Deus - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br Site oficial da Diocese de Uruaçu - GO Sat, 28 Sep 2024 04:04:14 +0000 pt-BR hourly 1 https://old.diocesedeuruacu.com.br/wp-content/uploads/2018/12/cropped-favicon-32x32.png Deus - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br 32 32 170539269 “O Senhor não se esquece de nós e nos ama com amor visceral”, afirma Papa https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/o-senhor-nao-se-esquece-de-nos-e-nos-ama-com-amor-visceral-afirma-papa/ Thu, 22 Mar 2018 14:27:25 +0000 http://teste.toqueto.com/o-senhor-nao-se-esquece-de-nos-e-nos-ama-com-amor-visceral-afirma-papa.html A homilia do Papa Francisco durante a Santa Missa celebrada na Capela da Casa Santa Marta foi inspirada no Salmo responsorial e na Primeira Leitura propostas pela liturgia do dia. Elas são tiradas do Livro do Gênesis, quando é narrado o episódio da aliança que Deus fez com Abraão.

Ali compreende-se que o Senhor é fiel e jamais se esquece de nós. Uma aliança que se prolongará na história do povo, não obstante os pecados e a idolatria dos homens.

Isso nos leva a exultar na esperança, mostra o Papa em sua reflexão.

Um amor de pai e mãe

Para Francisco, Deus tem um amor entranhado, um “amor visceral” que não esquece:

“Este é o amor de Deus, como o de uma mãe. Deus não se esquece de nós. Nunca. Não pode, é fiel à Sua aliança. Isso nos dá segurança. De nós podemos dizer: “Mas a minha vida é tão ruim… Tenho esta dificuldade, sou um pecador, uma pecadora…” 

Ele não se esquece de você, porque tem este amor visceral, e é pai e mãe.

Amor fiel que alegra

A fidelidade que Deus tem para com os homens, não se esquecendo nunca da aliança, conduz à alegria, destacou Francisco.

Ele afirmou que, assim como para Abraão, a nossa alegria é exultar na esperança, porque “cada um de nós sabe que não é fiel”, mas Deus sim: o Senhor é fiel.

Sacramento da Penitência: abraço de Deus

Em meio às suas palavras, o Papa quis relembrar algo muito importante e alentador, cheio de esperança:

“O Deus fiel não pode renegar a si mesmo, não pode nos renegar, não pode renegar o seu amor, não pode renegar o seu povo, não pode renegar porque nos ama. Esta é a fidelidade de Deus. Quando nos aproximamos do sacramento da penitência, por favor: não pensar que vamos à lavanderia para tirar as sujeiras. Não. Vamos para receber um abraço de amor deste Deus fiel que nos espera sempre. Sempre.”

Exulta na esperança: o Senhor te ama

Para concluir, Francisco voltou ao tema central da homilia exortando a exultarmos na Esperança pois, “o Senhor nos ama como Pai e como Mãe”:

“Ele é fiel, ele me conhece, me ama, jamais me deixará só. Ele me leva pela mão. Que mais posso querer? Que mais? Que devo fazer? Exulta na esperança, porque o Senhor ama você como pai e como mãe”, conclui o Santo Padre. (JSG)

Por Gaudium Press, com Vatican News

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A Paz só pode acontecer em Deus https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/a-paz-so-pode-acontecer-em-deus/ Fri, 09 Mar 2018 09:14:51 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=51185 A palavra forte da Quaresma é “conversão”. Vem de Jesus que disse: “Convertei-vos e crede do Evangelho” (Mc 1,15). Para acolhermos o Reino de Deus e a vida nova trazida por Jesus é absolutamente necessária a conversão com a mudança de vida. O Evangelho da santa Missa deste quarto domingo da Quaresma – Jo 3, 14-21 – é uma exposição clara de que diante Jesus Cristo morto e ressuscitado ninguém pode ficar indiferente, a conversão de vida é a opção mais correta como consequência da fé em Deus e da acolhida do dom de Deus que é o próprio Cristo. Esta provocação Jesus a fez a Nicodemos, “chefe dos judeus”. De que lado ele está? Confrontado com Cristo, ele não poderá se esquivar de decidir.

