direitos humanos - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br Site oficial da Diocese de Uruaçu - GO Sat, 28 Sep 2024 04:08:26 +0000 pt-BR hourly 1 https://old.diocesedeuruacu.com.br/wp-content/uploads/2018/12/cropped-favicon-32x32.png direitos humanos - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br 32 32 170539269 O futuro de Mianmar deve ser a paz, diz Papa às autoridades do país https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/o-futuro-de-mianmar-deve-ser-a-paz-diz-papa-as-autoridades-do-pais/ Tue, 28 Nov 2017 15:41:16 +0000 http://teste.toqueto.com/o-futuro-de-mianmar-deve-ser-a-paz-diz-papa-as-autoridades-do-pais.html A paz foi o tema que perpassou o primeiro discurso do Papa Francisco em Mianmar, durante o encontro com as autoridades, a sociedade civil e o corpo diplomático do país. O Santo Padre destacou a necessidade de compromisso com justiça e o respeito pelos direitos humanos no processo de paz.

Francisco foi acolhido pela conselheira de Estado de Mianmar, Aung San Suu Kyi, que recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1991. Ela fez um discurso manifestando a alegria e satisfação por receber o Papa. “Obrigada por ter vindo até aqui. O senhor trouxe até nós a força e a esperança em nosso entendimento, a nosso esforço pela paz, à reconciliação nacional e à harmonia social”, disse San Suu Kyi, lembrando que o Papa visita o país seis meses após o estabelecimento formal das relações diplomáticas entre Mianmar e a Santa Sé.

Francisco disse que é um contentamento sua visita se realizar depois desse acontecimento, um fato que ele vê como sinal do empenho da nação em prosseguir no diálogo e cooperação dentro da comunidade internacional.

Dos tesouros de Mianmar, o maior deles, segundo o Papa, é o povo, que sofreu e continua sofrendo em virtude de conflitos e hostilidades que criaram divisões. Agora, o país trabalha para restaurar a paz e o Santo Padre destacou que esse processo só pode avançar através do compromisso com a justiça e do respeito pelos direitos humanos.

“O futuro do Myanmar deve ser a paz, uma paz fundada no respeito pela dignidade e os direitos de cada membro da sociedade, no respeito por cada grupo étnico e sua identidade, no respeito pelo Estado de Direito e uma ordem democrática que permita a cada um dos indivíduos e a todos os grupos – sem excluir nenhum – oferecer a sua legítima contribuição para o bem comum”.

Comunidades religiosas

Não faltou no discurso do Papa uma menção ao papel que as comunidades religiosas de Mianmar têm nesse trabalho de reconciliação e integração nacional. Ele afirmou que as diferenças religiosas devem ser uma força em prol da unidade e da tolerância, não uma fonte de divisão. Nesse sentido, ele considerou um sinal de esperança o compromisso dos líderes das várias tradições religiosas do país em trabalhar juntos, com respeito mútuo, pela paz e auxílio aos pobres.

O Papa mencionou ainda no discurso os jovens como “um dom a estimar e encorajar”, mas esse é um investimento que só trará bom rendimento com oportunidades reais de emprego e educação de qualidade, ressaltou. Ele também mencionou nesse ponto a necessidade de compromisso com o meio ambiente, de modo que esse não esteja corrompido pela ganância e depredação humana.

“Nestes dias, quero encorajar os meus irmãos e irmãs católicos a perseverar na sua fé e a continuar a expressar a sua mensagem de reconciliação e fraternidade através de obras caritativas e humanitárias, de que toda a sociedade possa beneficiar. Espero que, na respeitosa cooperação com os seguidores de outras religiões e com todos os homens e mulheres de boa vontade, contribuam para abrir uma nova era de concórdia e progresso para os povos desta amada nação”, finalizou.

Outros compromissos

Antes do encontro com as autoridades, ocasião de seu primeiro discurso público, o Santo Padre participou da cerimônia de boas vindas no Palácio Presidencial e logo em seguida fez uma visita de cortesia ao presidente do país, Htin Kyaw. Ele também se encontrou com a conselheira de Estado e ministra das Relações Exteriores, Aung San Suu Kyi.

Após o encontro com as autoridades, o Papa segue para Yangon, onde passa a noite e se prepara para os compromissos de amanhã: Santa Missa, encontro com o Conselho Supremo “Sangha” dos Monges budistas e encontro com os bispos de Mianmar.

Por Canção Nova

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Papa pede atenção a intolerância e xenofobia contra migrantes https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/papa-pede-atencao-a-intolerancia-e-xenofobia-contra-migrantes/ Fri, 22 Sep 2017 12:30:49 +0000 http://teste.toqueto.com/papa-pede-atencao-a-intolerancia-e-xenofobia-contra-migrantes.html A crescente intolerância, discriminação e xenofobia na Europa foi tema da última audiência do Papa Francisco desta sexta-feira, 22. O Santo Padre recebeu os responsáveis nacionais pelas migrações que participam do encontro promovido pelo Conselho das Conferências Episcopais. Preocupado, o Pontífice reafirmou a missão da Igreja diante dos fluxos migratórios em quatro verbos: acolher, proteger, promover e integrar.

