Conselho Indigenista Missionário - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br Site oficial da Diocese de Uruaçu - GO Sat, 28 Sep 2024 04:07:28 +0000 pt-BR hourly 1 https://old.diocesedeuruacu.com.br/wp-content/uploads/2018/12/cropped-favicon-32x32.png Conselho Indigenista Missionário - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br 32 32 170539269 Transmissão do coronavírus se agrava nas aldeias indígenas https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/igreja-no-brasil/transmissao-do-coronavirus-se-agrava-nas-aldeias-indigenas/ Tue, 23 Jun 2020 18:39:48 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=58670 O Conselho Indigenista Missionário – Cimi vem a público, mais uma vez, denunciar o agravamento do contágio por coronavírus no interior das aldeias indígenas em todo o Brasil, e exigir providências das autoridades frente a essa situação calamitosa, que tem vitimado inúmeros indígenas.

O Cimi se solidariza e se coloca também em luto junto às inúmeras famílias que choram pela morte de seus entes queridos, impedidas de dar-lhes seu último adeus; entre esses, há muitas lideranças, em especial as mais idosas, baluartes da história e cultura viva de seus povos, que estão morrendo pela covid-19.

No Brasil, nesses três meses de pandemia, os números oficiais divulgados pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) indicam a ocorrência de 103 mortes de indígenas por covid-19 e pelo menos 3.079 indígenas contaminados até o dia 16 de junho. Já de acordo com os dados coletados pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) até o dia 14 de junho, os números são ainda mais assustadores: 281 indígenas mortos e 5.361 contaminados pelo novo coronavírus.

Essa tragédia só não é maior devido às providências tomadas pelos próprios indígenas de fechar os seus territórios logo no início da pandemia. Mesmo assim, a contaminação se alastrou em Manaus (AM) e continua se alastrando nas regiões do alto e médio Solimões, Vale do Javari, Rio Negro, no estado do Amazonas, e também nos estados de Roraima, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Maranhão, Ceará, Pernambuco, assim como no litoral Sul do Brasil. Em todas estas regiões, o vírus já está presente no interior das aldeias.
Diante desse quadro de morte, dor e sofrimento dos povos indígenas, assistimos, perplexos, às falas e posturas de ignorância e descompromisso das autoridades do governo federal, que são manifestas de forma desenfreada. Não bastando o discurso de ódio do presidente da República, do ministro da Educação, o “passar a boiada” do ministro do Meio Ambiente, ainda o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), cujo dever institucional e constitucional seria o de proteger as populações indígenas, edita a Instrução Normativa nº 09 – por meio da qual a Funai permite o reconhecimento dos limites de imóveis privados em terras indígenas – e agora fala na elaboração de um novo decreto de demarcação de terras indígenas.

Seguindo os mesmos padrões, o secretário da Sesai, em vídeo e documento, espalha boatos, colocando povos contra povos, em relação ao Projeto de Lei nº 1142, que propõe a criação de um plano emergencial de enfrentamento à covid-19 para povos indígenas, comunidades quilombolas e tradicionais.

Essas posturas e ações por parte de membros do governo federal são gravíssimas, inconstitucionais, e ocorrem em um período de extrema gravidade do contágio do coronavírus, não contribuindo em nada para o enfrentamento da pandemia. Pelo contrário, corroboram a discriminação, o preconceito, a violência e o extermínio desses povos, e das demais populações pobres no Brasil.

Infelizmente, constatamos que hoje no Brasil existe uma postura institucionalizada de violência contra os povos indígenas e os seus direitos, que fere os preceitos de nossa Constituição Federal. Que essas autoridades sejam devidamente responsabilizadas pelo não cumprimento da lei maior do país.

Exigimos do atual governo o respeito a essa situação grave pela qual passa toda a população brasileira, em especial os povos indígenas. Assuma as suas responsabilidades constitucionais de cuidar e de se relacionar com a totalidade da sociedade, e não apenas com uma parcela. É urgente um plano de ação do governo para conter o avanço do coronavírus nos territórios indígenas, que contemple o combate às invasões, a retirada de invasores e a estruturação das equipes multidisciplinares com profissionais, equipamentos e insumos para a devida assistência às comunidades que estão clamando por socorro nas várias regiões do Brasil, e que faça chegarem benefícios emergenciais e alimentos com segurança, agilidade e cuidado.