O Evangelho apresenta o final da conversa de Jesus com Nicodemos. Jesus está lhe dizendo: “Do mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do homem seja levantado, para que todos os que nele crerem tenham a vida eterna”. O Filho do homem é identificado com Jesus Cristo. Que Ele seja levantado significa ao mesmo tempo a sua elevação na cruz e a sua exaltação na glória da ressurreição. João se serve destes termos de sentido cristão que a comunidade cristã usava na liturgia e na catequese, embora Nicodemos não os entendesse facilmente. No entanto, João prossegue contando que Jesus explicava a Nicodemos que “Deus amou tanto o mundo (os homens e mulheres), que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nEle crer, mas tenha a vida eterna. Deus não enviou o seu Filho ao mundo (aos homens e mulheres) para condená-los, mas para que todos sejam salvos por Ele. Quem nEle crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho unigênito”. Jesus argumentava desta forma e com estas palavras para desafiar Nicodemos a lançar os olhos da fé no Filho do homem quando fosse elevado na cruz e glorificado na ressurreição. E, assim sendo, motivá-lo a firmar convicção pessoal de que a elevação de Cristo na cruz é a mesma coisa que o dom do amor que Deus deu, ou seja, o seu Filho único que, também por amor, dará a sua vida para a salvação da humanidade. Seja por uma ou por outra a razão, doravante, necessária e indispensável será a fé em Jesus. Quem acreditar no Filho unigênito não será condenado, mas terá a vida eterna, pois Ele não será elevado para condenar ninguém, mas para salvar a todos que nEle crerem. A vida eterna não é a que começa depois da morte, mas é a vida divina ou a vida de Deus mesmo, a qual começa aqui e agora pela fé em Jesus Cristo.

Conclusão: A vida divina em nós, que é a vida de Deus, só pode acontecer em nós pela nossa vida de fé em Deus e de nossa acolhida ao dom de Deus dado por amor, que é o seu Filho unigênito, o qual também por amor deu a sua vida por nós. Em breves palavras, a vida divina vem a nós por intermédio da nossa fé em Deus e em Jesus Cristo, o seu Filho unigênito. Outra conclusão: Sem a vida divina em cada um de nós, jamais haverá a paz em nós, nos outros e no mundo.

Então, tudo começa com a acolhida da vida de Deus em nós, que é graça, presente de Deus. Como propõe a Campanha da Fraternidade a superação da violência e a construção da paz só começam pela conversão pessoal, com o nosso propósito firme e corajoso de lançar os olhos da fé em Cristo elevado na cruz e exaltado na ressurreição. Mais do que professar a fé numa verdade, no entanto, é importante que vivamos de acordo com esta verdade. E a verdade é esta: Aderir a Jesus pela fé, segui-Lo e imitá-Lo pela vida afora. Como dizem os teólogos, mais do que uma ortodoxia formal (doutrina pura) a fé é uma ortopráxis, é um agir segundo a verdade (cf. Jo 3,21; 1Jo 1,6-7).

Ao encerrar o diálogo com Nicodemos, Jesus lhe dizia que a vinda do Filho do homem e a sua exaltação na cruz são um julgamento para o mundo. No confronto com Ele, o mundo se divide entre os que aceitam a sua luz e os que a rejeitam. “Ora, o julgamento é este: a luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas à luz, porque suas ações eram más. Quem pratica o mal odeia a luz e não se aproxima da luz, para que suas ações não sejam denunciadas. Mas quem age conforme a verdade aproxima-se da luz, para que se manifeste que suas ações são realizadas em Deus”, arrematou Jesus. Os que rejeitam a luz são condenados por sua própria opção, pois sabem que as suas obras não condizem com a verdade da fé em Deus e têm ódio de ver a sua vida de pecados exposta nesta luz. Neste ódio que os consome, por conseguinte, se condenam a si mesmos. Não é Cristo quem os condena, pois Ele não veio nem foi elevado na cruz para condenar ninguém, mas para salvar a todos, bastando que nEle creiam. Os que expõem a sua vida com as suas obras à luz de Deus, mostrando a boa vontade que tiveram e têm de viver conforme a vontade de Deus, entram desde já na comunhão da vida divina, ou seja, da vida em Deus mesmo. Esta é a verdade: Jesus Cristo ama e perdoa quem fez o mal, bate no peito e pede perdão. O Senhor é piedade e retidão, amor e verdade, justiça e misericórdia.

Unidos à Igreja, oremos em comunhão com as intenções da Campanha da Fraternidade, cujo tema é “Fraternidade e superação da violência”: Ó Pai, ensina-nos a ser vossos filhos e irmãos uns dos outros, como o é Jesus, o vosso Filho estimado e o nosso Irmão amado, que nos disse: “Vós sois todos irmãos” (Mt 23,8). Derrama sobre nós o vosso Espírito Santo que nos converta e nos faça construtores de uma sociedade justa e sem violência. Amém.

Por Dom Caetano Ferrari – Diocese de Bauru

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Purificação https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/purificacao/ Tue, 06 Mar 2018 07:55:47 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=51118 O povo de Deus foi privilegiado com a experiência da revelação amorosa de Deus, que o constituiu como sinal para os outros povos. A lei recebida no Sinai é o que se pode pensar de mais perfeito (Ex 20,1-7), na qual se estabelece de forma inigualável as relações com Deus e o trato das pessoas umas com as outras. Tudo se transformou em motivo de santo orgulho para as sucessivas gerações do povo escolhido, admirado pela sua fidelidade, mesmo sendo uma pequena nação diante de tantas outras, com as quais foi possível experimentar um confronto fecundo, instrumento de purificação e crescimento.

