amar ao próximo - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br Site oficial da Diocese de Uruaçu - GO Fri, 27 Oct 2017 14:32:38 +0000 pt-BR hourly 1 https://old.diocesedeuruacu.com.br/wp-content/uploads/2018/12/cropped-favicon-32x32.png amar ao próximo - Diocese de Uruaçu https://old.diocesedeuruacu.com.br 32 32 170539269 O maior mandamento https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/o-maior-mandamento/ Fri, 27 Oct 2017 14:32:38 +0000 http://teste.toqueto.com/?p=49253 No Evangelho da santa missa do domingo passado, ouvimos Jesus discutindo com as autoridades judaicas sobre a questão do pagamento de imposto, se é lícito pagar imposto a César ou não. Jesus deixou uma resposta que até hoje é paradigmática: “Dai a César o que é de César, dai a Deus o que é de Deus”. Na sequência do Evangelho lido na Liturgia de hoje São Mateus narra outro debate provocado pelos fariseus – Mt 22,34-40. Ouvindo dizer que Jesus fechara a boca dos saduceus, os fariseus decidiram, eles também, pôr Jesus à prova. Um deles lhe perguntou: “Mestre, qual é o maior mandamento da lei?” Jesus respondeu unindo dois mandamentos, o primeiro que está no “Shemá Israel” (Dt 6,4ss): “amar a Deus acima de tudo”, e o segundo que está no Levítico 19: “amar ao próximo”. Jesus, então, assim, se expressou: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento! Esse é o maior e o primeiro mandamento. O segundo é semelhante a esse: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo”. E concluiu sua fala, dizendo: “Toda a lei e os profetas dependem desses dois mandamentos”.

A pergunta era oportuna naquela época, quando Jesus sabia que todo judeu, a cada dia, de manhã e de tarde, devia proclamar o “Shemá (Escuta) Israel? A resposta é sim. É sempre oportuno, em primeiro lugar para que não se caia na rotina e na repetição mecânica de palavras que vão se tornando vazias de sentido, distantes do cotidiano, sem pegada para influenciar os comportamentos e para dar cor, sabor e valor à vida. Em segundo lugar, porque os próprios escribas falavam existir no judaísmo uns seiscentos e treze mandamentos como preceitos e proibições que se ajuntaram ao longo do tempo e que não vieram diretamente de Deus, mas foram criados por eles mesmos, e tudo isso era igualmente importante. E que, portanto, no meio de uma religião misturada confusamente com tantas normas e regras e leis e mandamentos, as pessoas simples acabavam perdidas, sem saber ao certo o que é o essencial da religião e qual o mandamento mais importante. Por isso, a pergunta era mais do que pertinente.

Também para nós hoje pode acontecer de igual modo a mesma coisa. Não é assim que todo domingo, na Missa, juntos, rezamos a oração do “Credo”, o resumo de nossa fé, mas depois, no dia a dia, mais de uma vez, nem bem nos lembramos do conteúdo daquilo em que acreditamos nem sabemos dar a razão da nossa fé quando provocados?

Não é a toa que hoje se ouve dizer com frequência que nós, católicos, precisamos voltar aos fundamentos da nossa fé católica, ao básico do nosso Catecismo, aos mandamentos de Deus, à Sagrada Escritura, ao Magistério da Igreja, aos Sacramentos, às verdades sobre Jesus, a Igreja e o ser humano, à oração, à liturgia, aos sacramentos, à devoção a Maria e aos Santos. É por isso que a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) publicou, em 2007, um livro chamado “Sou Católico”, exatamente com a finalidade de nos lembrar os pontos essenciais da nossa fé católica e assim nos ajudar a viver a nossa fé. Esse livrinho, de fácil leitura, está disponível em qualquer livraria católica.