Reafirmamos a nossa contrariedade com relação a essa política de ódio, integracionista, preconceituosa e violenta contra os povos indígenas, concebida por um governo descompromissado com os reais interesses da população, com a cidadania e com a soberania do Brasil.

Ao mesmo tempo, reafirmamos o nosso apoio e compromisso com os povos indígenas, suas comunidades, lideranças e organizações, na sua luta pela existência e resistência nos seus territórios, sejam eles em área rural ou urbana. Conclamamos toda a sociedade a continuar com as ações solidárias aos pobres e às populações indígenas em todo o Brasil, sensível ao sofrimento desses irmãos e irmãs e em contraposição ao discurso e às ações de violência que partem de quem deveria defendê-los. Reafirmamos também a importância da denúncia e da luta na defesa dos direitos constitucionais dos povos indígenas, tanto no âmbito nacional e internacional de defesa de direitos humanos.

Com os povos indígenas, seguimos aprendendo o significado da solidariedade e da gratuidade, redescobrindo a profunda articulação entre a vida cotidiana e o sagrado e as incontáveis maneiras de construir em nosso meio o Reino de Justiça, de Paz e de Liberdade.

Brasília, 17 de junho de 2020
Conselho Indigenista Missionário

]]>
58670
CIMI apresenta relatório que aponta aumento de casos de violência contra povos indígenas https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/igreja-no-brasil/cimi-apresenta-relatorio-que-aponta-aumento-de-casos-de-violencia-contra-povos-indigenas/ Wed, 25 Sep 2019 12:57:26 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=56803 Em nove meses de 2019 ocorreram 160 casos de invasão em 153 terras indígenas, em 19 estados; e no ano completo de 2018 ocorreram 111 casos em 76 terras indígenas, em 13 estados. Estes dados foram apresentados em coletiva de imprensa na tarde desta terça-feira, 24 de setembro, durante o lançamento do relatório “Violência contra povos indígenas no Brasil – dados 2018” sistematizados pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI), organismo vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

O Subsecretário Adjunto Geral da CNBB, padre Dirceu de Oliveira Medeiros, em nome da presidência da entidade, saudou aos participantes, profissionais da imprensa, autoridades políticas, representantes indígenas e lideranças do CIMI. Ele destacou que a CNBB é uma casa de acolhida e de compromisso na defesa dos grupos mais vulneráveis.

O relatório aponta que os povos indígenas no Brasil enfrentam um substancial aumento da grilagem, roubo de madeira, garimpo, invasões e até mesmo implantação de loteamentos em seus territórios tradicionais. Em 2018 foram registrados 135 casos de assassinato de indígenas, 25 a mais que os registrados em 2017.

Segundo Roberto Liebott, coordenador do CIMI Regional Sul e um dos organizadores do relatório, os números demonstram um crescimento vertiginoso de invasões aos territórios indígenas no Brasil. Para o representante do CIMI, o “Dia do Fogo” é emblemático da situação que os indígenas estão vivendo no país no qual há em curso, em sua avaliação, uma perspectiva integracionista, ideia em voga na década de 70. “Para integrar os índios, é necessário desterritorializá-los como aconteceu no Rio Grande do Sul e no Mato Grosso do Sul”, disse.

O arcebispo de Porto Velho (RO), dom Roque Paloschi, presidente do Cimi disse que a violência contra os povos indígenas se tornou uma chaga institucionalizada. Ele destacou que se trata de uma realidade nacional, registrada de norte a sul e de leste a oeste. “A agressividade de autoridades políticas serve de combustível para o aumento da violência contra os povos indígenas”, disse.

O cacique Suruí Pataxó da Aldeia Barra Velha em Porto Seguro (BA) participou do lançamento do relatório. Segundo ele, apesar do atual governo não ceder aos direitos dos povos indígenas, os primeiros habitantes do território brasileiro, isto não é motivo para esmorecimento. Segundo ele, é a sabedoria dos “encantados”, seus antepassados, que vai ajudá-los a continuar na resistência e na luta por seus direitos.

Corte orçamentário – Além dos casos de violência, o relatório aponta uma redução orçamentária paras as políticas públicas federais. Em 2015, o relatório aponta que existiam 9 programas, com 29 ações com dotações orçamentárias destinadas explicitamente a povos indígenas. Em 2018, foram localizadas informações apenas de 2 programas com 10 ações relacionadas a estes mesmos povos.

