Dom Paulo Mendes Peixoto - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br Site oficial da Diocese de Uruaçu - GO Fri, 29 May 2020 12:25:22 +0000 pt-BR hourly 1 https://old.diocesedeuruacu.com.br/wp-content/uploads/2018/12/cropped-favicon-32x32.png Dom Paulo Mendes Peixoto - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br 32 32 170539269 Pandemia e Igreja https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/pandemia-e-igreja/ Fri, 29 May 2020 12:25:22 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=58460 O mundo passa por uma realidade totalmente indesejável, uma desarticulação generalizada em todos os setores, atingindo níveis inimagináveis de sua história. A agressividade do coronavirus desestabiliza todas as pessoas e instituições, entre elas, também as Igrejas. Por causa do medo, houve uma total mudança de ritmo na condução das atividades em todas as atividades da cultura.

Com o isolamento social, as Igrejas tiveram que se adaptar. Na grande maioria das Paróquias, as Missas e Celebrações, sem a presença de fieis, são transmitidas pelos meios de comunicação. Em casa as pessoas acompanham tudo pela televisão, pelo rádio e pelo sistema das redes sociais. Isso não deixa de contribuir muito para o aperfeiçoamento no uso desses maios para ajudar na evangelização.

A experiência das Celebrações nos lares lembra muito os inícios do cristianismo, quando ainda tudo era realizado na casa de família, verdadeira Igreja doméstica. O aconchego familiar desse tempo de pandemia pode superar o clima forte do individualismo dos últimos tempos, mas a prática cristã não acontece somente através dos meios de comunicação, porque supõe também presença física.

A esperança é de que as famílias saiam mais fortalecidas, na prática da convivência e da fraternidade, desse tempo de isolamento. Os meios de comunicação também ficam mais agregados no trabalho pastoral, mas não substituem a presença física das pessoas nas Celebrações, a não ser para as pessoas impossibilitadas por alguma doença ou dificuldades físicas de locomoção.

O isolamento social oportunizou também os gestos fortes de solidariedade entre as pessoas e as instituições. São inúmeras as paróquias que se mobilizaram realizando campanhas de alimentos e outros produtos em benefício das famílias mais necessitadas. O isolamento forçou as pessoas a ficarem em casa, sem trabalho e sem condição de ganhar o necessário para a própria sobrevivência.

As projeções que estão sendo feitas pelos entendidos é que a humanidade deverá sair da crise mais fragilizada na sua condição econômica. Indubitavelmente adquirindo uma nova experiência de existência, principalmente por saber que a vida tem seus limites. As pessoas não são donas de sua plena realização. O mundo está nas mãos de Deus e a plenitude da vida passa pela transcendência.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba

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Vida religiosa https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/vida-religiosa/ Thu, 22 Aug 2019 18:08:44 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=56533 No transcurso do mês de agosto e dentro da temática vocacional, damos evidência para a “vida religiosa”. Na Igreja Católica é chamado de “religioso” todo cristão que, na sua escolha vocacional, opta por pertencer a uma entidade, a um Instituto ou Congregação Religiosa. A vocação é fruto de uma escolha na vida com proposta de ação entendida como vontade divina.

A vida religiosa passa por momento de grandes desafios, principalmente aquelas mais antigas e tradicionais. Elas estão reféns da cultura do descartável, da instabilidade e mudanças galopantes, avessa às coisas tradicionais e estabilizadas. Valores que as sustentavam por séculos foram colocados no ostracismo. Vivem hoje num processo de esvaziamento e carência de novas vocações.

De um lado temos essas instituições citadas acima. Por outro lado surgem novas formas de vida cristã, novas experiências comunitárias de vida e com grande capacidade de atração. Surgem aqui e ali as chamadas “Novas Comunidades”, as de Vida e as de Aliança, com um jeito próprio de ser e de atuar na vida da Igreja. Podemos entender como novo modo de ação do Espírito Santo.

Em tudo isso é possível sentir os sinais de Deus na vida das Comunidades Cristãs. São símbolos e instrumentos da proximidade das pessoas com Deus. O Senhor se manifesta quando o vocacionado está disposto e aberto para cumprir com fidelidade sua missão. Fato que acontece em todas as Instituições Religiosas, mesmo com as dificuldades de umas e de outras para concretizar seus objetivos.