É que a lei oferecida por Deus, sendo excelente, viria a ser praticada por pessoas muito frágeis e limitadas, pelo que continuamente o Senhor lhes manda emissários portadores de chamadas à conversão e à volta para Deus. Não adiantava ter as normas fundamentais bordadas na própria roupa ou atadas com uma faixa em torno da cabeça. Era necessário trazê-las no coração e na prática cotidiana. E este povo era feito do mesmo barro que os seus vizinhos. E até hoje, em tempos da Boa Nova do Cristianismo, é necessário falar de conversão e entrar num caminho de purificação, pois não somos mais perfeitos do que os outros homens e mulheres de nosso tempo. Só que aprendemos a mergulhar no mar infinito da misericórdia de Deus, que nos reergue de nossos abismos profundos.

Um dos sinais importantes presença de Deus com seu povo foi o templo (Cf. Jo 2,13-15), vindo a ser considerado centro da vida religiosa. Lá se rezava sempre, e muitas pessoas peregrinavam, especialmente para a Páscoa judaica. No entanto, também este símbolo passou pelo desgaste quando ao seu uso pelo povo. Os profetas, como Jeremias, já denunciavam anteriormente as profanações do lugar sagrado: “Acaso esta casa consagrada ao meu nome tornou-se, a vosso ver, um esconderijo de ladrões?” (Jr 7,11). E Jesus, tomado do zelo que o devora interiormente, purifica o Templo, e tal gesto contribuirá para sua condenação à morte.

Ele chega de forma diferente, decepcionando os sonhos de poder de muitos de seus contemporâneos. Sua presença quer conduzir as pessoas do Templo edificado com tanto esforço ao novo Templo, o novo lugar que é ele mesmo, onde acontece o verdadeiro culto ao Pai do Céu. Jesus não destrói o Templo, antes o respeita profundamente, e com palavras duras e fortes que inaugurar um novo Templo e um novo Tempo!

É bom perguntar-nos se os vendilhões do Templo não existem ainda sob outras formas! Pode acontecer que também nós frequentemos o lugar sagrado apenas pelos nossos interesses individualistas, mesmo que seja a busca da salvação, sem descobri-lo como lugar de comunhão e gratuidade entre Deus e as pessoas que professam a fé! Deixemo-nos purificar! Nós cristãos professamos a fé no Cristo Morto e Ressuscitado. Com a fé, nossa vida tem uma meta a ser alcançada, impedindo-nos de sermos afogados pelos acontecimentos positivos ou negativos. Nosso olhar se volta para a plenitude do amor de Deus, acendendo continuamente a luz da esperança.

Com esta fé, passamos pelo mundo fazendo o bem, acreditando que é possível restaurar vidas e superar as muitas dilacerações existentes na sociedade. Para tanto, somos chamados a algumas atitudes e gestos. Para nós, a maldade não tem a última palavra em quem quer que seja. Olhamos para as pessoas e suas crises pessoais e descobrimos aquela fagulha, para não apagar a chama que fumega, pois no nome de Jesus as nações podem depositar a esperança (Cf. Mt 12,15-21; Is 42,1-4). No dia a dia, não desperdiçamos as oportunidades para tecer novos relacionamentos com as pessoas, aproveitando os eventuais laços que poderiam impedir a caminhada para compor redes de fraternidade. Onde quer que encontremos eventuais restos de edificações destruídas, recolheremos os pedaços para realizar a profecia: “Quando o invocares, o Senhor te atenderá, e ao clamares, ele responderá: Aqui estou! Se, pois, tirares do teu meio toda espécie de opressão, o dedo que acusa e a conversa maligna, se entregares ao faminto o que mais gostarias de comer, matando a fome de um humilhado, então a tua luz brilhará nas trevas, o teu escuro será igual ao meio-dia. O Senhor te guiará todos os dias e vai satisfazer teu apetite, até no meio do deserto. Ele dará a teu corpo nova vida, e tu serás um jardim bem irrigado, mina d’água que nunca deixa de correr. E a tua gente reconstruirá as ruínas que pareciam eternas, farás subir os alicerces que atravessaram gerações, serás chamado reparador e brechas, restaurador de caminhos, para que lá se possa morar” (Is 58, 9-12).