Em seu primeiro capítulo, o relatório aborda os dados referentes à “Violência contra o Patrimônio”, nos quais entram análises sobre omissão e morosidade na regularização de terras, conflitos relativos a direitos territoriais, invasões possessórias, exploração ilegal de recursos naturais e danos diversos ao patrimônio.

O segundo capítulo lança um olhar sobre a “Violência contra a pessoa”, com dados sobre homicídios, ameaças de morte, assassinatos, entre outros. O terceiro capítulo trata da “Violência por Omissão do Poder Público”, com abordagem da desestruturação das políticas públicas de assistência à saúde e educação voltadas para os povos indígenas.

O quarto capítulo dedica-se a aprofundar “A Violência contra os Povos Indígenas Livres e de Pouco Contato” e o último capítulo, o quinto, trata da “Memória e Justiça”, aprofundando a reparação dos crimes de tutela em função de um desenvolvimento sem respeito.

Segundo Roberto Liebott, o relatório é organizado com base na pesquisa das próprias denúncias que os índios apresentam. A segunda fonte, são os dados levantados pelos missionários do CIMI nas comunidades onde atuam. A terceira fonte de dados são as violações apresentadas na mídia brasileira e por dados do próprio poder público, como secretarias de segurança pública dos estados e o Ministério Público Federal. “Não necessariamente são apenas estes dados. Trata-se apenas dos dados que o CIMI consegue sistematizar. Pode haver muitos outros casos que não conseguimos cobrir”, disse.

A íntegra do relatório pode ser acessada em: https://cimi.org.br

]]>
56803
Aumenta ofensiva a direitos garantidos a indígenas pela Constituição de 1988 https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/aumenta-ofensiva-a-direitos-garantidos-a-indigenas-pela-constituicao-de-1988/ Fri, 06 Oct 2017 11:28:52 +0000 http://teste.toqueto.com/aumenta-ofensiva-a-direitos-garantidos-a-indigenas-pela-constituicao-de-1988.html A piora em indicadores ligados aos povos indígenas como o aumento da mortalidade infantil, o aumento de óbitos e suicídios no ano de 2016 só revela, na prática, o que o relatório Violência contra os Povos Indígenas no Brasil, lançado, dia 05 de outubro, às 14h30, pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI), organismo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), caracteriza como ofensiva anti-indígena, estratégia que soma forças no Executivo, no Legislativo e no Judiciário e avança sobre os direitos indígenas, inclusive os direitos já conquistados pela Constituição de 1988.

Dom Leonardo Steiner, bispo auxiliar de Brasília e secretário-geral da CNBB, na abertura da Coletiva de Imprensa, realizada na sede da entidade, disse que é necessário aprender com os povos indígenas que ajudam a colocar em prática a Laudato Si, encíclica do Papa Francisco sobre o meio ambiente, e a preservar a cultura do Brasil, por meio de seus cantos e tradições. “A CNBB, por meio do CIMI, lança este relatório anualmente. Estes problemas da violência, das demarcações, entre outros, já deveriam ter sido resolvidos”, disse.

A liderança indígena do povo Gavião, do Maranhão, Maria Helena denunciou o que para seu povo é a maior violência sofrida por povos indígenas. “A maior violência que sofremos é a não demarcação das terras”. Segundo o relatório, apenas 37%, do total de 1.296 áreas indígenas no Brasil, foram demarcadas até 1996. Entre elas, a área indígena Raposa Serra do Sol, situada a nordeste do Estado de Roraima. Representantes destes povos estavam no ato de lançamento do relatório.

O relatório denuncia o que segundo um de seus organizadores, o missionário do CIMI, Roberto Liebjott, chama de ofensiva contra os direitos dos povos indígenas. O governo da presidenta Dilma Rousseff é classificado, no documento, como um governo omisso por não registrar nenhuma demarcação de terras indígenas, por exemplo.

Já no governo de Michel Temer, diz o relatório, há um processo em curso de ofensiva, articulado com a bancada ruralista do Congresso Nacional, que busca retirar direitos já conquistados na Constituição de 1988, cujo aniversário de 29 anos de promulgação se celebra no dia 5/10, dia escolhido para lançamento do relatório do CIMI.

