Cardeal Orani João Tempesta - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br Site oficial da Diocese de Uruaçu - GO Sat, 28 Sep 2024 04:06:13 +0000 pt-BR hourly 1 https://old.diocesedeuruacu.com.br/wp-content/uploads/2018/12/cropped-favicon-32x32.png Cardeal Orani João Tempesta - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br 32 32 170539269 Este é o Filho de Deus https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/este-e-o-filho-de-deus/ Thu, 23 Jan 2020 13:03:20 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=57612 Estamos no tempo comum. Após a Festa do Batismo do Senhor iniciamos a primeira semana. Agora vivemos já o segundo domingo desta primeira parte desse tempo que vai, neste ano, da segunda-feira após o domingo do Batismo do Senhor até à terça-feira antes da Quaresma. Como viver o Mistério da Encarnação recentemente celebrado no mundo atual anunciando permanentemente o Reino Deus? Estamos, portanto, iniciando a segunda semana desse tempo em que a cor predominante da liturgia é a verde: verde de quem caminha no dia-a-dia cheio de esperança, porque sabe que o Filho de Deus veio habitar entre nós, entrou nos nossos tempos para santificar os pequenos e aparentemente insignificantes momentos de nossa vida: “O Verbo se fez carne e armou sua tenda entre nós” (cf. Jo 1,14). Para nós, nunca mais o tempo, a vida e a história humana serão a mesma coisa! Agora, tudo tem o gosto da presença de Deus, nossos tempos têm sabor de eternidade, gostinho da vida de Deus, do companheirismo misericordioso de Deus. Então, que este Tempo Comum seja, para todos quantos, tempo de graça, tempo de vigilância amorosa, tempo de esperança invencível!

Na segunda leitura deste domingo, São Paulo (cf. 1Cor 1, 1-3) lembra a sua vocação a Apóstolo e a vocação de todos à santidade. Continua o Apóstolo: “Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação…” (cf. 1Ts 4, 3). O próprio Jesus ordena: “Sede perfeitos, assim como o Pai celeste é perfeito” (cf. Mt 5, 48). Como prova concreta desses sentimentos do Senhor, contamos com a o sacramento do perdão (confissão – reconciliação), que nos concede as graças necessárias para lutarmos e vencermos os defeitos que talvez estejam arraigados no nosso caráter, e que são muitas vezes a causa do nosso desalento. No sacramento da confissão renovamos as forças e nos é dada a graça perdida pelo pecado. Peçamos ao Senhor: Senhor, ensinai-me a arrepender-me, indicai-me o caminho do amor! Movei-me com a vossa graça à contrição quando eu tropeçar! Que as minhas fraquezas me levem a amar-vos cada vez mais!

O Evangelho (cf. Jo 1, 29-34) mostra o início da missão de Jesus. João Batista O apresenta: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (cf. Jo 1,29). Ele é o ungido do Senhor. Ele batizará no Espírito. Ele é o Filho de Deus. Jesus é o Cordeiro de Deus que tira o pecado mundo, anuncia São João Batista; e este pecado do mundo engloba todo o gênero de pecado: o original, que em Adão afetou também os seus descendentes, e os pessoais, dos homens de todos os tempos. No Cordeiro de Deus está a nossa esperança de salvação.

João Batista reconheceu em Jesus este Messias, tão humilde e tão grande: ele é o próprio Deus: “passou à minha frente porque existia antes de mim!” (cf. Jo 1,30) E como Deus feito homem, ele é o único e absoluto Salvador de todos – e não há salvação sem ele ou fora dele! João Batista reconhece nele o ungido, aquele sobre quem o Espírito “desceu e permaneceu” (cf. Jo 1,32). O próprio Jesus dará testemunho desta realidade: “O Espírito do Senhor repousa sobre mim, porque ele me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar a remissão aos presos e aos cegos a recuperação da vista, para restituir a liberdade aos oprimidos e para proclamar um ano de graça do Senhor” (Lc 4,18-19). João reconhece Nele ainda aquele que, cheio do Espírito Santo, batizará no Espírito Santo: “Aquele sobre quem vires o Espírito descer e permanecer, este é o que batiza com o Espírito Santo” (cf. Jo 1,33). Batizando-nos no Espírito, este Santíssimo Jesus-Messias dá-nos o perdão dos pecados, a sua própria vida divina e a graça de, um dia, ressuscitar dos mortos!

“Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (cf. Jo 1,29). Essas palavras soam aos nossos ouvidos em cada Santa Missa ao aproximar-se um dos momentos mais sublimes do sacrifício eucarístico, a comunhão. E nós respondemos: “Senhor, eu não sou digno (…)”. Jesus Cristo vem a nós em cada celebração eucarística. Não nos esqueçamos, no entanto, de que a graça da comunicação de Deus conosco passa pelo sacrifício do seu filho, Cordeiro oferecido ao Pai que, com a sua obediência e com o seu amor, tira o pecado do mundo. De fato, essas palavras do Evangelho segundo S. João aludem ao sacrifício redentor de Jesus Cristo.

O sacrifício está presente em toda a Sagrada Escritura; também o está nas diversas religiões. O ser humano sempre sentiu o desejo de oferecer dons a Deus. A universalidade desse fato nos mostra que é uma tendência natural do ser humano dirigir-se à divindade ofertando-lhe algo. Nas pessoas há tendências universais, independentemente da cultura na qual estejam integradas: a consciência de limitação e de culpa; a intuição de que existe um ser que está acima de todos, criador e providente (= Deus).

Jesus entrou no céu com todos os méritos conseguidos na sua vida terrena. Esses méritos são infinitos porque são os méritos do Filho de Deus, que é Deus. Apresentando-se ao Pai com o seu Mistério Pascal, Jesus envia desde o santuário celeste esse mesmo Mistério, a sua Páscoa, à humanidade. Como? Através da Missa, que é a atualização dos Mistérios de Cristo, cujo central é a Cruz gloriosa, isto é, a sua Morte e Ressurreição, que mereceu também o envio do Espírito Santo. Em cada Missa, faz-se presente, atual, o Mistério da Cruz gloriosa e, ao entrarmos nesses raios divino-humanos da Eucaristia, somos redimidos, salvados, santificados e glorificados antecipadamente.

No dia seguinte a esse domingo, 20 de janeiro, iremos celebrar o nosso excelso padroeiro São Sebastião. Convido a todos os fiéis para a Missa na Basílica de São Sebastião, dos freis capuchinhos, às 10hs. No mesmo local, às 15hs nos reuniremos para o Terço da Misericórdia, sendo que às 16hs sairá a procissão desta Basílica para a Catedral Metropolitana, na Avenida Chile, aonde, também, presidirei Santa Missa, onde o nosso futuro Bispo Auxiliar, Mons. Tiago Estanislau fará seus compromissos públicos de obediência à Igreja, unidade profissão de Fé como pedem os documentos da Igreja quando alguém recebe um ofício eclesiástico. Nestes dias de trezena aprendemos que São Sebastião é um ardoroso missionário: vamos nos espelhar nele para, como discípulos-missionários de Jesus nós possamos, até mesmo dar a nossa própria vida para anunciar e testemunhar o Redentor. Que o Santo protetor contra a peste, a fome e a guerra interceda por nós e pela almejada paz para a nossa cidade!

Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro

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Novena de Natal https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/novena-de-natal/ Wed, 04 Dec 2019 02:42:51 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=57291 Estamos vivendo um tempo em que nossas famílias se encontram “distantes dos próximos”, de modo especial pelas mídias digitais, mas também não tendo tempo para o culto a Deus, seja por motivo de trabalho ou dos afazeres domésticos, os filhos na televisão ou no celular ou no computador. Perdemos o hábito de nos desligar por um momento, seja antes do jantar ou antes de dormir para rezarmos juntos em família, lendo a Palavra de Deus ou rezando o Santo Rosário. Até mesmo perdemos o hábito de conversar sobre o dia de cada um, o que viveu naquele dia, sejam as alegrias ou as tristezas. Estamos numa vida muito corrida onde não conseguimos mais “nos reunirmos à mesa” para as refeições, muitas vezes o esposo toma refeição em frente à TV, os filhos diante do computador ou do videogame e, muitas vezes, a esposa acaba se alimentando sozinha na cozinha, além de ficar com os outros afazeres.

