Dom Rodolfo Luís Weber - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br Site oficial da Diocese de Uruaçu - GO Thu, 05 Sep 2019 18:07:25 +0000 pt-BR hourly 1 https://old.diocesedeuruacu.com.br/wp-content/uploads/2018/12/cropped-favicon-32x32.png Dom Rodolfo Luís Weber - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br 32 32 170539269 Semana da Pátria https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/semana-da-patria/ Thu, 05 Sep 2019 18:07:25 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=56668 Pode-se questionar como a Semana da Pátria deve ser realizada, qual programação, quem deve ser destacado, quais fatos devem ser celebrados, etc. Isto é muito salutar, pois reflete a multiplicidade e a complexidade de um país no qual, como diz a Constituição todos são iguais. Se no modo de organizar e celebrar a Semana da Pátria não existe convergência, creio que não se pode duvidar da importância de uma semana cívica. A quantidade e a gravidade dos problemas existentes no país não podem ser só assunto das autoridades constituídas, mas são temas para todos os brasileiros.

Qual é a situação da nossa pátria no presente? Por que o Brasil está assim? Qual Brasil queremos construir? Que modelo de país respeita e inclui todos os cidadãos? Qual a responsabilidade das autoridades constituídas e qual a responsabilidade dos cidadãos? São algumas perguntas entre tantas outras necessárias a serem feitas.

Uma análise de conjuntura verdadeira e objetiva é o ponto de partida. Quem faz a análise de conjuntura sempre parte de seu ponto de vista e as conclusões terão esta marca. Confrontar a própria leitura com a visão de outros leitores é uma atitude inteligente e sábia. Talvez os pontos de vista diferentes não sejam excludentes, mas podem ser complementares ou até gerar uma visão mais ampla. Uma leitura adequada da realidade presente permite projetar o amanhã. A quantidade de problemas a serem enfrentados não tem solução fácil, imediata, como também os recursos existentes são limitados.

O ensinamento social da Igreja tem alguns princípios para a construção da sociedade. O primeiro e fundamental princípio que agrega todos os outros é “a dignidade da pessoa humana”. A pessoa humana é o centro e a finalidade de toda estrutura estatal, da política e da economia. Nenhuma pessoa pode ser instrumentalizada e nem ser diminuída a sua dignidade.

Da dignidade, unidade e igualdade de todas as pessoas derivam os outros princípios: bem comum, destinação universal dos bens, subsidiariedade, participação, solidariedade, caridade e os valores fundamentais da vida social: verdade, liberdade e justiça. Os princípios servem de norte para os planos a serem definidos, como também critério de avaliação da qualidade das propostas.

Se todos os cidadãos são responsáveis pela nação, o princípio da subsidiariedade merece destaque. Diz o Compêndio da Doutrina Social da Igreja, nº 185: “É impossível promover a dignidade da pessoa sem que se cuide da família, dos grupos, das associações, das realidades territoriais locais, em outras palavras, daquelas expressões agregativas de tipo econômico, social, cultural, desportivo, recreativo, profissional, político, às quais as pessoas dão vida espontaneamente e que lhes tornam possível em efetivo crescimento social”.

Outra postura fundamental na construção da pátria é a participação do cidadão na vida cultural, econômica, política e social; seja ela individual ou de forma associativa. A participação é um dever a ser conscientemente exercido por todos em vista do bem comum.

A busca da verdade, como valor fundamental da vida social, é um direito e dever de todos os cidadãos. Prestar informações verdadeiras, mesmo que não sejam agradáveis, são fundamento para a resolução dos problemas e da construção do futuro.

Dom Rodolfo Luís Weber
Arcebispo de Passo Fundo

]]>
56668
É Natal https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/e-natal/ Mon, 25 Dec 2017 09:47:24 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=50272 Natal é um acontecimento festivo, alegre, com troca de presentes e muitas luzes. Tudo isto para ressaltar o anúncio do anjo: “Não tenhais medo! Eu vos anuncio uma grande alegria, que será também a de todo o povo: hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós o Salvador, que é o Cristo Senhor!” (Lucas 2,10-11). Todas as manifestações externas, por mais grandiosas e belas que sejam, ainda são insuficientes para celebrar o mistério do Natal, isto é, Deus veio habitar entre nós e o sinal é “um recém-nascido, envolto em faixas e deitado numa manjedoura” (Lc 2,12).

