Coronavírus - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br Site oficial da Diocese de Uruaçu - GO Sat, 28 Sep 2024 03:58:34 +0000 pt-BR hourly 1 https://old.diocesedeuruacu.com.br/wp-content/uploads/2018/12/cropped-favicon-32x32.png Coronavírus - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br 32 32 170539269 Em Mensagem, Regional Centro-Oeste reafirma proximidade em tempos difíceis de pandemia https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/igreja-no-brasil/em-mensagem-regional-centro-oeste-reafirma-proximidade-em-tempos-dificeis-de-pandemia/ Mon, 22 Mar 2021 17:14:06 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=60248 Os bispos do Regional Centro-Oeste da CNBB (Igreja em Goiás e Distrito Federal) divulgaram mensagem ao povo de Deus diante do agravamento da pandemia do coronavírus no Brasil. O documento destaca a esperança da Igreja, sobretudo com a aproximação da celebração da Páscoa do Senhor, a mais importante festa do cristianismo católico. Eles também se solidarizam com todos aqueles que sofrem as mais diversas consequências da pandemia, de modo especial com as famílias das vítimas e os profissionais de saúde que têm trabalhado incansavelmente pela cura dos acometidos pelo vírus.

Leia Mensagem na íntegra, abaixo.

 

Mensagem ao Povo de Deus do Regional Centro-Oeste da CNBB
Diante do agravamento da crise devida à COVID 19

O triunfo do cristão é sempre uma cruz, mas cruz que é, simultaneamente,
estandarte de vitória, que se empunha com ternura batalhadora contra as
investidas do mal. (Evangelii Gaudium n. 85)

Nós, os bispos do Regional Centro-Oeste, firmes na esperança que vem da celebração da Páscoa do Senhor, queremos reafirmar neste momento difícil da história a nossa proximidade com todos vocês, nossos irmãos e irmãs, principalmente aos mais pobres, aos doentes, aos idosos e às crianças. Cheios de gratidão, abençoamos os profissionais de saúde e todos os demais, dedicados a aliviar o sofrimento de tantas pessoas e famílias.

Somos testemunhas das dores que nos têm assolado a todos nestes dias difíceis. Este vírus que ataca, faz adoecer e mata nos desafia nos aspectos mais elementares de nossas vidas, dificultando, por vezes, nossa expressão comunitária de fé, nossas atividades quotidianas, com graves consequências econômicas e sociais.

Em momentos como este, nós, os bispos do Regional Centro-Oeste, unidos aos presbíteros e religiosos(as), desejamos, assegurar-lhes nossa oração e reafirmar o compromisso de amor para com todos vocês. Chegue a nossa palavra de alento e de solidariedade a cada família, casa e comunidade, para que, ancorados no Senhor, que diz: eis que estou convosco todos os dias (Mt 28,20), sigamos sempre firmes na esperança que não decepciona, mas que cada vez mais reforça a nossa predisposição para a solidariedade e a fraternidade.

Deste modo, irmãos muito amados, imploramos por intercessão de nossa beatíssima Mãe, Maria santíssima, e de São José, que desça sobre vocês a benção e a proteção de Deus!

Goiânia, 18 de março de 2021.

 

Dom Waldemar Passini Dalbello
Bispo de Luziânia

Dom Washington Cruz
Arcebispo de Goiânia

Dom Levi Bonatto
Auxiliar de Goiânia

Dom João Wilk, OFM Conv
Bispo de Anápolis

Dom Dilmo Franco de Campos
Auxiliar de Anápolis

Dom Lindomar Rocha Mota
Bispo de São Luís de Montes Belos

Dom Antônio Fernando Brochini, CSS
Bispo de Itumbiara

Dom Nélio Domingos Zortea
Bispo de Jataí

Dom José Francisco Rodrigues do Rêgo
Bispo de Ipameri

Dom Adair José Guimarães
Bispo de Formosa

Dom Francisco Agamenilton Damascena
Bispo de Rubiataba-Mozarlândia

Dom Giovani Carlos Caldas Barroca
Bispo de Uruaçu

Dom Jeová Elias Ferreira
Bispo de Goiás

Dom Paulo Cezar Costa
Arcebispo de Brasília

Dom Marcony Vinícius Ferreira
Auxiliar de Brasília

Dom José Aparecido Gonçalves de Almeida
Auxiliar de Brasília

Dom Fernando José Monteiro Guimarães
Arcebispo do Ordinariado Militar do Brasil

Dom José Francisco Falcão de Barros
Auxiliar do Ordinariado Militar do Brasil

Dom Carmelo Scampa
Emérito de São Luís de Montes Belos

Dom Eugênio Adrian Lambert Rixen
Emérito de Goiás

Dom Aloísio Hilário de Pinho
Emérito de Jataí

 

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Santa Sé sobre o mundo na pós-Covid: interdependente e com ação coletiva responsável https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/igreja-no-mundo/santa-se-sobre-o-mundo-na-pos-covid-interdependente-e-com-acao-coletiva-responsavel/ Tue, 23 Feb 2021 14:03:10 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=60175 Revitalizar a cooperação multilateral entre os Estados, baseada no respeito à igualdade de direitos e à autodeterminação dos povos, no espírito da Carta das Nações Unidas. Essa é o caminho para enfrentar com sucesso os novos desafios complexos que o mundo terá após a pandemia de Covid-19. Esse pensamento foi reiterado pelo arcebispo Ivan Jurkovič, Observador Permanente da Santa Sé junto às Nações Unidas em Genebra, que nesta segunda-feira (22) participou de uma reunião preparatória para a 15ª Sessão Ministerial da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad XV).

O encontro, inicialmente previsto para outubro de 2020, será realizado de 3 a 8 de outubro deste ano em Barbados, uma ilha da América Central, sobre o tema: “Da desigualdade e vulnerabilidade à prosperidade para todos”, com o objetivo de refinar a Agenda para o Desenvolvimento Sustentável de 2030 à luz do dramático impacto da Covid-19 nas economias do mundo inteiro. O foco das discussões será em torno das estratégias e políticas necessárias para ajudar os países a resistir melhor a choques como a pandemia no futuro e se recuperar rapidamente de crises econômicas, financeiras, climáticas e sociais.

