dom Jaime Spengler - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br Site oficial da Diocese de Uruaçu - GO Sat, 28 Sep 2024 04:06:47 +0000 pt-BR hourly 1 https://old.diocesedeuruacu.com.br/wp-content/uploads/2018/12/cropped-favicon-32x32.png dom Jaime Spengler - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br 32 32 170539269 Vida: dom e compromisso https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/vida-dom-e-compromisso/ Sat, 14 Mar 2020 18:22:58 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=58051 A cada ano, a Igreja do Brasil propõe uma campanha nacional denominada “Campanha da Fraternidade”. Essa campanha tornou-se um modo privilegiado de vivência da Quaresma. Ela recorda que não se pode separar a conversão pessoal do serviço aos irmãos e irmãs, à sociedade e ao planeta. Ela representa um convite vigoroso a alargar o olhar e a perceber que o pecado ameaça a vida como um todo.

Diante do clamor de muitos que sofrem de inúmeras formas, e da criação que se vê espoliada, urge desenvolver e cultivar um olhar mais atento e detalhado para a vida. Esse clamor se depara com a insuficiência de ações efetivas, de políticas públicas para a superação dos problemas. Por isso, sente-se a necessidade de indagar: o que aconteceu conosco? O que vem ocorrendo com a humanidade que diante de tantas formas de sofrimento, parece não mais se sensibilizar com ele? Porque tantas formas de violência, agressividade e destruição? Estamos perdendo o valor da fraternidade?

Para este ano de 2020 o tema proposto para a Campanha da Fraternidade é: Fraternidade e Vida – Dom e Compromisso. O lema escolhido foi tirado do Evangelho de Lucas: “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (10, 33-34).

O tema expressa a necessidade de se refletir sobre o significado mais profundo da vida e encontrar meios para que esse caminho seja fortalecido e, talvez, reencontrado. Além disso, interpela a respeito do sentido que se está, na prática, dando à vida nas suas diversas dimensões: pessoal, comunitária, social e ecológica. Ou ainda, provoca à reflexão sobre o sentido de vida que estamos propondo, ensinando e testemunhando às novas gerações.

Diante do fenômeno da “globalização da indiferença” (expressão usada pelo Papa Francisco) que não permite perceber a desumana dor e sofrimento de quem está ao lado, podemos também, nós, nos tornar desumanos. Por isso, o período quaresmal representa uma oportunidade privilegiada para avaliar a própria existência e o modo como compreendemos e vivemos a vida. Fato é que não se pode viver a vida passando ao largo das dores e sofrimentos de tantas pessoas. Isso seria inumano!

Assustados com o fenômeno da indiferença, torna-se urgente testemunhar e estimular a solidariedade. Em Jesus Cristo, somos vocacionados ao intercâmbio do cuidar: cuidar uns dos outros e cuidar da Casa Comum, porque Deus sempre cuida de todos.

Dom Jaime Spengler
Arcebispo de Porto Alegre

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Sínodo: espaço de diálogo e discernimento https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/sinodo-espaco-de-dialogo-e-discernimento/ Mon, 07 Oct 2019 12:13:38 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=56880 O Sínodo especial para a região Pan-Amazônica, que iniciou neste domingo (6), no Vaticano, representa uma oportunidade para a Igreja rever sua metodologia de atuação evangelizadora e sua prática pastoral, buscando novos caminhos para ser presença ainda mais eficaz naquela região.

A preparação do Sínodo originou muitos debates. Suscitou polêmica o conceito de ecologia integral. O Papa Francisco explica que o conceito requer “abertura para categorias que transcendem a linguagem das ciências exatas ou da biologia e nos põem em contato com a essência do ser humano. (…) Uma ecologia integral exige que se dedique algum tempo para recuperar a harmonia serena com a criação, refletir sobre o nosso estilo de vida e os nossos ideais, contemplar o Criador, que vive entre nós e naquilo que nos rodeia e cuja presença não precisa ser criada, mas descoberta, desvendada” (Papa Francisco). Além disso, é necessário ter presente que o ambiente situa-se na lógica da recepção. É um empréstimo que cada geração recebe e deve transmitir à geração seguinte.

Precede a celebração da assembleia sinodal um amplo processo de escuta dos povos e das comunidades daquela imensa região.