A Família de Nazaré vem nos ensinar a importância da oração em família. José, que era um homem “justo” e fiel à lei de Deus, antes de começar os seus afazeres do dia ou após terminá-los, reunia-se com Maria e Jesus para rezar. E Jesus aprendeu bem isso, porque quantas vezes nós podemos observar na Sagrada Escritura Jesus em Oração, a sós ou com os discípulos, mesmo antes de sua morte, na Quinta Feira Santa, antes de ser preso, Jesus estava em constante oração com os discípulos, entoando os Salmos — e tudo o que Jesus realizava, Ele estava em plena comunhão com o Pai. Maria também era a plena de graça e sempre em sintonia com o plano de amor de Deus para a sua vida. Deve ter sido a primeira catequista de Jesus, ensinando a Ele os preceitos judaicos e a Palavra de Deus. Era a “mulher do silêncio” que conservava tudo em seu coração.

Os primeiros catequistas dos filhos são os pais. As crianças deveriam aprender em casa as primeiras orações cristãs, mas, muitas vezes, as crianças chegam na catequese paroquial, sem saber nem as mais simples orações. Devemos, sobretudo, neste mundo de hoje, rezar em família, ensinar os nossos filhos a rezar ao acordar ou antes de dormir.

Por isso, nossas famílias, neste Natal, devem se inspirar na família de Nazaré e, juntas, diante da Manjedoura de Jesus, preparar o nosso lar, a nossa vida e o nosso coração para a chegada d’Ele. E ter a possibilidade de chamar mais pessoas para participar desse momento, outras famílias se juntarem a nossa, para fazer um grande grupo de oração preparando a chegada de Jesus. A Novena de Natal pode ser tão rica, que essas mesmas famílias que se reunem para rezar, não se reúnam apenas para preparar o Natal, mas também em outros momentos, a começar em nossa própria casa.

A Novena de Natal nos coloca no Espírito do Natal, nos faz entender que o Natal não é apenas a troca de presentes, como muitas vezes o comércio, a televisão e outros meios nos mostram. Não é apenas mais um feriado para curtir, para viajar. O Natal é muito mais do que isso: é a celebração do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo. Com a Novena de Natal, conhecemos melhor a Sagrada Família de Nazaré, conhecemos melhor o “sim” de Maria, observamos como podemos ser fiéis à Lei de Deus, como José foi. Podemos ver a maternidade de Maria e a paternidade de José, que inteiramente se doaram para educar Jesus.

Através da Novena de Natal podemos observar as dificuldades que Maria e José passaram logo que Jesus nasceu. Foram refugiados para o Egito, para, só depois da morte de Herodes, poderem voltar para sua terra. E, assim, durante os encontros da Novena de Natal, podemos trazer para a nossa vida presente, esses fatos que aconteceram com a Família de Nazaré. E ver que a vida da nossa família, mesmo em meio às dificuldades, está abençoada por Deus.

Portanto, a Novena de Natal tem uma grande importância na vida de nossa família, nos ajuda ver o verdadeiro sentido do Natal, a nos reunir para rezar como família cristã e a partilhar aquilo que temos a mais com aqueles que menos tem. Podemos propor como gesto concreto da nossa Novena de Natal, arrecadar alimentos e doar para famílias carentes — muitas poderão ter um Natal “diferente” com a nossa ajuda. O Natal nos ensina isso: a sermos mais solidários e fraternos com aqueles que pouco ou nada têm.

Da apresentação da Novena de Natal da Arquidiocese do Rio de Janeiro, de 2019, ressaltamos: “Com Jesus no presépio, a Festa do Natal nos faz contemplar aquele que o mundo não pôde conter e, no entanto, coube no ventre de Maria e veio assumir uma vida humana, com todas as suas limitações e finitudes. Aquele que esperamos e finalmente chega, nos revela o mistério de Deus, que agora se faz próximo a ponto de podermos contemplá-lo na indefesa figura de um bebê recém-nascido. O Papa Francisco tem insistido em sermos uma Igreja missionária, cada vez mais “em saída”. Aproveitemos essa novena para assumirmos uma atitude missionária, ou seja, celebrarmos cada dia em uma casa, principalmente daqueles que não aprenderem sobre a beleza do amor de Deus, que enviou o Menino Jesus para nós. Se para elas as reflexões forem difíceis de entender, as dinâmicas, ao contrário, serão interessantes”.

Que neste Natal, o Menino Jesus possa nascer em cada lar, em cada coração, para cada vez mais termos um coração solidário, fraterno, disponível em ajudar o próximo. E que dentro de nossos lares predominem o diálogo, a vida de oração e o amor mútuo.

“Naquele tempo, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, a uma virgem prometida em casamento a um homem chamado José. Ele era descendente de Davi e o nome da Virgem era Maria. O anjo entrou onde ela estava e disse: ‘Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!’ Maria ficou perturbada com estas palavras e começou a pensar qual seria o significado da saudação. O anjo, então, disse-lhe: ‘Não tenhas medo, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus. Ele será grande, será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi. Ele reinará para sempre sobre os descendentes de Jacó, e o seu reino não terá fim’. Maria perguntou ao anjo: ‘Como acontecerá isso, se eu não conheço homem algum?’ O anjo respondeu: ‘O Espírito virá sobre ti e o poder do Altíssimo te cobrirá com sua sombra. Por isso, o menino que vai nascer será chamado Santo, Filho de Deus. Também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na velhice. Este já é o sexto mês daquela que era considerada estéril, porque para Deus nada é impossível’. Maria, então, disse: ‘Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!’ E o anjo retirou-se” (cf. Lc 1,26-38).

Convido, portanto, todos os fiéis de nossa Arquidiocese para a celebração da Novena de Natal, nas famílias, nos comércios, nas ruas, nas comunidades, nas Capelas e nas Paróquias. Que da celebração da Novena de Natal brotem em nossos corações um novo ardor missionário de anúncio e de testemunho do Evangelho, como nos pede o Papa Francisco, de uma Igreja em saída ao encontro de todas as gentes. Que os grupos da novena de Natal sejam sementes de comunidades eclesiais missioárias que sejam a igreja capilarmente presente em todo o seu território.

Que este texto nos ajude a iniciar bem nossa preparação para a Novena de Natal em família e que o sim de Maria nos inspire.

Cardeal Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ)

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Paróquia, casa de portas abertas! https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/paroquia-casa-de-portas-abertas/ Wed, 20 Nov 2019 04:44:13 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=57204 Lembramos a importância dos Sacramentos da Iniciação à Vida Cristã. Ensina o Catecismo da Igreja Católica que: “Através dos sacramentos da iniciação cristã – Batismo, Confirmação e Eucaristia são lançados os alicerces de toda a vida cristã. “A participação na natureza divina, dada aos homens pela graça de Cristo, comporta uma certa analogia com a origem, crescimento e sustento da vida natural. Nascidos para uma vida nova pelo Batismo, os fiéis são efetivamente fortalecidos pelo sacramento da Confirmação e recebem na Eucaristia o Pilo da vida eterna Assim. por estes sacramentos da iniciação cristã, eles recebem cada vez mais riquezas da vida divina e avançam para a perfeição da caridade» (3).”(cf. Catecismo da Igreja Católica 1212).

A Igreja no Brasil, pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, em 1973 publicou o Rito de Iniciação Cristã de Adultos – RICA – A publicação do RICA, com uma segunda edição no ano 2001, que, sobretudo, enriqueceu o vocabulário eclesial com uma expressão quase que esquecida, mas tão antiga quanto a Igreja: a Iniciação Cristã. Os fiéis que queiram adquirir o RICA podem ter uma visão da beleza de seu conteúdo pelo sítio https://bibliaecatequese.com/rica-rito-da-iniciacao-crista-de-adultos/.

A CNBB, repercutindo o Diretório Nacional de Catequese e, sobretudo, a Conferência de Aparecida, tomou como tema prioritário da 47ª. Assembleia Geral de Aparecida, de 2009, a questão da iniciação da vida cristã.

Na linha do que ensina o Código de Direito Canônico e do Rito da Iniciação Cristã dos adultos (RICA) lembramos que o vetor principal deste itinerário formativo procura concretizar uma autêntica “conversão pastoral” na medida em que faz da “dimensão sobrenatural da vida cristã” o critério da ação pastoral. Procura-se não só recuperar a ordem tradicional dos Sacramentos da Iniciação cristã, como valorizar a dimensão da Graça presente nos Sacramentos. Neste sentido, a celebração dos Sacramentos é vista como ponto de partida da vida cristã, entendida, assim, como um dinamismo de reconhecimento e desenvolvimento da Graça.

A iniciação cristã para os já batizados consiste em desenvolver os germens da fé já infundidos no sacramento do Batismo. Para os não batizados é o processo que conduz ao mergulho total (batismo) no mistério de Cristo Jesus. Nesse processo iniciático estão incluídos, quer as ações litúrgico-rituais (celebrações, ritos, entregas, escrutínios…) como o processo catequético no sentido estrito de ensinamento e reflexão sobre a sabedoria evangélica, a doutrina de Jesus Cristo e os exercícios de vida cristã em vista da assimilação completa do mistério cristão. O complexo processo que, desde o século II, prevaleceu na Igreja para iniciar os novos membros nos mistérios da fé, recebeu o nome de Catecumenato.