O clima secularista dos últimos tempos e as sombras vividas pela Igreja em relação existencial de alguns de seus membros no exercício de sua vocação tem preocupado o Papa Francisco. As cobranças quanto ao fiel testemunho de vida têm aumentado, e com plena razão, porque não podemos continuar com uma Igreja muito ferida na sua identidade pelos seus próprios membros.

Com as fortes exigências dos últimos séculos, é necessário inaugurar um novo tempo para a vida da Igreja. É fazer o que Jesus fez na cruz, vencendo a morte com a vida. Esta é a missão dos novos vocacionados, seja nas Instituições tradicionais, seja nas Novas Comunidades, revitalizando a conduta de seus membros para fazer da Igreja instrumento de evangelização para melhorar o mundo.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba (MG)

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Pentecostes https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/pentecostes/ Fri, 07 Jun 2019 11:55:40 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=55563 As Festas Litúrgicas se repetem a cada ano. Não é diferente com a de Pentecostes, sempre no domingo imediato à Ascensão do Senhor. Entendemos esse dia como a realização da promessa do Senhor Jesus que, ao voltar ao Pai, encaminha para a terra o Espírito Santo, Espírito Paráclito, Espírito da verdade, para continuar a tarefa salvadora, guiando e santificando a caminhada das comunidades.

No Antigo Testamento há o momento do sopro de Deus, dando ao homem, modelado do barro da terra, o hálito da vida, tornando-o “ser vivente” (Gn 2,7). Nas aparições aos apóstolos, após desejar-lhes a paz e de soprar sobre eles, Jesus diz: “Recebei o Espírito Santo” (Jo 20,22). Daí começa a missão da Igreja e os apóstolos se sentiram enviados para proclamar o sentido da vida.

Estamos em outros tempos, mas o dinamismo do Espírito Santo continua nos desafios da modernidade. Continua sendo luz e caminho no sofrimento do povo. Nos chamados “becos sem saída”, no meio de confusões e desesperos, normalmente os limites humanos se esgotam e as pessoas ficam sem força. O importante é não perder o foco do Espírito, que abre caminhos quando menos se espera.

O Brasil do momento está visualizando uma Nação difícil, que parece caminhar para tempos sombrios e de futuro ameaçador da esperança. O descrédito na instituição está crescendo, e com possibilidade até de uma “convulsão nacional”. Muitos fatos veem, infelizmente, acenando para isso. Falta credibilidade em tudo, dando chance para o crescimento do fosso elástico entre ricos e pobres.

Tivemos os primeiros meses do ano de 2019 com muitas marcas negativas, muitas ameaças à vida, fruto de práticas injustas e irresponsáveis. Sem uma atenção mais votada para o Espírito de Deus, a tendência é continuar de mal a pior. Torna-se impossível conseguir vida feliz sem a recuperação de valores que foram deixados de lado, causando vazio e insegurança em meio a forças contrárias.

A Palavra inspirada de Deus, e confirmada no dia de Pentecostes, precisa sair do papel e fazer acontecer, na realidade atual, uma prática que consiga cessar a violência, o ódio, o abuso e a corrupção moral, social e política. As ameaças sofridas pela população brasileira, que acontecem em todas as realidades da cultura, revelam distanciamento e não seguimento dos princípios divinos.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba (MG)

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Aprendizado no ouvir https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/aprendizado-no-ouvir/ Wed, 21 Feb 2018 10:27:53 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=50884 A capacidade do silêncio é uma virtude importante, mas nos tempos atuais de muito barulho, sua prática é um desafio para as novas gerações. Falamos mais do que ouvimos, ou não queremos ouvir porque o barulho não dá trégua. Mas ouvir a voz de Deus é primordial e um verdadeiro aprendizado, porque provoca capacidade para também ouvir a voz das pessoas que nos cercam.

Diante da voz de Deus, Abraão responde: “Eis-me aqui” (Gn 1,1). A voz sempre produz barulho, mas supõe também ressonância, resposta, inquietude e aprendizado. Ela deve provocar encontro e diálogo, mas com objetivos evidentes na construção de algum interesse, para o bem ou para o mal. Deus chamava Abraão para ser pai de um grande povo e ser modelo de fé para seus descendentes.

