artigos - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br Site oficial da Diocese de Uruaçu - GO Sat, 28 Sep 2024 03:52:34 +0000 pt-BR hourly 1 https://old.diocesedeuruacu.com.br/wp-content/uploads/2018/12/cropped-favicon-32x32.png artigos - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br 32 32 170539269 A Busca Humana Pelo Conhecimento e Pela Verdade https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/a-busca-humana-pelo-conhecimento-e-pela-verdade/ Thu, 11 Jan 2024 02:35:07 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=67491 Existe uma frase atribuída ao famoso filósofo da antiguidade, Sócrates, que me causa certa inquietação, “uma vida sem busca, não é digna de ser vivida”. Eu me pergunto: O que seria essa busca? E por que a vida humana sem ela, seria menos digna de ser vivida caso não a realizemos?

Bem, devemos clarear algumas coisas aqui. A busca de que Sócrates está falando é a busca pelo conhecimento. Como sabemos, o modo de existência do homem é único entre todos os seres vivos porque ele é capaz de conhecer. Deus nos fez assim. O que nos torna à Sua imagem e semelhança são justamente essas potências interiores, a inteligência e a vontade. Porque somos seres de inteligência e vontade podemos eleger Deus, e sermos seus amigos.

A frase de Sócrates não deve ser entendida do ponto de vista que diminui o valor da vida humana. Sabemos que esse valor é intrínseco a pessoa, e que não está atrelado ao que ela faz ou tem. No entanto, podemos sim afirmar que o conhecimento imprime qualidade à vida humana. Vejam meus amigos, o conhecimento adquirido nos dá elementos que contribuem para o aumento da nossa própria liberdade. Quanto mais conhecemos, mais nos tornamos livres, pois, a partir do momento que eu conheço melhor o objeto de estudo, passo a ter maiores condições de elegê-lo e de permanecer fiel a essa opção de eleição.

O amor verdadeiro também exige o conhecimento e a liberdade. Não podemos testemunhar realmente o amor se não somos livres para isso, ou, se não conhecemos mais profundamente o bem que se ama. É por isso que as ideologias, as mentiras, a própria obstinação de muitos no erro, são como que máscaras colocadas para afirmar algo que não somos. É um grande engano achar que quem vive por uma ideologia, por uma mentira ou erro, pode ser feliz, que pode ter a inteligência e a vontade satisfeitas.

Eu também gostaria de falar da realidade da busca que experimentados ao logo da vida. Nós estamos sempre a procura de algo. Vivemos uma busca, e mesmo que não tenhamos de modo esclarecido na nossa mente aquilo que buscamos, nossa vontade não para de desejar, e acaba nos colocando em movimento num caminho que procura a saciedade. Quando a pessoa não faz uma correta adequação da realidade, o que consequentemente não permite a construção de uma ideia verdadeira e real sobre as coisas, corre-se o risco, infelizmente, de satisfazer-se de qualquer modo, ou, com migalhas.

Nesse sentido, encarando com seriedade que somos seres em busca e em constante movimento, descobrimos que o desejo que sentimos arder dentro de nós, e que não pode, de modo algum ser saciado pelas coisas desse mundo, é um grande sinal que aponta para o infinito. Só Deus, caros irmãos, pode saciar a sede que possuímos.

Vejamos um exemplo. Vocês se lembram de Pedro, Tiago e João? Do alto da montanha eles contemplam a face gloriosa de Cristo. Naquele momento a alma deles está preenchida de Deus, está preenchida de verdade. Pedro, encontrando o que o seu coração mais ansiava diz: “é bom estarmos aqui, façamos três tendas, uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias”. Ele não quer arredar o pé dali. Caros irmãos, quando encontramos a razão da nossa vida, que é Deus, que precisa ser Deus, encontramos a verdadeira paz. Aí a nossa inteligência e a nossa vontade repousam realmente, porque alcançam o motivo dos seus esforços.

Não tenham medo de buscar o que realmente importa. Não tenham medo de escancarar as portas dos vossos corações a Cristo! Não tenham medo de lutar pela verdade, sabendo que a maior de todas as verdades é Cristo! A verdade cristã em meio a uma sociedade adoecida e corrompida como a nossa, pode parecer as vezes frágil, pequena, e como Cristo na cruz, até impotente, mas ela sempre vai vencer, porque ela não é nossa, não é uma filosofia pessoal, é a verdade de Deus!

