Dom Murilo Krieger - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br Site oficial da Diocese de Uruaçu - GO Sat, 28 Sep 2024 04:09:22 +0000 pt-BR hourly 1 https://old.diocesedeuruacu.com.br/wp-content/uploads/2018/12/cropped-favicon-32x32.png Dom Murilo Krieger - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br 32 32 170539269 Não responder intolerância com intolerância, diz Dom Sergio da Rocha https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/nao-responder-intolerancia-com-intolerancia-diz-dom-sergio-da-rocha/ Wed, 25 Oct 2017 08:02:03 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=49207 Exposições com uso de símbolos religiosos e abordando de forma polêmica questões da sexualidade, provocaram discussão na sociedade brasileira, ferindo não poucas sensibilidades e levando ao questionamento sobre o limite da arte.

O Cardeal Arcebispo de Brasília e Presidente da CNBB, Dom Sérgio da Rocha, o Secretário da entidade, Dom Leonardo Steiner e o Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger – em visita à Rádio Vaticano – falaram sobre este tema:

Dom Murilo Krieger:  “Sim, porque há uma ideia que às vezes se espalha de que o artista, ele não tem limites, quando a gente sabe que todo mundo gosta ser respeitado. E se toma a arte como se fosse um campo onde não houvesse ética. Ora, quando valores nossos são atacados – valores religiosos, ou então da raça – por exemplo, ninguém não é porque o artista é livre ele pode ofender judeus, não pode ofender negros, ou afrodescendentes. Também não pode ofender nossos símbolos religiosos. Então muitas vezes eles tentam deslocar a conversa e a discussão, mas quase só sobre o problema do nudismo, mas acho que é em segundo plano.

O problema são valores que cada um tem e que tem que ser respeitados. Senão fica um campo de agressividade maior. Então o que a gente nota, é que muitas mães de família, pais de família, logo se colocaram na situação do filhinho, como isto meu filho, ele não tem direito de ser agredido  por algo que não me interessa que ele veja e toque. E a gente nota  algo muito positivo, uma reação da sociedade. Claro, que aí vem o pessoal que chama de os retrógrados, os conservadores,  os direitistas.  Ou seja, tentar abafar a voz de quem pensa diferente, de uma forma assim agressiva. Mas eu penso que isto tudo está obrigando todos nós a tomarmos consciência, que devemos e temos o direito de defender nossos valores. Não é porque alguém se sente inspirado não sei por quem, pode ofender-nos assim gratuitamente.

RV: Dom Leonardo, o senhor que está em Brasília, naturalmente a CNBB…chega tudo, como o senhor diz, procuraram muito também os senhores por esta questão?

Dom Leonardo Steiner: “É, fomos muito procurados e nós achamos melhor não emitirmos nota, mas ajudarmos na reflexão.  Aquilo que Dom Murilo acaba de dizer é vital. Vejo que a questão da sexualidade ela  está sendo abordada de maneira quase superficial, e se diz como arte. Quando a sexualidade humana exige um certo distanciamento, exige uma intimidade que lhe é própria. É porque a nossa sexualidade se diferencia da sexualidade animal. A sexualidade humana tem a ver com intimidade, tem a ver com amor, tem a ver com delicadeza, tem a ver com vida que se entrecruza, tem a ver com vida que está por vir. Então não se pode abordar a questão da sexualidade humana de qualquer maneira, de uma maneira escancarada.

E eu penso que aqui tem alguns elementos que nós  poderemos ajudar a refletir. Mesmo aqueles quadros  expostos num dos museus, nos ajudam a refletir e a perceber assim  a que ponto estamos chegando na sociedade brasileira em relação a questões que são vitais para a pessoa humana, para não decairmos em relação a nossa sexualidade, ao nosso amor, nas nossas relações. As nossas relações humanas, elas têm um significado muito próprio. Nós não podemos banalizar as relações humanas, senão nós começamos a decair como civilização, como sociedade brasileira.

Eu creio que aqui existem alguns elementos antropológicos onde nós como CNBB podemos ajudar a refletir.  Não estou aqui nem mencionando – como Dom Murilo já lembrou –  as questões teológicas, as questões que o Evangelho nos propõe. Estou abordando aqui apenas no sentido antropológico, de pessoa, humana. E mesmo também  os símbolos religiosos. Os símbolos religiosos têm a ver com a expressão de nossa humanidade. Os valores, os símbolos, nos dizem algo, eles fazem parte de nossa vida. Se não fazem parte da vida de algumas pessoas, de determinados grupos, nós não invadimos a intimidade, não invadimos as pessoas com nossa agressividade, colocando estes valores ou estes símbolos em cheque, ou desprezamos estes valores. 

Estes valores são respeitados porque para determinado grupo ou para determinadas pessoas têm um significado inclusive de transcendência. Não estou aqui nem falando de fé, estou falando de transcendência, para além do imediato da cotidianidade e que ajuda a enfrentar a cotidianidade das pessoas. Eu não estou falando aqui apenas dos nossos símbolos católicos, estou falando dos símbolos que, por exemplo, o candomblé tem os seus símbolos e que estão sendo também agredidos.

