Dom Edney Gouvêa Mattoso - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br Site oficial da Diocese de Uruaçu - GO Wed, 24 Jan 2018 10:47:38 +0000 pt-BR hourly 1 https://old.diocesedeuruacu.com.br/wp-content/uploads/2018/12/cropped-favicon-32x32.png Dom Edney Gouvêa Mattoso - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br 32 32 170539269 Plano de vida https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/plano-de-vida/ Wed, 24 Jan 2018 10:47:38 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=50416 Caros amigos, transcorridos os primeiros dias do ano, que traz consigo a esperança de progresso e felicidade, não podemos nos esquecer da urgência de nossa missão. O tempo nesta terra é um presente maravilhoso do Criador que nos dá, por amor, uma vida plena. De fato, o mundo precisa de homens e mulheres que desejem viver com Deus, irradiá-lo, não pelo gosto da fama, mas pela superabundância de vida interior.

Deste modo, precisamos de um plano. Vejo constantemente os que olham para o ano de 2018 e falam de “planos de cursos”, “planos de orçamentos”, “planos de viagens”, “planos de investimentos”, “planos de previdência”, “planos para os filhos”… talvez seja o momento de ousarmos um verdadeiro “plano de vida”.

Se a vida é a preciosa e a única existência que teremos nesta terra, em um determinado momento precisamos parar e pensar o que estamos fazendo com ela. Qual o valor que dou ao meu tempo? Como o estou gastando? Que garantias tenho da boa aplicação deste investimento?

Passam os dias e as horas cada vez mais depressa, por causa do ritmo frenético destes tempos modernos. Caminhamos, andamos rápido, corremos o tempo todo. Mas não deixaremos um rastro fecundo atrás de nós se não nos decidirmos, de uma vez por todas, por Deus: Precisamos dizer sim a Deus!

Entretanto, este sim não é uma obra qualquer. Exige cálculo, passos, pequenas e grandes mudanças: exige um plano. Por exemplo: seria ingenuidade pensar que praticaremos o Evangelho de Jesus Cristo hoje, se não tomamos nem cinco minutos para lê-lo e nos custa recordar uma parábola que seja; ou ainda, não podemos dizer que somos íntimos de Deus se não falamos com Ele, se não experimentamos um momento reconfortante de oração diária, acompanhado daquele silêncio que tantos e tantas fazem diante do televisor e celulares; também nunca expulsaremos as trevas do pecado de nossos corações sem procurar o sacramento da reconciliação ou sem o alimento da Eucaristia.

Ainda falta, para que nosso plano seja verdadeiramente cristão, uma peça fundamental: o amor e o cuidado pelos necessitados, a fraternidade nascida do Espírito de Jesus Cristo. Completo esta ideia com palavras de nosso amado Papa Francisco: “Escreve São Pedro Fabro no seu Memorial que o primeiro movimento do coração deve ser o de ‘desejar o que é essencial e originário, ou seja, que o primeiro lugar seja deixado à solicitude perfeita de encontrar Deus nosso Senhor’ (Memorial, 63) (…). Só estando centrados em Deus é possível caminhar rumo às periferias do mundo!” (03/01/2014).

Por Dom Edney Gouvêa Mattoso – Bispo de Nova Friburgo (RJ)

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Hoje nasceu para nós o Salvador! https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/hoje-nasceu-para-nos-o-salvador/ Wed, 20 Dec 2017 10:02:40 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=50241 Caro amigo aproxima-se o Natal. Na cidade, é notória a mobilização das pessoas: o clima natalino invade ruas e praças, as casas são enfeitadas de luzes e todos aguardam ansiosos a troca de presentes e o sonoro “Feliz Natal!”.

Essas comemorações são legítimas quando expressam a alegria de nossos corações por nosso Pai ter-nos dado a salvação enviando-nos seu Filho único. “Quando se completou o tempo previsto, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sujeito à Lei, a fim de resgatar os que eram sujeitos à Lei e para que todos recebêssemos a filiação adotiva” (Gl 4, 4s). A frágil criança deitada na manjedoura, envolvida em faixas, adorada pelos magos e pastores, nos resgatou de nossa orfandade e nos deu a dignidade de filhos de Deus.