Pe. Roberto César Braga
Formador no Seminário Diocesano São José

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Filho do carpinteiro… antes, do Arquiteto. https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/filho-do-carpinteiro-antes-do-arquiteto/ Fri, 05 May 2023 12:01:29 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=66073 A certa altura, os ensinamentos de Jesus na sinagoga de sua terra provocam assombro nas pessoas: como poderia o filho do conhecido Zé da Maria ter tanta sabedoria? Quando os cidadãos admirados dizem: não é Ele o filho do carpinteiro? (Mt. 13,55), expressam ao mesmo tempo uma afirmação e uma dúvida. Que mistério subjaz naquela difícil compreensão?

Sim, Jesus é o filho de Maria e José, mas não apenas… há algo maior, que lhe confere identidade de um sábio e grande em obras. Antes de filho do carpinteiro, Jesus é filho do Divino arquiteto do universo, como Ele mesmo afirmou aos doze anos, no templo de Jerusalém.

Por isto, ao voltar nosso olhar para a carpintaria, encontramos no trabalho um ponto de intercessão entre o humano (José) e o divino (Iahweh). Onde Jesus passa a maior parte de sua vida é notória a associação do trabalho ao mistério da encarnação do Verbo de Deus. Ao entrar numa família da comunidade de Nazaré, Cristo assume todos os aspectos do ser humano, e ali começa a redenção, superando a nuance de castigo (Gn. 3,19) que pesava sobre os pecadores. O trabalho é a expressão do dinamismo da vida, lugar de criatividade e exercícios físicos, do ganha pão cotidiano, da prestação de um serviço a quem dele precisa, de progresso dos povos e ocasião para as relações sociais.

Mormente, depois do Verbo Eterno na carpintaria de José, o trabalho é também meio de santificação, ele é um jeito de amar o próximo. Como explicou o papa João Paulo II: “A expressão cotidiana deste amor na vida da Família de Nazaré é o trabalho de carpinteiro (…). Juntamente com a humanidade do Filho de Deus, o trabalho foi acolhido no mistério da Encarnação e redimido de maneira particular” (RC, 22). “Suportando o que há de penoso no trabalho em união com Cristo o homem mostrar-se-á como verdadeiro discípulo de Jesus, levando a cruz de cada dia nas atividades que é chamado a realizar (…). O suor e a fadiga, que o trabalho comporta proporcionam a todo homem a possibilidade de participar no amor à obra que o mesmo Cristo veio realizar” (LE, 22 e 27).

Esta teologia, da Encarnação e Redenção realizada por Jesus Cristo, não poderia excluir ou ignorar a presença e função de José, o carpinteiro. Oportunamente foi que, aproveitando o dia do Trabalho inaugurado em Chicago no ano de 1886, o papa Pio XII estabelece a festa de São José Operário em 1955, colocando-o como ícone de quem santifica o trabalho e pelo trabalho se santifica, obedecendo a Deus e servindo ao próximo.

Sim, é melhor trabalhar do que ficar à toa. Quem é à toa atrapalha: não se exercita fisicamente como deveria; a cabeça desocupada pode ser oficina do diabo; deixa de imitar Deus que trabalhou e se junta ao diabo por conta da inveja e orgulho sobre os bens alheios; depende da bondade dos outros ou passa a roubar para sobreviver; hora dessas e mais cedo vai parar na cadeia ou cemitério. Ao passo que, quem trabalha sofre, mas se alegra com a consciência tranquila: não se torna pesado aos outros; realiza seus sonhos; é útil aos outros fazendo bem o próprio dever; melhora o mundo com sua atuação técnica, estética e ética; obedece a Deus que colocou a obra criada sob nossa responsabilidade.
Queremos frutos? Exerçamos o labor e o Senhor nos recompensará. Trabalhemos, reservando o tempo do justo repouso e da adoração! Assim o fez o filho do carpinteiro… antes, Filho do Eterno arquiteto do mundo.

(Pe. Crésio Rodrigues – 1º. de maio de 2023)

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Amor em tempos de modernidade https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/amor-em-tempos-de-modernidade/ Thu, 20 Oct 2022 10:28:50 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=64812 Esse artigo é direcionado a todas as pessoas de bem, mas, de modo especial, aos casais que ouvem constantemente o discurso de que precisam se abrir às “novas formas de amar”. O foco da discussão é a aparente incapacidade humana de num relacionamento amoroso se viver a monogamia. Parece, de acordo com alguns “estudiosos”, que a progressiva quantidade de traições observadas entre os casais de hoje comprova que somos feitos para uma espécie de amor poligâmico. Essa reflexão tende para uma fragmentação da pessoa, separando sentimento verdadeiro, de desejo. Com algum escolhido/a se vive de forma mais inteira, enquanto outros/os existem apenas para satisfazer o apetite sexual.