Durante os trabalhos da assembleia, os Bispos são chamados a desenvolver a obra do discernimento, a fim de propor caminhos para o anúncio do Evangelho de Jesus Cristo junto àquela realidade. Caberá, depois, ao Papa Francisco avaliar as propostas apresentadas e de acordo com o Evangelho, a tradição da Igreja e as novas exigências que o tempo atual apresenta para a Igreja, decidir quais caminhos empreender para que ela cumpra a sua missão de anunciar o Evangelho a todos os povos.

A região Pan-Amazônica, além de cidades importantes, conserva uma variedade de povos nativos com suas culturas. Ora, desde o seu nascimento, o cristianismo tocou e se deixou tocar por outras culturas, colhendo dessas elementos e características. Isso diz de um processo de inculturação, ou seja, de inserção da mensagem cristã em diversas regiões e contextos sociais, por meio de um processo de diálogo com o universo simbólico dos povos com os quais o Evangelho entrou em contato.

Construir novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral requer capacidade para o diálogo, oração e sincero compromisso com a missão de cooperar ativamente na construção de uma “Terra sem males”, segundo os critérios do Evangelho.

Dom Jaime Spengler
Arcebispo de Porto Alegre

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O amor é mais forte que a morte https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/o-amor-e-mais-forte-que-a-morte/ Sat, 20 Jul 2019 13:52:45 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=56154 O que significa professar a fé cristã ou se apresentar como católico no contexto sócio-político-econômico brasileiro?

A atenção dos centros de poder e de decisão se concentra no “reino da Terra”, nos avanços científicos, na economia de mercado, no conforto e bem estar dos que têm acesso aos bens econômicos. Surgem, porém, sinais preocupantes! Os adolescentes estão se automutilando; um número expressivo de jovens comete suicídio; há uma multidão de adolescentes e jovens órfãos de pais vivos; a dependência química e eletrônica avança de forma implacável. Poder-se-ia elencar ainda outros elementos que expressam a fragilidade do tecido social e a precariedade preocupante das relações familiares.

É desafiador a missão de manter acesa a esperança de uma sociedade sadia. Se perde-se a esperança, a sociedade não tem futuro. Uma sociedade que não considera e promove a dignidade da família é uma sociedade fadada à sua dissolução.

A fé cristã ensina que Deus criou o ser humano, homem e mulher, com igual dignidade, mas também com características próprias e complementares, para que os dois fossem dom um para o outro, se valorizassem reciprocamente e realizassem uma comunidade de amor e de vida.

A vida familiar requer o empenho decisivo do homem e da mulher. O amor que os une é fecundo, antes de mais nada, para as pessoas envolvidas, pois o desejo primordial não pode ser outro se não o bem um do outro, experimentando a alegria do receber e do dar. É fecundo na procriação responsável dos filhos, na solicitude carinhosa por eles e na educação cuidadosa e sábia. O amor do casal é fecundo para a sociedade, porque a vida familiar é a primeira e insubstituível escola das virtudes sociais, tais como o respeito pelas pessoas, a gratuidade, a confiança, a responsabilidade, a solidariedade, a cooperação.

A vocação à vida familiar é nobre e bela. A realidade do amor é maravilhosa. A vida familiar construída no amor é força que pode transformar o universo, o mundo e a sociedade.

Dom Jaime Spengler
Arcebispo de Porto Alegre

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Ser discípulo https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/ser-discipulo/ Wed, 03 Apr 2019 14:49:36 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=54407 Na complexidade do momento histórico, vale a pena perguntar: o que significa o chamado ao discipulado de Jesus para um professor, operário, militar, político, pessoa de negócios, banqueiro, agricultor, estudante, pessoa engajada nos diferentes movimentos sociais? Não seria a questão do discipulado de Jesus uma questão para um número reduzido de pessoas? Ou seja, para aquelas pessoas que assumiriam um modo de vida especial?

A resposta a tais questões nem sempre foi fácil, recebendo as mais variadas interpretações.

Para procurar compreender o projeto de Jesus, decisivo é empenhar-se por captar o que Ele pedia das pessoas que acolhiam o convite de lançar-se no seu seguimento. Isso pressupõe o esforço para ultrapassar tradicionalismos, leis e práticas meramente humanas, ou seja, elementos demasiadamente humanos, institucionais e até mesmo doutrinais que talvez não encontrem reflexo no Evangelho. Ao mesmo tempo, porém, é necessário salvaguardar o esforço realizado por muitos ao longo da história para atualizar a mensagem de salvação anunciada pelo Homem de Nazaré.