A desconfiança e o temor em relação ao outro, ao diferente e ao estrangeiro, foi apontado pelo Papa como motivações para os sinais de intolerância, discriminação e xenofobia em várias regiões do continente europeu.

Segundo ele, estes comportamentos também presentes nas comunidades católicas, refletem a não isenção dessas reações de defesa e rejeição, justificadas por um ‘dever moral’ de preservar a identidade cultural também no meio religioso. O Pontífice relembrou então a função social da Igreja: “Amar Jesus Cristo particularmente nos mais pobres e abandonados, entre eles os migrantes e refugiados”.

Francisco recordou que a Igreja se propagou nos continentes graças à migração de missionários, e perceber hoje uma profunda dificuldade das Igrejas na Europa diante da chegada dos migrantes, espelha os limites do continente em aplicar concretamente a universalidade dos direitos humanos.

Para o Papa, a chegada de estrangeiros oferece às Igrejas uma oportunidade a mais de realizar uma nova fronteira missionária. O encontro com migrantes e refugiados de outras confissões e religiões é uma oportunidade do desenvolvimento de um diálogo ecumênico e inter-religioso.

Por fim, Francisco indicou a resposta pastoral aos desafios migratórios e exortou ao final de sua mensagem para o Dia Mundial do Migrante e Refugiado do próximo ano: “Que a voz da Igreja seja sempre tempestiva e profética e, sobretudo, seja precedida por um trabalho coerente e inspirado nos princípios da doutrina cristã”.

Por Canção Nova, com Rádio Vaticano

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Missa pelos direitos humanos encerra visita do Papa https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/missa-pelos-direitos-humanos-encerra-visita-do-papa/ Mon, 11 Sep 2017 08:43:41 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=48342 Após almoçar no Claustro do Mosteiro de Santo Domingo, em Cartagena, neste domingo (10/09), o Papa foi ao Arcebispado e à Catedral, onde se encontravam cerca de 300 pessoas enfermas.

De carro fechado, se deslocou até a Base Naval de Cartagena, e de helicóptero, foi a Contecar, área portuária da cidade. Durante o voo, Francisco abençoou a imagem da Virgem da Bahia, que se encontra nesta baía natural de 8 mil hectares. O terminal Contecar é o quarto mais importante da América Latina, além de hospedar grandes eventos esportivos, musicais e culturais.

Com o papamóvel, Francisco deu uma volta entre a multidão, estimada em 1 milhão de pessoas, e foi acolhido por uma delegação de portuários (estivadores), que o acompanharam à Sacristia.

No palco montado para a ocasião, estavam as relíquias de São Pedro Claver, a quem o Papa dedicou suas primeiras palavras na homilia da missa. O tema deste último dia da viagem, «Dignidade da pessoa e direitos humanos», foi inspiração para a reflexão de Francisco.

homilia

Cartagena das Índias é a sede dos Direitos Humanos na Colômbia. E aqui, no Santuário de São Pedro Claver, iniciou o Papa, “a Palavra de Deus fala-nos de perdão, correção, comunidade e oração”.

Lembrando os diversos encontros que teve nos últimos dias com ex-guerrilheiros e vítimas da violência da guerra e de abusos, o Papa disse ter ouvido muitos testemunhos de pessoas que foram ao encontro de quem lhes fizera mal.

Há décadas – disse – a Colômbia busca a paz mas, como ensina Jesus, não foi suficiente que as duas partes se encontrassem e dialogassem; foi necessário incorporar muitos mais atores neste diálogo reparador dos pecados.    

«O autor principal, o sujeito histórico deste processo, é a gente e a sua cultura, não uma classe, um grupo, uma elite”, disse, citando o modelo de São Pedro Claver:

São Pedro Claver

“Soube restaurar a dignidade e a esperança de centenas de milhares de negros e escravos que chegavam em condições absolutamente desumanas, cheios de pavor, com todas as suas esperanças perdidas”.  

Mas infelizmente, prosseguiu, “há pessoas que persistem em pecados que ferem a convivência e a comunidade, como aqueles que lucram com as drogas, desafiando leis morais e civis, devastam os recursos naturais, exploram o trabalho; fazem tráficos ilícitos de dinheiro e especulações financeiras, lançando na pobreza milhões de homens e mulheres”.

“A prostituição que diariamente ceifa vítimas inocentes, sobretudo entre os mais jovens, roubando-lhes o futuro; o abominoso tráfico de seres humanos, os crimes e abusos contra menores, a escravidão que ainda espalha o seu horror em muitas partes do mundo, a tragédia frequentemente ignorada dos emigrantes sobre quem se especula indignamente na ilegalidade”.

A história e Jesus nos interpelam

“A história”, exortou o Papa, “pede-nos para assumirmos um compromisso definitivo na defesa dos direitos humanos. E Jesus pede-nos para rezarmos juntos; que a nossa oração seja sinfônica, com matizes pessoais, acentuações diferentes, mas que se erga de maneira concorde num único grito”.

E concluiu:

“Estou certo de que hoje rezamos juntos pelo resgate daqueles que erraram e não pela sua destruição, pela justiça e não pela vingança, pela reparação na verdade e não no seu esquecimento. Rezamos para cumprir o lema desta visita: «Demos o primeiro passo», e que este primeiro passo seja numa direção comum”.