Quando celebramos a natividade de Jesus devemos ter a consciência de que ela se manifesta a nós todos os dias e não pode ser compreendida como um evento ocorrido há mais de 2 mil anos e que não possui valor atual. Ao nascer, o Verbo encarnado abriu as portas da eternidade santificando, de uma vez por todas, o nosso tempo: os dias, os séculos, os milênios. O seu nascimento fez do tempo um “hoje” de salvação” (Cfr. Homilia de São João Paulo II, 24 dez. 2000).

A Igreja reza na liturgia: “No momento em que Vosso Filho assume nossa fraqueza, a natureza humana recebe uma incomparável dignidade: ao tornar-se ele um de nós, nós nos tornamos eternos.” (Prefácio da Or. Eucarística do Natal III).

Comemorar o Natal é, portanto, comemorar a vida eterna que nos foi dada, a garantia de que nosso natal para Deus será o coroamento da existência pois, ao nascer segundo a carne, Deus assume a nossa morte para nos levar do temor do fim para a certeza da eternidade feliz. Este nascer deve iluminar a existência humana cabendo a nós a responsabilidade de sermos seus mensageiros; conduzindo a luz de Cristo às grutas escuras e frias de nossos corações. Essas ações precisam fazer ressoar todos os dias o antigo e sempre novo anúncio do Natal do Senhor: Hoje nasceu para nós o Salvador!

Sejamos pois, inspirados pelos pastores e magos, que, iluminados pela fé, atravessaram as trevas que envolviam a terra e encontraram a “Grande Luz”. Sem dúvida, como no passado, o mundo está envolto em muitas sombras geradas pelo fechamento dos corações a uma realidade que não pode ser vivida apenas no exterior, na aparência de uma felicidade frágil e passageira. A troca de presentes deveria nos lembrar que esse menino nascido em Belém, se fez – Ele mesmo – presente para todos e nos ensinou a fazer o mesmo. “Amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei” (Jo 13, 34).

Só assim as nossas palavras deixarão de ser simples augúrios de uma festa anual para se converterem em compromisso na construção de uma sociedade alicerçada na concórdia, onde Justiça e Paz se abraçarão.

Um Santo e Feliz Natal a todos!

Por Dom Edney Gouvêa Mattoso – Bispo de Nova Friburgo (RJ)

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Detalhes https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/detalhes/ Wed, 25 Oct 2017 10:13:53 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=49219 Caros amigos, nossas reflexões lançam um olhar global sobre a participação conjunta da vocação religiosa e leiga na educação.

A unidade na diversidade, fator inquestionável na escola, nunca foi empecilho para propagação da Boa Notícia, pois a própria Igreja sempre foi entendida de modo orgânico (cfr. ICor 12). Entretanto, numa sociedade ao mesmo tempo global e diversificada, local e planetária, que hospeda diversos e contrastantes modos de interpretar o mundo e a vida, reconhecemos que os desafios para uma educação global são maiores.

“Neste contexto, torna-se particularmente urgente oferecer um percurso de formação escolar que não se limite à fruição individualista e instrumental de um serviço apenas em vista de um título que deve ser obtido. Além da aprendizagem dos conhecimentos, é necessário que os estudantes façam uma experiência de forte partilha com os educadores” (Cfr. Educar juntos na escola católica missão partilhada de pessoas consagradas e fiéis leigos, 2). Falamos de uma comunidade educativa, baseada na comunhão de vida que vem da fé em Cristo.

Se o papel da educação é o de formar o homem, um ser naturalmente social, esta tarefa só poderá acontecer num contexto relacional e comunitário. Não é por acaso que o primeiro e originário ambiente educativo é constituído pela comunidade natural da família.

Para esta visão de unidade na missão educativa encontra-se a opção dos fiéis leigos de viver esta tarefa como uma vocação pessoal na Igreja e não só como a prática de uma profissão, e a escolha das pessoas consagradas, porque são chamadas a viver os conselhos evangélicos e a levar o humanismo das bem-aventuranças ao campo da educação e da escola (Cfr. Idem, 6).