No diálogo as pessoas precisam entender o verdadeiro e rico sentido da vida, como também o caminho por onde passar para defender sua dignidade. Ser agente da morte é transformar a voz em ruído, mudar sua finalidade e harmonia de aprendizado. Pela voz podemos maquinar situações de destruição. Significa que estamos numa cultura de muitos ruídos transformando a vida em morte.

A Quaresma é tempo de ouvir e ficar atento à voz do Senhor e das pessoas, porque ninguém é uma ilha isolada do mundo. A pessoa humana é ser de relações, de convivência e de laços fraternais, onde a palavra deve ser dita e ouvida, possibilitando encontros no diálogo. É dentro desse contexto dialogal que construímos práticas verdadeiramente humanas e cristãs.

Não podemos simplesmente confundir as vozes e os ruídos que nos chegam da nova cultura. É fundamental levar em conta a Palavra de Deus, porque ela não é neutra, mas tem uma claridade passível de reflexão e ajeitamento na vida de cada pessoa. Se ouvirmos apenas a nossa voz, ficando somente na zona de conforto, e a de Deus, que nos compromete, desaparece de nossa mente.

Todo tempo da Quaresma sugere reflexão, isto é, audição dos textos bíblicos para transformar a vida dos cristãos. Deus vai manifestando seu amor incondicional pela humanidade, mostrando a doação dolorosa de seu Filho Jesus Cristo num caminho de entrega e de sofrimento, culminando com sua morte na cruz. É caminho de aprendizado, que desperta as pessoas para o sentido da Paixão.

Por Dom Paulo Mendes Peixoto – Arcebispo de Uberaba (MG)

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Quaresma e Páscoa https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/quaresma-e-pascoa/ Tue, 13 Feb 2018 09:21:37 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=50745 Parece repetitivo, mas todos os Ciclos Litúrgicos são grande oportunidade de reflexão, de avivamento e retomada da missão fundamentada no Batismo. Assim acontece com a Quaresma e a Páscoa, momentos interligados dentro da proposta salvadora de Jesus Cristo. A Quaresma prepara as pessoas para vivenciar a riqueza do Cristo ressuscitado, dando sentido para as realidades pascais.

O Tempo da Quaresma no Brasil, desde 1964, vem sendo enriquecida com os temos propostos pela Campanha da Fraternidade. A ideia central é o processo de conversão, de mudança nos hábitos que dificultam a fraternidade entre as pessoas. Nesse ano devemos trabalhar a questão da violência, enraizada na cultura brasileira e que afeta a vida cotidiana de todos os indivíduos do país.

Sem uma profunda e real transformação existencial na vida cristã, fica quase impossível praticar uma realidade nova, pascal e de intimidade com Jesus Cristo ressuscitado. A palavra “ressurreição” tem significado de transformação, saída de postura dita corruptiva para a incorruptibilidade, “a morte tragada pela vitória”, como está na Sagrada Escritura, no dizer do apóstolo Paulo (I Cr 15,54).

Estamos em novos tempos. A maneira de celebrar esses dois momentos litúrgicos está muito diferente, de forma muito secularizado e sem a riqueza de sua espiritualidade. Não há mais aquela preocupação com os valores da paixão e ressurreição de Jesus Cristo. Falta uma catequese mais comprometida com a vida cristã, com o processo de mudança de vida e de testemunho cristão.

Em sintonia com o tema da Campanha da Fraternidade 2018, pensamos na superação da violência, porque supõe um processo quaresmal de mudança de vida, de conversão pessoal, de oração, esmola e jejum. Transformar a cultura violenta numa cultura de paz supõe muito investimento pessoal, testemunho cristão e atenção a um processo educativo abrangente e comprometedor.

A paz é fruto das boas ações vindas do coração humano. Ela exige respeito e reconhecimento do valor de cada indivíduo. É o sentido da Páscoa, porque Jesus é o Príncipe da Paz. Quem se encontra com Ele passa a ser agente de paz e construtor de uma sociedade diferente, saudável e de bons relacionamentos. A paz ocasiona liberdade, sentido positivo para a vida, e esperança.