E existe – Dom Sérgio antes estava falando – uma intolerância religiosa que vai aparecendo também na agressividade em relação aos símbolos, que vai aparecendo também em relação à arte. A própria arte às vezes está incentivando a intolerância. Então creio que existem aqui alguns elementos, e estes  foram aparecendo, e nós, como CNBB, tentamos ajudar a refletir. Certamente, o Conselho Permanente deve ainda também se manifestar a este respeito. Mas eu creio que também nisto temos sim uma contribuição a dar. Porque a intolerância está aparecendo também em forma de arte. E aí corremos um perigo muito grande”.

Dom Sérgio da Rocha: “Só alertar aqui, para aquilo que já acenamos, o risco, o perigo de querer responder uma ofensa de maneira ofensiva. Ou seja, querer responder uma forma de intolerância, sendo ainda mais intolerante. Isto preocupa muito. É justo manifestar a posição cristã ou a posição que as pessoas têm diante de situações assim. Mas é preciso ter um cuidado muito grande, para não alimentar ainda mais agressividade e intolerância, para não se tornar agressivo e intolerante, na resposta àquilo que consideramos ofensa, não pode ser respondido com mais ofensa ainda, como se diz arrasando com as pessoas, sobretudo. Acho que este cuidado precisa ter, porque senão nós não estaríamos respondendo de maneira cristã, nem estaríamos ajudando a superar a intolerância ou a agressividade”.

RV: Neste contexto as redes sociais assumem um papel bastante arriscado, porque a sensibilidade das outras pessoas é facilmente pisoteada, porque a gente não tem um interlocutor na frente e fica aquela avalanche de ofensas e insultos que vai sempre crescendo….

Dom Sérgio da Rocha: “E também, eu acho, o cuidado em não compartilhar aquilo que não é bom. Eu não sei porque, as pessoas hoje passam para frente com a maior facilidade ofensas, e às vezes sem maior razão de ser vão compartilhando, compartilhando, parece que por curiosidade, e com isto vão alimentando, vão divulgando também aquilo que não é bom. Acho que nós estamos precisando divulgar, compartilhar, aquilo que vale a pena, aquilo que constrói. Não que não vamos levar em conta, não se vai dar atenção àquilo que também seja considerado anticristão ou desumano. Mas eu creio que nós precisamos acima de tudo ter este cuidado de nas redes sociais não ficar compartilhando aquilo que não valeria a pena, coisa que não vale a pena ser passado para frente. E às vezes ela se multiplica de uma maneira impressionante, sem maior reflexão, sem maior posicionamento cristão”.

Por Rádio Vaticano

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Presidência da CNBB no Vaticano: canonização de mártires e encontro com Papa https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/presidencia-da-cnbb-no-vaticano-canonizacao-de-martires-e-encontro-com-papa/ Tue, 17 Oct 2017 14:25:33 +0000 http://teste.toqueto.com/presidencia-da-cnbb-no-vaticano-canonizacao-de-martires-e-encontro-com-papa.html A Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) vai se encontrar com o papa Francisco na próxima quinta-feira, dia 19. A visita anual ao Vaticano ainda prevê agenda em alguns Dicastérios da cúria romana e no Colégio Pio-Brasileiro.

Desde o último final de semana a Presidência da CNBB está em Roma, quando participou das celebrações por ocasião da canonização dos protomártires do Brasil, os mártires de Cunhaú e Uruaçu. O arcebispo de Brasília e presidente da CNBB, cardeal Sergio da Rocha, presidiu nesta segunda-feira, dia 16, a missa em ação de graças pela canonização na basílica de São Pedro. Também estão presentes o arcebispo de Salvador (BA) e vice-presidente da Conferência, dom Murilo Krieger, e o bispo auxiliar de Brasília e secretário-geral, dom Leonardo Steiner.

Para as cerimônias relacionadas à canonização dos primeiros mártires do território brasileiro, estiveram presentes o arcebispo de Natal (RN), dom Jaime Vieira Rocha, o arcebispo emérito de Aparecida (SP), cardeal Raymundo Damasceno Assis, e alguns bispos do regional Nordeste 2 da CNBB (na foto, da direita para a esquerda): o emérito de Cajazeiras (PB), dom José González Alonso; o de Caicó (RN), dom Antônio Carlos Cruz Santos; o de Afogados da Ingazeira (PE), dom Egídio Bisol; o de Nazaré (PE), dom Francisco de Assis Dantas de Lucena; e o bispo de Mossoró (RN), dom Mariano Manzana.

Agenda em Roma
Nesta terça-feira, a Presidência da CNBB visita a Congregação para os Institutos de Vida Consagrada, cujo prefeito é o cardeal brasileiro dom João Braz de Aviz, e a Congregação para a Doutrina da Fé. Amanhã, a agenda é na Congregação para os Bispos.

Está marcado para quinta-feira o encontro com o papa Francisco. Este será o terceiro desta presidência com o pontífice.

No mesmo dia, acontecerá a visita ao Dicastério para os Leigos, a família e a Vida, cujo secretário é o padre brasileiro Alexandre Awi Mello e o prefeito cardeal Kevin Joseph Farrell.  Também haverá um momento no Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, criado recentemente pelo papa. Na sexta-feira, a programação segue na Congregação para o Clero, na Secretaria de Estado e na Comissão para a América Latina.