Deixemo-nos tocar pelo chicote de cordas de Jesus, permitindo que ele nos purifique. Caia a casca do orgulho e da vaidade, que nos engana para pensarmos ser mais perfeitos do que os outros. Seja derrubado o muro de defesa que nos cerca, para sabermos que somos, sim, vulneráveis e acolhidos por Deus por pura misericórdia. Permitamos que o Senhor, com a graça de seu Espírito Santo, penetre os meandros de nossa mentalidade egoísta. Aprendamos, com a graça da Quaresma que corre, a fazer um corajoso exame de consciência, com a luz dos mandamentos da Lei de Deus, para chegarmos humildes e sinceros, ao Sacramento da Penitência. Nossas Paróquias e Comunidades cristãs aproveitem para rever o cuidado com a Casa de Deus, que são as pessoas, feitas pelo Batismo templos do Espírito Santo, mas verifiquem também o uso que fazem de suas edificações destinadas ao culto divino.

Em vista de uma boa revisão de vida, abrindo-nos à purificação proposta pela Igreja na Quaresma, para “recordar e viver” aqui está o tesouro dos mandamentos, numa bem elaborada versão proposta pelo Compêndio do Catecismo da Igreja Católica (433): “Eu sou o Senhor teu Deus! Primeiro: Adorar a Deus e amá-lo sobre todas as coisas. Segundo: Não invocar o santo nome de Deus em vão. Terceiro: Santificar os Domingos e festas de guarda. Quarto: Honrar pai e mãe e os outros legítimos superiores. Quinto: Não matar nem causar outro dano, no corpo ou na alma, a si mesmo ou ao próximo. Sexto: Guardar castidade nas palavras e nas obras. Sétimo: Não furtar nem injustamente reter ou danificar os bens do próximo. Oitavo: Não levantar falsos testemunhos nem de qualquer outro modo faltar à verdade ou difamar o próximo. Nono: Guardar castidade nos pensamentos e desejos. Décimo: Não cobiçar as coisas alheias. Estes dez mandamentos resumem-se em dois que são: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos”.

Por Dom Alberto Taveira Corrêa – Arcebispo Metropolitano de Belém do Pará

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Onde Deus mora? https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/onde-deus-mora/ Thu, 01 Mar 2018 15:49:58 +0000 http://teste.toqueto.com/onde-deus-mora.html No Evangelho da santa Missa deste terceiro domingo da Quaresma – Jo 2, 13-25 – São João relata a cena da ida de Jesus ao Templo, em Jerusalém, quando estava próxima a Páscoa, e de como Ele, vendo o comércio que ali se realizava, com vendedores de bois, ovelhas e pombas e cambistas, fez um chicote de cordas e expulsou todos do templo, com ovelhas e bois, e derrubou as mesas dos cambistas. E destaca o esconjuro de Jesus: “Tirai tudo isso daqui! Não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio!”. A seguir, narrando a discussão de Jesus com os judeus, João põe em evidência a novidade dos tempos novos depois da vinda do Messias, o que Jesus pronunciou como sendo a base bíblica e teológica desta novidade. “Destruí este templo, e em três dias o levantarei”, foi a resposta que Jesus deu aos judeus ao pedido do sinal de sua autoridade para agir assim. Naturalmente os judeus não entenderam a resposta, viram-na como um absurdo, pois eles lembraram que a construção do templo tinha levado 46 anos. Os discípulos só foram entender que Jesus se referia ao templo do seu corpo mais tarde depois de sua morte e ressurreição ao terceiro dia. Todos os exegetas afirmam que a ideia central do Evangelho de João, trabalhada por ele ao longo dos capítulos 1,19 a 4,54, visa demonstrar que os discípulos, inclusive Nicodemos e a Samaritana, tiveram as suas mais profundas aspirações de alma realizadas quando se encontraram com Jesus, o Messias, o revelador do Pai, e o aceitaram como o novo lugar de adoração do Pai “em espírito e em verdade” (Jo 4,22). Por isso, João, no início do seu Evangelho, diz que a glória de Deus, que antigamente se revelava somente no templo ou tabernáculo, em Jerusalém, agora a contemplamos em Jesus Cristo (cf. Jo 1,14).

Se Jesus é o lugar onde Deus mora, então Ele é o ponto de encontro com Deus. Não foi à toa que em outra oportunidade Ele assim se expressou: “Ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14,6). Lemos em Apocalipse 14,6 que Jesus é o Evangelho ou a Boa Nova eterna anunciada a toda terra”, e em Hebreus 13,8-9 que “Jesus Cristo é o mesmo, ontem e hoje; Ele o será para sempre! Portanto, não vos deixeis extraviar por doutrinas ecléticas e estranhas”.  O Papa Francisco, na Exortação Apostólica “Evangelii Gaudium” (A Alegria do Evangelho), inicia a sua mensagem afirmando que a alegria do Evangelho brota do encontro com Jesus. O encontro com Jesus provoca libertação de tudo o que é ruim, pecado, tristeza, vazio interior, isolamento, e faz renascer uma alegria sem cessar (EG, 1). E o Papa faz um incisivo convite: “Todos os cristãos, em qualquer lugar e situação que se encontrem, estão convidados a renovar hoje mesmo o seu encontro pessoal com Jesus Cristo ou, pelo menos, a tomar a decisão de deixar encontrar por Ele, de procurá-Lo dia a dia, sem cessar” (EG, 3). Igualmente o documento de Aparecida, do Episcopado Latino-Americano, explica que, segundo a doutrina do discipulado, os cristãos precisam reavivar o encontro com Jesus. Diz que o que marca o discipulado é o encontro vivo, persuasivo e decisivo com Jesus (DAp, 290). E faz uma importante declaração que é ao mesmo tempo um imperativo categórico de comportamento missionário para todo discípulo com espírito: Jesus precisa ser encontrado, seguido, amado, adorado, para ser anunciado e comunicado (cf. 14). Pois o verdadeiro discipulado leva à missão que consiste, basicamente, em compartilhar com os outros a experiência do encontro com Jesus (cf. 287). O discípulo fascinado por Jesus não tem como calar a sua voz.