Por Dom Paulo Mendes Peixoto – Arcebispo de Uberaba (MG)

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O profeta hoje https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/o-profeta-hoje/ Tue, 23 Jan 2018 09:13:23 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=50321 Não basta a capacidade de prever o futuro para ser profeta. No Antigo Testamento eles marcaram seu tempo e seu papel, porque falavam de modo confiável, em nome de Deus. Por isso que Jesus foi chamado de “grande profeta”. As suas palavras tinham total credibilidade, não eram distorcidas e nem mal intencionadas. “Este homem era verdadeiramente filho de Deus” (Mc 15,39).

Há uma grande desconfiança no que as pessoas dizem hoje, principalmente quando são políticos, autoridades, ou no mundo dos negócios. Convivemos com duplicidade e sensacionalismo nas palavras. São usados inúmeros formatos para ludibriar a prática da justiça, fazendo com que a inverdade se torne verdade. É o tempo das incógnitas, servindo de base para uma cultura de descarte.

O esvaziamento na força da palavra desabona a identidade das autoridades. Elas deixam de ser sinais de confiança, e passam a dificultar a esperança das pessoas. Mas o povo precisa encontrar nelas a figura de um verdadeiro profeta, pessoas de confiança e de coerência em sua administração. A marca que as define é o interesse pelo bem comum, superando práticas individualistas e pessoais.

É lamentável encontrar profetas falsos, e não é raro vê-los vestidos de ovelhas, mas com atitudes de lobos, de exploração, colocando peso nas costas dos outros. Surgem desse mundo de irresponsáveis os excluídos, as injustiças e a violência. Também os bons e honestos os que, na prática, são verdadeiros profetas, sofrem as consequências, tendo que se sujeitar ao clima de insegurança.

Neste ano de 2018 teremos que votar novamente, mas tirando do cenário político os falsos profetas. Acontece que vendendo a consciência e o voto, cada eleitor se torna também um mau profeta. Está em nossas mãos o peso dessa responsabilidade, principalmente por saber que o voto não tem preço, porque ele representa consequências para o país e para si mesmo.

Sabendo que toda autoridade vem de Deus, ela deve ser porta-voz do bem estar social e da defesa da dignidade da vida. O profeta é aquele que fala com a autoridade de Deus e é abençoado por Ele. Ser Presidente, Governador, Senador, Deputado, é prestar um serviço ao povo, em nome do mesmo povo que os elege, em nome de Deus. Portanto é uma responsabilidade muito grande.

Por Dom Paulo Mendes Peixoto – Arcebispo de Uberaba

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Espírito de alegria https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/espirito-de-alegria/ Mon, 11 Dec 2017 15:29:29 +0000 http://teste.toqueto.com/espirito-de-alegria.html Apesar da miséria, da violência e das guerras no mundo, a pessoa não pode perder o bom humor e a alegria na vida. Não encarar os sofrimentos somente com tristeza, porque neles existem também vestígios de coisas boas. Numa dimensão de fé, temos a garantia de que Deus está presente em todos os momentos da caminhada do povo, para ajudá-lo na construção do reino da paz.

A alegria é consequência, quase que imediata, da prática da fraternidade, da justiça, do amor e da paz. Viver essas dimensões com autenticidade, com base no amor de Deus pela humanidade, é construir uma sociedade onde reina a confiança e a esperança de uma vida aberta para o Espírito de prazer verdadeiro. É como uma luz que brilha e abre caminhos para a realização de objetivos reais.

Duas figuras bíblicas aparecem nos relatos do Advento e do Natal: João Batista e Jesus Cristo. João, com palavras provocadoras, prepara a vinda de Jesus, fazendo a transição do Antigo para o Novo Testamento. Em seus anúncios, diz que veio testemunhar a chegada da luz. Essa luz era o Verbo, o Filho de Deus, que ia nascer. Ele veio despertar a fé nas pessoas para que acolhessem Jesus.

O nascimento de Jesus Cristo foi a realização de uma longa espera, sempre anunciada pelos profetas, e agora transformada em alegria, porque é a presença de Deus no meio do povo. O Papa Francisco tem falado ao mundo dessa alegria, que vem do encontro pessoal com Deus, através de Jesus Cristo. Não é uma alegria falsa, superficial, mas que muda o rumo da vida das pessoas.