“Sábado acompanharemos os padres do Colégio Pio Brasileiro que serão recebidos pelo papa”, conta dom Leonardo Steiner sobre o último compromisso marcado para o período da visita.

Celebração em ação de graças

Com a presença de muitos brasileiros, em grande número os potiguares, foi celebrada na Basílica de São Pedro, no altar da cátedra, a missa em ação de graças pela canonização dos mártires de Cunhaú e Uruaçu. A Eucaristia presidida pelo cardeal Sergio da Rocha contou com a presença de dom Murilo e dom Leonardo, do cardeal Hummes, e dos bispos do Nordeste 2 que participam das celebrações relacionadas aos protomártires.

Em sua homilia, dom Sergio expressou “sincera gratidão e o agradecimento da Igreja no Brasil” ao papa Francisco e aos que se empenharam no processo de canonização dos Santos Mártires potiguares. Para o presidente da CNBB, os novos santos do Brasil são intercessores e modelos de como seguir a Cristo. Em sua reflexão, o cardeal ressaltou as atitudes dos mártires de fidelidade a Jesus; do amor à Igreja e da perseverança na Igreja; e da fé no Santíssimo Sacramento testemunhada através da participação na Eucaristia e na doação da própria vida.

“Uma comunidade que vive da Eucaristia não reage às ofensas e às perseguições, com violência e vingança. Ao invés disso, continua a celebrar a Eucaristia e a vivê-la, como fez a Igreja naquela região do Brasil, em 1645. É admirável o testemunho da comunidade que, em meio a perseguições, continuou a celebrar a Eucaristia, que é o alimento dos que buscam construir a paz, por meio do amor e do perdão. Esta atitude eucarística dos que foram martirizados no Rio Grande do Norte torna-se ainda mais importante nos dias de hoje, com tantas situações de agressividade e intolerância difundindo-se no Brasil e no mundo”. (Cardeal Sergio da Rocha)

Dom Sergio ainda recordou os leigos, que formavam quase que a totalidade dos mártires em Cunhaú e Uruaçu: “O Laicato foi o grão de trigo que se consumiu naquele martírio, juntamente com os sacerdotes. O Laicato continua a ser na Igreja, hoje, o grão de trigo que se consome no dia a dia de nossas comunidades, no serviço pastoral, na evangelização e pelo testemunho cotidiano na família e na sociedade. Os leigos são chamados a santidade e, pela graça de Deus, têm dado testemunho de santidade no passado e no presente da Igreja no Brasil”.

Leia a homilia na íntegra clicando aqui.

Por CNBB

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CNBB se manifesta sobre decretos que extinguem reserva na Amazônia https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/cnbb-se-manifesta-sobre-decretos-que-extinguem-reserva-na-amazonia/ Tue, 05 Sep 2017 13:25:34 +0000 http://teste.toqueto.com/cnbb-se-manifesta-sobre-decretos-que-extinguem-reserva-na-amazonia.html A Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou nesta terça-feira, 5, Dia da Amazônia, uma nota na qual manifesta “veemente repúdio” aos decretos que extinguem a Reserva Nacional de Cobre e seus Associados (Renca). Para a entidade, a decisão governamental afronta a Constituição Federal ao não consultar os povos indígenas e evidencia a perversa lógica do mercado que vem sendo adotada no Brasil, “em detrimento da vida, da dignidade da pessoa e do cuidado com a Casa Comum”. “Políticas governamentais de incentivo às hidrelétricas, à mineração e ao agronegócio, com flexibilização de licenças ambientais, anulam os esforços em prol de sua preservação”, considera a CNBB.

No texto, a conferência incentiva as comunidades e organizações sociais a se manifestarem de forma pacífica e contundente em favor da Amazônia, “exigindo a revogação integral dos decretos de extinção da Renca”.

Leia na íntegra:

NOTA DA CNBB EM DEFESA DA AMAZÔNIA
“Viver a vocação de guardiões da obra de Deus”
(Papa Francisco, Laudato si’, 217)

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, por ocasião do Dia da Amazônia, em união com os irmãos bispos e comunidades dos estados do Amapá e Pará, manifesta seu veemente repúdio aos decretos do governo que extinguem a Reserva Nacional de Cobre e seus Associados – RENCA.

Desconsiderando os povos indígenas e comunidades tradicionais, a decisão governamental afronta a Constituição Federal, no artigo 231, e evidencia a perversa lógica do mercado que vem sendo adotada em nosso país, em detrimento da vida, da dignidade da pessoa e do cuidado com a Casa Comum. “Há propostas de internacionalização da Amazônia que só servem aos interesses econômicos das corporações internacionais” (Laudato si’, 38).

A Amazônia é um “verde e vasto mundo de águas e florestas, onde as copas de árvores imensas escondem o úmido nascimento, reprodução e morte de mais de um terço das espécies que vivem sobre a Terra” (CF 2017, Texto Base, 30).

A exuberância do bioma amazônico esconde uma enorme fragilidade. Políticas governamentais de incentivo às hidrelétricas, à mineração e ao agronegócio, com flexibilização de licenças ambientais, anulam os esforços em prol de sua preservação.

Os danos causados pela ação humana são muitas vezes irreversíveis (cf. Laudato si’, 37-39). “O dever que temos de usar responsavelmente dos bens da terra implica o reconhecimento e o respeito pela pessoa e por todas as criaturas vivas” (Papa Francisco e Patriarca Ecumênico Bartolomeu, III Jornada pela Cura da Criação, 2017).

