Dom Aloísio A. Dilli - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br Site oficial da Diocese de Uruaçu - GO Thu, 12 Sep 2019 19:21:48 +0000 pt-BR hourly 1 https://old.diocesedeuruacu.com.br/wp-content/uploads/2018/12/cropped-favicon-32x32.png Dom Aloísio A. Dilli - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br 32 32 170539269 Ministério e celebração da Palavra https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/ministerio-e-celebracao-da-palavra/ Thu, 12 Sep 2019 19:21:48 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=56738 Estamos no mês da Bíblia e voltamos a refletir sobre a importância das celebrações da Palavra de Deus. É inquestionável a veneração da Palavra na vida e missão da Igreja de todos os tempos, mas nem sempre se lhe deu o devido valor de culto (cf. OLM 10). Prova disso é a dificuldade dos fiéis em participar de celebrações da Palavra. Por vezes ainda não lhe damos o devido valor celebrativo, como forma de presença do Senhor entre nós (cf. Jo 1, 14). Nosso objetivo, portanto, será ajudar na descoberta da “sacramentalidade” que as celebrações da Palavra proporcionam (VD 56).

Para atingirmos esse patamar litúrgico de justa valorização da Palavra de Deus é preciso que a mesma seja bem celebrada nas comunidades, com pessoas devidamente preparadas e dignas. Por isso a CNBB, no início deste ano de 2019, emitiu novo documento: “Ministério e Celebração da Palavra” (Doc. CNBB 108), como subsídio que contém “Fundamentação bíblico-teológica e orientações pastorais do Magistério Universal e da CNBB, com relação aos ministérios em geral e, em particular, ao ministério da Palavra…confiado aos cristãos leigos e leigas” (n. 1). Portanto, esse documento se ocupa especificamente do ministério da Palavra, confiado aos cristãos não ordenados. Estes, por sua vez, podem ser chamados a cooperar no exercício do ministério da Palavra (CDC cân 759) e somente atingirão seu verdadeiro valor pastoral se estiverem unidos e orientados pelos seus pastores (cf. nn. 2-3); o que exige um plano de formação inicial e o devido acompanhamento posterior. O presente documento deseja colaborar na colocação de fundamentos para tal, apresentando diversos capítulos para a formação:

  • Ministério da Palavra no Novo Testamento: Apresenta os diversos chamados e enviados para o anúncio da Palavra, no início da era cristã;
  • A Eficácia da Palavra Anunciada: É Deus que fala pela boca dos seus enviados;
  • O Ministério da Palavra no Ensinamento do Concílio Vaticano II: Admitem-se homens ou mulheres, admitidos pelo bispo, para dirigir a celebração da Palavra;
  • O Ministério da Palavra no Magistério Eclesiástico após o Concílio: Há importantes afirmações em vários documentos. Destacamos a de Bento XVI: “as celebrações da Palavra são ocasiões privilegiadas de encontro com o Senhor” (VD 65);
  • A Celebração da Palavra de Deus: “As divinas Escrituras sempre foram veneradas como o próprio Corpo do Senhor pela Igreja” (DV 21). Assim, as celebrações dominicais da Palavra não são novidade pós-conciliar. Toda celebração conterá estes elementos: Deus reúne; o Povo atende; Deus dirige sua Palavra; os fiéis escutam e respondem com fé; a assembleia louva e Deus abençoa seu Povo e o envia em missão;
  • Ritos da Celebração da Palavra: Ritos iniciais, Liturgia da Palavra, Coleta fraterna, Louvor e Ação de graças, Comunhão eucarística e Ritos finais;
  • Celebração da Palavra e Ofício Divino e Partilha de Alimentos ou Ágape Fraterno: Comer juntos é um sinal do Reino de Deus e constrói a fraternidade;
  • Orientações Pastorais sobre a Celebração da Palavra: Os fiéis formam assembleia convocada por Deus e não concentração espontânea. Outros cuidados: há diversos ministérios e serviços na celebração; preparação da comunidade; escolha e reconhecimento oficial do ministro da Palavra; a veste litúrgica;
  • Formação dos Ministros/as: Formação, espiritualidade, testemunho e missão;
  • O documento apresenta 4 Roteiros celebrativos e Rito de Acolhida dos ministros da Palavra.

