Dom Marcello Semeraro - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br Site oficial da Diocese de Uruaçu - GO Sat, 28 Sep 2024 04:08:53 +0000 pt-BR hourly 1 https://old.diocesedeuruacu.com.br/wp-content/uploads/2018/12/cropped-favicon-32x32.png Dom Marcello Semeraro - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br 32 32 170539269 Semeraro: para o Papa os exercícios espirituais são a reforma em andamento https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/semeraro-para-o-papa-os-exercicios-espirituais-sao-a-reforma-em-andamento/ Fri, 23 Feb 2018 08:07:39 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=50949 Na próxima segunda-feira, 26 de fevereiro, terá início a 23ª reunião do Papa Francisco com os Cardeais Conselheiros. Trata-se da primeira reunião do C9 de 2018, em um caminho iniciado há mais de 4 anos com a instituição – em 28 de setembro de 2013 – deste novo organismo com a tarefa de ajudar o Pontífice “no governo da Igreja universal e estudar um projeto de revisão da Constituição Apostólica Pastor Bonus sobre a Cúria Romana”. Para enquadrar as perspectivas futuras do trabalho do C9, recolhemos a reflexão do secretário do Conselho dos Cardeais, o bispo de Albano, Dom Marcello Semeraro:

“Eu diria que na próxima sessão vamos retomar as questões já colocadas na agenda, também porque, no cominho que estamos fazendo, alguns passos se tornaram mais claros. Portanto, digamos que o olhar, por parte do Conselho dos Cardeais sobre dicastérios fundamentais, já está na fase final. Estamos no momento de uma releitura também a partir de uma reflexão sobre o trabalho realizado. O trabalho realizado também ajudou a esclarecer algumas questões que, no início, não pareciam urgentes”.

Em um recente artigo para a revista “O Reino”, o senhor enfatizou que a dimensão mais importante da reforma é a espiritual, não a estrutural ou a funcional. Qual é o significado, portanto, dos Exercícios que precisamente nestes dias o Papa realiza com a Cúria Romana em Ariccia?

“Precisamente na manhã desta quarta-feira eu estive lá na Casa do Divino Mestre para cumprimentar o Santo Padre, para lhe assegurar a oração da diocese. Tive uma breve conversa com ele no final da meditação. O Santo Padre enfatizou mais uma vez que os Exercícios Espirituais da Cúria Romana que interrompem o trabalho ordinário – também através do gesto simbólico de se afastar do habitual local de trabalho para intensificar um encontro com Deus – é uma reflexão que vê um ao lado do outro, os diversos colaboradores do Papa na Cúria Romana. Já os Exercícios Espirituais são reforma em andamento! O que o Santo Padre quer nos dizer com isso? Que a reforma coloca em movimento realidades de organizações, mudanças nas estruturas, mas a primeira mudança que deve ser feita – e permanentemente – é uma mudança na mentalidade.O que a reforma da Cúria pretende expressar é, em primeiro lugar, uma sintonia com o que o Papa escreveu na Exortação Evangelii Gaudium, portanto, colocar-se naquele paradigma de missionaridade, de anúncio do Evangelho, à luz do qual depois são enfrentadas todas as outras realidades organizativas e institucionais. Em segundo lugar, reformar significa colocar mais em evidência a relação de serviço”.

“A reforma é um movimento”, disse o Papa na última reunião  do C9 em dezembro passado. Que significado tem uma reforma entendida deste modo, que podemos definir profundamente inaciano, de Santo Inácio de Loyola.