Novas formas de compromisso responsável
Objetivos compartilhados pela Santa Sé que, ao mesmo tempo, reitera a importância de fortalecer a cooperação entre os Estados em um momento em que o multilateralismo está sendo colocado à prova ainda mais. “Os diferentes aspectos desta crise imprevisível, as soluções e qualquer novo desenvolvimento que o futuro poderia trazer, estão cada vez mais interligados e interdependentes”, observou em discurso o arcebispo Jurkovič.

É por isso que “a família das Nações é chamada a repensar o percurso, a descobrir novas formas de compromisso responsável. Desta forma”, ressaltou ele, “a crise se torna uma oportunidade para discernir como dar forma a uma nova visão integral para o futuro”. De acordo com a Santa Sé, a primeira minuta do documento de trabalho da Conferência apresentada em dezembro do ano passado oferece uma “base sólida” nesse sentido. Entre os pontos salientes, destaque para os limites do atual “paradigma de desenvolvimento”, que surgiu em todas as suas evidências precisamente durante a crise da Covid-19, o que – observou o representante do Vaticano – serviu “para nos lembrar que este é realmente um mundo interdependente” e, portanto, a necessidade de “uma ação coletiva responsável e clarividente”.

Um desenvolvimento equitativo
Não apenas isso, mas a crise também evidenciou o quanto o ambiente, o desenvolvimento e a segurança estejam interligados: “resolver uma coisa sem pensar nos outros não é mais, portanto, uma perspectiva viável”. De acordo com o arcebispo, o documento final que a Unctad está preparando para discutir nos próximos meses oferece “uma oportunidade única para organizar uma resposta efetiva às consequências econômicas da Covid-19”, desde que – enfatizou na conclusão – o foco não seja apenas em medidas macroeconômicas, mas “também em uma série de políticas corretivas para construir um percurso de desenvolvimento equitativo, integral e favorável ao clima”.

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

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Transmissão do coronavírus se agrava nas aldeias indígenas https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/igreja-no-brasil/transmissao-do-coronavirus-se-agrava-nas-aldeias-indigenas/ Tue, 23 Jun 2020 18:39:48 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=58670 O Conselho Indigenista Missionário – Cimi vem a público, mais uma vez, denunciar o agravamento do contágio por coronavírus no interior das aldeias indígenas em todo o Brasil, e exigir providências das autoridades frente a essa situação calamitosa, que tem vitimado inúmeros indígenas.

O Cimi se solidariza e se coloca também em luto junto às inúmeras famílias que choram pela morte de seus entes queridos, impedidas de dar-lhes seu último adeus; entre esses, há muitas lideranças, em especial as mais idosas, baluartes da história e cultura viva de seus povos, que estão morrendo pela covid-19.

No Brasil, nesses três meses de pandemia, os números oficiais divulgados pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) indicam a ocorrência de 103 mortes de indígenas por covid-19 e pelo menos 3.079 indígenas contaminados até o dia 16 de junho. Já de acordo com os dados coletados pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) até o dia 14 de junho, os números são ainda mais assustadores: 281 indígenas mortos e 5.361 contaminados pelo novo coronavírus.

Essa tragédia só não é maior devido às providências tomadas pelos próprios indígenas de fechar os seus territórios logo no início da pandemia. Mesmo assim, a contaminação se alastrou em Manaus (AM) e continua se alastrando nas regiões do alto e médio Solimões, Vale do Javari, Rio Negro, no estado do Amazonas, e também nos estados de Roraima, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Maranhão, Ceará, Pernambuco, assim como no litoral Sul do Brasil. Em todas estas regiões, o vírus já está presente no interior das aldeias.
Diante desse quadro de morte, dor e sofrimento dos povos indígenas, assistimos, perplexos, às falas e posturas de ignorância e descompromisso das autoridades do governo federal, que são manifestas de forma desenfreada. Não bastando o discurso de ódio do presidente da República, do ministro da Educação, o “passar a boiada” do ministro do Meio Ambiente, ainda o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), cujo dever institucional e constitucional seria o de proteger as populações indígenas, edita a Instrução Normativa nº 09 – por meio da qual a Funai permite o reconhecimento dos limites de imóveis privados em terras indígenas – e agora fala na elaboração de um novo decreto de demarcação de terras indígenas.

Seguindo os mesmos padrões, o secretário da Sesai, em vídeo e documento, espalha boatos, colocando povos contra povos, em relação ao Projeto de Lei nº 1142, que propõe a criação de um plano emergencial de enfrentamento à covid-19 para povos indígenas, comunidades quilombolas e tradicionais.

Essas posturas e ações por parte de membros do governo federal são gravíssimas, inconstitucionais, e ocorrem em um período de extrema gravidade do contágio do coronavírus, não contribuindo em nada para o enfrentamento da pandemia. Pelo contrário, corroboram a discriminação, o preconceito, a violência e o extermínio desses povos, e das demais populações pobres no Brasil.

Infelizmente, constatamos que hoje no Brasil existe uma postura institucionalizada de violência contra os povos indígenas e os seus direitos, que fere os preceitos de nossa Constituição Federal. Que essas autoridades sejam devidamente responsabilizadas pelo não cumprimento da lei maior do país.

Exigimos do atual governo o respeito a essa situação grave pela qual passa toda a população brasileira, em especial os povos indígenas. Assuma as suas responsabilidades constitucionais de cuidar e de se relacionar com a totalidade da sociedade, e não apenas com uma parcela. É urgente um plano de ação do governo para conter o avanço do coronavírus nos territórios indígenas, que contemple o combate às invasões, a retirada de invasores e a estruturação das equipes multidisciplinares com profissionais, equipamentos e insumos para a devida assistência às comunidades que estão clamando por socorro nas várias regiões do Brasil, e que faça chegarem benefícios emergenciais e alimentos com segurança, agilidade e cuidado.