Dom Aloísio A. Dilli
Bispo de Santa Cruz do Sul

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O processo de amadurecimento na fé https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/o-processo-de-amadurecimento-na-fe/ Thu, 24 May 2018 01:44:22 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=52461 Hoje vos saudamos como Jesus saudou os discípulos, após a ressurreição: “A Paz esteja convosco”! Em nossa vida cristã, certamente já nos damos conta que o processo de amadurecimento na fé é lento, mas pode e deve ser progressivo. Com os primeiros seguidores de Jesus não foi muito diferente. Os apóstolos e outros discípulos e discípulas, desiludidos com a paixão e morte do Senhor, estavam frustrados em sua esperança messiânica triunfalista: “Nós esperávamos que fosse ele quem libertaria Israel… Então ele lhes disse: ‘como sois sem inteligência e lentos para crer em tudo o que os profetas falaram! Não era necessário que o Cristo sofresse tudo isso para entrar na sua glória’” (Lc 24, 21.25-26). Vemos que nem tudo se resolveu imediatamente com um romper mágico do túmulo ou com o anúncio das mulheres, dizendo que o Senhor não estava na sepultura: “Contaram estas coisas aos apóstolos, mas estes acharam tudo isso um delírio e não acreditaram. Pedro, no entanto, levantou-se e correu ao túmulo. Olhou para dentro e viu apenas os lençóis. Então voltou para casa, admirado com o que havia acontecido” (Lc 24, 11-12). Os discípulos tiveram que passar por um longo processo de amadurecimento na fé da ressurreição. Para tal, é importante analisar a figura de Tomé, um dos doze: “Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos, se eu não puser a mão no seu lado, não acreditarei” (Jo 20, 25). Só mais adiante surge o ato de fé: “Meu Senhor e meu Deus!” (Jo 20, 28).

O evangelista São João relata com três verbos – entrar, ver, crer – esse processo de crescimento na fé, ao narrar sua ida, junto com Pedro, à sepultura do Senhor: “O outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo, também entrou, viu e acreditou” (Jo 20, 8). Sim, o Apóstolo que Jesus amava também entrou no verdadeiro mistério da morte e ressurreição (Páscoa), contemplou-o em sua profundidade e chegou à graça da atitude da fé. Antes, “eles ainda não tinham compreendido a Escritura segundo a qual ele devia ressuscitar dos mortos” (Jo 20, 9). A aparição a Maria Madalena revela situação idêntica. No texto grego o autor usa três termos diferentes para o verbo “ver”: olhar, contemplar, crer. Inicialmente, significa o simples ato de olhar; depois, tem o sentido de olhar atentamente (contemplar) e só no final recebe o significado de crer: “Eu vi o Senhor!” (Jo 20, 18). Enquanto os discípulos não chegaram ao ato de fé, Jesus continuou confundido com simples jardineiro (cf. Jo 20, 15) ou como único peregrino de Jerusalém que não sabe o que lá aconteceu (cf. Lc 24, 18) ou ainda como visão de um espírito (cf. Lc 24, 37). Os olhos da fé dos discípulos estavam ofuscados, tinham dificuldades em ver além do Jesus Nazareno, que fora crucificado. Somente aos poucos conseguem reconhecer nele o Senhor, o Messias, o Mestre. Todos queriam sinais extraordinários para crer (cf. Mt 12, 38-40).

Esse amadurecimento na fé repete-se na história com os apóstolos de todos os tempos. O processo de conversão é lento e exige perseverança. A vida dos santos e das santas nos ensina isso. Agora chegou nossa vez de fazermos a experiência pascal em nossa vida, em nosso tempo para seremos também suas testemunhas (Lc 24, 48; Jo 20, 18). Que as celebrações do Tempo pascal nos ajudem no amadurecimento da fé cristã.

Dom Aloísio A. Dilli
Bispo de Santa Cruz do Sul

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