Se Jesus é o novo lugar do encontro com Deus, por que vamos à Igreja? Ora, exatamente para nos encontrar com Deus, porque é a casa da oração, segundo disse Jesus que não deve ser convertida em casa de negócios.  Vamos encontrar com Jesus, que nos leva ao Pai e nos dá o Espírito Santo. Por isso, não é correto que pessoas ao entrar na Igreja não vão, em primeiro lugar, lá na Capela do Santíssimo Sacramento da presença real de Jesus na Eucaristia. Lembro-me do modelo exemplar de Francisco de Assis que, inclusive, deixou uma belíssima oração. Pois toda vez que entrava em alguma Igreja, primeiro, ele se prostrava diante de Jesus no Sacrário e se não houvesse, então, diante do crucificado, e assim rezava: “Eu vos adoro santíssimo Senhor Jesus Cristo, aqui e em todas as vossas Igrejas que estão no mundo inteiro, e vos bendigo porque por vossa santa cruz remistes o mundo”. E, depois, a alma de Francisco se levantava às alturas e louvava a Deus com o Cântico das criaturas, a Nossa Senhora com orações e afetos especiais, pois tinha um amor indizível à Mãe de Jesus, aos Anjos e Arcanjos aos quais tinha profunda devoção. Incendiado pelo fogo do amor de Deus, Francisco saía da Igreja e não cansava de proclamar a toda gente, dizendo: “O amor não é amado”. E conclamava a todos a amar e servir ao bom Deus e a toda humana criatura.

O documento de Aparecida aponta outros lugares onde é possível o encontro com Jesus Cristo. Destaco dentre eles, por exemplo, três modos de encontrá-Lo. Podemos encontrar Jesus Cristo na Sagrada Escritura. O documento evoca a figura ilustre do primeiro tradutor da Bíblia para o latim (A Vulgata), São Jerônimo, que no século quinto já dizia que “Ignorar a Bíblia é ignorar a Cristo”. Por isso, chamando a atenção que a Igreja sempre procurou educar o povo na leitura e meditação da Palavra de Deus, frisa que agora mais do nunca é necessário fazê-lo (cf. DAp 247-249). Também é lugar privilegiado para o encontro com Jesus a Sagrada Liturgia da Igreja, sobretudo pela vida de oração e pelos Sacramentos. Põe em evidência a vivência dos Sacramentos, mediante os quais celebramos o mistério pascal e encontramos o alimento que nutre a vida nova em Cristo (idem, 250-256). Outro modo especial é encontrar Jesus nos “pobres, aflitos e enfermos” (cf. Mt 25,37-40). Diz o documento: “O encontro com Jesus Cristo através dos pobres é uma dimensão constitutiva de nossa fé em Jesus Cristo… A mesma união a Jesus Cristo é a que nos faz amigos dos pobres e solidários com seu destino” (DAp 257).

Por Dom Caetano Ferrari – Diocese de Bauru

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Por que existe a violência e o que a Igreja Católica diz sobre o assunto? https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/por-que-existe-a-violencia-e-o-que-a-igreja-catolica-diz-sobre-o-assunto/ Fri, 23 Feb 2018 09:29:47 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=50951 A Campanha da Fraternidade 2018 nos convida à reflexão sobre a “superação da violência”. Mas para isso, é importante entendermos suas causas, pensar nas maneiras de prevenção, para aí sim chegarmos ao passo da superação. Recorremos então ao DOCAT (livro da Doutrina Social da Igreja Católica para a juventude), para nos ajudar a entender melhor estas questões.

Quais as causas da guerra e da violência?

“Muitas guerras surgem por causa de ódios duradouros entre povos, por ideologias, ou por ganância de poder ou de riqueza de indivíduos ou de grupos. Para alguns, a motivação para a guerra e para o poder é também o desespero, quando, por exemplo, não têm voz politicamente, quando sofrem de fome, de pobreza, de opressão ou outras injustiças. Onde poucos ricos vivem à custa de muitos pobres, esta desigualdade provoca frequentemente surtos de violência” (DOCAT, 284).