Aos que possuem poder de decisão e “a quantos ocupam uma posição de relevo em âmbito social, econômico, político e cultural, dirigimos um apelo urgente a prestar responsavelmente ouvidos ao grito da terra” (Papa Francisco e Patriarca Ecumênico Bartolomeu, III Jornada de Oração pela Cura da Criação, 2017).

Renovando o compromisso de defender as riquezas e os saberes dos povos amazônicos, vitimados e ameaçados secularmente por interesses econômicos de empresas nacionais e internacionais, incentivamos nossas comunidades e organizações sociais a se manifestarem pacífica, mas de modo contundente, em favor da Amazônia, exigindo a revogação integral dos decretos de extinção da RENCA.

Na celebração dos 300 anos do encontro da Imagem de Nossa Aparecida, invocamos sua proteção sobre a Amazônia.
Brasília-DF, 05 de setembro de 2017
Dia da Amazônia

Cardeal Sergio da Rocha 
Arcebispo de Brasília
Presidente da CNBB

Dom Murilo S. R. Krieger
Arcebispo de Salvador
Vice-Presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário-Geral da CNBB

Por CNBB

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CNBB divulga mensagem aos brasileiros para celebrações do 7 de setembro https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/cnbb-divulga-mensagem-aos-brasileiros-para-celebracoes-do-7-de-setembro/ Mon, 04 Sep 2017 08:26:23 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=48245 A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou na sexta-feira (01), mensagem para o dia 7 de setembro, data que marca a Independência do Brasil. No documento, a entidade encoraja as pessoas de boa vontade a se mobilizarem pacificamente na defesa da dignidade e dos direitos do povo brasileiro, propondo “a vida em primeiro lugar”. A instituição convida as comunidades a se unirem ao movimento O “Grito dos Excluídos” e, nesta data também, o Conselho Permanente da CNBB sugere as comunidades rezem juntos pela realidade brasileira no O Dia de Oração e Jejum pelo Brasil.

Leia a mensagem na íntegra:

MENSAGEM DA CNBB

VIDA EM PRIMEIRO LUGAR

O “Grito dos Excluídos” nasceu com o objetivo de responder aos desafios levantados por ocasião da 2ª Semana Social Brasileira, realizada em 1994, cujo tema era “Brasil, alternativas e protagonistas”, e aprofundar o tema da Campanha da Fraternidade em 1995, que tinha como lema “Eras tu, Senhor”.

O Grito, realizado no dia 7 de setembro, com suas várias modalidades, é construído com a participação das comunidades cristãs, movimentos, pastorais sociais e organizações da sociedade civil, tem, em 2017, como tema: “Vida em primeiro lugar”, e como lema: “Por direito e democracia, a luta é de todo dia”.

A sociedade brasileira está cada vez mais perplexa, diante da profunda crise ética que tem levado a decisões políticas e econômicas que, tomadas sem a participação da sociedade, implicam em perda de direitos, agravam situações de exclusão e penalizam o povo brasileiro pobre.

O Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, diante do grave e prolongado momento triste vivido no país, sugere às comunidades que, nesta data, sejam acrescentados dois elementos importantes da espiritualidade cristã, para acompanhar as reflexões e as ações sobre a realidade brasileira: UM DIA DE JEJUM E DE ORAÇÃO PELO BRASIL.

Encorajamos, mais uma vez, as pessoas de boa vontade, particularmente em nossas comunidades, a se mobilizarem pacificamente na defesa da dignidade e dos direitos do povo brasileiro, propondo “a vida em primeiro lugar”.

Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, acompanhe o povo brasileiro com sua materna intercessão!

Brasília, 31 de agosto de 2017

Cardeal Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília
Presidente da CNBB

Dom Murilo S. R. Krieger
Arcebispo de São Salvador
Vice-Presidente da CNBB

Dom Leonardo Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário-Geral da CNBB

Por CNBB

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CNBB mobiliza Brasil com campanha sobre coleta para a reforma de sua sede https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/cnbb-mobiliza-brasil-com-campanha-sobre-coleta-para-a-reforma-de-sua-sede/ Thu, 24 Aug 2017 08:00:17 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=48091 A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou a Campanha “Juntos com a CNBB pela Evangelização”com o intuito de mobilizar as paróquias e dioceses do Brasil a realizarem uma Coleta Nacional, dia 10 de setembro, cujo o objetivo é levantar recursos para a reforma do seu prédio sede em Brasília (DF).  A campanha conta com material de divulgação (vídeos, banners, cartazes, etc) especialmente para as redes sociais. Desde sua inauguração 15 de novembro de 1977, o prédio nunca sofreu uma reforma.

“Esta sede nacional da CNBB acolhe bispos, sacerdotes, diáconos, religiosos e religiosas, leigos e leigas, pessoas de outras religiões que aqui vem para trocar ideias, se enriquecerem e renovarem a disposição de evangelizar este Brasil. Esta sede foi construída há mais de quarenta anos, precisa de uma reforma urgente e contamos com a sua colaboração para concretizar esse nosso desejo”, diz dom Murilo Krieger, vice-presidente da CNBB no vídeo oficial da campanha de divulgação da Coleta Nacional que será realizada em 10 de setembro.