“Se a Colômbia quer uma paz estável e duradoura, deve dar urgentemente um passo nesta direção, que é a do bem comum, da equidade, da justiça, do respeito pela natureza humana e as suas exigências. Jesus prometeu acompanhar-nos até ao fim dos tempos, Ele não deixará estéril um esforço tão grande”.

Por Rádio Vaticano

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Venezuela: organizações católicas denunciam emigração sem precedentes https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/venezuela-organizacoes-catolicas-denunciam-emigracao-sem-precedentes/ Tue, 08 Aug 2017 10:14:56 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=47736 A rede de organizações católicas da América Latina e Caraíbas para as Migrações e Refugiados denunciaram, em comunicado, um fluxo de emigração “sem precedentes” da população venezuelana venezuelana para países vizinhos.

A CLAMOR, uma Rede Latino-Americana e Caribenha para as Migrações, Refugiados e Tráfico de Pessoas, alerta para a “dura situação” que os imigrantes da Venezuela têm de enfrentar, ao fugir de uma “crise humana”.

As organizações católicas da região destacam a falta de medicamentos e alimentos, o “colapso dos serviços públicos”, a inflação, a violência e os “graves violações dos Direitos Humanos”.

“Esta situação, que atenta contra a vida e a dignidade dos venezuelanos e venezuelanas, forçou milhares de pessoas a sair do país, numa diáspora sem precedentes na história democrática do país”, refere a nota da rede católica.

O padre Francesco Bortignon, scalabriniano, pároco em Cúcuta, no norte da Colômbia, refere à Rádio Vaticano que a situação da fronteira é “realmente difícil”.

“Existe uma fuga significativa de venezuelanos em direção à Colômbia ou com o sonho de chegar ao Equador, Chile e Peru”, especialmente nos últimos meses, ligadas em particular à questão da eleição da Assembleia Constituinte.

Já a Conferência Episcopal Venezuelana (CEV) agradeceu a posição tomada pelo Papa e a Santa Sé na última sexta-feira, 4, num renovado apelo ao respeito pelos Direitos Humanos e pela suspensão da nova Constituinte.

Dom José Luis Azuaje, vice-presidente da CEV, considerou que a Assembleia Constituinte, promovida pelo Governo de Nicolás Maduro e contestada pela oposição, foi uma “fraude”.

A Venezuela atravessa uma crise política e econômica, com manifestações pró e anti-Maduro, que provocaram 120 mortos desde abril.

O presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, considerou que a Assembleia Constituinte traduz “um poder paralelo”.

Por Canção Nova, com Agência Ecclesia

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Jovens ao Papa: se poderosos da terra não se comovem, o que será de nós? https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/jovens-ao-papa-se-poderosos-da-terra-nao-se-comovem-o-que-sera-de-nos/ Thu, 25 May 2017 08:22:17 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=46411 “Se os sete homens mais poderosos da terra não se comovem diante de uma criança que atravessa o mar para fugir de morte segura… o que será deste mundo? O que será de nós?”

É o que escrevem numa carta ao Papa Francisco 22 adolescentes (garotos e garotas) da Itália, Gâmbia, Nigéria, Costa do Marfim, Albânia e Paquistão que se reuniram para o encontro de cúpula Unicef Junior 7, que todos os anos reúne as vozes dos adolescentes dos países do G-7 para discutir os temas da agenda do encontro de cúpula do G-7 e prepara uma mensagem conjunta para os chefes de Estado.

Fuga de guerras, da fome e da pobreza

“Vivemos numa época bastante difícil, há tantos seres humanos, tantas crianças, em fuga de guerras, da fome e da pobreza. Nossos mares que deveriam unir, muitas vezes dividem, quem está melhor quer estar melhor ainda e quem está pior, ao invés, estende a mão para nós e nós, comumente, a deixamos escorregar para o fundo do mar”, escrevem.

Os adolescentes pedem aos grandes do planeta que “invistam na educação e conhecimento para dar a todos a possibilidade de viver da melhor forma possível este extraordinário dom que é a vida”.

Todos devem ter direitos humanos assegurados

“Queremos apertar com força a sua mão – dirigem-se ao Papa – e gritar juntos que todos devem ter seus direitos humanos garantidos, direitos que são universais e sem distinção de raça ou religião.”

“Estar juntos nas diversidades é uma necessidade universal, é o décimo primeiro ‘mandamento’ do futuro, que nos comprometemos a subscrever hoje, cada um com suas diversidades, a própria religião, seus estilos de vida, mas sempre no respeito recíproco”, ressaltam.

O 43º encontro de cúpula do G-7 (grupo dos sete países mais industrializados do mundo) vai se realizar nos dias 26 e 27 deste mês de maio em Taormina, na Sicília, sul da Itália.