Para alguns autores o “catecumenato” deveria significar apenas o “segundo tempo” da iniciação cristã, o mais longo e mais propriamente catequético. Entretanto, a maioria usa o termo “catecumenato” para significar todo o processo da iniciação cristã. O neocatecumenato é um itinerário de vida cristã para os já batizados, com estatutos próprios, nascido na Espanha e está muito presente no Brasil. Não se deve, pois, confundir catecumenato como o caminho neocatecumenal.

O caminho da iniciação da vida cristã deve ser vivido em conformidade com o que pede o Documento de Aparecida: “ser cristão não é uma carga, mas um dom: Deus Pai nos abençoou em Jesus Cristo”. “A alegria do discípulo é antídoto frente a um mundo atemorizado pelo futuro e oprimido pela violência e pelo ódio. A alegria do discípulo não é um sentimento de bem-estar egoísta, mas uma certeza que brota da fé, que serena o coração e capacita para anunciar a boa nova do amor de Deus. Conhecer Jesus é o melhor presente que qualquer pessoa pode receber e dar; tê-lo encontrado foi o melhor que ocorreu em nossas vidas, e fazê-lo conhecido com nossa palavra e obras é nossa alegria” (DAp, 29).

Nesse sentido, em que hoje devemos estar atentos em ir ao encontro de todas as pessoas, conforme nos pede o Papa Francisco, buscando levar o Evangelho em todas as periferias existenciais, queremos refletir sobre a Paróquia, casa de portas abertas.

Quando falamos que a “Paróquia, casa de portas abertas” não significa que devemos esperar que os fiéis acorram para os sacramentos. Nós devemos ir ao encontro de todos, para levar a Boa Nova do Evangelho e para testemunhar, pela vivência dos sacramentos e sacramentais, a santidade de Deus, da Igreja e de cada um de nós. Por isso vamos ao encontro dos que foram batizados e não receberam a Eucaristia e a Crisma, ou daqueles muitos que nem foram batizados e precisam iniciar todo o itinerário da iniciação cristã.

“Peçamos por nossas paróquias, para que não sejam escritórios, mas que, animadas por um espírito missionário, sejam lugares de transmissão da fé e testemunho da caridade”

O Papa Francisco, já nos Sínodo sobre as Famílias, em 2015, expressava que “uma igreja com as portas fechadas trai a si mesma e à sua missão, em vez de ser ponte, converte-se em barreira”. “As paróquias têm de estar em contato com os lares, com a vida das pessoas, com a vida do povo. Têm de ser casas onde a porta esteja sempre aberta para ir até os demais. E é importante que a saída siga uma clara proposta de fé.” “Trata-se de abrir as portas e deixar que Jesus saia afora com toda a alegria de sua mensagem. Por isso, não nos deixemos roubar a alegria evangelizadora! Por favor, não nos deixemos roubar a alegria evangelizadora.” “Peçamos por nossas paróquias, para que não sejam escritórios, mas que, animadas por um espírito missionário, sejam lugares de transmissão da fé e testemunho da caridade”, pede o Papa Francisco. (https://pt.aleteia.org/2017/09/01/papa-francisco-pede-que-paroquias-nao-se-parecam-escritorios/, último acesso em 08 de novembro de 2019)

Recentemente, o Santo Padre, o Papa Francisco, nos dá uma orientação de como devem ser as nossas Paróquias: “A comunidade eclesial descrita no livro dos Atos dos Apóstolos vive das muitas riquezas que o Senhor põe à sua disposição — o Senhor é generoso! — experimenta crescimento numérico e muita efervescência, apesar dos ataques externos. Para nos mostrar esta vitalidade, Lucas, no Livro dos Atos dos Apóstolos, indica-nos também lugares significativos, por exemplo o pórtico de Salomão (cf. At 5, 12), ponto de encontro dos crentes. O pórtico (stoà) é uma galeria aberta que serve de abrigo, mas também de ponto de encontro e testemunho. Lucas, de fato, insiste nos sinais e maravilhas que acompanham a palavra dos Apóstolos e no cuidado especial dos doentes aos quais eles se dedicam. No capítulo 5 dos Atos, a Igreja nascente é mostrada como um «hospital de campo» que acolhe os mais débeis, isto é, os doentes. O sofrimento deles atrai os Apóstolos, que não possuem «nem prata nem ouro» (At 3, 6) — assim diz Pedro ao coxo — mas sentem-se fortes pelo nome de Jesus. Aos seus olhos, como aos olhos dos cristãos de todos os tempos, os doentes são destinatários privilegiados da boa nova do Reino, são irmãos nos quais Cristo está presente de modo especial, para que sejam procurados e encontrados por todos nós (cf. Mt 25, 36.40). Os doentes são privilegiados para a Igreja, para o coração sacerdotal, para todos os fiéis. Não devem ser descartados, pelo contrário, devem ser curados, devem ser cuidados: são objeto de preocupação cristã” (cf.http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/audiences/2019/documents/papa-francesco_20190828_udienza-generale.html, último acesso em 08 de novembro de 2019)

A acolhida de todos, o respeito, a escuta e a proximidade é o único caminho para que levemos a alegria do Evangelho a todos os homens e mulheres. Uma Igreja acolhedora, missionária, em saída no abraço fraterno da misericórdia e da compaixão.
Que a escuta de todos, sem exceção, e a acolhida generosa sejam as marcas de todas as Paróquias. Assim seja!

Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)

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Palavra que converte https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/palavra-que-converte/ Wed, 25 Sep 2019 13:57:22 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=56806 Seguimos, neste mês de setembro, com o aprofundamento sobre o tema do mês da Bíblia. A Palavra divina ilumina a existência humana e leva as consciências de reverem em profundidade a própria vida, porque toda a história da humanidade está sob o olhar de Deus: “Quando o Filho do Homem vier na sua glória, acompanhado por todos os seus anjos, sentar-Se-á, então, no seu trono de glória. Perante Ele reunir-se-ão todas as nações” (Mt 25, 31-32). Em nossos dias, nos detemos muitas vezes superficialmente no valor do instante que passa, como se fosse irrelevante para o futuro. Diversamente, o Evangelho recorda-nos que cada momento da nossa existência é importante e deve ser vivido intensamente, sabendo que cada um deverá prestar contas da própria vida. No capítulo vinte e cinco do Evangelho de Mateus, o Filho do Homem considera como feito ou não feito a Si aquilo que tivermos feito ou deixado de fazer a um só dos seus “irmãos mais pequeninos” (25, 40.45): “Tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber; era peregrino e me acolhestes; estava nu e me vestistes; adoeci e me fostes visitar; estive na prisão e fostes ter comigo” (25, 35-36). Deste modo, é a própria Palavra de Deus que nos recorda a necessidade do nosso compromisso no mundo e a nossa responsabilidade diante de Cristo, Senhor da História. Quando anunciamos o Evangelho que é luz para iluminar os caminhos, exortamo-nos reciprocamente a cumprir o bem e a empenhar-nos pela justiça, pela reconciliação e pela paz (Cf. Bento XVI, Verbum Domini, 99).

Dentro ainda dessa necessidade de revalorizar a presença da Palavra de Deus na vida e na ação da Igreja e já nos preparando para o início do mês missionário extraordinário o Papa Francisco comenta que toda a evangelização está fundada sobre esta Palavra escutada, meditada, vivida, celebrada e testemunhada. A Sagrada Escritura é fonte da evangelização. Por isso, é preciso formar-se continuamente na escuta da Palavra. A Igreja não evangeliza, se não se deixa continuamente evangelizar. É indispensável que a Palavra de Deus «se torne cada vez mais o coração de toda a vida da Igreja. A Palavra de Deus ouvida e celebrada, sobretudo na Eucaristia, alimenta e fortalece interiormente os cristãos e torna-os capazes de um autêntico testemunho evangélico na vida diária. O estudo e a intimidade com a Sagrada Escritura deve ser uma porta aberta para todos os crentes. A vida cristã requer a familiaridade com a Palavra de Deus. Nós não procuramos Deus tateando, nem precisamos de esperar que Ele nos dirija a palavra, porque realmente Deus já nos falou, já não é o grande desconhecido, mas mostrou-Se a Si mesmo. Acolhamos o tesouro sublime da Palavra revelada! (Cf. Papa Francisco, Evangelii Gaudium 174).