O discipulado de Jesus é caminho de libertação do ser humano de todos os preceitos meramente humanos, de tudo o que oprime, provoca preocupações e tormentos à consciência. Não se pode esquecer o que diz o próprio Jesus: “O meu jugo é suave e o meu peso é leve” (Mt 11,30).

Compreende o que significa ser discípulo quem fez a experiência do encontro com o Senhor. A pessoa então escuta a sua Palavra, da qual nasce e se alimenta a fé. Na atenção à Palavra do Senhor e Mestre a pessoa se torna capaz de avaliar as decisões corretas em sua consciência para agir de acordo com Deus. Da escuta atenta, deriva o seguimento, ou seja, se passa a agir como discípulo, pois após ter escutado e acolhido interiormente o que o Mestre ensina, se empenha por viver de forma consequente.

Quando a pessoa se sente atingido por Jesus e seu Evangelho, percebe que “os seus mandamentos não são pesados” (1 Jo 5,3) e que Ele jamais pretende destruir a vida, mas, sim, conserva-la, promove-la, fortalece-la e cura-la.

O discipulado é alegria! É por isso que o Papa Francisco no início de sua primeira exortação apostólica afirmava que “a alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Quantos que se deixam salvar por Ele são li­bertados do pecado, da tristeza, do vazio inte­rior, do isolamento. Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria”.

Redescobrir a alegria do Evangelho, e consequentemente do ser discípulo do Senhor, é o grande desafio que o tempo da Quaresma lança a todos que se sentem necessitados de vida e vida em abundância (cf. Jo 10,10). Este tempo provoca e convoca a cultivar de forma ainda mais determinada o caminho do seguimento de Jesus Cristo. Trata-se de um caminho com reflexos na vida pessoal, comunitária e social. Por isso, a cada ano, a Igreja do Brasil apresenta a Campanha da Fraternidade como caminho de conversão quaresmal. O Evangelho – versão de Deus para a humanidade de todos os tempos – pressupõe a conversão pessoal e repercute na vida comunitária e social.

Dom Jaime Spengler
Arcebispo de Porto Alegre

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O que Suzano nos faz pensar https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/o-que-suzano-nos-faz-pensar/ Fri, 15 Mar 2019 17:53:12 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=54193 A cultura contemporânea é permeada por situações e desafios que provocam uma difusa “emergência educativa”. A educação dos indivíduos e sua formação nos verdadeiros ideais que sustentam e regem a convivência pacífica numa sociedade democrática é desafio que toca quem acredita na construção de um mundo justo e fraterno.

Há o processo educacional acadêmico convencional. Há também um processo que marca a constituição do indivíduo, nem sempre suficientemente considerado pelo ambiente acadêmico. Trata-se da dimensão humana das emoções, hábitos e aspirações, difícil de ser caracterizada.

A educação formal que recolhe informações contribui para o aprimoramento cultural, desenvolvendo valores externos e aquisitivos para o consumo imediato. Já os desafios éticos e comportamentais que implicam as estruturas íntimas da pessoa necessitam de abordagem adequada. É neste âmbito que se encontra o urgente antídoto à violência e à vulgaridade, presente em variados setores da sociedade.

Constata-se o crescente número de órfãos filhos de pais vivos, de adolescentes e jovens que se automutilam, se drogam e se suicidam. Esses números expressam situações complexas diante das quais a sociedade não consegue responder adequadamente.

A tragédia de Suzano requer atenção. Somente com o engajamento de quem acredita nos valores da paz, do respeito e do cuidado de uns para com os outros, será capaz de superar a crescente cultura da violência, promovida por setores da sociedade.

De um lado, a instituição familiar é achincalhada por expressões ideológicas obscuras. De outro, se encontram as instituições de ensino fragilizadas de tal modo que falta o mínimo necessário para que professores e educadores possam levar a bom termo sua missão.

Não se responde à insanidade e à estupidez com bravatas. O momento requer bom senso e disposição para contribuir na promoção de políticas públicas capazes de responder adequadamente às necessidades da sociedade.