Por Rádio Vaticano

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CPT: causa da violência é a corrida pelo lucro https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/cpt-causa-da-violencia-e-a-corrida-pelo-lucro/ Wed, 03 May 2017 09:01:22 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=46025 Os ataques contra ativistas e defensores de direitos humanos no Brasil, além dos conflitos no campo, colocaram o país na lista de casos que preocupam as Nações Unidas. Em uma declaração de segunda-feira (01/05), o alto comissário da ONU para Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, alertou para o que ele chama de uma “escalada” de violência, sem uma resposta devida da Justiça.

Zeid ainda foi além e apontou que a Comissão Pastoral da Terra (CPT) conta um total de 61 pessoas mortas em conflitos no campo no ano de 2016. O número é o segundo maior em 25 anos, superado apenas por 73 mortos registrados em 2003. No ano passado, das 61 vítimas, 17 eram jovens com menos de 29 anos. Treze eram indígenas.

Em um ataque que ainda não foi comentado pela ONU, uma aldeia indígena localizada no município de Viana (MA) foi invadida no domingo por homens munidos com facões e armas de fogo. De acordo com o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), pelo menos treze índios foram feridos, dois dos quais tiveram as mãos decepadas – cinco foram baleados. O ataque foi na região do Povoado das Bahias, área ocupada pela etnia gamela. O Presidente do CIMI, Dom Roque Paloschi, condenou o atentado.

Por Rádio Vaticano

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Venezuela, Coreia e direitos humanos entre os temas da entrevista do Papa https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/venezuela-coreia-e-direitos-humanos-entre-os-temas-da-entrevista-do-papa/ Tue, 02 May 2017 09:01:06 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=45934 Como já é habitual ao concluir suas viagens internacionais, o Papa Francisco concedeu uma roda de imprensa no voo de retorno a Roma após a sua viagem ao Egito entre os dias 28 e 29 de abril.

Em diálogo com os jornalistas, o Santo Padre tratou diversos temas como a forma em que se realizam as audiências privadas que concede, a situação atual da Venezuela, entre outros.

“Boa tarde. Agradeço-lhes pelo trabalho, porque foram 27 horas, acredito, de muito trabalho. Muito obrigado por tudo o que têm feito. Estou à sua disposição”, disse o Papa inaugurando a rodada de perguntas de jornalistas de veículos de imprensa de vários países.

O primeiro entrevistador foi Paolo Rodari (do Jornal italiano La Repubblica). “Quero lhe perguntar sobre o propósito do encontro com o Presidente (egípcio) Al Sisi. Do que falaram? Tratou-se o tema dos direitos humanos? E mais concretamente, falaram que caso de Giulio Regeni?

(Ndt: Regeni era um italiano de 28 anos que estava estudando um doutorado, que foi torturado e assassinado no Cairo em janeiro de 2016, um caso pelo qual o governo do Egito recebeu diversas acusações porque ainda não foi elucidado).

O Papa Francisco respondeu: Sobre isto, vou dar uma resposta geral para logo chegar ao particular. Geralmente, quando estou com um chefe de estado em diálogo privado, isso permanece em privado, a menos que, em acordo, digamos ‘este ponto o faremos público’. Mantive 4 diálogos privados lá: com o grande ímã de Al Azhar, com Al Sisi, com o Patriarca Tawadros e com o Patriarca Ibrahim. Acredito que devem manter-se em privado. Por respeito, devem-se manter reservados.

Em relação à a pergunta sobre Regeni eu estou preocupado. Da parte da Santa Sé me moveram neste tema, porque os pais também me pediram isso, a Santa Sé se moveu. Não direi como nem onde, mas houve um movimento da parte da Santa Sé.

Em seguida, Darío Menor do Correo Español dirigiu esta pergunta ao Papa: “Ontem o sr. disse que a paz, a prosperidade e o desenvolvimento merecem cada sacrifício, e logo sublinhou o respeito aos direitos inalienáveis do homem. Significa isto um respaldo ao governo egípcio, um reconhecimento de seu papel no Oriente Médio como, por exemplo, a defesa dos cristãos, apesar da falta de garantias democráticas deste governo?”

Papa Francisco: Não. Deve-se interpretar literalmente como valores em si mesmos. Disse aquilo sobre defender a paz, defender a harmonia dos povos, defender a igualdade dos cidadãos, seja qual seja a religião que professam, são valores. Eu falei dos valores. Se um governante defender um ou defende o outro, esse é outro problema. Fiz 18 visitas. Em cada um dos países escutei: ‘O Papa respalda a aquele Governo’, porque sempre um governo tem suas debilidades ou tem seus adversários políticos que dizem umas coisas ou outras. Eu não me misturo. Eu falo dos valores, e que cada um veja e julgue se este governo, este Estado ou aquele outro, levam adiante esses valores.

Phil Pulella (da agência Reuters) perguntou: Você falou em seu primeiro discurso do perigo das ações unilaterais, e que todos devem ser construtores da paz, no primeiro discurso de ontem. Agora falou muito da terceira guerra mundial em pedaços, mas parece que hoje esse medo e ânsia está concentrada no que está ocorrendo na Coreia do Norte.

Papa Francisco: Sim, é o lugar onde se concentra.