Cada domingo temos um grande riqueza da Palavra que é anunciada e deve iluminar nossas vidas. Neste 25º domingo do Tempo Comum, a palavra segue nos acompanhando. Neste ano em que lemos o Evangelho de Lucas deixemo-nos guiar pelo seu testemunho da boa notícia. O Evangelho deste domingo (Lc 16, 1-13), nos traz a parábola do administrador infiel, mostrando o quanto as pessoas são espertas quando se trata de defender seus interesses financeiros ou suas metas:

Naquele tempo: Jesus dizia aos discípulos: ‘Um homem rico tinha um administrador que foi acusado de esbanjar os seus bens. Ele o chamou e lhe disse: ‘Que é isto que ouço a teu respeito? Presta contas da tua administração, pois já não podes mais administrar meus bens’. O administrador então começou a refletir: ‘O senhor vai me tirar a administração. Que vou fazer? Para cavar, não tenho forças; de mendigar, tenho vergonha. Ah! Já sei o que fazer, para que alguém me receba em sua casa quando eu for afastado da administração’. Então ele chamou cada um dos que estavam devendo ao seu patrão. E perguntou ao primeiro: ‘Quanto deves ao meu patrão?’ Ele respondeu: ‘Cem barris de óleo!’ O administrador disse: ‘Pega a tua conta, senta-te, depressa, e escreve cinquenta!’ Depois ele perguntou a outro: ‘E tu, quanto deves?’ Ele respondeu: ‘Cem medidas de trigo’. O administrador disse: ‘Pega tua conta e escreve oitenta’. E o senhor elogiou o administrador desonesto, porque ele agiu com esperteza. Com efeito, os filhos deste mundo são mais espertos em seus negócios do que os filhos da luz.

Segundo o costume da época, o administrador tinha o direito de conceder empréstimo com os bens do seu senhor. Como ele não era remunerado por isso, ele se indenizava aumentando no recibo o valor do empréstimo. Assim, na hora do reembolso ficava com a diferença como um acréscimo que era o seu juro. Aqui na parábola, o administrador renuncia obter lucro dos juros para que assim possa obter benefícios futuros, passando a imagem de ter dado favorecimento aos seus clientes.

O administrador infiel usa de inteligência para resolver sua futura situação de necessidade, e faz isso renunciando aos seus lucros indevidos. É evidente que Cristo não usa esta parábola como motivo de aprovar essa conduta, mas ressalta e louva a dedicação do personagem da parábola em tirar proveito material de sua antiga situação de administrador. Jesus quer que na salvação da alma e na propagação do Reino de Deus apliquemos pelo menos a mesma sagacidade e o mesmo esforço que colocam os homens em seus negócios materiais ou em alcançar um ideal humano. O fato de que contamos com a Graça de Deus não nos exime de colocar todos os meios humanos honestos e possíveis para levar uma vida de conversão, mesmo que isso possa levar a esforço heroico. Os homens colocam um enorme esforço em alcançar seus ideais terrenos de fama, riqueza, honra e beleza. O Senhor nos convida a que tenhamos um empenho igual ou maior para levar uma vida cristã autêntica e na propagação do Reino de Deus. E continua:

E eu vos digo: Usai o dinheiro injusto para fazer amigos,

pois, quando acabar, eles vos receberão nas moradas eternas.

O texto, ao falar sobre as riquezas injustas, se refere aos bens deste mundo que são adquiridos por procedimentos injustos. A misericórdia divina é tão grande que esta mesma riqueza injusta pode ser motivo de recuperação por meio da restituição, dos pagamentos de danos e prejuízos e depois excedendo nas esmolas, no incentivo às fontes de trabalho e bens, como foi visto em outra parte do Evangelho no caso de Zaqueu, chefe dos publicanos que se com prometeu a restituir o quádruplo do que tinha roubado e entregar metade dos seus bens aos mais necessitados.

Quem é fiel nas pequenas coisas também é fiel nas grandes,

e quem é injusto nas pequenas também é injusto nas grandes.

Por isso, se vós não sois fiéis no uso do dinheiro injusto, quem vos confiará o verdadeiro bem? E se não sois fiéis no que é dos outros, quem vos dará aquilo que é vosso?

Quando Cristo fala da fidelidade no pouco, faz referência às riquezas, pois estas são muito pouca coisa comparadas com os bens espirituais. Se o ser humano é fiel, generoso e desprendido no uso das riquezas efêmeras, receberá então o prêmio da vida eterna, a riqueza definitiva. Podemos também considerar o aspecto de que a vida humana, por suas circunstâncias próprias, é um aglomerado de coisas pequenas: quem não se dá conta disso, não poderá realizar as coisas grandes.

Podemos também considerar que a parábola do administrador infiel é uma imagem da vida do homem: tudo o que temos é dom de Deus: somos seus administradores e cedo ou tarde devemos prestar contas do que nos foi confiado. Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou odiará um e amará o outro, ou se apegará a um e desprezará o outro. Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro.’

Se as pessoas são espertas no cuidado com as coisas perecíveis e supérfluas, devemos ser nós também espertos em relação à aquisição dos bens eternos. A dificuldade que as pessoas possam ter de configurar sua vida mais a Cristo numa vida de santidade está em que não se começa a ser fiel nas pequenas coisas. A ousadia dos maus vai se alimentando da timidez dos bons. Se o ser humano tem a habilidade de ser esperto para o mal, pode ele também ser esperto para o bem e para andar em uma vida de conversão cada vez mais. Que tenhamos ousadia, que sejamos espertos em fazer nossa parte de bem onde nos seja possível.

Por outro lado, essa esperteza aparece também no livro do profeta Amós, na primeira leitura (Am 8, 4-7):

Ouvi isto, vós que maltratais os humildes e causais a prostração dos pobres da terra; vós que andais dizendo: Quando passará a lua nova, para vendermos bem a mercadoria? E o sábado, para darmos pronta saída ao trigo, para diminuir medidas, aumentar pesos, e adulterar balanças, dominar os pobres com dinheiro

e os humildes com um par de sandálias, e para pôr à venda o refugo do trigo?’ Por causa da soberba de Jacó, jurou o Senhor: ‘Nunca mais esquecerei o que eles fizeram.

Faz parte da temática geral presente no Livro do profeta Amós a crítica à ganância de bens. E a crítica feita por Amós é exatamente pelo fato que a abundância de alguns passa necessariamente pela deficiência de outros e a de colocar o dinheiro como deus próprio de alguns. A denúncia de Amós se apresenta ainda como uma denúncia pertinente aos nossos dias, onde dentro de uma lógica do lucro desenfreado, se é capaz de reduzir o outro e a própria criação a meros instrumentos. Quanta exploração encontramos em relação aos irmãos. É nesse sentido que a vivência do Evangelho nos leva a consequências sociais muito claras. Não é por uma ideologia política que buscamos a justiça social, mas é uma questão de Evangelho. A palavra de Deus nos faz pensar no outro com carinho, como nosso irmão e não como objeto de exploração. Curiosamente é isso mesmo que nos fala a segunda leitura (1Tm 2, 1-8), quando nos convida a rezar pelos governantes:

Caríssimo: Antes de tudo, recomendo que se façam preces e orações, súplicas e ações de graças, por todos os homens; pelos que governam e por todos que ocupam altos cargos, a fim de que possamos levar uma vida tranquila e serena, com toda piedade e dignidade. Isto é bom e agradável a Deus, nosso Salvador; ele quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade. Pois há um só Deus, e um só mediador entre Deus e os homens: o homem Cristo Jesus, que se entregou em resgate por todos. Este é o testemunho dado no tempo estabelecido por Deus, e para este testemunho eu fui designado pregador e apóstolo, e – falo a verdade, não minto – mestre das nações pagãs na fé e na verdade. Quero, portanto, que em todo lugar os homens façam a oração, erguendo mãos santas, sem ira e sem discussões.

Infelizmente vemos a ação dos responsáveis das ações pautada primeiramente no interesse próprio e deixando a questão do bem comum quase que em último lugar. É por esse motivo que a oração pelos governantes se apresenta como realidade constante na vida da nossa liturgia, para que governem com justiça e velem pelos interesses do povo. Os políticos e todos aqueles que pertencem à esfera do serviço público, dentro de uma realidade democrática, são representantes do povo, são servidores. Peçamos que nossos políticos não sejam corrompidos pelo exercício do poder nem das facilidades inerentes à sua função, mas que sejam promotores de paz e fraternidade. Eis aí algumas das consequências do Evangelho e da Palavra de Deus que nos foi dirigida.

A segunda leitura ainda segue falando da mediação única de Cristo e do desejo e oportunidade de salvação oferecidos aos homens de toda a terra e de todos os tempos. Paulo lembra também o horizonte da universalidade da salvação: é desejo do coração de Deus que todos os homens tenham acesso à plenitude que só o Evangelho pode oferecer. Um dos motivos da atividade evangelizadora da Igreja está exatamente nesse desejo de que todos os homens possam conhecer a verdade do Evangelho e passem a ter vida e vida em abundância.