Apesar destas questões, vale sempre lembrar que a injustiça não se vence com violência. Tampouco a violência se vence com a violência, pois, segundo Papa Francisco “a violência só se vence com a paz”.

Neste mês, a campanha Eu sou o Brasil Ético fala sobre segurança. Mas que tal, ao invés de pensarmos políticas públicas contra a violência, passarmos a também em maneiras de prevenir a violência? Para isso, a Igreja nos aconselha abaixo.

Quais estratégias de prevenção existem para evitar a guerra e a violência?

“O combate pela paz nunca pode consistir apenas no desarmamento ou na supressão violenta de conflitos. Muitas vezes, a causa da violência é a mentira e ainda mais a injustiça. Estruturas injustas conduzem sempre à exploração e à miséria. Falta de participação e restrição da liberdade manifestam-se em resistência violenta. Por isso, a guerra só pode ser duravelmente evitada onde surgirem sociedades livres nas quais dominam relações justas e todas as pessoas têm uma perspectiva de desenvolvimento. Também evitam a guerra ajudas úteis para o desenvolvimento (DOCAT, 286).

Muhammad Yunus, economista e Nobel da Paz em 2006, diz que com a pobreza é impossível alcançar a paz. “Creio que a melhoria das condições de vida dos pobres é uma arma estratégica melhor do que o dinheiro. O combate ao terrorismo não pode ser ganho através de operações militares”.

Falando em paz, há um antigo provérbio chinês que diz que “Não há paz no mundo sem paz entre os povos, não há paz entre os povos, sem paz nas famílias, não há paz nas famílias sem a paz em mim, e não há paz em mim sem paz com Deus”.

Mas por que o homem precisa de Deus quando quer a paz?

“Antes de ser uma tarefa para o homem, a paz é um atributo divino. Quem quiser construir a paz sem Deus, esquece que já não vivemos no paraíso, mas que somos pecadores. O nosso estado sem paz é um sinal de que foi rompida a unidade entre Deus e a humanidade. A história humana está marcada pela violência, pelas divisões e por derramamento de sangue. Os homens anseiam pela paz que pelo pecado perderam; deste modo, silenciosamente, anseiam por Deus”.

Por Jovens de Maria via A12

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Testemunha da Verdade que liberta https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/testemunha-da-verdade-que-liberta/ Thu, 22 Feb 2018 10:23:24 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=50927 No dia 22 de fevereiro a Igreja celebra a Festa da Cátedra de Pedro, lembrando a função magisterial do Papa de ser um guardião e testemunha da mensagem de Cristo. Jesus, diante de Pilatos, afirmara que tinha vindo ao mundo para dar testemunho da Verdade e quem a buscasse com sinceridade a encontraria. Estamos vivendo numa cultura que, entre outras coisas, se pode denominar de sociedade da “pós-verdade”, ou o que o Papa Bento XVI chamava de Ditadura do Relativismo.

Numa época em que tudo se esboroa e se torna liquido e efêmero, entendemos a expressão e o nome conferido a Cefas por Jesus, Pedro, que significa Rocha, sobre a qual se edificaria a Igreja que é como a considera São Paulo “Coluna da Verdade”. A pós- modernidade é avessa ao que se conceitua de megarelatos, grandes cosmovisões, deixando que cada um viva de acordo à suas intuições, pensamento débil e gelatinoso que desconstrói convicções morais, compromissos vocacionais e projetos de vida.

A Boa Nova do Evangelho, entre outras coisas, exige a libertação das mentiras, das ideologias anti-humanas e idolátricas que oprimem as pessoas e ter alguém que, em nome de Cristo, nos anuncia de forma confiável e firme a certeza da fé. O ministério petrino será sempre uma luz para iluminar a cidade humana, a aventura e a procura do esplendor da verdade, pois só ela sacia nossa mente e tranquiliza nosso espírito.

A Paz é também fruto da Verdade sobre Deus, o homem e a própria Igreja, e defendê-la, como frisava o pensador latino-americano Methol Ferré, é importar-se com os pobres, pois o relativismo constitui a outra faceta da cultura da morte, que desconhece os valores e direitos humanos. Por isso, o magistério do Papa, hoje Francisco, longe de ser um engessamento e uma limitação a liberdade, é uma janela ao transcendente, uma ponte para Cristo, uma voz ao serviço da verdadeira liberdade e da nobreza e dignidade da pessoa humana.

Vida longa ao Papa Francisco, para que possa ser entre nós, e no meio da Humanidade que caminha na história, a testemunha fiel, o homem do diálogo, a presença amorosa da Verdade, do Deus cujo nome é misericórdia. Deus seja louvado!