Reafirmamos a nossa contrariedade com relação a essa política de ódio, integracionista, preconceituosa e violenta contra os povos indígenas, concebida por um governo descompromissado com os reais interesses da população, com a cidadania e com a soberania do Brasil.

Ao mesmo tempo, reafirmamos o nosso apoio e compromisso com os povos indígenas, suas comunidades, lideranças e organizações, na sua luta pela existência e resistência nos seus territórios, sejam eles em área rural ou urbana. Conclamamos toda a sociedade a continuar com as ações solidárias aos pobres e às populações indígenas em todo o Brasil, sensível ao sofrimento desses irmãos e irmãs e em contraposição ao discurso e às ações de violência que partem de quem deveria defendê-los. Reafirmamos também a importância da denúncia e da luta na defesa dos direitos constitucionais dos povos indígenas, tanto no âmbito nacional e internacional de defesa de direitos humanos.

Com os povos indígenas, seguimos aprendendo o significado da solidariedade e da gratuidade, redescobrindo a profunda articulação entre a vida cotidiana e o sagrado e as incontáveis maneiras de construir em nosso meio o Reino de Justiça, de Paz e de Liberdade.

Brasília, 17 de junho de 2020
Conselho Indigenista Missionário

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O Papa: rezemos juntos como irmãos pela libertação de todas as pandemias https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/destaque/o-papa-rezemos-juntos-como-irmaos-pela-libertacao-de-todas-as-pandemias/ Thu, 14 May 2020 18:52:01 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=58424 Francisco presidiu a Missa na Casa Santa Marta, no Vaticano, na manhã desta quinta-feira, 14 de maio, data em que a Igreja celebra em seu calendário litúrgico a Festa de São Matias Apóstolo. Na introdução, recordou o Dia mundial de oração, jejum e obras de caridade, promovido pelo Alto Comitê da Fraternidade Humana, e encorajou todos a se unirem como irmãos, para pedir a libertação deste mal:

O Alto Comitê para a Fraternidade Humana convocou para hoje um dia de oração, jejum para pedir a Deus misericórdia e piedade neste momento trágico da pandemia. Todos somos irmãos. São Francisco de Assis dizia: “Todos irmãos”. E por isto, homens e mulheres de todas as confissões religiosas hoje nos unimos na oração e na penitência para pedir a graça da cura desta pandemia.

Na homilia, o Papa comentou a primeira leitura, extraída do Livro de Jonas, em que o profeta convida o povo de Nínive a converter-se para não sofrer a destruição da cidade. Nínive se converteu e a cidade foi salva de alguma pandemia, talvez “uma pandemia moral”, observou o Santo Padre. “E hoje – ressaltou – todos nós, irmãos e irmãs de todas as tradições religiosas, rezamos: dia de oração e de jejum, de penitência, convocado pelo Alto Comitê para a Fraternidade Humana. Cada um de nós reza, as comunidades rezam, as confissões religiosas rezam: rezam a Deus, todos irmãos, unidos na fraternidade que nos une neste momento de dor e de tragédia.”

“Nós não esperávamos esta pandemia, veio sem que nós a esperássemos, mas agora está aí. E muitas pessoas morrem. E muitas pessoas morrem sozinhas e muita gente morre sem poder fazer nada. Muitas vezes se pode pensar: ‘Não me diz respeito, graças a Deus me salvei’. Mas pense nos outros! Pense na tragédia e também nas consequências econômicas, nas consequências sobre a educação” e “naquilo que virá depois. E por isso hoje, todos, irmãos e irmãs, de toda e qualquer confissão religiosa, rezemos a Deus”.

“Talvez – observou o Papa – alguém possa dizer: ‘Mas isso é relativismo religioso e não se pode fazer’. Como não se pode fazer, rezar ao Pai de todos? Cada um reza como sabe, como pode”, segundo a própria cultura. “Nós não estamos rezando um contra o outro, esta tradição religiosa contra aquela, não! Estamos todos unidos como seres humanos, como irmãos, rezando a Deus, segundo a própria cultura, segundo a própria tradição, segundo os próprios credos, mas irmãos rezando a Deus, isso é importante: irmãos, fazendo jejum, pedindo perdão a Deus pelos nossos pecados, para que o Senhor tenha misericórdia de nós, para que o Senhor nos perdoe, para que o Senhor detenha esta pandemia. Hoje é um dia de fraternidade, olhando para o único Pai, irmãos e paternidade. Dia de oração.”

Esta pandemia – disse Francisco – “veio como um dilúvio, veio abruptamente. Agora estamos nos acordando um pouco. Mas existem tantas outras pandemias que fazem as pessoas morrer e não nos damos conta disso, olhamos para outro lado. Somos um pouco inconscientes diante das tragédias que se verificam no mundo neste momento”.

O Papa citou uma estatística oficial, que não fala da pandemia do coronavírus, mas de outra pandemia: “Nos primeiros quatro meses deste ano morreram de fome 3 milhões e 700 mil pessoas. Existe a pandemia da fome. Em quatro meses, quase 4 milhões de pessoas. Esta oração de hoje para pedir que o Senhor detenha esta pandemia nos deve levar a pensar nas outras pandemias do mundo. Há muitas pandemias! A pandemia das guerras, da fome e muitas outras. Mas o importante é que, hoje, juntos e graças à coragem que o Alto Comitê para a Fraternidade Humana teve, juntos fomos convidados a rezar cada um segundo a própria tradição e a fazer um dia de penitência de jejum e também de caridade, de ajuda aos outros. Isso é importante. No livro de Jonas ouvimos que o Senhor, quando viu como o povo tinha reagido – tinha se convertido –, o Senhor cessou, desistiu daquilo que Ele queria fazer”.