Para falar sobre o básico do básico, podemos nos lembrar de ao menos dois grandes santos. Primeiro, de Santo Agostinho, que resumiu toda a fé e moral no amor. São célebres estas suas palavras: “Ame e faça o que quiser”. Pode-se ver em Agostinho uma síntese da síntese de Jesus no Evangelho de hoje. Segundo, de Santa Teresa d’Ávila, que deixou estas palavras lapidares, resumo de sua experiência mística: “Que nada te perturbe. Que nada te apavore. Tudo passa. Só Deus não muda. A paciência tudo alcança. Quem tem a Deus nada lhe falta. Só Deus basta”.

Veja como o nosso estimado Papa Francisco expressa a sua compreensão mais profunda de Deus. Segundo ele diz, “O nome de Deus é misericórdia”, e também, “A misericórdia é a ‘carteira de identidade’ de Deus”. São Francisco de Assis, inspirador do nosso Papa, em certa ocasião fez a seguinte oração: “Senhor, quem sois vós e quem sou eu? Vós sois o Altíssimo Senhor, Criador do céu e da terra, e eu um simples vermezinho, ínfimo servo vosso”.  Por isso, ele gostava de, constantemente, pedir a Deus: “Dai-me uma fé íntegra, uma esperança firme, uma caridade perfeita! Concedei-me, meu Deus, que eu vos conheça muito, para poder agir sempre segundo os vossos ensinamentos e de acordo com a vossa santíssima vontade”.

Por Dom Caetano Ferrari – Bispo de Bauru

]]>
49253
Categorias sociais https://old.diocesedeuruacu.com.br/artigos/categorias-sociais/ Mon, 23 Oct 2017 14:37:18 +0000 http://teste.toqueto.com/categorias-sociais.html A atual Constituição Federal, de 1988, no seu quinto artigo, diz: “Todos são iguais perante a lei…”. O Evangelho de Jesus destaca o maior dos Mandamentos: “Amar a Deus e amar o próximo” (Mt 22,37-39). Mesmo sob o conjunto das normas aplicadas em categorias sociais diferentes, o amor é a lei maior, que deve superar as diversas realidades, que compõem a estrutura de uma sociedade.

As categorias não deveriam ter atitudes de contraposição. Para os seguidores de Jesus Cristo, o mandamento maior do amor os leva à prática evangélica. Quem ama a Deus, por consequência, deveria amar também o próximo, mesmo que ele seja de outra categoria. Na pessoa existe a estrutura humana como sustentáculo da existência. Internamente está presente a força da ação de Deus.

Em Jesus Cristo, o amor ao próximo foi na medida do amor do Pai do céu pelos seus filhos. Um amor de doação total, com requinte de morte na cruz. Foi uma prática diferente do que acontece hoje. Temos mortes provocadas com requintes de crueldade, de atitudes totalmente contra os indicativos do Evangelho. O sentido da vida humana, e divina, fica totalmente desrespeitado.

O amar a Deus e ao próximo, mesmo em categorias diferentes, não depende de quanto fazemos para Deus ou para o próximo, mas a forma como a pessoa se comporta nas suas intenções. Os frutos devem ser expressão da vontade de querer fazer e realizar concretamente o bem. Quem ama o próximo dentro desse contexto, automaticamente estará amando a Deus.

Há uma expressão, fundamental para identificar a vida das pessoas, que diz mais ou menos assim: ‘Não se deve fazer a outrem o que não é desejado para si mesmo’ (cf. Ex 22,20). O formato disso deve chegar ao coração de todas as pessoas, seja a qual categoria humana pertença. Tudo depende da sensibilidade interior, onde reina a força sagrada da consciência de cada indivíduo.

O próximo, aquele que Jesus fala, não é apenas o mais necessitado, o carente e marginalizado, mas a pessoa humana com quem existe convivência. O amor verdadeiro se expressa no relacionamento e na superação dos reais obstáculos da convivência, mesmo que sejam mínimos. É dentro disso que a vida passa a ter sentido e é assumida com uma alegria totalmente contagiante.

Por Dom Paulo Mendes Peixoto – Arcebispo de Uberaba

]]>
49126