Tantas são as consequências da vida que experimentamos de pessoas que vivem somente centradas em si mesmas, trazendo uma sociedade de injustiças e violências. Rezemos por nossos governantes para que governem com justiça; que não façamos de nós, vidas que servem ao dinheiro e que mesmo que tenhamos bens que os utilizemos para ajudar os outros, nunca para oprimir os outros. Que saibamos valorizar a dignidade humana. Que a palavra do Senhor nos faça caminhar mudando essa sociedade: homens novos a partir da novidade do Evangelho. Que Deus nos abençoe a todos.

Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro

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Coração que tanto nos ama https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/coracao-que-tanto-nos-ama/ Sun, 30 Jun 2019 02:58:03 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=55985 A Igreja celebra a solenidade do Sagrado Coração de Jesus na sexta-feira da semana seguinte à Festa de Corpus Christi. É uma das grandes festas depois da retomada do tempo comum pós páscoa. O coração é mostrado como símbolo do amor de Deus. No Calvário o soldado abriu o lado de Cristo com a lança (Jo 19,34). Diz a Liturgia que “aberto o seu Coração divino, foi derramado sobre nós torrentes de graças e de misericórdia”. Jesus é a Encarnação do Amor de Deus, e seu Coração é o símbolo desse Amor. Por isso, encerrando um conjunto de grandes Festas (Páscoa, Ascensão, Pentecostes, Santíssima Trindade, Corpus Christi), a liturgia nos leva a contemplar o Coração de Jesus.

O Sagrado Coração é a imagem do amor de Jesus por cada um de nós. É a expressão daquilo que São Paulo disse: “Eu vivi na fé do Filho de Deus, que me amou e se entregou a si mesmo por mim” (Gl 2,20). É o convite a que cada um de nós retribua a Jesus este amor, vivendo segundo a Sua vontade e trabalhando com a Igreja pela salvação das almas.

Vários santos veneraram o Coração de Jesus. Santo Agostinho disse: “Vosso Coração, Jesus, foi ferido, para que na ferida visível contemplássemos a ferida invisível de vosso grande amor”. São João Eudes, grande propagador desta devoção no século XVII, escreveu o primeiro ofício litúrgico em honra do Coração de Jesus, cuja festa se celebrou pela primeira vez na França, em 20 de outubro de 1672.

A revelação particular da religiosa Santa Margarida Maria Alacoque, na França aprofunda o tema do “Coração que tanto amou os homens e é por parte de muitos desprezado”. Santa Margarida teve como diretor espiritual o padre jesuíta São Cláudio de la Colombière, canonizado por São João Paulo II, e que se incumbiu de propagar a grande Festa.

O Papa Clemente XIII aprovou a Missa em honra do Coração de Jesus e Pio X, dia 23 de agosto de 1856, estendeu a Festa para toda a Igreja a ser celebrada na sexta-feira da semana subsequente à festa de Corpus Christi. O papa Leão XIII consagrou o mundo ao Sagrado Coração de Jesus. Paulo VI disse certa vez que ela é garantia de crescimento na vida cristã e garantia da salvação eterna.

A devoção ao Sagrado Coração de Jesus tem a sua origem na própria Sagrada Escritura. O coração é um dos modos para falar do infinito amor de Deus. Este amor encontra seu ponto alto com a vinda de Jesus. A devoção ao Sagrado Coração de um modo visível aparece em dois acontecimentos fortes do evangelho: o gesto de São João, discípulo amado, encostando a sua cabeça em Jesus durante a última ceia (cf. Jo 13,23); e na cruz, onde o soldado abriu o lado de Jesus com uma lança (cf. Jo 19,34). Em um temos o consolo pela dor da véspera de sua morte, e no outro, o sofrimento causado pelos pecados da humanidade.

O Papa São João Paulo II sempre cultivou esta devoção, e a incentiva a todos que desejam crescer na amizade com Jesus. Em 1980, no dia do Sagrado Coração, afirmou: “Na solenidade do Sagrado Coração de Jesus, a liturgia da Igreja concentra-se, com adoração e amor especial, em torno do mistério do Coração de Cristo. Quero hoje dirigir juntamente convosco o olhar dos nossos corações para o ministério desse Coração. Ele falou-me desde a minha juventude. Cada ano volto a este mistério no ritmo litúrgico do tempo da Igreja”.

Entre as muitas e importante recomendações provindas da revelação particular de Santa Margarida Maria, uma delas é que aos que fossem devotos do Sagrado Coração chamando a atenção para a comunhão nas nove primeiras sextas-feiras de cada mês. Esta devoção, em sua forma atual, deve-se às revelações recebidas por Santa Margarida Maria (1649-1690), sobretudo quando em 16 de junho de 1657, vendo o coração de Jesus: “Eis aqui este Coração que amou tanto aos homens, que não omitiu nada até esgotar-se e consumir-se para manifestar-lhes seu amor, e por todo reconhecimento, não recebe da maior parte mais que ingratidão, desprezo, irreverências e tibieza que têm para mim neste sacramento de amor”.

Jesus deu a sua servidora o encargo de que se tributasse culto a seu Coração e a missão de enriquecer ao mundo inteiro com os tesouros desta devoção santificadora. O objeto e fim desta devoção é honrar o Coração adorável de Jesus Cristo, como símbolo do amor de um Deus para nós; e a vista deste Sagrado Coração, abrasado de amor pelos homens, e ao mesmo tempo desprezado por estes, nos deve mover a amá-lo e a reparar a ingratidão de que é objeto.

Nesta tão sublime solenidade do Coração de Jesus, queremos pedir ao Senhor que de a paz a todos os corações, pois, vivemos num momento onde muitos optam pela violência. A violência vai contra os princípios morais e éticos e ainda religiosos. Deus é amor e paz. Que o nosso coração possa unir ao Coração Sagrado de Jesus.

Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ)

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Aprouve a Deus https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/aprouve-a-deus/ Fri, 02 Mar 2018 16:25:45 +0000 http://teste.toqueto.com/aprouve-a-deus.html Acaba de ser publicada (01 de março) a Carta Placuit Deo, da Congregação para a Doutrina da Fé. A Igreja sempre atenta aos “sinais dos tempos” procura com o seu magistério esclarecer as questões surgidas nesta “mudança de época” e iluminar a vida do povo de Deus procurando sempre voltar às origens da revelação cristã. É um importante serviço que se presta à mensagem de Jesus que precisa sempre estar pura e clara para o nosso povo. A carta foi aprovada pelo Papa Francisco e trata de temas muito importantes para os atuais momentos da Igreja.

A expressão que dá nome ao novo documento significa “aprouve a Deus”. O título, nos documentos do Magistério da Igreja, é sempre tomado das primeiras palavras do próprio documento. Neste caso, elas são uma citação da Constituição Dogmática do Concílio Vaticano II sobre a Revelação Divina (Dei Verbum – A Palavra de Deus). Este é o ponto de partida da Carta “sobre alguns aspectos da salvação cristã” (título), na qual são recordadas verdades de fé que a Igreja proclamou desde o princípio, mas que as transformações culturais atuais (n. 1) tornam necessário retomar e refletir com profundidade.

Trata-se de desafios que hoje se encontram muito presentes e que têm semelhança com outros que no passado a Igreja teve de enfrentar. O Papa Francisco se referiu várias vezes a eles. A primeira vez foi aqui no Rio de Janeiro, no Centro de Estudos do Sumaré, quando se encontrou com os Bispos responsáveis pelo Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM), dia 28 de julho de 2013. Tratando das “tentações contra o discipulado missionário”, ele falou de várias formas de ideologização da mensagem evangélica, entre as quais estão “a proposta gnóstica” e “a proposta pelagiana”. Também na Exortação apostólica Evangelii Gaudium (A Alegria do Evangelho), número 94. Essas duas tendências se assemelham, em vários aspectos, a duas antigas heresias, e o Papa as descreve com seus antigos nomes: pelagianismo e gnosticismo.

O pelagianismo é uma tendência a supervalorizar a capacidade humana em vista da salvação. Como se, por nossas próprias capacidades, nos pudéssemos salvar. Essa tendência, atualmente se apresenta como um “individualismo centrado no sujeito autônomo”, que “tende a ver o homem como um ser cuja realização depende somente das suas forças” (n. 2).

O gnosticismo tende a desvalorizar o corpo e a valorizar unilateralmente o espírito e o intelecto. Sua versão atual consiste numa “visão de salvação meramente interior, que talvez suscita uma forte convicção pessoal ou um sentimento intenso de estar unido a Deus, mas sem assumir, curar e renovar as nossas relações com os outros e com o mundo criado” (n.2).