Dom Jaime Spengler
Arcebispo de Porto Alegre (RS)
Presidente para a Comissão Episcopal para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB

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Bispos e padres consagram os óleos e realizam o Lava pés https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/bispos-e-padres-consagram-os-oleos-e-realizam-o-lava-pes/ Wed, 28 Mar 2018 14:49:26 +0000 http://teste.toqueto.com/bispos-e-padres-consagram-os-oleos-e-realizam-o-lava-pes.html O arcebispo de Porto Alegre (RS) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB, dom Jaime Spengler, um dos responsáveis pela elaboração do texto do tema central da 56ª Assembleia Geral dos bispos do Brasil que se realiza em Aparecida (SP), de 11 a 20 de abril falou ao portal da CNBB sobre o sentido das celebrações da quinta-feira Santa: a Missa Crismal e a missa do Lava-pés. Nesta celebração, que marca o início do Tríduo Pascal, se consagram os Santos Óleos do Crisma, dos Catecúmenos e dos Enfermos. “Pode-se dizer que na Quinta-feira Santa sela-se o Testamento da Nova Aliança, em torno dos sacramentos, especialmente da Eucaristia, e do novo mandamento, significado pelo lava-pés”. 

A ocasião, reforça o pastor, também é oportuna para rezar pelas vocações tendo em vista que muitas comunidades não contam com a presença de um sacerdote nem mesmo no período da Semana Santa. “Todas as comunidades são convocadas a rezar pelas vocações. Contudo é também importante que, neste caso, os próprios ministros ordenados tenham coragem suficiente para dizer aos adolescentes e jovens de nosso tempo que o ministério ordenado vale a pena; que vale a pena ser presbítero. Que gostamos do que somos e amamos o que fazemos”.

O arcebispo lembra que povo brasileiro vive momentos difíceis em função do descrédito em relação às instituições, à corrupção, ao desemprego e às drogas o que, segundo ele, abre brechas para o risco de se cair em radicalismos tanto de direita como de esquerda. Para ele, o Evangelho de Jesus Cristo apresenta um caminho para superação de todas as expressões de morte. “A Páscoa é a celebração dos prodígios de Deus ao longo da história da salvação: a libertação do povo da escravidão do Egito e a vitória de Cristo sobre a morte”, disse. Confira abaixo, a íntegra da entrevista.

A celebração da quinta-feira santa tem a ver com a missão dos ministros ordenados na Igreja? Qual?

Aqui tratamos da Missa Crismal que o Bispo concelebra com o seu presbitério (presbíteros diocesanos e presbíteros religiosos que atuam no território da Diocese) e durante a qual se consagram os Santos Óleos do Crisma, dos Catecúmenos e dos Enfermos. Esta concelebração é manifestação da comunhão dos presbíteros com o seu Bispo.

Nesta solene concelebração, os presbíteros, na confecção do óleo do Crisma são testemunhas e cooperadores do seu Bispo, de cujo múnus sagrado são participantes, edificando, santificando e conduzindo o povo de Deus. É conveniente que todos os presbíteros atuantes no território da Diocese estejam presentes na concelebração da Missa Crismal, exprimindo-se assim a unidade do presbitério.  Em muitas comunidades do Brasil, católicos ficam impossibilitados de ter a presença de um sacerdote na semana santa.

O senhor considera ser hora importante para a oração pelas vocações?

É fato que em muitas comunidades do imenso território brasileiro é impossível a presença do presbítero não só nestes dias da Semana Santa. Tal situação representa um forte apelo à reflexão e ao estudo, no sentido de encontrar meios para superar essa deficiência. Em tempos idos, os bispos da América Latina, reunidos em Puebla, afirmaram que “a Eucaristia orienta-nos de modo imediato para a hierarquia sem a qual ela é impossível; porque foi aos apóstolos que o Senhor deu o mandato de celebrá-la ‘em minha memória’ (Lc 22,19).

Os pastores da Igreja, sucessores dos apóstolos, constituem por isso mesmo o centro visível onde se constrói, aqui na terra a unidade da Igreja” (n. 247). Quase 30 anos depois, reunidos em Aparecida dão continuidade à reflexão dizendo que “os fiéis devem desejar a participação plena na Eucaristia dominical, pela qual também os motivamos a orar pelas vocações” (n. 253). É certamente sempre tempo de rezar pelas vocações! A oração pelas vocações é resposta à exortação do próprio Jesus: “Pedi ao Senhor da messe que envie operários” (Mt 9,38).

Há na Igreja um serviço de animação vocacional. Faz parte da pastoral orgânica da Igreja o trabalho em prol das vocações. Para este trabalho é necessário planejamento, estratégias, organização. No entanto, não se pode jamais esquecer que fundamental é seguir aquilo que Jesus ensina. Vocações é sobretudo questão de oração. Pode-se aqui lançar uma provocação: será que acreditamos na força da oração? Cremos verdadeiramente que o Senhor mesmo inspira e chama para o trabalho na sua messe?