“Um exemplo que demonstra esta estratégia no Legislativo foi o relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Fundação Nacional do Índio (Funai) e Instituto Nacional de Regularização Fundiária (Incra) que buscou caracterizar avanços constitucionais como frades e dizer que o processo de demarcação da terra Raposa Serra do Sol é questionável além de buscar criminalizar lideranças que lutam pela causa indígena”, disse o organizador do relatório.

Dois outros processos em curso, que o relatório registra, é a atuação de milícias para-militares e o avanço de madeireiras em áreas indígenas já demarcadas. Como é o exemplo, apresentado aos jornalistas, da terra Karipuna, no Estado de Rondônia, já homologada mas aguardando a demarcação. Segundo os dados, apresentados por uma de suas lideranças em vídeo na Coletiva de Imprensa, 1.045 hectares de árvores dentro da terra já foram derrubados.

Segundo o arcebispo de Porto Velho (RO) e presidente do CIMI, dom Roque Paloschi, mais que chamar a atenção para os dados que o relatório sistematiza, é necessário, ao olhar para a alegria dos povos indígenas do Brasil, caminhar com eles e clamar por justiça ao seu lado”. O bispo leu um trecho da encíclica Laudato Si, na qual o papa Francisco diz que os povos aborígenes devem tornar-se os principais interlocutores frente a projetos que alteram seus territórios. O bispo pediu à presidência da CNBB que o relatório seja entregue ao papa. “É vergonhoso que um país de maioria Cristã, como o Brasil, veja tanto desrespeito aos povos indígenas e que seu Executivo, Legislativo e Judiciário não cumpram o que sua Carta Magna prevê”, disse.

Cartografia dos Ataques Indígenas

O relatório é fruto do trabalho de sistematização de muitas frentes de trabalho como lembrou um de seus organizadores presentes no lançamento, o Roberto Liebjott. “Contamos com dados sobre as próprias vítimas, dos povos indígenas e de organizações que os representam, bem como o trabalho dos missionários do CIMI que atuam em diferentes regiões do país”, disse.

Todo trabalho, sistematizado e consolidado pelo Setor de Documentação do CIMI, passa por uma criteriosa revisão jurídica e depois tem um tratamento mais didático pela equipe de comunicação. A organização do relatório é supervisionada pela antropóloga Lúcia Helena Rangel.

Outro trabalho que está sendo consolidado pelo CIMI, a partir de 2017, é a plataforma Caci, palavra que em Guarani significa “dor” e forma a sigla de Cartografia dos Ataques contra Indígenas (Caci). Desenvolvida pela Fundação Rosa Luxemburgo, em parceria com o Armazém Memória e InfoAmazonia, a CACI georreferencia dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT) no mapa brasileiro.

O relatório pode ser acessado em: www.cimi.org.br

Por CNBB

]]>
48871
Cimi lançará relatório sobre violência contra os povos indígenas do Brasil https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/cimi-lancara-relatorio-sobre-violencia-contra-os-povos-indigenas-do-brasil/ Wed, 04 Oct 2017 14:03:20 +0000 http://teste.toqueto.com/cimi-lancara-relatorio-sobre-violencia-contra-os-povos-indigenas-do-brasil.html O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) apresenta nesta quinta-feira, 5, o relatório Violência Contra os Povos Indígenas do Brasil – Dados 2016, cujo lançamento acontecerá na nova sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília. O estudo mostra que disputas políticas e a ofensiva sobre os direitos indígenas geraram graves ações de violência em aldeias em todo o país.

O disgnóstico produzido pelo Cimi mostrou diversos casos de suicídio, assassinato, mortalidade na infância e de invasões e exploração ilegal de bens comuns, principalmente madeira. O foco da publicação é o desrespeito do Estado ao direito dos indígenas de viverem em suas terras ancestrais. O relatório ainda apresenta um resumo da situação geral das terras indígenas em todo o país, atualizado até o dia 25 de setembro deste ano.

Segundo o estudo do Cimi, foram praticados os mais diversos tipos de violência contra os povos indígenas, tais como conflitos relativos a direitos territoriais, ameaça de morte e desassistência nas áreas de saúde e educação, dentre outros.