Discordamos enfaticamente dessa concepção. Uma relação em que se busca puramente o prazer sexual beira ao animalismo. Vincula-se muito mais ao comportamento das bestas, que ao humano racional. Precisamos considerar que o homem é uma unidade psicossomática, e que por isso não se pode separar nele a afeição, do sexo. A ocorrência desse fato reduz homem e mulher a meros objetos e fere a dignidade de ambos.
Portanto, qual é o nosso posicionamento? Acredito que o amor entre o homem e a mulher constitui o arquétipo do amor humano. Desde os tempos mais remotos esse amor foi chamado de eros, e por isso era experimentado como uma maneira de comunhão com o divino, o que levou muitas religiões primitivas à prática da prostituição “sagrada” dentro de seus templos. Procurando redimir a humanidade de suas más escolhas, através da encarnação do Verbo, Deus se revela a partir de um amor livre de toda a voluptuosidade, chamado ágape. Esse novo movimento sustém a experiência que é verdadeiramente descoberta do outro, doação gratuita ao outro, superando o egoísmo que prevalecia antes. O amor não pode ser a busca por si próprio, mas uma infatigável preocupação pelo bem do amado.

Discordamos enfaticamente dessa concepção. Uma relação em que se busca puramente o prazer sexual beira ao animalismo. Vincula-se muito mais ao comportamento das bestas, que ao humano racional.

Nesse sentido, cai em descredito os argumentos utilizados para defender a poligamia e o chamado “amor livre”. A liberdade no ato de amar está na capacidade de não nos prendermos aos ímpetos carnais, mas ir além da matéria e viver uma união de corpo e alma. O verdadeiro amor exige uma parceira responsável e um ambiente que exala segurança para que possa crescer, coisas impossíveis de serem encontradas fora da família verdadeiramente constituída.

Pe. Roberto César Braga
Vigário da Paróquia São José Operário – Diocese de Uruaçu

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O Batismo do Senhor e o nosso Batismo https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/o-batismo-do-senhor-e-o-nosso-batismo/ Fri, 08 Jan 2021 18:11:44 +0000 https://diocesedeuruacu.com.br/?p=59956 Mistério de fé este Batismo que Jesus vem solicitar unido com os pecantes, como alguém na fileira que aguarda sua vez perante um afluído confessionário. Maior Mistério, é também, aquele que a Liturgia e o Evangelho se omitem de expor: aqueles trinta anos de paz, que é fruto da justiça, nos quais Jesus se curvou até o encovado na situação humana, tornando-se em tudo idêntico as pessoas afora no pecado. “Porque não temos nele um pontífice incapaz de compadecer-se das nossas fraquezas. Ao contrário, passou pelas mesmas provações que nós, com exceção do pecado” (Hb 4,15). Além disso, este é: Evangelho da calmaria, da vida escondida, das pessoas pobres, que do mundo abrigaram-se um pouco de ar para respirar e um pouco de mantimento para resistir, saldando tudo com o azado suor. Também, imitou-nos, no abrolhar de modo simples, no conviver, como a Santa Mãe Igreja nos lecionou no Natal, imitou-nos na morte, como nos prontificamos a relembrá-Lo no tempo da Quaresma e na Páscoa. Aquela lacuna de trinta anos no Evangelho deve nos educar exatamente: em Nazaré, por trinta anos, Jesus viveu o formidável habitual da vida.

A Liturgia de agora, estão atualizados os fatos basilares do Batismo cristão: a remissão dos pecados, a entrega do Espírito, a filiação divina e o chamado profético a ser instrumento de salvação para os outros. Renascimento da água e do Espírito: “Em verdade, em verdade te digo, quem não renascer da água e do Espírito não poderá entrar no Reino de Deus” (Jo 3,5). Enxertados, inumados e Ressuscitados com Cristo: “Ou ignorais que todos os que fomos batizados em Jesus Cristo, fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com Ele na sua morte pelo Batismo, para que, como Cristo ressurgiu dos mortos pela glória do Pai, assim nós também vivamos uma vida nova” (Rm 6,3-4). Linguagens dessemelhantes e falam a mesma realidade.