Pulella: Exato, é o ponto onde se concentra. O Presidente Trump mandou uma frota militar ao longo da costa da Coreia do Norte, o líder da Coreia do Norte ameaçou bombardear a Coreia do Sul, o Japão, inclusive os Estados Unidos se conseguem construir mísseis de longo alcance. As pessoas têm medo e se está falando da possibilidade de uma guerra nuclear com toda naturalidade. Você, se vir o presidente Trump mas também a outras pessoas, o que diria a estes líderes que têm a responsabilidade do futuro da humanidade?, porque estamos em um momento bastante crítico. 

Papa Francisco: Mas eu os contato, ligo para eles e os contatarei como contatei os líderes em diversos lugares para trabalhar na resolução dos problemas no caminho da diplomacia, e temos os facilitadores, muitos no mundo. Há mediadores que se oferecem, há países como a Noruega, por exemplo, ninguém pode acusar a Noruega de ser um país ditatorial, e sempre está disposto a ajudar, a dar exemplo, mas aí há vários.

O caminho é o caminho da negociação, o caminho da solução diplomática. Esta guerra mundial a pedaços, da qual venho falando há mais ou menos dois anos, é a pedaços, mas os pedaços estão se estirando, estão se concentrando, estão se concentrando em pontos que já estavam quentes, porque isto dos mísseis da Coreia vêm de um ano longo, mas agora parece que a coisa se esquentou muito.

Eu sempre chamo a resolver os problemas pelo caminho da via diplomática, da negociação. Porque o futuro da humanidade, hoje uma guerra alargada destrói, não digo a metade da humanidade, mas uma boa parte da humanidade e da cultura, tudo, tudo. Seria terrível. Acredito que hoje a humanidade não é capaz de suportá-lo.

Esperemos que aqueles países que estão sofrendo uma guerra interna, dentro deles, onde está se produzindo fogo de guerra, no Oriente Médio, por exemplo, mas também na África, ou no Iêmen. Paremos! Procuremos uma solução diplomática! E nisso acredito que as Nações Unidas têm o dever de repreender um pouco a sua liderança, porque se aguou um pouco.

“Deseja encontrar-se com o Presidente Trump quando vier a Europa? Formulou-se uma petição para este encontro?”, perguntou o representante da Reuters.

Papa Francisco: “Não me informaram pela Secretaria de Estado que haja uma petição nesse sentido, mas eu recebo a todos os Chefes de Estado que solicitam uma audiência”.

Já o jornalista Antonio Pelayo de Antena 3 perguntou sobre a Venezuela: “Santo Padre, a situação na Venezuela se degenerou ultimamente de modo muito grave e houve muitas mortes. Queria lhe perguntar se a Santa Sé e você pessoalmente pensam relançar essa ação, essa intervenção pacificadora e de que formas poderia assumir essa ação.

Papa Francisco: “Houve uma intervenção da Santa Sé sob pedido forte de quatro Presidentes que estavam trabalhando como facilitadores. E a coisa não resultou. E ficou aí.

(nDT: O pontífice se referia às ações da Santa Sé em 2016 a pedido dos ex-presidentes José Luis Rodríguez Zapatero (Espanha), Leonel Fernández (República Dominicana), Martín Torrijos (Panamá) e Ernesto Samper (Colômbia) que não produziram resultado em termos de abertura ao diálogo com o governo de Nicolás Maduro).

Não resultou porque as propostas não eram aceitas, ou se diluíam, era um Sim-sim, mas não-não. Todos conhecemos a difícil situação da Venezuela, que é um país que eu estimo muito. E sei que agora estão insistindo, não sei bem de onde, acredito que da parte dos quatro presidentes, para relançar esta facilitação e estão procurando o lugar. Eu acredito que tem que ser com condições mas, condições muito claras. Parte da oposição não quer isto. É curioso, a mesma oposição está dividida, e por outro lado parece que os conflitos se agudizam cada vez mais. Mas há algo em movimento. Estive informado disso, mas está muito no ar ainda. Mas, tudo o que se pode fazer pela Venezuela é preciso fazê-lo, com as garantias necessárias”, sentenciou o Santo Padre.

Ao final das perguntas o Papa Francisco disse aos jornalistas: “Obrigado a vocês pelo trabalho que fazem e que ajuda muita gente. Vocês não sabem o bem que podem fazer com suas crônicas, com seus artigos, com seus pensamentos.

Temos que ajudar as pessoas e ajudar também à comunicação, para que a comunicação, também a imprensa, leve-nos a coisas boas, e não nos leve a desorientações que não nos ajudam. Muito obrigado! E bom jantar! Rezem por mim!”

Por ACI Digital

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"Eduquem as novas gerações para evitar a ideologia do mal" https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/eduquem-as-novas-geracoes-para-evitar-a-ideologia-do-mal/ Fri, 28 Apr 2017 16:38:45 +0000 http://teste.toqueto.com/eduquem-as-novas-geracoes-para-evitar-a-ideologia-do-mal.html No seu discurso nesta sexta-feira, 28 de abril, às autoridades do Egito, o Papa Francisco propôs educar as novas gerações no verdadeiro amor de Deus para evitar que caiam na ideologia do mal e da violência.