 “Seja o individualismo neo-pelagiano que o desprezo neo-gnóstico do corpo, descaracterizam a confissão de fé em Cristo, único Salvador universal” (n. 4). Posicionando-se diante dessas tendências, a Carta reafirma que nossa salvação consiste na união com Deus: “Diante destas tendências, esta Carta pretende reafirmar que, a salvação consiste na nossa união com Cristo, que, com a sua Encarnação, vida, morte e ressurreição, gerou uma nova ordem de relações com o Pai e entre os homens, e nos introduziu nesta ordem graças ao dom do seu Espírito” (idem).

Nos números 5 a 7, a Carta trata da correta compreensão da pessoa humana e da sede universal de felicidade e de salvação. Estas não se realizam plenamente naquilo que nós mesmos podemos fazer ou conquistar. Só Deus pode preencher plenamente o coração humano. “E a pessoa inteira, em corpo e alma, criada pelo amor de Deus à sua imagem e semelhança, que é chamada a viver em comunhão com Ele” (n. 7).

Cristo, Salvador e Salvação, é apresentado nos números 8 a 11. A reflexão sobre o modo como Deus nos salva em Cristo, deixa claro que “a salvação que Jesus trouxe na sua própria pessoa não se realiza somente de modo interior” e que “para poder comunicar a cada pessoa a comunhão salvífica com Deus, o Filho se fez carne” (cf. Jo 1,14) (n. 10). Tornou-se Ele mesmo o caminho, que não é apenas interior, sem relação com os outros e com o mundo. Ele assumiu integralmente a nossa humanidade, viveu plenamente a vida humana, em comunhão com o Pai e conosco. Diante disso, não se pode compreender corretamente a salvação de modo pelagiano, individualista; nem de modo gnóstico, meramente interior. “A salvação consiste em incorporar-se na vida de Cristo, recebendo o seu Espírito (cf. 1 Jo 4,13)” (n. 11).

“O lugar onde recebemos a salvação trazida por Jesus é a Igreja” (n. 12). Por isso, a Carta trata da dimensão eclesial da nossa salvação nos números 12 a 14). A dimensão eclesial-comunitária da salvação contradiz o individualismo. Contradiz também o espiritualismo gnóstico: as relações são concretas, a Igreja é uma fraternidade. A participação na Igreja se fundamenta nos sacramentos. Estes são matéria assumida por Deus e transformada em sinais eficazes da sua graça e da salvação. “O corpo humano foi modelado por Deus, que nele inscreveu uma linguagem que convida a pessoa humana a reconhecer os dons do Criador e a viver em comunhão com os irmãos. O Salvador restabeleceu e renovou, com a sua Encarnação e o seu mistério pascal, esta linguagem originária, e comunicou-a na economia corporal dos sacramentos”, afirma a Congregação, no número 14.

Ainda no âmbito eclesial e com relação aos sacramentos, nos é recordado que estar inseridos no Corpo de Cristo graças aos sacramentos, exige de nós “o cuidado pela humanidade sofredora de todos os homens, através das obras de misericórdia corporais e espirituais” (n. 14).

A experiência da salvação em Cristo impulsiona à missão, a proclamar a todos as pessoas humanas a alegria e a luz do Evangelho (n. 15), e a dialogar de modo sincero e construtivo com os crentes de outras religiões.

 Por fim, na Carta se recorda que “a salvação integral, da alma e do corpo, é o destino final ao qual Deus chama todos os homens”, pois “a salvação será plena” somente quando “participaremos plenamente da glória de Cristo ressuscitado, que leva à plenitude a nossa relação com Deus, com os irmãos e com toda a criação” (n. 15).

Fazemos nossa a invocação da Santa Virgem Maria, “a primeira dos que foram salvos”, pedindo-lhe que nos acompanhe na missão de evangelizar, anunciando a todos o amor salvador de Deus e superando toda e qualquer forma de reducionismo da fé e da vida cristã.

Por Cardeal Orani João Tempesta – Arcebispo do Rio de Janeiro

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Igreja em saída https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/igreja-em-saida/ Wed, 04 Oct 2017 09:09:35 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=48828 A missão é constitutiva da identidade da Igreja chamada pelo Senhor a evangelizar todos os povos. Sua razão de ser e agir como fermento e como alma da sociedade, que deve renovar-se em Cristo e transformar-se em família de Deus. Neste ano em que comemoramos o 10º aniversário da V Conferência do Episcopado Latino Americano e Caribenho em Aparecida recordamos a importância da “missão permanente” dos discípulos missionários para que nossos povos em Cristo tenham vida. É o momento de animar a vocação missionária dos cristãos, fortalecer as raízes de sua fé e despertar sua responsabilidade para que todas as comunidades cristãs ponham-se em estado dessa missão permanente. Trata-se de despertar, nos cristãos, a alegria do Evangelho para uma igreja em saída e a fecundidade de serem discípulos de Jesus Cristo, celebrando com verdadeiro gozo o “estar-com-Ele” e o “amar-com-Ele”, para serem enviados para a missão.

A missão nos leva a viver o encontro com Jesus num dinamismo de conversão pessoal, pastoral e eclesial, capaz de impulsionar à santidade e ao apostolado os batizados e de atrair pelo contágio os que abandonaram a caminho, os que estão distantes do influxo do Evangelho e os que ainda não experimentaram o dom da fé. Outubro é o mês missionário, um dos meses temáticos, assim como o mês de agosto é dedicado às vocações e setembro à Bíblia. Depois de termos iniciado no hemisfério sul a primavera, outubro é um tempo forte para se intensificar as orações e os trabalhos de missão. A dimensão missionária é a mais profunda identidade da Igreja, ou como recorda o Papa Francisco em sua mensagem para o Dia Mundial das missões: “A missão no coração da fé cristã”. A Igreja existe para continuar a missão de Cristo aqui na terra. No primeiro dia do mês a Igreja celebramos o dia de Santa Terezinha do Menino Jesus, a padroeira das missões. Uma santa doutora da Igreja que faleceu aos 24 anos, no convento, conhecida por ser uma santa com vida simples sem feitos extraordinários, mas que caminhou pela “pequena via” da missão evangelizadora. Por ser a padroeira das missões, o exemplo da vida de Santa Terezinha faz com que todos os cristãos se sintam compromissados com a evangelização, em levar a Palavra de Deus a todos os lugares e a todas as pessoas sendo o “coração da Igreja”.

A intenção em outubro é promover uma conscientização para entusiasmar os fiéis cristãos na missão de cada um. Os religiosos, religiosas, sacerdotes, membros de novas comunidades, são missionários e assim denominados, mas os leigos também têm o dever de evangelizar.

Devido este caráter missionário da Igreja, no Brasil este ano temos como tema do mês missionário: A alegria do Evangelho para uma Igreja em saída” e o lema: “Juntos na missão permanente “A Missão do Messias vem do Deus da vida e por isso, traz libertação para quem sofre algum tipo de escravidão. Hoje, Jesus nos desafia a assumirmos essa mesma Missão”, complementa.

Quando falamos da atividade missionária da comunidade eclesial, precisamos passar da missão à missionariedade, do objeto (o que fazer) ao sujeito (quem vai fazer) do mandato missionário. Não é suficiente perceber a necessidade da missão, mas é fundamental tomar consciência de que toda a Igreja, e nela cada batizado ou batizada, é o sujeito da missão. Fica, pois, muito claro que toda a Igreja é por sua natureza missionária.

Os cristãos não podem permanecer passivos, reduzindo, muitas vezes, sua pertença eclesial a momentos rituais. É preciso colocar toda a Igreja em “estado permanente de missão”. A Igreja é toda missionária em seus membros que agem de diversos modos, de acordo com a multiplicidade e a variedade dos carismas e dons. É em cada um de seus membros que a comunidade cristã coloca-se a serviço da evangelização e é enviada para pregar o Evangelho a toda a criatura.

A Igreja missionária a serviço do Evangelho faz dela uma de suas características fundamentais. Optar pelo pobre “é condição necessária e irrenunciável do caráter evangélico da ação da Igreja.” (CNBB Diretrizes Gerais da ação Evangelizadora, 194) É claro que assumir, sem meios termos, a causa dos excluídos e excluídas exige uma verdadeira reviravolta na própria vida. É preciso entrar naquele processo de “metânoia” (mudança de mentalidade) do qual fala o Evangelho.

Todas as famílias e comunidades são convidadas a viverem com maior intensidade o Mês das Missões. Com isso, a nossa Igreja no Brasil se fortalece e se abre com maior generosidade para a Missão Universal além-fronteiras. Conforme o apelo do papa Francisco, “não nos deixemos roubar o entusiasmo missionário!” (EG 80).