“Que Deus detenha esta tragédia – foi a oração do Papa Francisco –, que detenha esta pandemia. Que Deus tenha piedade de nós e que cesse também as outras pandemias tão ruins: a da fome, a da guerra, a das crianças sem instrução. E peçamos isso como irmãos, todos juntos. Que Deus nos abençoe a todos e tenha piedade de nós.”

A seguir, o texto da homilia transcrita pelo Vatican News:

Na primeira Leitura ouvimos a história de Jonas, num estilo da época. Como havia “alguma pandemia”, não sabemos, na cidade de Nínive, talvez uma “pandemia moral”, (a cidade) estava para ser destruída (conf. Jn 3,1-10). E Deus manda Jonas pregar: oração e penitência, oração e jejum (conf. vers. 7-8). Diante daquela pandemia, Jonas se assustou e fugiu (conf. Jn 1,1-3). Depois o Senhor o chamou pela segunda vez e ele aceitou ir pregar isso (conf. Jn 3,1-2). E hoje todos nós, irmãos e irmãs de todas as tradições religiosas, rezamos: dia de oração e de jejum, de penitência, convocado pelo Alto Comitê para a Fraternidade Humana. Cada um de nós reza, as comunidades rezam, as confissões religiosas rezam, rezam a Deus: todos irmãos, unidos na fraternidade que nos une neste momento de dor e de tragédia.

Nós não esperávamos esta pandemia, veio sem que nós a esperássemos, mas agora está aí. E muitas pessoas morrem. E muitas pessoas morrem sozinhas e muita gente morre sem poder fazer nada. Muitas vezes se pode pensar: “Não me diz respeito, graças a Deus me salvei”. Mas pense nos outros! Pense na tragédia e também nas consequências econômicas, nas consequências sobre a educação, as consequências… naquilo que virá depois. E por isso hoje, todos, irmãos e irmãs, de toda e qualquer confissão religiosa, rezemos a Deus. Talvez alguém possa dizer: “Isso é relativismo religioso e não se pode fazer”. Como não se pode fazer, rezar ao Pai de todos? Cada um reza como sabe, como pode, como recebeu da própria cultura. Nós não estamos rezando um contra o outro, esta tradição religiosa contra aquela, não! Estamos todos unidos como seres humanos, como irmãos, rezando a Deus, segundo a própria cultura, segundo a própria tradição, segundo os próprios credos, mas irmãos rezando a Deus, isso é importante! Irmãos, fazendo jejum, pedindo perdão a Deus pelos nossos pecados, para que o Senhor tenha misericórdia de nós, para que o Senhor nos perdoe, para que o Senhor detenha esta pandemia. Hoje é um dia de fraternidade, olhando para o único Pai, irmãos e paternidade. Dia de oração.

Nós, no ano passado, aliás, em novembro do ano passado, não sabíamos o que era uma pandemia: veio como um dilúvio, veio abruptamente. Agora estamos nos acordando um pouco. Mas existem tantas outras pandemias que fazem as pessoas morrer e não nos damos conta disso, olhamos para outro lado. Somos um pouco inconscientes diante das tragédias que se verificam no mundo neste momento. Gostaria simplesmente de citar a vocês uma estatística oficial dos primeiros quatro meses deste ano, que não fala da pandemia do coronavírus, fala de outra. Nos primeiros quatro meses deste ano morreram de fome 3 milhões e 700 mil pessoas. Existe a pandemia da fome. Em quatro meses, quase 4 milhões de pessoas. Esta oração de hoje para pedir que o Senhor detenha esta pandemia nos deve levar a pensar nas outras pandemias do mundo. Há muitas pandemias! A pandemia das guerras, da fome e muitas outras. Mas o importante é que, hoje – juntos e graças à coragem que o Alto Comitê para a Fraternidade Humana teve, juntos fomos convidados a rezar cada um segundo a própria tradição e a fazer um dia de penitência de jejum e também de caridade, de ajuda aos outros. Isso é importante. No livro de Jonas ouvimos que o Senhor, quando viu como o povo tinha reagido – que tinha se convertido –, o Senhor cessou, desistiu daquilo que Ele queria fazer.

Que Deus detenha esta tragédia, que detenha esta pandemia. Que Deus tenha piedade de nós e que cesse também as outras pandemias tão ruins: a da fome, a da guerra, a das crianças sem instrução. E peçamos isso como irmãos, todos juntos. Que Deus nos abençoe a todos e tenha piedade de nós.

O Papa convidou a fazer a Comunhão espiritual com a seguinte oração:

Meu Jesus, eu creio que estais realmente presente no Santíssimo Sacramento do Altar. Amo-vos sobre todas as coisas, e minha alma suspira por Vós. Mas, como não posso receber-Vos agora no Santíssimo Sacramento, vinde, ao menos espiritualmente, a meu coração. Abraço-me convosco como se já estivésseis comigo: uno-me Convosco inteiramente. Ah! não permitais que torne a separar-me de Vós!

Francisco terminou a celebração com adoração e a bênção eucarística. No final da Missa, o Papa agradeceu a Tommaso Pallottino, o técnico de som do Dicastério para a Comunicação que o acompanhou nestas transmissões ao vivo e hoje era seu último dia de trabalho antes da aposentadoria: “Que o Senhor – pediu o Santo Padre – o abençoe e o acompanhe na nova etapa da vida”. Antes de deixar a Capela dedicada ao Espírito Santo, foi entoada a antífona mariana “Regina caeli”, cantada no tempo pascal:

Rainha dos céus, alegrai-vos. Aleluia!

Porque Aquele que merecestes trazer em vosso seio. Aleluia!

Ressuscitou como disse. Aleluia!

Rogai por nós a Deus. Aleluia!

D./ Alegrai-vos e exultai, ó Virgem Maria. Aleluia!

C./ Porque o Senhor ressuscitou, verdadeiramente. Aleluia!