As informações sobre assassinatos também poderão ser visualizadas no mapa digital da plataforma Caci – Cartografia de Ataques Contra Indígenas, mapeadas de acordo com o município e a terra indígena em que ocorreram.  Acesse a plataforma aqui.

Estarão presentes no lançamento do relatório cerca de quarenta indígenas dos estados do Maranhão, dos povos Apanikrã Kanela, Krepun, Memortumré Kanela, Krenyê e Gavião, e de Roraima, Macuxi e Wapichana. Dom Roque Palosci, presidente do Cimi e arcebispo de Porto Velho, Dom Leonardo Steiner, secretário-geral da CNBB, Cleber Buzatto, secretário-executivo do Cimi, e Roberto Liebgotti, coordenador do Cimi Regional Sul e um dos responsáveis pela elaboração do relatório, irão compor a mesa de debates no evento.

Por Canção Nova, com Cimi

]]>
48846
CNBB emite nota em defesa dos direitos indígenas e do Cimi https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/cnbb-emite-nota-em-defesa-dos-direitos-indigenas-e-do-cimi/ Fri, 23 Jun 2017 10:01:45 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=46952 A presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) publicou nesta quinta-feira, 22, uma nota em defesa dos direitos indígenas e do Conselho Indigenista Missionário (Cimi).

Para a CNBB, as acusações recebidas pelo Cimi são infundadas e injustas. O órgão é alvo da Comissão Parlamentar de Inquérito denominada CPI da Funai e Incra, que indiciou mais de cem pessoas ligadas ao organismo. No texto, aprovado pelo Conselho Permanente, os bispos ressaltam aumento da violência no campo no período de funcionamento da CPI.

Leia o texto na íntegra:

NOTA DA CNBB EM DEFESA DOS DIREITOS INDÍGENAS E DO CIMI

O Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, reunido em Brasília-DF, nos dias 20 a 22 de junho de 2017, manifesta seu total apoio e solidariedade ao Conselho Indigenista Missionário (CIMI) diante das infundadas e injustas acusações que recebeu da Comissão Parlamentar de Inquérito, denominada CPI da Funai e Incra, encerrada no último mês de maio. A CNBB repudia o relatório desta Comissão que indicia mais de uma centena de pessoas: lideranças indígenas, antropólogos, procuradores da república e aliados da causa indígena, entre eles, missionários do CIMI.

Criado há 45 anos, o CIMI inspira-se nos princípios do Evangelho. Por isso, põe-se ao lado dos povos indígenas, defendendo sua vida, sua dignidade, seus direitos e colaborando com sua luta por justiça, no respeito à sua história e à sua cultura. O indiciamento de missionários do CIMI é uma evidente tentativa de intimidar esta instituição tão importante para os indígenas, e de confundir a opinião pública sobre os direitos dos povos originários.

Em seu longo processo, a CPI desconsiderou dezenas de requerimentos de alguns de seus membros, não ouviu o CIMI e outras instituições citadas no relatório, mostrando-se, assim, parcial, unilateral e antidemocrática. Revelou, dessa forma, o abuso da força do poder político e econômico na defesa dos interesses de quem deseja a todo custo inviabilizar a demarcação das terras indígenas e quilombolas, numa afronta à Constituição Federal. São inadmissíveis iniciativas como o estabelecimento do marco temporal, a mercantilização e a legalização da exploração de terras indígenas por não índios, ferindo o preceito constitucional do usufruto exclusivo e permanente outorgado aos povos.

Chama a atenção que o aumento da violência no campo coincida com o período de funcionamento da CPI da Funai e Incra. Segundo dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT), em 2016 foram registrados 61 assassinatos em conflitos no campo, um aumento de 22% em relação a 2015. As atrocidades ocorridas em Colniza (MT) e Pau D’Arco (PA) elevaram para 40 o número de assassinatos no campo, só neste primeiro semestre de 2017. Levadas adiante, as proposições da CPI podem agravar ainda mais esses conflitos. É preciso que os parlamentares considerem isso ao votarem qualquer questão que tenha incidência na vida dos povos indígenas e demais populações do campo.

Tenha-se em conta, ainda, que as proposições da CPI se inserem no mesmo contexto de reformas propostas pelo governo, especialmente as trabalhista e previdenciária, privilegiando o capital em detrimento dos avanços sociais. Tais mudanças apontam para o caminho da exclusão social e do desrespeito aos direitos conquistados com muita luta pelos trabalhadores e trabalhadoras.