O cardeal Sergio da Rocha, presidente da Conferência, explica, no vídeo, o que é a CNBB e a sua missão dentro da Igreja no Brasil: “A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil é um instrumento muito valioso de comunhão, de unidade da Igreja no Brasil e da ação evangelizadora e a CNBB está organizada em doze comissões pastorais que têm a finalidade, justamente, de animar a ação pastoral, a ação evangelizadora e promover a unidade pastoral nas dioceses e nos diversos setores da vida da Igreja no Brasil”.

O sentido da existência de uma sede nacional

A sede da matriz da CNBB está localizada, em Brasília, ao lado da Nunciatura Apostólica, no setor de embaixadas. Um prédio amplo de três pavimentos que abriga salas de trabalho da presidência; salas da secretaria geral que conta subsecretaria geral adjunta e subsecretaria de pastoral, com a assessorias específicas como política e imprensa e um salão de entrevistas coletivas; salas das comissões episcopais pastorais; espaço para a biblioteca; salas para comportar toda a administração que compreende a gestão de 18 regionais espalhados por todos o Brasil incluindo setores de trabalho social; além de uma ampla área de acolhimento para os bispos que se hospedam em Brasília durantes as reuniões regulares dos conselhos da Conferência. Tudo isso, além da estrutura de cozinha, lavanderia e de serviços gerais. A sede ainda tem a residência de uma comunidade de religiosas.

O prédio foi inaugurado em 15 de novembro de 1977 para acolher os bispos e trabalhadores que trabalhavam no Rio de Janeiro. No dia do início das atividades na nova sede, em Brasília, o então presidente da CNBB, cardeal Aloísio Lorscheider, segundo informações de reportagem da Canção Nova, fez a seguinte afirmação: “esta Casa quer ser um sinal. E como tal, um ponto de chegada e um ponto de partida. (…) Para os que vierem, ela será sempre uma forte memória de um passado vivido em meio à crise de uma sentida transformação com um poderoso impulso motivador para um futuro ainda envolto no mistério das múltiplas interrogações”.

O cardeal ainda acrescentou: “A Casa que hoje inauguramos no coração da nossa Pátria, num dia de festa nacional, deseja apresentar-se como a oficina sagrada em que o material informe – trabalhos e problemas nacionais comuns, ideias e pontos de vista divergentes, atividades isoladas nem sempre harmoniosas – receba em Cristo, na luz do Seu Espírito, a unidade de orientação, a força irresistível de evangelização, o dinamismo espiritual animador de todas as nossas Igrejas espalhadas pelo Brasil”.

A Reforma

Na última Assembleia Geral da CNBB, realizada entre 26 de abril e 5 de maio deste ano, os bispos receberam, em plenário, um amplo relatório sobre as condições gerais que se encontram o prédio. Foram apresentadas, inclusive, as urgências em relação a questões estruturais, além de informações sobre as intervenções feitas nos últimos anos. A conclusão a que chegou a presidência foi de que uma reforma ampla e substancial é necessária e urgente. Nessa reforma, também foi contemplada a melhoria de algumas instalações para atender as necessidades novas da administração.

O assunto já havia sido amplamente discutido no Conselho Permanente da Conferência que o encaminhou à Assembleia Geral. Um estudo detalhado das intervenções a serem realizadas no período de um ano e meio também foi levado ao conhecimento dos bispos de modo que, depois de suficiente debate foi aprovada a reforma juntamente com a decisão de que será feita uma Coleta Nacional para este fim.

A campanha de divulgação

Atendendo a uma solicitação dos bispos para que o sentido da coleta fosse amplamente conhecido, a CNBB preparou uma plataforma na internet com todo o material da campanha que pode ser baixado pelas dioceses, paróquias e todos os que puderem ajudar no seguinte link: http://edicoescnbb.rds.land/kit-coleta-nacional.

“Juntos com a CNBB pela evangelização” é o mote de preparação para a Coleta Nacional. Dom Leonardo Steiner, secretário-geral, no vídeo promocional faz o seguinte apelo: “Meus irmãos e minha irmãs: na última Assembleia Geral dos Bispos do Brasil conversamos longamente sobre como ajudarmos a CNBB ser mais evangelizadora e mais missionária criando, assim, espaços maiores na sua sede para podermos ajudar ainda mais as nossas dioceses, os nossos regionais, as nossas comunidades. Os bispos tomaram a decisão de fazer uma Coleta nas nossas dioceses, nas nossas paróquias e comunidades. E essa coleta acontecerá no dia 10 de setembro. Nós convidamos a todas as pessoas, a todos os irmãos e irmãs a generosamente contribuírem para que a nossa Igreja no Brasil continue a ser cada vez mais missionária, continue a ser cada vez mais presente e, desse modo, podermos prestarmos um serviço fecundo para a transformação da sociedade brasileira”.

Por CNBB

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Primaz do Brasil exalta 300 anos da Mãe Aparecida durante evento na Bahia https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/primaz-do-brasil-exalta-300-anos-da-mae-aparecida-durante-evento-na-bahia/ Wed, 09 Aug 2017 11:38:23 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=47757 A Jornada Teológica dos Serviços Arquidiocesanos em Salvador, organizada pela Coordenação Arquidiocesana de Pastoral, contou este ano com reflexões inspiradas no tema ” Com Maria, a mãe de Jesus”.