Vídeo integral da Missa

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CNBB conclama a sociedade e os responsáveis pelos poderes públicos a se unirem pela prevenção e pelo combate à Covid-19 https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/destaque/cnbb-conclama-a-sociedade-e-os-responsaveis-pelos-poderes-publicos-a-se-unirem-pela-prevencao-e-pelo-combate-a-covid-19/ Fri, 01 May 2020 14:56:06 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=58329 A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, por meio do seu Conselho Episcopal Pastoral (Consep), reafirmou, em nota, seu compromisso com o “Pacto pela Vida e pelo Brasil”, divulgado no dia 7 de abril, assinado inicialmente por seis respeitadas instituições da sociedade civil e, posteriormente, por mais de 150 entidades. O Pacto considera que “a hora é grave e clama por liderança ética, arrojada, humanística, que ecoe um pacto firmado por toda a sociedade, como compromisso e bússola para a superação da crise atual”.

Na nota intitulada “Posicionamento da CNBB – Em defesa da Democracia, pela Justiça e pela Paz”, a CNBB considera que esta é a mais grave crise sanitária dos últimos tempos e afirma ser este um momento dificílimo, que clama pelo efetivo exercício da solidariedade e da caridade. “É tempo das palavras e atitudes serenas de paz, de fé e de esperança, de respeito às leis e à democracia”, diz um trecho.

“É com perplexidade e indignação que assistimos manifestações violentas contra as medidas de prevenção ao coronavírus; que ouvimos declarações enviesadas de desprezo pela vida, por parte de agentes públicos sobre a morte de milhares de brasileiros e brasileiras contaminados pela covid-19; que vimos acontecer eventos atentatórios à ordem constitucional, com a participação de autoridades públicas, onde se defendeu o fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal, a volta do AI-5 e o retorno aos sombrios tempos da ditadura; que todo o Brasil soube de denúncias acerca da politização da justiça, ferindo sua necessária autonomia de investigação”.

No texto, a CNBB deixa claro que a Doutrina Social da Igreja ensina, com clareza, a intocável harmonia e cooperação entre os Poderes, base constitutiva da República, garantia do Estado Democrático de Direito, o princípio de que “é preferível que cada poder seja equilibrado por outros poderes e outras esferas de competência que o mantenham no seu justo limite. Este é o princípio do ‘Estado de direito’, no qual é soberana a lei, e não a vontade arbitrária dos homens.” (CDSI, 408).

Também considera que buscar soluções para os problemas do Brasil fora da institucionalidade democrática e em confronto com os poderes da República, coloca em risco a democracia e a integridade do povo brasileiro. “Nessa perspectiva, não são toleráveis as manifestações sociais que atentam contra a Constituição, assim como não é tolerável que qualquer autoridade viole os preceitos constitucionais e despreze a vida. Espera-se das instituições republicanas, garantidoras do Estado de direito, a devida responsabilização dos que atentam contra a ordem democrática”, diz outro trecho.

Reiterando o posicionamento contido no “Pacto pela Vida e pelo Brasil”, a CNBB conclama a sociedade e os responsáveis pelos poderes públicos a se libertarem dos “vírus mortais da discórdia”, da violência, do ódio e a se unirem no único confronto que a todos interessa nesse momento: a prevenção e o combate à Covid-19, em defesa da vida, especialmente a dos mais pobres e vulneráveis.

O texto salienta, ainda, que o cuidado da saúde das pessoas e da economia são fundamentais para a garantia da vida em sua plenitude e não se opõem. “Sob a proteção de Nossa Senhora Aparecida, Maria, mãe discípula de Jesus, irmanamo-nos na luta empenhada por justiça e paz e pela democracia plena, onde deve prevalecer o bem comum e a dignidade de cada pessoa, como partícipe da construção de uma nova sociedade marcada pela solidariedade, como nos ensina o Papa Francisco”, finaliza.

A nota pode ser acessada, na íntegra, aqui.

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Estudo da SBCC e Cefet-MG mostra o impacto positivo do isolamento social na Igreja Católica https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/igreja-no-brasil/estudo-da-sbcc-e-cefet-mg-mostra-o-impacto-positivo-do-isolamento-social-na-igreja-catolica/ Tue, 28 Apr 2020 20:57:06 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=58311 As medidas de isolamento social determinadas pelas autoridades sanitárias adotadas pelas arquidioceses, dioceses e prelazias brasileiras, que suspenderam as atividades religiosas como as missas, podem ter evitado mais de 120 mortes no Brasil.

O estudo foi feito pela Sociedade Brasileira de Cientistas Católicos (SBCC), da qual o Setor Universidades da Comissão Episcopal Pastoral para Cultura e Educação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) faz parte e o Grupo de Pesquisa em Modelagem de Problemas Biológicos do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG).

“O número aproximado de vidas salvas depende do número de mortos durante o tempo do isolamento pela suspensão de missas no Brasil. Dos 3.295 óbitos pela Covid-19 neste período, poderíamos estimar que a medida salvou em torno de 125 vidas humanas, fora os milhares de infectados”, afirma o doutor em Engenharia Elétrica e professor do departamento de Matemática do Cefet, Rodrigo Cardoso. Segundo o pesquisador, o número varia entre 46 e 120, com média em 85.

Os pesquisadores utilizaram um modelo matemático para estimar o número de mortes e casos evitados de coronavírus com missas sem a presença de fiéis, que foram suspensas na maioria das dioceses brasileiras por volta do dia 21 de março de 2020.

Segundo o estudo, “Dentro das hipóteses e casos considerados nesta estimativa, os resultados apontam que apenas essa medida pode ter sido responsável pela redução de 2,6% no número de casos de infecção e mortes no país e pela redução de cerca de 9,7% do número de casos de hospitalização simultâneos durante o pico da epidemia”.

De acordo com a SBCC, mesmo a restrição aos sacramentos tendo sido dolorosa para os fiéis, é importante ressaltar que essa contribuição foi fundamental para preservar vidas.

“Com esse estudo a SBCC pretende colaborar tanto para a divulgação científica junto ao público católico, como salientar para a sociedade em geral os esforços que a Igreja tem feito no intuito de auxiliar no enfrentamento da pandemia”, diz o artigo.