Em seu primeiro dia no Cairo, o Pontífice assegurou que “o desenvolvimento, a prosperidade e a paz são bens indispensáveis, pelos quais vale a pena qualquer sacrifício. São também metas que requerem trabalho sério, compromisso convicto, metodologia adequada e, sobretudo, respeito incondicional pelos direitos inalienáveis do homem, como a igualdade entre todos os cidadãos, a liberdade religiosa e de expressão, sem distinção alguma”.

Como em outras ocasiões, Francisco disse que os conflitos atuais levam a pensar em uma “guerra mundial por partes” e afirmou que “não se pode construir a civilização sem repudiar toda a ideologia do mal, da violência e interpretação extremista que pretende aniquilar o outro e destruir a diversidade, manipulando e ultrajando o Santo Nome de Deus”.

Uma de suas propostas é “ensinar às novas gerações que Deus, o Criador do céu e da terra, não precisa ser protegido pelos homens, mas que é Ele quem protege os homens; Ele nunca quer a morte de seus filhos, mas que vivam e sejam felizes; Ele não pede nem justifica a violência, pois a rejeita e desaprova”.

“O verdadeiro Deus chama ao amor sem condições, ao perdão gratuito, à misericórdia, ao respeito absoluto por cada vida, à fraternidade entre seus filhos, crentes e não crentes”.

“Temos o dever de afirmar juntos que a história não perdoa os que proclamam a justiça e, ao contrário, praticam a injustiça; não perdoa os que falam de igualdade e descartam os diferentes. Temos o dever de tirar a máscara dos vendedores de ilusões sobre o além, que pregam o ódio para roubar dos simples sua vida e seu direito de viver com dignidade, transformando-os em lenha para o fogo e privando-os da capacidade de escolher com liberdade e de crer com responsabilidade”.

“Temos o dever de desmontar as ideias homicidas e as ideologias extremistas, afirmando a incompatibilidade entre a verdadeira fé e a violência, entre Deus e os atos de morte”, afirmou com força.

De fato, o Egito “é chamado também hoje a salvar esta querida região da fome de amor e de fraternidade; é chamado a condenar e a derrotar todo tipo de violência e de terrorismo; é chamado a semear a semente da paz em todos os corações famintos de convivência pacífica, de trabalho digno, de educação humana”.

“A paz é um dom de Deus, mas é também trabalho do homem. É um bem que se deve construir e proteger, respeitando o princípio que afirma: a força da lei e não a lei da força. Paz para este amado país. Paz para toda esta região, de maneira particular para Palestina e Israel, para Síria, Líbia, Iraque, Sudão do Sul; paz para todos os homens de boa-vontade”.

Vítimas do terrorismo

O Pontífice recordou, especialmente, as vítimas dos recentes ataques terroristas em duas igrejas copta do país. “Penso igualmente naqueles que foram atingidos nos atentados contra as igrejas coptas, quer em dezembro passado quer mais recentemente em Tanta e Alexandria. Aos seus familiares e a todo o Egito, as minhas sentidas condolências com a certeza da minha oração ao Senhor pela rápida recuperação dos feridos”.

Nesse sentido, também dirigiu um pensamento especial “as pessoas que, nos últimos anos, deram a vida para salvaguardar a sua pátria: os jovens, os membros das forças armadas e da polícia, os cidadãos coptas e todos os desconhecidos que tombaram por causa de várias ações terroristas”.

“Penso também nos assassinatos e nas ameaças que levaram a um êxodo de cristãos do norte do Sinai. Expresso viva gratidão às autoridades civis e religiosas e a quantos deram hospitalidade e assistência a estas pessoas tão provadas”.

O Santo Padre destacou a importância do Egito no Oriente Médio e assegurou que “por causa da sua história e da sua particular posição geográfica, o Egito ocupa um papel insubstituível no Oriente Médio e no contexto dos países empenhados na busca de soluções para problemas agudos e complexos que precisam ser encarados agora para se evitar uma precipitação de violência ainda mais grave”.

“Refiro-me à violência cega e desumana, causada por vários fatores: o desejo obtuso de poder, o comércio de armas, os graves problemas sociais e o extremismo religioso que utiliza o Santo Nome de Deus para realizar inauditos massacres e injustiças”.

Sobre a violência e o terrorismo, o Papa também assegurou que o “Egito tem uma tarefa particular: reforçar e consolidar a paz regional, embora tenha sido ferido em seu próprio solo por uma violência cega. Tal violência faz sofrer muitas famílias – algumas delas aqui presentes – que choram por seus filhos e filhas”.

Saudação aos cristãos

Francisco recordou os cristãos do Egito, tanto os coptos ortodoxos como os gregos bizantinos, os armênios ortodoxos, os protestantes e os católicos. “Que São Marcos, o evangelizador desta terra, os proteja e os ajude a construir e a alcançar a unidade tão desejada por Nosso Senhor”, disse.

“A presença de vocês nesta Pátria não é nova nem casual, mas secular e unida à história do Egito. Vocês são parte integral deste país e desenvolveram ao longo dos séculos uma espécie de relação única, uma simbiose particular, que pode ser considerada um exemplo para as outras nações”.

“Demonstraram, e continuam demonstrando, que se pode viver juntos, no respeito recíproco e no confronto leal, descobrindo na diferença uma fonte de riqueza e jamais uma razão para o enfrentamento”.