Outra atitude fundamental para celebrar o Natal é o silêncio. Os textos bíblicos não falam de silêncio, mas fazem silêncio. A sobriedade e a brevidade dos relatos bíblicos impressionam. São breves dados e quase nada de falas, tudo reduzido a uma extrema simplicidade. Como dizemos com frequência: “não tem palavras para explicar”.

Pode-se caracterizar duas espécies fundamentais de silêncio: um que podemos chamar de ascético ou natural e o outro podemos chamar de sobrenatural. O silêncio ascético ou natural é realizado de muitas formas. Uma forma é a que busca o silêncio exterior em lugares e ambientes com menos ruídos, menos pessoas. Lugares privilegiados são aqueles que proporcionam o contato com a natureza. Também há o silêncio ascético interior que busca serenar o coração, a mente e o corpo. A espiritualidade da quietação do coração busca diminuir a influência da razão para dar lugar à oração. Encontramos esta busca em muitas religiões. O homem se impõe conscientemente o silêncio.

Vivemos imersos, as vinte quatro horas do dia, em barulhos e numa vida desenfreada. O período que antecede o Natal, também por coincidir com o final do ano, acelera ainda mais o ritmo. Toda esta agitação pode desviar o foco e impedir de viver o essencial. Desafiador é tomar a atitude de fazer silêncio. Romper com a lógica e a onda da maioria e aquietar-se. Fazer silêncio para provocar um encontro com Deus e com as pessoas.

A outra modalidade de silêncio é que podemos chamar de sobrenatural. Ela é provocada pelo contato com Deus. Um silêncio originado da manifestação ou da teofania de Deus. Aqui a iniciativa é de Deus e não do homem. O primeiro silêncio é do homem que quer conquistar Deus; o segundo é do homem que foi conquistado por Deus. A presença Dele faz calar o homem. Um silêncio marcado pelo assombro, adoração, alegria, e às vezes, até de temor.

No Natal fazemos silêncio sobrenatural diante misteriosa maneira escolhida por Deus para chegar a nós rompendo toda lógica humana. A grandeza de Deus é manifestada na fragilidade de uma criança, num presépio, num lugar singelo. Deus se revela sob o seu contrário. Escondendo a grandeza na pequenez, a força na fraqueza, a majestade na humildade. O homem moderno se lamenta com frequência do silêncio de Deus, mas não se dá conta de que Deus cala exatamente por que ele fala, porque não é suficientemente humilde para escutá-lo. Deus fala ao homem também com o seu silêncio; com isso o reconduz à verdade.

Acolhamos este grito que se eleva do Natal: Deus se despojou da sua tremenda majestade; não apavora mais, não quer apavorar; agora é Emanuel – Deus-conosco. Cale-se toda a terra, ajoelhe-se e O adore.

Por Dom Rodolfo Luís Weber – Arcebispo de Passo Fundo

]]>
50272
A alegria cristã https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/a-alegria-crista/ Mon, 18 Dec 2017 15:21:35 +0000 http://teste.toqueto.com/a-alegria-crista.html A proximidade do Natal cria um clima de alegria, de felicidade, de satisfação. São desejos fundamentais que movem a existência humana e é uma busca que marca a vida toda. Têm-se em comum este desejo, porém a sua busca dá-se em muitas direções. Nem todos os meios conduzem a meta e por isso necessitam ser avaliados e verificados.

Razões para desencanto e desilusão, entre jovens e adultos, diante da sociedade atual não faltam. Isto gera tristeza, depressão, ansiedade, desencanto. A busca da felicidade centralizou-se no triunfar da felicidade egoísta, no ter, no gastar, no consumo, nos entorpecentes.

O terceiro domingo do advento, através de seus textos bíblicos e litúrgicos, estimula os cristãos e a comunidade eclesial ao seguimento, anúncio e testemunho alegres de Cristo. A razão desta convocação está no fato de saber que Jesus já está no meio nós, embora não o conheçamos nem o testemunhemos suficientemente. O advento cristão acontece na presença do Cristo.