Rezemos a oração do mês missionário 2017: “Deus de misericórdia, que enviaste o Teu Filho Jesus Cristo e nos sustentas com a força do Espírito Santo, ensina-nos a caminhar juntos e, a exemplo de Maria, nossa Mãe Aparecida, na celebração dos 300 anos do encontro da imagem, sejamos, em toda a parte, testemunhas proféticas da alegria do Evangelho para uma Igreja em saída. Amém”.

Por Cardeal Orani João Tempesta – Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

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Papa envia mensagem a Congresso Internacional Laudato Si https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/papa-envia-mensagem-a-congresso-internacional-laudato-si/ Fri, 14 Jul 2017 10:17:20 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=47432 O Papa Francisco enviou uma mensagem a todos os participantes do II Congresso Internacional Laudato Si e Grandes Cidades, aberto nesta quinta-feira, 13, no Rio de Janeiro. No texto, o Pontífice recorda a carta encíclica Laudato Si na qual faz referência a várias necessidades físicas que o homem de hoje tem nas grandes cidades e que necessitam ser afrontadas com respeito, responsabilidade e relação.

A abertura do evento contou com a presença do arcebispo do Rio de Janeiro, Cardeal Orani João Tempesta, do arcebispo emérito de Barcelona e presidente da Fundação Antoni Gaudi para as Grandes Cidades, Cardeal Lluís Martínez Sistach, e do representante do Ministério do Meio Ambiente e diretor-presidente da Agência Nacional de Águas, Vicente Andreu Grillo.

De acordo com o Santo Padre, são três “R” que ajudam atuar de forma conjunta diante dos imperativos mais essenciais de convivência.

Refletindo sobre a água, as conferências da manhã foram presididas pelo arcebispo emérito de São Paulo e presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Cardeal Cláudio Hummes, e focaram a Laudato Si e Grandes Cidades; a qualidade e tratamento da água; e como obter água de alta qualidade em cidades em desenvolvimento.

Durante a tarde desta quinta, o Congresso apresenta a mesa redonda com líderes religiosos, que contará com a participação do Cardeal Orani João Tempesta, e do Rabino Abraham Skorka, sob a condução do professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Miguel Serpa Pereira.

O II Congresso Internacional Laudato Si e Grandes Cidades acontece no auditório do edifício João Paulo II, Rua Benjamin Constante, 23, na Glória. A entrada é franca.

Leia a íntegra:

Mensagem do Papa Francisco aos conferencistas e participantes do II Congresso Internacional Laudato Si e Grandes Cidades

A sua Eminência o Cardeal Lluis Martínez Sistach

Arcebispo emérito de Barcelona

Vaticano, 12 de junho de 2017.

Querido irmão,

O saúdo atentamente, como também a todos os que participam do evento: Congresso Internacional “Laudato si e Grandes Cidades”.

Na Carta encíclica Laudato Si faço referência a varias necessidades físicas que o homem de hoje tem nas grandes cidades e que necessitam ser afrontadas com respeito, responsabilidade e relação. São três “R” que ajudam atuar de forma conjunta diante dos imperativos mais essenciais de nossa convivência.

O respeito é a atitude fundamental que o homem há de ter com a criação. Esta a recebemos como um dom precioso e devemos esforçar-nos para que as gerações futuras possam seguir admirando-a e desfrutando-a. Este cuidado devemos ensiná-lo e transmiti-lo. São Francisco de Assis afirmava em seu Cântico às criaturas: “Louvado sejas, meu senhor, pela irmã água, a qual é muito útil, humilde, preciosa e casta”. Nestes adjetivos se expressa a beleza e importância deste elemento, que é indispensável para a vida. Como outros elementos criados, a água potável e limpa é expressão do amor atento e providente de Deus por cada uma de suas criaturas, sendo um direito fundamental, que toda sociedade deve garantir (cf. Laudato si, 30). Quando não se lhe presta a atenção que merece, se transforma em fonte de enfermidades e sua escassez põe em perigo a vida de milhões de pessoas. É um dever de todos criar na sociedade uma consciência de respeito por nosso entorno, isto beneficia a nós e as gerações futuras.

A responsabilidade diante da criação é o modo com o qual devemos atuar com ela e constitui uma de nossas tarefas primordiais. Não podemos ficar com os braços cruzados, quando advertimos uma grave diminuição da qualidade do ar ou o aumento da produção de resíduos que não são adequadamente tratados. Essas realidades são consequência de uma forma irresponsável de manipular a criação e nos chamam a exercer uma responsabilidade ativa para o bem de todos. Além disso, comprovamos uma indiferença diante da nossa casa comum e, lamentavelmente, diante de tantas tragédias e necessidades que golpeiam a nossos irmãos e irmãs. Essa passividade demonstra a “perda daquele sentido de responsabilidade pelos nossos semelhantes sobre a qual se funda toda a sociedade civil” (Laudato si, 25). Cada território e governo deveria incentivar modos de atuar responsáveis em seus cidadãos para que, com criatividade, possam atuar e favorecer a criação de uma casa mais habitável e mais saudável. Colocando cada um o pouco que lhe corresponde em sua responsabilidade, se estará ganhando muito. 

Se observa nas grandes cidades, como também nas zonas rurais, uma crescente falta de relação. Com independência da causa que o produz, o fluxo constante de pessoas gera uma sociedade mais plural, multicultural, que é um bem, produz riqueza e crescimento social e pessoal; porém, também faz que esta sociedade seja cada vez mais fechada e desconfiada. A falta de raízes e o isolamento de algumas pessoas são formas de pobreza, que podem degenerar em guetos e originar violência e injustiça. Contudo, o homem está chamado a amar e ser amado, estabelecendo vínculos de pertença e laços de unidade entre todos os seus semelhantes. É importante que a sociedade trabalhe conjuntamente em âmbito político, educativo e religioso para criar relações humanas mais cálidas, que derrubem os muros que isolam e marginam. Isto se pode conseguir através de grupos, escolas, paróquias, etc., que sejam capazes de construir com sua presença uma rede de comunhão e de pertença, para favorecer uma melhor convivência e conseguir superar tantas dificuldades. Dessa maneira, “qualquer lugar deixa de ser um inferno e se converte no contexto de uma vida digna” (Laudato si, 149).

Peço a intercessão da Virgem Santa, Rainha do céu e da terra, por essas jornadas de estudo e de reflexão. Que seu conselho e guia oriente suas decisões em favor de uma ecologia integral que proteja nossa casa comum e construa uma civilização cada vez mais humana e solidária.

Por favor, lhes peço que rezem por mim e peço ao Senhor que vos abençoe.

Por Canção Nova, com Arquidiocese do Rio

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Rio hospeda conferência “Laudato si e Grandes Cidades” https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/rio-hospeda-conferencia-laudato-si-e-grandes-cidades/ Thu, 06 Jul 2017 08:01:26 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=47256 A Arquidiocese do Rio acolhe de 13 a 15 de julho a segunda edição do Congresso Internacional de Ecologia e Grandes Cidades, no auditório do Edifício João Paulo II, na Glória. O encontro deverá abordar as questões ecológicas e ambientais das metrópoles no planeta.

A conferência terá três questões ambientais chave: água, ar e resíduos, através das quais serão apresentadas as atuais e futuras situações. A Encíclica Laudato si do Papa Francisco será utilizada como ponto inicial de discussão, com o objetivo de abordar os aspectos ambientais, sociais, éticos e de gestão associados às grandes cidades.

Com apoio da Arquidiocese do Rio, o encontro é organizado pela Fundação Antoni Gaudi para as Grandes Cidades, localizada em Barcelona, na Espanha, cujo objetivo é contribuir para a humanização dos grandes centros urbanos. A instituição nasceu logo após a Conferência Internacional das Grandes Cidades, em Barcelona e Roma, em 2015.

Motivação, objetivos e organização

Cerca de 80% da população brasileira vive em grandes cidades. Tanto no Brasil como em outros países do mundo as metrópoles crescem em número e tamanho, contribuindo, diretamente, para as problemáticas que envolvem o meio ambiente. Essa é a principal motivação para a realização da conferência no Rio de Janeiro.

O caráter internacional da conferência se reflete no esboço da discussão das questões levantadas e na origem dos palestrantes, provenientes de diferentes continentes e renomados pela competência técnica, científica e social.

Pela manhã, as conferências serão dedicadas a aspectos técnicos, administrativos e éticos para a água, o ar e os resíduos, seguidas de debates entre oradores e participantes. À tarde, serão destacados os painéis de discussões sobre gerenciamento, reflexão ética e social e científico-técnico.

O primeiro deles será composto por prefeitos de diferentes países; o segundo por líderes religiosos de diferentes denominações e o terceiro por reitores de universidades de diferentes países.