“No entanto, a reforma da Cúria Romana nasceu de um movimento a ser entendido, realmente domo ele disse, no sentido inaciano. Houve uma moção dos espíritos nos cardeais nas reuniões precedentes ao último Conclave. E deste confronto emergiu a instância que o novo Papa deveria dar atenção à reforma da Cúria Romana, reforma não entendida no sentido de ajustar algo que vai mal, que não está bem, mas reforma no sentido daquele semper reformanda que normalmente se aplica à Igreja, mas ainda mais diretamente, pode-se dizer da Cúria Romana. A Cúria sempre conheceu, também com Pio X, Paulo VI, João Paulo II e também Bento XVI, intervenções que podem ser chamadas “de reforma”. Isto significa tornar uma realidade sempre mais transparente, sempre mais correspondente ao objetivo. Neste sentido, acredito que se deva também dizer que a reforma comportará sempre ajustes. A reforma da Cúria não se faz de uma vez para sempre!”

Dentro de poucos dias recorre o quinto aniversário da eleição de Francisco à Cátedra de Pedro. Fazer uma síntese é obviamente muito difícil. Mas mesmo pessoalmente, e como bispo antes de tudo, se o senhor tivesse que indicar uma dimensão que o toca em particular do Magistério do Papa Bergoglio, qual o senhor indicaria?

“Para além dos conteúdos específicos que o Papa nos apresenta  e que temos também nos grandes documentos – e é pensável que o Papa possa nos presentear com algum novo documento que expresse a linha do Pontificado – porém eu a resumiria nisto: o Papa nos pede para assumir um ponto de observação novo. Nos pede para ter pontos de observação múltiplos para considerar a realidade. Não por nada uma das palavras que lhe é mais familiar, mas também isto vem da sua espiritualidade inaciana, é a palavra ‘olhar’”.

Por Vatican News

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Secretário do C9 comenta andamento do processo de reforma da Cúria Romana https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/secretario-do-c9-comenta-andamento-do-processo-de-reforma-da-curia-romana/ Mon, 11 Sep 2017 13:00:10 +0000 http://teste.toqueto.com/secretario-do-c9-comenta-andamento-do-processo-de-reforma-da-curia-romana.html Começou nesta segunda-feira, 11, no Vaticano, a 21ª Reunião do Conselho de Cardeais (C9), que prossegue até quarta-feira, 13.

O organismo, instituído pelo Papa Francisco em 28 de setembro de 2013, é composto por nove cardeais e tem a tarefa de ajudar o Santo Padre no governo da Igreja universal e estudar um projeto de revisão da Constituição Apostólica “Pastor bonus”, sobre a reforma da Cúria Romana. 

Em entrevista à Secretaria para a Comunicação do Vaticano, o secretário do Conselho de Cardeais, Dom Marcello Semeraro [foto], também bispo de Albano, na Itália, falou sobre as atividades do C9.

Dom Semeraro destaca que o Papa Francisco não se sente um “reformador” e iniciou os trabalhos de reforma da Cúria Romana por causa das sugestões que emergiram nas reuniões antes do Conclave.

“Vemos que ele escolheu, pelo menos no início, os componentes do Conselho de Cardeais entre os purpurados que estão à frente das dioceses, responsáveis pelas Igrejas locais espalhadas pelos continentes. Portanto, há o seguinte procedimento: ouvir as vozes das Igrejas para prosseguir também na reforma da Cúria Romana”, destacou o bispo.

Confira a entrevista completa:

Como o senhor descreveria o método de trabalho do C9? 

Dom Semeraro: “O método de trabalho eu o definiria através de alguns verbos. Primeiramente, o Conselho de Cardeais escutou e escuta. Tudo teve início em outubro de 2013 com os relatórios sobre as contribuições enviadas pelos episcopados, pelos dicastérios da Cúria Romana e também por muitas pessoas que escreveram, que mandaram suas contribuições. Depois de ouvir, o Conselho de Cardeais, reflete. Reflete sobre as propostas e também sobre como proceder; faz também verificações. Portanto, ouvir, refletir e verificar. A seguir, faz uma proposta ao Papa, pois o Conselho de Cardeais não decide; o Conselho de Cardeais propõe ao Papa.”

O Conselho de Cardeais pode ser definido como um momento daquela sinodalidade que está no coração do Papa Francisco?