A alegria favorece a abertura aos outros, a Deus e ao infinito. O contrário da alegria não é a dor, que está dentro da existência humana, na sua finitude, mas o egoísmo. O egoísmo se apresenta de muitas maneiras, daquelas declaradas explicitamente e daquelas mascaradas de boas razões. O egoísmo concentra todas as atenções sobre si mesmo, que provoca o individualismo, que rejeita a atenção ao outro, que não sabe partilhar. A alegria cristã é uma virtude. Não é feita para ser consumida, mas para ser doada, como é dito em Atos dos Apóstolos 20,35. “Há mais felicidade em dar do que receber”. O mundo recebeu gratuitamente Jesus, um verdadeiro presente para encher de alegria a humanidade.

Como resposta ao Cristo, que virá, que já veio e que vem, o fiel cristão é convidado a dar o seu testemunho. Trata-se de um testemunho que deve possuir as características daquelas de João Batista. Questionado se era o messias esperado, responde: “Eu sou a voz que grita no deserto” (Jo 1,23). “Eu não mereço desamarrar a correia de suas sandálias” (Jo 1, 27). Não chama a atenção sobre ele, mas dá testemunho Daquele que está presente e não é reconhecido.  João Batista quer que as pessoas não se concentrem nele. Tem consciência da sua tarefa e não aproveita da oportunidade para se promover. O testemunho cristão hoje consiste em apontar para Jesus como fonte de esperança, alegria. Uma boa notícia que é eterna entre as coisas que passam. Testemunhas não falam de si mesmas, mas falam de alguém.

São Paulo exorta a comunidade de Tessalônica (5,16-24) sobre as atitudes que não podem faltar na convivência diária. Estar sempre alegre, rezar constantemente, agradecer em todas as circunstâncias, não apagar o espírito, não desprezar as profecias, examinar tudo e guardar o que for bom, afastar-se de toda espécie de maldade. Deixa-se santificar pelo Deus da paz que envolve toda a pessoa – espírito, alma e corpo.

O fundamento da alegria cristã está na presença de Jesus Cristo no mundo. A melhor maneira de ser testemunhas de esperança, fraternidade e alegria é vivê-las pessoalmente pela fé. Crer em Deus e nas pessoas, amar a Deus e servir o próximo, em particular os mais fracos e marginalizados, pois foi assim que Jesus se revelou em Belém.

Por Dom Rodolfo Luís Weber – Arcebispo de Passo Fundo (RS)

]]>
50190
Paz na Terra https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/paz-na-terra/ Mon, 04 Dec 2017 10:19:46 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=49724 “Os olhos de todos, na sinagoga, estavam fixos nele” (Lc 4,20). Foi esta a reação das pessoas diante da pregação de Jesus, em Nazaré da Galileia. O tempo litúrgico do Advento, que iniciou neste domingo, direciona o olhar dos cristãos para o Natal, isto é, para mistério da encarnação. Fixar o olhar no Natal direciona nossas preocupações, escolhas e ações para o mais importante, pois não faltam convites e tentações que afastam do acontecimento central. A liturgia da Igreja ajuda a manter o foco no central.

O salvador nosso, Jesus Cristo, se encarnou para todas as gerações. Neste sentido preparar o Natal é dispor-se a acolher, no tempo presente, no hoje, aquele que vem. Surpreender-se sempre de novo com o modo que Deus escolheu para aproximar-se dos humanos. Aproximar-se do menino Deus e colocar-se no seu caminho. É tempo de alegre espera. Quem vem vindo é o Salvador. A espera já é a antecipação. A vigilância é movimento que tira da indiferença e desafia a aprofundar o mistério a ser celebrado.

A liturgia no tempo do Advento e depois do tempo do natal celebra uma riqueza de fatos e ressalta várias qualidades do menino Deus que vem. Na noite de Natal recordamos o anúncio dos anjos aos pastores. “Glória a Deus no mais alto dos céus, e na terra, paz aos que são do seu agrado! ” (Lc2, 14). Diante dos índices alarmantes de violência no país e no mundo, a Igreja Católica está convidando seus fiéis e todas as pessoas de boa vontade para serem construtores da paz. Em sintonia com o tema da Campanha da Fraternidade de 2018, o regional Sul 3 da CNBB, em seus encontros de preparação para o Natal propõe o tema: “Paz na terra”.