Somente ao reconhecermos a realidade da comunhão como um dom de Deus, poderemos de fato vivê-la e cultivá-la. Esta ideia também é importante para a instância da sociedade civil que quer eliminar o ensino religioso confessional e plural das escolas – apesar da decisão favorável do Supremo Tribunal Federal que “determinou, por seis votos a cinco, que as escolas públicas podem oferecer ensino religioso confessional, permitindo que as aulas sejam ministradas pelo representante de apenas uma determinada crença” (Jornal O Globo, 28/09/2017) – para servir a uma visão puramente material do homem, esquecendo-se que este também possui uma dimensão espiritual. É tarefa do Estado zelar pelo bem global do homem e não somente de seu aspecto produtivo e lucrativo.

Por Dom Edney Gouvêa Mattoso – Bispo de Nova Friburgo (RJ)

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Lutar contra o mal https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/lutar-contra-o-mal/ Wed, 20 Sep 2017 08:00:41 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=48565 Caros amigos, todos os dias temos a missão de revigorar a memória de Deus e de Seu chamado de amor em nossas vidas. Tal atitude não é passiva, pois o caminho de nossa vocação tem obstáculos e muitos são os que se levantam no mundo contra Cristo e Seu Evangelho de Amor.

Isso não é uma novidade, pois a Igreja de Deus sempre sofreu com o “mar revolto” e os “ventos contrários” (Cf. Mt 14, 22-33), realidade esta que foi transmitida pelo Concílio Vaticano II nestes termos: “A Igreja prossegue a sua peregrinação no meio das perseguições do mundo e das consolações de Deus, anunciando a cruz e a morte do Senhor até que Ele venha” (cfr. Cor. 11,26) (LG, 9).

Sem dúvida, a identidade de alguém pode ser entendida a partir das ideias que defende, mas não é menos verdade que conhecemos alguém quando descobrimos “contra o que ele luta”. O mundo não somente carece da luz de Cristo, frente ao que temos a vocação de ser “sal e luz” (Cf. Mt 5, 13-14), mas também é constantemente combatido pelas trevas da ignorância e do egoísmo, frente ao que precisamos tomar uma posição. Lembremos o que ensina São Paulo: “não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal pelo bem” (Rm 12, 21).

Nesta batalha, ensina o Concílio, “(A Igreja) é robustecida pela força do Senhor ressuscitado, de modo a vencer, pela paciência e pela caridade, as suas aflições e dificuldades tanto internas como externas, e a revelar, velada mas fielmente, o seu mistério, até que por fim se manifeste em plena luz” (LG, 9).

É importante recordar que em sua caminhada histórica a Igreja se opõe ao mal sendo ela mesma ferida em seus membros. Porém, isto não pode nos acovardar, ao contrário, manifesta ainda mais claramente a origem santa de nossa vocação e missão, fazendo brilhar em meio às limitações humanas o esplendor da Verdade Divina.

Esta verdade e bondade que vêm de Deus é Jesus Cristo, o Filho Amado, que, ao mesmo tempo em que cura os membros doentes e vacilantes da Igreja, é alimento e salvação para o mundo inteiro “para iluminar os que jazem nas trevas, na sombra da morte, e dirigir nossos passos no caminho da paz” (Lc 1, 79).

A Igreja existe para proclamar a Vida e Ressurreição de Jesus, esta é sua bandeira e sua arma contra todo mal e egoísmo que há. Oxalá vivêssemos plenamente esta realidade e dispuséssemos de tudo o que somos e temos para levar esta luz de verdade até os confins da terra.

Por Dom Edney Gouvêa Mattoso – Bispo de Nova Friburgo (RJ)

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A vocação do leigo https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/a-vocacao-do-leigo/ Thu, 31 Aug 2017 08:01:25 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=48208 Caros amigos, todos somos chamados à santidade. Ao mesmo tempo, cada pessoa é importante aos olhos do Senhor, que convida individualmente aos homens e mulheres de boa vontade a participarem de Seu plano de amor. Por isso, podemos dizer que cada pessoa neste mundo tem uma particular missão e insubstituível responsabilidade na construção do Reino de Deus.