O evento que reuniu diversas pastorais, movimentos, comunidades, entre outros organismos, teve lugar no auditório Dom Geraldo Majella, na Cúria Metropolitana de Salvador.

Na ocasião, a Jornada tratou de duas palestras, sendo a primeira sobre o tema central proferida pelo Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger.

O arcebispo ressaltou que o Ano Mariano é o momento para celebrar, fazer memória e agradecer em comemoração aos 300 anos do encontro da Imagem de Nossa Senhora Aparecida.

A partir da história da aparição da Padroeira do Brasil, Dom Murilo evidenciou Maria Santíssima como “a Mãe do Povo”, uma vez que a população olha para Jesus Cristo e tem a consciência de que ao seu lado, desde o nascimento até o calvário, Nossa Senhora está presente.

Dom Murilo lembrou ainda que “quem encontrou a Imagem de Aparecida foram pescadores, trabalhadores, homens de coração simples. Esta Imagem enegrecida parece lembrar a cor de grande parte do nosso povo”.

Por fim, concluiu seu discurso abordando o compromisso das lideranças de cultivar a espiritualidade mariana.

Já a segunda palestra foi ministrada pelo coordenador de Pastoral, Padre Ricardo Henrique, que destacou a religiosidade popular e a devoção mariana como oportunidades de evangelização.

“Como lideranças, precisamos preservar as devoções marianas, sobretudo na família, pois estas devoções quando bem acompanhadas, penetram profundamente na alma do povo, levando-o a um engajamento na comunidade”, afirmou o sacerdote ao longo do evento, que foi encerrado com o momento da consagração a Nossa Senhora. (LMI)

Por Gaudium Press, com Arquidiocese de Salvador

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CNBB emite nota sobre o grave momento nacional https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/cnbb-emite-nota-sobre-o-grave-momento-nacional/ Fri, 05 May 2017 09:14:50 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=46105 A Presidência da CNBB emitiu, na tarde de ontem, quinta-feira, 04, uma nota sobre “O Grave Momento Nacional”. O documento foi apresentado durante a coletiva de imprensa, na qual foi feito um balanço da 55ª Assembleia Geral dos Bispos, realizada em Aparecida.

Na nota, a CNBB afirmou que se sente no dever de apresentar suas reflexões e apreensões aos cristãos, “diante da delicada conjuntura política, econômica e social” do país e lembra que “o Estado democrático de direito, reconquistado com intensa participação popular após o regime de exceção, corre riscos na medida em que crescem o descrédito e o desencanto com a política e com os Poderes da República cuja prática tem demonstrado enorme distanciamento das aspirações de grande parte da população.”

O texto reforça que é necessário que se construa uma democracia verdadeiramente participativa, e pede uma reforma no sistema político brasileiro.

A nota apresenta ainda que a insuficiência de políticas públicas estão entre as causas da exclusão e da violência, que atingem milhões de brasileiros.

Ao final, os bispos lembram que “não há futuro para uma sociedade na qual se dissolve a verdadeira fraternidade”, e que, portanto, é urgente a construção de um projeto viável de nação “justa, solidária e fraterna”.

“O povo brasileiro tem coragem, fé e esperança. Está em suas mãos defender a dignidade e a liberdade, promover uma cultura de paz para todos, lutar pela justiça e pela causa dos oprimidos e fazer do Brasil uma nação respeitada.”, salienta a nota.

Leia a Nota na íntegra:

O GRAVE MOMENTO NACIONAL

“Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça” (Mt 6,33)

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil–CNBB, por ocasião de sua 55ª Assembleia Geral, reunida em Aparecida-SP, de 26 de abril a 5 de maio de 2017, sente-se no dever de, mais uma vez, apresentar à sociedade brasileira suas reflexões e apreensões diante da delicada conjuntura política, econômica e social pela qual vem passando o Brasil. Não compete à Igreja apresentar soluções técnicas para os graves problemas vividos pelo País, mas oferecer ao povo brasileiro a luz do Evangelho para a edificação de “uma sociedade à medida do homem, da sua dignidade, da sua vocação” (Bento XVI – Caritas in Veritate, 9).

O que está acontecendo com o Brasil? Um País perplexo diante de agentes públicos e privados que ignoram a ética e abrem mão dos princípios morais, base indispensável de uma nação que se queira justa e fraterna. O desprezo da ética leva a uma relação promíscua entre interesses públicos e privados, razão primeira dos escândalos da corrupção. Urge, portanto, retomar o caminho da ética como condição indispensável para que o Brasil reconstrua seu tecido social. Só assim a sociedade terá condições de lutar contra seus males mais evidentes: violência contra a pessoa e a vida, contra a família, tráfico de drogas e outros negócios ilícitos, excessos no uso da força policial, corrupção, sonegação fiscal, malversação dos bens públicos, abuso do poder econômico e político, poder discricionário dos meios de comunicação social, crimes ambientais (cf. Documentos da CNBB 50– Ética, Pessoa e Sociedade – n. 130)

O Estado democrático de direito, reconquistado com intensa participação popular após o regime de exceção, corre riscos na medida em que crescem o descrédito e o desencanto com a política e com os Poderes da República cuja prática tem demonstrado enorme distanciamento das aspirações de grande parte da população. É preciso construir uma democracia verdadeiramente participativa. Dessa forma se poderá superar o fisiologismo político que leva a barganhas sem escrúpulos, com graves consequências para o bem do povo brasileiro.