É tempo de construir a paz. Para quem já acompanhou a construção de uma casa, sabe muito bem que construir é um processo complexo. A paz é construção. Como se diz popularmente, “não cai pronta do céu” e nem é feita por um herói e, muito menos, com a força bruta das armas e da repressão. A “paz depende da comunhão com Deus, consigo mesmo e com o próximo”, escreveu Santo Agostinho (354+430) no seu livro “Cidade de Deus”. As pessoas de fé cultivam constantemente a comunhão com Deus. Um Deus de ternura e de paz que se aproxima da humanidade na fragilidade de uma criança. Os anjos anunciam a paz aos homens, porque eles agradam a Deus, mesmo com seus pecados.

Como a paz é comunhão com o próximo, os mais próximos, são as pessoas da casa. Cotidianamente apresentam-se novas situações e muitos problemas são imprevisíveis como os temporais. Durante o temporal, não há condições para construir, apenas há tempo para se proteger e evitar uma tragédia maior. É construir a “casa sobre a rocha” (Mt 7, 24) em tempos de calmaria. Os pequenos gestos de cordialidade, o olhar carinhoso, o cumprimento, o sorriso, o beijo, o abraço qualificam as relações. A preparação para o Natal é tempo oportuno para colocar a minha família diante de Deus, agradecer por tudo que edifica a paz e, ao mesmo tempo, assumir e corrigir o que for necessário.

Todos vivemos em ambientes para além da casa, seja no trabalho, no grupo de amigos, na Igreja, na vizinhança, no bairro, no país e no mundo todo. É preciso estar atento ao individualismo que faz pensar demais em si mesmo e de menos nos outros. Pensar nos outros, é assumir corresponsavelmente a construção da paz, isto envolve atitudes éticas da promoção da justiça, da verdade, da tolerância, da fraternidade e da caridade.

“Vem, Senhor Jesus, o mundo precisa de ti!”, canta uma bela canção de Advento, pois ao mundo falta paz, amor e vida.

Por Dom Rodolfo Luís Weber – Arcebispo de Passo Fundo

]]>
49724
Ter o valor de calar e de falar https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/ter-o-valor-de-calar-e-de-falar/ Tue, 07 Feb 2017 09:22:17 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=44264 Calar ou falar? Há circunstâncias em que o calar é um ato de covardia, de ignorância ou medo para expressar a própria opinião. Em outros momentos, é uma atitude sensata, um ato de coragem, um sinal de controle dos instintos. Falar em local e na hora inoportuna revela superficialidade, falta de sensibilidade ou desejo de esconder a verdade. Conjugar a fala com o silêncio é sabedoria, é um valor na convivência.

“Só pode exercer o valor de calar aquele que consegue falar, que é capaz de se expor, mas escolhe livremente fechar os lábios. O silêncio é um valor quando vem de dentro, quando o indivíduo, podendo falar, decide se calar”. (Torralba, Francesc. O valor de ter valores). O silêncio imposto e violento não é valor, mas somente o é quando nasce de uma decisão livre, de um ato de vontade.

É valoroso calar para escutar o outro. Para escutar é preciso calar. É a atitude de discípulo que reconhece que o outro sabe mais e que tem algo importante para dizer e que posso aprender dele ampliando assim o meu horizonte e o conhecimento. Em outras circunstâncias, talvez o outro não tenha nada a me ensinar, mas ele precisa falar do que se passa na sua vida. Neste caso, ouvir calado é uma fala extremamente loquaz.

Há circunstâncias na vida em que é preciso calar para não ferir o outro. Há situações que convidam para retribuir uma ofensa, uma agressão ou traição sofrida, com a mesma medida. Nestas horas, controlar as emoções, o desejo de vingança com o silêncio é sinal de domínio das próprias paixões. É um ato voluntário, um exercício de reflexão de não retribuir o mal com o mal. De não retribuir ofensa com ofensa, pois ofender não faz desaparecer a ofensa. É calar nesta hora, para oportunamente falar. 

É preciso manter-se calado diante segredo confiado. Quem confia um segredo é uma pessoa concreta e que revela algo que está guardando com sete chaves. Por outro lado, revela o segredo a um confidente que escolheu. O confidente não tem tarefa fácil, precisa ter as virtudes da escuta e da discrição. O segredo tem algo de sedutor, de irresistível que desperta a curiosidade humana. A tendência é tornar público o segredo. O confidente para ser merecedor de confiança deve guardar na penumbra o segredo, mesmo podendo falar, não diz nada. É um valor guardar um segredo, pois o inimigo não é externo, mas está dentro de nós. 