Destarte, Jesus, é aprovado a um serviço para todos os homens: um serviço de salvação, de libertação, de justiça. A complacência manifestada pelo Pai sobre Ele no Batismo é determinada exatamente pela presteza e pela submissão de Jesus em acolher este serviço.
E nós batizados? somos discípulos missionários de Jesus a começar na família, testemunhando-O com fé e ardor. “Todo batizado, chamado à maturidade da fé, tem direito a uma catequese adequada. Por isso, é missão da Igreja corresponder de modo satisfatório. O Evangelho não se destina à pessoa abstrata, mas a cada pessoa, real, concreta, histórica, inserida em um contexto particular e marcada por dinâmicas psicológicas, sociais, culturais e religiosas”(Diretório para a Catequese, nº 224), porque “todos e cada um foi compreendidos no Mistério da Redenção” (Redemptor Missio, nº 13).

“A família é uma comunidade de amor e vida, constituída de um complexo de relações interpessoais, vida conjugal, paternidade, maternidade, filiação, fraternidade, mediante as quais cada pessoa humana é introduzida na família humana e na família de Deus, que é a Igreja” (Familiares Consortio, nº 15). “A família é um anúncio de fé enquanto lugar no qual a fé pode ser vivida de maneira simples e espontânea. A família tem uma prerrogativa única: transmitir o Evangelho, radicando-o no contexto de profundos valores humanos.

Sobre essa base humana, é mais profunda a iniciação na vida cristã: o despertar para o senso de Deus, os primeiros passos na oração, a educação da consciência moral e a formação do senso cristão do amor humano, concebido como reflexo do amor de Deus, Criador e Pai” (Diretório para a Catequese, nº 227).

“Os pais que creem, com seu exemplo diário de vida, têm a capacidade mais envolvente de transmitir aos próprios filhos a beleza da fé cristã” (Diretório para a Catequese, nº 124).
Os padrinhos, sua missão é “mostrar ao catecúmeno, de modo familiar, a prática do Evangelho na vida particular e na convivência social, ajudá-lo nas suas dúvidas e inquietações, dar testemunho acerca dele e velar pelo crescimento da sua batismal” (Ritual da Iniciação Cristã de Adultos, nº 43).

Coesos com os pais, os avós, notadamente em algumas civilizações, cumprem um papel especial na difusão da fé para os jovens. As Escrituras mencionam à fé dos avós como depoimento para os netos: “Conservo a lembrança daquela tua fé tão sincera, que foi primeiro de tua avó Lóide e de tua mãe Eunice e que, não tenho a menor dúvida, habita em ti também” (2Tm 1,5). Os avós são riquezas sob o aspecto social, religioso e espiritual. Diante das tensões familiares, que muitas vezes tem um maior enraizamento na fé cristã e um passado rico de noções, tornam-se citação formidáveis. Repetidamente, de fato, muitas pessoas carecem aos avós sua favorável introdução à vida batizada.

Deveres dos filhos: “A paternidade divina é a fonte da paternidade humana; é o fundamento da honra devida aos pais. O respeito dos filhos, menores ou adultos, pelo pai e pela mãe alimenta-se da afeição natural nascida do vínculo que os une e é exigido pelo preceito divino” (CIgC, nº 2214).

“O respeito pelos pais (piedade filial) é produto do reconhecimento para com aqueles que, pelo dom da vida, por seu amor e por seu trabalho puseram seus filhos no mundo e permitiram que crescessem em estatura, em sabedoria e graça” (CIgC, nº 2215). “Honra teu pai de todo o coração e não esqueças as dores de tua mãe. Lembra-te que foste gerado por eles. O que lhes darás pelo que te deram?” (Eclo 7,27-28).

“O respeito filial se revela pela docilidade e pela obediência verdadeiras” (CIgC, nº 2216). “Meu filho, guarda os preceitos de teu pai, não rejeites a instrução de tua mãe… Quando caminhares, te guiarão; quando descansares, te guardarão; quando despertares, te falarão” (Pr 6,20-22). “Um filho sábio ama a correção do pai, e o zombador não escuta a reprimenda”(Pr 13,1).

E, se sentirmos a coragem, ou ao menos, ardente desejo, de dividir a missão de Jesus para com os irmãos, o Pai nos noticiará o Espírito de seu Filho e, unido em um só corpo e um só espírito com Jesus Cristo, poderá proferir também sobre nós esta dulcíssima palavra: “Tu és meu Filho muito amado; em ti ponho minha afeição”(Mc 1,11).

Itapaci-GO, 10/janeiro/2021

Pe. Antônio Teixeira Sobrinho

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