É sempre mais necessária uma profunda reforma do sistema político brasileiro. Com o exercício desfigurado e desacreditado da política, vem a tentação de ignorar os políticos e os governantes, permitindo-lhes decidir os destinos do Brasil a seu bel prazer. Desconsiderar os partidos e desinteressar-se da política favorece a ascensão de “salvadores da pátria” e o surgimento de regimes autocráticos. Aos políticos não é lícito exercer a política de outra forma que não seja para a construção do bem comum. Daí, a necessidade de se abandonar a velha prática do “toma lá, dá cá” como moeda de troca para atender a interesses privados em prejuízo dos interesses públicos.

Intimamente unida à política, a economia globalizada tem sido um verdadeiro suplício para a maioria da população brasileira, uma vez que dá primazia ao mercado, em detrimento da pessoa humana e ao capital em detrimento do trabalho, quando deveria ser o contrário. Essa economia mata e revela que a raiz da crise é antropológica, por negar a primazia do ser humano sobre o capital (cf. Evangelii Gaudium, 53-57). Em nome da retomada do desenvolvimento, não é justo submeter o Estado ao mercado. Quando é o mercado que governa, o Estado torna-se fraco e acaba submetido a uma perversa lógica financista. Recorde-se, com o Papa Francisco, que “o dinheiro é para servir e não para governar” (Evangelii Gaudium 58).

O desenvolvimento social, critério de legitimação de políticas econômicas, requer políticas públicas que atendam à população, especialmente a que se encontra em situação vulnerável. A insuficiência dessas políticas está entre as causas da exclusão e da violência, que atingem milhões de brasileiros. São catalisadores de violência: a impunidade; os crescentes conflitos na cidade e no campo; o desemprego; a desigualdade social; a desconstrução dos direitos de comunidades tradicionais; a falta de reconhecimento e demarcação dos territórios indígenas e quilombolas; a degradação ambiental; a criminalização de movimentos sociais e populares; a situação deplorável do sistema carcerário. É preocupante, também, a falta de perspectivas de futuro para os jovens. Igualmente desafiador é o crime organizado, presente em diversos âmbitos da sociedade.

Nas cidades, atos de violência espalham terror, vitimam as pessoas e causam danos ao patrimônio público e privado. Ocorridos recentemente, o massacre de trabalhadores rurais no município de Colniza, no Mato Grosso, e o ataque ao povo indígena Gamela, em Viana, no Maranhão, são barbáries que vitimaram os mais pobres. Essas ocorrências exigem imediatas providências das autoridades competentes na apuração e punição dos responsáveis.

No esforço de superação do grave momento atual, são necessárias reformas, que se legitimam quando obedecem à lógica do diálogo com toda a sociedade, com vistas ao bem comum. Do Judiciário, a quem compete garantir o direito e a justiça para todos, espera-se atuação independente e autônoma, no estrito cumprimento da lei. Da Mídia espera-se que seja livre, plural e independente, para que se coloque a serviço da verdade.

Não há futuro para uma sociedade na qual se dissolve a verdadeira fraternidade. Por isso, urge a construção de um projeto viável de nação justa, solidária e fraterna. “É necessário procurar uma saída para a sufocante disputa entre a tese neoliberal e a neoestatista (…). A mera atualização de velhas categorias de pensamentos, ou o recurso a sofisticadas técnicas de decisões coletivas, não é suficiente. É necessário buscar caminhos novos inspirados na mensagem de Cristo” (Papa Francisco – Sessão Plenária da Pontifícia Academia das Ciências Sociais – 24 de abril de 2017).

O povo brasileiro tem coragem, fé e esperança. Está em suas mãos defender a dignidade e a liberdade, promover uma cultura de paz para todos, lutar pela justiça e pela causa dos oprimidos e fazer do Brasil uma nação respeitada.

A CNBB está sempre à disposição para colaborar na busca de soluções para o grave momento que vivemos e conclama os católicos e as pessoas de boa vontade a participarem, consciente e ativamente, na construção do Brasil que queremos.

No Ano Nacional Mariano, confiamos o povo brasileiro, com suas angústias, anseios e esperanças, ao coração de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil. Deus nos abençoe!

Aparecida – SP, 3 de maio de 2017.

Cardeal Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília
Presidente da CNBB

Dom Murilo Sebastião Ramos Krieger, SCJ
Arcebispo de São Salvador da Bahia
Vice-Presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário-Geral da CNBB

Por Canção Nova

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Bispos refletem sobre pentecostalismo e neopentecostalismo https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/bispos-refletem-sobre-pentecostalismo-e-neopentecostalismo/ Thu, 16 Feb 2017 10:42:56 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=44492 Os membros do Conselho Episcopal Pastoral da CNBB, reunidos em Brasília, nesta quarta-feira, 15 de fevereiro, realizam reflexão sobre o pentecostalismo e neopentecostalismo no Brasil. Os bispos seguem estudo iniciado na tarde da terça-feira, 14 de fevereiro. Dom Francisco Biasin, presidente da Comissão do Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso, apresentou texto propositivo a respeito do tema, preparado pela Comissão que ele preside, e destacou algumas questões pastorais que precisariam ser consideradas pela Igreja em todo o Brasil.