Oradores e convidados

O encontro contará com a presença de prefeitos das grandes cidades de diversos países, além de secretários de Meio Ambiente e Urbanismo, reitores das maiores universidades do Brasil, bem como professores, universitários e líderes religiosos de diferentes denominações.

Estarão o arcebispo do Rio, Cardeal Orani João Tempesta, o Presidente do Pontifício Conselho Justiça e Paz, Cardeal Peter Kodwo Appiah Turkson, o arcebispo emérito de Barcelona, Cardeal Lluís Martínez Sistach, o arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Pedro Scherer, o Presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia, Cardeal Cláudio Hummes e o arcebispo de Brasília, Presidente da CNBB, Cardeal Sérgio da Rocha.

Confira aqui a programação completa do evento.

Por Rádio Vaticano

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Pedro e Paulo https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/pedro-e-paulo/ Thu, 29 Jun 2017 10:42:30 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=47035 No dia 29 de junho ou no Domingo seguinte (caso do Brasil), celebramos a Solenidade de São Pedro e São Paulo! A cada ano a liturgia nos leva a meditar sobre a vida destes dois grandes Apóstolos. Pedro, que é considerado como “o líder dos apóstolos”, por ter recebido do Senhor essa missão, e assim presidiu a Igreja Cristã primitiva, tanto por sua fé e pregação, como pelo ardor de amor a Jesus.

Pedro, que tinha como primeiro nome Simão, era natural de Betsaida, irmão do Apóstolo André. Pescador, foi chamado pelo próprio Jesus e, deixando tudo, seguiu ao Mestre, estando presente nos momentos mais importantes da vida do Senhor, que lhe deu o nome de Pedro. Em princípio, fraco na fé, chegou a negar Jesus durante o processo que culminaria em Sua morte por crucifixão.

O próprio Senhor o confirmou na fé após Sua ressurreição (da qual o apóstolo foi testemunha), tornando-o intrépido pregador do Evangelho através da descida do Espírito Santo de Deus, no Dia de Pentecostes, o que o tornou líder da primeira comunidade. Selou seu apostolado com o próprio sangue, pois foi martirizado em uma das perseguições aos cristãos, sendo crucificado de cabeça para baixo a seu próprio pedido, por não se julgar digno de morrer como Seu Senhor, Jesus Cristo. São Pedro escreveu duas cartas e também serviu como fonte de informações para que São Marcos escrevesse seu Evangelho.

Jesus perguntara aos discípulos que opiniões corriam a Seu respeito. Eram muitas. Todas incompletas, várias totalmente erradas. Haja opiniões, ontem como hoje! E, então, Jesus volta-se para os discípulos – os Doze e os de todas as épocas: eu, você – e dispara, como uma flecha: “E vós, quem dizeis que eu sou”? É Pedro quem responde em nome de todos: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”! A resposta é perfeita; é a essência mesma da fé da Igreja. E Jesus, então, revela: “Não foi tua inteligência; foi o Pai quem te revelou isso! E eu revelo quem tu és: Tu és Pedro (= pedra) e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja. E dar-te-ei as chaves do Reino… para ligares e desligares…” Uma observação importante: a razão humana, entregue a si mesma, não poderá jamais penetrar na essência do mistério de Cristo: “Ninguém pode vir a mim se o Pai não o atrair” (Jo 6,44).

Paulo nasceu entre o ano 5 e 10 da era cristã, em Tarso, capital da Cilícia, na Ásia Menor, cidade aberta às influências culturais e às trocas comerciais entre o Oriente e o Ocidente. Descende de uma família de judeus da diáspora, pertencente à tribo de Benjamim, que observava rigorosamente a religião dos seus pais, sem recusar os contatos com a vida e a cultura do Império Romano.

Os pais deram-lhe o nome de Saul (nome do primeiro rei dos judeus). O nome Saul passou para Saulo porque assim era este nome em grego. Mais tarde, depois de sua conversão a partir da sua primeira viagem missionária no mundo greco-romano, Paulo usa exclusivamente o nome latino Paulus.

Recebeu a sua primeira educação religiosa em Tarso, tendo por base o Pentateuco e a lei de Moisés. A partir do ano 25 d.C. vai para Jerusalém, onde frequenta as aulas de Gamaliel, mestre de grande prestígio, aprofundando com ele o conhecimento do Pentateuco escrito e oral. Aprende a falar e a escrever em aramaico, hebraico, grego e latim. Pode falar publicamente em grego ao tribuno romano, em hebraico à multidão em Jerusalém (At 21, 37.40) e catequizar hebreus, gregos e romanos.

Paulo é chamado “o Apóstolo” por ter sido o maior anunciador do cristianismo, depois de Cristo. Entre as grandes figuras do cristianismo nascente, a seguir a Cristo, Paulo é de fato a personalidade mais importante que conhecemos. É uma das pessoas mais interessantes e modernas de toda a literatura grega, e a sua Carta aos Coríntios é das obras mais significativas da humanidade. Escreveu 13 cartas às igrejas por ele fundadas: cartas grandes: duas aos tessalonicenses; duas aos coríntios; aos gálatas; aos romanos. Da prisão: aos filipenses; bilhete a Filémon; aos colossenses; aos efésios. Pastorais: duas a Timóteo e uma a Tito.

Nas suas cartas, Paulo afirma que Jesus Cristo está vivo e reconcilia os homens através do Espírito Santo. Cristo traz a salvação ao mundo. A reconciliação dos homens com Deus e entre si é possível, e já começou. É através da Igreja que se realiza esta reconciliação.

Durante a viagem para Roma, Paulo não perdia a oportunidade de anunciar o Evangelho em todos os lugares por onde passava. Após várias dificuldades ao longo da travessia e enfrentar um naufrágio, fez escala em Siracusa, na Sicília, e dali foi conduzido a Reggio (At 28, 12-13). Uma vez chegado à capital do Império e instalado em prisão domiciliar, Paulo realizava um anseio que havia tempos acalentava no coração, como ele mesmo o expressara aos cristãos de Roma: “Daí o ardente desejo que eu sinto de vos anunciar o Evangelho também a vós, que habitais em Roma” (Rm 1, 15). Dois anos haveria de durar seu doloroso cativeiro, mas ele, como afirma São João Crisóstomo, “considerava como brinquedo de criança os mil suplícios, os tormentos e a própria morte, desde que pudesse sofrer alguma coisa por Cristo”. Aproveitou o tempo para pregar o Reino de Deus (cf. At 28, 31), escrever numerosas cartas às comunidades da Grécia e da Ásia, as chamadas Epístolas do cativeiro.

Os apóstolos testemunharam Jesus não somente com a palavra, mas também com o modo de viver e com a própria morte. Por isso mesmo, seu martírio é uma festa para a Igreja, pois é o selo de tudo quanto anunciaram. O próprio São Paulo reconhecia: “Não pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus, o Senhor. Trazemos, porém, este tesouro em vasos de argila para que esse incomparável poder seja de Deus e não nosso. Incessantemente trazemos em nosso corpo a agonia de Jesus, a fim de que a vida de Jesus seja também manifestada em nosso corpo. Assim, a morte trabalha em nós; a vida, porém, em vós” (2Cor 4, 5.7.10.12).

Nesta Solenidade reafirmamos nossa adesão ao ministério de Pedro, na pessoa de seu Sucessor, o querido Papa Francisco. É também o Dia do Papa, quando ofertamos o nosso óbolo como presente! O nosso afeto, a nossa adesão ao seu ministério e o nosso compromisso em “ser uma Igreja em saída”, evangelizando as “periferias existenciais” nos animam pelo testemunho vivo, eloquente e transparente do Romano Pontífice, a quem desejamos as melhores consolações divinas e a quem nos associamos, em Roma, por ocasião do Consistório de criação dos novos Cardeais, levando a ele, em nosso nome e da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, as nossas orações e votos de muitos anos de profícuo pontificado em favor do testemunho crível do Evangelho.

Eis o sinal do verdadeiro Apóstolo: dar a vida pelo rebanho, com Jesus e como Jesus, gastando-se, morrendo, para que os irmãos vivam no Senhor!

Por isso, caríssimos irmãos, a alegria da Igreja na Festa de Pedro e Paulo: eles não só falaram, não só viveram, mas também morreram pelo seu Senhor; e já sabemos pelo próprio Cristo-Deus que não há maior prova de amor que dar a vida por quem amamos! Bem-aventurado é Pedro, bendito é Paulo, que amaram tanto o Senhor a ponto de darem a vida por Ele! Nisto são um exemplo, um modelo, uma norma de vida para todos nós.

Por Cardeal Orani João Tempesta – Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)

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