Os leigos, ou seja, os fiéis que não receberam a Sagrada Ordenação nem fizeram votos públicos dos conselhos evangélicos, são chamados por Deus a assumir com grande amor e generosidade sua missão específica na Igreja e no mundo.

Assim ensina o Catecismo da Igreja Católica: “É específico dos leigos, por sua própria vocação, procurar o Reino de Deus exercendo funções temporais e ordenando-as segundo Deus… A eles, portanto, cabe de maneira especial iluminar e ordenar de tal modo todas as coisas temporais, às quais estão intimamente unidos, que elas continuamente se façam e cresçam segundo Cristo e contribuam para o louvor do Criador e Redentor” (n. 898).

Quando os leigos não assumem sua tarefa evangelizadora, todo o mundo sofre graves consequências. Por sua índole “secular”, esses fiéis podem iluminar os importantes ambientes da vida social, desde as famílias – primeira célula da sociedade – até as estruturas políticas e econômicas, cujas ações repercutem na vida de todos.

Percebemos que dois grandes perigos ameaçam a verdadeira missão do leigo. Por um lado, a cultura do bem-estar, que faz com que muitos fiéis evitem tarefas apostólicas ou outros compromissos cristãos que lhes possam roubar o seu “precioso” tempo livre (Cfr. EG, 30). Por outro lado, alguns setores da Igreja fazem uma má interpretação do que deve ser a valorização da missão dos leigos colocando-os apenas em tarefas no seio da Igreja (cfr. EG, 102), e não formando lideranças para os difíceis e urgentes campos sociais como a política, a caridade social, a produção intelectual em defesa da fé e a educação da juventude.

Os leigos sempre foram a vocação mais abrangente e evangelizadora da Igreja. Mesmo onde os sacerdotes e religiosos não podiam atender adequadamente, lá um exército de batizados e batizadas mantinha a fé com a devoção popular e um profundo sentido de temor de Deus, como atesta a história da evangelização de nossa Diocese. Falta que toda a Igreja cresça na consciência da missão evangelizadora do leigo e sua enorme boa vontade, que conta com a luz do Espírito Santo.

Por Dom Edney Gouvêa Mattoso – Bispo de Nova Friburgo (RJ)

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Uma verdade para todo homem e para a história https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/uma-verdade-para-todo-homem-e-para-a-historia/ Mon, 07 Aug 2017 11:17:27 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=47698 Caros amigos, a Eucaristia é um tesouro inexaurível de graça e vida cristã. Precisamos conhecê-la melhor, para melhor vivê-la e melhor “comunicá-la”.

Na transmissão da Boa Nova ao mundo, objeto próprio da missão, a Eucaristia aparece como um verdadeiro “critério de valorização de tudo o que o cristão encontra nas diversas expressões culturais” (Sacramentum Caritatis, 78).

Sabemos que Jesus Cristo viveu em um tempo e lugar concretos e aí pregou a Boa Nova; os apóstolos transmitiram posteriormente esta mensagem a outros povos, num primeiro movimento de “inculturação do Evangelho”. A Santa Igreja continuamente experimentou, e experimenta, em sua história esta mesma tarefa.

Na verdade, a “inculturação” não só é necessária para que a Palavra de Deus ganhe espaço em sociedades estranhas ao cristianismo, mas também se faz urgente em nossos países de maioria cristã. Também eles precisam passar por uma nova evangelização com novos meios e novo ardor. Para tanto, um critério que não pode ser esquecido é que a medida desta adaptação será sempre o Mistério de Cristo, e não uma cultura determinada ou uma ideologia. O Sínodo sobre a Eucaristia do ano de 2005 nos ensinou que: “O mistério eucarístico nos põe em diálogo com as várias culturas, mas também as desafia”. (Idem). Poderíamos, então, nos perguntar: De que modo as desafia?