Todas as comunidades são convocadas a rezar pelas vocações. Contudo é também importante que, neste caso, os próprios ministros ordenados tenham coragem suficiente para dizer aos adolescentes e jovens de nosso tempo que o ministério ordenado vale a pena; que vale a pena ser presbítero. Em poucas palavras: dizer aos nossos adolescentes e jovens que gostamos do que somos e amamos o que fazemos.

Qual a mensagem de Páscoa o senhor envia ao povo brasileiro?

A solenidade da Páscoa é expressão maior do amor de Deus pela humanidade. Deus não poupou o seu próprio Filho (Rm 8,32); Ele “amou tanto o mundo, que deu o seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16).

O nosso povo vive momentos difíceis! Há um certo descrédito em relação às instituições; a corrupção é uma realidade em distintos níveis da sociedade; a violência atinge números alarmantes, vitimando, sobretudo, os menos favorecidos; o desemprego se alastra como praga, roubando o sonho de muitos; a drogadição espalha a morte por toda parte. Faz falta um projeto de nação! Com isso se corre o risco de cair em radicalismos tanto de direita como de esquerda. É urgente a necessidade de espaços para uma autocritica, que envolva distintos setores da sociedade.

O Evangelho de Jesus Cristo apresenta um caminho para superação de todas as expressões de morte. Somente o amor é mais forte que a morte (Ct 8,6) . A Igreja, através de sua Doutrina Social, deseja cooperar ativamente para que se possa construir uma ‘terra sem males’.

A Páscoa é celebração dos prodígios de Deus ao longo da história da salvação: a libertação do povo da escravidão do Egito e a vitória de Cristo sobre a morte. Possa a celebração da Páscoa reacender em nosso povo a esperança. A esperança num Deus que nos ama e que deseja que todos tenham vida e vida em abundância.

Por CNBB

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Para onde vamos? https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/para-onde-vamos/ Mon, 18 Sep 2017 15:09:19 +0000 http://teste.toqueto.com/para-onde-vamos.html Há sinais contundentes de que a sociedade brasileira está fora dos eixos. Há quem diga que vivemos uma “metamorfose epocal”. Aquilo que até pouco tempo era impensável, tornou-se manchete no cotidiano. Observam-se mudanças radicais. As velhas certezas que até um tempo recente orientavam decisões se enfraquecem sempre mais e o novo ainda não surgiu.

A sociedade do risco possui a potencialidade de conduzir a humanidade à catástrofe, mas também de abrir estradas para algo inaudito, capaz de forjar uma sociedade marcada pela justiça, paz e fraternidade. A atividade política, orientada pela ética, tem a missão de perseguir o bem comum, atuando com vista à criação de um ambiente autenticamente humano em que a todos seja oferecida a possibilidade de um real exercício dos direitos humanos e de um pleno cumprimento dos respectivos direitos.

Fatos recentes lançam questões que exigem reflexão profunda. As muitas denúncias de corrupção e os elementos encontrados que as corroboram não mais produzem indignação! Produzem apatia e preocupante descrédito nas instituições. Enquanto a elite econômica encontra trânsito fácil nos corredores palacianos, parte da elite política ignora as condições de vida da maioria pobre da população.

A violência ganha contornos de guerra. Os indícios são inocultáveis. Corpos decapitados e esquartejados! Crianças vítimas de uma crueldade exacerbada. Estudantes de escolas elementares que rastejam pelo chão para se proteger do fogo cruzado de gangues lutando pelo controle do tráfico de drogas. Chacinas se tornaram algo comum! Vitimas de balas perdidas se tornaram notícia corriqueira. O toque de recolher imposto nos bairros e vilas de nossas cidades é uma realidade. Policiais que diariamente põem em risco a própria vida recebem o salário a conta-gotas…

Professores agredidos por adolescentes recebem um indigno salário parcelado. Sindicatos mais interessados em manter privilégios e interesses que representar e defender a categoria que representam. O desrespeito pelo imaginário da fé, agressões e desrespeito pelo o que é mais íntimo e sagrado no outro: sua fé e seu corpo, e os ataques discriminatórios à cultura judaico-cristã que contribuiu na nossa formação cultural é considerado algo normal. Onde chegamos?