Por outro lado, Francisco elogiou a história desta país, “terra de uma civilização muito antiga e nobre, cujos vestígios podemos admirar ainda hoje e que, na sua majestade, parecem querer desafiar os séculos”. “Esta terra é muito significativa para a história da humanidade e para a Tradição da Igreja, não só pelo seu prestigioso passado histórico – faraônico, copta e muçulmano –, mas também porque muitos Patriarcas viveram no Egito ou o cruzaram”.

Direitos fundamentais

O Pontífice se referiu aos milhões de refugiados “provenientes de vários países, entre os quais se conta o Sudão, a Eritreia, a Síria e o Iraque; refugiados esses, aos quais se procura, com um louvável esforço, integrar na sociedade egípcia”. Pediu ainda que ninguém seja privado dos direitos básicos.

Por isso, pediu que não falte a ninguém “o pão, a liberdade e a justiça social”. “Com certeza, este objetivo tornar-se-á realidade se todos juntos tiverem a vontade de transformar as palavras em ações, as aspirações válidas em compromissos, as leis escritas em leis aplicadas, valorizando a genialidade inata deste povo”.

São objetivos “que exigem prestar uma atenção especial ao papel da mulher, dos jovens, dos mais pobres e dos enfermos. Na realidade, o verdadeiro desenvolvimento se mede pela solicitude para com o homem – coração de todo desenvolvimento –, a sua educação, a sua saúde e a sua dignidade”.

“De fato – continuou –, a grandeza de qualquer nação revela-se no cuidado que efetivamente dedica aos membros mais frágeis da sociedade: as mulheres, as crianças, os idosos, os doentes, as pessoas com deficiência, as minorias, de modo que nenhuma pessoa e nenhum grupo social fique excluído ou marginalizado”.

Por ACI Digital

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Santa Sé: Síria, partes em conflito garantam proteção aos civis https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/santa-se-siria-partes-em-conflito-garantam-protecao-aos-civis/ Fri, 07 Apr 2017 09:51:30 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=45358 O Secretário para as Relações com os Estados da Santa Sé, Dom Paul R. Gallagher, fez um discurso na quarta-feira, 05, em Bruxelas, na Conferência sobre o tema “Apoiar o futuro da Síria e da região”. O evento – disse o prelado – tem duplo objectivo: “renovar os compromissos humanitários assumidos pela comunidade internacional no ano passado em Londres;, e procurar as melhores formas de apoiar uma solução política duradoura para a crise na Síria, que seja inclusiva e guiada pelos sírios”.

A crise entrou no seu sétimo ano e “a Santa Sé – disse Dom Gallagher – continua profundamente preocupada pelo imenso sofrimento humano que atinge milhões de crianças inocentes e outros civis, que continuam a ser privados de ajudas humanitárias essenciais, como estruturas médicas e educação. Exorta ainda ao pleno respeito do direito humanitário internacional, especialmente no que diz respeito à proteção das populações civis, garantindo-lhes o acesso aos cuidados médicos necessários. A Santa Sé manifesta ainda a sua preocupação pelas condições e tratamento dos prisioneiros e detidos”.

Dom Gallagher recorda, então, o apelo do Papa Francisco à comunidade internacional “para que trabalhe com diligência para dar vida a negociações sérias que coloquem para sempre a palavra fim ao conflito, que está provocando um verdadeiro desastre humanitário” e para que cada uma das partes em causa considere “como prioridade o respeito do direito humanitário internacional, garantindo a proteção dos civis e a necessária assistência humanitária à população”.

“A Santa Sé – disse o representante vaticano – aprecia a ênfase colocada nesta conferência de doadores de ajudas humanitárias e os esforços para apoiar o cessar-fogo e uma solução política para a crise, e une a sua voz aos apelos em favor de mais financiamentos para auxiliar os deslocados internos, os refugiados e as comunidades de acolhimento em países vizinhos que sofrem o impacto”. Em seguida, assegurou que no próximo ano a Igreja Católica continuará empenhada em prosseguir a sua assistência humanitária.

Em 2016 – disse Dom Gallagher – a Santa Sé e da Igreja Católica, através da sua rede de organizações de caridade, ajudadou a fornecer 200 milhões de dólares para a assistência humanitária para beneficiar diretamente mais de 4,6 milhões de pessoas na Síria e na região: “na distribuição de ajuda, as agências e as entidades católicas não fazem distinção quanto à identidade religiosa ou étnica daqueles que precisam de ajuda e sempre procuram dar prioridade aos mais vulneráveis e mais necessitados. Esta abordagem também foi demonstrada através da abertura, em janeiro, de um centro Caritas na parte muçulmana de Aleppo e o projeto ‘Hospitais abertos’, que busca abrir os hospitais católicos em Aleppo e Damasco, e torná-los totalmente operativos para as necessidades da população local, especialmente os pobres e desfavorecidos”.

“Motivo de profunda preocupação – disse o prelado – continua a ser para nós a situação de vulnerabilidade dos cristãos e das minorias religiosas no Oriente Médio que sofrem excessivamente os efeitos da guerra e da agitação social na região, a tal ponto que sua presença e sua existência são altamente ameaçadas. Como o Papa Francisco repetidamente recordou, a sua presença permanente pode permitir-lhes cumprir seu papel histórico e fundamental em contribuir para a coesão social daquela sociedade, o que será de fundamental importância para o futuro de toda a região”.