Ao se colocar na defesa da vida dos povos indígenas, ao lado do CIMI e dos missionários, a CNBB o faz com a convicção de que o “serviço pastoral à vida plena dos povos indígenas exige que anunciemos Jesus Cristo e a Boa Nova do Reino de Deus, denunciemos as situações de pecado, as estruturas de morte, a violência e as injustiças internas e externas” (Documento de Aparecida, 95) que ameaçam os primeiros habitantes desta Terra de Santa Cruz.

O Deus da justiça e da misericórdia ilumine o CIMI e venha em auxílio de nossos irmãos e irmãs indígenas, quilombolas e trabalhadores e trabalhadoras do campo, cuja vida confiamos à proteção de Nossa Senhora Aparecida, Mãe de Deus e Padroeira do Brasil.

Brasília, 22 de junho de 2017.

Cardeal Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília
Presidente da CNBB

Dom Murilo S. R. Kriger, SCJ
Arcebispo de São Salvador da Bahia
Vice-Presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner, OFM
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário-Geral da CNBB

Por CNBB

]]>
46952
Imigração venezuelana ao Brasil aumenta vertiginosamente no últimos 2 anos https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/imigracao-venezuelana-ao-brasil-aumenta-vertiginosamente-no-ultimos-2-anos/ Wed, 31 May 2017 09:07:41 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=46521 A cada dia cerca de 200 imigrantes venezuelanos, motivados pelos conflitos políticos internos entre situação e oposição e pela fome em seu país, cruzam a fronteira em busca de refúgio no Brasil. Os dados são da Cáritas Brasileira que apresentou o quadro de imigração venezuelana ao Conselho Episcopal Pastoral (Consep), reunido na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil  até hoje.

Os pedidos de refúgio em 2017 já superam os 6 anos anteriores, conforme dados do ministério da Justiça do governo brasileiro. Até maio deste ano, foram registrados 8.231 pedidos contra 3.375 em 2016. Os dados mostram que atualmente são cerca de 30 mil imigrantes em território nacional, 2 mil destes, segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) são do povo indígena venezuelano Warao.

A prefeitura de Manaus decretou situação de emergência social ante o aumento do fluxo migratório do povo Warao. A prefeitura de Boa Vista (RR) montou em um ginásio o Centro de Referência para Imigrantes (CRI) que atende cerca de 400 pessoas desabrigadas, insuficiente para a demanda.

Segundo o diretor executivo da Cáritas Brasileira, Luiz Claudio Mandela, os venezuelanos estão sofrendo várias situações de preconceito e vivendo como catadores e pedintes em cidades como Manaus (AM) e Boa Vista (RR). Pacaraima (RR) é a porta de entrada dos venezuelanos.

Os venezuelanos vêm em busca de tentar regularizar sua situação mas enfrentam problemas como a lentidão do governo brasileiro para regularizar a situação. Pacaraíma, cidade fronteiriça, por exemplo, não conta com internet para dar entrada nos processos de pedido de refúgio.

O cardeal Sergio da Rocha, arcebispo de Brasília e presidente da CNBB, lembrou que recentemente a situação da Venezuela motivou a elaboração de uma nota de solidariedade na última Conferência do Conselho Episcopal Latino Americano (Celam). Dom Leonardo Steiner, bispo auxiliar de Brasília e secretário-geral da CNBB, fez referência a atuação do papa Francisco na mediação dos conflitos na Venezuela.

A irmã Claudina Scapini, secretária do Setor Mobilidade Humana da Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz, lembrou que pequenas iniciativas solidárias estão sendo feitas pelas igrejas e dioceses locais para minimizar o sofrimento dos venezuelanos.

A Igreja Católica no Brasil tem participado também das audiências locais com governos brasileiro, estados e prefeituras envolvidos para buscar uma solução para os imigrantes venezuelanos. A Cáritas Brasileira também tem colaborado com ajuda para deslocamentos dos refugiados.