O Brasil é reconhecido mundialmente pela desigualdade social e pela concentração da renda, pela pobreza e corrupção, pela criatividade e religiosidade. Urge promover uma séria reflexão sobre a realidade sócio-politica-econômica brasileira e de como se estende o direito à dignidade dos filhos e filhas desta nação. Para tanto se requer o cultivo da obra do discernimento. Discernimento significa avaliar, colocar à prova, distinguir, separar, julgar em vista do bem. Existe disposição das instituições para realizar tal obra?

Papa Francisco frequentemente pede que se reze por ele. Certamente uma solicitação habitual daqueles que são investidos de alguma responsabilidade não só na Igreja, mas também na sociedade. É que qualquer iniciativa que busque romper velhos hábitos sempre encontrará resistência. Por isso, se faz necessário conhecer a realidade que a todos envolve; urge fomentar espaços de diálogo entre pessoas que acreditam ser possível superar os desafios em vista de uma sociedade marcada pelo respeito das diferenças, pela justiça e fraternidade; é salutar promover o espírito de oração e devoção que permite cultivar a necessária compreensão de que ser humano algum é perfeito, e que a condição humana é marcada pelo pecado e resgatada pelo amor de Deus.

O novo que se faz necessário pressupõe cidadãos distintos e generosos, capazes de cultivar horizontes novos caracterizados pela ética e trabalhar verdadeiramente pelo bem comum.

Dom Jaime Spengler – Arcebispo metropolitano de Porto Alegre

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D. Jaime Spengler: “Novos bispos conhecerão complexidade da Igreja no Brasil” https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/d-jaime-spengler-novos-bispos-conhecerao-complexidade-da-igreja-no-brasil/ Mon, 14 Aug 2017 09:05:26 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=47878 Vinte e quatro recém-nomeados bispos pelo papa Francisco estarão reunidos na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília (DF), de hoje, 14, a 18 de agosto, no “Encontro para Novos Bispos”. Os novos membros do episcopado da Igreja no Brasil foram nomeados desde agosto do ano passado. Esta é a 28º edição do evento promovido pela Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB.

Segundo o presidente da Comissão, dom Jaime Spengler, esta é uma oportunidade dos novos bispos terem um contato mais intenso com a sede da CNBB. Para ele, o momento é também de integração do grupo recém-nomeado e, ao mesmo tempo, uma possibilidade de juntos abordarem alguns aspectos e temas que fazem parte do ministério do bispo. “Certamente irão conhecer a complexidade da Igreja presente no Brasil e isso ajuda é claro”, finaliza dom Jaime.

Padre Deusmar Jesus da Silva, assessor da Comissão, explica que durante a semana os novos bispos terão contato com temas pertinentes ao ministério episcopal como, por exemplo, a liturgia no mistério, a questão do Direito Canônico, a partilha que deve existir entre as dioceses e outros assuntos de cunho relevante.

O assessor reitera ainda que o grupo terá a oportunidade de conhecer o Centro Cultural Missionário (CCM), as Pontifícias Obras Missionárias (POM) e também o Congresso Nacional. “Além de tudo iremos fazer também uma visita à Nunciatura Apostólica, onde os bispos nomeados poderão desfrutar de um dia de encontro com o Núncio Apostólico no Brasil, dom Giovanni D’Aniello. Lá estudarão um tema junto ao Núncio no exercício do ministério”, completa.

O “Encontro para Novos Bispos” ocorre anualmente na sede da CNBB. Este é o ano em que a Comissão promove o evento para o maior número de bispos nomeados. Isto porque no ano anterior, em 2016, participaram um total de 20 bispos. “Neste ano chegamos a 24 bispos. Esta é a grande novidade, um número grande de bispos, e percebemos que estamos sempre nos aprimorando para atender esta demanda”, salienta padre Deusmar.

Agenda de exposições

Durante a semana, além das visitas, o grupo contará com uma série de palestras. Para isso, vários bispos foram convidados para expor seus conhecimentos sobre determinados assuntos. Na segunda, 14, o arcebispo de Curitiba, dom José Antônio Peruzzo falará sobre “O Bispo e a sua Missão”.

Na terça, os recém-nomeados contarão com uma palestra sobre “A solidariedade e Partilha na Igreja do Brasil”, ministrada por dom César Teixeira. Na quinta, 17, dom Edmar Perón falará sobre “Liturgia”.