Por Dom Roberto Francisco Ferreria – Paz Bispo de Campos (RJ)

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Plano de vida https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/plano-de-vida/ Wed, 24 Jan 2018 10:47:38 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=50416 Caros amigos, transcorridos os primeiros dias do ano, que traz consigo a esperança de progresso e felicidade, não podemos nos esquecer da urgência de nossa missão. O tempo nesta terra é um presente maravilhoso do Criador que nos dá, por amor, uma vida plena. De fato, o mundo precisa de homens e mulheres que desejem viver com Deus, irradiá-lo, não pelo gosto da fama, mas pela superabundância de vida interior.

Deste modo, precisamos de um plano. Vejo constantemente os que olham para o ano de 2018 e falam de “planos de cursos”, “planos de orçamentos”, “planos de viagens”, “planos de investimentos”, “planos de previdência”, “planos para os filhos”… talvez seja o momento de ousarmos um verdadeiro “plano de vida”.

Se a vida é a preciosa e a única existência que teremos nesta terra, em um determinado momento precisamos parar e pensar o que estamos fazendo com ela. Qual o valor que dou ao meu tempo? Como o estou gastando? Que garantias tenho da boa aplicação deste investimento?

Passam os dias e as horas cada vez mais depressa, por causa do ritmo frenético destes tempos modernos. Caminhamos, andamos rápido, corremos o tempo todo. Mas não deixaremos um rastro fecundo atrás de nós se não nos decidirmos, de uma vez por todas, por Deus: Precisamos dizer sim a Deus!

Entretanto, este sim não é uma obra qualquer. Exige cálculo, passos, pequenas e grandes mudanças: exige um plano. Por exemplo: seria ingenuidade pensar que praticaremos o Evangelho de Jesus Cristo hoje, se não tomamos nem cinco minutos para lê-lo e nos custa recordar uma parábola que seja; ou ainda, não podemos dizer que somos íntimos de Deus se não falamos com Ele, se não experimentamos um momento reconfortante de oração diária, acompanhado daquele silêncio que tantos e tantas fazem diante do televisor e celulares; também nunca expulsaremos as trevas do pecado de nossos corações sem procurar o sacramento da reconciliação ou sem o alimento da Eucaristia.

Ainda falta, para que nosso plano seja verdadeiramente cristão, uma peça fundamental: o amor e o cuidado pelos necessitados, a fraternidade nascida do Espírito de Jesus Cristo. Completo esta ideia com palavras de nosso amado Papa Francisco: “Escreve São Pedro Fabro no seu Memorial que o primeiro movimento do coração deve ser o de ‘desejar o que é essencial e originário, ou seja, que o primeiro lugar seja deixado à solicitude perfeita de encontrar Deus nosso Senhor’ (Memorial, 63) (…). Só estando centrados em Deus é possível caminhar rumo às periferias do mundo!” (03/01/2014).

Por Dom Edney Gouvêa Mattoso – Bispo de Nova Friburgo (RJ)

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Papa na TV: "Deus não nos induz em tentação; não nos deixa cair" https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/papa-na-tv-deus-nao-nos-induz-em-tentacao-nao-nos-deixa-cair/ Thu, 07 Dec 2017 15:07:33 +0000 http://teste.toqueto.com/papa-na-tv-deus-nao-nos-induz-em-tentacao-nao-nos-deixa-cair.html O Papa participou nesta quarta-feira (06/12) da 7ª parte da série TV ‘Pai Nosso’, conduzida pelo Padre Marco Pozza, capelão do cárcere de Pádua, norte da Itália. O programa vai ao ar às 21h05, semanalmente, no canal TV2000, de propriedade da Conferência Episcopal Italiana, CEI.

Na conversa, em tom informal, o capelão questiona o Papa sobre o significado do trecho do Pai Nosso ‘não nos induzais em tentação’. Segundo Papa, esta é uma tradução ‘não boa’ de ‘não nos deixeis cair em tentação’, como usado em português e espanhol.

Já no último domingo (03/12), a Igreja Católica na França alterou o trecho, que sempre foi pronunciado no país como “não nos submeteis à tentação”, para “não nos deixeis cair em tentação”.  

“Não é Deus que nos induz em tentação, mas Satanás”, explicou o Papa.  “Um pai ajuda rapidamente o filho a se levantar”.

“Na oração do ‘Pai Nosso’, Deus que nos induz em tentação ‘não é uma boa tradução. Os franceses também mudaram o texto e agora é ‘não me deixeis cair na tentação’. Eu é que caio, não é Ele que me joga na tentação para ver como caio; um pai não faz isso, um pai ajuda o filho a se levantar”, afirmou o Papa.

O programa, que surgiu da colaboração entre a Secretaria para a Comunicação da Santa Sé e TV2000, é estruturado em 9 capítulos, todas as quartas-feiras, com a participação também de expoentes leigos do mundo da cultura e do espetáculo. Neste sétimo capítulo, o hóspede foi o filósofo Umberto Galimberti.