Por Rádio Vaticano

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Outra vez ideologia de gênero https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/outra-vez-ideologia-de-genero/ Fri, 24 Mar 2017 09:48:31 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=45091 Sei que há opiniões divergentes. A questão “gênero” é uma das polêmicas mais debatidas na atualidade. O que deverão prevalecer? As correntes do modismo, os interesses particularizados de minorias, ou o bom senso da razão?  O que se está propondo (ou impondo) é uma revolução dos conceitos e dos costumes. As revoluções podem ser boas ou más, mudar para melhor ou para pior. Elas são geralmente resultado de uma ideia que, de alguma forma, pegou. Porém, também nem sempre o que pegou é bom. A ideias nazistas e fascistas pegaram, à época, mas não eram boas e geraram guerra mundial. As consequências vão demonstrar onde está a verdade. Mas, pela experiência da história, podemos evitar desastres desnecessários. 

O critério para decisões nas horas acaloradas não pode ser outro senão o respeito à ordem natural das coisas, a dignidade das pessoas, e a legitimidade do método.  No caso da agenda de gênero, me parece haver vários enganos que poderão causar danos irreparáveis. Em primeiro lugar, afirmar que ninguém nasce homem ou mulher e que isso é resultado pura e simplesmente das influências sociais, é evidente e clamoroso equívoco, uma vez que desconhece, de forma absoluta, o dado biológico. Por natureza, os seres vivos são criados em machos e fêmeas, e isso não é apenas um acaso, mas a ordem natural que possibilita a procriação e a harmonia entre os seres vivos. A natureza já nos traz prontos e isto não pode ser encarado como uma agressão da mesma. Há coisas que devem ser recebidas como um dom e não como uma imposição. Seria uma deformação psicológica ver em tudo opressão. Você, se nasceu no Brasil, nasceu brasileiro, se nasceu no Japão, será sempre japonês. Ainda que você, por opção, se naturalize em outro país, a sua origem nunca poderá ser negada. Há, portanto, um dado original que lhe determina a existência. 

No campo da sexualidade, se ao caminhar da vida algo de diferente apareceu no organismo psicológico ou em opções pessoais, trata-se de exceção e deve ser visto, respeitosamente, como tal. As pessoas não têm culpa de terem esta ou aquela tendência. Mas é preciso tratar as coisas com objetividade. Se você, por exemplo, se sente japonês num corpo brasileiro, todos o respeitarão, mas seria um contra-senso exigir que a todos nasçam sem nacionalidade ou naturalidade definida, e tentar criar legislação que proibisse todas as pessoas de se reconhecerem como tais, dando-lhes o pseudodireito, antinatural, de esperar ter a idade da razão para saber se quer ser brasileiro, japonês, ou ter qualquer outra naturalidade.  

Se se procura com o respeito pelas opções, é necessário observar que a liberdade das opções tem limites e consequências. Mesmo as opções por algo que julgo bom, devem ser averiguadas. É preciso saber se vão causar danos a alguém, ao grupo humano de que fazemos parte e até à humanidade inteira. Por exemplo, a opção pelo desmatamento pode ser julgada por alguém como algo bom, pois poderá gerar lucros e para estes autores da desflorestização o lucro é tentador. Mas, sabemos que tal ato causa um grande prejuízo ao meio ambiente e gera situações de morte para pessoas humanas e outros seres vivos. 

Os métodos para conseguir prevalecer ideias devem ser legítimos e respeitosos. Não me parece que isto esteja acontecendo, com relação à ideologia de gênero. A instrumentalização da mídia com casuísmos dramáticos, com exemplos particularizados, a forma de impor tal agenda nos planos municipais de educação, de juventude, da mulher e outros, além do uso de material didático, verdadeira literatura pornográfica, já distribuído nos últimos anos sem nenhuma aprovação, não tem nada de democrático. 

O direito das famílias de educarem seus filhos conforme suas consciências e suas crenças é totalmente desprezado, não lhe reconhecendo nenhum direito de falar, de argumentar ou de optar por algo que lhe seja valor inalienável, e se o fizer será pejorativamente criticado com termos como conservadorismo, homofobia, atitude contra os direitos das mulheres e outros. 

Aos cristãos, sejam católicos ou evangélicos, constituidores da grande maioria do povo brasileiro, eu ofereceria a Palavra do Senhor que nos chama a lutar com destemor: “No mundo tereis provações. Mas tende coragem! Eu venci o mundo” (Jo 16, 33). Já enfrentamos coisas piores na história, mas sempre venceu o bom senso e a ordem estabelecida por Deus. No espírito da Quaresma que prepara a Páscoa, lutemos com as aramas da paz e da justiça, do respeito, da coragem e do amor, certos de que a vitória será da vida, pois Cristo venceu o pecado e a morte, ressuscitou e está vivo para sempre.

Por Dom Gil Antônio Moreira – Arcebispo de Juiz de Fora

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