Dom Semeraro: “O Papa os escolheu como membros desse Conselho de bispos, os escolheu para que sejam de alguma forma antenas sensíveis que possam de alguma forma captar as instâncias das Igrejas locais. O Conselho de Cardeais é uma estrutura sinodal. Sendo formado por bispos, é um organismo que se coloca dentro da colegialidade episcopal. Por outro lado, trabalha não somente em ajuda ao Papa, mas também a serviço das Igrejas particulares.”

O Papa intervém ativamente nos trabalhos, nos debates sobre vários temas? Qual é a sua abordagem em relação aos trabalhos do C9?

Dom Semeraro: “O Papa está presente, habitualmente, e está presente, sobretudo, ouvindo. Intervém quando é o caso de citar  suas experiências pessoais de quando era Arcebispo de Buenos Aires ou de situações atuais na vida da Igreja. Além disso, o Conselho de Cardeais não foi constituído, como eu dizia, somente para a reforma da Cúria. A finalidade principal, quando será concluída esta fase de reforma da Cúria Romana, permanecerá a tarefa primária de colaborar ou dar conselhos, pareceres ao Papa naquelas circunstâncias em que ele achar importante. Por exemplo, muitas vezes o Conselho de Cardeais chamou a atenção para a realidade triste de abuso contra menores. Esse assunto não faz parte da reforma da Cúria Romana, mas o Papa ouviu o Conselho também sobre essa questão. Quando é o caso de ressaltar ou intervir, o Papa intervém, mas com muita discrição. Ele prevalentemente ouve.”

Depois de tantas reuniões, existe também um clima de familiaridade?

Dom Semeraro: “Sim. É óbvio que o ambiente também psicológico é muito familiar. Há um clima de familiaridade. A minha tarefa de secretário é também a de coordenar um pouco s sessões. O clima é sempre muito familiar, sereno. Eles fazem pausas para tomar um café, contam alguma piada, e se ri de alguma notícia, de alguma coisa, com muita familiaridade: como se faz num grupo sim, de pessoas muito responsáveis, mas também num contexto muito fraterno”. 

Muitos se perguntam a que ponto se encontra a reforma.

Dom Semeraro: “Diria que em relação ao processo de reforma da Cúria Romana, o percurso está bem além: está para se completar. Está para se completar no âmbito de proposta feita ao Papa. Sabemos que ele logo tomou consciência de algumas incorporações dos pontifícios conselhos: sobre os leigos, família e vida existe uma homogeneidade e consequencialidade temática; o Dicastério para a promoção do desenvolvimento humano integral não se contenta apenas com a retomada das estruturas precedentes, mas executa unilateralmente o projeto do documento conciliar “Gaudium et Spes”; de grande relevância é também outro dicastério, o da Secretaria para a Comunicação que absorve funções certamente pastorais, anteriormente exercidas pelo Pontifício Conselho das Comunicações Sociais. Junto com a tarefa pastoral de orientação, a Secretaria para a Comunicação tem também uma enorme responsabilidade administrativa. Pela importância do tema da comunicação é um dicastério central no projeto de reforma da Cúria Romana”.

Por Canção Nova, com Rádio Vaticano

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Periferias tornam-se centrais no Pontificado de Francisco https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/periferias-tornam-se-centrais-no-pontificado-de-francisco/ Wed, 22 Mar 2017 08:02:26 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=45056 Domingo passado, 19 de março, teve início o quinto ano de Pontificado do Papa Francisco. Após um intenso 2016, vivido no signo da misericórdia, no próximo sábado, 25 de março, o Santo Padre fará uma visita pastoral a Milão, em 2 de abril a Carpi – ambas no norte da Itália –, em 27 de maio irá Gênova – noroeste da Península.

No âmbito das próximas viagens apostólicas internacionais, em abril irá ao Egito, em maio a Portugal e em setembro à Colômbia. Trata-se de um Pontificado que se perfaz no signo da misericórdia e da atenção aos últimos, passando pelas periferias do mundo.