Novos Bispos

Saiba quem são os novos bispos participantes do encontro, e suas respectivas dioceses:

Dom Edmilson Tadeu Canavarros – Bispo Auxiliar de Manaus – AM

Dom José Roberto Silva Carvalho – Bispo de Caetité – BA

Dom Wellington de Queiroz Vieira – Bispo Prelado de Cristalândia – TO

Dom Joel Portella Amado – Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro – RJ

Dom Paulo Alves Romão – Bispos Auxiliar do Rio de Janeiro – RJ

Dom Frei Rubival Cabral Brito – Bispo de Grajaú – MA

Dom Argemiro de Azevedo – Bispo de Assis – SP

Dom Otacílio Ferreira de Lacerda – Bispo Auxiliar de belo Horizonte – MG

Dom Geovane Luís da Silva – Bispo Auxiliar de Belo Horizonte – MG

Dom Edilson Soares Nobre – Bispo de Oeiras – PI

Dom Francisco Edimilson Neves Ferreira – Bispo de Tianguá – CE

Dom Vicente de Paula Ferreira – Bispo Auxiliar de belo Horizonte – MG

Dom Carlos Rômulo Gonçalves e Silva – Bispo Coadjutor de Montenegro – RS

Dom Edivalter Andrade – Bispo de Floriano – PI

Dom José Ionilton Lisboa de Oliveira – Bispo da Prelazia de Itacoatiara – AM

Dom Bruno Elizeu Versari – Bispo Coadjutor de Campo Mourão – PR

Dom André Vital Félix da Silva – Bispo de Limoeiro do Norte – CE

Dom Jacy Diniz Rocha – Bispo de São Luiz de Cáceres – MT

Dom Luiz Antonio Lopes Ricci – Bispo Auxiliar de Niterói – RJ

Dom Francisco Cota de Oliveira – Bispo Auxiliar de Curitiba – PR

Dom Amilton Manoel da Silva – Bispo Auxiliar de Curitiba – PR

Dom Juarez Delorto Secco – Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro – RJ

Dom Francisco de Assis Gabriel dos Santos – Bispo de campo Maior – PI

Dom Antonio de Assis Ribeiro – Bispo Auxiliar de Belém do Pará – PA

Por CNBB

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Semana Nacional de Atualização para Formadores de Seminários e Institutos https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/semana-nacional-de-atualizacao-para-formadores-de-seminarios-e-institutos/ Fri, 07 Jul 2017 15:14:33 +0000 http://teste.toqueto.com/semana-nacional-de-atualizacao-para-formadores-de-seminarios-e-institutos.html A Organização dos Seminários e Institutos do Brasil (Osib) realizará, de 10 a 14 de julho, em Aparecida (SP), a Semana Nacional de Atualização para Formadores. Este encontro refletirá sobre a “Ratio Fundamentalis Institutionis Sacerdotalis”, documento da Congregação para o Clero do Vaticano, que tem como tema “o dom da vocação presbiteral”, enfatizando a Dimensão Espiritual.

O encontro contará com assessoria de dom Jorge Patrón Wong, secretário da Congregação para o Clero no Vaticano, e de dom José Roberto Fortes Palau, bispo auxiliar de São Paulo e referencial da OSIB e contará com a participação de cerca de 230 padres do Brasil. 

A programação será composta por celebrações da eucaristia, liturgia das horas e reflexões feitas pelos assessores. Além da presidência da Osib, o encontro contará com a presença de dom Jaime Spengler, presidente da Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada  e dos assessores da comissão padre Deusmar Jesus da Silva e padre João Candido da Silva Neto.
 
Ratio Fundamentalis Institutionis Sacerdotalis”
 
A Congregação para o Clero (Santa Sé) publicou, dia 08 de dezembro de 2016, a “Ratio fundamentalis institutionis sacerdotalis”, decreto orientador para a formação de padres católicos, na qual sublinha a importância da “formação integral” e da maturidade psíquica, sexual e afetiva.

‘Ratio fundamentalis institutionis sacerdotalis´é atualizada 46 anos depois, procurando unir de “modo equilibrado as dimensões humana, espiritual, intelectual e pastoral, através de um caminho pedagógico gradual e personalizado”.

O decreto defende ainda que deve ser prestada “máxima atenção ao tema da tutela dos menores e dos adultos vulneráveis”, evitando admitir ao seminário pessoas ligadas a “delitos ou situações problemáticas” relacionadas com abusos sexuais.