Assim como é valoroso calar, do mesmo modo, é sabedoria e virtude saber falar. Tomar a palavra e quebrar o silêncio para revelar o está dentro é um ato de coragem e liberdade. A palavra, como um poderoso instrumento de comunicação, sai como um projétil de dentro de uma pessoa e penetra na consciência do outro gerando uma reação. O que foi lançado pode edificar, mas igualmente pode disseminar o mal.

Há situações de silêncio onde se esconde a verdade de forma mentirosa. Todos sabem dos fatos, mas ninguém se manifesta. Falar neste ambiente é um ato de coragem. Dizer a verdade para quem não quer ouvir é superar as amarradas da falsidade. Falar a verdade, neste contexto, causa dor, mas é libertador e traz frutos e ganhos emocionais.

Dom Rodolfo Luís Weber – Arcebispo de Passo Fundo (RS)

]]>
44264
Quais são meus valores? https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/quais-sao-meus-valores/ Mon, 30 Jan 2017 11:05:10 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=44163 Os valores podem ser definidos como horizontes de referência. O horizonte é como uma linha imaginária que nunca se toca e que se afasta na medida em que nos aproximamos dela. Tem momentos que a linha do horizonte é nítida e próxima; em outros momentos parece embaçada, fora de foco. O mesmo ocorre com os valores que em determinados momentos intuímos com clareza e em outros momentos não ficam tão nítidos. Não são uma ilusão por influenciarem diretamente no cotidiano.

Um exercício interessante a ser feito é tentar hierarquizar nossos valores. Tentar fazer a nossa pirâmide de valores dando a eles um ordenamento, do menos significativo ao mais importante. Talvez este exercício possa trazer surpresas. O ordenamento feito, através do exercício de discernimento, talvez revele uma realidade diferente daquela que achamos que era. Porém, torna-se um momento de tomada de consciência.

Os valores pessoais, muitas vezes, não correspondem e nem vão ao encontro dos valores sociais em se vive. O medo de sermos marginalizados ou excluídos faz com que frequentemente nossas prioridades não estejam tão claras. Outras vezes, não se vive de acordo com as convicções, gerando tensão e incoerência na vida pessoal. 

Os valores não são objetos a serem possuídos, mas fazem parte da natureza mais íntima da pessoa, fazem parte da essência. O nosso estilo de vida é uma manifestação externa das convicções interiores. É sinal de autodeterminação agir segundo os próprios valores e tê-los presente ao tomarmos decisões, principalmente num ambiente externo desfavorável.  

O indivíduo e seus valores formam uma unidade tão compacta que quando se vê obrigado a negá-los ou até mesmo a traí-los sente-se profundamente agredido, se sente mal, como se negasse a si mesmo. Os valores gritam, são como vozes que nos impelem a viver de determinada maneira, a sermos coerentes com uma filosofia de vida.

As necessidades vitais, como a fome, a sede, o agasalho, são motores de ação humana para a sobrevivência. Os valores, quando arraigados se transformam em necessidades, não de ordem física, mas de ordem espiritual e transcendente. Vão fazer parte da essência. São como que tatuados na alma. Não serão acessórios usados de acordo com a conveniência ou a necessidade. Vão impulsionar o agir humano, como a fome ou a sede. 

O valor da solidariedade nos permite ir além de uma necessidade física para dar resposta às necessidade primárias do outro. Quando um valor nos impele intensamente, as necessidades primárias ficam em segundo plano. Nesses momentos percebemos que o ser humano é capaz de superar sua natureza instintiva e transcendê-la.

O encontro com o outro é a ocasião para os valores tornarem-se visíveis. É a circunstância propícia que permite o pleno desvelamento dos valores e contrastá-los com os dos outros. É a oportunidade de apropriarmos de nossos valores. A riqueza imaterial de uma pessoa, de uma instituição ou de um país é o conjunto de seus valores, suas crenças e ideais. É o chamado capital espiritual. São eles que dão credibilidade, estabelecem laços e relações afetuosas e fraternas.

Por Dom Rodolfo Luís Weber – Arcebispo de Passo Fundo

]]>
44163