Assim o explica o Concílio Vaticano II: “A boa nova de Cristo restaura constantemente a vida e a cultura do homem decaído, combate e remove os erros e os males decorrentes da sempre ameaçadora sedução do pecado. Purifica e eleva incessantemente os costumes dos povos. Com as riquezas do alto ele fecunda, como que por dentro, as riquezas do espírito e os dotes de cada povo e de cada idade, fortifica-os, aperfeiçoa-os e restaura-os em Cristo. Deste modo a Igreja, cumprindo a própria missão, por isso mesmo estimula a civilização humana e contribui para ela, e, por sua ação, também litúrgica, educa o homem para a liberdade interior”. (GS, 58). E ainda: “a cultura deve estar subordinada à perfeição integral da pessoa humana, ao bem da comunidade e da humanidade inteira” (Idem, 59).

Assim, nossa missão não é propagar um modelo determinado, mas evangelizar as culturas e os corações, para que todos cheguem à perfeição em Cristo. “Temos a obrigação de promover convictamente a evangelização das culturas, na certeza de que o próprio Cristo é a verdade de todo homem e da história humana inteira”. (Sacramentum Caritatis, 78).

Por Dom Edney Gouvêa Mattoso – Bispo  de Nova Friburgo (RJ)

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Príncipe da Paz https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/principe-da-paz/ Wed, 19 Apr 2017 10:09:30 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=45552 Caros amigos, o horror de uma guerra total volta e meia bate à porta da história da humanidade como um fantasma, que desmascara a utopia iluminista do “mundo maravilhoso da ciência e da razão”. Entretanto, a Igreja de Cristo continua levando sua mensagem de esperança e salvação “sobre os telhados” do mundo, muitas vezes em ambientes céticos e hostis. E isto porque Cristo Ressuscitou! Aleluia!

Diante do reconhecimento sincero de que precisamos de um Salvador, a fé nos apresenta Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, como único Salvador da humanidade.

Em um primeiro momento, podemos dizer que Cristo é o Salvador da história por nos apontar um caminho possível de progresso integral baseado na conversão do coração ao amor, à fraternidade, ao perdão, ao serviço e a tantas outras realidades fundamentais ao bem comum mundial.

Mas, em um segundo momento, cremos que Jesus é Salvador do mundo por apresentar um caminho mais elevado do que o do bem-estar material. “Sem a perspectiva duma vida eterna, o progresso humano neste mundo fica privado de respiro. Fechado dentro da história, está sujeito ao risco de reduzir-se a simples incremento do ter; deste modo, a humanidade perde a coragem de permanecer disponível para os bens mais altos, para as grandes e altruístas iniciativas solicitadas pela caridade universal” (Bento XVI, CV, 11).

Portanto, a Ressurreição de Cristo, que celebramos especialmente neste tempo, é um desafio à nossa humanidade. Pois, não basta ao homem fazer coisas boas, é necessário que ele mesmo seja bom!

Inegavelmente esta meta é alta, mas é a única que pode nos levar à paz, que supera o bem-estar pessoal para abrir caminho à fraternidade, com todos os sacrifícios e renúncias que isto traz consigo.

Em sua mensagem de 01/01/2014, o Papa Francisco propôs a seguinte questão: “Conseguirão, meramente com as suas forças, vencer a indiferença, o egoísmo e o ódio, aceitar as legítimas diferenças que caracterizam os irmãos e as irmãs?”. E ele mesmo responde que “a cruz é o ‘lugar’ definitivo de fundação da fraternidade que os homens, por si sós, não são capazes de gerar. Jesus Cristo, (…) por meio da sua ressurreição constitui-nos como humanidade nova, em plena comunhão com a vontade de Deus, com o seu projeto, que inclui a realização plena da vocação à fraternidade”.

Olhemos para Jesus Cristo, Morto e Ressuscitado! Ele é o Príncipe da Paz! Ele é o caminho e o modelo da humanidade sem males!

Por Dom Edney Gouvêa Mattoso – Bispo de Nova Friburgo (RJ)

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O homem foi feito para amar https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/o-homem-foi-feito-para-amar/ Thu, 30 Mar 2017 09:29:39 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=45202 Caros amigos, o homem foi criado por Deus como um ser social, capaz de conhecer e amar os seus semelhantes. Assim ensina o Catecismo da Igreja Católica: “A pessoa humana tem necessidade da vida social. Esta não constitui para ela algo de acessório, mas uma exigência da sua natureza. Graças ao contato com os demais, ao serviço mútuo e ao diálogo com os seus irmãos, o homem desenvolve as suas capacidades, e assim responde à sua vocação” (n. 1879).