A propósito, a Rádio Vaticano entrevistou o bispo de Albano, Dom Marcello Semeraro, que é também administrador apostólico da Abadia de Santa Maria de Grottaferrata e secretário do grupo dos 9 cardeais, o C9, formado por Francisco para estudar o projeto de reforma da Cúria Romana:

Dom Marcello Semeraro:- “O tema da periferia o encontramos desde o início na linguagem do Papa Bergoglio, mesmo antes, nas homilias feita em Buenos Aires. O Papa tem muito a peito uma Igreja que sai de si mesma rumo às periferias. Aliás, o Evangelho teve início numa periferia, a Palestina era um canto periférico do grande Império Romano. Portanto, a periferia tem também um valor teológico, além do geográfico e, depois, também antropológico, obviamente, porque o Papa fala de “periferias existenciais”. Diria, então, que não podemos perder de vista o fato de o Evangelho ser periférico, porque parte propriamente de uma periferia. Temos várias periferias, como as periferias da alma: a ausência de luz, a ausência de amizade, a solidão, a angústia e outros medos. Depois, as periferias da existência: temos em nossas mãos a Exortação Amoris laetitia, aí temos as famílias feridas, as relações interrompidas. Ademais, tantas outras situações de dor, as periferias sociais, onde há pessoas que não contam nada e onde as decisões são tomadas em outros lugares.”

RV: O magistério do Papa se caracteriza também por seus gestos de comunicação humana…

Dom Marcello Semeraro:- “Não nos esqueçamos que de certo modo todos os Papas, ao menos aqueles dos quais me recordo, realizaram gestos que tocaram profundamente o nosso ânimo. Mas, em particular, recordaria alguns de Francisco. O gesto com o qual o Papa curvou-se na noite na qual se apresentou no balcão central da Basílica de São Pedro, antes de abençoar, pedindo a oração dos fiéis. E esse gesto do Papa que pede para ser abençoado e que toda vez pede sempre para que rezem por ele, é um gesto de grande simplicidade e humildade. Penso também em suas viagens, que quis começar em lugares de periferia. Penso também no simples fato de morar na Casa Santa Marta. Mediante gestos ordinários da vida, o Papa mostra, sobretudo, ser, ele mesmo, um homem como nós.”

RV: Uma das chaves do Pontificado é a presença da misericórdia na vida cotidiana e na relação com Deus…

Dom Marcello Semeraro:- “Celebramos um Ano inteiro sobre o tema da misericórdia e a misericórdia está no coração do Evangelho. A misericórdia é atrativa, tem força interior porque é o coração do Evangelho, o pilar do Evangelho.”

RV: Os valores da Doutrina social da Igreja mudaram no modo de ser comunicados e defendidos?

Dom Marcello Semeraro:- “Penso que não. Temos uma Encíclica do Papa Francisco que retomou, diria, levou adiante, instâncias que já estavam na Caritas in veritate de Bento XVI. Na Laudato si vemos um alargamento desses valores sociais. É claro, todavia, que o Papa nos recorda que não é desses valores que parte o anúncio do Evangelho, o Evangelho parte do encontro com Cristo.” É daí que depois, consequentemente, vem tudo, como o compromisso público, na Igreja, e todos os outros valores irrenunciáveis que dizem respeito à vida, dignidade do homem, à consciência e liberdade do homem. Mas têm um sentido porque brotam do Evangelho.”

RV: Podemos dizer que os cristãos vivem com Francisco um espécie de novo Concílio?

Dom Marcello Semeraro:- “Diria que sim. A grande herança que o Concílio nos deixou foi a de viver de modo ‘conciliar’. Hoje, usamos muito a palavra “sinodalidade”. Também esta, a meu ver, não significa comprometer-nos a fazer Concílios e Sínodos, mas viver de modo “sinodal’ significa encontrar-nos, começando por escutar-nos reciprocamente. Se falarmos sem antes empenhar-nos na escuta, se falarmos sem ouvir, corremos o risco de dizer palavras inúteis.”

Por Rádio Varticano

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