João Batista, como ungido do Senhor, veio como portador da mensagem divina, para anunciar o tempo da graça de Deus, ou tempo de libertação. Sua intenção era abrir caminho para a chegada do Menino Deus no coração das pessoas. Essa via é obstruída pelas injustiças, maldades, violências, más condutas, como montanhas e vales nas estradas, que precisam ser acertadas.

Sentimos hoje quanta fragilidade existe no meio do povo. Quantos empecilhos para que Cristo nasça no coração das pessoas. Mas por fidelidade Deus nos convida à santidade, ao encontro pessoal com Ele. Ao falar do “espírito de alegria”, sentimos muita tristeza quando vemos pessoas passando necessidade do essencial para viver, com falta de saúde, educação, trabalho, moradia etc.

Por Dom Paulo Mendes Peixoto – Arcebispo de Uberaba (MG)

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A vinda do Senhor https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/a-vinda-do-senhor/ Wed, 29 Nov 2017 07:55:34 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=49643 Conforme a Palavra de Deus, a vinda de Jesus deve ser compreendida em duas dimensões, mas que fundamenta nossos conceitos de fé. A primeira, já prevista pelo Antigo Testamento, principalmente nas palavras do profeta Isaías, “de uma virgem nascerá o Emanuel” (cf. Is 7,14), acontece no dia do Natal. É a realização da encarnação do Verbo, Deus que se torna homem.

A segunda vinda do Senhor é anunciada como tempo de julgamento, quando os maus serão separados dos bons e serão destinados para a eternidade. Aí acontecerá a justiça divina, o “acerto de contas” com as pessoas, tendo como fonte os atos praticados na vida terrena. Para quem foi capaz de valorizar o processo do perdão e da reconciliação, certamente terá a misericórdia de Deus.

Em tempo de Advento, a meta é despertar nas pessoas atitudes de vigilância. A vida de fé é comprometedora, que exige ações concretas praticadas em benefício da coletividade. Nisso está o julgamento de Deus, como uma balança que mede o peso do que é feito, seja de bem ou de mal. Por isso, a vigilância é o equilíbrio de hoje no caminho para a hora da colheita, do julgamento final.

Advento é tempo forte de espera e de compromisso com a construção do Reino. Ele propõe superação das dificuldades e transformação dos corações endurecidos para acolher, na suavidade, Aquele que dá sentido para a vida. O nascimento de Jesus é a manifestação da bondade de Deus para com seu povo, oportunizando espaço de libertação e vida para quem Nele professa sua fé.

A vinda do Senhor teve como finalidade revelar a graça de Deus e de construir a paz entre as pessoas. Graça e paz são termos ricos de conteúdo, porque tocam de perto nos objetivos do Reino. Deus nos dá tudo de graça, mas quer que construamos a paz, para que reine o amor e a fraternidade. Não há paz verdadeira onde a graça de Deus não é percebida e nem valorizada.

Ser seguidor de Jesus Cristo é comprometer-se com Ele, com a vigilância e com o seu projeto de vida, confirmado pela dignidade e pela graça. É um enfrentamento com responsabilidade, sem pompa e sem glórias em relação ao mundo, mas desimpedido para receber a recompensa prometida pelo Senhor. É um processo de conversão, próprio para quem se prepara para o Natal.

Por Dom Paulo Mendes Peixoto – Arcebispo de Uberaba (MG)

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Vida de surpresas https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/vida-de-surpresas/ Mon, 06 Nov 2017 15:49:54 +0000 http://teste.toqueto.com/vida-de-surpresas.html As pessoas são desafiadas, por todos os lados, nas suas realidades normais de vida. Porque as surpresas causam encantos e desencantos, encontros e também desencontros, exigindo atitudes de constante vigilância. Os contravalores aparecem a todo o momento, que causam estragos e diminuem muito a qualidade e o sentido de vida dos que são atingidos e pegos totalmente despreparados.

Um clima propriamente de hipocrisia e de falsos valores domina a sociedade, e corrói a autenticidade das pessoas bem intencionadas. O que sentimos é o domínio do desejo de levar vantagem em tudo. Com isso podemos dizer que há muitas surpresas no campo da honestidade, da justiça e da misericórdia. O bem coletivo não é o alvo principal nas negociações de muita gente.