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O sofrimento na pandemia da Covid-19 e a questão religiosa https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/o-sofrimento-na-pandemia-da-covid-19-e-a-questao-religiosa/ Mon, 20 Apr 2020 14:23:41 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=58211 Introdução

A crise provocada pela pandemia da COVID-19 é um convite incessante à reflexão em muitas dimensões. Neste texto, quero convidá-lo a refletir esse fenômeno a partir da dimensão religiosa. A experiência de fé, na sua autenticidade, qual contribuição pode dar nesse cenário desolador? O que as religiões tem a oferecer à humanidade neste grave tempo de instabilidade, angústia, medo, tristeza e ansiedade?

Devido à diversidade das sensibilidades religiosas, não encontramos uma única postura e nem, objetivamente, uma solução para o problema. Estamos diante de um fenômeno mundial em que todos os recursos técnicos ainda são insuficientes. A universalidade das vítimas, em gênero, cor, cultura, religiões e condição econômica, demonstra que ninguém tem uma proposta técnica para a resolução do referido mal.

Todavia, é justo que nos questionemos sobre aquilo que, de positivo e limitante, encontramos nas religiões diante dos dramas humanos. Cada religião traz consigo um sistema de crenças, valores, ritos, virtudes, atitudes e metas para os fiéis. Visto que a religião concebe o ser humano como um ser “metafísico”, não se fixa na ciência, mas ao mesmo tempo deve respeitar sua autonomia e interpretar seus dados à luz da fé.

Religião e sofrimento

A primeira questão diante da qual a humanidade se encontra atualmente é a experiência do sofrimento e da limitação dos seus recursos (físicos, científicos, econômicos etc). As religiões abraçam a totalidade do ser humano e dão sentido para tudo o que ele é, sente, pensa, adquire, busca, padece e o que acontece neste mundo. A religião não cria um mundo à parte, mas oferece-lhe um sentido, uma leitura, uma interpretação.

Nos livros sagrados, as múltiplas visões e experiências de Deus, não constituem uma “vacina técnica” para o sofrimento humano. Apesar das mais variadas e profundas experiências de fé todos adoecem, sofrem e morrem. Nenhuma religião pode reivindicar o direito de ter o “elixir da vida perpétua” e sem sofrimento neste mundo. Cada religião tem sua forma de lidar com o sofrimento, o erro, a culpa, a doença e a morte.

Sobre o sofrimento humano paira um mistério! Tanto o judaísmo, hinduísmo, budismo, islamismo e no cristianismo, com seus respectivos livros sagrados, encontramos abundantes referências ao ser humano com seus dons, potencialidades e limitações. A experiência religiosa traz consigo uma antropologia, ou seja, uma visão do ser humano.

Para as religiões em geral, há uma relação muito íntima entre experiência de fé, ética, bondade, paz, sacrifício, santidade, sofrimento, morte, vida, plenitude. Isso nos mostra o quanto é importante a religião para uma sociedade se ela for fiel aos seus princípios éticos fundamentais.

Algumas respostas e muito mistério

Para o hinduísmo o sofrimento é uma realidade congênita da condição humano, mas pode ser suportado através da virtude, do esforço para se chegar à excelência. É preciso a sábia gestão das nossas afeições e sentimentos. O sofrimento deve ser suportado com paciência! Quem permanece sereno e imperturbável tanto no prazer quanto no sofrimento, atinge a imortalidade (cf. Bhagavad Gita, Canto II, Revelação da Verdade, 14-15).

No budismo são fortíssimas as referências ao sofrimento. O mundo está marcado por ele que abraça a totalidade das fases do desenvolvimento humano. O sofrimento pode ter muitas causas tais como os desejos desordenados, a ignorância, a obstinação, o egoísmo, as ilusões, as paixões… A superação da dor e do sofrimento não acontece magicamente, mas podem ser tratadas mediante a sua correta percepção, bons pensamentos, a boa palavra, a autodisciplina, virtudes e etapas de sabedoria… Esse é o caminho do Nirvana, o pleno estado de paz e tranquilidade.

Para o Islamismo o ser humano é fraco e padece pelos infortúnios da vida (cf. Alcorão 10:12); apesar de causas humanas, provocados pelas fraquezas e pecado, nele há também um mistério permitido por Deus, como aconteceu com Jó em que o sofrimento tem sua origem nas investidas de Satanás (cf. Alcorão, 38:40).

Na Bíblia, envolvendo a tradição judaica e cristã, o sofrimento é consequência da criaturalidade humana, marcada pela limitação (pó!); mas Deus acompanha o ser humano e no sofrimento se faz presente e o liberta: «Eu vi muito bem a miséria do meu povo que está no Egito. Ouvi o seu clamor contra seus opressores, e conheço os seus sofrimentos” (Ex 3,7-8). Ninguém é poupado do sofrimento: padecem pequenos e grandes, pobres e ricos, cultos e iletrados, culpado e inocentes, também a natureza sofre (cf. Rm 8,19).

Se por um lado o sofrimento acusa a condição de vulnerabilidade humana, por outro, a fé inspira-lhe confiança pois “Deus é fiel e não permitirá que sejam tentados acima das forças que vocês têm. Mas, junto com a tentação, ele dará a vocês os meios de sair dela e a força para suportá-la” (1Cor 10,13). Enfim, “os sofrimentos do momento presente não se comparam com a glória futura que deverá ser revelada em nós” (Rm 8,18).

Quanto às causas do sofrimento, nem tudo se explica, nem tudo depende do mau uso da liberdade; é uma questão imersa em grande mistério; e onde está o amor ali também está o sofrimento. Mas também o sofrimento é passagem para glória (cf. Is 52,17; Fl 2,6-11).

Apesar das respostas insuficientes, uma coisa é certa: a fé não é um antídoto para o sofrimento e nem para a dor. Mas pode oferecer ao sofredor a possibilidade de um significado. Visto que Deus é Pai amoroso e que só deseja o bem dos seus filhos, também está pronto para educá-los e isso pode vir também com o sofrimento: “Meu filho, não desprezes a educação do Senhor…; pois o Senhor corrige a quem ele ama e castiga a quem aceita como filho. É para a vossa educação que sofreis, e é como filhos que Deus vos trata. Pois qual é o filho a quem o pai não corrige” (Hb 12,5-7).