O Consep solicitou a Cáritas a produção de informações em diferentes formatos (vídeos, folders, etc) para enviar aos bispos brasileiros sensibilizado-os e pedindo solidariedade a esta situação. A CNBB também se comprometeu a enviar uma nota de apoio e solidariedade à Conferência Episcopal da Venezuela e retomar o assunto na reunião do Conselho Permanente.

Por CNBB

]]>
46521
Ecologia integral: encontro entre agências de Cooperação Internacional e CNBB https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/ecologia-integral-encontro-entre-agencias-de-cooperacao-internacional-e-cnbb/ Fri, 19 May 2017 08:19:43 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=46337 Na quarta-feira, 17 de maio, em Brasília (DF), foi realizado o encontro entre representantes de agências de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento e a Solidariedade (CIDSE) e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Bispos e assessores da Comissão Episcopal para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz; da Comissão Episcopal para Amazônia; da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM); do Conselho Indigenista Missionário (CIMI); da Pastoral da Terra (CPT) e os representantes da CIDSE/Grupo Brasil buscaram fortalecer o diálogo em torno a uma agenda comum de trabalho nos temas relacionados à Amazônia, sua biodiversidade, seus povos e sobre a pauta pertinente às mudanças climáticas. Também refletiram sobre os desafios da CNBB na atual conjuntura política do Brasil e o contexto de cada agência e de seus respectivos países.

Segundo o Secretário-Geral da CNBB, dom Leonardo Ulrich Steiner, o encontro favoreceu maior comunhão na cooperação entre CIDSE e CNBB: “São entidades ligadas à Igreja Católica das Conferências Episcopais da Europa e vivem de subsídios que recebem das comunidades católicas em seus países, e esses subsídios são enviados como solidariedade, caridade e justiça às comunidades da América Latina. Esse encontro com o Brasil foi muito importante para nos sintonizarmos melhor e também vermos aonde existe maior urgência da ação e do apoio dessas entidades que estão congregadas na CIDSE. Somos muito agradecidos pelo apoio que recebemos e pelo encontro que foi muito frutuoso”, ressaltou dom Leonardo.

Cecilia Iorio, representante da Catholic Agency For Overseas Development (CAFOD), uma Agência Católica para o Desenvolvimento no Exterior, da Inglaterra, contou o que significou o encontro: “Saio muito feliz! A gente juntou tantas realidades distintas, tantas pressões distintas em cada agência e aqui da Conferência Episcopal do Brasil, mas o clima de colaboração, de entendimento, de fraternidade e de solidariedade prevaleceu. Não estamos sozinhos no enfrentamento da realidade que nos foi mostrada. E o não andar sozinhos é muito importante. Foi um encontro participativo, aberto, honesto”, descreveu.

Iorio ressalta, ainda, que o encontro finalizou com indicações de passos de se estar juntos na diversidade e de reforçar a importância de comunicação entre CIDESE e CNBB, mas em especial com as comunidades dos países envolvidos. “Também foi uma oportunidade de ficarmos informados da atual crise no Brasil e o impacto dela nas comunidades e na vulnerabilização dos seus direitos”, completou.

As linhas indicativas que resultaram do encontro foram: a atenção especial com os povos originários e comunidades tradicionais (quilombolas, ribeirinhos), no que tange à juventude e direitos humanos. Maior foco e incidência política nos temas ambientais, questões socioambientais e na denúncia de diversas empresas do Norte do mundo que envenenam e destroem o Sul. Outra linha recomenda a ser acompanhar é o novo código de mineração e temáticas relacionadas a Amazônia. Por fim, as entidades se propuseram a fortalecer a comunicação entre CIDSE e CNBB e com as comunidades dos países envolvidos.

Segundo dom Mario Antônio da Silva, bispo de Roraima e representante da REPAM Brasil, no encontro, as partilhas foram permeadas à luz de uma ecologia integral que começa com o reconhecimento de que a humanidade enfrenta uma crise existencial em múltiplas frentes, a começar pela disparidade econômica, o aumento da competição por recursos naturais incluindo a terra e a água, as migrações forçadas, como por exemplo dos venezuelanos ao Brasil em busca de alimento. Entretanto, dom Mario conclui que o encontro foi permeado pela esperança: “Os desafios nos movem, nos tornam uma Igreja em saída para buscar e oferecer respostas”.

Por Irmã Osnilda Lima, Coordenadora de Comunicação Repam, via CNBB

 
]]>
46337