Esta fraternidade tem sua raiz mais íntima na unidade das Pessoas Divinas – Pai, Filho e Espírito Santo (Cfr. Catecismo, 1878). Da mesma forma, o ser humano também necessita de relações espirituais, tais como: amizade, aprendizagem, confiança, misericórdia e, sobretudo, amor. Certamente, o caminho para a realização humana é o amor, concretizado nos principais mandamentos da lei do Senhor: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo (Cfr. Mt 22, 36-39 e IJo 4, 20-21). Por isso, na Quaresma, somos convidados a refletir sobre nossa vida de amor efetivo para com Deus e nossos semelhantes, com todas as suas consequências.

Sabemos que as exigências do amor ao próximo muitas vezes impedem o homem moderno de viver sem conflitos, pois o amor pede iniciativas e renúncias que custam. Felizmente, a atual sociedade tem avançado no diálogo, abrindo espaços de convivência e compreensão mútuas em meio à diversidade de pensamentos vigentes. Por outro lado, isto não significa, como temos percebido, a demolição de valores que constituem os pilares fundamentais de uma sociedade sadia.

A consequência deste quadro é o esfriamento das relações com nossos semelhantes e uma grande crise no sentido da vida. A este respeito, diz o Papa Francisco: “Quase sem nos dar conta, tornamo-nos incapazes de nos compadecer ao ouvir os clamores alheios, já não choramos à vista do drama dos outros, nem nos interessamos por cuidar deles, como se tudo fosse uma responsabilidade de outrem, que não nos incumbe” (EG, 54).

Infelizmente, a indiferença sempre fez parte da trajetória humana. Porém, agora você está atuando na história e pode contribuir para a mudança deste quadro. Para isso, é preciso uma decisão resoluta pela conversão. Diz a Palavra de Deus: “Filhinhos, não amemos só com palavras e de boca, mas com ações e de verdade!” (1Jo 3, 18).

Assim, qual tem sido seu gesto concreto de caridade nesta Quaresma? Desejo que ele seja o princípio de uma vida mais plena de amor e que marque toda a sua existência, apesar das possíveis consequências.

Por Dom Edney Gouvêa Mattoso – Bispo de Nova Friburgo (RJ)

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O sofrimento por trás das drogas https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/o-sofrimento-por-tras-das-drogas/ Fri, 03 Feb 2017 11:04:36 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=44236 Caros amigos, o tráfico e o consumo de drogas ilícitas são um terrível sofrimento social, atingindo milhares de pessoas em nosso país. Famílias de dependentes, comunidades reféns da violência do tráfico e das milícias e as inumeráveis redes criminosas de lavagem de dinheiro e manipulação política são alguns problemas críticos desta situação.

Não há lugar livre deste grande mal e, por isso, são necessárias ações efetivas em todas as Paróquias e comunidades. Nossas armas de resistência contra este mal são a onipotente graça de Deus e a caridade fraterna.

Em princípio, é importante perceber que toda esta rede de violência baseia-se na fragilidade de nossa natureza, passível de vícios de todo tipo. Assim, todas as repressões legais e policiais contra o tráfico cuidam dos sintomas de uma sociedade doente, em que os vícios funcionam como compensação ao déficit de amor nos corações frágeis. Mas o cuidado com a pessoa atinge diretamente a causa do problema.

Ninguém está imune aos vícios, mas há grupos mais vulneráveis. Estes não se caracterizam primordialmente pela desigualdade econômica, como muitos tendem a afirmar, mas coincidem na busca por prazeres imediatos e pela fuga da realidade, fatores continuamente denunciados como um grave problema social pelo Papa Francisco. (Cfr. Evangelii Gaudium 62)

É preciso destacar que o sofrimento que leva às drogas tem entre outras causas a crescente desagregação familiar e a ausência de um comprometimento decisivo no campo da educação. Quando as relações familiares se desorientam ou deixam de existir, a sociedade perde a oportunidade de receber homens e mulheres formados na esteira do amor e das virtudes. Ao mesmo tempo, a sociedade também sofre por falta de políticas educacionais que verdadeiramente promovam a formação integral da pessoa.

