evangelho ser periférico, porque parte propriamente de uma periferia. Temos várias periferias, como as periferias da alma: a ausência de luz, a ausência de amizade, a solidão, a angústia e outros medos. Depois, as periferias da existência: temos em nossas mãos a Exortação Amoris laetitia, aí temos as famílias feridas, as relações interrompidas. Ademais, tantas outras situações de dor, as periferias sociais, onde há pessoas que não contam nada e onde as decisões são tomadas em outros lugares.”

RV: O magistério do Papa se caracteriza também por seus gestos de comunicação humana…

Dom Marcello Semeraro:- “Não nos esqueçamos que de certo modo todos os Papas, ao menos aqueles dos quais me recordo, realizaram gestos que tocaram profundamente o nosso ânimo. Mas, em particular, recordaria alguns de Francisco. O gesto com o qual o Papa curvou-se na noite na qual se apresentou no balcão central da Basílica de São Pedro, antes de abençoar, pedindo a oração dos fiéis. E esse gesto do Papa que pede para ser abençoado e que toda vez pede sempre para que rezem por ele, é um gesto de grande simplicidade e humildade. Penso também em suas viagens, que quis começar em lugares de periferia. Penso também no simples fato de morar na Casa Santa Marta. Mediante gestos ordinários da vida, o Papa mostra, sobretudo, ser, ele mesmo, um homem como nós.”

RV: Uma das chaves do Pontificado é a presença da misericórdia na vida cotidiana e na relação com Deus…

Dom Marcello Semeraro:- “Celebramos um Ano inteiro sobre o tema da misericórdia e a misericórdia está no coração do Evangelho. A misericórdia é atrativa, tem força interior porque é o coração do Evangelho, o pilar do Evangelho.”

RV: Os valores da Doutrina social da Igreja mudaram no modo de ser comunicados e defendidos?

Dom Marcello Semeraro:- “Penso que não. Temos uma Encíclica do Papa Francisco que retomou, diria, levou adiante, instâncias que já estavam na Caritas in veritate de Bento XVI. Na Laudato si vemos um alargamento desses valores sociais. É claro, todavia, que o Papa nos recorda que não é desses valores que parte o anúncio do Evangelho, o Evangelho parte do encontro com Cristo.” É daí que depois, consequentemente, vem tudo, como o compromisso público, na Igreja, e todos os outros valores irrenunciáveis que dizem respeito à vida, dignidade do homem, à consciência e liberdade do homem. Mas têm um sentido porque brotam do Evangelho.”

RV: Podemos dizer que os cristãos vivem com Francisco um espécie de novo Concílio?

Dom Marcello Semeraro:- “Diria que sim. A grande herança que o Concílio nos deixou foi a de viver de modo ‘conciliar’. Hoje, usamos muito a palavra “sinodalidade”. Também esta, a meu ver, não significa comprometer-nos a fazer Concílios e Sínodos, mas viver de modo “sinodal’ significa encontrar-nos, começando por escutar-nos reciprocamente. Se falarmos sem antes empenhar-nos na escuta, se falarmos sem ouvir, corremos o risco de dizer palavras inúteis.”

Por Rádio Varticano

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