O lamentável charlatanismo

Uma postura profundamente errônea da religião seria aquela de tentar, a todo custo, dar uma resposta técnica ao sofrimento ou prometer o fim do mesmo a partir de exigências preceituais. A COVID-19 está ceifando vidas de fiéis e líderes religiosos de todas as religiões. Esse drama está desmascarando o charlatanismo daqueles que, com seus cultos, prometiam a cura de toda espécie de doenças e males. E agora, onde estão eles?

O profeta Jeremias, muito sensível à moral religiosa, denunciou no seu tempo os falsos profetas enganadores do povo que faziam da religião fonte de fantasias. «É mentira o que esses profetas falam em meu nome (…). Eles anunciam a vocês visões mentirosas, oráculos vazios e fantasias da imaginação deles” (Jr 14,14). Eles vendiam ilusões com palavras mentirosas que não traziam nenhuma solução para os reias problemas do povo (cf. Jr 7,6-8).

Também os apóstolos enfrentaram falsos mestres promotores de heresias, doutrinas dissolutas, vendas de ilusões por amor ao dinheiro fazendo das pessoas objetos de negócios (cf. 2Cor 11,13-15; 2Pd 2,1-3). Em geral, tais líderes tem um discurso fundamentalista e negam o dinamismo próprio da natureza e da ciência. Privilegiam os seus interesses pessoais.

O papel da religião é aquele de dar sentido para a realidade, despertar para as virtudes, fomentar solidariedade, contribuir para a saúde mental, favorecer a resiliência, a serenidade, apresentar parâmetros éticos, estimular a esperança e um olhar que transcenda a realidade.

PARA REFLEXÃO PESSOAL:

Quais são as possíveis respostas ao sofrimento humano?
Como você vê o charlatanismo religioso diante do sofrimento?
Qual é a verdadeira contribuição da religião em relação à experiência do sofrimento?

Dom Antônio de Assis Ribeiro
Bispo Auxiliar de Belém (PA)

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Casa de apoio para moradores de rua é aberta em Uruaçu-GO https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/destaque/casa-de-apoio-para-moradores-de-rua-e-aberta-em-uruacu-go/ Fri, 17 Apr 2020 18:55:47 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=58190 Devido ao momento que todo o país enfrenta referente ao Covid-19, a Comunidade Católica Missão Maria de Nazaré sentiu a necessidade de iniciar um novo projeto em sua casa de formação em Uruaçu-GO.

Em parceria com as Obras Sociais da Diocese de Uruaçu, a Renovação Carismática e a Paróquia Sant’Ana, o trabalho se iniciou no último dia 6 e se trata de uma casa de apoio temporária para os irmãos moradores de rua da cidade. As principais atividades oferecidas na casa são a disponibilização de refeições, tais como, café da manhã, almoço e lanche da tarde, o oferecimento de roupas, corte de cabelo e barba, dentre outros cuidados.

Esses tratamentos acontecem das 8h às 17h, durante todos os dias da semana, na casa da Renovação (RCC), Rua Goiás, nº 86, no centro da cidade, próximo a Catedral. Para que esse trabalho continue sendo feito a comunidade está em busca de arrecadações de alimentos, materiais de limpeza e descartáveis, artigos de higiene pessoal e EPI.

Para que essa obra prossiga ela precisa de você! Para mais informações entre em contato com (62) 3357-3612 / (62) 3357-6455 ou pelo WhatsApp (37) 98802-1713.

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Nota pública da Sociedade Brasileira de Cientistas Católicos https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/destaque/nota-publica-da-sociedade-brasileira-de-cientistas-catolicos/ Mon, 30 Mar 2020 16:18:37 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=58107 Nós, membros da SBCC, diante da pandemia do Covid-19, fazemo-nos próximos e solidários aos brasileiros neste momento de angústia, incertezas e esperanças. Reconhecemos o grande valor dos cientistas, profissionais da saúde e de todos os demais que têm papel indispensável nesta hora. Queremos também contribuir para a promoção e defesa da vida, o bem maior. A Organização Mundial da Saúde, o Ministério da Saúde e a comunidade científica têm indicado algumas ações que já estão em andamento para conter o avanço da doença e assim evitar o colapso do sistema de saúde, bem como reduzir o número de mortes causadas pela Covid-19. Considerando-se que muitas outras ações ainda precisarão ser desenvolvidas a SBCC propõe aos pesquisadores católicos as seguintes reflexões:

1 – É preciso priorizar temporalmente os esforços científicos, técnicos e econômicos, de modo que soluções para os problemas mais relevantes sejam rapidamente levantadas, tendo em conta o valor inegociável da vida humana. Sob este valor, devem estar subordinadas todas as demais preocupações políticas e econômicas.

2 – A aplicação em larga escala de vacinas, medicamentos e outros tratamentos deve ser baseada em conhecimentos científicos comprovados ou, quando em condições extremas, em protocolos clínicos devidamente justificados. Comunidades humanas não podem ser usadas como cobaias, a fim de obter conhecimento. Isso inverte a lógica de uma ciência humanista e fere a ética científica em diferentes níveis. Neste mesmo sentido, as medidas políticas, sociais e econômicas adotadas devem estar baseadas em modelos que priorizem vidas, seja evitando a disseminação da doença, seja garantindo a subsistência dos indivíduos num cenário pós-epidemia.

3 – É mister estabelecer, em espírito solidário, um diálogo efetivo e transdisciplinar para encontrar a dosimetria adequada das ações no complexo enfrentamento da crise. Deve-se buscar ações econômicas e de organização social baseadas em um humanismo solidário, que visem o bem comum e protagonizem a opção preferencial pelos pobres.

