Anne-Marie Pelletier - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br Site oficial da Diocese de Uruaçu - GO Sat, 28 Sep 2024 04:08:29 +0000 pt-BR hourly 1 https://old.diocesedeuruacu.com.br/wp-content/uploads/2018/12/cropped-favicon-32x32.png Anne-Marie Pelletier - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br 32 32 170539269 Via Sacra no Coliseu vai lembrar a "banalidade do mal" no mundo https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/via-sacra-no-coliseu-vai-lembrar-a-banalidade-do-mal-no-mundo/ Thu, 13 Apr 2017 08:26:25 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=45450 As meditações da Via Sacra a que o Papa vai presidir nesta Sexta-feira Santa, 14, no Coliseu de Roma, lembram a “banalidade do mal”, numa proposta da teóloga francesa Anne-Marie Pelletier.

“São inúmeros os homens, as mulheres e até as crianças abusadas, humilhadas, torturadas, assassinadas, sob todas as dimensões do céu e em cada momento da história”, refere o texto da biblista, a primeira mulher a ser distinguida com o Prêmio Joseph Ratzinger, uma espécie de Nobel da Teologia.

As reflexões para as 14 estações que recordam os momentos do julgamento, condenação e execução de Jesus Cristo apresentam-se com uma proposta diferente em relação ao esquema tradicional destas celebrações, para lembrar a presença do mal na humanidade.

“Trata-se do nosso mundo, com todas as suas quedas e os seus sofrimentos, os seus apelos e as suas revoltas, tudo aquilo que clama a Deus, hoje, a partir das terras de miséria ou de guerra, nas famílias dilaceradas, nas prisões, nas barcaças sobrecarregadas de migrantes”, diz.

Anne-Marie Pelletier cita Santa Catarina da Siena, a judia Etty Hillesum, o teólogo ortodoxo Christos Yannaras e o pastor Dietrich Bonhoeffer, entre outros.

A Via Sacra do Coliseu de Roma recorda ainda os monges assassinados em Tibhirine, sete religiosos trapistas sequestrados e mortos na Argélia em 1996.

Para a biblista francesa, era necessário que “Jesus Cristo trouxesse a ternura infinita de Deus até ao coração do pecado do mundo”. “Era necessário que a doçura de Deus visitasse o nosso inferno; era a única maneira de nos livrar do mal”, acrescenta.

A 14ª estação reflete sobre ‘Jesus no sepulcro e as mulheres’, rezando pelas mulheres “mulheres que honram, neste mundo, a fragilidade dos corpos que elas circundam de doçura e consideração”.

A tradição da Via Sacra no Coliseu de Roma remonta ao século XVIII e foi retomada em 1964 pelo Papa Paulo VI.

Todos os anos, o Papa pede a um autor diferente a redação dos textos de reflexão apresentados nas estações da Via Sacra de Sexta-feira Santa, seguida por dezenas de milhares de peregrinos, com velas na mão.

Nos últimos anos, as meditações tinham sido confiadas ao cardeal Béchara Boutros Raï, patriarca de Antioquia dos maronitas (Líbano), com a colaboração de vários jovens do seu país (2013); ao arcebispo italiano D. Giancarlo Maria Bregantini (2014); ao bispo italiano D. Renato Corti, antigo responsável pela diocese de Novara (2015); e ao cardeal Gualtiero Bassetti, da diocese italiana de Perugia (2016).

Por Canção Nova, com Agência Ecclesia

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A Paixão mostra Deus presente onde menos se esperava https://old.diocesedeuruacu.com.br/noticias/a-paixao-mostra-deus-presente-onde-menos-se-esperava/ Tue, 04 Apr 2017 13:24:13 +0000 http://teste.toqueto.com/a-paixao-mostra-deus-presente-onde-menos-se-esperava.html Será a primeira vez no Pontificado de Francisco que caberá a uma mulher a missão de escrever as meditações para a Via Sacra da Sexta-feira Santa, no Coliseu. Trata-se da biblista francesa, Anne-Marie Pelletier, que em 2014 foi condecorada com o Prêmio Ratzinger.

“Não será um caminho da Cruz “feminista” no sentido em que os refletores serão dirigidos somente para as mulheres, assegurou ela à Agência Adnkronos. Os protagonistas masculinos têm muito a ensinar. Devem confrontar-se juntos com suas fraquezas, a obscuridade da fé, o excesso do mal e o excesso mais radical do amor que Deus opõe à loucura e aos fracassos do homem”.

“O drama espiritual da humanidade que diz sentir aversão pela morte e ao mesmo tempo mostra-se cúmplice dela, seguindo por caminhos de pecado, do orgulho mortífero, da rejeição do outro, da agressividade, do “somente eu”, as consequências da busca do sucesso a qualquer preço, a coragem e a resistência das tantas mulheres vítimas da violência e da dor. Estas são algumas das questões espinhosas para a humanidade atual e que estarão presentes nas  XIV Estações da Via Sacra.

Ela é a primeira mulher leiga, escolhida por Francisco, para escrever as meditações da Via Sacra. “Naturalmente – confessou Anne-Marie – sou sensível ao caráter inédito desta participação”. E nas meditações, “quis honrar a coragem e a resistência das mulheres na dor – explicou – os gestos de solicitude e compaixão quando ficam aos pés da Cruz e após a morte de Jesus. São os mesmos gestos que continuam a ter tantas mulheres anônimas no mundo. Crentes ou não, preocupadas pela carne do outro em dificuldade”.

A este propósito, a biblista focou a atenção em “evidências muito esquecidas: aos pés da cruz, quando Jesus expira, estão presentes somente mulheres, enquanto quase todos os homens desapareceram. Da mesma forma na manhã da Páscoa, são sempre as mulheres que se apressam para chegar ao túmulo e receber o anúncio da Ressurreição. O mistério pascal convoca as mulheres de maneira especial. Depois do primeiro estupor, pensei que esta era uma ótima maneira para exercer o sacerdócio batismal, que ocupa um lugar importante no modo em como conheço a Igreja e ensino”.

Ao falar dos temas tratados nas meditações, Pelletier explicou que “colocar os próprios passos naqueles da Via Sacra até o Gólgota onde Jesus expira, significa encontrar-se no coração ardente da profissão da fé cristã. Significa experimentar a força de um paradoxo absoluto que não é outra coisa que aquilo que professa a fé. O paradoxo pelo qual, enquanto parecem triunfar definitivamente injustiça e violência, são o  amor e a vida que vencem o pecado e a morte”.

“Aos meus olhos – explica ela – entrar no caminho da Cruz significa entrar na resistência de esperança, esta esperança da qual as nossas sociedades perderam o sentido e o gosto”. “Diante do inocente absoluto que é Cristo – reitera –  a história da Paixão revela a cumplicidade de todos”.

A hora da Paixão é outro momento que ganha relevo nas meditações, como “o momento decisivo que destrói todas as imagens idólatras de Deus que a humanidade constrói para si. Incluída a humanidade religiosa! A Paixão mostra Deus presente onde menos se esperava. O mostra onde não deveria estar, em meio aos pecadores e em um local de morte! Revela assim que o Altíssimo é idêntico ao muito baixo. Grande inversão de todas as imagens da glória e do poder. Subversão das hierarquias habituais. De novo – sublinhou a autora das meditações – muitas as consequências pelo apreço daquilo que humanamente chamamos sucesso. De fato, o Papa Francisco não deixa de nos recordar estas verdades”.

Por Rádio Vaticano

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