Sem esses dois eixos basilares de uma sociedade sadia e forte, crescem a violência, as tragédias e o recurso às drogas. Tanto a violência como a fuga da realidade são grandes flagelos da ordem social e da convivência humana pacífica, que impedem o progresso de uma nação. Profetizou o antropólogo Darcy Ribeiro em 1982: ”se os governadores não construírem escolas, em 20 anos faltará dinheiro para construir presídios”.

Por isso, no que diz respeito aos jovens, que estão desenvolvendo sua personalidade, é fundamental uma formação humana integral baseada no amor e na verdade, que lhes dará instrumentos suficientes não só para descartar os caminhos errados, mas também uma consciência crítica bem formada que o torna capaz de perceber e agir conforme os princípios da verdade, justiça e fraternidade que se traduzem por um compromisso decidido no serviço à vida de seus semelhantes e à construção de uma sociedade mais humana.

Nenhuma iniciativa é fácil, mas não podemos assistir de braços cruzados, os jovens caindo nas drogas, as famílias definhando, as mortes de inocentes e a ampliação das “cracolândias”. O clamor de tanta dor chega ao Coração Deus, que pede de nós uma ação concreta. É preciso quebrar esta corrente do mal!

Dom Edney Gouvêa Mattoso – Bispo de Nova Friburgo (RJ)

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Deus, o mundo e o sacramento do matrimônio https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/deus-o-mundo-e-o-sacramento-do-matrimonio/ Wed, 25 Jan 2017 11:23:25 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=44114 Caros amigos, sem a presença do Espírito Santo todas as realidades humanas perdem seu brilho original e produzem somente vazio e sofrimento. Assim acontece também com o matrimônio cristão.

Causa-nos tristeza perceber que o matrimônio, querido e santificado por Deus, torna-se cada vez mais opaco no discurso moderno, como se fosse uma simples instituição humana e, portanto, opinável e modificável. A voz da Igreja será sempre dissonante neste cenário, uma vez que esta possui a missão de pregar a verdade da Palavra de Deus ensinada por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Infelizmente, a sociedade vem perdendo o foco do sentido pleno do casamento e da família, o que gera a produção de discursos vazios que privam a família de seus mais belos valores, afetando o respeito, a fidelidade e o amor conjugal.

Tais discursos dissociam a família da transmissão da vida, da educação dos filhos, da unidade e fidelidade e da segurança. A instituição familiar aparece sob a sombra da morte e do aborto, da interrupção na transmissão dos valores cristãos, da infidelidade e da violência. Num quadro assim pintado, é difícil perceber o matrimônio como um caminho autêntico de realização, alegria e salvação. E, justamente por isso, este sacramento precisa ser mais veementemente pregado e vivido por todos os cristãos com o auxílio do Espírito Santo, que é fonte de graça e verdade.

Gostaria de terminar o artigo citando uma emblemática homilia de São João Paulo II: “O Espírito grava nos vossos corações a lei de Deus sobre o matrimônio. Não está escrita somente fora: na Sagrada Escritura, nos documentos da Tradição e do Magistério da Igreja. Está gravada também dentro de vós. É esta a Nova e Eterna Aliança, de que fala o profeta, que substitui a Antiga e restitui o seu primitivo esplendor à Aliança original com a Sabedoria criadora, inscrita na humanidade de cada homem e de cada mulher. É a aliança no Espírito, sobre a qual fala São Tomás que ‘a lei Nova é a mesma graça do Espírito Santo’ (Suma Teológica, I, II, 9, 108, ou 109, a. 1). A vida dos cônjuges, a vocação dos pais exige uma perseverante e permanente cooperação com a graça do Espírito que vos foi concedida mediante o sacramento do matrimônio, para que esta graça possa frutificar no coração e nas obras, a fim de poderem dar frutos sem cessar e não definhem por causa da nossa pusilanimidade, infidelidade ou indiferença”. (02/11/1982)

Deus abençoe a todos!

Por Dom Edney Gouvêa Mattoso – Bispo de Nova Friburgo (RJ)

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