4 – Ao fim dessa crise, a sociedade terá a oportunidade de reavaliar os papéis tanto da comunidade científica quanto dos profissionais de saúde, por vezes preteridos de incentivos públicos e privados, no cenário nacional. Reafirmamos sua importância e a necessidade de que suas orientações sejam seguidas por parte das autoridades civis, eclesiásticas, e toda sociedade de modo geral.

Em tempo, conclamamos esses profissionais a que assumam, com profunda solidariedade e colaboração, suas funções tão necessárias nesse momento crítico em que vivemos. Pedimos a todos os irmãos para que rezem por esses profissionais e que nos unamos a Cristo para sermos sinais de esperança.

27 de março de 2020.

Sociedade Brasileira de Cientistas Católicos

Avenida Cardeal da Silva, nº 205, Federação, Salvador-BA CEP 40231-250 – CNPJ 36.570.079/0001-33
https://catolicosnaciencia.org.br/

 

 

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Papa Francisco: Abraçar o Senhor para abraçar a esperança https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/destaque/papa-francisco-abracar-o-senhor-para-abracar-a-esperanca/ Sun, 29 Mar 2020 03:20:26 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=58104 Abraçar o Senhor para abraçar a esperança: esta é a mensagem do Papa Francisco aos fiéis de todo o mundo que, neste momento, se encontram em meio à tempestade causada pela pandemia do coronavírus.

Diante de uma Praça São Pedro completamente vazia, mas em sintonia com milhões de pessoas através dos meios de comunicação, o trecho escolhido para a oração dos féis foi a tempestade acalmada por Jesus, extraído do Evangelho de Marcos.

E foi esta passagem bíblica que inspirou a homilia do Santo Padre, que começa com o “entardecer…”.

“Há semanas, parece que a tarde caiu. Densas trevas cobriram as nossas praças, ruas e cidades; apoderaram-se das nossas vidas, enchendo tudo de um silêncio ensurdecedor e de um vazio desolador… Nos vimos amedrontados e perdidos.”

Estamos todos no mesmo barco
Estes mesmos sentimentos, porém, acrescentou o Papa, nos fizeram entender que estamos todos no mesmo barco, “chamados a remar juntos”.

Neste mesmo barco, seja com os discípulos, seja conosco agora, está Jesus. Em meio à tempestade, Ele dorme – o único relato no Evangelho de Jesus que dorme – notou Francisco. Ao ser despertado, questiona: «Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?» (4, 40).

“A tempestade desmascara a nossa vulnerabilidade e deixa a descoberto as falsas e supérfluas seguranças com que construímos os nossos programas, os nossos projetos, os nossos hábitos e prioridades. Mostra-nos como deixamos adormecido e abandonado aquilo que nutre, sustenta e dá força à nossa vida e à nossa comunidade.”
A ilusão de pensar que continuaríamos saudáveis num mundo doente
Com a tempestade, afirmou o Papa, cai o nosso “ego” sempre preocupado com a própria imagem e vem à tona a abençoada pertença comum que não podemos ignorar: a pertença como irmãos.

“Na nossa avidez de lucro, deixamo-nos absorver pelas coisas e transtornar pela pressa. Não nos detivemos perante os teus apelos, não despertamos face a guerras e injustiças planetárias, não ouvimos o grito dos pobres e do nosso planeta gravemente enfermo. Avançamos, destemidos, pensando que continuaríamos sempre saudáveis num mundo doente. Agora, sentindo-nos em mar agitado, imploramos-Te: «Acorda, Senhor!»”

O Senhor então nos dirige um apelo, um apelo à fé. Nos chama a viver este tempo de provação como um tempo de decisão: o tempo de escolher o que conta e o que passa, de separar aquilo que é necessário daquilo que não é. “O tempo de reajustar a rota da vida rumo ao Senhor e aos outros.”

A heroicidade dos anônimos
Francisco cita o exemplo de pessoas que doaram a sua vida e estão escrevendo hoje os momentos decisivos da nossa história. Não são pessoas famosas, mas são “médicos, enfermeiros, funcionários de supermercados, pessoal da limpeza, transportadores, forças policiais, voluntários, sacerdotes, religiosas e muitos – mas muitos – outros que compreenderam que ninguém se salva sozinho”.

“É diante do sofrimento que se mede o verdadeiro desenvolvimento dos nossos povos”, afirmou o Papa, que recordou que a oração e o serviço silencioso são as nossas “armas vencedoras”.

A tempestade nos mostra que não somos autossuficientes, que sozinhos afundamos. Por isso, devemos convidar Jesus a embarcar em nossas vidas. Com Ele a bordo, não naufragamos, porque esta é a força de Deus: transformar em bem tudo o que nos acontece, inclusive as coisas negativas. Com Deus, a vida jamais morre.

Temos uma esperança
Em meio à tempestade, o Senhor nos interpela e pede que nos despertemos. “Temos uma âncora: na sua cruz fomos salvos. Temos um leme: na sua cruz, fomos resgatados. Temos uma esperança: na sua cruz, fomos curados e abraçados, para que nada e ninguém nos separe do seu amor redentor.”

Abraçar a sua cruz, explicou o Papa, significa encontrar a coragem de abraçar todas as contrariedades da hora atual, abandonando por um momento a nossa ânsia de onipotência e posse, para dar espaço à criatividade que só o Espírito é capaz de suscitar. “Abraçar o Senhor, para abraçar a esperança.” Aqui está a força da fé e que liberta do medo. Francisco então concluiu:

“Deste lugar que atesta a fé rochosa de Pedro, gostaria nesta tarde de confiar a todos ao Senhor, pela intercessão de Nossa Senhora, saúde do seu povo, estrela do mar em tempestade. Desta colunata que abraça Roma e o mundo, desça sobre vocês, como um abraço consolador, a bênção de Deus. Senhor, não nos deixes à mercê da tempestade.”

Ao final da homilia, o Pontífice adorou o Santíssimo e concedeu a bênção Urbi et Orbi, com anexa a Indulgência Plenária.

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