É preciso “agilizar nossa solicitude social”, propõe o texto apresentado. “Frequentemente, a razão pela qual alguém deixa a Igreja Católica tem cunho materialista; uma promessa de ajuda material que praticamente compra, adquire a pessoa; deixando-a depois como que traída e desiludida”. Há um reconhecimento, no texto, de que os grupos pentecostais se infiltram nas comunidades justamente nas ocasiões de sofrimento, de um acidente, de uma carência extraordinária e assim por diante. “Daí, que a questão é: Por que eles se dão conta da situação, se fazem presentes… e nós não?”. Dom Biasin lembrou ocasião em que, ao falar aos bispos de Ghana, África, durante a sua visita ad limina a Roma em 1993, São João Paulo II observou que “por vezes o atrativo destes movimentos se baseia sobre seu aparente sucesso em responder às necessidades espirituais das pessoas – a carência de seus corações por algo de mais profundo, pela cura, pela consolação e proximidade com o transcendente”.

Um segundo ponto destacado no texto pede para “Fomentar pequenas comunidades e formar liderança leiga”.  E registra a seguinte constatação: “temos paróquias tão grandes, em geral, que nossos fiéis não se sentem em casa, mas sim deixados de lado e abandonados; enquanto que se sentem em casa – aceitos, estimados e acolhidos – nas pequenas comunidades dos grupos pentecostais”. O texto propõe como uma possível resposta por parte da Igreja Católica incrementar o clima de família nas paróquias através de pequenas comunidades, grupos de oração, grupos juvenis e outros, investindo decididamente na formação de leigos que possam guiar tais grupos.

No texto apresentado por dom Biasin, um terceiro ponto de reflexão está em “Investir na catequese e na formação bíblica”. Essa necessidade aparece pelo fato de que grande parte das pessoas que se deixam influenciar provém de áreas rurais, são católicos ingênuos ou pessoas das periferias pobres das cidades, desprovidas de um suficiente aprofundamento na sua fé. “Devemos encontrar novas respostas a esta situação, através de maiores esforços catequéticos, preparando as pessoas ao melhor conhecimento da fé e a responder com segurança às propagandas e acusações contra a Igreja. É necessária uma melhor formação religiosa dos fiéis. Isto requer catequistas bem formados, que possam atuar como multiplicadores na educação da fé”, sublinha.

“Cultivar a espiritualidade e discernir a dimensão carismática da Igreja”, recomenda o texto. “Os pentecostais buscam uma experiência espiritual; desejam experimentar o Espírito Santo e o poder de Deus de modo imediato, aqui e agora. Neste sentido, constata-se um forte componente emocional. Em função disto, referem-se continuamente às Escrituras, apelando sobretudo às passagens do Novo Testamento que tratam dos carismas. Em contrapartida, as nossas liturgias e a nossa doutrina parecem muito secas, abstratas e intelectualizadas, como se fossem distantes da experiência humana”. Uma ressalva está colocada de forma clara no texto: “É verdade, que muitas das ditas ´experiências do Espírito Santo´ são ambíguas e necessitam do discernimento dos espíritos. Por outro lado, a Igreja católica redescobriu sua legítima preocupação sobre as manifestações do Espírito Santo: o Concílio Vaticano II reafirmou o aspecto pneumatológico-carismático da Igreja e introduziu uma renovação da dimensão carismática da Igreja”.

Por fim, dom Biasin ressaltou que “o movimento pentecostal abriu espaço dentro da Igreja Católica” e uma consequência prática desta redescoberta tem sido o movimento carismático, através do qual. “Em certo sentido, se poderia falar até mesmo de uma ´pentecostalização´ da Igreja Católica”, destaca. E finaliza: “Disto decorrem numerosas consequências eclesiológicas, que incluem as relações entre o sacerdócio universal de todos os batizados e o sacerdócio hierárquico; entre o primado e as estruturas sinodais-colegiais da Igreja; entre os bispos, os diáconos e os presbíteros; entre os pastores e o inteiro Povo de Deus. O enfoque pneumatológico ajuda a resolver tais questões de um modo mais dinâmico e menos estático. Em outros termos: creio que há uma maneira de tomarmos em consideração algumas reivindicações legítimas do pentecostalismo na Igreja. A partir daí, conceber o diálogo católico-pentecostal como partilha de dons será algo possível e útil para o futuro da Igreja”.

Os bispos tiveram oportunidade para dar sugestões e levantar questionamentos sobre o texto apresentado. “Não estamos refletindo isso para chegar à conclusão”, mas para avançar na reflexão sobre o tema, concluiu dom Leonardo Steiner, secretário-geral da CNBB.

O segundo dia do encontro teve início com a Santa Missa presidida pelo arcebispo de Salvador, (BA) e vice presidente da CNBB, dom Murilo Krieger e concelebrada pelo arcebispo de Brasília (DF) e presidente da CNBB, cardeal Sergio da Rocha e pelo bispo auxiliar de Brasília e secretário geral da CNBB, dom Leonardo Steiner.

Por CNBB

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