Para o cardeal Beniamino Stella, três palavras-chave são fundamentais para a compreensão do documento são “humanidade, espiritualidade e discernimento”. O texto realça a importância de não limitar a avaliação ao percurso acadêmico dos candidatos ao sacerdócio. O novo decreto, intitulado ‘O dom da vocação presbiteral’, de mais de 80 páginas, está disponível na internet.  Acesse-o na íntegra aqui: Ratio Fundamentalis Institutionis Sacerdotalis”

Por CNBB

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“A messe é grande mas os operários são poucos”, afirma dom Jaime Spengler https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/a-messe-e-grande-mas-os-operarios-sao-poucos-afirma-dom-jaime-spengler/ Fri, 23 Jun 2017 16:27:52 +0000 http://teste.toqueto.com/a-messe-e-grande-mas-os-operarios-sao-poucos-afirma-dom-jaime-spengler.html Tradicionalmente durante o mês de agosto, a Igreja no Brasil convida os fiéis a refletirem sobre as vocações, é o chamado ‘mês vocacional’. Este ano, a atividade proposta pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em parceria com a Pastoral Vocacional tem como tema “A exemplo de Maria, discípulos missionários” e o lema “Eis-me aqui, faça-se”. A iniciativa busca motivar a oração pelas vocações nas comunidades, paróquias e dioceses, além de conscientizar adolescentes e jovens ao chamado de servir a Igreja.

O arcebispo de Porto Alegre e presidente da Comissão para os Ministérios Ordenados da CNBB, dom Jaime Spengler explica que a escolha da temática se deu por ‘Nossa Senhora ser exemplo de mulher de oração’. “A oração é também o pedido que Nosso Senhor faz aos discípulos quando vê o tamanho da messe sem o número suficiente de pastores, a messe é grande mas os operários são poucos”, explica.

Para ele, a intenção deste ano é justamente alertar para o número de vocações sacerdotais e religiosas no Brasil. “É pedir ao Senhor da messe que envie operários. A oração é o meio privilegiado para suplicar, pedir ao Senhor que envie esses operários que a Igreja tanto precisa. O nosso povo sedento de Deus, sedento de transcendência, sedento do Evangelho necessita de pastores, de pessoas capazes de anunciar essa palavra como fez Maria, isto seja no Ministério Ordenado, seja através da Vida Consagrada, seja através do anuncio catequético, nas diversas atividades do cotidiano e também no mundo leigo”, destacou.

O mês vocacional é também celebrado no contexto do Ano Nacional Mariano, proclamado pela CNBB, por ocasião dos 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida, no Rio Paraíba do Sul. Por isso, a escolha da temática dedicada a Nossa Senhora também se fez presente. “A Igreja no Brasil realmente deseja neste mês de agosto de 2017 promover um grande mutirão e dentro das comemorações dos 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida, realmente suplicar ao céu que não falte operários para a vinha. Esperamos que muitos jovens do sexo feminino, do sexo masculino possam responder como fez Maria: Eis-me aqui, faça-se segundo a tua palavra”, finalizou.

Material de apoio

Para ajudar nas reflexões do mês vocacional, a Comissão para os Ministérios Ordenados e a presidência nacional da Pastoral Vocacional/SAV todo ano propõe subsídio, editado pela Edições CNBB. Dessa vez, o material oferece um tríduo de oração pelas vocações.

Segundo o coordenador nacional da Pastoral Vocacional, padre Elias Silva, a proposta é oferecer celebrações vocacionais em torno da Palavra, momentos onde a comunidade possa se alimentar da Palavra rezando pelas vocações. “É uma forma de rezar pelas vocações e com todos os vocacionais seja pela vida religiosa, consagrada e todas as outras formas”.

Dom Jaime explica que com o subsídio, a Pastoral Vocacional do Brasil deseja promover a partir da Sagrada Escritura uma abordagem particular em torno da temática das vocações. “Nós acreditamos que a Leitura Orante da palavra é capaz de iluminar as buscas de todo ser humano e é a partir da Sagrada Escritura que nós podemos melhor compreender o que significa fazer a vontade de Deus, então foi preparado um pequeno subsídio para favorecer essa reflexão e essa oração também nas nossas comunidades, tendo sempre como pano de fundo a Sagrada Escritura, porque é a partir da Palavra que nós encontramos orientações seguras para as iniciativas da comunidade de fé”, destacou.

O material já está à venda no site da ‘Edições CNBB’.

Clique aqui e escute o hino do mês vocacional e baixe a partitura.

Por CNBB

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