A prudência diz que as pessoas devem se preocupar com o essencial, para evitar um imediatismo sem estabilidade. É incômodo viver de surpresas na vida concreta, de espera sem segurança e de falta de esperança. É fundamental descobrir a sabedoria divina presente nas criaturas humanas, que se expressa através da fé, da caridade e da esperança, dando sentido autêntico para a vida.

A história é construída com as mudanças da sociedade. Estamos saindo de uma pós-modernidade, no confronto com uma sociedade, chamada “líquida”, no dizer do sociólogo e filósofo polonês Zygmunt Bauman. Tudo toma novas formas e as pessoas, na sua consciência humana, num processo de transformação, conseguem influenciar na construção de novas realidades na vida social.

Para os cristãos, as mudanças e as surpresas normalmente vêm da fé em Deus. É Jesus Cristo, Deus feito homem, quem veio construir a história e inaugurar uma nova e definitiva realidade. O contato das pessoas com Ele revela surpresas agradáveis, mas também comprometedoras na vida cotidiana. Seguir Cristo é fazer o que Ele fez e propõe através de sua Palavra na Sagrada Escritura.

Está chegando o final do Ano Litúrgico, com a Festa de Cristo Rei e Senhor da História. Na data celebraremos a abertura do Ano do Laicato, tempo de reflexão e de descoberta da vocação de todas as pessoas batizadas. Os leigos e as leigas cristãos são construtores de uma Igreja missionária, em saída e preocupada com a realização de um mudo diferente e melhor, surpresa do bem.

Por Dom Paulo Mendes Peixoto – Arcebispo de Uberaba (MG)

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Categorias sociais https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/categorias-sociais/ Mon, 23 Oct 2017 14:37:18 +0000 http://teste.toqueto.com/categorias-sociais.html A atual Constituição Federal, de 1988, no seu quinto artigo, diz: “Todos são iguais perante a lei…”. O Evangelho de Jesus destaca o maior dos Mandamentos: “Amar a Deus e amar o próximo” (Mt 22,37-39). Mesmo sob o conjunto das normas aplicadas em categorias sociais diferentes, o amor é a lei maior, que deve superar as diversas realidades, que compõem a estrutura de uma sociedade.

As categorias não deveriam ter atitudes de contraposição. Para os seguidores de Jesus Cristo, o mandamento maior do amor os leva à prática evangélica. Quem ama a Deus, por consequência, deveria amar também o próximo, mesmo que ele seja de outra categoria. Na pessoa existe a estrutura humana como sustentáculo da existência. Internamente está presente a força da ação de Deus.

Em Jesus Cristo, o amor ao próximo foi na medida do amor do Pai do céu pelos seus filhos. Um amor de doação total, com requinte de morte na cruz. Foi uma prática diferente do que acontece hoje. Temos mortes provocadas com requintes de crueldade, de atitudes totalmente contra os indicativos do Evangelho. O sentido da vida humana, e divina, fica totalmente desrespeitado.

O amar a Deus e ao próximo, mesmo em categorias diferentes, não depende de quanto fazemos para Deus ou para o próximo, mas a forma como a pessoa se comporta nas suas intenções. Os frutos devem ser expressão da vontade de querer fazer e realizar concretamente o bem. Quem ama o próximo dentro desse contexto, automaticamente estará amando a Deus.

Há uma expressão, fundamental para identificar a vida das pessoas, que diz mais ou menos assim: ‘Não se deve fazer a outrem o que não é desejado para si mesmo’ (cf. Ex 22,20). O formato disso deve chegar ao coração de todas as pessoas, seja a qual categoria humana pertença. Tudo depende da sensibilidade interior, onde reina a força sagrada da consciência de cada indivíduo.

O próximo, aquele que Jesus fala, não é apenas o mais necessitado, o carente e marginalizado, mas a pessoa humana com quem existe convivência. O amor verdadeiro se expressa no relacionamento e na superação dos reais obstáculos da convivência, mesmo que sejam mínimos. É dentro disso que a vida passa a ter sentido e é assumida com uma alegria totalmente contagiante.

Por Dom Paulo Mendes Peixoto – Arcebispo de Uberaba

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