A série com as perguntas e respostas do Papa a Pe. Marco, deu origem ao livro‘Pai Nosso’, da Editora Rizzoli, publicado pela Livraria Editora Vaticana.

Por Rádio Vaticano

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Francisco: o cristão deve olhar para o futuro com Deus, para viver em plenitude https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/francisco-o-cristao-deve-olhar-para-o-futuro-com-deus-para-viver-em-plenitude/ Mon, 23 Oct 2017 08:03:48 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=49118 Em suas palavras antes da oração do Ângelus, o Papa Francisco convidou os milhares de fiéis, reunidos na Praça de São Pedro, a viver cada dia reconhecendo Deus como o Senhor de tudo e olhar para o futuro com esperança.

“O fiel olha a realidade futura, a de Deus, para viver a vida terrena em plenitude e responder com coragem aos seus desafios”, sublinhou.

O Pontífice falou sobre o Evangelho cujo tema abordado é o do tributo a César: uma “pergunta espinhosa”, sobre se “é lícito ou não pagar o imposto ao imperador de Roma, que era submetida à Palestina no tempo de Jesus”.

Os fariseus perguntam: “É lícito ou não pagar imposto a César? era uma armadilha para o Mestre”, porque “dependendo de como tivesse respondido, ele seria acusado de estar a favor ou contra Roma”.

Entretanto, Jesus responde “com calma” e “aproveita a pergunta para dar uma lição importante”. “Por um lado, intimando a restituir ao imperador o que lhe pertence, Jesus declara que pagar o imposto não é um ato de idolatria, mas um ato devido à autoridade terrena; por outro lado, Jesus recorda o primado de Deus, pede para dar ao Senhor da vida do homem e da história o que lhe cabe”.

Deus “é o Senhor de tudo, e nós, que fomos criados à sua imagem, pertencemos, sobretudo a Ele”, destacou. “É Ele que lhe deu tudo o que você é e o que você tem” e por isso “devemos viver a nossa vida, todos os dias, no reconhecimento da nossa pertença fundamental e no reconhecimento do coração para com nosso Pai, que cria cada um de nós individualmente e únicos”.

Francisco explicou ainda que o cristão “é chamado a se comprometer concretamente nas realidades humanas e sociais, iluminando a realidade terrena com a luz que vem de Deus”.

Por ACI Digital

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História da humanidade https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/historia-da-humanidade/ Wed, 18 Oct 2017 10:49:55 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=49076 O tema parece bastante abrangente, mas pode ser visto de diversos ângulos e interpretado na ótica de quem o faz. Se for numa visão de fé, dizemos que tudo está nas mãos de Deus e ganha um significado de caminho de salvação do ser humano. Tudo que existe na história foi criado em função da pessoa humana, que também foi criada, mas à imagem e semelhança de seu Criador.

Se Deus é o autor e o criador do tempo e da história, e quer a salvação da humanidade, Ele pode realizar sua vontade até mesmo através de caminhos tortuosos. No campo da moral cristã, o ser humano não pode usar do mal para conquistar o bem. Pior ainda quando explora o bem público, que deveria estar a serviço da coletividade, direcionando-o para práticas egoístas e injustas.

A história da humanidade tem percorrido caminhos que vão à contramão dos indicativos de Deus. Isso acontece tanto no campo político como no religioso. Não é respeitado o princípio jurídico bíblico do “dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Mt 22,21). Nem se sabe se é justo o alto valor cobrado nos impostos exigidos pelas autoridades brasileiras, e nem para onde vai!

No campo religioso, o tipo de prosperidade proclamada fere o sentido da vida cristã. Cai na mesma atitude dos políticos corruptos, porque os objetivos não são coletivos, facilitando a prática da corrupção e do enriquecimento ilícito. O pior é que isso é feito em nome de Deus, atuação que não passa de uma perfeita idolatria. Deus é instrumentalizado em benefício de atos escusos e desonestos.

Existe um projeto divino, que ninguém é capaz de impedir, como instância última de toda a história da humanidade. Mesmo no meio de situações incongruentes, o plano infinito de Deus não vai deixar de ser realizado. É uma promessa profética, que não falha e está acima de qualquer sentimento subjetivamente pessoal. É a humanidade deixando de ser histórica para ter a plenitude em Deus.

Na vida prática, a fé é um modo de a pessoa viver, podendo contribuir com a ação libertadora de Deus. O plano universal não depende de nossa fé, mas conta com a colaboração de todos até chegar à eternidade. É um caminho de liberdade pessoal, e quem usa bem desse instrumento, lucra benesses em sua trajetória histórica. Fazer o bem oportuniza também receber o bem.

Por Dom Paulo Mendes Peixoto – Arcebispo de Uberaba (MG)

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